NRFH, XI
NOTAS
193
g a ñ o " q u e , e n ú l t i m o análisis, es s i m p l e m e n t e el d e L o p e p r o y e c t a d o e n
la e x p e r i e n c i a i n d i v i d u a l y c o l e c t i v a de sus creaturas. E l o m n i p r e s e n t e
t e m p l e de á n i m o d e l a u t o r g u í a así los destinos i n d i v i d u a l e s de los personajes. P o r eso Vossler l l a m ó a l a D o r o t e a u n a "creación lírica t e a t r a l " , y
por eso nosotros hemos c a l i f i c a d o de lírico su s e n t i d o de l a f u g a c i d a d
del t i e m p o .
A h o r a , después de tres siglos y m e d i o d e progreso e n l a n o v e l a , tendem o s a o p i n a r q u e u n a f o r m a n a r r a t i v a flexible, c o m o l a q u e p o c o antes
se h a b í a e m p l e a d o e n e l Q u i j o t e , p u d o h a b e r l e servido a L o p e , m e j o r
q u e u n v e h í c u l o f u n d a m e n t a l m e n t e d r a m á t i c o , p a r a expresar e l s e n t i d o
d e l a v i d a desarrollándose en e l t i e m p o . P e r o L o p e , h o m b r e de su é p o c a ,
fue incapaz de a p r e c i a r l o hecho p o r Cervantes, y, además, d e m a s i a d o
b i e n conocía su p r o p i a f a l t a d e auténticas dotes n a r r a t i v a s . I n s t i n t i v a m e n t e se d e c i d i ó p o r u n a f o r m a d r a m á t i c a p a r a l a q u e c o n s i d e r a b a s u
o b r a más a m b i c i o s a y p e r s o n a l . P o r o t r a parte, a l desechar las restricciones
del t a b l a d o , dejó despejado e l c a m p o p a r a expresarse s i n cortapisas. P e r o
el d r a m a , p o r su m i s m a n a t u r a l e z a , c r i s t a l i z a l a acción e n unos m o m e n t o s
b i e n seleccionados y n o p u e d e crear fácilmente l a ilusión de u n c o n t i n u u m
t e m p o r a l n i de u n sereno proceso d e c a m b i o . P o r eso, d e n t r o de c a d a
escena y d e n t r o de cada acto, L o p e a c u m u l a m o m e n t o s en sucesión i n i n
t e r r u m p i d a , s e ñ a l a n d o c u i d a d o s a m e n t e su m a r c h a . L o s i n t e r v a l o s e n t r e
a c t o y acto q u e d a n cubiertos c o n relatos q u e e l a u t o r g r a d ú a c o n m i n u c i a ,
y q u e p o c o a p o c o p o n e n de manifiesto los a c o n t e c i m i e n t o s t r a n s c u r r i d o s
m i e n t r a s tanto. A s í , pues, l a e x c e p c i o n a l f o r m a de l a "acción en p r o s a "
p u e d e verse c o m o u n f r u t o n a t u r a l de l a i n n a t a concepción d r a m á t i c a
del m u n d o q u e L o p e tenía, y d e l p a r t i c u l a r i m p u l s o lírico q u e l o g u i ó
en l a D o r o t e a .
3
A L A N S. T R U E B L O O D
B r o w n University.
LA
"CANCIÓN DESESPERADA" D E GRISÓSTOMO
D o n A m é r i c o C a s t r o , de q u i e n d e b e n p a r t i r todas las i n d a g a c i o n e s
c e r v a n t i n a s — y m u c h a s o t r a s — , fue, según creo, e l p r i m e r o e n i n t e r p r e tar l a m u e r t e d e l pastor-estudiante G r i s ó s t o m o c o m o u n caso d e s u i c i d i o (hasta entonces, los lectores d e l Q u i j o t e , I, cap. 14, h a b í a n c r e í d o
q u e G r i s ó s t o m o m u r i ó de a m o r e s ) . L a i n t e r p r e t a c i ó n d e l egregio maestro m e i n v i t a a v o l v e r sobre el tema, pues creo q u e este e p i s o d i o nos
d e j a v i s l u m b r a r aspectos p o c o e x p l o r a d o s de l a m e n t e c e r v a n t i n a , t a n
problemática siempre.
