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Resumo

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HEPATOLOGIA
Prof. Giordanne Freitas | Complicações da Cirrose Hepática
2
APRESENTAÇÃO:
PROF. GIORDANNE
FREITAS
Prezado aluno, meu nome é Giordanne Guimarães Freitas.
É um imenso prazer estar aqui com você.
Cursei a faculdade de medicina no Rio de Janeiro, na
Universidade Gama Filho. Posteriormente fiz residência médica
em clínica médica no Hospital do Mandaqui-SP e residência
médica em Endocrinologia e Metabologia na Universidade Federal
da Bahia. Após finalizar as residências médicas fiz mestrado na
Universidade Católica de Brasília.
Por aproximadamente 3 anos fui professor da Universidade
Federal de Goiás e atualmente sou docente efetivo da faculdade
de medicina da Universidade de Rio Verde-GO e doutorando em
saúde coletiva.
@giordanne
Giordanne Freitas
/estrategiamed
Estratégia MED
@estrategiamed
t.me/estrategiamed
Estratégia
MED
HEPATOLOGIA
Complicações da Cirrose Hepática
Estratégia
MED
SUMÁRIO
1.0 HIPERTENSÃO PORTAL
1 .1
ETIOLOGIA
1.1.1 HIPERTENSÃO PORTA PRÉ-HEPÁTICA
7
8
9
1.1.1.1 TROMBOSE DA VEIA PORTA
10
1.1.1.2 TROMBOSE DA VEIA ESPLÊNICA
12
1.1.1.3 SÍNDROME DE BANTI
12
1.1.2 HIPERTENSÃO PORTA INTRA-HEPÁTICA
1.1.2.1 HIPERTENSÃO PORTA INTRA-HEPÁTICA PRÉ-SINUSOIDAL
1.1.2.1.1 ESQUISTOSSOMOSE
1.1.2.2 HIPERTENSÃO PORTA INTRA-HEPÁTICA SINUSOIDAL
13
14
14
15
1.1.2.2.1 FIBROSE HEPÁTICA/CIRROSE HEPÁTICA
15
1.1.2.2.2 HEPATITE AGUDA/HEPATITE FULMINANTE
15
1.1.2.3 HIPERTENSÃO PORTAL INTRA-HEPÁTICA PÓS-SINUSOIDAL
1.1.2.3.1. SÍNDROME DA OBSTRUÇÃO SINUSOIDAL HEPÁTICA
16
16
1.1.3 HIPERTENSÃO PORTA PÓS-HEPÁTICA
16
1.1.3.1 SÍNDROME DE BUDD-CHIARI
17
1.1.3.2 CAUSAS CARDÍACAS
18
1.1.3.3 OBSTRUÇÃO DA VEIA CAVA INFERIOR
18
1.1.4 HIPERTENSÃO PORTA IDIOPÁTICA (HPI)
18
1 .2
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS DA HIPERTENSÃO PORTA
18
1 .3
DIAGNÓSTICO
19
1.3.1 GRADIENTE DE PRESSÃO VENOSA HEPÁTICA
19
1.3.2 EXAMES DE IMAGEM
20
1.3.3 ENDOSCOPIA DIGESTIVA ALTA
21
1 .4
PROFILAXIA DA HEMORRAGIA DIGESTIVA VARICOSA
22
1.4.1 PROFILAXIA PRIMÁRIA.
22
1.4.2 PROFILAXIA SECUNDÁRIA
22
1 .5
TRATAMENTO
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22
3
HEPATOLOGIA
Complicações da Cirrose Hepática
Estratégia
MED
1 .6
LISTA DE QUESTÕES
2 .1
FISIOPATOLOGIA
25
2 .2
CLASSIFICAÇÃO
26
2.0 ENCEFALOPATIA HEPÁTICA
24
25
2.2.1 CLASSIFICAÇÃO CONFORME A DOENÇA DE BASE
26
2.2.2 CLASSIFICAÇÃO CONFORME MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
27
2.2.3 CLASSIFICAÇÃO CONFORME A FREQUÊNCIA
27
2.2.4 CLASSIFICAÇÃO DE ACORDO COM A PRESENÇA DE FATORES DESENCADEANTES
28
2 .3
FATORES DESENCADEANTES
28
2 .4
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
29
2 .5
DIAGNÓSTICO
30
2.5.1 AMÔNIA SÉRICA
2 .6
30
TRATAMENTO
31
2.6.1 NUTRIÇÃO
31
2.6.2 LACTULOSE
32
2.6.3 ANTIBIÓTICOS
33
2.6.4 PROBIÓTICOS E PREBIÓTICOS
33
2.6.5 L-ORNITINA – L-ASPARTATO (LOLA)
33
2.6.6 TRANSPLANTE HEPÁTICO
34
2 .7
LISTA DE QUESTÕES
3.0 ASCITE
37
3 .1
INTRODUÇÃO
37
3 .2
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
38
3 .3
CLASSIFICAÇÃO
38
3 .4
DIAGNÓSTICO
38
3.4.1 EXAME FÍSICO
38
36
3.4.1.1 MACICEZ MÓVEL
38
3.4.1.2 SINAL DE PIPAROTE
39
3.4.1.3 SEMICÍRCULO DE SKODA
40
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4
HEPATOLOGIA
Complicações da Cirrose Hepática
3.4.2 AVALIAÇÃO DO LÍQUIDO ASCÍTICO
Estratégia
MED
40
3.4.2.1 PARACENTESE
41
3.4.2.2 ASPECTO MACROSCÓPICO DO LÍQUIDO ASCÍTICO
42
3.4.2.3 CITOLOGIA DO LÍQUIDO ASCÍTICO
42
3.4.2.4 BACTERIOSCOPIA
43
3.4.2.5 CULTURA DO LÍQUIDO ASCÍTICO
43
3.4.2.6 CITOLOGIA ONCÓTICA
43
3.4.2.7 GLICOSE
44
3.4.2.8 DHL (LACTATO DESIDROGENASE)
44
3.4.2.9 AMILASE
44
3.4.2.10 ADENOSINA DEAMINASE (ADA)
45
3.4.2.11 TRIGLICERÍDEOS
45
3.4.2.12 BILIRRUBINAS
45
3.4.2.13 GRADIENTE DE ALBUMINA SORO-ASCITE (GASA)
45
3.4.2.14 PROTEÍNA DO LÍQUIDO ASCÍTICO
46
EXAMES DE IMAGEM
47
3.5.1 ULTRASSONOGRAFIA
47
3 .5
3 .6
ETIOLOGIA
48
3.6.1 CIRROSE HEPÁTICA
49
3.6.2 ASCITE NEOPLÁSICA
49
3.6.3 ASCITE TUBERCULOSA
50
3.6.4 ASCITE CARDÍACA
51
3.6.5 ASCITE PANCREÁTICA
51
3.6.6 ASCITE BILIAR
52
3.6.7 SÍNDROME DE BUDD-CHIARI
52
3.6.8 ASCITE QUILOSA
53
3 .7
TRATAMENTO
53
3.7.1 TRATAMENTO DA DOENÇA DE BASE
53
3.7.2 RESTRIÇÃO DE SÓDIO
54
3.7.3 RESTRIÇÃO DE ÁGUA E HIPONATREMIA
54
3.7.4 DIURÉTICOS
55
3.7.4.1 ESQUEMA PROGRESSIVO
55
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5
HEPATOLOGIA
Complicações da Cirrose Hepática
3.7.4.2 ESQUEMA COMBINADO
Estratégia
MED
56
3.7.5 AVALIAÇÃO DA EFICÁCIA DO TRATAMENTO
57
3.7.6 PARACENTESE DE ALÍVIO
57
3 .8
ASCITE REFRATÁRIA
58
3 .9
LISTA DE QUESTÕES
59
4 .1
INTRODUÇÃO
60
4 .2
FISIOPATOLOGIA
60
4 .3
FATORES DE RISCO
60
4 .4
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
61
4 .5
AGENTES ETIOLÓGICOS.
61
4 .6
DIAGNÓSTICO
62
4.0 PERITONITE BACTERIANA ESPONTÂNEA
3.6.1 PBE X PERITONITE BACTERIANA SECUNDÁRIA
60
63
4 .7
ASCITE NEUTROFÍLICA CULTURA NEGATIVA
64
4 .8
BACTERASCITE
64
4 .9
TRATAMENTO
65
4 .1 0
PROFILAXIA DA PBE
66
4.10.1 PROFILAXIA PRIMÁRIA
66
4.10.2 PROFILAXIA SECUNDÁRIA
67
4 .1 1
LISTA DE QUESTÕES
68
5.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
69
5 .1
HIPERTENSÃO PORTAL
69
5 .2
ENCEFALOPATIA HEPÁTICA
69
5 .3
ASCITE
70
5 .4
PERITONITE BACTERIANA ESPONTÂNEA
70
6.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS
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6
HEPATOLOGIA
Estratégia
Complicações da Cirrose Hepática
MED
CAPÍTULO
1.0 HIPERTENSÃO PORTAL
Prezado Aluno, a hipertensão porta, também chamada de
é maior que 10 mmhg.
hipertensão portal (HP), não é um assunto muito cobrado nas
A determinação direta da pressão portal é difícil e por isso,
provas de Residência Médica. A maioria das questões de DHGNA
na prática, utiliza-se o gradiente de pressão venosa hepática para
cobra conhecimentos relacionados ao diagnóstico e tratamento.
confirmação da hipertensão portal.
Neste resumo, conversaremos sobre esses temas e mais um pouco
Um gradiente de pressão venosa hepática maior ou igual a
6 mmHg (normal: 1 mmHg a 5 mmHg) define a hipertensão portal.
para que você gabarite as questões.
A pressão normal da veia porta varia de 5 a 10 mmhg. Sendo
assim, a hipertensão portal ocorre quando a pressão na veia porta
Esse gradiente mede, de forma indireta, a pressão portal por meio
da cateterização da veia hepática.
Hipertensão portal
Pressão portal > 10 mmHg
Gradiente de pressão venosa hepática ≥ 6 mmHg
A pressão portal aumentada é transmitida para todas as
tributárias da veia porta, aumentando, assim, a pressão em todos
esses vasos. Nesse sentido, na tentativa de reduzir a pressão nesse
sistema, há o desenvolvimento de vasos colaterais, que drenarão o
sangue do sistema portal.
Como exemplo, podemos citar a drenagem do sangue do
sistema portal para as veias gástricas curtas, que drenam para as
veias esofagianas e paraesofagianas, que drenam para a veia ázigos.
Essas alterações dão origem às varizes gástricas e esofágicas.
Além das varizes gástricas e esofágicas, a hipertensão porta
também justifica o aparecimento de:
• Varizes anorretais (por anastomose das veias
hemorroidárias superior e média com a veia
hemorroidária inferior).
• Esplenomegalia e hiperesplenismo.
• Circulação colateral (por recanalização das veias umbilical e paraumbilical).
Essa circulação colateral pode se apresentar com vasos que se formam a partir do umbigo, direcionando-se para a parte superior do
abdome (para a veia cava superior) e para a parte inferior do abdome (para a veia cava inferior), dando origem ao clássico achado semiológico
conhecido como cabeça de medusa (caput medusae). Veja a representação desse achado na figura a seguir:
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HEPATOLOGIA
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MED
1 .1 ETIOLOGIA
A etiologia da hipertensão porta é um dos temas mais cobrados nas provas de Residência Médica e as questões gostam de perguntar:
• Qual é a principal causa de hipertensão porta pré-hepática?
• Dentre as opções abaixo, qual delas causa hipertensão porta pós-hepática?
Sendo assim, é importante saber as principais causas de hipertensão porta pré-hepática, intra-hepática e pós-hepática.
HP pós-hepática
Fígado
HP intra-hepática
HP pré-hepática
Veias hepáticas
Veia cava inferior
Coronárias
Pré-sinusoidal
Sinusoidal
Pós-sinusoidal
Veia porta
Veia mesentérica superior
Veia mesentérica inferior
Veia esplênica
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8
HEPATOLOGIA
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Estratégia
MED
Para melhor entendimento, observe a figura a seguir:
1.1.1 HIPERTENSÃO PORTA PRÉ-HEPÁTICA
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9
HEPATOLOGIA
Estratégia
Complicações da Cirrose Hepática
MED
Na hipertensão portal pré-hepática, temos aumento da resistência ao fluxo sanguíneo na própria veia porta (antes da sua entrada no
fígado) ou em suas tributárias.
As principais causas de hipertensão porta pré-hepática são: trombose da veia porta, fístula arteriovenosa esplâncnica e trombose da
veia esplênica.
Causas de hipertensão porta pré-hepática
Trombose da veia porta
Fístula arteriovenosa esplâncnica
Trombose da veia esplênica
Síndrome de Banti
1.1.1.1 TROMBOSE DA VEIA PORTA
A trombose da veia porta geralmente ocorre em indivíduos com cirrose ou com distúrbios pró-trombóticos
e é a principal causa de hipertensão portal pré-hepática.
Não se esqueça: a trombose da veia porta é a principal causa de hipertensão porta
pré-hepática.
