A politica financeira do presidente Washington Luis

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JosÉ:
CARI.jOS
DE
MACEDO
SOARES
A POLITICA FINAN[EIRA
DO PRESIDENTE
WASHINGTON LUIS
--192R
INSTITUTO
-D. ANNA
Rua. Vcrguelro,
-
ROSA
341
S. PAULO-
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A POLITICA FINANCEIRA
DO PRESIDENTE
WASHINGTON LUIS
----lO:¿H
----
I;-;LST1TUTO D. ANNA
Hua
Ver~u~lru,
BAi\:CO lk
BIIlLlOl~
l~O:SA
341
LA
Cirr'UBLlCA
LUIS- ANGEL ARANGO
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Discurso pronunciado na sessào solenne da Assocla~ao Commercial de Sao Paulo, realíuda aos 26 de Novembro de 19:17,
Tomaram assento á lJlesa o Exmo Sr. Feliciano
lebre Mello, ¡>residente; a Exmo. e Revrno. Sr D. Duarte
Leopoldo e Silva, arcebispo de Sao Paulo, e todos os expresidentes da Associaçâo Commercial de Sào Paulo,
Exmo~. Srs. Dr. Joao Zeferino Vellozo, Coronel Bento
Pires de Campos, Sr. Francisco Nkoláo Baruel, Dr. Er.esto de Castro, Dr. Horado Rodrigues e Dr. Antonio
Cartas de Assumpçâo.
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Minhas senhoras,
Exmo. e Revmo. Sr. Dom Duarte Leopoldo
e Silva, eminente Arccbispo de S. Paulo,
Senhores Directores da Associaçao Commercial de S. Paulo,
Senhores Directores da Associaçao Commercial de Campinas,
M~us amigos.
Nao póde ser maior a honra que me tóca
ole receber das màos do presidente da Associaçao
Commercial de S. Paulo essas homenagens populares de applauso e de carinho.
As palavfas ponderadas do vosso illustre
orador - typo do bom varào - fixaram magistralmente a verdaJeira funcçao social da Associaçao Commercial lie S. Paulo, e exprimiram eX<tctéUllente como Sl: conduziu a nossa Associaçào no
momento mais penoso da "ida da cidade.
Estavamos
á frente da i\ssocíaçao Commercial de S. Paulo, isto é,da classe que encarna, corn a !a,'\ lura, os mais legitimas intcresses
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conservadores d.o Estado, quando o surto da rcvoluçào de 2l creo u cspontaneamente
um movimento de reacç~o defensiva, analogo nos organismos sociaes á reacçào biologica contra os
germens das infecçocs virulentas.
O instincto
de conservaçàO do pOYO paulista suscitou as primeiras e decisivas providencias necessarias e indispcnsaveis á preservaçáO do corpo socia! violentamente exposto a perigo imminente.
Os tragicos acontecimentos de Julho de 1924
já est~o fixados num plano historico, e delles já
nos podemos occupar corn a serenidade necessaria aos julgarnentos definitivos.
No terror e na desordem da crise politica,
o povo paulista nao se abandonou aD panico.
Desde o primciro instante o seu instincto profundo da vida dictou-lhe as medidas necessarias
á defesa dos seus primordiacs interesscs, creou
uma ordem relativa, ;¡cudiu ás necessidades mais
urgentes de urna importantissima
agglomeraç~o
humana abandonada, soccorreu aos que tinham
ticado sem tecto, protege u os que estavam ex.pastos aos perigas do ferro e do fago, apoiou e
facilrtou as corrente~ de retirantcs e foragidos.
Depois de amparada a vida e a segurança dos
cidad¡tos e de suas familias, S. Paulo d~fendeu
as suas riquezas" impediu a destruiçâo dos instrumentos do St:u trabalho e o saque ás reservas
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- 7 do seu labor. Graças á moderaçâo dos detentores de facto do governo da cidade, Sáo Paulo
poude disputar á revoluçao um capital avultadissima, depositado nos Bancos, quo teria indiscutivelmente injectado nas veias da rcvoluçao urna
força nova que, gcralmente, constitue o elemento
decisivo das victorias.
A kgitimidade
dl:sse esforço paulista cm
defesa da propria vida, da segurança e da riqueza
do Estado era Je tal fÓrma evidente que se impaz ao poder discrec¡onario da revoluçàO, no momento triumphantl:.
Evidenh:mente, esse (orajoso esforço da collectividade foi encabeçado por um grupo de paulistas que csta\'am no denr de tomar iniciativas,
cm \'¡rtude dos postos que cntào occupavam.
Mas, nero a acÇao desses chefes cventuaes tcria.
sido possivel sem a iromediata adhcsao do pavo,
nem teri1 obtido o exito que conseguiu, se n:1o
fossem inspirados directamente na fonte de admiravci:., virtudes civicas que a populaçào Je S.
Paulo nos revdou.
Senhores, está na memoria de todos que a
legalidade restaurada deixou-se empolgar pelas
paixoes, na volta ao poder, e, por um singular
iUogismo, os sacerdotes da lei restaurada imputaram aos pau1istas o crime singular Je terem
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-- 8 defendido as divindades, a culto e él nqueza do
templo cm que officiavamo oo
Esst:s desvairamentos
das paixoes politicas
rauco duraram.
O que ficou da tormenta foi,
cm primeiro logar, a convicçao firme e st:gura.
de que neste torrao da Patria Brasileira ha urna
força superior aos interesses da politica partidaria:
a direito do pavo paulista de viver cm paz, de
trabalhar e ganhar o pao quotidiano, sem esperar
que lh'o assegurem e Ih'o traga m á bocca os
politicos dos partidos e das facçoes. E mais, que
se él política é a escola e o systema dos governos necessarios e uteis á collectividade, ella n1\o
póde antepor-se, em nome das suas conveniencias, aos grandes interesses da sociedade de que
depende.
E' necessario, senhores, nao esquecer que,
neste paiz, ha Ul11 po va que palpita, respira e
l'i,oe, quc, afinal, os mandatarios. legitimas ou
iIlegitimos, "i,oem na dependencia de quem lhes
outorga o mandato que desfructam, e cm cujo
exercicio nâo pódem antepôr os seus caprichos
:.ís finalidades nacionaes, os seus instinctos aos
nossos direitos, a~ suas paixoes á nossa larga
tolerancia, os seus rancares e os seus odios aos
profundos sentimentos de caridade, de generosidade e de nobrc fraternidade, que transbordam
do coraçào do povo brasileiro.
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Scnhorcs, a i\açJo tem o incontestavel dircito de dizer o que quer e o que sente aos detentores eycntuacs do poder, e. em ncnhuma
reuniao, a palavra, verdadeiramente popular, póde
e deye reboar com tanta majestade, como neste
instante e neste recinto, onde se congrega m os
representantes legitimas dos que arrancam o Eructo
i terra, dos qUl: manufacturam os objectos necessarios ávida,
dDS que fazcm circular a rifJ.ueza: da lavoura, da industria e do commercio,
isto, é, as força" economicas, vivas, da Patria, o
seu sàngLlc
ardente
e nobre.
PROGRESSa MATERIAL DE S. PAULO
Senhores, qucm n:m de longe, e depois de
longa Jusencia, cnthusiasma-se, e admira os resultados do vosso collossal trabalho.
S. Paulo
. é como as majestosas célthedraes gothicas, que,
primeiro, se impoem dl: longe, na perspectiva
do seu monumental
conjuncto:
e, depois, de
mais proximo, na preciosidade dos là\'ores, na
perfeiçáo do talhe das retiras rendadas dos porticos, das fléchas, das abobadas.
Nos ultimos cinco annos de \'ossa actividade
as estatisticas 1110stram que sÓ a exportaçào do
café espalhou pelo pail. mais de 8 milhOes de
con tos de réis.
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E nao é só o café, senhores, que fornece
tào miraculosa fortuna.
V hie o com mercio internacional pelo porto dc Santos.
tLt vinte annos, compravamos ao estrangeiro 134 mil contas,
e chegamos agora a mais de 1 milhao e 240
mil cantos.
N esse periodo de tempo, a que lhe
vendemos suhiu de 342 mil cantos a 2 milhùes
192 mil (ontu~,,!
Vejamos, porém, mais de perto a propria
cidade de S. Paulo.
Pelo recensearncnto de 1926 contavamos
3.629 estabelecimentos
industriaes,
occupando
203.736 operarios. Se cada operario n:prescn ta,
no minima, tres pessoas, ahi estao 600.000, do
milhào de habitantes que, tah-ez, já scjamospertencentes á classe operaria.
Pois bem, a producçao industrial de S. Paulo, em vinte annos,
galgou de 120 mil a 1 milh~o 2 1 J mil contas.
O imposto de industria, arrecadado cm 1907, mal
orçava em 60 contas; cm 1927 entraram nas
arcas do Thesouro, por esse caminho, 1.886 can-
tos. de réis 1
A «Light & Power» dispunha cm 1924 de
kilowatts; hoje dispoe de 176.000, e ao
terminarem as obras cm andamento ou projecta-
65.000
Jas contará corn œrca de 600.000 kilowatts. O
«Manmll do Engenhciro)}, de Hutle, nos ensi.na
que cada kilowatt equivale a 1,36 cavallo-vapor
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Il
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e que a força humana representa 1/21 do C<lvallo-vapor.
Isto significa que em Il)24 a grande
empreza nos fornecÏa força equivalente il 1 milhao, 856 mil e 400 homens, e quatro ou cinco
a.nnos mais tarde nos forneccrá força equivalente
a 17 milhoes, 136 mil homens!
A Cachoeira do Maribondo, que na opiniào
de technicos autorizados poderá produzir 200.000
cavallos, era até bem pouco considerada ainda
inaccessivel, olhada como scintillante ¡oia perdida
no sertao. Graças á competencia technica e á
inquebrantavel tenacidade de um illustre engenheira paulista, lá se vao assentando os derradeiros machinismos para o aproveitamento da decima parte de t10 vultuosa força.
Do dominio das coisas materiaes, das 11quezas e das forças economicas, passemos ás
caisas espirituaes.
Em menos de vinte annos, no decurso do
governo do mesmo illustre pastor, que é urna
gloria do Brasil, um só bispado de 23) parachias,
abrangendo todo o Estado de S. Paulo, se canverte em um arcebispado, nove bispados e 360
parochias !
INQUIET AÇAO EXAGGERADA
Comtudo, senhores, observo
rescaldo das paix.óes politicas do
que ainda no
govemo pas-
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sado resente-se o Brasil Je certa inquietaçào e
impaciencia, deante Jo programma financeiro, mal
conhecido, mal analysado, do Governo Federal,
a cuja frente se aeha um estadista de S. Paulo.
E' natural que repen::utam fundamente cm
nos~o mcio qucstües vitaes para os que trab"alham, como as que se relacionam corn o valor
da moeda, na quaI recolhemos a [rueto do nosso
esforço. Nenhuma questào financcira e economica é Uo delicada, tào complexa, tao terrivel
nas Sllas consequencias mediatas e immediatas,
como as que se entcndem corn a valor e a estabilidade do dinheiro.
Esse problema dorme
comnosco, traduzido no tecto quc nos abriga;
e, lago que despertamos, continúa a impôr-se1l0S no que vestimos,
no pào que nos alimenta,
no transporte que nos approxima; cm resumo,
em todas as necessidades imperiosas e inilludiveis da existencia quotidiana.
Ante a magnitude do problema, deante da
ólutoridade e gravidade desta assembléa de homens
do trabalho, industriaes e commerciantes, forçoso
é que nos oecupemos do aspecto technico e financciro da reforma monetaria.
Estamos convencidos de que exaggerada é
a inquietaçao que se nota a proposito do programma financeiro cm execuçào no paiz.
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-1)A estabilizaç;lO do valor da moeda é sempre
UIll bem, mesmo a urna taxa que parcça exaggeradamcnte baixa.
E'. obvio que o actual goVt:rno da l\cpublica
está envidando esforços para conseguir, a mais
rapiJamcnte passive!, () equilibrio orçamentario e
a liqllidaçào da divida fluctuante, bem como a
incremento da prodUCÇ;lO nacional e certas medidas ecollomicas e finélncciras capazcs de determinar saldos, ou, ao menos, o equilibrio da balança de pagamentos.
