Subido por Francisco J. Hernandez

Romantismo neurótico e antirromantismo em Os sofrimentos do jovem Werther e Memórias de um Sargento de Milícias

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Romantismo neurótico e antirromantismo em Os sofrimentos do jovem
Werther e Memórias de um Sargento de Milícias.
Francisco Javier Hernandez Blazquez n. usp 79374
[email protected]
São Paulo, 30 de Junho de 2023
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A hipótese que proponho considera o livro Memórias de um Sargento de Milícias (ALMEIDA,
2016) uma obra intencionalmente antirromântica, crítica aos excessos do romantismo da época,
efetuada por meio do humor irônico dirigido à ambientação e ao comportamento dos personagens.
Qual seria a escola literária na qual insere a obra? A resposta gerou uma controvérsia entre os
críticos. Seria uma obra visionária, prenunciando o advento do romance naturalista-realista? Sim
segundo José Veríssimo e Marques Rebelo (FREITAS, 2005), não segundo Antônio Cândido
(1970). Seria então uma obra de filiação picaresca segundo Mário de Andrade (1941)? Não, ainda
segundo Cândido (1970). Contudo a hipótese de Andrade (1941) resistiu bravamente a Cândido
(1970) por onze densos parágrafos de seu artigo, nos quais aprendi muito mais sobre o romance
pícaro espanhol do que eu já sabia sobre o romantismo brasileiro (esta disciplina, claro, corrigiu-me
esta ignorância). Com argumentação bastante convincente e teses muito bem justificadas, Cândido
faz no artigo uma final estratégica investida à hipótese de Andrade que via “Memórias” como um
livro pícaro “à espanhola” dizendo que a tese não é bem......deste. Seria antes a opinião dos
comentaristas que vieram depois, o que removeria da questão a autoridade de Mário de Andrade.
Mas a tese “pícara” é de Mário, sim. Ele não diz exatamente que a obra seja picaresca, “pero”, como
diria Lazarillo de Tormes, como interpretar este trecho de sua introdução ao “Memórias”? “...é bem
a técnica e o espírito do romance picaresco espanhol que (Almeida) ergue ao sublime. A verdadeira filiação
das Memórias de um Sargento de Milícias é essa.” (ANDRADE, 1941 p.18).
A tese de Veríssimo, sobre ser o livro “Memórias” precursor de romances naturalistas-realistas, não
resistiu tanto: Antônio Cândido a rendeu logo no início de seu artigo. Sobrou então a própria tese de
Cândido que atribuiu a perspectiva de visionário ao livro, por ser um precursor do romance malandro
brasileiro, tendo como exemplo o Macunaíma de Mário de Andrade (o qual, curiosamente, não
reconheceu Leonardo, nem pai, nem filho, como precursores malandros de seu malandro
Macunaíma). As hipóteses de Cândido e de Veríssimo até me parecem muito convincentes, embora
o primeiro não a retome mais (Cândido, 2004 p.54). Contudo, a atribuição de perspectivas
visionárias e precursoras a obras literárias abre o flanco à crítica de anacronia, já que usa teorias
literárias e fatos ausentes na época das obras estudadas para explicá-las retroativamente, ou para
encaixá-las em moldes futuros que, obviamente, não existiam quando foram criadas.
Para testar minha hipótese, abordei o livro de Almeida, “Memórias”, no âmbito da principal
tendência literária de sua época, o romantismo, levando em conta também o papel da comicidade e
da ironia como crítica literária. Sem esquecer da observação irônica de Humberto Eco (1970) sobre
o intérprete do texto: “..who (to quote Richard Rorty) simply beats the text into a shape which will serve
his own purpose”.