As principais causas de trombose da veia porta estão listadas na tabela abaixo:
Causas de trombose da veia porta
Sepse abdominal
Cirurgias abdominais
Síndrome de Behçet
Cirrose
Doenças reumáticas (exemplo: lúpus eritematoso sistêmico)
Compressão ou invasão da veia porta por um tumor
Tratamento das varizes de esôfago com escleroterapia
Carcinoma hepatocelular
Doença intestinal inflamatória
Trombofilias
Síndromes mieloproliferativas
Contraceptivos orais
Pancreatite
Hemoglobinúria paroxística noturna
Gravidez
Trauma
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HEPATOLOGIA
Estratégia
Complicações da Cirrose Hepática
MED
A trombose da veia porta pode ser aguda ou crônica.
No diagnóstico, os pacientes podem estar assintomáticos.
A tomografia sem contraste mostra hiperatenuação da veia
porta. O exame com contraste mostra:
Os sintomáticos podem apresentar dor abdominal, sintomas
• Ausência de realce luminal.
dispépticos e febre. A diarreia pode estar presente quando há
• Aumento do realce hepático na fase arterial.
oclusão da veia mesentérica superior. Um dado importante é que
• Redução desse realce na fase portal.
as causas pré-hepáticas de hipertensão porta geralmente não
causam ascite.
Podem
Na imagem tomográfica a seguir, a seta mostra a falha de
enchimento da veia porta, indicando nela a presença de uma
também
apresentar
varizes
de
esôfago
e
obstrução.
hemorragia por ruptura de varizes de esôfago, esplenomegalia
e hiperesplenismo. Quando a trombose comprime a via biliar,
podemos encontrar prurido, icterícia, colangite e colecistite,
condição chamada de colangiopatia portal.
A avaliação diagnóstica inicial consiste na realização de
ultrassonografia, tomografia com contraste ou ressonância.
Na ultrassonografia encontramos:
• Aumento do diâmetro da veia porta (> 13 mm).
• Imagem hiperecoica no interior do vaso.
• Ausência parcial ou total do fluxo sanguíneo.
Nos casos duvidosos, a angiografia pode ser realizada
mostrando defeitos no enchimento da veia porta. Veja a imagem
ultrassonográfica a seguir, ela mostra um trombo (imagem
hiperecogênica) e a falha de enchimento na veia porta.
Na angiografia por ressonância, temos comprometimento
do enchimento do vaso, com oclusão parcial ou total. A trombose
crônica pode causar dilatação das colaterais, dando o aspecto
de “dilatação cavernosa”, condição chamada de transformação
cavernosa da veia porta.
Lembre-se de que há várias causas de trombose da veia
porta. Tais condições devem ser investigadas, dependendo das
manifestações clínicas dos pacientes.
O tratamento da forma aguda consiste no uso de
anticoagulantes e tratamento das doenças de base. Deve ser iniciado
com heparina de baixo peso molecular para rápida anticoagulação.
Posteriormente, um anticoagulante oral, como a warfarina, ou
anticoagulante de ação direta (rivaroxabana ou apixabana).
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HEPATOLOGIA
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Estratégia
MED
Se a warfarina for a medicação escolhida, recomenda-se manter o RNI entre 2 e 3. Mesmo sabendo que o paciente com cirrose já
apresenta coagulopatia associada, a anticoagulação nesses indivíduos parece ser segura.
Os indivíduos com trombose crônica devem ser submetidos a uma endoscopia digestiva alta, para avaliar a presença das varizes de
esôfago. Em indivíduos com varizes, o uso do anticoagulante deve ser avaliado com cuidado, pois pode aumentar o risco de hemorragia.
1.1.1.2 TROMBOSE DA VEIA ESPLÊNICA
A trombose da veia esplênica já foi cobrada em provas de Residência Médica. O que é importante saber?
Também chamada de hipertensão porta esquerda ou “sinistra”, é uma causa de
hipertensão porta pré-hepática.
Ela aumenta a pressão nas veias gástricas curtas, causando varizes isoladas do fundo gástrico (sem varizes de esôfago ou com varizes
esofágicas mínimas). Os pacientes podem apresentar hemorragia digestiva por ruptura de varizes gástricas e esofágicas, esplenomegalia e
hiperesplenismo.
Importante comentar (CAI EM PROVA) a relação da trombose da veia esplênica com
pancreatite (aguda ou crônica). A incidência de trombose da veia esplênica em indivíduos
com pancreatite crônica é de aproximadamente 11%.
Outras causas de trombose da veia esplênica são: gastrectomia, infiltração tumoral, fibrose retroperitoneal, tuberculose abdominal,
linfoma e trombofilias.
1.1.1.3 SÍNDROME DE BANTI
A síndrome de Banti já foi cobrada em provas de Residência Médica. Trata-se de uma doença de etiologia desconhecida que causa
resistência ao fluxo vascular nos vasos pré-hepáticos.
Você precisa lembrar-se de que a síndrome de Banti causa hipertensão porta préhepática.
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HEPATOLOGIA
Estratégia
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MED
1.1.2 HIPERTENSÃO PORTA INTRA-HEPÁTICA
As causas intra-hepáticas são responsáveis por 95% dos casos de hipertensão
portal, sendo a cirrose a principal. Interessante comentar que uma hipertensão portal
significativa está presente em mais de 60% dos pacientes com cirrose.
A tabela a seguir lista as principais causas de hipertensão porta intra-hepática (HPIH), que pode ser dividida em HPIH pré-sinusoidal,
HPIH sinusoidal e HPIH pós-sinusoidal.
Causas de Hipertensão porta intra-hepática
Pré-sinusoidal (obstrução dos ramos intra-hepáticos da
veia porta)
Esquistossomose
Fibrose hepática congênita
Hiperplasia nodular regenerativa
Malignidades hepáticas
Peliosis hepatis
Tuberculose
Sarcoidose
Colangite biliar primária
Sinusoidal
Cirrose hepática de qualquer etiologia
Hepatite alcoólica
Hepatite aguda
Hepatite crônica
Pós-sinusoidal
Síndrome da obstrução sinusoidal hepática (doença
hepática veno-oclusiva)
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HEPATOLOGIA
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1.1.2.1 HIPERTENSÃO PORTA INTRA-HEPÁTICA PRÉ-SINUSOIDAL
1.1.2.1.1 ESQUISTOSSOMOSE
Fique atento! A esquistossomose é um tema importante e os concursos gostam de perguntar:
• Qual é a principal causa de hipertensão porta intra-hepática pré-sinusoidal?
Perguntam também:
• Dentre as opções abaixo, qual delas causa hipertensão porta intra-hepática pré-sinusoidal?
A esquistossomose é a principal causa de hipertensão porta intra-hepática présinusoidal.
Os pacientes geralmente apresentam-se com varizes de esôfago, hepatomegalia, esplenomegalia e hiperesplenismo, não sendo comum
o achado de ascite, a não ser que tenham hepatopatia associada.
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HEPATOLOGIA
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1.1.2.2 HIPERTENSÃO PORTA INTRA-HEPÁTICA SINUSOIDAL
1.1.2.2.1 FIBROSE HEPÁTICA/CIRROSE HEPÁTICA
ATENÇÃO: a cirrose hepática é a principal causa de hipertensão porta.
Lembre-se de que na cirrose temos fibrose hepática
progressiva, com formação dos nódulos de regeneração. Essas
O aumento da resistência vascular no sinusoide aumenta a
pressão venosa, que é transmitida ao sistema porta.
alterações causam anormalidades estruturais no parênquima
Na cirrose, também temos vasodilatação do leito esplâncnico,
hepático, gerando aumento da resistência vascular nos sinusoides
que passa a armazenar grande quantidade de sangue nesses vasos
hepáticos, que se encontram comprimidos pela deposição de
dilatados. Esse grande volume de sangue é drenado para o sistema
matriz extracelular no fígado.
porta, aumentando a pressão portal.
1.1.2.2.2 HEPATITE AGUDA/HEPATITE FULMINANTE
Na hepatite aguda por álcool e na hepatite fulminante, podemos ter lesão aguda e necrose dos hepatócitos. Tal condição cursa com
aumento da pressão venosa nos sinusoides hepáticos e essa hipertensão é transmitida ao sistema porta.
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HEPATOLOGIA
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1.1.2.3 HIPERTENSÃO PORTAL INTRA-HEPÁTICA PÓS-SINUSOIDAL
1.1.2.3.1. SÍNDROME DA OBSTRUÇÃO SINUSOIDAL HEPÁTICA
Essa condição também é chamada de doença veno-oclusiva hepática e já foi cobrada
em provas de Residência Médica. Comumente, ocorre em indivíduos submetidos a
transplante de células hematopoiéticas ou após uso de quimioterápicos e radioterapia.
Nessa condição, temos obstrução das vênulas hepáticas
A doença apresenta-se com dor no hipocôndrio direito,
terminais. Acredita-se que a doença se inicie com lesão do endotélio
hepatomegalia, icterícia, varizes de esôfago e ascite. Até 50% dos
venoso e evolua com deposição de fibrinogênio, bem como fator
casos evoluem com síndrome hepatorrenal e uma minoria evolui
VIII na parede das vênulas e dos sinusoides. Alterações posteriores
com encefalopatia hepática, falência de múltiplos órgãos e morte.
incluem deposição de colágeno nos sinusoides, esclerose da parede
No laboratório, geralmente encontramos aumento das bilirrubinas,
das vênulas, fibrose e oclusão das vênulas.
das transaminases e da fosfatase alcalina.
1.1.3 HIPERTENSÃO PORTA PÓS-HEPÁTICA
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HEPATOLOGIA
Estratégia
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MED
A hipertensão porta pós-hepática ocorre quando temos resistência ao fluxo sanguíneo nos vasos que recebem o sangue que passou
pelo fígado. Como exemplo, podemos citar a trombose das veias hepáticas. Nessa condição, temos obstrução do fluxo sanguíneo venoso
pós-hepático.
Causas de hipertensão portal pós-hepática
Síndrome de Budd-Chiari
Causas cardíacas (miocardiopatia restritiva, insuficiência cardíaca e pericardite constritiva)
Obstrução da veia cava inferior
1.1.3.1 SÍNDROME DE BUDD-CHIARI
ATENÇÃO: a síndrome de Budd-Chiari é uma importante causa de HP pós-hepática
e já foi cobrada em algumas provas.
A síndrome de Budd-Chiari (SBC) caracteriza-se por
interrupção ou obstrução da via de saída do sistema venoso
antitrombina III, neoplasias, mutação do fator V de Leiden, doenças
linfoproliferativas e uso de contraceptivo oral.
hepático (veias hepáticas e/ou veia cava inferior). A SBC pode ser
A tomografia e a ressonância também podem ser utilizadas
classificada em primária e secundária. A primária é mais comum e
e, geralmente, ficam reservadas para os casos suspeitos com
ocorre quando há trombose ou flebite desses vasos.
ultrassonografia normal.
Na SBC secundária, temos compressão extrínseca das veias
A ilustração a seguir representa a síndrome de Budd-Chiari.
hepáticas e/ou da veia cava inferior. Na síndrome de Budd-Chiari
secundária, a compressão pode ser causada, por exemplo, por um
tumor.
Como a apresentação clínica da SBC é muito variável, ela
deve ser investigada em todo indivíduo com achados clínicos típicos
de hepatite aguda, hepatopatia crônica ou hepatite fulminante.
A ultrassonografia com doppler geralmente é suficiente para
a confirmação do diagnóstico. Se confirmada a doença, devemos
pesquisar a presença de enfermidades que aumentem o risco de
eventos tromboembólicos, como: policitemia vera, hemoglobinúria
paroxística noturna, leucemia, deficiência de proteína C ou
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HEPATOLOGIA
Estratégia
Complicações da Cirrose Hepática
MED
1.1.3.2 CAUSAS CARDÍACAS
Várias condições cardíacas, como a insuficiência cardíaca congestiva, a
miocardiopatia isquêmica, as valvulopatias e a pericardite constritiva podem causar
hepatopatia congestiva, com aumento da pressão portal.
Nessas condições, o aumento da pressão venosa é
transmitido para os seguintes vasos:
veia cava inferior, veias
hepáticas, sinusoides e sistema venoso portal.
noturna, refluxo hepatojugular e edema. Alguns pacientes podem
evoluir com insuficiência hepática.
O diagnóstico pode ser feito com ultrassonografia com
O paciente pode apresentar-se com desconforto no
doppler, que mostrará dilatação da veia cava inferior e veias
hipocôndrio direito, hepatomegalia, ascite e sinais de cardiopatia
hepáticas, e a terapêutica consiste no tratamento da doença
congestiva, como: dispneia aos esforços, dispneia paroxística
cardíaca.
1.1.3.3 OBSTRUÇÃO DA VEIA CAVA INFERIOR
A oclusão da veia cava inferior pode ser causada pela formação de um trombo intra-luminal ou por causas extrínsecas, como tumores,
aneurismas, abscessos e cistos, que comprimem o vaso.
No diagnóstico, os pacientes podem apresentar ascite, esplenomegalia, hepatomegalia e desconforto no hipocôndrio direito.
1.1.4 HIPERTENSÃO PORTA IDIOPÁTICA (HPI)
A HPI caracteriza-se por sinais clínicos de hipertensão porta na ausência de cirrose e obstrução da veia porta ou do trato de saída venosa
do fígado. O diagnóstico é confirmado após descartar outras causas de hipertensão portal.
A etiologia é desconhecida e fatores infecciosos, exposição a drogas e toxinas, distúrbios imunológicos e hipercoagulabilidade parecem
ser importantes para o aparecimento dessa entidade clínica.