Adoptado a processo do
«Gold Exchange Standard)) para a conversao do
papel moeda, e realizadas as providencias indicadas, é certo que cm boa rota irá singrando a
náu do Estado.
Commerciantes
(; industriaes, que somos;
depositarios das tradiçoes conservadoras de nossa
classe, dcvemos estudar a lei vigente corn os
olhos postos exclusivamente nos interesses da
riqueza nacional, de que somos os movimentadores. Ora, a defesa dcsses interesses, orientada
pelo processo do «Gold Exchange Standard)),
parece ser a preoccupaçào inspiradora da politica
financcira do actual govcrno, cuja acçáo nesse
sentido deve ser applaudida por quantos se interessam pelo futuro do nosso paiz.
Governo de opiniao, a que adoptamos; e,
sendo nós, senhores, os grandes attingidos pelas
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14conseq uencias do que, em n0550 nome, se faça,
em materia economica, nada mais plausivel que
estudar corn a maior franqueza tào delicada questào, sobretudo quando estamos convencidos de
que podemos considerar exaggerada a inquietaçao
que se nota em certos meios.
POLITICA E FINANÇAS DA REPUBUCA
Na historia das crises financeiras da Republica um facto se impôe immediatamente á attençáO do observador: as crises financeiras do goyerno federal têm sido sempre de origem politica,
e sao em geral aggravadas e envenenadas por
.acontecimentos de natureza tambem politica.
No governo Prudente de Moraes, tendo attingido ao paroKÏsmo a lueta entre reaccionarios e
radicaes, que ex,plodira militarmente no quatriennio anterior, o cambio cahiu a 5; fez-se a pacificaçào do Sul e obtido a «funding-Ioan», formula de intervençâo negativa no mercado de
cambio, pela suppressao da procura por parte do
Thesouro da Uniao, retomou a moeda a seu
curso ascencional.
No quatriennio Bernardes, cam a estado de
sitio permanente e constantes pcrturbaçoes politicas, o cambio andou pela casa dos 4.
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- 15 As gravissimas perturbaçoes
economicas e
financeiras observadas no quatrien nia Wenccslau
Braz, durante a Grande Guerra, só produziram
oscillaçoes ligeiras nas taxas cambiaes, na ausencia
de agitaçl)es ou crisL::>politicas.
Depois das luctas dos primeiros, gO\ crnos
para a consolidaçào da Repub!ica, presenciamos a
acçao heroica de Campos SalIes e Murtinho para
a valorizaçao do meio circulante.
Rodrigues Alves e Affonso Penna, estadistas
conservadores, conduziram prudentemente as finanças publicas, tendo a presidente mincira procurado resolver a problema monetario pela creaçào da (cCaixa de ConverSâO».
'No governo do ~hrecha!
Hermes houve
annos de prosperidadc cconomica, mas desordens
politicas acabaram por crear perturbaçoes financciras, que se traduziram mllna divida fluctuante
de 200.00(l contas, resgatJ.das por lima cmissao
de pape! maeda.
),.'0 periodo seguinte a situaçao
mudau radicalmente.
As difficuldadcs da guerra
repercutiram cam gravidade crescente no n05SO
commercio internacional, nas receitas aduaneiras
e no custo da vida, alargando consic.kravc1mcnte
as despezas do Caverna, exactamente quando elle
menos aríl'cadava.
A ccCaixa de Conversao)) suspenJcu as :mas opcraço\:s, o cambio beirou a
casa dos T 2 dinhl:iros e foram cmittidos pOLlCO
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mais de 850 mil contas para satisfaç;10 de necessidades do Thesouro.
No começo do quatriennio 19IR-I922,
assistimos ás maiores oscillaçóes do cambio, produzidas pelo duplo movimento
da cotaçàO de
nossa propria mocda e das moedas estrangciras.
A libra e o dallar perderam e dcpois ganharam
de valor cm relaçào aos respcctivos padrôes
ouro. O nosso cambio soffrclI, entào, largas
oscillaçóes que foram da (asa dos 14 á dos 7
dinhciros, no carrer de 1922. O Thesouro emittiu perto de 600.000 contas; foí dobrada a divida interna fundada; foi consideravdmcntc
accrescida a divida extt:rna; a divida fluctuante foi
elevada a sommas até cntao nunca vistas, passando de um milhâo de cantos de réis! A totalidade desses recursos [ôra empregada na ext:cuçlo dos planos administrativos
do Governo
exposiçóes, obras e serviços publicas.
A quota
da emisslo de papel empregada nas operaçóes
de valorisaçao do café, restituida corn lucros avultados, foi integralmente incorporada á circulaça.o
fiduciaria do paiz. Esse facto serviu de antecedente á analoga incorporaça.o da emissào do papel
da carteira de Redesconto do Banco do Brasil, verificada no seguinte periodo de governo.
Releva
observar que este facto como outros de gravidade
evidente occorreram nas gestóes financciras 1922-
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Iï
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1926, em pleno estado de sitio, corn a suppress~o da liberdade de imprensa e de outras garantias
constitucionaes.
O governo Bernardes iniciou, corn a reforma
do Banco do Brasil, urna politica emissionista
que introduziu na circulaçao, e por canta desse
cstabelecimcnto de credita, cerca de 600.000 cantos, tao realmente inconversiveis como a dinheiro
que já circulava sob a responsabilidade do Thesouro. Nos dais ultimas annos desse quatriennia, a Govcrno entregou-se a urna politica financeira opposta á que, inicialmente, havia adoptado.
Apezar dos saldos da balança commercial
tcrcm attingido a 3 milhóes 234 mil contas,
quando nos dais quatrennios anteriores mal passavam de um milhao e 200 mil cantos, a cambio desceu a taxas, as mais vís da historia do
Brasil, nao obstante a enorme resistencia economica do paiz, entrincheirado nos altos preços
que alcançou o seu principal producto de exportaçao.
Quando a actual presidente da Republica
chegou ao Palacio do CaUete a situaçao do Brasil nada tinha de invejavcl.
O sentimento publico, exasperado corn as violencias do governo
anterior, aspirava a um periodo de tranquillidade,
de paz cconomica, financeira e politica. Mas
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essa reconstrucçao
apresentava as difficuldades
decorrentes dos erros accumulados pelos governos anteriores.
paiz esta va a exigir a restabelecimento
immediato da ordem na politica, na') finanças e
na economia.
Do que se precisava era de um
governo sem paixoes e sem odios, capaz de restaurar iUl.mediatamente, corn a ordem material,
a ordem politic~ e social do paiz, isto é, corn a
paz material, a paz nos espiritos, as garantias do
Direito e da J ustiça para todos os brasileiros; a.
ordem financeira, isto é, o equilibrio real dos
orçamentos, a suppressao de emissoes de papel
moeda para as necessidadcs do Thesouro, a regularizaçao administrativa; e, finalmente,
él ordem economica, quer dizer: o fomento da prodUCÇàO,o estabelecimento do credita commercial,
industrial e agricola, a melhoria das condiçoes
de transporte, favoreccndo a circulaçào das mercadorias, emfim él organizaçào technicl da producçao.
Tal é o poder rccuperador Jas forças productivas do Brasil sobre os erros dos seus governas, que um programma classico de administraçao moderadamente
abstencionista
se tem
mostrado o melhor e o mais util na pratica do
regimen republicano.
O nosso destino politic(}
so[fre, porém, a fatalidade da florescencia dos
a
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planos de govcrno, qu~ collstituem,
unico entravc sério á prosperidadc
do Brasil.
o PROGRAMMA
nâo raro, o
e grande7.a
FINANCEIRO DO ACTUAL
GOVERNO
Ora, um programma cJ,¡ssico, todos o re(onhccem, o presidente \Vashington
Luis tinha
se esforçado por conseguir no seu governo em
S. Paulo. Num quatriennio viu elle as rendas
do Estado augmentadas de 97 a 202 mil contos
e consolidada a divida fluctuante na quantia de
1')2 mil contas.
E para chegar a esse resultado
o presidente de S. Paulo n¡1o teve necessidade
de crear impostos nem de aggravar os existentes, limitando-se prmkntcmente, de par corn uma
cuidadosa arrecadaçào das renda.,; e probidade nos
gastos, a colher os (ruetes do cngrandecimcnto
natural do Estado e no descnvolvimento
de suas
riquezas.
Mas, o Sr. \Vashington Luis nào quiz
limittr-sl', no governo do paiz, i acçàO proficua
que (kscnvolvera
na gestào financcira de S10
Paulo.
Cam a experiencia adquirida na administraçao pauHsta quiz resolver um velho problema nacional, cujas graves repercussoes tinha"
sentido corn fina acuidade na ordem financeira
e cconomica do Estado que acabava de govcrnar.
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20
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o
tacto moral da intervençao Je um paulísta
no problema da valorizaçáo do meio circulante
e fixaçào dos cambios no Brasil, n[o é dos que
se possam menosprezar na definíçJ.o Je lima
politica. Longe de nós admittir que o preconceito nacional, aliás falso, do interesse do cate
na baixa do cambio, passa entorpecer a acçào
consciente de um homem de governo de origem
paulista, habilitado com os elementos technicos
para a soluçáo de um grande problema Je economia de todo a paiz. O que desejamos, preliminarmente, cstabelect:r é que essa circumstancia
moral encerrou a circulo dos factores psychologicos que dominam habitualmente a soluçáO dos
problemas financeiros e bancarios de credita e
cambio, e que o exito do programma financeiro
do Sr. Washington Luis ia collocar-se na dependencia directa e formal da orientaçao politica do
seu governo.
Na plataforma de candidato á presidencia da
Republica, e em alguns discursos, a chcfe actual
do governo resumiu sua orientaçao cm materia
financeira, e mais tarde expôz sllas idéas pelas
columnas de um orgáo regional.
Se o presidente da Republica conseguir corôar de exito a seu plano de reforma financeira,
os technicos que Se propuzerem criticar a acç:1o
do seu governo devem tomar na maior col1si-
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deraçlo as circumstancias absolutamente desfavoraveis em que se iniciou a pratica da slla politica.
A primeira condiçáo de successa Illlma politica de credita e de confiança é a cstreita so\idariedade e o mutuo apoia entre () Governo e
a Naçáo.
O programma l1nao(.\:iro, traçado no recoIhimento do gabinete de estudo Jo futuro primeiro magistrado da ~açJo, foi apresentado :lO
paiz apenas como um conjuncto de idéas pessoaes, e, ainda mais, em traças cuja largueza
nao deixava entrever á opinÍào publica o complexa da sua realizaçáo.
Náo critico, scnhores, nem censuro, pois s<.:ria
i5S0 des cabido Iluma assembléa infensa pm natureza a qualquer discurso de ordem política.
Procuro, apenas, sondar a realidade.
Nao é Je iniciados em sciencias economicas
a esmagadora maiaria dos cidadaos intercc.sados
nessa reforma fundamental.
O julgamento do
pavo brasileiro a rcspeito da soluçà'J adoptada
Jecorre mais da logica atfcctiva que do cstudo
do projecto em si; é antes uma sllspeita que
urna conclusào; é,· cm summa. resultado de sua
elaboraçao person:llissima, d;l sua discuSSàO appressada, e da Slla fulminante approvaçao, tudo realizado sob as tre\'as dClorrentes J:l censura da
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-
Imprcnsa,
no
execravel
22
-
rcgimen dç
«estado de
SItIO)).
Na verdade, as circumstancias differem essencialmente das cm que nos demais paizes do
mundo foi conduzida a questào.
A França, muito reccntementc, nomcou urna
commissao especial de peritos para estudar as
medidas capazes de cffectivar a saneamento financciro.
E o relatorío desse «Comité des Experts)), apresentado em 3 de Julho de 1926, ¿'
subscripto por financistas notaveis, entre os quaes
os professores Gastan ]éze e Rist, e por financeiros conceituados como Duchemin, presidente
da «Confederaçao GeraI da Producçao Franceza»,
e Fougere, presidente da «Associaçao Nacional
de Expansào Economica)), e os banqueiros Sergent, Masson,
,cwandowski,
Picard, Oudot e
Simon.
A Finlandia, quando decidiu realizar a estabilizaç~o do cambio, encarrcgou um.a commissào
de' especialistas de examinar a assumpto.