1
" C o m o cada escritor tiene su G e n i o particular a que se aplica, el mío no deue
de ser éste", escribe L o p e a l comenzar su novela L a p r u d e n t e v e n g a n z a , y añade que
éste "es diferente estudio de m i n a t u r a l inclinación" ( L a C i r c e , ed. facs. de l a
p r i n c e p s de 1624, M a d r i d , 1935, fol. 122 V ) .
A . C A S T R O , " L o s prólogos a l Q u i j o t e " , R F H , 3 (1941), p . 337: " D e l contexto de
la prosa del Q u i j o t e en que se habla de la muerte de Grisóstomo, nadie saca l a
impresión de que el pastor obstinado se suicidó; eso es, sin embargo, lo que hizo y
a n u n c i a que va a hacer en la canción del capítulo 14, en donde dice que tomará u n a
soga, se ahorcará, flotará su cuerpo a l viento, no lo enterrarán en sagrado, irá a l infierno, porque muere «sin lauro o p a l m a de futuros bienes»".
8
1
»94
NRFH, X I
NOTAS
E m p e c e m o s p o r e l s u i c i d i o e n sí. C o m o nos dice C a s t r o , es éste u n
t e m a p r o p i o d e las p r i m i c i a s l i t e r a r i a s d e l R e n a c i m i e n t o : l a C e l e s t i n a
y el teatro de J u a n d e l E n c i n a , entre otros. T e m a l i t e r a r i o , n o t r a s u n t o
de experiencias vitales. P r o c e d i m i e n t o estoico p o r excelencia, e n el s u i c i d i o se ve e l s u p r e m o acto de l a v o l u n t a d h u m a n a , i d e a q u e a siglos
d e d i s t a n c i a todavía obsesiona a l K i r í l o v de D o s t o y e v s k i . P e r o t a l c o n c e p c i ó n d e l s u i c i d i o choca c o n u n escollo i n s a l v a b l e e n l a España de l a
s e g u n d a m i t a d d e l siglo x v i : l a R e f o r m a católica i d e n t i f i c a e l s u i c i d i o
con l a c o n d e n a c i ó n d e l a l m a . C o m o casi todas las actitudes p o s t - t r i d e n tinas, ésta llegó a a r r a i g a r de t a l m a n e r a en el a l m a española, q u e e n
p l e n o r o m a n t i c i s m o , capa de tantos desmanes, se frustró el estreno d e
H e r n a n i , magníficamente t r a d u c i d o p o r O c h o a , p o r q u e los s u i c i d i o s d e l
ú l t i m o acto, a l son de l a i n s o p o r t a b l e b o c i n a de R u y G ó m e z , e r a n
" i d e a s . . . y costumbres q u e c o n t r a s t a n c o n las nuestras", a l d e c i r de L a r r a ,
s u i c i d a él m i s m o , e n p a r a d o j a v i t a l m u y h i s p á n i c a .
2
A p a r t e l a c o n d e n a ético-religiosa, g r a v i t a sobre el s u i c i d i o o t r a f u l m i n a c i ó n , de í n d o l e estético-literaria. E l s u i c i d i o , c o m o todo acto de sangre,
n o tiene c a b i d a e n el orbe de l o p a s t o r i l , que es d o n d e se h a n r e f u g i a d o
G r i s ó s t o m o y M a r c e l a . E n sus A n o t a c i o n e s a G a r c i l a s o (1580), H e r r e r a
r e p r u e b a j u s t a m e n t e tales hechos p o r q u e q u e b r a n t a n u n m a r c o i d í l i c o :
" L a m a t e r i a desta poesía es las cosas i obras de los pastores, m a y o r m e n t e
sus amores, p e r o simples i s i n d a ñ o , n o f u n e s t o s , c o n r a b i a de celos, n o
m a n c h a d o s c o n a d u l t e r i o s " (s. v.