No diagnóstico, os pacientes podem apresentar hemorragia por ruptura de varizes de esôfago, ascite, icterícia, esplenomegalia/
hiperesplenismo, circulação colateral e encefalopatia hepática.
1 .2 MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS DA HIPERTENSÃO PORTA
A hipertensão porta é assintomática até que as complicações apareçam. As principais complicações são:
• Esplenomegalia e hiperesplenismo.
• Varizes esôfago-gástricas e hemorragia digestiva por ruptura das varizes.
• Ascite e peritonite bacteriana espontânea.
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HEPATOLOGIA
Estratégia
Complicações da Cirrose Hepática
MED
• Síndrome hepatorrenal.
• Síndrome hepatopulmonar.
• Encefalopatia hepática (pela formação de shunts portossistêmicos).
Ao exame físico, podemos encontrar circulação colateral na parede anterior do abdome e esplenomegalia. Em alguns casos, a circulação
colateral é do tipo cabeça de medusa.
Ao auscultar os vasos dilatados na parede abdominal, podemos auscultar um murmúrio, que é formado pelo fluxo aumentado e pelo
turbilhonamento do sangue no vaso. Esse murmúrio é chamado de sinal de Cruveilhier-Baumgarten.
Varizes esôfago-gástricas
Hemorragias digestivas
Esplenomegalia
Hiperesplenismo
Síndrome hepatorrenal
Hipertensão Portal
Manifestações clínicas
Circulação colateral
Síndrome hepatopulmonar
Ascite e edema
Peritonite bacteriana
espontânea
1 .3 DIAGNÓSTICO
Em indivíduos com manifestações clínicas típicas da hipertensão portal, nenhuma avaliação diagnóstica complementar é necessária.
Para os casos duvidosos, várias avaliações podem ser realizadas. As principais são:
1.3.1 GRADIENTE DE PRESSÃO VENOSA HEPÁTICA
Trata-se de um método indireto e invasivo para aferição da
e posteriormente, com o balão insuflado (pressão encunhada). O
pressão portal, que é feito através do cateterismo da veia hepática
gradiente de pressão venosa é obtido subtraindo o valor da pressão
após punção da veia jugular direita, da veia femoral ou da veia
encunhada da pressão hepática livre.
antecubital.
A pressão portal pode ser medida diretamente na veia
O cateter é introduzido no átrio direito e, através da veia
porta. Esse procedimento não é realizado frequentemente, pois é
cava inferior, chega à veia hepática. Uma vez dentro de uma das
mais invasivo e associa-se a um risco aumentado de sangramento
veias hepáticas, a pressão nesse local é aferida em dois momentos:
intraperitoneal.
inicialmente, com o balão vazio (pressão venosa hepática livre),
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Os valores normais do gradiente variam de 1 mmHg a 5 mmHg. Valores maiores ou iguais a 6 mmHg
indicam a presença de hipertensão portal. Por ser um método invasivo, atualmente é usado apenas em casos
duvidosos.
Interessante comentar que quanto maior o gradiente de pressão venosa hepática, maior o risco de complicações e maior a
mortalidade. Veja na tabela abaixo a relação entre os valores do gradiente e o aparecimento de algumas complicações em pacientes com
cirrose compensada.
Gradiente de pressão venosa hepática x complicações em pacientes com cirrose compensada
Gradiente
Complicações
10 mmHg
Varizes de esôfago
12 mmHg
Hemorragia por ruptura de varizes de esôfago
16 mmHg
Primeira descompensação clínica
As informações contidas no quadro abaixo já foram cobradas em prova. Então, fique atento!
Como a pressão encunhada avalia a pressão sinusoidal, os valores pressóricos podem estar normais nas causas pré-hepáticas
e pré-sinusoidais e por isso esse método não é útil para a avaliação do gradiente de pressão nesses casos.
O método também pode mostrar gradiente de pressão normal nas causas pós-hepáticas de hipertensão portal, já que há
aumento da pressão tanto nos sinusoides como na veia hepática. Sendo assim, esse método diagnóstico é útil apenas para os casos
de hipertensão portal intra-hepática sinusoidal.
1.3.2 EXAMES DE IMAGEM
Os exames de imagem são importantes e úteis para a
avaliação da etiologia da hipertensão portal. A ultrassonografia, a
tomografia computadorizada e a ressonância nuclear magnética
podem mostrar dilatação do sistema venoso portal, esplenomegalia
e alterações do parênquima hepático. A imagem (tomografia) a
seguir mostra a dilatação da veia porta e de suas ramificações.
Esses exames podem fazer o diagnóstico de trombose da
veia hepática (hipertensão portal pós-hepática) ou da veia porta
(hipertensão portal pré-hepática). A ultrassonografia é o exame de
primeira escolha para investigação da hipertensão porta. Em casos
duvidosos, a ultrassonografia com contraste, a tomografia ou a
ressonância podem ser solicitadas.
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A angio-TC e a ressonância magnética são métodos eficazes para avaliação do sistema venoso portal e têm a vantagem de não serem
influenciados pela obesidade e pela distensão gasosa intestinal.
A presença de colaterais portossistêmicas tem especificidade de 100% para hipertensão portal. Essas colaterais são mais bem
visualizadas com a utilização de tomografia ou ressonância com contraste.
Vários achados radiológicos reforçam a presença de hipertensão portal. Os principais são:
• Ascite.
• Esplenomegalia.
• Fígado com nódulos.
• Velocidade do fluxo portal ≤ 12 cm/segundo.
• Inversão do fluxo portal (o uso da fluxometria pelo doppler pode mostrar fluxo sanguíneo contrário ao fígado, sugerindo
hipertensão portal grave).
• Colaterais portossistêmicas (dilatação da veia gástrica esquerda e das veias curtas).
• Diâmetro da veia porta > 13 mm (diâmetro normal da veia: até 12 mm).
A elastografia transitória, método não invasivo para avaliação da fibrose hepática, também tem sido utilizada como método não
invasivo de detecção da hipertensão portal. Elastografia com valores < 13,6 kPa descarta o diagnóstico da hipertensão portal. Valores ≥ 21 kPa
sugerem a presença de hipertensão portal.
1.3.3 ENDOSCOPIA DIGESTIVA ALTA
Todo paciente com suspeita de hipertensão porta deve ser submetido a uma endoscopia digestiva alta.
Essa avaliação é muito importante, pois identifica as varizes com alto risco de sangramento: varizes com
aumento do calibre e com sinais/pontos vermelhos (cherry red spots) na parede vascular.
As varizes gástricas ocorrem em menor frequência e sua identificação é mais difícil, pois são semelhantes às pregas da mucosa gástrica.
Essas varizes respondem por 5% a 10% dos casos de hemorragia em indivíduos com cirrose.
A hipertensão portal também pode causar a gastropatia hipertensiva portal. A
prevalência dessa complicação varia de 11% a 80% e pode ser classificada em moderada
e grave. Os casos moderados apresentam-se com mucosas com padrão em mosaico
(aspecto de pele de cobra), que se caracteriza por áreas brancas intercaladas com áreas
róseas. Já os casos graves apresentam-se com lesões/manchas avermelhadas, marrons
ou negras na parede do vaso (TEMA JÁ COBRADO EM PROVAS DE RESIDÊNCIA MÉDICA).
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1.4 PROFILAXIA DA HEMORRAGIA DIGESTIVA VARICOSA
FIQUE ATENTO: a profilaxia primária e a profilaxia secundária são dois temas importantes para as provas de Residência Médica.
1.4.1 PROFILAXIA PRIMÁRIA.
A profilaxia primária da hemorragia por ruptura de varizes de esôfago está indicada em todo paciente com:
• Varizes de pequeno calibre com sinais avermelhados (red spots) na parede.
• Varizes de médio e grosso calibre.
• Pacientes com varizes esofágicas e cirrose Child-Pugh B ou C.
As varizes com essas características possuem risco aumentado de sangramento. A profilaxia primária
pode ser feita com betabloqueador não seletivo (propranolol, nadolol ou carvedilol) OU ligadura elástica das
varizes.
1.4.2 PROFILAXIA SECUNDÁRIA
A profilaxia secundária está indicada em todo indivíduo que teve um evento
de hemorragia por ruptura de varizes de esôfago. Essa profilaxia deve ser feita com
betabloqueador (propranolol, nadolol ou carvedilol) E ligadura elástica das varizes.
1.5 TRATAMENTO
Alguns medicamentos podem reduzir a pressão portal. Os vasoconstritores esplâncnicos, como a terlipressina, a somatostatina e o
octreotide, assim como os betabloqueadores não seletivos, como o propranolol, o nadolol e o carvedilol podem ser usados para redução da
pressão portal.
Em geral, os vasoconstritores esplâncnicos são usados nos eventos de hemorragia digestiva aguda por ruptura de varizes de esôfago
para controle do sangramento.
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Os betabloqueadores podem ser usados na profilaxia
primária da hemorragia digestiva alta quando o paciente apresenta
MED
profilaxia secundária da hemorragia digestiva por ruptura de varizes
de esôfago.
varizes de esôfago com alto risco de sangramento (varizes de
Importante comentar que o tratamento da doença de base
médio e grosso calibre, varizes de pequeno calibre com lesões
pode contribuir para a redução da pressão portal. Como exemplo,
avermelhadas na parede e pacientes com varizes e cirrose Child-
podemos citar o tratamento da hepatite C, da hemocromatose e da
Pugh B ou C). Esses medicamentos também estão indicados na
hepatite autoimune.
CAIXA DE DESTAQUE
1. Hipertensão portal: pressão da veia porta > 10 mmhg e/ou gradiente de pressão venosa hepática ≥ 6 mmhg.
2. Causas de hipertensão portal pré-hepática: trombose da veia porta (principal causa), fístula arteriovenosa esplâncnica, trombose
da veia esplênica e síndrome de Banti.
3. Causas de hipertensão portal intra-hepática pré-sinusoidal: esquistossomose, fibrose hepática congênita, hiperplasia nodular
regenerativa, malignidades hepáticas, peliosis hepatis, tuberculose, sarcoidose, colangite biliar primária
4. Causas de hipertensão portal intra-hepática sinusoidal: cirrose hepática, hepatite alcoólica, hepatite aguda e hepatite crônica.
5. Causas de hipertensão portal intra-hepática pós-sinusoidal: doença hepática veno-oclusiva.
6. Causas de hipertensão portal pós-hepática: síndrome de Budd-Chiari, causas cardíacas e obstrução da veia cava inferior.
7. Complicações da hipertensão portal: ascite, varizes de esôfago, edema, encefalopatia hepática, esplenomegalia/hiperesplenismo,
síndrome hepatopulmonar e síndrome hepatorrenal.
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Preparei uma lista exclusiva de questões com os temas dessa aula!
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Lembrando que você pode estudar online ou imprimir as listas sempre que quiser.
1 .6 LISTA DE QUESTÕES
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CAPÍTULO
2.0 ENCEFALOPATIA HEPÁTICA
Prezado aluno, a maioria das questões de encefalopatia
doença hepática. Essa condição pode se apresentar com uma ampla
hepática cobra conhecimentos relacionados às manifestações
variedade de manifestações clínicas, desde alterações cognitivas
clínicas, diagnóstico e tratamento. Neste resumo, vamos conversar
leves (não identificadas clinicamente) até o coma.
sobre esses temas e mais um pouco para que você gabarite as
A encefalopatia hepática está presente na hepatite
fulminante (insuficiência hepática aguda) e também pode ocorrer
questões.
O termo encefalopatia hepática (EH) é usado para
nas hepatopatias crônicas. Ela aparece em 30 a 45% dos pacientes
descrever uma síndrome que se caracteriza por manifestações
com cirrose hepática e em 10 a 50% dos indivíduos com desvios
neuropsiquiátricas reversíveis e que ocorre em indivíduos com
portossistêmicos.
2.1 FISIOPATOLOGIA
A fisiopatologia envolve principalmente dois fatores: a
portossistêmico, temos aumento dos níveis séricos de substâncias
insuficiência hepática e o shunt portossistêmico. É interessante
neurotóxicas, sendo a amônia a mais importante delas. Na
comentar que o shunt portossistêmico que ocorre na trombose
insuficiência hepática, há comprometimento na metabolização
da veia porta geralmente não é suficiente para o aparecimento
dessas substâncias, que se acumulam no sangue.
da encefalopatia hepática. Por outro lado, a realização de
No shunt, as substâncias tóxicas não passam pelo fígado, pois
shunt cirúrgico ou a inserção do TIPS (Transjugular intrahepatic
há um desvio do sangue mesentérico para a circulação sistêmica.
portosystemic shunt) pode precipitar (precipita a EH em 30% dos
Uma vez em excesso, essas substâncias afetam a função do sistema
casos) ou piorar a encefalopatia hepática.
nervoso central.
Tanto
na
insuficiência
hepática
quanto
no
shunt
A importância da amônia na fisiopatologia da encefalopatia hepática já foi cobrada em
provas de Residência Médica. Por isso, fique atento: na encefalopatia hepática temos aumento
dos níveis sérico de amônia.
A ilustração abaixo resume as principais alterações que ocorrem no Sistema Nervoso Central em decorrência do aumento dos níveis
séricos de amônia:
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Estresse Oxidativo
Ativa
MAPKS
Tirosina, Triptofano e
Fenilalanina no Cérebro
Lesão da
Mitocôndria
Edema do
Astrócito
Dopamina, Serotonina
e Noradrenalina
Edema
Cerebral
AMÔNIA
Glutamato
Ativa NMDA
Óxido Nítrico
Vasodilatação Cerebral
Osmolaridade
do Astrócito
Edema Cerebral
Neuroesteroides
Modulam
Sistema Gabaérgico
Neuroinibição
MAPKs: “mitogen-activated protein kinase”.