O relatario apresentado CDl Abril de 1923 conduziu
a antiga provincia russa a adoptar o «Gold E,xchang~ Standard ).
O Conde Giuseppe Volpi, o conceituado
ministro das Finanças da Italia, tem escudado a
politica financeir~ do fascismo cam os conselhos
dos technicos do paiz.
r
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23 -
A Polonia ha pouco tempo chamou tcchnieos estrangciros para estudarem com os peritos
do paiz um plano de sancamento da mocda. A
sua recente leí monetaria estatuiu que para o
Consclho de Administraçao do Bank Polski será
e1eito um technico americano - o Sr. Kemmerer
--- que dcn;rá auxiliar o governo polaco na exeLUçào das medidas tendentcs a estabilizar o «zloty».
A Inglaterra, nao se afastando jamais das
attitudes prudentes que caractcrizam a sua politica,
nào con.:cbc realizar urna grande reforma sem
que a palavra autorizada dos technicos do paiz
vcnha cabrir a iniciativa govcrnamental.
PO<.kriamos lembrar, tirados da historia financeira da Inglaterra, nomes dos mais illustres
componentes de commissoes
nomeadas para o
estudo nào só da situaçao geral economica e financeira como para o exame e ScluÇàO de problemas mais restrictos como a commissào Stevenson, para o caso da borracha.
E' sabido que, em Agosto de 1918, urna
commisSào de peritos, presidida por Lord Cunliffe, go\'crnador do Banco de Inglaterra, apresen~
tou um relatario que fixou a politica a seguir
para o saneamento financeiro do paiz.
Em junho de 1924, nova commissao foi
fiQmeada, composta de financistas, politicos e fi- .
nancciro~. Presidiu-a Sir Austin Chamberlain,.
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24-
substituido pouco depois por S.ir John Bradbury,
cujo nome ficou ligado ao relatorio apresentado,
e que é vulgarmente
considerado na Europa o
documenta mais notavel, escripto depois da Guerra,
sobre o problema monetario.
\Vinston Churchill, ministro do Thesouro,
em nome do Governo, adoptou as conclusoes
do relatarío Bradbury, que, st:rvindo de orientaçàO á politica economico-financeira
da Inglaterra,
colloeau-a, de facto, no regimen do «Gold Exch.mge Standard)) .
.\tais visinhos a nós, vemos a Argentina
obter de Gaston Jèze - financista de nomeada
mundial - que fizesse em Buenos Aires urna.
série de conferencias sobre as finanças publicas
da republica portenha.
O Chile foi mais longe, pois wntractou o
reputado techniea norte-americano
Kcmmerer para elaborar um plano de reforma monetaria.
Camo se vê, nos paizes de civilizaç~o mais
antíga que a nossa, e mesmo nas mais adeantadas democracias sul-americanas,
os projectos de
reforma financeira slo escudados na autoridade
dos technicos que os elaboram em commissoes
n;Io raro numerosas, que os aC0bertam corn o
argumento da autoridad e, cm regra sufficiente
aos julgamentos
coIlectivos.
Aqui, entre nós,
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25 faltou i opinÜi.o publi(a ~sse arrimo logico, e o
brasileiro, cm regra, por uma tendencia defensiva,
é geralmente
dcsconG.ado de tuJo quanto nào
comprchende i primeira "ista .
..\. impDsiçao brusca de um plano que o paiz
mal vira exposto, e ainda nào apprehendera exactamente, dcterminolI lIma scisáo que vae caminhando para um possivel antagonismo
entre o
governo e a opiniáo nacional.
O.:> factores moraes de que, para cxi ta de sua politica, o goyerno nào p:JJia prescindir, começam a pesar no
outro prato da balança. Muitas e gravissimos
problemas que dcveriam ter encontrado soluçào
lago <la ser formulado a projecto goycrnalllental,
fiCaróll11abandonados num ambiente desalentado
e irrita,·eJ da opiniao publica.
E assim, num terreno inculto e mal preparado, foram lançadas as sementes de uma reforma monetariJ., cujo:; fundamentos scientificos
e possibilidades technicas passamos a analysar
summariamentc.
o PAPEL
.'vt.OEDA E A INSTAB1LIDADE
CAMBIAL
O progranuna
de reforma monetaria
do
governo começa por urna série de operaçOes
financeiras para estabilizar as taxas de cambio. A
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--
26 -
execuçàO dessa reforma comprchcildc tres phases
distinctas
"que se nJo cor. f'undem c :;c n10
..
"
precI pttam :
a) a estabilizaçâo propriamcnte
prepara a conversibilidade;
b)
metallica;
él
convcrsibilidade
e) a cunhagem
circuhçào de ouro.
do
que
dita,
que
faz a circulaçào
cruzeIro
que
indica
Os repositorios mais conhecidos das opinioes
tinancciras do actual presidente sào varios discursos,
o folhcto que encerra urna série de artigos publicados pda imprensa, a sua plataforma eleitoral,
quando candidato, e a sua primeira I11cnsagem ao
Congrcsso, na abertura da 13. a legislatura, cm
1927.
Em todos esses documentos, o sr. \Vashignton
Luis insiste cm attribuir ao papel moeda inconversivd c á consequente instabilidade cambial, todos
os erros commettidos
no Brasil cm materia
financeira, desde a Independencia.
E' bem certo que entre os elementos das differentes crises economicas, financeiras, commerciaes
e principalmente politicas que ternos atravessado, se
ep.contra o papel moeda e a imtabilidade das taxas
de cambio; mas nao será Uo facil decidir se essas
crises foram determinadas pela variaçào das taxas
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27 ou sc, pela contrario, foram as deficiencias da
organizaçáo economica, do apparelhamento
financeiro, e sobretudo, os erras da politica, que
detcrminaram as fluctuaçoes do cambio.
Na exposiçao de [actos ou de phenomenos
de qualquer natureza, a primeira condiçào de
c1areza está no emprego de urna technologia
apropriada. 1\a mensagem a que alludi, a presidente
da RepubJica começa assignalando os progressas
do Brasil no regimen republicano, cm contraste
com a evoluçao lenta e prudente da phase imperial;
logo depois, porém, refcrindo-se á variabilidade
das taxas de cambio, engloba um periodo de 38
annos de vida nacional realmente notavcl pela
prosperidad e e riqueza, salienta as taxas extremas
do cambio nessc periodo, descrevendo-o,
como
"de saltos bruscos para deante e para traz, cm
diversos tempos, ao mesmo tempo, pcrcorrcndo
freneticamentè toda urna escala de valores, surprehendente, cstonteantc e macabra".
Ora, data venia, se fosse rigorosameme
exacta essa descripçao do nasso quadro cambial,
havia de ser a mais inexplicavel dos milagres a
grandeza do Brasil proclamada pelo proprio presidente da Republica no mesmo documento cm que
manifesta a seu pessimismo, narrando os maleficios do papel mocda inconversivel.
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Cambios "cstontcantes e macabros" foram os
da AlIemanha, da Austria e da Russia, durante a
crise da liguiJaç~o da Guerra. Em Moscou, coma
lembra Keynes em seu livra "A'reforma monetaria",
se um negociante vendia um kilo de queijo,
immediatamente
correndo corn a velocidade que
suas pemas lhc permittiam,
¡a elle ao Mercado
Central transformar novarnentc cm queijo os rubIos
rl'cebidas, de mcdo da dcsvalmizaç20 da moeda.
Em Vicnna, CSLrCVClla mcsmo autor, nâo
seria desarrazoado affirmar qUI: os frequcntadores
dos bars pcdiam !fo mesmo tempo dois chopps,
embora o segundo tivcssc de ser bebido já quente.
E' que o preço da cerveja, commumente, ckvava-se
cntn: a primeiro e o segundo copo.
Em todo o caso, se J argllmcntaç~ïo imprecisa
Il<lS guestóes technico-financciras
e bancarias póde
perturbar a aprescntaçJo dos problemas, nao os
prejulga, nern os prejudica, no fundo de verdad e
que encerram.
Que a instabilidade monetaria
dccorrente directamente da inconversibilidade do
papel moeda, que é a nosso meio circulante, seja
um grave mal, cuja extirpaçao urge, suppomos
ningucm pará cm duvida.
A qucstâo está cm saber por que processos
cntl:nde o governo chegar á estabilizaçao.
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-
29 --
Firmemos, de passagem, ceItas condusoes
das doutrinas modernas que nos vao ajudar a
melhor comprchendcrmos
a theoria e a pratica do
programma estabilizador.
:\10DERNAS DOUTRINAS
MONETARIAS
Os technicos mais autorizados das modernas
doutrinas monetarias desembaraçam-se
dos antigas preconceitos que lígavam estreitamente
:l
moeda á noçJo de mcrcadoria, gerando a hmosa
doutrina quantitativa. John Stuart Mill dizia que a
moeda "é mcsmo lima mercaJoria
como as
outras". Essa primeira 110çàO classica de instrumenta de tracas correspondia evidentemente
a
uma realidade historica. O aura tornou-se, desde
a mais remota antíguidade, a padrao, por excel!encía, na aferiçao do valor das mercadorias, graças
ás suas conhecidas qualíJades intrinsecas; mas,
desde seis seculos antes de Christo, apparecera
na Babylonia () pape! moeda, que era nesse tempo
um certificado de deposito de especies ou mcrcadorias, COI1', poder circulante.
A distincçao elltre as idéas de moeda e mercaJoria começou a firmar-se nas Joutrinas modernas,
quando se verificou que cmquanto toda a rncrcadoria é objecta de consumo, a moeda nao é senao
um instrumento de tracas.
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Por outro lado, certas experiencias financeira.c;;
anteriores á Guerra mostraram empiricamente que
o valor monetario do ouro e da prata era, em
certo sentido, independente da cotaçào desses
metaes no mer.:ado internacional; que esse valor
monetario só dependia da liberdade da cunhagem
illimitada dos dois metaes, e que a relaçào do
valor entre as moedas de prata e ouro se mantinha constante, cmquanto prevakcesse a padr;Io
legal sobre o valor commercial dos metacs.
No decurso da experiencia de fixaçào dos
cambios na India, verificou-se de 110VO que um
mesmo metal se porta differentementc
como
tnoeda e como mercadoria. A alta da prata no
mercado mundial determinau o enthesouramento
e a desmonetizaçào
das rupias cunhadas nesse
metal, c, enl consequencia, a elevaç:\o do cambio
na India em relaçao á libra esterlina, moeda de
ouro padrao.
O ouro amoedado ou cm barra wntinúa a
ser considerado pelo consenso dos pavos como o
padrao aferidor das trocas de mcrcadorias internacionaes. Os paizes que disp6em de moedas ouro
na circulaçao interna podem servir-sc indiffcrentemente desse systema monetario para as suas
liquidaçoes internas e externas. Os que nao disp6em
sinlo do papel moeda padern saldar suas balanças
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-.
31
de conUs no cstrangeiro
(0111 OUfa comprado.
amocdado ou cm barra, ou entào com creditas
( titulas commerLiacs
qUl: tenham \"alor ouro.
Por outro lado, a thcoria moderna LOndemnoLl
totalmente
a (OllCCp~·J.() ar(h~li(:l dn papel moeda
considerado
divida ao portador. sob a rcsponsabilídade do Estado, gar~l11tida pelo conjunto
do
acti "0 nacional. Tal (onccpçJo
dc llloeda esta "a
ligada ao preco\1ceito rÎcardiano,
Coube ao profcs\or C. 1:.l\llapp,
occkbrc
economista
1llcmJo, mostrar que a l110eda do
Estado km JOLIS aspeLto-.; completamente
differentes, segund() sc destina ~l pagamentos
internos
ou externos.
O que Lk"CIllOS
especillcl111ente
Lhalllar
moeda é (l mcio circulante interno, cujo caracter
é essencialmcnte
juridico. E' (;~pressào do poder
gO\"l~rnamental tradLl%ido nLlm acto legislati "o. O
Estado, por seu g()n~rno, decide que tal mocda
tcnha UI11 poder libuatorio
officiaI; essa mocda
circula, é ;lcccita l'clos particulares c consagrada
como instrumento
dos sel.\s negocios. A prudente
limitaçao da quantidade de moeda na circulaçao
interna resulta, nos paizes organizados
e livres,
do jogo das forças moral.:~ da opiniào, 110 consid~rar os ditfl:n:ntcs factures quantitativos
e qualificati,'os de sua rique%<t e da prohidade dL seus
go\'ernos.