Égloga) .
E s t a segunda c o n d e n a es, p a r a Cervantes, l a de menos i m p o r t a n c i a ,
puesto q u e l a q u e b r a n t a e n aras de l a i n t e n c i ó n artística, e i n i c i a así l a
C a l a t e a c o n l a c r u e n t a m u e r t e de C a r i n o , q u i e n cae a p u ñ a l e a d o a n t e
los atónitos ojos de E l i c i o y E r a s t r o . L a o t r a c o n d e n a , l a ético-religiosa,
sí es i n t o c a b l e — o p o c o menos, c o m o lo d e m u e s t r a e l caso de G r i s ó s t o m o .
E s t o e n c u a n t o a l s u i c i d i o . Pasemos a h o r a a l m u y s i g n i f i c a t i v o t í t u l o
de l a composición e n que G r i s ó s t o m o se despide de l a v i d a :
Canción
d e s e s p e r a d a . E l v e r b o d e s e s p e r a r s e ) tiene p o r los años e n q u e escribe
C e r v a n t e s dos sentidos. E l T e s o r o de C o v a r r u b i a s nos dice, s. v. D e s e s p e r a r : " P e r d e r l a esperanza. Desesperarse es matarse d e c u a l q u i e r m a n e r a p o r despecho; p e c a d o c o n t r a e l Espíritu Santo. N o se les d a a los
tales s e p u l t u r a ; q u e d a su m e m o r i a i n f a m a d a y sus bienes confiscados, y
l o p e o r de todo es q u e v a n a hacer c o m p a ñ í a a J u d a s . Esto n o se ent i e n d e de los q u e estando fuera de j u i c i o l o h i c i e r o n , c o m o los locos o
3
4
5
O b r a s c o m p l e t a s d e Fígaro, París, 1874, t. 2, p . i 2 4 - - H a y , además, el choque
ideológico entre estoicismo y neoplatonismo en este terreno. E l culto a l a Naturaleza,
foco del neoplatonismo, hace de ella la única fuerza creadora y aniquiladora, p o r l o
cual el suicidio resulta ser u n acto c o n t r a N a t u r a r t i .
E n cambio, en la literatura bucólica italiana el suicidio tiene cierta aceptación.
Cf. M I A I. G E R H A R D T , L a p a s t o r a l e , Assen, 1950, p r i m e r a parte.
E n la literatura española del siglo x v n , el suicidio es tema vedado. E n t r e otros
m u y contados casos, recuerdo L o s áspides d e C l e o p a t r a , de Rojas Z o r r i l l a , donde e l
suicidio está dictado (y excusado) p o r la materia histórica.
Sobre Judas suicida, dice Cervantes en L a g r a n s u l t a n a ( C o m e d i a s y e n t r e m e ses, ed. S c h e v i l U B o n i l l a , t. 2 p. 184): " E l matarse es cobardía, / y es poner tasa a
la mano / l i b e r a l d e l soberano / bien que nos sustenta y cría. '// Esta gran verdad
se ha visto / donde no puede dudarse: / que más pecó en ahorcarse / Judas, que en
vender a C r i s t o " .
2
8
4
5
NRFH, XI
NOTAS
*95
frenéticos". E l D i c e . A u t . p u n t u a l i z a y e j e m p l i f i c a las dos acepciones:
" V a l e t a m b i é n matarse a sí m i s m o p o r despecho y r a b i a , c o m o sucede a l
q u e se a h o r c a o se echa en u n p o z o " ; el e j e m p l o c o r r e s p o n d i e n t e p r o c e d e
de l a A r c a d i a de L o p e : " D e t e r m i n a d o a d e s e s p e r a r s e , p o r entre u n o s
tiernos sauces (árbol d e d i c a d o a semejantes actos) subió ligero a l m o n t e " .