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Não esqueci e fiz exatamente isso. A tese pícara que resistiu tanto a Antônio Cândido tem uma
plausabilidade cronológica por se fundar em fatos anteriores à obra e pode, sim, apontar tendências
na redação do “Memórias” sem que por isto seja a mais verossímil. Vale a pena oferecer um ponto
de vista adicional desde que justificado, claro, uma vez que a análise literária, tal como as ciências
naturais, não busca a verdade mas a verossimilidade de suas hipóteses, a qual é maior quanto melhor
justificadas forem e quanto mais passíveis de crítica, ou seja, quanto maior for sua falseabilidade.
A hipótese de trabalho sobre o intencional viés antirromântico de “Memórias” não implica em dizer
que para produzír a obra o autor não tenha seguido em sua realização a larga senda do romantismo,
aberta pela reação desta escola contra o classicismo, por onde seguiu a maioria dos escritores seus
contemporâneos. Certo, o livro de Almeida não é do romantismo mais evidente, como aponta
Cândido (2004 p.55), mas também está muito longe de pertencer ao classicismo. Ao contrário, ele
deve muitas de suas características à revolução romântica e às liberdades que esta conquistou. A
linguagem, a diversão e o ambiente são os das camadas populares, o romance não segue um modelo
rígido, os personagens são movidos pelas emoções, não pela razão, o comportamento dos
personagens principais é quase sempre caótico, como no caso de Leonardo Filho, os trangressores
são bem vistos pelo povo e o autor se intromete na trama com suas opiniões. Todas estas são
características da revolução romântica segundo Ronselfed e Guinsburg (2005). Também o são os
obstáculos à união de Leonardo e da Luisinha, a crítica ao casamento burguês, a descrição dos
costumes e o nacionalismo, ou o “escrever sobre coisas locais” mencionado Cândido (2004 p.35).
Apesar disto tudo, o livro não só não é um típico livro romântico, senão que em algumas situações
e pelo comportamento dos personagens, tem um viés antirromântico devido à ironia, ao sarcasmo
do narrador e à comicidade das situações descritas. Benito Pérez Galdós, um autor naturalistarealista espanhol e um mordaz crítico do romantismo, faz 327 sarcásticas e hilárias críticas 1 diretas
ao romantismo na gigantesca série Episódios Nacionales pelas falas de seus personagens, incluindo
a engraçadíssima menção a “Os Sofrimentos do Jovem Werther”, chamando-o de abominação.
A este propósito mostró Demetria un libro ya por ella leído, y que pensaba leer de nuevo, en que otro romántico de
los más gordos pone el ejemplo del enamorado que se mata por tener la novia casada. Llámase Las cuitas del joven
Uberte, o cosa así, y ello es una historia muy sentimental y triste, porque el hombre no se conforma con su suerte,
y está siempre buscándole tres pies al gato, hasta que le da la idea negra de pegarse un tiro, lo cual debo condenar
por garrafal tontería, a más de condenarlo por pecado execrable. ¡Vaya unas abominaciones que se escriben!
(Galdós, 2020 La estafeta Romántica, final do Capítulo IV).
Resolvi citar este trecho em particular porque ri muito quando o li e rio de novo toda vez que o
releio, assim como me ocorre com o livro de Almeida. A citação ilustra também um argumento que
desenvolverei sobre a ironia e comicidade como crítica ao romantismo. Além de já estar na hora de
começar a escrever algo sobre “Werther”e articulá-lo (de algum modo) com “Memórias”.
Com a tecnologia dos livros digitais, em menos de um segundo, com um comando de localizar se faz uma pesquia
deste tipo em milhares de páginas, como é o caso dos 46 volumes das obras completas de Galdós.
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Voltando a minha hipótese, o que é um texto antirromântico? Talvez possamos ilustrar com uma
obra de um dos principais nomes do romantismo. Ele mesmo, o próprio Johann Wolfgang Goethe!
Refiro-me à peça cômica “O Triunfo da Sensibilidade” (Goethe, 2023).