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-)2Sob o seu aspecto externo, ao contrario, a
moeda é verdadeiramcnte
representativa de um
certo peso de metal fino, geralrncnte de ouro,
como padrao universal. A moeda para uso externo
pÓde nao ter sinào uma existencia subjectiva, como
slIccede com a "belga"; póde nao tcr nmhuma
correJaçao corn a antiga noçào de moeda e ser
representada apenas por um documento commercial - a letra de cambio. Em todo o caso, pódese dizer que um paiz dispoe de moeda internacional, quando, para os cffeitos do cambio,
consegue fixar a valor ouro de sua rnoeda interna.
A moeda nacional apresenta-se,
portanto,
sob dous aspectos diversos. Nas rclaçoes internas
é urn instrumento de trocas de caracter juridico.
Nas internacionaes, a condiçao de sua existencia
é a estabilidade do seu valor ouro. A livre
convcrsibilidade da moeda interna a urna taxa
fixa de valor internacional aura é, pois, nao
sÓmentc a condiçao de existencia, mas a propria
cssencia da moeda, considerada cm seu s effeitos
nos mercados exteriores.
F ai sobre esta concepçào monetaria do professor G. F. Knapp, que os autores da reforma
de 1923, na AlIemanha, assentaram a estructura
tcchnica do rentenmark, e que foram realizadas
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-33as numerosas reformas
annos de 1925 e 1926.
monetarias
no correr do~
E' inutil dizer que os paizes que nao gozam da conversibilidade do seu meio circulante
interno, nem da estabilidade de suas taxas de cambio, nào t:stlo excluidos do mercado internacional.
que lhes acontece é que o valor da sua moeda
no exterior é definido diariamente pelos mercados extrangciros, "egundo previsocs condicionadas
por um complexo de factores confusos, inccrtos
e mysteriosos. Esses paizes estao su.ieitos a difficeis e perigosas adaptaçoes de preços internos
e externos, fazcm penosos sacrificios, quando as
oscillaçoes cambiaes ainda percorrem Ulll campo
restricto; mas, arriscam-se a vcrdadeiras catastrophes, nos momentos de crises c panicas mundiaes,
como vimos cm numcrosos exemplos recentcs.
Foi aD problema par essa forma exposto
quc o sr. presidente d:l Republica projectou dar
uma soluç[o crcando moeda internacional pela
livre conversibilidade do papel circulante e pela
estabilizaçao das taxas de cambio.
a
"GOLO
EXCHANGE
STANDARD"
Apezar de nao ter querido o chefe do Executivo fazer nos documentos a que nos rcferimos nenhuma allusâo aD "Gold Exchangc Stan-
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-3-+danl" C0l110 processo para a conversibilidade
e
estabilisaçâo do nosso papel moeda - tendo até
mesmo affirmado que ia adoptar para esse f1m
o antigo systema do "Gold Standard" - o facto
é que todos os actos do Governo e a pratica
da Slla politica tendcm a estabclecer no pail. a
conversibilidade e a estabilizaçJo pelo "Gold Exchange Standard".
O decreto n. lj.61j,
de 5 de janeiro de
192j. qm: executa a autorizaçào contida no artigo KO da Lei n.O 5.108, de 18 de dezembro de
1\)26, manda que o Banco do Brasil compre e
venda cambiaes sobre o Exterior por conta do
Thesouro. de forma que () cambio se mantenha
na taxa prevista no artigo 2.° da citada lei.
fundo de ouro que servia de lastro ás emissues
desse Banco, urna vez reformado o contracta de
24 de abril de 1923, entre o Thcsouro e o Banco do Brasil, será posto á disposiçào do govcrno
para identico fim, assumindo o Thesouro
a responsabilidade do papel moeda bancario.
Os paizes que dispóem de ouro, cambiacs
ou creditos ouro para cobrir, cm qualquer momento, as differenças entre o credito e o debito do
seu commercio internacional, nlo conhecem o problema do cambio, isto é, o jogo normal de oscillaçao
das taxas, fóra dos "gold-points"
de entrada e
de sahida. Urna crise de cambio começa, pOIS,.
a
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com a prohibiçJ.o da exportaçào do ouro, ou
quando faltar ouro metal, cambia es ou creditas
ouro para acudirel11 aos ddlcits da balança de
contas.
Quando tacs rhenomenos sc produzem,
os mercadDs extrangeiros de cambio se organizam immediatamente,
multiplicam-se as compras
e venda'> a praí'O para coberturas legitimas e illegitimas, formando-se, assim, o campo vastissimo
da cspeculaçao cambial.
O phcnomcno cssencial do cambio é, pois,
a regularizaçlo quotidiana da balança de contas.
Theoricamcnte,
desde que um paiz de circulaçao
fiduciaria disronha de UI1l apparelhamento capaz
de comprar e ,'ender diariamente letras de cambio a urna taxa fixa, importando
c exportando
livrcl11entc valores ouro necessarios ás suas operaçOes, es'>c paiz cstabiliza a sua taxa de cambio
e livra-se das difficuldades inhercntes á sua instabilidadc.
O proccsso do «Gold Exchangc Standard»)
consiste exactamente
na organizaçào
de uma
massa de manobra, composta de ouro, de letras
de cambio ou de creditas ouro, capaz de manter,
por compra e venda, urna taxa fixa no mercado
de cambio.
Esse processo diffcre do antigo systema de «Gold Standard)) em nao fixar definitivamente a taxa de scus cambios intcmacionaes,
e sobretudo no seu methodo de conversibilldade
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--:;6
que procede da distincçao do:; dais aspectos da
moeda nacional, c nao se dirige scnào á moeda
de liquidaçao das contas internacionaes.
Urna Caixa de Estabilizaçao ou de Con versào que nao deve ter existencia autonoma, e sim
depender directamente do Banco de Emissao, tal
quaI foi previsto no § unico do art. 5.° do Dec.
n. 5108, deverá exclusivamente receber ouro ou
cambiaes offerecidas cm excesso nos differentes
mercados do paiz, afim de impedir a alta do
cambio cm consequencía (h lei da offerta e da
procura.
E' sabido que estas Caixa:i nao têm
razào de existir nos regimens do «Gold Standard» e sao, ao contrario, orgaos essencíaes nns
regimens do «Gold Exchange Standard»,
A manobra complementar deste ultimo processa é a utilizaçao habil e prudente da taxa de
desconto attrahindo os capitaes cxtrangeiros fluctuantes, tranquillizados pela propria f1xaçào cam-
bial.
O «Gold Standard,. rctrográda o papel moeda.
á antiga condiçao dos «certificados aura».
Esse
rnethodo implica a circulaçao interna ouro, quel'
dizer um dispendio de metal cuma
immobilizaçào de capital, incompativeis corn os regimens
economicos modernos e corn o systcma de círculaçào das riquezas nos !lOSSOS días.
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o
-
)
ï
_'n
.\ propria C;rà-Hrdanh~l - l11lkklo classico
de circulaçáo ouro - pelo eeGold St::tndard Ac!),
de 13 de m~\io de 1925, rcsolvcll limitar o direíto de faler cunhar a l110cda sÓmentc ao Banco
da Inglaterra, e nao adminir a con\'erSJo de bilhetes cm ouro senJo para a a(quisiç~lO Je barras
de metal fino, Lit: peso minima dCloO onças,
quer dizer, no. valor de 1.700 libras esterlinas.
O meSl110 <lc;lba de fazer l11uito rccentemcnte a
Dinamarca.
Essas resoluçócs que ímpcdem tacitamcntc a
conversj() da libra papel cm aura, para circulaçao
interna, foram aconselhadas pelas duas conccítuadas
commissóes, que, no ultimo anno da guerra, e
sete annos depois, estudaram as condiçàes economico-financeiras e a regimen monetario do paíz.
O relataría Cunliffc (1) dcclarou expressamente
nao julgar lll:m neccssaria, nem dcsejavcl uma
circulaçJo ínt\:rna de mocdas lk ouro. Declarou
mais que a hom fUllccionamcnto
do padrJ.o
ouro exige sÓmentc quc a ouro scja fornecido
para as ncccssidades dc cxportaç~~o.
O rebtorio Bradbury, de 5 de I:cnreiro de
1925, foi mais explicita, e disse textualmente:
",n -- Entcndemos que a emprego do ouro na
circulaçao interior é um luxa dispensavel. 44 0-
(1) "Cornmíttee
011 CurrL'lIc)'
anù forei~~n cxchall~es
alter the war",
~OSto de 191H. Pres.:
Lord Cunliffe,
~overnaclor
cio Banco de Inglaterra.
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3}i --
Huir, o pagamento Ú ,'ista, dos bilhetes, cm
mocda aura, nao l: inJispensaVl:l á manutcnçào
dn padrào aura. Basta simplesmentc imrÓr aos
Bancos de Emiss,lo a oorigaçJo de comprar e
n:ndcr a ouro a um prcço determinado," (1)
O processo do "(;old Exchange Standard"
consiste, pois, esscncialmcntc, na "con\'ersibilidadí:
do meio circulantl', só para uso exterior, asscgurada
pela lihcrdade de exportaçJo de ouro ou de valores
internacionacs que a reprcsentell1". Graças él esse
proccsso, os paizes que o adoptam conseguem
crear lima mocda internacional sùbjcctiva, cam
valor estanl
relativo Ú ll10cda dc circulaçJo
interna.
COl\DIÇOES PARA O FU?\CCIOXAME~TO
DO "GOLf) E.'\CHA:\(;E ST;\~DARD"
Theoricamente as questc)cs relativas á moeda
interna e externa estao rigoros;lll1cnte separadas por
compartimentas estanques. A condiçâo technica da
estabilidad e cambial, convém insistir, ~ a restabelecimcnto da conversibilidade ouro do papel moeda, a uma taxa estabclecida. O Banco de Emissao, instrumento do go\'erno para occorrer ás exi(1) "Committ~~ on lh~ CUIT~ncy ;lI1d Bank of En¡!land Notl'S Issu~s"
1; d~ F~\'~r~iro de 1925. Pr~s,: Sir )olm Bradbury. lord al Wrnslord.
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-
3 9 --
gCllcias de<;s~t con\"ersibilidade, compra e n.:ndc
diariamente \ctra~ de cambio, e, ]Jar meio da
fiscalizaçào legal bancaria e das alfandegas, aeal11panha minuciosamente os mo\:imelltos da balança
internacional de contas.
Dispondo de ouro, cambiaes ou creditos
para realizar operaçóes de compensaçào do ouro
metal exportavcl, segundo as con\Tnicncias,-manobra a taxa de desealltos como opcraçJo auxiliar no f1l1;';'o e rdll1xo dos capitaes es:rangeiros fluctuantes no paiz. As questôcs relatiyas
ao equilibrio orçamentario, ils emissC)c~ de papel
moeda, diyidas [undadas, e principalmente di\"ida
fluctuante do governo; as qucstóes politicas, a
cstabilidade do proprio gO\'l~rno, él moralidade
admillistratiya, o gráo de confiallça que l11ereça
da populaçào do raiz, sao causas cm si mesmo
estranhas Ú technica do "Gold Exchange Standard", pois a ~xpcriencia tem mostrado a possibilidadc da estabilizaçao pdo regimen do "padrJo ouro para as neccssidades do cambio", cm
paizes como a :\lIemanha e a Austria, onde rcinava completa desordem tinanccira. De resto, o
Brasil é disso UI11 exemplo typico. Com desequilibrio orçamcntari<), cam a inexistencia real
da ordcm e tranquillidade nos espiritos; com a
balança com m en..ial desfa \"oravcl 110 primeiro semestre de 1927; com divida fluctuante avulta-
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-- 4° dissima, COIl1 desorden,lda circlIlaçJo fidu<.:iaria
composta de 1l1oedas de quatro procedencias; o
govcrno ha nove rnczes , '"em conseguindo
eso..'
...
tabilizar o èambio na taxa que adoptou.
Mas, claro é, que isso sÓ se póde conseguir transitoriamente.
Afinal, se os orçamcntos
continuarem
desequilibrados,
se persistircm as
desorden s politicas, o enfraquecimento da confiança num governo, precisamente quando está
empenhado nllma campanha de credita, acabará
sendo um factor decisivo de fracasso na politica
ror elle iniciada.