L a o t r a acepción, 'enojarse, i m p a c i e n t a r s e gravemente', se e j e m p l i f i c a
con unos versos de Q u e v e d o : " H a y c o s q u i l l a s p e q u e ñ i t a s / de las q u e
con a d e m á n / d i c e n l o de l a v e n t a n a / y h a r á n m e d e s e s p e r a r " . Estas acepciones se r e p i t e n en T e r r e r o s y P a n d o ( D i c c i o n a r i o c a s t e l l a n o ) y c o n t i n ú a n , abreviadas, e n las últimas ediciones d e l D i c e . A c a d .
Cervantes conoce ambas acepciones. H e a q u í v a r i o s ejemplos e n q u e
a l u d e e v i d e n t e m e n t e a l s u i c i d i o : " S ó l o i m a g i n a b a que, según le v i o triste
y m e l a n c ó l i c o después de l a b a t a l l a , q u e n o podía creer sino que a d e s e s p e r a r s e h u b i e s e i d o " ( G a l a t e a , I I I ; B A A E E , t. i , p . 376). " C o n j u s t o
t í t u l o p u e d e d e s e s p e r a r s e y a h o r c a r s e " ( Q u i j o t e , I, 25; i b i d . , p . 315Ò).
E n el P e r s s i l e s (II, 14; i b i d . , p . 6 1 0 b ) , u n m a r i n e r o i n t e n t a suicidarse, y
Persiles c o m e n t a : " C o n l a v i d a se e n m i e n d a n y m e j o r a n las malas suertes,
y c o n l a m u e r t e d e s e s p e r a d a n o sólo n o se a c a b a n y m e j o r a n , p e r o se
e m p e o r a n y c o m i e n z a n de n u e v o . D i g o esto, compañeros míos, p o r q u e
no os asombre el suceso q u e habéis v i s t o deste nuestro d e s e s p e r a d o " . E n
el Q u i j o t e (II, 21; B A A E E , p. 448a), el c u r a amonesta a l falso s u i c i d a
B a s i l i o diciéndole " q u e atendiese a l a s a l u d d e l a l m a antes q u e a los
gustos d e l c u e r p o , y q u e pidiese m u y de veras a D i o s p e r d ó n de sus
pecados y de su d e s e s p e r a d a i n t e n c i ó n . . . p o r q u e su a l m a n o se perdiese
p a r t i e n d o d e s e s p e r a d o desta v i d a " . D e l a acepción ' p e r d e r l a esperanza'
o ' i m p a c i e n t a r s e ' , basten los siguientes e j e m p l o s : " N o se desesperó de
h a l l a r el fin desta a p a c i b l e h i s t o r i a " ( Q u i j o t e , ed. cit., p . 271a); " E l v e n tero se d e s e s p e r a b a de ver la flema d e l e s c u d e r o . . .; el v e n t e r o . . . estaba
d e s e s p e r a d o p o r l a r e p e n t i n a m u e r t e de sus c u e r o s " ( i b i d . , p p . 3526-3530).
8
A h o r a podemos e x a m i n a r los textos q u e se refieren a l a m u e r t e d e
Grisóstomo. A l g u n o s de ellos robustecen l a i d e a de q u e se suicidó, y l a
h a c e n casi i n c o n t r o v e r t i b l e ; otros l l e g a n a i n v a l i d a r l a casi p o r c o m p l e t o .
A n t e todo, si tenemos e n c u e n t a l a p r i m e r a acepción d e l verbo d e s e s p e r a r s e , el t í t u l o de l a canción de G r i s ó s t o m o p u e d e significar ' c a n c i ó n
del s u i c i d a ' o ' d e l s u i c i d i o ' , interpretación a q u e casi nos o b l i g a n v a r i o s
de sus versos:
¡Celos!
p o n e d m e u n h i e r r o e n estas
D a m e , desdén,
u n a torcida soga. . .
manos.
Yo muero, en fin; y por que nunca espere
buen suceso en la muerte n i en la vida
pertinaz estaré en m i fantasía. . .