NMDA: N-metil D-aspartato.
2.2 CLASSIFICAÇÃO
2.2.1 CLASSIFICAÇÃO CONFORME A DOENÇA DE BASE
Tipo A: causada por hepatite fulminante (insuficiência hepática aguda).
Tipo B: complicação de shunt portossistêmico.
Tipo C: causada por cirrose hepática.
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2.2.2 CLASSIFICAÇÃO CONFORME MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
Essa classificação tem sido muito utilizada na prática clínica, sendo os critérios de West Haven os mais usados.
Confira esses critérios (ESSA CLASSIFICAÇÃO JÁ FOI COBRADA EM ALGUMAS PROVAS DE RESIDÊNCIA MÉDICA).
Critérios de West Haven
Grau
Achados clínicos
0
Sem achados clínicos
I
Alteração do nível de consciência
Euforia ou ansiedade
Défice de atenção
Dificuldade na execução de adição ou subtração
Alterações do sono
II
Letargia ou apatia
Desorientação no tempo
Alteração de personalidade
Comportamento inadequado
Dispraxia
Asterixis (flapping)
III
Sonolência ou semiestupor
Responsivo aos estímulos
Confusão
Desorientação grosseira
Comportamento bizarro
IV
Coma
Fonte: Tratado de gastroenterologia: da graduação à pós-graduação, 2016.
2.2.3 CLASSIFICAÇÃO CONFORME A FREQUÊNCIA
• Episódica: eventos raros (< 2 eventos por ano).
• Recorrente: ocorrem em intervalos menores que 6 meses.
• Persistente: sinais e sintomas contínuos, com períodos em que os sintomas são leves intercalados com sintomas mais
evidentes.
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2.2.4 CLASSIFICAÇÃO DE ACORDO COM A PRESENÇA DE FATORES DESENCADEANTES
Essa classificação divide os pacientes em dois grupos:
• Encefalopatia causada por fator precipitante.
• Encefalopatia sem fator precipitante.
2 .3 FATORES DESENCADEANTES
Esse é um tema que frequentemente é cobrado nas questões dos concursos de Residência Médica,
por isso você deve gravar os principais fatores precipitantes da encefalopatia hepática que estão listados na
tabela abaixo. É interessante comentar que, em até 80% dos casos, há a presença de um fator precipitante.
Fatores precipitantes da encefalopatia hepática
Infecções
Desidratação
Hemorragia digestiva
Uso de diuréticos tiazídicos e de alça (furosemida)
Hipocalemia e hiponatremia
Diarreia e vômitos
Hipóxia
Constipação
Alcalose metabólica
Ingestão excessiva de proteínas
Alcalose respiratória
Ingestão de bebidas alcoólicas
Insuficiência renal
Uso de drogas com ação no sistema nervoso central
(benzodiazepínicos e barbitúricos)
Inserção de TIPS (Transjugular intrahepatic portosystemic
shunt)
Cirurgias
Paracentese com retirada de grande volume de líquido
ascítico
Trombose da veia porta ou veia hepática
Hepatocarcinoma
Hipoglicemia
Anemia
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2 .4 MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
Prezado aluno, os indivíduos com encefalopatia podem apresentar-se com diversos sinais e sintomas, variando de um discreto défice
neurológico, identificado apenas em testes específicos, até o coma.
A encefalopatia hepática mínima ocorre quando o paciente tem alterações neurológicas que não podem ser identificados clinicamente
(pacientes encontram-se assintomáticos), sendo observadas apenas por meio de testes neurológicos específicos.
A figura abaixo organiza os sintomas de acordo com o grau da encefalopatia hepática:
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2 .5 DIAGNÓSTICO
Futuro Residente, o diagnóstico da encefalopatia hepática é clínico e pode ser
confirmado após excluir outras condições que causam sintomas neuropsiquiátricos.
ESSA INFORMAÇÃO JÁ FOI COBRADA EM PROVAS.
A abordagem inicial de um paciente com suspeita de EH
A tomografia computadorizada pode ser útil para avaliação
consiste na solicitação de exames laboratoriais para descartar
do diagnóstico diferencial (afastar acidente vascular cerebral,
causas metabólicas e distúrbios hidroeletrolíticos (glicemia, sódio,
hematoma subdural etc.) e pode também evidenciar edema
potássio, ureia e creatinina). Os exames de imagem nem sempre
cerebral, que pode estar presente em até 80% dos pacientes com
são necessários.
encefalopatia hepática.
É importante, também, investigar a presença de fatores precipitantes da encefalopatia hepática. Tendo o
paciente qualquer fator desencadeante, ele deve ser tratado precocemente.
Para os pacientes com sintomas leves, testes psicométricos e eletrofisiológicos podem ser indicados. Nesses casos, os mais usados são
o teste de conexão numérica e o miniexame do estado mental. Já, para os casos graves, a escala de coma de Glasgow pode ser útil.
A avaliação clínica pode ser um desafio nos pacientes com sintomas leves e o médico deve questionar a presença de alterações discretas
no sono e na função cognitiva (alteração de memória, atenção, desempenho no trabalho e nas atividades diárias).
Encefalopatia hepática = insuficiência hepática + sintomas neuropsiquiátricos – outros
diagnósticos.
2.5.1 AMÔNIA SÉRICA
Os níveis séricos de amônia geralmente estão aumentados em indivíduos com EH, entretanto sua dosagem não é necessária para a
confirmação do diagnóstico.
Devemos lembrar que os níveis séricos de amônia se relacionam com a gravidade da EH e admite-se essa dosagem na monitorização
da resposta ao tratamento, mas não para o diagnóstico.
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2 .6 TRATAMENTO
Quando falamos em encefalopatia hepática, o tratamento é um dos temas mais cobrados nas provas. Por isso, fique atento.
Em indivíduos com encefalopatia hepática, devemos sempre investigar a presença de fatores precipitantes.
Se presentes, esses fatores devem ser tratados. Os diuréticos também devem ser suspensos na fase aguda da
encefalopatia, pois podem causar hipocalemia, hipovolemia/desidratação e alcalose.
Os pacientes com encefalopatia grau I podem ser tratados
psicomotora importante, o uso de medicamentos com ação no
ambulatorialmente, desde que sejam orientados a procurar
sistema nervoso central deve ser feito com cuidado, pois vários
atendimento médico em caso de piora. A internação dos pacientes
medicamentos podem causar piora da encefalopatia. Entre as
com encefalopatia grau II dependerá do grau de confusão e letargia.
opções disponíveis, o haloperidol é a melhor escolha.
Já os indivíduos com doença grau III ou IV devem ser internados,
idealmente em unidade de terapia intensiva.
Um tema importante e que, às vezes, é cobrado em provas
de Residência é a terapia nutricional da encefalopatia.
Para os pacientes que se apresentam com agitação
2.6.1 NUTRIÇÃO
A dieta de um paciente com cirrose e EH deve atender suas necessidades calóricas e nutricionais.
Antigamente, recomendava-se a restrição proteica para indivíduos com encefalopatia hepática. Essa conduta não
é mais indicada, pois se associa à piora do estado nutricional (desnutrição), condição que agrava a encefalopatia
hepática e aumenta a mortalidade.
Fique atento e não se esqueça de que isso cai em provas.
Atualmente, não se recomenda dieta hipoproteica para todos os pacientes com encefalopatia hepática.
Essa estratégia se associa à piora do estado nutricional do paciente e pior prognóstico.
Pacientes com cirrose e desnutrição podem necessitar de
com uma quantidade de proteína de 1,2 a 1,5 g/kg/dia.
uma dieta rica em proteínas, já que a desnutrição e o baixo índice
Os pacientes com encefalopatias grau I e grau II podem
de massa corporal se associam à redução da sobrevida desses
receber dieta por via oral. Já os indivíduos com encefalopatia grau
indivíduos.
III e grau IV devem receber dieta por sonda nasoenteral, com o
A dieta desses indivíduos deve oferecer 25 a 40 kcal/kg/dia,
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objetivo de reduzir o risco de broncoaspiração.
31
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2.6.2 LACTULOSE
QUERIDO ALUNO, FIQUE ATENTO.
Quando falamos em tratamento da encefalopatia hepática, o uso da lactulose é um dos assuntos mais
cobrados.
O uso de laxativos osmóticos (dissacarídeos osmóticos) consiste no tratamento de primeira escolha da
encefalopatia hepática. Dados mostram que 70 a 80% dos pacientes melhoram com esse tratamento.
A lactulose reduz os níveis séricos de amônia por vários mecanismos. Os principais são:
• Redução do pH intestinal: que transforma NH3 (amônia) em NH4+ (amônio), que não é absorvido pelo intestino.
• Promove a captação da amônia pelas bactérias intestinais, para a produção de compostos nitrogenados.
• Reduz a concentração intestinal de bactérias produtoras de urease e aumenta os lactobacilos (melhora da microbiota
intestinal)
• Aumenta a velocidade do trânsito intestinal, reduzindo o tempo de absorção da amônia.
• Aumenta o volume das fezes, excretando maior quantidade de nitrogênio.
• Reduz a formação de ácidos graxos de cadeia curta, que são tóxicos.
A dose da lactulose varia de 30 a 60 g/dia. A medicação é administrada de duas a quatro vezes ao dia e a dose é ajustada até que o
paciente apresente 2 a 3 evacuações pastosas por dia. Nos pacientes com rebaixamento do nível de consciência, a lactulose pode ser usada
na forma de enema a cada 2 horas, até que haja melhora do nível de consciência.
Como efeitos adversos da lactulose, podemos encontrar: hipernatremia, distensão abdominal, desidratação, irritação perianal,
aspiração e desconforto abdominal.
A tabela abaixo resume as informações mais importantes da lactulose:
Lactulose
Medicação de primeira escolha para o tratamento da encefalopatia hepática
Administração: 2 a 4 vezes ao dia
Meta: 2 a 3 evacuações pastosas por dia
Usada no tratamento da encefalopatia aguda e crônica
70 a 80% dos pacientes evoluem com melhora
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Estratégia
MED
2.6.3 ANTIBIÓTICOS
Alguns antibióticos podem ser usados no tratamento da encefalopatia hepática e atuam reduzindo a flora bacteriana intestinal
produtora de amônia. Esses medicamentos são eficazes no tratamento agudo e no tratamento crônico, reduzindo recorrências. Geralmente,
são utilizados quando o paciente não melhora com 48 horas de uso da lactulose, ou quando não podem ou não toleram o uso da laculose/
lactitol.
Os antibióticos mais usados são:
• Rifaximina: antibiótico derivado da rifampicina. Não é absorvível e tem um ótimo perfil de segurança, causando menos
efeitos adversos, por isso é o antibiótico de primeira escolha. Também apresenta redução da taxa de hospitalização e reduz
o tempo de internação. Se, após a correção do fator precipitante, não houver recorrência da encefalopatia em 3 meses, a
rifaximina pode ser suspensa. A dose é de 550 mg 2 vezes ao dia ou 400 mg 3 vezes ao dia (ESSAS INFORMAÇÕES JÁ FORAM
COBRADAS EM PROVAS DE RESIDÊNCIA MÉDICA).
• Neomicina: é usada há anos no tratamento da encefalopatia hepática, com resultados satisfatórios. O grande problema é que
seu uso crônico pode causar nefrotoxicidade e ototoxicidade. Essa medicação geralmente está indicada quando a rifaximina
não está disponível. A dose é de 1g duas vezes ao dia ou 500 mg 3 vezes ao dia.
• Metronidazol: também é eficaz, mas seu uso crônico também se associa a efeitos adversos, sendo os efeitos colaterais mais
comuns a neurotoxicidade (que causa neuropatia periférica) e os distúrbios gastrointestinais. A vancomicina oral também é
eficaz, mas é pouco utilizada, pois pode associar-se à resistência bacteriana.
Lembre-se dessas informações, pois comumente são cobradas nos concursos de Residência Médica:
1- Antibiótico de primeira escolha: rifaximina (melhor perfil de segurança a longo prazo).
2 - Metronidazol: o uso crônico causa neurotoxicidade (neuropatia periférica).
3- Neomicina: o uso crônico causa nefrotoxicidade e ototoxicidade.
2.6.4 PROBIÓTICOS E PREBIÓTICOS
O uso de probióticos e prebióticos associa-se à redução dos níveis de amônia e à melhora clínica. Geralmente, são usados associados
à lactulose.
2.6.5 L-ORNITINA – L-ASPARTATO (LOLA)
Esses aminoácidos (ornitina e aspartato) são importantes substratos das vias metabólicas da amônia (conversão da amônia em ureia
e glutamina), tanto no fígado como no músculo. Sendo assim, a LOLA estimula o metabolismo da amônia, promovendo a conversão desse
metabólito em glutamina e ureia.
Essa medicação reduz os níveis de amônia, melhora os sintomas e, nos estudos, é mais eficaz que o placebo. Tem como principais
efeitos adversos as náuseas e os vômitos.
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2.6.6 TRANSPLANTE HEPÁTICO
O transplante hepático está indicado nos casos refratários ao tratamento clínico. Também pode ser indicado nos casos de encefalopatia
hepática recorrente.