Se insisti em mostrar as distincçoes theoricas
da moeda interior, e exterior e o funccionamento
especifico do "Gold Exchange Standard", foi para
salientar claramente quaI o mais moderno, o
mais commodo e mais efficaz processo de estabilizaçJo cambial nos paizes de meio circulante
papel, como o Brasil.
As medidas relativas ás finanças internas,
como o equilibrio orçamentario, a cessaçao das
emissoes e a regularisaç50 da divida fluctuante
do Thesouro, mesmo que sejam realizadas corn
felicidade, nào acarretam sÓ por si a cstabilidade
cambial.
Naturalmente
as qucstocs de plasticidade e
extcnsJo do meio circulante interno repercute m
na balança de contas e as questÜcs gcraes de
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--jl
orJl'l!l
l'
h'Jl1-:stida,.lc admil1i')tratiY;l
in!h:l'l1l.;;obre
a conliança no Caverna e, portanto, sobre a seu
credita .
.Bem (omprehcndida
a tcchnica do «Gold
Exchange Standard», podemos dizer que a problema da cHtabilizaçào nao será rcsolvido definitivamente no paiz que 11:10 equilibrar os seus
orçamcntns, 1Ü\) supprimir a criminoso abuso do
credito consistente nas cmissócs de papel moeda,
nao eliminar él Slla divida fluctuante.
No conjullcto
das condiçües economicas,
financeiras e commerciaes de UI11 paiz, a estabilidadc do seu cambio sÓ tem verdadeiramentc
importancia, quando acompanhada de outras csforças no sentido de lima gestào efficiente. Está
na natureza das causas quc nem todos os symptomas de lima cOlwalcscença financeira se aprcsentem a Ull1 tempo.
O que é necessario, porém,
é que a moví mento de reg~neraçao se accentue
na firme¡:a de uma oriciltaçJO capaz de se el11penhar cm todos os trabalhos e de exigir todos
os s,lcrillcios para o triul11pho final.
CASOS DE ¡>K\TIC-\
"COLD
DESASTHADA DO
EXU IA~~GE STA}\DARD»
Antes da Guerra, varios l'aizes procuraram, por
proccssos cmpiricos, mais Oll menas defeituosos,
estabiliJ.ar os rcspccti,'os cambios internacionacs.
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-
-p -
A theoria estabelecida posteriormente
mostrou
a LOnnexào entre essas tentati\'as e o moderno
proLCsso do «GolLi Exchange Standard», apreciando o conjuncto dessas cxperiencias á luz dos
cnsinamentos tcchnicos.
\:a Indi,¡, antes da Gucrra. a valorizaçlo
su bita da cotaçào da l'rata forçou () seu governo
a rcduzir a taxa de cambio de J () a 10 rupias
por libra esterlina. Eliminado esse factor commercial dt: perturbaçào monetaria, o systema continuou prestando L·xccllcntes serviços.
Durante a Grande Guerra fomos forçados
a ft:char ddlnitivamentt: a nossa Caixa de Con\'ersao, organizada defeituosamcntc
no governo
Affol1so Penna.
\bs a Rcpublica ¡\rgcntina quc rcccbclI depositos cm quantias illimitadas e extcndera a toda
a massa do papel mocJa em circulaçào os beneficios da LOnvcrsibilidadc, (onseguiu
resistir á
crisc, mantendo o SCLI cambio est;1\'cl até o hm
da guerra, guardando suas rL'sen'as ouro, como
o iizcram todos os paizes quc dispunham clesse
metal, para praticamcntL' restabclccer ha pouco a
conversibilidade de sua moeda.
o
E
«GOLD EXCHA~GE STA:\DARlh
A «BALA;\ÇA DE PAGAi\1ENTOS))
Está claro que a primeira condiç10 para a
Dom e faeil funccionamento
do «Gold Exchange
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---l)
Standard))
L' L1llld balança lie
ravd aD pail. que () adopta,
pagalllcntos
fa"o-
Annos rep~tídos de balança de contas ddicitáría cunsllmírào
fatalmente
toda a massa de
manobras reunida para a dctÚa da moeda nacional.
Entn: nÓs, :lS eStatisticas o demonstram,
tal
problema
e:-;ígc especial attençao.
Realmente,
desde a C;rande (;uerra,
o total da exportaçào
de productos brasikiros oscilla cm torno de Jois
milhoes de toneLtdas, h:ndo, pois, paraJ~'zado cm
c¡uantidadc.
contrario,
que a importaçâo
assustadoramentc
cm quantiLlade, pois de 11)0; a 1<) 13 subiu gradativamente
de 2.971.000 tondadas
J quasi
seis milhOes;
<-juer dizer, cm oito annos, chegou a dobraL
VeriGca-se,
;10
vem progredinllo
Passado o collapso soffrido durante a Guerra,
a importaçlo rccomeçou o seu progresso, passando de 2.780.000 tondadas,elll 1<)19,a cinco
milhóes,
vamente
cm
\lO
quer dízer, quasi dobrou
mesmo prazo de oito annos.
1<)26;
110-
Para pagarmos nossas compras no estrangcíro -- sempre crcscentes cm virtude do natural
augmcnta da populaçao e em conscqllenLÏa do
nosso incontcstà\'el
progresso materialnao temos tido um corrcspondentc accrescimo na !lossa
producÇào exportan:!.
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-
44 -
o
que tem valido ao Brasil é a diminuiçao
do valor dos pro,Juctos importados e o augmenta
do preço da~) !lH.:rcadorÎas que exportamos.
Effectivamcnte, ~l medida que se normalisou
el situaçào economica
do mundo, desorganizad<J
pela Grande Guerra, e á medida que se rcstélbckceu a concurrencia internacional nos mercados mundiaes, o preço dos productos que adquirimos no estrangeiro foi rebaixando progres..')ivamente. Assim, el tonelada importada, depois de
vakr Libras 24.6, em 1921, de gradativarnente,
com algumas oscillaçoes, até Libras 1 h'1, em
I92:í. E emquanto isso acontece com a importaçJo, o contrario succede cam a exportaçlo,
qUI: se tem valorisado nos ultimos
tempos em
progress:1o notaveL A tonelada de mercadoria
brasileira valia Libras 30.5, em 192 I, subio sempre até attingir Libras 53.) e 50.7, em 1925
e 1926.
Em conclusào: o Brasil vern equilibrando
sua balança de pagamentos á custa, nao do augmento da sua producçao exportavel, e sim pela
valorisaçao dos seus productos de exportaçào e
diminuiçáo do preço das mercadorias importadas.
Nào será prudente acreditar nem em maior
valorisaçao dos productos brasileiros de exportaçao, nem em que continue a baixar o valor das
mercadorias que compramos.
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45
E' preLÏso, pois, nos con\'cncermos d\.: que
qualquer regimen monetario, e sobrctudo o «Gold
Exchangc Standard», cxige inil1uJi\'clmente o fomento da producçao nacional.
A ESCOUIA
DA TAXA NA ESTABlUZA-
çAo DO CAI\1BIO
:\a tcchnica do «Gold Exchangc Standard»
a taxa de cstabilizaçào do cambio nao tem grande
importancia.
O cambio pÔde ser estabilizado a
qualqucr taxa, desde quc scja dccretada a livre
coll\'crsibilidade da mOl'da c o gm-crno disponha
dos recursos neccssarios para as operaçóes de
compensaçJo
quotidiana na balança de contas.
Mas para a economia do paiz a escollu da taxa
natural tem sum:na importancia, porque toda altcraçàO subita da taxa natural pÓdc acarrctar uma
crise brusca commercial e industrial.
O sr. presidente da Republica cscolheu na
execllçàO do seu programma uma taxa exaggcradamente prudente.
firmoll-se na média cambial dos 1Iltimos annos, que, aliás, [oram, no
Brasil, annos calamitosos, de desbaratas e pessimas govcrnos.
Seja como fôr, a essa taxa estavam mais ou menas adaptados os preços internas e mais ou menas equilibrados o CllstO da
producçao e a pr\.:ço d\.: venda no mercado internacional.
~bs é dc notar que a adaptaçao
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dos valores ao !laSSO padrao monetario é, sob
certos aspectos, relativa e injusta. Evidentemente,
a capitalista cstrangciro que importou o seu capital JO cambio de 12 dinheiros nao a poderia
reconstituir ;terOfa
cam o intuito de lima re-exM
portaç;lo.
o
«GOLD S'fAX D.-\RD»
o
programma
do 110SS0 actual governo
comprehende, 110 seu primeiro termo, a «estabilizaçào, propriamente dita que prepara a conversibilidade».
Essa estabilizaçào, aliás decorrente da conversibilidade, livremente consentida, foi e esti
sentio realizada nos termos do Decreto 17.617,
pelo processo do «Gold Exchange Standard».
O segundo termo do programma officiai
promette «a con\"crsibilidade que faz a circulaçào
metallica» .
Tal conversibilidade dcvcrá ser entendida pela
troca, l'm guichets abertos, do papel moeda de
circulaçào interna par moeda ouro ou cambial's
de valor correspondente, para pagamentos internaclonaes.
A livre circulaçào interna ouro cam a liberdade de exportaçào e importaçao do metal é
o velho systema do «Gold Standard», wja pratica a Brasil nao póde ainda aspirar.
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()
«GolL!
·~7
!~:,-:h,tl1ge
Standard)),
sendo
lIm
rCt-'imen de COI1\'nS10, tem ..;obre o proccsso
classico
algumas
Yantagells:
primeiro,
porque,
immobilizando
menor capital pelo ll:'lO judicioso
do (redito,
a 0tlera~.-,,, pes;: !l1CllOS sobre as rcsen'as n<lcionaes, e, ~.~gundc, pur<]llC e\'ita os in(oll\'l'niclltes
do enthesour,lmento,
a díspcrsào
e
a pcrda inutcís e injustit1can:í.s
de boa parte do
stock ouro meu!lico.
lm e olltro proccsso sc basei,li11 na (011yersihilidade
c le\';tl11 Ú cstabili%a\.~Jo, Illas nJo ha
dm'ida que () «( ;old Exchange
Standard))
apresenta para o llOSSO paiz \"lt1tagclls p:bi'ci\';¡s sohre
o svstema arehaieo do «Gold Standanh.
Eyidentcmente,
n{)$ lÜO dispolTIos ainda de
stoà
ouro sufficiclltL' para bascarmos
e:\c11lsiYamente nesse metal a con\'(:rsibilidade
do l)OSSO
papel l1loeda COIl1 fins c:\ternos e internos .. \Jiás,
poucos paizcs do 11lundo se eneontram
actualmentc nessas circlllTIstancias,
A propria Inglaterra, como jÚ \'imos, pelo «Gold Standard ,\(tJ),
deante da sÏ1ua';;lo monetaria
mundial, tratoll de
detCnder-se,
adoptando
pratieamcntc
1)
rcgimen
do «(GoJd E:\change
Standard)),
E(fceti\':lIl1l:ntc,
hoje, na Gr] Brctdnha, 0 c\'itada a circuJaçào mctallica intl:rna, senda il (oll\'Crsibilidadc
pratical11l:nte linc
ti.o s(')mcntl:
para as neccssidades
internacionaes.
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Quasi todos os pavos que constltUlram reservas para a conversa.o do meio circulante comprehendem n ellas, além do ouro metal, creditas
e titulas aura.
As nossas reservas, como estao senda organizadas, comprehendem tambem creditos e cambiaes além do stock de ouro amoedado ou em
barra.
Um systema mixto composta do ((Gold
Exchange Standard)) e urna pequena circulaçáo
metallica no interior, destinada aos colleccianadores e enthesouradores, paderia ser realizado, e
é o que se passa praticamente na Inglaterra, mas
nao parece de grande vantagcm entre nós, sobrctudo quanta se vt:rifica que esse systema nâo
é necessario nem util á substituiçàa
do meio
cirLUlante actual e á creaçàO do cruzeiro valenda
pratica e effectivamente tantas vezes duzentas
milligrammas de metal f1no ligado, quantos mil
réis corresponder.
A SUBSTITUIÇÀO DO MElO CIRCULA NTE
A terœira estaçào da reforma monetaria do
gO\'crno consiste:
«na cunhagem do Cruzeiro que indica a circulaçao ouro)).