Diré que la enemiga siempre mía
Los h a l l o en J . C E J A D O R , L a l e n g u a d e C e n m n t e s , M a d r i d , 1906, t. 2, s. v . ;
Cejador no cae en l a cuenta del doble significado del verbo, y piensa que Cervantes
siempre lo usa en la acepción que subsiste en nuestros días. L a evolución semántica
d e s e s p e r a r s e 'suicidarse' es paralela a la que tuvo p e r d e r s e en el siglo xv. Cf. M . R .
L I D A , " L a hipérbole sagrada en la poesía castellana del siglo xv", R F H , 8 (1946),
pp. 125-126, q u i e n explica cómo este último verbo vino a denotar " l a máxima pérdida, la del alma".
6
IQ6
NRFH, X I
NOTAS
hermosa el a l m a c o m o el cuerpo tiene,
y q u e su o l v i d o d e m i c u l p a nace,
y q u e e n fe d e los m a l e s q u e nos hace,
A m o r su i m p e r i o en justa paz m a n t i e n e .
Y c o n esta opinión y u n d u r o l a z o ,
acelerando el miserable plazo
a que m e lian c o n d u c i d o sus desdenes,
ofreceré a l o s v i e n t o s c u e r p o y a l m a ,
sin lauro o p a l m a d e futuros bienes.. .
Y todos j u n t o s su m o r t a l q u e b r a n t o
trasladen en m i pecho, y en voz baja
- s i ya a u n d e s e s p e r a d o s o n
canten obsequias
debidas-
tristes, d o l o r i d a s ,
a l c u e r p o , a q u i e n se n i e g u e a u n la
mortaja.
A todas luces, G r i s ó s t o m o se q u i t a l a v i d a , ahorcándose de u n á r b o l
con u n lazo (recordemos l a definición d e l D i c e . A u t . : desesperado es e l
" q u e se a h o r c a " ) , a sabiendas de q u e m u e r e " s i n l a u r o o p a l m a de f u t u ros bienes", es d e c i r , consciente de q u e v a a l i n f i e r n o . E l t e x t o es t a n
c l a r o , q u e nos fuerza a t o m a r este o t r o c o m o p r u e b a d e l s u i c i d i o : " A l l í
m e d i j o él q u e v i o l a vez p r i m e r a a a q u e l l a e n e m i g a m o r t a l d e l l i n a j e
h u m a n o , y allí fue t a m b i é n d o n d e l a p r i m e r a vez le declaró su pensam i e n t o t a n honesto c o m o e n a m o r a d o , y allí f u e l a última v e z d o n d e M a r c e l a l e acabó d e desengañar y desdeñar, d e s u e r t e q u e p u s o f i n a l a t r a g e d i a d e s u m i s e r a b l e v i d a " (ed. cit., p . 280a). A i m p u l s o s d e l desdén y
el desengaño, Grisóstomo, actor trágico, p o n e fin a su p r o p i o d r a m a c o n
u n acto v o l u n t a r i o .
A h o r a , los textos e n c o n t r a . A n t e todo, el título d e l p o e m a p u e d e
i n t e r p r e t a r s e s i m p l e m e n t e c o m o 'canción desesperanzada', canción de u n
a m a n t e q u e ya n o espera conseguir sus deseos. A esta i n t e r p r e t a c i ó n n o s
l l e v a n varios pasajes de n u e s t r o e p i s o d i o . L o s lugareños d e c l a r a n : " M u r i ó esta m a ñ a n a a q u e l famoso pastor estudiante l l a m a d o Grisóstomo, y
se m u r m u r a q u e h a m u e r t o d e a m o r e s de a q u e l l a e n d i a b l a d a m o z a d e
M a r c e l a " (p. 276a). Y M a r c e l a : " A n t e s l e mató s u porfía q u e m i c r u e l dad"
(p. 282Z)). Y su a m i g o A m b r o s i o c o m p o n e este epitafio (p. 283a):
Yace aquí de u n a m a d o r
el m í s e r o c u e r p o h e l a d o ,
q u e fue p a s t o r de g a n a d o
p e r d i d o p o r desamor.