Segue abaixo um fluxograma do tratamento da encefalopatia hepática:
TRATAMENTO DA ENCEFALOPATIA HEPÁTICA
Investigação e Tratamento
dos fatores precipitantes
Nutrição
25 a 40 Kcal/Kg/dia
Nutrição
1,2 a 1,5 g/Kg/dia de Proteína
Benzodiazepínicos
Barbitúricos
Lactulose
Zolpidem
Tratamento de 1ª escolha
Álcool
30 a 60 g/dia
Aumento da ingestão de proteínas
Tratamento de 1ª escolha
Insuficiência renal
30 a 60 g/dia
Hemorragia digestiva
Infecção
Antibióticos
Hipocalemia/Hiponatremia
Indicação: Resposta inadequada
ao uso isolado de lactulose
Hipoglicemia
Constipação
Devem ser associados
à lactulose
Alcalose Metabólica
1ª Escolha: Rifaximina
Desidratação
Shunt Portossistêmico
Outras opções
Oclusão vascular
Neomicina: Nefrotoxicidade
e Ototoxicidade
Trombose da veia hepática
Trombose da veia porta
Metronidazol:
Neurotoxicidade
Hepatocarcinoma
Probióticos e
Prebióticos
L - Ornitina L - Aspartato
Transplante
hepático
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CAIXA DE DESTAQUE
1. Encefalopatia hepática: síndrome que se caracteriza por manifestações neuropsiquiátricas reversíveis e que ocorre em
indivíduos com doença hepática.
2. Manifestações clínicas: défice cognitivo, depressão, euforia, confusão, distúrbios do sono, alterações do comportamento,
bradicinesia, asterixis, fala arrastada, ataxia, hiperreflexia, nistagmo, rebaixamento do nível de consciência, entre outras.
3. Diagnóstico clínico: paciente com insuficiência hepática e sintomas neuropsiquiátricos.
4. Tratamento de 1ª escolha: lactulose.
5. Tratamento de 2ª escolha: antibióticos (rifaximina, metronidazol e neomicina).
6. Metronidazol: pode causar neurotoxicidade.
7. Neomicina: pode causar ototoxicidade e nefrotoxicidade.
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CAPÍTULO
3.0 ASCITE
3 .1 INTRODUÇÃO
Prezado Aluno, neste resumo conversaremos sobre dois
importantes temas para as provas de Residência: a ascite e a
conhecimentos que apresentaremos neste capítulo. Então, vamos
lá.
peritonite bacteriana espontânea. Apresentaremos o que há de
A ascite representa o acúmulo de líquido na cavidade
mais importante sobre esses assuntos para que você gabarite as
peritoneal. Trata-se da complicação mais comum da cirrose e
provas.
ocorre em 50% dos cirróticos durante um acompanhamento de 10
Ao analisar 1.740 questões de hepatologia dos principais
anos. Importante frisar que a cirrose é a principal causa de ascite.
concursos do País, verificamos que 13% delas cobravam
Indivíduos com cirrose e ascite possuem sobrevida de 85% em um ano. Já aqueles
que não respondem à terapia com diuréticos possuem sobrevida de 50% em dois anos.
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3 .2 MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
No diagnóstico, os pacientes podem estar assintomáticos. Os indivíduos sintomáticos podem apresentar desconforto abdominal, ganho
de peso, saciedade precoce e dispneia.
Dependendo da etiologia, outros achados clínicos podem estar presentes. Indivíduos com ascite por insuficiência cardíaca podem
apresentar dispneia aos esforços, dispneia paroxística noturna e edema de membros inferiores.
Indivíduos com ascite por cirrose podem apresentar: eritema palmar, ginecomastia, telangiectasias, circulação colateral, edema,
hemorragia por varizes de esôfago e encefalopatia hepática.
3 .3 CLASSIFICAÇÃO
A ascite pode ser classificada em grau I, grau II e grau III, como descrito abaixo:
• Grau I: ascite leve, pode ser detectada apenas pela ultrassonografia.
• Grau II: ascite moderada, com distensão moderada e simétrica do abdome.
• Grau III: ascite volumosa, com acentuada distensão abdominal.
3 .4 DIAGNÓSTICO
3.4.1 EXAME FÍSICO
Pacientes com ascite por cirrose podem apresentar ao exame físico: circulação colateral, eritema palmar, ginecomastia, icterícia,
telangiectasias, atrofia de testículos, rarefação de pelos corporais, equimoses e edema.
A existência de nódulo na região umbilical (nódulo da irmã Maria José) indica a presença de doença neoplásica. Os tumores que mais
se associam a esse achado são: estômago, cólon, hepatocarcinoma e linfoma.
Quando em pequeno volume (300 ml a 1.000 ml), o abaulamento do fundo de saco de Douglas ao toque retal indica a presença de
ascite.
3.4.1.1 MACICEZ MÓVEL
A presença de macicez móvel tem sensibilidade de 83% e especificidade de 56%
para o diagnóstico da ascite. Trata-se do melhor método semiológico para a detecção da
ascite e geralmente está presente em ascites com volumes > 1.500 ml.
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Pode ser pesquisada percutindo o abdome do paciente em diferentes decúbitos. Inicialmente, faz-se a percussão do abdome com o
paciente em decúbito dorsal, observando a macicez nos flancos (o líquido escoa para essa região). Ao colocar o paciente em decúbito lateral,
a macicez mudará de posição (figura a seguir).
Com o acúmulo progressivo de líquido ascítico na cavidade peritoneal, podemos observar outros dois achados clínicos: o semicírculo
de Skoda e o sinal de Piparote. Esses achados geralmente estão presentes quando temos volume de líquido ascítico > 5 litros.
3.4.1.2 SINAL DE PIPAROTE
Para a pesquisa desse sinal, o paciente deve ficar em
decúbito dorsal. O examinador deve colocar a região palmar de
uma das mãos em um dos flancos e, com a outra mão, fazer uma
tensão contra o outro flanco, impulsionando e irradiando uma
onda no líquido ascítico, que é perceptível no flanco oposto. O
próprio paciente ou um assistente deve colocar a borda cubital da
mão sobre a linha mediana, com o objetivo de interceptar ondas
transmitidas pela parede abdominal (figura a seguir).
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3.4.1.3 SEMICÍRCULO DE SKODA
Quando em decúbito dorsal, o líquido ascítico é desviado
para os flancos. Ao iniciar a percussão do abdome do andar superior
em direção ao andar inferior, observaremos uma linha semicircular
na transição entre o som timpânico e o som maciço e concavidade
da linha voltada para a região epigástrica (figura a seguir).
3.4.2 AVALIAÇÃO DO LÍQUIDO ASCÍTICO
Diante de um paciente com ascite, a paracentese pode ser
líquido ascítico e, para sua avaliação inicial, a maioria dos autores
realizada para coleta de líquido ascítico. A avaliação do líquido
recomendam as seguintes: análise macroscópica, contagem de
fornece informações essenciais para a investigação etiológica da
células, cultura, albumina e proteína total. As outras avaliações
ascite e para o diagnóstico de infecção do fluido.
ficam reservadas para casos específicos, como a dosagem da
A tabela abaixo lista os principais exames séricos que devem
amilase para investigação da ascite pancreática.
ser solicitados, assim como as análises que podem ser realizadas no
Avaliação de pacientes com ascite
Exames séricos
Análise do líquido ascítico
Proteínas totais e frações (albumina)
Avaliação macroscópica
Tempo de protrombina
Proteína total
Bilirrubina total e frações
Albumina
Ureia e creatinina
Glicose
Amilase e lipase
DHL
TSH e T4 livre
Amilase
Marcadores tumorais (CA 19-9, alfafetoproteína, CEA).
Marcadores tumorais
Hemograma completo
ADA
AST e ALT
Triglicerídeo
Gama-GT e fosfatase alcalina
Bilirrubina
Glicose
Bacterioscopia (Gram e Ziehl-Neelsen)
DHL
Citologia
Lipidograma
Cultura
BNP nas suspeitas de insuficiência cardíaca
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Em relação aos marcadores tumorais, é importante lembrar que o CA-125 pode estar aumentado
em indivíduos com ascite de qualquer etiologia e, por ser um teste inespecífico, não deve ser solicitado
nesses pacientes.
3.4.2.1 PARACENTESE
É um procedimento seguro, simples e que pode ser feito à beira do leito. Para a
realização do procedimento, o paciente deve estar em decúbito dorsal e deve-se fazer a
assepsia, bem como a anestesia do local a ser puncionado.
Para a realização da paracentese, devemos traçar uma linha
que vai da espinha ilíaca até o umbigo. Dividimos essa linha em
três partes e puncionamos na junção do terço médio com o terço
inferior (figura a seguir).
As principais indicações para a realização da paracentese estão listadas na tabela abaixo:
Indicações da paracentese
Primeiro episódio de ascite
Em toda internação hospitalar
Piora clínica
Alterações laboratoriais que indicam infecção
Febre
Dor abdominal
Alteração do nível de consciência
Hipotensão
Leucocitose
Acidose
Insuficiência renal
Hemorragia digestiva
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Apesar de ser um procedimento simples e seguro, há algumas contraindicações relativas para a realização da paracentese. São elas:
• Indivíduos com coagulação intravascular disseminada.
• Fibrinólise primária.
• Importante distensão abdominal: pode ser realizada, porém desde que guiada por exame de imagem.
• Cicatriz no local da punção: o local de punção deve ser alterado caso o paciente tenha cicatriz cirúrgica no local habitual da
punção.
Importante frisar que a maioria dos pacientes com cirrose possuem distúrbio de
coagulação e que tal condição não contraindica a realização da paracentese. Nesses
casos, não há necessidade de reposição de plaquetas ou plasma fresco congelado.
A paracentese raramente evolui com complicações. As principais são: vazamento do líquido ascítico após o procedimento, sangramento
e perfuração intestinal.
3.4.2.2 ASPECTO MACROSCÓPICO DO LÍQUIDO ASCÍTICO
A avaliação do aspecto macroscópico do líquido ascítico pode ajudar na investigação etiológica da ascite. A tabela associa o provável
diagnóstico com o aspecto macroscópico do fluido.
Aspecto macroscópico da ascite
Aspecto
Hipóteses Diagnósticas
Claro ou amarelo-citrino
Cirrose
Turvo
Infecções
Leitoso
Ascite quilosa (presença de triglicerídeos)
Hemorrágico
Tuberculose, neoplasia ou acidentes na punção
Marrom
Aumento da bilirrubina no líquido ascítico
3.4.2.3 CITOLOGIA DO LÍQUIDO ASCÍTICO
Essa avaliação é útil para o diagnóstico de processos infecciosos e inflamatórios do líquido ascítico, devendo ser solicitada em todos os
pacientes com ascite.
A presença de hemácias no líquido ascítico sugere acidente de punção ou ascite neoplásica. Esse achado
também pode ser encontrado na ascite por tuberculose e na ascite pancreática.
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A tabela abaixo mostra as principais condições que podem apresentar aumento da celularidade no líquido ascítico.
Citologia do líquido ascítico
Celularidade
Hipóteses Diagnósticas
Aumento dos leucócitos
Inflamação ou infecção
Aumento dos Polimorfonucleares (neutrófilos)
Peritonite bacteriana espontânea e ascite pancreática
Aumento dos Mononucleares (linfócitos/monócitos)
Neoplasia, tuberculose ou colagenose
Aumento das hemácias
Neoplasia, tuberculose e ascite pancreática
3.4.2.4 BACTERIOSCOPIA
A positividade do GRAM é baixa (apenas 10% dos casos) na peritonite bacteriana espontânea. Para os casos de tuberculose, a
bacterioscopia pelo Ziehl-Neelsen é positiva em apenas 2% dos casos.
Bacterioscopia
GRAM
Geralmente é negativo na peritonite bacteriana espontânea
GRAM
Útil para o diagnóstico de peritonite bacteriana secundária
(infecção polimicrobiana)
Ziehl-Neelsen
Positivo em 2% dos casos de tuberculose peritoneal
3.4.2.5 CULTURA DO LÍQUIDO ASCÍTICO
Deve ser solicitada em todos os pacientes com ascite, principalmente naqueles com febre, dor abdominal, piora da função renal,
alteração do estado mental e acidose. Deve-se coletar 10 ml de líquido ascítico, que precisa ser armazenado em frasco de hemocultura. O uso
dos frascos de hemocultura aumenta a positividade da cultura de 50% para 80%.
3.4.2.6 CITOLOGIA ONCÓTICA
Tem sensibilidade de 96% na detecção de carcinomatose peritoneal, quando 3 amostras são analisadas prontamente. Importante frisar
que a sensibilidade da citologia para o diagnóstico de ascite por malignidade varia de 58% a 75%.
Devemos lembrar que nem todo tumor causa carcinomatose peritoneal. Pacientes com metástases hepáticas, linfoma e hepatocarcinoma
geralmente possuem citologia negativa.
Lembre-se: a citologia oncótica geralmente é positiva quando há carcinomatose peritoneal.
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Citologia oncótica
Carcinomatose peritoneal
Citologia oncótica positiva
Metástases hepáticas, linfoma e hepatocarcinoma
Podemos ter citologia oncótica negativa
3.4.2.7 GLICOSE
Os níveis de glicose no líquido ascítico acompanham os níveis da glicose sérica. Baixos níveis de glicose no líquido ascítico ocorrem na
peritonite bacteriana secundária e na carcinomatose peritoneal.