Se o Cruzeiro, nava unidade monetaria,
corresponder
a cinco mil réis papel, pesará,
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49 -
segundo a Decreto n. 5. 108, de 18 de Dezembro de 1926, novecentas milligrammas de ouro
fino, ou urna gramm:l de metal ligado.
Ora, pcsando o ~1il réis 0,200 milligrammas, o que representa cm relaçào á moeda ingkza LIma taxa intermediaria entre 5.57/64 e
).29/)2,
tl:re1l10S qm: o \iil réis valcrá 5 pence
e 9/ [() d<.:penny, <.:,portanto, a Cruzeiro valed.
cinco vezes mais, ou 5,9 multiplicado por 5,
isto é 29,5 p<.:nce. O cambio do Cruzeiro, crY'
relaçfto á Libra Esterlina, para empregar a expressào
popular, sed. n<.:ste caso, de 29 e meio dinheiros
OLl pence, e, portanto,
aci1l1a do par anterior.
Se a Governo pretender a equivalencia entre
o Cruzeiro e dez mil réis, terá creado urna unidade monetaria exccssi\'amente forte. Pesando
a lvlil réis duzclltas milligrammas de metal ligajo, a Cruzeiro pesad cluas grammas.
Como
a Libra Esterlina pesa oito grammas, desprezada
urna pequena fracçao, temas que quatro Cruzeiros
valerào uma Libra, que equivale a 240 pence,
(l'onde Ul11 Cruzeiro egual a 60 pence. Neste
oU':ro caso, em linguagem vulgar, a cambio brasileiro, ao par, será expresso pela egualdade: um
Cruzeiro e 60 dinheiros.
Scia coma fôr, a adopçâo da nova unidade
nao poderá em nada perturbar as relaçóes COIl1-
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--- 50 -
mlTC\;lCS1I1tcmas e nào representa nCnhll!ll inconn:nicntc technico tinancciro. tcndo !llCS!110
vantagens consideraveis.
Somos, talvcz, o unico raiz do mundo que
tem como unidade da ll10eda \lma quantidade
intlnitesimal e dL' existl:l1cia quasi inapreciavd,
realmente perturbador:t nos liSO" corrcntcs do
commercio internacional.
Outra vantagcm da creaç:tO do Cruzeiro
decorre da uniticaçào do meio circulante nacional,
hoie composto anarchicamcnte de notas de quatro
proveniencias: Thesouro, Hanco do Brasil, Caix<l
de Conversào e Caixa de Estabilizaçào, cam garantias diversas <.:di,-idido e sub-dividido em um;,}
infinidade de estampas e séries.
Realmente o papel moeda cm circulaçào no
Brasil representa hoje: 1.977.304:3)
1$ de notas
emittidas pelo Thesouro ~acional; 592.000:000$
do Banco do 8rasil; ï. 555 :760$ da Caixa de Conversao; e 343.143:678$ da Caixa de Estabilizaçào. Total cm circulaçào: 2.920.003:789$000.
O meio circulante uniforme, maneavel, artistico <.:hygienico, concorre forçosament<.: para
o credito do Estado que o cmitte; corrige, pelo
menos, o factor psychologico do descredito que
resulta da variedade e balburdia de notas que
mais parecem rotulos commerciacs, do que llm
verdadeiro S\'mbolo da sobcra.nia. nacional. Al-
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j
1
--
gLll1S personagel1s politicos e administrativos nao
vacillaram cm dcixar gravar os SCllS retratos cm
cedulas do Thesollro e do ~anco, transfcrindo
para () mcio circulantt: a animosidadc que Ihes
vota o publico.
Por outro lado, a belleza, o impersonalismo
politico e () s)'mbolo nacional e
bistorico das notas cm cirŒlaç;1o n:prescntariam
uma liçào permanente de civismo e dc csthetica,
accresccntando ao papel moeda um valor cstimativo avultado pela sympanhia que pudesse despertar na imaginaçao do pavo.
A substituiçào do velho e disparatado meio
circulante por um nava systema tendo por unidad e a Cruzeiro, baseado na estabilidade das taxas
de cambio, cm conseqllcncia da livre conversihilidade do papel moeda para fins internacionacs,
poderia realizar immcdiatamcnte
c sem nenhuma
pcrturbaçáo, o pel1samento do autor da reforma:
(Ca cunhagem
do CruzcÏro ... indica a circulaçao ouro}).
o
CARACTER POLlTICO
FlNANCEIRA
DA REFOI{t\IA
E' verdade comesinha que nu01 paiz bem
organi;¿ado as 1inanças publicas e a politica monetaria deviam ser rigorosamente distinctas, dccorrenâo esta de um instituto bancario de emisSáo, totalmente indcpendente da acçáo e d•• 111-;-
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-51fluencia governamental.
A Grande Guerra, porém, determinou as maiores perturbaçoes estadisticas, mesmo nos paizes mais bem organizados
do occidente europcu.
Hoje, a politica monetaria é geralmente a politica do governo, como
qualquer dos outros grandes ramos da adminis~
traçào publica.
Na gestao financeira, porém, a Estado interfere corn os interesses mais essenciaes da
communhao
nacional.
Os OIlUS que distribue
pódem passar ás geraçces posteriores; scus erros
pode91 annullar a desenvolvimento
lo:
a prosperidade publica, acarretando prejuizos e mesmo a
destruiçao da fortuna particular; sua incapacidade
póde prcjudicar gravemente a prestigio interna-'cional do paiz, e até pôr cm risco imminente a
sua soberania.
As primeiras condiçces necessarias á applicaçao de urna reforma financeira sao, pois, de
caracter politico.
E' necessario que o governo
que a emprehenda seja exactamente comprehendido pelo grande publico, nas menores minucias
do seu programma; que a seu movimento
seja
reccbido e acompanhado cam sympathia e bôa
vontade, e que, em torno do intcressc collectivQ
bem entendido, se estabeleça urna politica'
uniao nacional.
Dessa harmonia entre a Governo
e a Naçao resulta a necessaria autoridade e prestigio do poder publico cm tal emergencia ..
de
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) 3 -:\10 ha problema 11na\1(~iro cm que os factores psychologicos da conflança nao exerçam
decisiva influcncia.
LJm amhiente politico larvado
de odios, corrompido
pelo nepotismo ou pelas
influencias partidarias personalistas, agitado pelas
violencias dos que go\'ernam contra o din:ito dos
que sào governados, amcaçado constantemente
de ((férias da legalidade» pelo autoritarismo do
poder, um ambiente politico agitado por scmelhantes tempestades mames - como a que encontrou no SClI inicio o actual governo - nào
é certamenk dos mais propicios a urna longa
travessia cujo bom exito tanto depende da constancia, da força moral e da confiança nos que
vaO ao leme. Bem avisados andam os govelU(lS
que emprehendem
reformas financeiras quando
prcparam ou espcram melhores tempos, aproveitanda a bonança para sahir de prôa á barra.
Nào sei, scnhores, na verdadc, se o tempo
é born ou máu para brgar-se ao mar, em aventuras. O qm: "ejo é a barca do Governo rompendo a barra, e o povo ainda inquieto, indispost o, irritado e maldizente.
Os que governam
no lerne sabcm como ¡hes \'ae o 1<.:nho; nós,
prefeririamos que outros augurios rodcassem o
grave emprehcndimento
f1nanceiro do Governo.
Do Brasil, póde-se dÍzer que é, no mundo
um dos paizes mais faceis e doceis ás sujeiçóes
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-Hdo Poder, Basta qUè se Llça justiça, l: a brasikiro, revêsso, logo sc accommoda
aos peiores
sacrificios que se Ihe n:damcm cam equidade
para o bem geral.
Vimos, ha pOULO, que má politica é sempre
a que pretende disfarçar corn () manto da autoridade o orgulho e o capricho dos detentorcs
Jo Poder.
() grande merito do regimC\1 politica que
<ldoptámos cstá na orc\'idade fatal do termo dos
mandatos presidcnciaes.
Quando se appro~jma
a expiraçào de um desses quatricnnios, a morte
politica vae despojando os que comprehcnJclll mal
a sua missao, dos ouropcis de suas vaidadcs. O
tempo passa. A' heira da (O\'a Jbcrta pelo Governo que se arrasta na suprema agonia, formase um tribunal implacan:1. A arrogancia, a intolcrancia feroz. a incap~lcidade autoritaria, o 01'gulho sideral dos régulos, sc transtÓrmam
na
humildade aterrorizada dos réus.O
ajuste de
cantas cameça, e grava-se na consciencia publica
uma sentença inappdlav\.'i.
1\05 palacios do
Estados
gU\'CIllO
da
e l1i~o
deviam cscrcn:r, cm local bem
aos Scus detentorcs, as palavra~ :
e dos
visivel
«Memento Homo))
para que todos tivess~l11 pr~Selltl:, nos días de
gloria, as inçvitaveis afflicçOes do crepusc'Jio e do
fim do quatrienllio.
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--
55
--
Um periodo dt: go\·erno, no 110SS0 regimen,
é um,l rcdu1.ida il11agem da vida: tel11 sua mocidade facil e brilhante, eujos primciros crros nao
desilludcm cspcranças; tem um periodo de maturidade que já nJo admitte desliscs, nem desvios;
mas, quando começa o declinio na outra vertente da vida, o Governo já nao encontra a sombra de uma toleranÓa:
ccrram-se-lhes
os subrólhos, os julg-amcntos pesam-lhe nas costas
como cargas de chumbo.
Ha no livro da eterna sabedoria um tragico
dialogo entre o máu rico, damnado, no fundo
no Inferno, e o patriarcha Abraháo que, do alto,
o eontemplava.
E, quando a rico condemnado
pedía quc seu pac c scus cinco irmaos fossem
advertidos da severa justiça do julgamento divino,
Abrahao retorquiu que se nao oLlvíam Moysés e
SCtlS prophetas, da mcsma forma scriam mOllcos
ao testemunho de um rcsuscitado.
A bôa advertencia é a que n:m do fundo
da nassa wnsciencia
nas horas opportunas da
vida; o arrependimento nâo salva aos damnados
do Infemo, como a palavra dos prophetas nào
vale aos orgulhosos da terra.
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ANNEXOS ---
-_.
------- -.-- --
. --------
~~
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J
Discurso do Dr. Antonio Carlos de
Assumpçao
«Exmos. Sr:-;. Prcsidente de Honra e Presidmtc Effl:ctivo da Associaçào Commercial de
Sao Paulo.
Exmas Senhoras e Senhores.
Quiz a Associaçao Commercial de Sao Paulo
fosse culo interprete de seus scntimcntos
para
com o dr. José Carlos de ~'faccdo Soares, seu
presidente Je honra, nesta solcnne reuniao, que
lhe t offer~cida, como preito de merecido aprcço
e sincero nxonhccimento.
Desnccessario se torna vol-o dizer, Uo conhccido Je todos é o cyclo de minha actividade,
sempre nortclda para a campo do trabalho pratico, e afastalla das lides dia\ecticas e oratorias,
que, embura conseio de minha fraqueza e tremulo mcsmo dcante da grande responsabilidade,
ora assumida, nia Plldc me furtar á intensa sade dar cumprimento
ao prcsente mandato, ue tal forma se ajusta elle ao intimo do
mcu proprio sentir, coma tambem, assim agindo,
procurei demonstrar
o imperio que cm mim
exerce a principio de disciplina, elemento de força
cm toda a classe bem organizada.
usÚçao
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-
60-
Obedeço, pois, ás determinaçóes
da Associaçào Commercial de S. Paulo, essa sentinella
vigilante dos destinos commerciaes e industriaes
do Estado, e trago nalma essa crença ardente,
commum felizmente a todos nÓs aquí presentes,
de que a nosso valor será tanto maior quanta
mais profundo fôr a nosso espirito de classe,
vivo sempre na consciencia de cada um, e ligando a todos nessa corrente contínua de leal
coopcraçào e franca solidariedade ..