Murió a m a n o s d e l r i g o r
de u n a esquiva hermosa ingrata,
c o n q u i e n su i m p e r i o d i l a t a
la t i r a n í a d e a m o r .
7
P e r o hay más. E l pastor que c u e n t a e l fin de Grisóstomo t e r m i n a c o n
estas p a l a b r a s : " M a n d ó e n su testamento q u e le enterrasen en e l c a m p o
c o m o si fuera m o r o , y q u e fuera a l p i e de l a p e ñ a d o n d e está l a fuente
* N o creo que el p e r d i d o del verso 4 deba interpretarse en el sentido teológico
del siglo xv (véase l a nota anterior), sino que viene casi forzado p o r el g a n a d o d e l
verso 3. L a antítesis p e r d i d o - g a n a d o era frecuentísima en los siglos x v i y ' x v n , sobre
todo en la poesía pastoril.
N R F H ,
X I
NOTAS
»97
del A l c o r n o q u e , p o r q u e según es f a m a (y él d i c e n q u e l o d i j o ) , a q u e l
l u g a r es a d o n d e él l a v i o l a vez p r i m e r a . Y t a m b i é n m a n d ó otras cosas
tales, q u e los abades d e l p u e b l o d i c e n q u e n o se h a n de c u m p l i r , n i es
b i e n q u e se c u m p l a n , p o r q u e p a r e c e n de g e n t i l e s " (p. 276a). A h o r a b i e n ,
de h a b e r s i d o s u i c i d a Grisóstomo, el ú n i c o l u g a r d o n d e l o p o d r í a n h a b e r
enterrado h u b i e r a sido p r e c i s a m e n t e e n el c a m p o " c o m o si fuera m o r o " .
Por o t r a p a r t e , los abades d e l p u e b l o se h u b i e r a n d e s e n t e n d i d o de las
últimas v o l u n t a d e s de u n p r e c i t o q u e , p a r a el caso, b i e n p o d r í a ser
" g e n t i l " , puesto q u e m o r í a v o l u n t a r i a m e n t e fuera d e l seno de l a Iglesia.
L a a m b i g ü e d a d d e l título de l a Canción d e s e s p e r a d a se a u m e n t a y
se proyecta sobre t o d o el e p i s o d i o . ¿Fué G r i s ó s t o m o u n s u i c i d a o no? L a
respuesta es l o de menos p a r a l a comprensión d e l texto y de la i n t e n c i ó n
de Cervantes. L o q u e sí interesa es observar l a presentación perfectam e n t e e q u i l i b r a d a de los i n d i c i o s en p r o y en c o n t r a . Sólo q u e a l a
d e p o s i c i ó n de partes n o sigue e l f a l l o d e l juez. Cervantes n o d i c t a m i n a .
E l j u i c i o q u e d a i n c o n c l u s o , puesto q u e se c i e r r a e n c u a n t o se h a n p r e sentado las pruebas.
L o más c ó m o d o p a r a el crítico sería desechar e l e p i s o d i o c o m o u n
caso de hipocresía c e r v a n t i n a , y a q u e el s u i c i d i o estaba c o n d e n a d o p o r
la Iglesia y t r a t a r e l tema p o d r í a d a r p i e a diversos i n c o n v e n i e n t e s . H i p o cresía t o d o l o " h e r o i c a " q u e q u i e r a O r t e g a y Gasset, pero hipocresía a l
fin. E l fácil r ó t u l o " C e r v a n t e s i n g e n i o l e g o " h a c e d i d o e l l u g a r a este
o t r o , n o menos fácil: " C e r v a n t e s i n g e n i o h i p ó c r i t a " .