Uma rainha (Mandandane) e um príncipe (Oronaro) se apaixonam. Ela passeia nas noites ao luar,
prostrando-se junto a cachoeiras, em longas conversas com rouxinóis, suspirando por Oronaro e
falando consigo mesma, o que o seu perplexo marido, rei Andrason, chama de monodrama, clara
referência a Rousseau. O rei convida o príncipe a seu castelo para, de alguma maneira, fazê-lo
desistir de sua mulher. Goethe atribui ao príncipe várias das características de Werther, mas
exageradas ao ridículo, inclusive o faz portar duas pistolas carregadas. Para quê, Goethe deixa no
ar, mas a ironia é evidente. Ao viajar, Oronaro sempre leva um ambiente artificial de floresta,
canções de pássaros e luar artificiais para uso em ambientes internos. Chegando ao castelo, o
príncipe, lamenta-se e chora pela perda da solidão ao ter de lidar com os habitantes do castelo, apesar
de ter aceito o convite de hospedar-se lá e sai deprimido para perambular à noite. Andrason entra no
quarto do príncipe e vê uma boneca idêntica a sua mulher. Acha no interior da boneca um saco com
livros, entre eles, A Nova Heloísa de Rousseau e Os Sofrimentos do Jovem Werther. Mandandane
se enfurece ao saber disso, porque ela só se interessa pelo êxtase da representação artística da emoção
romântica, não pela sua concretização. Andrason entende bem tudo o que se passa e propõe ao
príncipe uma escolha, a Mandandane real, ou a boneca. Como a Mandandane real acabaria com a
pantomina, os exageros e o extase românticos de Oronaro, este escolhe a ilusão à realidade e prefere
a boneca.
Goethe exagera e ridiculariza vários maneirismos do romantismo, de Rousseau (daí a referência a
Helena e a Pigmaleão) e do próprio Werther através de uma abordagem cômica e sarcástica, como
Galdós e o próprio Almeida fariam no futuro. Leonardo Filho, ao contrário de Werther, Pigmaleão
e o príncipe, coincidindo com a crítica de Goethe ao três, não se deixa levar por sua emoção amorosa,
não idealiza jamais a figura de Luisinha, ele a vê como ela realmente é, feia, desengonçada e insossa.
Ri da figura dela. Não se entrega à pantomina romântica e foge do sofrimento emocional
consolando-se com Vidinha. São todas posturas cômicas antirromânticas, são exemplos da estratégia
crítica ao romantismo de Almeida que só difere de Goethe e Galdós porque ao invés de levar ao
ridículo os comportamentos românticos, ele faz com seus personagens tenham o comportamento
oposto ao de um personagem romântico.
A crítica de Almeida é mais sutil porque exige do leitor o conhecimento do romantismo, de seus
exageros e de sua popularidade na época, mas não é menos eficaz quando é notada. Uma vez vista
não dá para “desver”. O que há de semelhante na crítica de Goethe, Galdós e Almeida aos excessos
românticos é o uso do humor e da ironia como eficazes instrumentos críticos. Daí Almeida escolher
personagens com características pícaras, que além de engraçados, comportam-se pragmaticamente,
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o inverso dos devaneios abstratos, introvertidos e despistados do ocioso flanar em mundos e
situações subjetivos e imaginários do personagem Wertheriano.
Contudo, por que Goethe criticaria “Werther”, sua própria obra?
Tantillo (2001) defende que “Werther” e “Triunfo” são ambos críticas a Rousseau, ou que serviriam
para Goethe acertar-se com seus próprios problemas psicológicos pela ironia na primeira obra e pelo
humor na segunda obra. A redação de “Triunfo” também seria, segundo a autora, uma reação de
Goethe à percepção equivocada por parte do público da real intenção em “Werther”, ao não entender
o lado irônico desta obra como crítica aos excessos românticos, tomando-a com seriedade. Este
ponto de vista é compartilhado por outro analista literário: Potter (2012). Este defende que o livro
tem sido lido pelos críticos e pelo público de duas maneiras: a) sob um ponto de vista de identificação
com a obra e b) sob um ponto de vista irônico e de distanciamento. No primeiro caso, “Werther” é
uma tragédia romântica, no segundo é o relato de um caso neurótico. Potter (2012) ressalta que
ambas as hipóteses são verossímeis,ainda que mutuamente exclusivas. A leitura de “Werther” como
uma “patografia” (POTTER, 2012) é perceptível também em Tantillo (2001) e no próprio “Triunfo”.