Glicose no líquido ascítico
Peritonite bacteriana espontânea
> 50 mg/dl
Peritonite bacteriana secundária por perfuração de víscera
oca
< 50 mg/dl
Carcinomatose peritoneal
< 50 mg/dl
3.4.2.8 DHL (LACTATO DESIDROGENASE)
O aumento do DHL no líquido ascítico (DHL do líquido ascítico > DHL sérico) ocorre na peritonite bacteriana secundária e na ascite
neoplásica.
DHL no líquido ascítico
Relação DHL líquido ascítico / DHL do sangue = 0,4
Normal
Relação DHL líquido ascítico / DHL do sangue > 1,0
Infecção ou neoplasia
3.4.2.9 AMILASE
A ascite não complicada possui valores de amilase < 40 UI/L e razão amilase ascite/soro de 0,4. A amilase no líquido ascítico aumenta na
pancreatite e na perfuração intestinal. Na ascite pancreática, encontramos valores de amilase que podem chegar a 2.000 UI/L e razão amilase
ascite/soro > 6.
Amilase no líquido ascítico
Aumento da amilase
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Pancreatite ou perfuração intestinal
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3.4.2.10 ADENOSINA DEAMINASE (ADA)
O aumento dos níveis de ADA no líquido ascítico indica o diagnóstico de ascite por
tuberculose peritoneal. Utilizando o valor de corte de 33 UI/L, a dosagem do ADA tem
sensibilidade de 100% e especificidade de 97% para o diagnóstico de ascite tuberculosa.
Importante ressaltar que essa sensibilidade é reduzida em até 30% em indivíduos com cirrose.
ADA no líquido ascítico
Aumento da ADA
Alta sensibilidade e especificidade para ascite tuberculosa
ADA em pacientes com cirrose
Redução da sensibilidade
3.4.2.11 TRIGLICERÍDEOS
O aumento dos triglicerídeos no líquido ascítico é uma característica da ascite quilosa. Nesses casos, encontramos triglicerídeos no
líquido ascítico acima de 200 mg/dl, podendo constatar valores maiores que 1.000 mg/dl. Essa avaliação deve ser solicitada quando a análise
macroscópica do líquido ascítico mostrar um aspecto leitoso.
3.4.2.12 BILIRRUBINAS
O aumento da bilirrubina no líquido ascítico faz com que ele fique marrom ou laranja.
Na ascite não complicada, encontramos valores de bilirrubina em torno de 0,7 mg/dl. Valores aumentados indicam perfuração da
vesícula ou dos ductos biliares.
3.4.2.13 GRADIENTE DE ALBUMINA SORO-ASCITE (GASA)
Dentre os tópicos e subtópicos do capítulo de ascite, o gradiente de albumina soroascite (GASA) é um dos mais importantes, POIS É MUITO COBRADO NAS PROVAS DE
RESIDÊNCIA MÉDICA.
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O gradiente de albumina soro-ascite (GASA) auxilia na definição etiológica da ascite. Para seu cálculo, devemos subtrair o valor da
albumina sérica pelo valor da albumina no líquido ascítico.
Exemplo: albumina sérica (3,2 mg/dl) e albumina do líquido ascítico (1,2)
GASA = 3,2 - 1,2
GASA = 2
Até pouco tempo, esse gradiente definia se o líquido ascítico era um transudato (GASA ≥ 1,1) ou um exsudato (GASA < 1,1). Atualmente,
o GASA é utilizado para definir se a ascite é causada por hipertensão porta ou não.
Um valor de GASA ≥ 1,1 prediz a presença da hipertensão portal com 97% de acurácia, e GASA < 1,1 confirma a ausência da hipertensão
porta, ou seja, GASA maior ou igual a 1,1 confirma que a ascite é causada por hipertensão porta.
Segue abaixo tabela com as principais causas de ascite, de acordo com o valor de GASA.
Causas de ascite x GASA
GASA ≥ 1,1 (Hipertensão Portal)
GASA < 1,1
Cirrose (principal causa)
Carcinomatose peritoneal
Hepatite alcoólica
Tuberculose
Insuficiência cardíaca
Ascite pancreática
Síndrome de Budd-Chiari
Ascite biliar
Metástases hepáticas
Serosite
Pericardite constritiva
Síndrome nefrótica
Trombose da veia porta
Fibrose portal idiopática
Hipotireoidismo
3.4.2.14 PROTEÍNA DO LÍQUIDO ASCÍTICO
OUTRO TEMA IMPORTANTE PARA AS PROVAS DE RESIDÊNCIA MÉDICA!
Valores de proteínas > 2,5 g/dl são encontrados na insuficiência cardíaca, na carcinomatose peritoneal e na
tuberculose peritoneal.
Proteína no líquido ascítico < 2,5 g/dl ocorre na cirrose e nas metástases hepáticas.
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Importante comentar que proteína no líquido ascítico < 1 g/dl aumenta o risco de peritonite bacteriana espontânea. Por outro lado, a
presença de proteína no líquido ascítico > 1 g/dl em indivíduo com peritonite sugere o diagnóstico de peritonite bacteriana secundária.
Proteína total no líquido ascítico
< 2,5 g/dl
Cirrose, metástase hepática e síndrome nefrótica
¾ 2,5 g/dl
Insuficiência cardíaca, carcinomatose peritoneal e
tuberculose
O fluxograma a seguir mostra as principais causas de ascite, de acordo com o valor do gradiente de albumina soro-ascite (GASA) e da
proteína do líquido ascítico.
GASA
≥ 1,1
< 1,1
Proteína < 2,5 g/dL
Proteína ≥ 2,5 g/dL
Cirrose
Metástases hepáticas
Insuficiência cardíaca
Pericardite constritiva
Síndrome de
Budd-Chiari
Obstrução da veia
cava inferior
Síndrome da
obstrução sinusoidal
Ascite biliar
Síndrome nefrótica
Pancreatite
Carcinomatose peritoneal
Tuberculose
Fonte: Harrison, 2017.
3.5 EXAMES DE IMAGEM
Pacientes com ascite devem ser submetidos a um exame de imagem para confirmação do diagnóstico e para investigação de condições
que podem causar ascite, como a cirrose e as neoplasias.
3.5.1 ULTRASSONOGRAFIA
Trata-se do exame de primeira escolha para avaliação da ascite. Esse exame consegue identificar pequenas quantidades de líquido
ascítico e avalia se o líquido está livre na cavidade ou se está encistado. A ultrassonografia é um exame barato e disponível na maioria dos
locais, não envolve irradiação e não usa contraste.
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O exame também pode auxiliar na identificação da etiologia da ascite, já que pode mostrar: alterações hepáticas sugestivas de cirrose,
metástases hepáticas, alterações pancreáticas (cistos pancreáticos) e tumores abdominais.
Na hipertensão portal, a ultrassonografia pode mostrar: dilatação da veia porta maior ou igual a 13 mm, dilatação das veias esplênica e
mesentérica maior que 11 mm, redução da velocidade do fluxo sanguíneo venoso portal, aumento do baço e recanalização da veia umbilical.
3 .6 ETIOLOGIA
Várias condições podem causar ascite, sendo a cirrose a principal delas. A cirrose
responde por 80% a 90% dos casos de ascite.
O quadro abaixo lista as principais doenças que podem causar ascite.
Ascite por hipertensão portal
Neoplasias (10% dos casos)
Causas infecciosas
Causas renais
Causas endócrinas
Causas pancreáticas
Biliar
Urinária
Reumatológica
Quilosa
Principais causas de ascite
Cirrose hepática (80% a 90% dos casos)
Hepatite fulminante
Insuficiência cardíaca congestiva (3% dos casos)
Pericardite constritiva
Miocardiopatia restritiva
Síndrome de Budd-Chiari
Doenças veno-oclusivas
Câncer de ovário
Câncer de intestino
Câncer gástrico
Tumor pancreático
Tuberculose
AIDS
Síndrome nefrótica
Insuficiência renal crônica
Hipotireoidismo
Síndrome de Meigs
Struma Ovarii
Síndrome de hiperestimulação ovariana
Pancreatite
Lesão da vesícula ou dos ductos biliares
Lesão das vias urinárias
Lúpus eritematoso sistêmico
Linfoma
Lesão dos vasos linfáticos
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3.6.1 CIRROSE HEPÁTICA
É a principal causa de ascite. Na cirrose, temos ascite por hipertensão porta. Outro fator que contribui para
o aparecimento da ascite é a hipoalbuminemia.
As características do líquido ascítico, em indivíduos com cirrose, estão listadas na tabela abaixo.
Líquido ascítico na cirrose
Macroscopia
Claro, transparente ou amarelado
GASA
≥ 1,1 g/dl
Proteína total
< 2,5 g/dl
Glicose
Acompanha os valores da glicose do soro
DHL
Valor menor que o valor do DHL sérico
Relação DHL do líquido ascítico/DHL sérico: 0,4
3.6.2 ASCITE NEOPLÁSICA
Responde por aproximadamente 10% dos casos e é a segunda principal causa de
ascite. Vários tumores, como o de ovário, de mama, de cólon, de pulmão, de pâncreas e
de fígado podem causar ascite.
Na ascite neoplásica com carcinomatose peritoneal, temos GASA < 1,1 e proteína do líquido ascítico > 2,5 g/dl.
Fique atento! Algumas questões cobram o GASA da ascite por metástase hepática. Essa questão nos
induz a responder que é menor que 1,1, já que se trata de uma condição associada a doenças neoplásicas.
Você deve lembrar-se de que as metástases hepáticas comprimem e obstruem os vasos intrahepáticos, aumentando a pressão porta.
Sendo assim, nesses casos teremos GASA maior ou igual a 1,1.
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Em indivíduos com ascite, os níveis de marcadores tumorais
pode estar aumentado na ascite de qualquer etiologia. O aumento
no líquido ascítico devem ser avaliados com cuidado. A avaliação do
ocorre pois o acúmulo de líquido nas cavidades causa lesões na
CEA no líquido ascítico tem sensibilidade e especificidade limitadas,
superfície das células mesoteliais, que contêm CA125.
As características do líquido ascítico das ascites neoplásicas
não tendo valor de referência bem definido.
O aumento do CA 125 no líquido ascítico não confirma o
estão listadas na tabela abaixo:
diagnóstico de câncer de ovário. Esse marcador é inespecífico e
Líquido ascítico na ascite neoplásica
Macroscopia
Hemorrágico
Amarelado
Quiloso
GASA
< 1,1 g/dl
≥ 1,1 na metástase hepática
Proteína total
> 2,5 g/dl
< 2,5 g/dl na metástase hepática
DHL
DHL do líquido ascítico maior que o do soro
Celularidade
≥ 500 células (leucócitos)/mm³, com predomínio de
linfócitos
Citologia oncótica
Positiva quando há carcinomatose peritoneal
Negativa nas outras condições (metástase hepática,
hepatocarcinoma com cirrose e obstrução linfática)
Cultura
Geralmente negativa
Glicose
Semelhante à glicose do soro
Pode estar reduzida
3.6.3 ASCITE TUBERCULOSA
A tuberculose é terceira principal causa de ascite no Brasil. Na ascite por tuberculose, o GASA é menor que
1,1, confirmando que a ascite não é causada por hipertensão portal. A proteína do líquido é maior que 2,5 g/dl
(geralmente > 3 g/dl).
O aumento dos níveis de ADA no líquido ascítico indica o diagnóstico de ascite por
tuberculose peritoneal.
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A biópsia peritoneal por laparoscopia tem alta sensibilidade (93%) e especificidade (98%) para o diagnóstico e, geralmente, está
indicada quando a análise do líquido ascítico não é suficiente para a confirmação do diagnóstico.
As principais características do líquido ascítico da ascite por tuberculose estão listadas na tabela abaixo.
Líquido ascítico na tuberculose
Macroscopia
Hemorrágico
Amarelado
Quiloso
GASA
< 1,1 g/dl
Proteína total
> 2,5 g/dl
ADA
Aumentado
Celularidade
150 a 4.000 leucócitos/mm³, com predomínio de
mononucleares (linfócitos)
Bacterioscopia
Positiva em 2% dos casos
Cultura
Positiva em até 50% dos casos
3.6.4 ASCITE CARDÍACA
Doenças cardíacas, como pericardite constritiva e insuficiência cardíaca congestiva, podem causar ascite.
Essas doenças são capazes de ocasionar uma hepatopatia congestiva, que tem probabilidade de evolução com
lesão hepatocelular e até mesmo cirrose.
A tabela abaixo mostra as principais características da ascite de origem cardíaca.
Líquido ascítico na ascite cardíaca
GASA
≥ 1,1
Proteína
>2,5 g/dl
3.6.5 ASCITE PANCREÁTICA
Acontece quando há acúmulo de fluido pancreático na cavidade peritoneal. Pode ocorrer após lesões dos ductos pancreáticos ou por
ruptura de pseudocistos.
A principal causa é a pancreatite crônica de etiologia alcoólica. A ascite pancreática é encontrada em 4% dos indivíduos com pancreatite
crônica e em 6% a 14% dos pacientes com pseudocistos pancreáticos. Também pode ocorrer nos casos de pancreatite aguda.
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Estratégia
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A análise do líquido ascítico mostra aumento importante da amilase, que comumente
se encontra acima de 1.000 UI/L. Ao avaliarmos a relação amilase do líquido ascítico/
amilase plasmática, encontramos valores de aproximadamente 6.