E l caso de Grisóstomo se r e l a c i o n a d e m a s i a d o b i e n c o n otros de g r a n
i m p o r t a n c i a p a r a q u e l o encasillemos s i n e l m e n o r esfuerzo i n t e r p r e t a t i v o . L a presentación de d u a l i d a d e s es típica de l a m e n t e c e r v a n t i n a ,
hasta el p u n t o de q u e m u y a m e n u d o l a acción (o ideación) novelística
se d e s a r r o l l a en u n c o n t r a p u n t o p r o v o c a d o p o r l a d o b l e visión. E l ejemp l o concreto más evidente y m e j o r c o n o c i d o de este d u a l i s m o es e l Q u i j o t e c o n su p a r e j a amo-escudero, p e r o t a m b i é n h a y muchas N o v e l a s
e j e m p l a r e s con doble protagonista: L a i l u s t r e f r e g o n a , L a s d o s d o n c e l l a s , L a señora C o r n e l i a , E l c o l o q u i o d e l o s p e r r o s , R i n c o n e t e y C o r t a dillo». D u a l i d a d e s son t a m b i é n el p l e i t o de los mojones q u e c u e n t a S a n c h o ( Q u i j o t e , I I , 13), o e l a r c h i c o n o c i d o de l a bacía-yelmo .
E n el caso
q u e nos atañe, l a d u a l i d a d está presentada, desde luego, p o r las dos
posibles soluciones a l p r o b l e m a de l a m u e r t e de Grisóstomo: s u i c i d i o
— m u e r t e p o r amores.
H a y u n texto c e r v a n t i n o q u e nos p o n e sobre l a p i s t a de l a e x p l i c a c i ó n de esta necesidad d u a l i s t i c a — l a a b u n d a n c i a de ejemplos n o m e
p e r m i t e l l a m a r l a de o t r o m o d o . L e e m o s e n L a señora C o r n e l i a : " L a s
i n f a m i a s m e j o r es q u e se p r e s u m a n y sospechen, q u e n o q u e se s e p a n
de c i e r t o y d i s t i n t a m e n t e , q u e e n t r e e l sí y e l n o d e l a d u d a c a d a u n o
8
10
Recuerde lo que dice Covarrubias: " N o se les da a los tales sepultura", actitud
q u e sigue manteniendo aún hoy l a Iglesia católica.
Cf. J . C A S A L D U E R O , " L a composición de E l i n g e n i o s o h i d a l g o d o n Q u i j o t e d e la
M a n c h a " , R F H , 2 (1940), p. 339, nota.
E n m i artículo " C o n o c i m i e n t o y v i d a en Cervantes", de próxima publicación,
trato con mayor detalle las implicaciones ideológicas de estos dos episodios. Allí se
.encontrarán asimismo nuevos ejemplos de la doble actitud de autor y personajes.
8
8
1 0
198
NOTAS
N R F H ,
X I
podrá i n c l i n a r s e a l a p a r t e q u e más q u i s i e r e , y c a d a u n o tendrá s u s v a l e d o r e s " ( B A A E E , p . 216a). L o esencial de esta c i t a es l a n e g a c i ó n i m p l í c i t a de u n à r b i t r o e x t r a p e r s o n a l q u e zanje las cuestiones vitales. Éstas,
a l c o n t r a r i o , q u e d a n entregadas a l s u b j e t i v i s m o de l a c o n c i e n c i a i n d i v i d u a l , q u e elegirá " e n t r e el sí y e l n o de l a d u d a " . Cervantes n o n o s
d a h a l l a d a s , hechas y resueltas las verdades vitales, c o m o él t a m p o c o las
h a e n c o n t r a d o en tales c o n d i c i o n e s . L o q u e hace es presentarnos i m p a r c i a l m e n t e los elementos p a r a q u e f u n d a m e n t e m o s nuestros j u i c i o s , e n
e j e m p l o m á x i m o de c o l a b o r a c i ó n artístico-ideológica entre a u t o r y l e c t o r .