É a minha própria leitura, por me ser mais lúdica, e pode ter sido também a feita por Almeida.
No Brasil da época, segundo Rebelo (1943 p.37), os autores contemporâneos de Almeida “..não
faziam senão seguir inconscientemente as pegadas do romantismo europeu, convencidos sinceramente de
que estavam fazendo brasileirismo.” Em seguida Rebelo (1943 p. 38) diz sobre Almeida “Seu livro é
como que um grito de reação (...) contra o domínio da hiperestesia romântica e piegas que tudo invadiu”.
Os termos que Rebelo atribui ao espírito do livro de Almeida são: “reação” e “contra”, associados
ao romantismo. Pena que Rebelo não avançou no caminho desta ideia.
É importante discutir se a construção antirromântica do livro de Almeida, também vislumbrada por
Rebelo, é uma crítica intencional (embora como Eco escreveu em 1990, a intenção do autor seja
difícil de saber e até irrelevante). Não tendo achado um testemunho direto do autor sobre sua
intenção passei a buscar evidências para tornar esta hipótese, se não verdadeira, ao menos o mais
verossímil possível. Às vezes a verossimilidade das hipóteses dos críticos sobre os livros é tão
grande que convencem até os próprios autores, como constatou resignado Guimarães Rosa: “... vim
achando nele (Grande Sertão: Veredas) muita coisa; às vezes, coisas que se haviam urdido por si mesmas,
muito milagrosamente. Muita coisa dele, livro, e muita coisa de mim mesmo. Os críticos e analistas
descobriram outras, com as quais tive de concordar. (BIZZARI, 2003 p. 42).
A primeira premissa da hipótese da crítica de Almeida aos excessos do romantismo é que ele
conhecia muito bem tanto a teoria literária quanto as principais obras do romantismo europeu. Sendo
o responsável pela seção Revista Bibliográfica no Correio Brasiliense fazendo crítica literária
(REBELO, 1943 p. 54), é de se esperar que conhecesse. Além disso Almeida critica a explosão de
maus imitadores da poesia romântica de Gonçalves Dias e recomenda inovação aos escritores,
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principalmente a libertação das modas literárias: “Fugir a esta vertigem de imitação, deixar-se levar
naturalmente pela inspiração e não querer violentá-la a este ou àquele rumo, acreditar sobretudo no talento
próprio talento..” (REBELO, 1943 p.59).
A segunda premissa seria encontrar menções críticas diretas ao romantismo em seus escritos e
analisar seu tom. Para isto usei o mesmo método que usei na obra de Galdós: um comando de
localizar no livro digital citado, com as palavra romântic.. e romantism... Eis o resultado:
“..o Leonardo a vira pouco tempo depois da fuga da Maria, e das cinzas ainda quentes de um amor mal
pago nascera outro que também não foi a este respeito melhor aquinhoado; mas o homem era romântico,
como se diz hoje, e babão, como se dizia naquele tempo, não podia passar sem uma paixãozinha.
(ALMEIDA, 2016 p. 25).
Almeida usa um tom irônico semelhante quando atribuiu a Leonardo pai a qualificação de romântico
como um defeito que o tornava inepto no relacionamento amoroso. Segue mais adiante:
Portanto não foram de modo algum mal recebidas as primeiras finezas do Leonardo (com Vidinha),
que desta vez se tornou muito mais desembaraçado, quer porque já o negócio com Luisinha o tivesse
desasnado, quer porque agora fosse a paixão mais forte, embora esta última hipótese vá de encontro à
opinião dos ultrarromânticos, que põem todos os bofes pela boca, pelo tal — primeiro amor: —no
exemplo que nos dá o Leonardo aprendam o quanto ele tem de duradouro (o primeiro amor).