A tabela abaixo mostra as principais características da ascite pancreática.
Líquido ascítico na ascite pancreática
Macroscopia
Amarelado
Hemorrágico
GASA
< 1,1
Proteína
> 2,5 g/dl (geralmente > 3 g/dl)
Amilase
> 1.000 UI/L
3.6.6 ASCITE BILIAR
Geralmente ocorre após lesão dos ductos biliares ou da vesícula biliar. Nesses casos, podemos ter extravasamento de bile para a
cavidade peritoneal. Esses pacientes normalmente evoluem com peritonite bacteriana secundária.
Na ascite biliar, temos líquido ascítico esverdeado e com aumento dos níveis de bilirrubina (> 6 mg/dl). Esses casos devem ser avaliados
com colangiopancreatografia endoscópica retrógrada, na tentativa de identificar o local lesionado.
3.6.7 SÍNDROME DE BUDD-CHIARI
Caracteriza-se por interrupção ou obstrução da via de saída do sistema venoso hepático, sendo uma causa
de hipertensão portal pós-hepática.
Esse aumento da pressão portal pode causar ascite. Por ser uma causa de ascite por hipertensão porta, o
GASA nessas condições é maior ou igual a 1,1.
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HEPATOLOGIA
Estratégia
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MED
3.6.8 ASCITE QUILOSA
O líquido ascítico na ascite quilosa tem aspecto leitoso e é rico em triglicerídeos. Nessas condições, a linfa encontrada na cavidade
peritoneal tem origem dos vasos linfáticos abdominais ou torácicos.
A ascite quilosa ocorre quando temos obstrução ou lesão dos vasos linfáticos e tem como principais causas as anormalidades linfáticas,
as malignidades (linfoma) e a cirrose.
As malignidades são as principais causas de ascite quilosa. Entre as malignidades,
o linfoma responde por 30% a 50% dos casos. Outras causas são: câncer de mama, de
esôfago, de pâncreas, de cólon, de rim, de testículo, de endométrio, de ovário e de
próstata.
Segue abaixo uma tabela com as principais características da ascite quilosa.
Líquido ascítico na ascite quilosa
Macroscopia
Aspecto leitoso
GASA
< 1,1 g/dl
Proteína total
2,5 a 7 g/dl
Triglicerídeo
> 200 mg/dl (comumente > 1.000 mg/dl)
Celularidade
> 500/mm³ (predomínio de linfócitos)
DHL
Entre 110 UI/L e 200 UI/L
Citologia
Positiva em malignidades
Glicose
< 100 mg/dl
Amilase
Aumentada nos casos de pancreatite aguda ou crônica
(> 40 UI/L)
3.7 TRATAMENTO
3.7.1 TRATAMENTO DA DOENÇA DE BASE
Em algumas situações, o tratamento da doença de base é suficiente para resolver a ascite, como nos casos de ascite neoplásica e ascite
por tuberculose. Pacientes com cirrose por hepatite B e hepatite autoimune também evoluem com melhora da ascite após tratamento da
doença de base.
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HEPATOLOGIA
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Estratégia
MED
A abstinência de álcool é essencial para o tratamento da ascite em pacientes com cirrose, principalmente naqueles com doença
hepática alcoólica.
Alguns medicamentos devem ser evitados ou usados com cuidado. Os anti-inflamatórios não esteroidais podem aumentar o risco
de insuficiência renal. Em pacientes com ascite refratária, o uso de betabloqueadores não seletivos, como o propranolol, pode reduzir a
sobrevida.
3.7.2 RESTRIÇÃO DE SÓDIO
O paciente com ascite por cirrose deve ingerir no máximo 2 g (88 mEq/l) de sódio por dia (2 g de sódio = 4 g
de sal = duas colheres de chá).
Restrição de
sódio
Ingestão de, no
máximo, 2g/dia
de sódio
3.7.3 RESTRIÇÃO DE ÁGUA E HIPONATREMIA
A restrição de água não deve ser indicada em todos os pacientes com ascite. Essa
conduta fica reservada para os pacientes com hiponatremia (sódio < 125 mEq/L -120
mEq/L). Nesses casos, os indivíduos devem ser orientados a ingerir menos de 1 a 1,5
litros de água por dia.
As principais estratégias para que se tenha aumento do sódio sérico são: suspender betabloqueadores, bloqueadores alfa e diuréticos
(principalmente os tiazídicos) e corrigir o potássio. A midodrina pode ser usada em pacientes cronicamente hipotensos. Pacientes com sódio
< 120 mEq/L e com sintomas devem ser tratados com albumina e salina hipertônica.
Restrição de água
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Casos de hiponatremia
(sódio < 125 – 120mEq/L)
54
HEPATOLOGIA
Estratégia
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MED
3.7.4 DIURÉTICOS
A restrição de sódio associada ao uso de diuréticos é eficaz em 90% dos casos de
ascite por cirrose. Os dois principais diuréticos utilizados no tratamento da ascite são:
espironolactona e furosemida.
No início do tratamento, a espironolactona pode ser utilizada isoladamente. Nesses
casos, a furosemida pode ser introduzida posteriormente, dependendo da necessidade.
Outra estratégia é já iniciar o tratamento com os dois diuréticos. Quando
associados, devemos sempre respeitar a relação de 100 mg de espironolactona
para 40 mg de furosemida (200 mg para 80 mg, 300 mg para 120 mg e 400 mg
para 160 mg).
Importante lembrar que, no tratamento da ascite, a furosemida não deve ser usada
isoladamente. Sempre deve ser associada à espironolactona. Na ascite, a furosemida
também não deve ser usada por via intravenosa, pois aumenta o risco de insuficiência
renal.
A espironolactona é usada na dose de 100 mg/dia a 400 mg/dia e é o diurético
de primeira escolha (INFORMAÇÃO IMPORTANTE). Esse diurético atua bloqueando
os receptores da aldosterona e não causa hipocalemia, que é um importante fator
precipitante da encefalopatia hepática.
Interessante comentar que na cirrose a espironolactona tem efeito diurético maior que a furosemida, achado que não é encontrado
em outras condições edemigênicas.
Os diuréticos devem ser suspensos nos casos de encefalopatia hepática, insuficiência renal (creatinina > 2 mg/dl) e hiponatremia
(< 120 mEq/L).
3.7.4.1 ESQUEMA PROGRESSIVO
Nessa estratégia, inicia-se o tratamento com baixas doses de espironolactona (100 mg/dia). A dose é dobrada a cada quatro dias,
dependendo da resposta do paciente, até a dose máxima de 400 mg/dia.
Caso não haja resposta adequada com 400 mg/dia, a furosemida é associada, inicialmente na dose de 40 mg/dia. Sua dose pode ser
dobrada a cada 2 a 4 dias, até a dose máxima de 160 mg/dia.
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HEPATOLOGIA
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Esquema progressivo
Uso isolado de
espironolactona
Aumento progressivo da
dose da espironolactona
(100 a 400 mg/dia)
Associa-se à
furosemida
3.7.4.2 ESQUEMA COMBINADO
Esse esquema é o preferido pela maioria dos médicos, apesar de se associar a mais efeitos adversos. A dose inicial do tratamento
combinado é de 100 mg de espironolactona com 40 mg de furosemida.
Quando usamos os dois diuréticos, devemos sempre respeitar a relação de 100
mg de espironolactona para 40 mg de furosemida e toda vez que a dose de um for
aumentada, aumenta-se a dose do outro. Exemplo:
• 100 mg de espironolactona para 40 mg de furosemida.
• 200 mg de espironolactona para 80 mg de furosemida.
• 300 mg de espironolactona para 120 mg de furosemida.
• 400 mg de espironolactona para 160 mg de furosemida.
A dose pode ser ajustada e dobrada a cada 4 dias, tendo como doses máximas 400 mg de espironolactona e 160 mg de furosemida.
Os efeitos adversos mais comuns da terapia combinada são: insuficiência renal, precipitação de encefalopatia hepática, hipocalemia,
hipercalemia, hiponatremia, ginecomastia e cãibras. Nos casos de ginecomastia, a espironolactona pode ser substituída pela amilorida.
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Esquema combinado
Espironolactona + furosemida
Aumento progressivo da dose
100mg + 40mg
200mg + 80mg
300mg + 120mg
400mg + 160mg
3.7.5 AVALIAÇÃO DA EFICÁCIA DO TRATAMENTO
Em pacientes com ascite e sem edema, o tratamento é eficaz quando promove uma perda ponderal de 300 g/dia a 500 g/dia. Já em
indivíduos com ascite e com edema, espera-se uma perda ponderal diária de 800 g/dia a 1000 g/dia.
3.7.6 PARACENTESE DE ALÍVIO
Em pacientes com ascite volumosa, sintomática e tensa, a paracentese de alívio com retirada de 5 a 15 litros de líquido ascítico pode
ser realizada. Esse procedimento é uma opção de tratamento quando há a necessidade de se retirar mais de 1000 ml de líquido ascítico.
Importante frisar que quando se retira mais de 5 litros, deve-se infundir 6 g a 8 g de albumina para cada litro de líquido ascítico retirado.
Exemplo: paciente foi submetido à retirada de 8 litros de líquido ascítico.
Como foi retirado mais de 5 litros, deve-se, então, infundir 6 g a 8 g de albumina para cada litro retirado (6 x 8 = 48 g de
albumina), ou seja, deve-se infundir de 48 g a 64 g de albumina. Essa conduta tem o objetivo de manter o volume intravascular,
reduzindo o risco de disfunção circulatória e evolução para insuficiência renal. A conduta reduz a disfunção circulatória de 80% para
15% a 20%.
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3 .8 ASCITE REFRATÁRIA
Ocorre em 5% a 10% dos pacientes com cirrose e ascite. A ausência de resposta terapêutica ao uso de doses máximas de diuréticos (400
mg de espironolactona e 160 mg de furosemida) por pelo menos uma semana define a ascite refratária. Antes de considerar esse diagnóstico,
devemos afastar a má adesão ao tratamento.
Considera-se o diagnóstico de ascite refratária quando há a presença de pelo menos um dos seguintes critérios:
• Ausência de perda ponderal > 200 g/dia mesmo com adesão à restrição de sódio e dose máxima tolerada de diuréticos.
• Rápida recorrência da ascite após paracentese terapêutica, mesmo com a adoção de restrição de sódio na dieta.
• Aparecimento de complicações do uso de diuréticos, como: insuficiência renal, encefalopatia hepática e distúrbios
hidroeletrolíticos.
A ascite refratária pode ser tratada com paracentese, shunt portossistêmico intra-hepático transjugular (TIPS), shunt peritoniovenoso
e transplante hepático.
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3 .9 LISTA DE QUESTÕES
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CAPÍTULO
4.0 PERITONITE BACTERIANA ESPONTÂNEA
Prezado Aluno, a peritonite bacteriana também é um tema muito cobrado em provas de Residência. Sendo assim, tenha muita atenção
na leitura.
4 .1 INTRODUÇÃO
A infecção do líquido ascítico, sem foco infeccioso intra-abdominal identificável (perfuração de víscera oca ou abscesso), é chamada de
peritonite bacteriana espontânea (PBE). Essa condição ocorre em 8% a 30% dos pacientes internados com cirrose e ascite.
A PBE deve ser rapidamente reconhecida e tratada. Um atraso no diagnóstico e tratamento pode associar-se a choque e falência de
múltiplos órgãos.
4 .2 FISIOPATOLOGIA
A fisiopatologia da PBE já foi cobrada em prova de Residência Médica. O que você precisa saber sobre esse assunto?
Saiba que a PBE ocorre principalmente por translocação bacteriana. As bactérias intestinais atravessam a
parede intestinal e colonizam os linfonodos mesentéricos.
Estando nos linfonodos mesentéricos, essas bactérias podem chegar ao líquido ascítico por duas vias. Pode
ocorrer lesão dos linfonodos, com liberação da linfa contaminada, ou passagem das bactérias para a circulação
sistêmica a partir desses linfonodos mesentéricos. Uma vez na circulação sistêmica, esses micro-organismos
chegam ao líquido ascítico.
4 .3 FATORES DE RISCO
Os principais fatores de risco para PBE são:
• Cirrose avançada (quanto maior o MELD, maior o risco de PBE).
• Proteína no líquido ascítico < 1 g/dl.
• Evento prévio de PBE.
• Bilirrubina sérica > 2,5 mg/dl.
• Hemorragia digestiva por ruptura de varizes de esôfago.
• Desnutrição.
• Uso de inibidores da bomba de prótons.
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MED
As seguintes combinações também aumentam o risco de PBE:
Proteína do líquido ascítico < 1,5 g/dl
+
+
Child-Pugh ≥ 9 com bilirrubina ≥ 3 m/dl
OU
Creatinina ≥ 1,2 mg/dl, ureia ≥ 25 mg/dl ou
sódio plasmático ≤130 mEq/L
4 .4 MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
No diagnóstico, os pacientes com PBE podem apresentar-se sem sintomas (assintomáticos) ou com sintomas inespecíficos.
Os sintomas típicos são: febre, dor ou desconforto abdominal e alteração do nível de consciência. Os pacientes também podem
apresentar insuficiência renal/síndrome hepatorrenal, íleo paralítico, diarreia, hipotensão e hipotermia. Importante ressaltar que a presença
do líquido ascítico impede o aparecimento do abdome em tábua ao exame físico.