P o r o t r a p a r t e - y esto está í n t i m a m e n t e l i g a d o a l o p r e c e d e n t e - ,
existe en e l n o v e l i s t a u n a c i e r t a p o s t u r a n e g a t i v a ante e l r a c i o n a l i s m o .
C i e r t o s misterios de l a v i d a n o d e b e n verse expuestos s i n d i s c r i m i n a c i ó n
a l i m p e r t i n e n t e e s c r u t i n i o de nuestros r a c i o c i n i o s : " N o todas las v e r dades h a n de salir en p ú b l i c o , n i a los ojos de todos", nos dice en e l
P e r s i l e s (I, 14; p. 5796). C i e r t a s esencias d e l v i v i r d e b e n p e r m a n e c e r
e n u n a p e n u m b r a q u e nos p e r m i t a v i s l u m b r a r l a s p e r o n o desentrañarlas,
c o n el consecuente r e b a j a m i e n t o en la escala de nuestras aspiraciones
vitales. E n esto hace h i n c a p i é d o n Q u i j o t e c u a n d o dice a l a D u q u e s a :
" D i o s sabe si hay D u l c i n e a o n o e n e l m u n d o , o si es fantástica, o n o es
fantástica; y éstas n o son de las cosas cuya a v e r i g u a c i ó n se h a de l l e v a r
hasta el c a b o " (II, 32; p . 4736).
C r e o q u e l a interpretación de l a m u e r t e de C r i s ò s t o m o — s u i c i d i o o
m u e r t e p o r a m o r e s — debe colocarse d e n t r o de este c o m p l e j o i d e o l ó g i c o
p a r a q u e el e p i s o d i o a d q u i e r a toda su r e s o n a n c i a , y p a r a q u e r e s u l t e
i n t e l i g i b l e su d u a l i s m o antitético. P o r u n l a d o , presentación de los
elementos de j u i c i o p a r a q u e el lector escoja " e n t r e el sí y e l no de l a
d u d a " . P a l a b r a s de C r i s ò s t o m o en su p o e m a : sí, es u n s u i c i d a ; aseveraciones de los abades d e l p u e b l o : n o , n o lo es. C a d a c u a l p o d r á f o r m a r s e
su o p i n i ó n y d e f e n d e r l a . A l n o v e l i s t a , según Cervantes, le atañe l a p r e sentación de los materiales necesarios p a r a l a f o r m u l a c i ó n de u n j u i c i o ;
e l f a l l o d e p e n d e r á de l a p o s t u r a v i t a l q u e se adopte: bacía, y e l m o o
baciyelmo.
Y aún debemos agregar esa suerte de r e p u g n a n c i a c e r v a n t i n a a p r e sentar t o d a s las cosas e n sus esquemas c o m p r e n s i b l e s , p e r o desprovistas,
p o r l o m i s m o , de l a poesía q u e hay e n las zonas de p e n u m b r a . L a m u e r t e
de C r i s ò s t o m o , d o b l e m e n t e poética, p o r sus circunstancias y p o r l a trad i c i ó n l i t e r a r i a e n q u e e n t r o n c a , n o es p a r a Cervantes "de las cosas c u y a
a v e r i g u a c i ó n se h a de l l e v a r hasta e l c a b o " .
J U A N BAUTISTA
AVALLE-ARCE
T h e O h i o State University.
N O T A SOBRE L AP A T A D EL A R A P O S A
En L
(Alberto
trarse o
cando a
salir d e l
a p a l a d e l a r a p o s a c u e n t a Pérez de A y a l a la h i s t o r i a de u n j o v e n
D í a z de G u z m á n ) q u e desesperadamente se e m p e ñ a e n e n c o n en h u i r de sí m i s m o . A l o l a r g o de l a n o v e l a , el a u t o r va coloA l b e r t o e n d i s t i n t o s c a m i n o s q u e el m u c h a c h o cree aptos p a r a
m a r a s m o d e l m e r o e x i s t i r . A s í v a el j o v e n esteta a su finca c a m -
Descargar

gaño" que, en último análisis, es simplemente el de Lope