Nessa ordem de idéas e na realizaçào de
seu programma de acçàO, todo elle consagrado á
defcsa dos interesses fundamentaes
e conserva-dores das classes que representa, a Associaç:lo
Commercial de Sao Paulo tem sabido se impôr
i estima do Brasil quasi inteiro, ande guer que
lá tenha chegado sua vóz, echoando beneficamente como palavra de estimulo ao trabalho
creador e fecundo, palavra conducente ao bom
-entendimento entre governantes
e governados
para a fim da adopçào de medidas salutares e
lcis uteis, palavra no sentido da efficiente concentraçào dos esforços, amparando as forças vivas
do paiz, ao enve7. da dispersao delles, tao preju·diÓal ao resultado f-inal. E em todos os seus
actos, [ructos sempre de ponderada reflexâo e de
segura experiencia, a Associaçào Commercial de
Sao Paulo, ao lado de seus justificados reclamos
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-
6r
e de sua crltlca honesta, tem dado prova Jnconfundivel de respeito á autoridad e constituida
e á ordeil1 legal estabe1ecida, ambiente esse propicio e indispcnsavd á sua propria existencia.
E foi assim que, mantEn do taes principios
e dcfininJo positivamente sua attitude, ella se viu
obrigada a assumir papel saliente ante os tristes
aco1ltecimentos desenrolados
nesta Capital. por
occasiao da reyo1ta de 5 de julho de 1924, papel
él que
Jeu cxcepcional rele\'o seu entâo presidentc dTectivo, nosso homenageado de hoje, dr.
José Carlos de \lacedo Soares.
Deante da situaçJo afAi(tiya daquelle momento, aturdida a (idade de Sao Paulo pelo inesperado da fatalidadc e entreguc a sua laboriosa
populaçJo aos horrores de todas as duvidas e
inccrtezas, a Associaçào Commercial de S. Paulo
entra em acçJO, fazenda publicar a primeiro boletim em que ella awnselha ás classes conservadoras ((que acompanhem cam a maxima sympathia e apoio a heroica resistencia deselwoh'ida
pelo governo do Estado e se mantenham confiantes na ;tcçao resoluta do presidente Carlos
de Campos)).
Termos mais incisinls nJo se poderiam dcscjar e \lem OlItra dcyeria ter sido a mancira de
agir por parte da Associaçao Commercial dc S.
Paulo. Scu entio presidente, dr. José Carlos
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--
h2 -
de ,\\acedo Soares, homem de cmprehendimcntos
e de grandes iniciati\'as durante a paz, n:velou-se
tambem o homern talludo para as circumstancias
agitadas do tempo de guerra.
I)uramc esse periodo nefasto, sua incessante actividadc, quer de
dia, quer em horas avançadas da IlOite. n;1o se
deteve UIll instante deante de difficulliade aigUilla,
cspargindo sobre a cidaJe Je SJo Paulo desvelo
e carinho de toda onlcm, proïcndo
a todas
as n~cessidades, ol\vindo a todos ()~ afAictos e
procurando sen'ir, corn abundancia de coraçao, á
popu1aÇào cm geral, sem distincçJo de classe,
sem distincçào de nacionalidad e c scm distincçào
de el)r.
hrmiano Pinto, outro benelllerito a quern
deve nossa Capital gratiJao immorrcJoura,
vê
Sua autoridade no cargo Je Prefeito .\Iunicipal
respcitada pelo chcfe revoltoso, entào senhor da
cidade, e .1 .'\ssociaçào Commerciéll, unindo seu s
esforços aos da Prefeitura, lança outra boletim,
datado de 10 de julho, aconselhando as classes
consen"aJoras
a prestigiarem e facilitarcm, por
todos os meios, a acç:lO do Govl:rnador da CiJade na normalisaçào da vida do ~'1unicipio, 50bretudo no tocante ao abastecirncnto de generos
••Iimenticios.
Respira-se um pouco; ha UIl1alento; existe
1I11lorgào administrativo que age, que tenta (0-
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-ordenar
~cn'i~us, cspccialmcl1te os que se rdacio-
com
llàl1l
6:;
o abastecÎmento
da
cidadc,
eyitant!o,
dcssa
forll1.l.
;\ desolaçao ta111hem peb
fÓmc.
Dahi pur JcantL' a As:,,) ...ih;àO Coml11er(Îa]
Sjo Paulo, pda ¡)~lla\Ta t." pLL; ;l(~;1O dc sel!
,IL
prcsidcl1k,
lUr!101l-,"l'
cClltr,,}
()
hemdita
Lk.:,',;:\
seria j{)ilgO pO'ïl1cl1mizar.
Oppoz
() presidellt\.' da .\ss{)ci:lçJO C()i\llll'.'1~'i:l re:-,istencia
habil e !lrudclltC
..:ontra todo; (h desmandos,
contra toda" a.:, clcpn:d;lç(-)~s. (O',H;l :.l pcrigosa
aJ1,u\:hia, que j:í dll¡lCça\':.l a s: I.lZ\.T .-;elllir l1a
crtlzada.
que
cidade,
éPUCl
;,~¡l1do (on)\)
u
as
~T;¡\\:s ,'iïÙ~ilhLlllci;¡s
CO\1\oca JlLl:';
ljll:lCS se rcalil.aralll,
P\.!ïl1\tll<lólJ.
as
.\SSO(¡'ll:;'¡(),
da
da
do
relijli\lC-;
:¡pL'Sar
risco dL' \'ilÍa, st:lllh lima cm ,:a':';l (h-llc j1mpriu
e outr,: ]lO .\U10:1\'1\,-'1
Club.
l)iS(llt-'lll-'-.\.·
as
I1ccessidadcs prcnlèlltes
c tomall1-se
,1S dc1iber:.l-
Por intcrICn:nci,1 d;¡ _-\~s(lja.;:\() Commercial
,icaram
,~.lrantid{).; 11'-; dc¡)osi¡os !)(» Bancos. 1\ledida l1c alto
alcanc\..' social l' \.1<- d'feil;:s ;mmèdi~l1o':' !lO tLTr\.'!lO miliur,
l' 1~l';11 ~ts-;it11 1)rganiz;\ -',l'
(l
(orpo
çClcs «()ll1pati\'cis
,:unl () m01l1cnl<"
1
proÜ·;orÍn
de hOlllb\.'iros,
de extincdo
j;i
>e tin h:un
Ús p;¡rtes.
sel!
~l
IJ1'C.sidentc.
gellLTos¡dadc
de jllLe~"Jil
ll:tdll,
Pela
¡):tra acudi'h,
LlJl11
,-".,:ntlo
p~'t::l,i/l1s
au
q\JL'
SI..T\Î<;O
di\' ....r~os
ill(~¡]Ll¡]a\Cis
p~¡ht\Ta
semprl." ;lcaLllb de
~l .\ssd..:iado
CO;;lI11crcial Deje
•
dd
c¡dade
J
de
S,lU Paulo
cm
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-
64- -
favor das mulheres, velhos e creanç,lS desamparados. Bate, no anscio de bem servir, a todas
as portas, como as da Liga N acíonalista, das
Associaçoes Religiosas, das Conferencias de S.
Vi(Cnte de Paulo, bate, crnF.m, ás portas de todos
os homens bons da (idade, numa suppliCJ (0111rnovente de ycrdadeiro apostolo. conscguindo irmanar a todos nesse admiravel 11100'imento de
caridade christJ para cam os necessitaJos e desprotegidos da fortuna
Testcmunha
presencial Je s~us actos e de
todos os SCllS pa'~sos. durante os dia', tcrrÏ\'eís
da rcyo!t:l ... rcycil) ainda a sua figura, 110 re1101içodaquelles tetrico:s momcntos, t(JJ,t feíta de
solic'tude e trazcndo nos hbios o kve sorriso,
t;).(l caractnistieo,
COI11 que " todos
acolhia.
Nesse labor ininl~rrllpto, zdando de todos os
intercsses da populaç;)O de S. Paulo, quer os
f1.lndamentaes e consL:r\'adOlcs propriamentc
a
cargo da Associaçào Commercial, quer us puramente humanitarios e piedosos, nào hL:~itouJosé
Carlos de MaceJo Soares nem mesmo dcante da
delicada e difticiJ tentativa que buscava Jar 50luçJO ao caso pelo accordo entre as partes.
E, assim, nl:~se afan, que nao se esmoreÓa,
guiado scmprc pela sua bella inteJligcncia e seu
bondosissimo coraçào, manteyc-sc o bcncmerito
pauJista at~ o Jesfccho conhecido da malsinada
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rcvolta, que, abandonando
a 110ssa Capital, opcrou
a retirada para o interior do nosso, e, mais tarde,
de OlltroS Estados do Brasil.
Com visivc\ satisfaçJo,
vendo livn: nossa
Capital da acçJo dcstruidora do bombardeio prc- .
paratorio para a n:collqui~;t;l da cidaJe, !"Cchaelle
esse lU;.jubre periodo de "ida de Sâ,) Paulo C0111
o seguime
bo:t:tim, datado de 2~ de Julho de
192-!-:
((Jí l'st:i no Palacio do Go\'erno
I.::\mo.·
sr. \11'. \:Jrlns de Campo-;, presidente do Estado.
Ii cst:l cm pleno fUllccionamel1to a machina
administrativa
do Estado.
Já é possivd, neCl:Ssario meS1110, que scja n:começada
a 'lija do
trabal1lO.
A A SSo~'i;lça() Commercial
de SJO
Paulo awnsclha,
pois, ;lOS industriaes
e wmrocrciantes que fa~aIn abrir e [unccionar os seus
r ~sp~(tiv()s estabdcciltlentos».
Eis aquí ():-) factos, cm rapidos traços, taes .
COIn,) clics se passJram.
Estáo bem presentes
1):1 :'!l('111oria de todos
e constam de varios documentos de absoluta ré. Insophismavcl é a conducta dignificante
que teve, durante a época em
quesUo, a Assaciaçào
Commercial
de S. Paulo,
que, na defeza sem limites dos intcresses cons~rvadores das classes, que legítimamente
representa, confundiu
esses corn os da humanidade
e
da civíJízaçao, tornando-se
assim a defensora va-
°
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6h --
da popubçJO intl'ira desta Lid~ltie, cm todos
os sentidos.
Portadora de gloriosas
tradiçücs e
prestando o devido culto ao nüsso passado, todo
elle feito de trabalho honrado e Lle ..:omprm'adu
amor á ordem, outra nào poderia tt:r sido ,1
acç;lo da Associaçao
Commer..:ial
de S. Paulo c
nem dessa ¡¡nb se dcs\'iará ;\ tr;ljectoria dl' sua
vida no curso futuro das cousas.
Amainada, assim. a harrase;!, l.jllC por cspaçn
dl' 22 dias en\'ül"eL\ ,1 (¡dade de S. Paulo, esta
vai reto mando o seu aspecto custumeiro,
c, com
a energía de que tantas vczes jÚ temos dado
sobejas provas, os estragos materiaes, occasionados pela rC\'olta, "Jo sendo reparados
rapidamente.
Essa grande wlmcia. a l.jUC CO\l1 n.:rdade se
tem comparado
a cidade de Sào Paulo, Se n:-'
organiza, se agita rumorejante
Ila ;\I1sia do trahalho quotidiano,
que prestamente
se \',le normalizando.
E cmquanto
assim caminha
a vida
intensa de nossa Capital para seu n.:ajustalllento
integral, abre-se par.l o hemfe¡tor
da (¡(Lidc o
caminho das amarguras.
Designio myskrioso
e insonda\Tl das -:oisas
humanas
é esse que fal. depender
as grandes
ohras do be m, as acçC)es de alta bcnemerencia,
da
sagraçào do soffriment\),
e~pe..:ie de purificacào
pela èxpiaçào J'or que tem de passar o autor
!(lroS;l
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67 de1IJ~. Esse J1l':·<.ldo tri b lIW, es:,>e ímposto
de
dÚr. tC\e liL- pagar .lOSl' Carlos de ?vlacedo Soares.
])cpois dc \'aria-; peripecias,
conhecidas
de
todos, lici\a ellc SéU paiz natal, cm busca
de outras teru..;, j.á 110 estrangeiro,
José Carlos
de .\ Lh:edo S();U\'S pcrmaneCCll por longo tempo,
aguardando
opportunidadc
rara regn:ssar ao Brasil.