A febre é o achado clínico mais comum. A dor abdominal geralmente é difusa e
contínua e piora com a palpação do abdome. A alteração do estado mental pode ser
sutil e ocorre em aproximadamente 50% dos pacientes com PBE. Os pacientes também
podem evoluir com insuficiência renal e síndrome hepatorrenal.
4 .5 AGENTES ETIOLÓGICOS.
A Escherichia coli é o principal agente causador da PBE em adultos. Os principais agentes etiológicos e seu percentual de isolamento
em cultura, nos casos de PBE, estão listados na tabela abaixo.
Agentes etiológicos da PBE
Micro-organismo
Percentual de isolamento
Escherichia coli
43%
Klebsiella pneumoniae
11%
Streptococcus pneumoniae
9%
Outras espécies de Streptococcus
19%
Enterobactérias
4%
Staphylococcus
3%
Pseudomonas
10%
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HEPATOLOGIA
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Fique atento e não se esqueça: esse tema é cobrado em provas de Residência Médica.
Os principais agentes etiológicos da PBE em adultos são: Escherichia coli e Klebsiella
pneumoniae. Em crianças, o Streptococcus pneumoniae é o agente mais frequente.
4.6 DIAGNÓSTICO
Para o diagnóstico de PBE, devemos avaliar o líquido ascítico.
A presença de contagem de polimorfonucleares ≥ 250/mm³ com cultura monobacteriana, na
ausência de causas intra-abdominais de peritonite, como a ruptura de víscera oca, confirma a PBE.
Devemos lembrar que uma contagem de leucócitos maior ou igual a 250/mm³ não confirma o diagnóstico, ou seja, é necessário ter
uma contagem de polimorfonucleares ≥ 250/mm³.
A pesquisa do GRAM tem altas taxas de falsos-positivos na PBE. Essa avaliação é útil para diferenciar a
peritonite bacteriana espontânea da peritonite bacteriana secundária por ruptura de víscera oca, pois nessa
última o GRAM mostra infecção polimicrobiana.
Os pacientes também podem apresentar leucocitose, acidose metabólica e insuficiência renal.
Diagnóstico da peritonite bacteriana espontânea
Contagem de polimorfonucleares > 250/mm³ no líquido ascítico
Cultura positiva monobacteriana
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HEPATOLOGIA
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3.6.1 PBE X PERITONITE BACTERIANA SECUNDÁRIA
Para confirmar o diagnóstico da PBE, devemos afastar o diagnóstico de peritonite bacteriana secundária. Na peritonite bacteriana
secundária, temos uma fonte de infecção intra-abdominal, que geralmente necessita de tratamento cirúrgico, como a perfuração de víscera
oca ou abscesso intra-abdominal.
Essa distinção é muito importante, pois a mortalidade da peritonite bacteriana secundária é de quase 100% quando o tratamento
cirúrgico não é realizado. Já uma laparotomia desnecessária em pacientes com PBE tem taxa de mortalidade próxima de 80%.
Fique atento às informações do quadro abaixo. Elas são cobradas em provas de Residência Médica.
A presença de pelo menos dois dos seguintes critérios indica o diagnóstico da
peritonite bacteriana secundária:
• Proteína total no líquido ascítico > 1 g/dl.
• Glicose no líquido ascítico < 50 mg/dl.
• DHL do líquido ascítico maior que o limite superior do DHL sérico.
Além desses achados, devemos lembrar que uma cultura ou uma coloração de GRAM mostrando
infecção polimicrobiana (gram-negativos, Enterococcus faecalis e anaeróbios) indica o diagnóstico de
peritonite bacteriana secundária.
Os pacientes com suspeita de peritonite bacteriana secundária devem ser submetidos a uma tomografia computadorizada de abdome,
para avaliação de possível ruptura de víscera oca.
Características da peritonite bacteriana secundária
Glicose no líquido ascítico < 50 mg/dl
Proteína no líquido ascítico > 1 g/dl
DHL do líquido ascítico > que o limite superior do DHL sérico
Infecção polimicrobiana
Aumento do CEA (> 5 ng/ml) no líquido ascítico
Aumento da fosfatase alcalina no líquido ascítico (> 240 UI/L)
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4.7 ASCITE NEUTROFÍLICA CULTURA NEGATIVA
Essa condição ocorre quando temos contagem de polimorfonucleares ≥ 250/mm³ com cultura negativa em pacientes com sintomas
sugestivos. Esses indivíduos devem receber o mesmo tratamento da PBE.
4.8 BACTERASCITE
Essa condição se caracteriza por contagem de polimorfonuclares < 250/mm³ e cultura do líquido ascítico
positiva. Nesses casos, o tratamento está indicado nos pacientes sintomáticos.
Para os assintomáticos, nova avaliação é recomendada em 48 horas. Se o paciente
apresentar sintomas ou contagem de polimorfonucleares ≥ 250/mm³ nessa nova
avaliação, o tratamento está indicado.
Veja o fluxograma abaixo, que resume algumas informações do diagnóstico diferencial da PBE, dependendo da contagem de
polimorfonucleares (PMN) e resultado da cultura do líquido ascítico.
SUSPEITA DE PBE OU PACIENTE INTERNADO COM ASCITE
PARACENTESE
PMN ≥ 250 | MM³ + CULTURA POSITIVA
ASCITE NEUTROFÍLICA CULTURA NEGATIVA
PMN ≥ 250 | MM³ + CULTURA NEGATIVA
TRATAR
PBE
SIM
BACTERIASCITE
PMN < 250 | MM³ + CULTURA POSITIVA
SINAIS E SINTOMAS
DE INFECÇÃO
NÃO
PARACENTESE DE
CONTROLE DE 48H
PMN ≥ 250 | MM³
Fonte: Manual de Cuidados Intensivos em Hepatologia, 2014.
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4 .9 TRATAMENTO
Diante da suspeita de PBE, o tratamento deve ser iniciado o mais precocemente possível, mesmo sem o resultado da cultura do líquido
ascítico.
O antibiótico de primeira escolha é a cefotaxima 2 g, IV, a cada 8 horas, por pelo menos 5 dias. Nos
casos em que a cefotaxima não está disponível, a ceftriaxona pode ser utilizada. Para os indivíduos que
não podem usar cefalosporinas, a ciprofloxacina é uma opção de tratamento. A ofloxacina por via oral é
uma opção para pacientes com PBE comunitária sem complicações (função renal normal e ausência de
encefalopatia).
A maioria dos autores recomenda a suspensão dos betabloqueadores não seletivos, pois seu uso nesses pacientes se associa a maior
mortalidade, maior tempo de internação e maior risco de síndrome hepatorrenal.
A albumina também deve ser utilizada na dose de 1,5 g/kg no primeiro dia
de tratamento e 1,0 g/kg no terceiro dia. Ela reduz o risco de o paciente evoluir com
insuficiência renal/síndrome hepatorrenal.
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O fluxograma abaixo resume o tratamento da PBE.
TRATAMENTO DA PBE COMUNITÁRIA
CEFOTAXIMA 2G A CADA 8H
POR 5 A 10 DIAS + ALBUMINA
1,5 Gg|Kg NO 1º DIA
DE TRATAMENTO E 1,0g|Kg
NO 3º DIA DE TRATAMENTO
TRATAMENTO DA PBE NOSOCOMIAL
ADEQUAR O TRATAMENTO
AO PERFIL DE FLORA LOCAL
CONSIDERAR MEROPENEM
1g A CADA 8 HORAS
CONSIDERAR PARACENTESE DE CONTROLE
< 25% PMN
CONSIDERAR RESISTÊNCIA
BACTERIANA E TROCAR
ANTIBIOTICOTERAPIA
≥ 25% PMN
RESPOSTA SATISFATÓRIA
Fonte: Manual de Cuidados Intensivos em Hepatologia, 2014.
4 .1 0 PROFILAXIA DA PBE
4.10.1 PROFILAXIA PRIMÁRIA
A profilaxia da PBE é um tema importante e com frequência é cobrado nos concursos de Residência Médica.
A profilaxia primária aguda é realizada em pacientes que nunca tiveram eventos de
PBE e está indicada após eventos de hemorragia digestiva alta.
Essa profilaxia é feita com norfloxacina 400 mg, a cada 12 horas, por 7 dias ou
ceftriaxona 1 g/dia.
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Pacientes com proteína no líquido ascítico < 1 g/dl podem beneficiar-se da profilaxia primária crônica com norfloxacina 400 mg/dia (por
tempo indeterminado). Pacientes que apresentem os seguintes achados clínicos e laboratoriais (ilustração a seguir) também podem receber
profilaxia primária crônica, já que possuem risco aumentado de PBE.
Proteína do líquido ascítico < 1,5 g/dl
+
Child-Pugh ≥ 9 com bilirrubina ≥ 3 m/dl
+
OU
Creatinina ≥ 1,2 mg/dl, ureia ≥ 25 mg/dl ou
sódio plasmático ≤130 mEq/L
4.10.2 PROFILAXIA SECUNDÁRIA
Indivíduos que já tiveram evento de PBE chegam a ter taxas de recorrência de até 70% em 1 ano. Esses
pacientes devem receber profilaxia secundária, com o uso de norfloxacina 400 mg/dia, ciprofloxacina 500 mg/
dia ou sulfametoxazol-trimetoprim 800 mg/dia - 160 mg/dia até melhora da ascite. Nesses casos, a profilaxia é
mantida até a melhora da ascite.
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HEPATOLOGIA
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CAPÍTULO
5.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
5 .1 HIPERTENSÃO PORTAL
1 . Andersson KL, Chung RT. Hepatic schistosomiasis. Curr Treat Options Gastroenterol 2007; 10:504.
2 . Berzigotti A, Seijo S, Reverter E, Bosch J. Assessing portal hypertension in liver diseases. Expert Rev Gastroenterol Hepatol 2013; 7:141.
3 . Dooley, J.S. et al. Sherlock's diseases of the liver and biliary system. Hoboken: John Wiley & sons, 2018.
4 . García-Pagán JC, Gracia-Sancho J, Bosch J. Functional aspects on the pathophysiology of portal hypertension in cirrhosis. J Hepatol
2012; 57:458.
5 . Golfman, L.; Shafer, A. Cecil Medicina. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.
6 . Groszmann RJ, Wongcharatrawee S. The hepatic venous pressure gradient: anything worth doing should be done right. Hepatology
2004; 39:280.
7 . Kasper, D.L. et al. Medicina Interna de Harrison. Porto Alegre: AMGH, 2017.
8 . Leung JC, Loong TC, Pang J, et al. Invasive and non-invasive assessment of portal hypertension. Hepatol Int 2018; 12:44.
9 . Zaterka, S.; Eisig, N. Tratado de gastroenterologia: da graduação a pós-graduação. São Paulo: Editora Atheneu, 2016.
5 .2 ENCEFALOPATIA HEPÁTICA
1 . ALDRIDGE, D.R.; TRANAH, E.J.; SHAWCROSS, D.L. Pathogenesis of hepatic encephalopathy: role of ammonia and systemic inflammation.
J Clin Exp Hepatol,2015, 5-S7.
2 . BAJAJ, J.S.; WADE, J.B.; SANYAL, A.J. Spectrum of neurocognitive impairment in cirrhosis: Implications for the assessment of hepatic
encephalopathy. Hepatology,2009, 50-2014.
3 . BAJAJ, J.S. Review article: the modern management of hepatic encephalopathy. Aliment Pharmacol Ther, 2010, 31-537.
4 . BASS, N.M.; MULLEN, K.D.; SANYAL, A. et al. Rifaximin treatment in hepatic encephalopathy. N Engl J Med, 2010, 362-1071.
5 . BRAGAGNOLO, M.A.; TEODORO, V.; LUCCHESI, L.M. Detecção de encefalopatia hepática mínima através de testes neuropsicológicos
e neurofisiológicos e o papel da amônia no seu diagnóstico. Arq. Gastroenterol. v. 46, n. 1, 2009.
6 . FREDERICK, R.T. Current concepts in the pathophysiology and management of hepatic encephalopathy. Gastroenterol Hepatol (N Y),
2011, 7-222.
7 . GOLFMAN, L.; SHAFER, A. Cecil Medicina. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.
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Complicações da Cirrose Hepática
Estratégia
MED
CAPÍTULO
6.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Prezado Aluno,
esses temas (ascite e PBE) são importantes e com frequência são cobrados em prova. Espero que tenha aproveitado o conteúdo
apresentado neste resumo.
Lembre-se de que, havendo qualquer dificuldade na compreensão da teoria ou na resolução dos exercícios, você pode contar comigo
por meio do Fórum de Dúvidas!
Estarei à disposição para superar qualquer dificuldade no aprendizado da disciplina.
Repito: conte comigo como um parceiro nessa sua caminhada!
Além disso, para ficar por dentro das notícias do mundo da Residência Médica, recomendo que siga o perfil do Estratégia MED
(@estrategiamed) nas mídias sociais! Você também poderá seguir meu perfil no Instagram (@giordanne) e meu canal no Youtube (Giordanne
Freitas). Através deles, busco não só transmitir notícias de eventos do Estratégia MED e de fatos relativos às provas de Residência em geral,
mas também compartilhar questões comentadas de provas específicas de Residência que o ajudará em sua preparação!
Tudo isso para que esteja cada dia mais próximo de vencer esse desafio e ver seu nome na lista de aprovados!
Que DEUS o abençoe e o ilumine nos estudos!
Cordial abraço,
Giordanne Freitas
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