(ALMEIDA, 2016 p. 161)
Aqui o autor de “Memórias” ironiza e exagera, tal qual Goethe em “Triunfo” e em “Werther”,
algumas características do romantismo: é ridicularizada “a escabrosa timidez dos românticos”
(REBELO, 943 p. 59), a qual Almeida qualifica como coisa de asno. Leonardo não empaca mais
quando se “desasna” porque não age mais como um personagem romântico que ficaria empacado
neste estado de timidez “asinina”, lamentando-se, ou pior, suicidando-se. Leonardo, como é
antirromântico, pode mudar, adaptar-se, e vai viver a vida, trocando o primeiro amor por outra
paixão mais forte, o que como Almeida aponta no texto, é totalmente antirromântico. Ele ainda
ironiza a noção romântica do primeiro amor eterno. A interpelação imperativa “aprendam” é uma
ironia dirigida ao leitor de livros românticos. Mas há mais.
Ao comentar um livro de poesias em um artigo seu da Revista Bibliográfica, critica o romantismo:
“Escuso ressalvar-me contra os arroubos de romantismo que me vão sem dúvida imputar. É tempo, mesmo
para que se esteja a salvo daquilo que chamam ficções da escola romântica, de tomar as ideias como elas
são representadas, de tomar as palavras no seu sentido próprio. (ALMEIDA, 2016 p. 342). Introduz o
romantismo no mesmo discurso para logo em seguida dizer que os prólogos dos livros em geral são
páginas mentirosas, relacionando o romantismo com a mentira, ou com uma forma de escrever
desvinculada da realidade.
Restam fazer algumas considerações finais sobre os personagens principais das obras aqui analisadas
e sobre algumas situações nos dois livros que podem reforçar a hipótese principal.
Werther emociona-se com insignificâncias que só tem um sentido pessoal e subjetivo, o que é
comum no romantismo. Tem uma tremenda dificuldade de interpretar os sinais (tanto na cena do
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baile como os emitidos pelas emoções de Charlotte) e não consegue aprender com seus erros, não
consegue sair do mundo ilusório que construiu e adaptar-se ao mundo real, sequer para sobreviver
(KUZNIAR, 1989). Leonardo Filho nesses pontos é antirromântico, sem paixão natural e piedade,
não quer saber da natureza como Werther, ama a cidade e a companhia dos outros, é o antibom
selvagem de Rousseau, já nasce mau e a sociedade termina por melhorá-lo ao absorvê-lo. Sofre com
as situações, mas aprende e se adapta porque vê o mundo pela ótica do egoísmo, nele não há quase
nada da empatia e do altruísmo romântico de Werther (elevados ao ridículo por Goethe quando o
personagem pede o perdão da justiça para um assassino). Em “Werther” busca-se a identificação e
a empatia do leitor. Nenhum dos personagens de “Memórias” favorece esta mesma identificação
com o leitor, todos têm comportamento socialmente ou eticamente reprováveis, nenhum é modelo
de boa pessoa. Até Luisinha, a menos ruim, é apática, feia, casa-se por conveniência e após o
casamento com Leonardo termina como forte candidata a ser traída.
Em conclusão, pode-se dizer que Manuel Antônio de Almeida conhecia bem a principal corrente
literária de sua época, o romantismo, tinha uma visão desfavorável sobre seus excessos, e resolveu
fazer um romance contrariando a moda romântica como instrumento de crítica a estes excessos, Em
comum com outros críticos dos excessos do romantismo, como Goethe e Galdós, usou como
instrumentos a ironia, o sarcasmo e o humor, dando um sabor pícaro a seus personagens e à trama.
Em relação à escola literária à qual o livro se filia, ou prenuncia, tratando-se de literatura, toda
opinião, se for verossímil, é sempre bem-vinda, pois sempre nos divertiremos e aprenderemos algo
com a crítica literária, que pelo menos compartilha estas funções com seu objeto.
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