\prm'citando
lItilmentc sua estadia alli, emprehende clic estlldus scríos e proficuos,
dando
á publiciJade
\'arios livros de incontcstavel
valor,
dcntrc ()..; ljllal"; destacaremos
os tres seguintt:s:
«.Illsti~;p, (I() 13r;\sil e a Socicdade das ;\açCll:s-))
\"(J-;
e « .-\ i3orr;t<.::h<1)),
() primeiro é 1I1lla cxPOSiÇàO (;lIma e serena
th aLtllaçào lJue ~C\'e, na qualidadc de presidente
'ltl
.-\s-;ociaçJo
CommerciaL
durante
o periodo
'Titico da revoIt.\. dclinindo
e fazenda resaltar,
dea!ltc do arro!amcnto
minucioso
dos factos, a
justiça intangin:1 de sua causa.
O segundo COIlstituc uma intcrcss;lI1tc e documentada
apn.:LÏaçâo
do autor a n.:spcito da attitude ;¡ssllmida
pelo
pas"ado g'Overno brasilt:iro, 110 scio da notavel
so(iedadc
internaÓonal,
creando a t;10 debatida e
discutida crise,
O terceiro é um hem lan¡;ado
cstudo cconol1lico, àcompanhado
dc dados l'sta"':'
·tistiC<lS, sobre a horracha, producto esse dé consumo mundial, scmpn: crcscentc, em cuja..; :-;ifras
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(-;8-
já tivcmos !;lO ass¡gnalada prepolldcranl.'ia, hojeo
infelizmente, perdida.
Lá no estrangeiro, procurando servir ao Brasil
e dando mostra de seu infatigavel amor ao trabalho, foi sempre o mcsmo homem, accessivel
a todos, e dominado
semprc da preoccupaçào
dos vitaes problemas nacionaes.
Agora que estào passadas todas as tormentas, eil-o de novo entre nós, rccebido de braçôs
abertos pelos seu s innumeros amigos e pela
massa popular desta cidade, palpitante, na tstaç;1O
da Luz, por occasiao da sua chegada, rendendolhe, assim, significativa homenagcm.
Eil-o aqui entre nÓs, para nossa alegria e
nosso orgulho, portador semprc dessa inquebrantave) energia de bem servir aos grandes interesses
materia es do Brasil, assim como aos elevados
ideaes sociaes, que dignificam a pavo.
Dos sentimentos da Associaçao Commercial
de S. Paulo já tiv<.:stes, sr. dr. José Carlos de
Macedo Soares, pro va eloquente e em termos
expressivos, LOnstantes da beIlissima mensagem,
€:om que ella vos recebeu no dia do vosso regresso, mcnsagem essa, publi(a~a, entào, pela
imprensa, e a quaI vos é, neste momento,
entregue em artístico pergaminho - rico de arte
nacional na sua contextura material, e mais rico
ainda na profundeza -:da sua significaç:lo moral.
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E ~ assim qut.: a ,\.SSU~i;IÇ'iO Comml:n:ial
de Sao PallIa, rcducto de incessante labor e incansavel opcrosidade, vos a-:olhe, jubilosa e rcconhecida, acclamando na pessoa de vossa exa.
- sr. dr. Jos~ Carlos Je Macedo Soares --- a dedicado servidor das classes conservadoras
e o
benemerito
protector lb grandc mctropolt
do
trabalho - :l bdla e cncantadora capital do Estado de SJo Paulo».
Terminado esse discurso, calorosamentt applaudido pela numerosa e selecta assistencia, foi
entregue ao dr. José Carlos de MacedofSoares,
pela sr. Feliciano Lebrc Mello, presidente da Associaçào Commercial de S. Paulo, um riquissimo
pergaminho com illuminuras de José Wasth Rodrigues, contendo a mensagcm de saudaçào que,
ao seu regresso da Europa, Ihe dirigiram as classl:~
conservadoras de S. Paulo, em a quaI está es..
cnpta a scglllntc:
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II
Mcnsagem
da Associaçao Commercial
de S. Paulo
Sr. Doutar Jo~é Carlos de ;\\aù:do Soares:
.\ Associaç;1o Commercial de Sào Paulo.
em nome do Commcrcio t da Industria dcste
Estado, j ubilosa pelo vosso feli/. regres~() ao meio
a que tanto hamacs, e que tanto se re:--,elltiude
\'ossa prolongada ausencia. \"()s apresenta 0':-; seus
melhorcs votos de boas \'indas.
Fazendo-o, tem a ccrtcz~l dL: que llJO representa S{)l1lenk as classes que ,lssocia cm seu
gremio, mas a grande maioria. a lOtalidade da
populaçJo paulista, que cm vÓs --- Senhor DoutO[
José Carlos de ~1accd() Soares -- Vl: desdobrado
O sel! « leader» opere)S() e ;¡uJaz nas horas dif'flccis para a Cidade l' paLl () Paiz.
Tres annos taz, cahida
cm syncope a "ida
e pciados os gigantes
de açlJ que Ihe IÚem a gLlllJeza, cxtincta a
actividadc producti,-a cm todas as suas manifestaçOes, no mais espantoso espect~culo de paralYSaçào e atonia colkctivas,
transformada
a
cidade do trabalho cm praça de guerra e campo
de SàO Paulo, manietados
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-- í
1
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dl' batalha - - foi a '"ossa pessÚa que sc interpm:,
dcraJa,
serenamente
altiva,
entre
a:.:, forças cm
choque, arauto da J ustiça, voz da consciencia e
da razao, cm meio da loucura das forças descncadeadas
cm tempcstade
sobre
a mais rica e po~açào.
Viu, entào,
derosa usina de trabalho da
a cidade u seu amigo, a seu grande
o seu intCl1lerato protector.
que tem raizcs profundas,
nos primordios
ad\'ogado,
Encarnastes
a tlgura,
atra\'cz
dos sccuJo~,
da civilizaçJo .-. do Bornem Born,
-- cssa admiran:1 e primorosa cntiJadc
social e
j uridica quc os costumes
consagram
como
a
força de respcito; o demento
moral dccisi\"() Il;l-;
horas de sah-açào publica.
grato nos é n:curdal-o.
~a
AssoLiaçào
Commercial dt: Sao
,-\0 n.ù:her-vos,
da
Paulo -- Senhor
presidcllcia
Doutor José
Carlos de .\lace~lo
Soares -- desempcl1hastcs,
á altura dJ. situaç~lo
insulita que Se vos apresentou, a fUllcçflO social
que cOl11pdia a 11111,"crdadciro
n:prcsentantc
cOl11mercio, cm complemento
natural do
~t()
"OSSO
mandato.
Em dcfcsa Ju L'spolio cc()numico de Sao
Paulo e do patrinwnio moral da :\a~ao, sujeitos
ambos
,deantc
da luct:! armada, nào \'acillastes
de pt:rigos l' de responsabilidades.
\\uito
cOllscgui~tcs.
~lO l' pOllCO o que sah-astes da
:l0-';
azares
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72-
economla paulista, da riqueza e da propriedade
de Sao Paulo.
E' extraordinario
a bem social
que fizestes. Sois credor de gratidao do proprio
Thesouro Publico, cujas cedulas resgatastes do
confisco pela força armada, corn a só autoridade
moral vossa. Mas, quando nada houvcsseis conseguido de material, quanta nâo vos deveria ainda
Sâo Paulo, pel0 vosso grito de humanidade, pelo
vosso damor de Justiça, pela vossa simples YOZ
de Consciencia?
Erguendo-vos
contra a ameaça da destruiçJo
de S~o Paulo, sa]vastes a noçào do direito num
grave momento historico e honraste s a povo a
que pertenceis, dignificando as tradiçOes civicas
e libera es do commercio, pioneiro das franquias
e dos direitos do nosso tempo.
Mais sc honra, assim, hoje, a commercio de
vos contar em seu seio e é corn justa ufania
que v.os recebe e vos rende preito de enthusiasnca homenagern.
Acceitae Macedo Soares
do cornmercio
seus melhores
Scnhor Doutor José Carlos de
- a expressào sincera da grarid~~
e da industria de ~o Paulo e os
votos de bôas vindas, ao pisard-és
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73 ---
novamclltc o li\'n: solo de
tao bem sabeis servir.
vossa terra, a que
S. Paulo. 5 de Julho de 1927 - (aa) Feliciano Lebre de Mello, presidente; Adriano de
Barros, 1.0 vice-presidente;
Jayme Loureiro, 2.0
vice-presidente;
Antonio Cintra Gordinho, 1."
secretario; Carlos de Souza Nazareth, 2.° secretario; William E. Lee, thesourciro;
Clovis Ribeiro, secretario geral.
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III
Mensagem do Povo de S. Paulo
Pronunciado
o discurso dL' agradecimento
Ju dr. J osé Carlos de Macedo Soares, o sr. presidente participou que um~ ':commissào popular
pedira Ú directoria da Associaçâo Commercial de
S. Paulo para, naquella occasi~lo, fazer entrega
ao bomenageado, de uma mensagun
de saudaçÜes do povo de S~lO Paulo, mellsagem esta que
contém dezenas de milhares de assignaturas, e
é concebida nos seguintes termos:
Exmo. Sr. Dr. José Carlo,; de .\laLCdo Soares
L'm dever de consciencia nos impele esta homenagem, ande a justiça nào é menor parte que
a gratidào.
Porque se é de justiça proclamarmos bem alto a correcç<1O da vossa attitude nos
dias angustiosos de julho, é de gratidào vos agradecermos lealmente os enormes scn'iços prestados ao pavo da cidade.
Silo Paulo, él terceira capital da .-\merica do
Sul e um dos grandes œntros urbanos do mundo,
se viu inopinadamente corn a ordem subvertida,
e amcaçado de todas as calamidades possivcis.
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j )
E lle:->"e lL111Sl' lle 11eng\ls imminentes,
fomos todo,,; tc,>tcl11l1nh:¡:-, da Uhsa acçJo intemc-
rata na dctàa
lb t lrdelll e do respeito á propricdade. A populaç:lo excitada iniciára o regimen do saq LIe, e esse grandc horror foi sustido
dc proll1pto gracls
\'cnçJo
[)L'rallte
t
;'t
\"thS.l
prO\'idcncial
IS l11\llllcntancos
intcr-
donos da (¡dade.
() in,"cndio, sLlI1p:-imido qLlc estava O (orpo de
bombciros,
\'ia lkante de si o Campl) dcsimpcdido Inra a sua obra nefastà .. vbs \'OSSO l'spirito organizador
:IClIdill de prolllpto,
t.'
improvisou O remedio l.'l"lic,v .
.\s reljuisiç()cs arbiuarias
ab'itra\'am-sc
dia
a di;l, mais nUlllen ¡sa..; c iniquas - c graças á
\'OSsa attitude fura111 contidas dcntro ,Ic limites
~upporta'"l'is.
() nUlllerario dos bancos, sujcito,
(omo tudo mais, ;1 reL)uisiçàO inappellavl'l,
ta111-
bem foi sako
poí~ que obtivestes do chefe dos
o (ol1lpromisso formal de tcl-o como
revoltosos
sagràJo.
I~ todos, ;{,Lima, podemos a\'aliar a extl.:ns:1o lkstc scn"j,'¡l. o maior que Ulll pélrticular
poderia preSlar em semelhante
cmcrgl'llCia, pois
¡,¡ expolia~~i()
do:-; .tllZèIlW-; ou trcZLlltos mil (ontos
tks-;as Céli\as iml)oruria
IHlm desastre
irreparave!
para a eC(l1lnmia 11a,:ÏO))al.
Tambem impcdistcs () lançamel1to de (011trihuiçCles de guerra e, cm appeJlo de larga di-
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vulgaçào, concitastes as classes
negar apoío á rebelliao.
conservadoras
a
E ainda evitasles que a Penitenciaria fosse
im'adida e despejada, como ainda soccorrestes
com recursos Je variada ordcm a todas as in~tallaçÜes hospitalares ou de abrigo que á vossa
nunca desmentida gencrosidadc, nesse momento,
rccorreram.
A enumeraçao
discriminada dos copiosos
sen'iços por vós prestados á causa da lei, da
ordcm, e da salvaçào publica, seria extensa cm
exccsso para o limite desta homenagem,
pelo
que nos limitamos aquí ao apontamento
dos
principaes, fartamente verificados pela populaçâo
intcira de Sao Paulo, que, por intermedio dos
signatarios
desta, vos significa solcnncmentc a
sua immorrcdoura
gratidaü».
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