O VELHO TESTAMENTO GÊNESIS a II SAMUEL

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o VELHO TESTAMENlO
GÊNESIS a II SAMUEL
(Curso de Religião 301)
Manual do Aluno
Preparado pelo Sistema Educacional da Igreja
Publicado por
A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias
Título do Original em Inglês
"Old Testament Student Manual"
Genesis - 2 Samuel (Religion 301)
Traduzido para o português em 1984
Copyright © 1980
A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias
Todos os Direitos Reservados
Impresso no Brasil
iü
,
Indice
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
v
Mapas e Gráficos ...... . . .. ........ . . . .. . . . . ......... ... ... . . . .
vii
Capítulo I Para Nosso Benefício e Instrução :
A Vantagem de Estudarmos o Velho
Testamento (Introdução). . . . .. . . .. . ..........
19
Capítulo 2 A Criação (Gênesis 1 -2) ...... . . . ..... .........
25
Capítulo 3 A Queda (Gênesis 3) ... ................. .......
37
Seção Especial A - Quem É o Deus do Velho
Testamento? . . .. . . ... . . . .. . .. ..... ........ . . ....
Capítulo 1 9 Uma Exortação à Obediência, Parte I
(Deuteronômio 1 - 1 6) . .......... ... . . . . ... . . .. . 2 1 5
43
Capítulo 4 Os Patriarcas (Gênesis 4- 1 1 ) ......... . ... .....
49
Capítulo 20 Uma Exortação à Obediência, Parte 2
(Deuteronômio 1 7-33) .... . .. ... ... . .. ... ..... . 225
Prefácio
Seção Especial E - O Problema dos Grandes Números
no Velho Testamento . .. ... . ..
.. .. 1 93
. .
.
.
. .
. . . .
. .
.
Capítulo 1 7 As Peregrinações no Deserto, Parte 1
(Números 1 - 12) ................................. 1 97
Capítulo 1 8 As Peregrinações no Deserto, Parte 2
(Números 13-36)................................ 205
Capítulo 2 1 A Entrada na Terra Prometida (Josué 1 -24) 235
Seção Especial B - Os Convênios e o
Meio de Realizá-los :
A Chave para a Exaltação. ..... . ... ... . .......
59
Capítulo 22 O Reinado dos Juízes, Parte I (Juízes 1 - 1 2) 25 1
Capítulo 5 Abraão: O Pai dos Fiéis (Gênesis 1 2- 1 7) ....
63
Capítulo 6 Abraão: Um Modelo de Fé e Retidão
(Gênesis 1 8-23).... ............. . . .. ........... ..
Capítulo 23 O Reinado dos Juízes , Parte 2
(Juízes 1 3-2 1 ; Rute 1 -4) .. . .... .. . .. .... .. .. .. . . 259
73
Capítulo 7 O Convênio Continua com Isaque e Jacó
(Gênesis 24�36)
Capítulo 24 O Profeta Samuel e Saul, Rei de Israel
(I Samuel 1 - 1 5) .. .. .. . ..... ... ..... .. . ...... . .... 267
81
Capítulo 8 José : O Poder da Preparação
(Gênesis 37-50)... .... ....... .... ............ .. . .
Capítulo 25 O Chamado Recebido por Davi para
Guiar Israel (I Samuel 1 6-3 1 ) ... .... ..... . . . . . 277
91
Capítulo 26 A Decadência do Rei Davi (IISamuel 1 - 1 2) 287
Capítulo 9 "Deixa Ir o Meu Povo" (Êxodo 1 - 1 0) .... . . 1 0 1
Capítulo 27 O Preço do Pecado: Tragédia na
Casa de Davi (IISamueI 1 3-24) .. � . . . ........ 295
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . _. . . . . . .
Seção Especial F - Idolatria: Antiga e Moderna...... .. . 245
.
Seção Especial C - Os Simbolismos e
Protótipos Usados no Velho Testamento . . 1 09
Seção Especial G - Estilos Literários Hebraicos ........ . 303
Capítulo 1 0 A Páscoa Judaica e o Êxodo (Êxodo 1 1 - 1 9) 1 1 7
Capítulo 28 O Livro de Salmos : Canções do Coração
de Israel (Salmos) . .... .. . . . ... ............... . . . 309
Capítulo I I Os Dez Mandamentos (Êxodo 20) .. .... ..... 1 27
Capítulo 1 2 A Lei Mosaica: Um Evangelho
Preparátorio (Êxodo 2 1 -24; 3 1 -35) . ........ . 1 37
Capítulo 1 3 A Casa do Senhor no Deserto
(Êxodo 25-30; 35-40) . .................... ... .. . 147
Capítulo 14 Urna Lei de Cerimônias e Ordenanç as,
Parte I : Os Sacrifícios e O fertas
(Levítico 1 - 1 0) . ...
. .. . . . .. ... .
. .
. . . . . . . .
.
.
. . .
.
.
.
1 59
Capítulo 15 Urna Lei de Cerimônias e Ordenanças ,
Parte 2: As Coisas Limpas e Imundas
(Levítico 1 1 - 1 8) ................................. 1 73
Seção Especial D - A� Festas e Comemorações.......... 1 8 1
Capítulo 1 6 Urna Lei d e Cerimônias e Ordenanças,
Parte 3: Leis de Misericórdia e Justiça
(Levítico 1 9-27) ................................. 1 85
Bibliografia... ..... ... ... ........ . ......... . .. .. .... ............ 3 1 7
Índice d e Autores .. ...... . .... ... .... ..... .. . .. .. . . .. . .... .. . . . 3 1 9
Índice de Escrituras .. ..... ... . : .. ..... ... .... . . . .... . . ... .. . .. 326
Índice de Assuntos ...... ... ...... . . . . .. ... .... ...... .... ...... . 344
Prefácio
A Importância de Estudarmos o Velho Testamento
O Velho Testamento tem influenciado grandemente
inúmeras pessoas no decorrer dos séculos . Mesmo hoje em
dia, três das maiores religiões do mundo, o cristianismo, o
islamismo, e o judaismo - têm suas raizes plantadas em
seu fértil solo . Com exceção dos povos para os quais os
livros foram originalmente escritos, suas mensagens talvez
sejam de maior valor para os que vivem na dispensação da
plenitude dos tempos do que para qualquer outro grupo
que viveu nas gerações anteriores . Elas são especialmente
preciosas para os santos dos últimos dias . Algumas das
lições e ensinamentos que tornam o estudo cuidadoso do
Velho Testamento não somente significativo, mas de vital
importância, são :
1 . O testemunho da existência de Deus .
2. A história do início da humanidade como uma raça
divina, a qual foi colocada aqui na terra com objetivos
celestiais e eternos .
3 . A importância d e obtermos u m relacionamento
perfeito com Deus, por meio de convênios.
4. A história e propósito do estabelecimento de uma
linhagem eleita, através da qual o sacerdócio seria
restaurado nos últimos dias.
5 . O desenvolvimento da lei que serviria de base
' à maior
parte das leis civis e criminais .
6. O conhecimento de que Deus influencia diretamente a
vida dos homens e nações, e que, por intermédio dele,
muitas pessoas são divinamente conduzidas, inspiradas e
protegidas.
7. As conseqüências da desobediência e rebeldia contra
Deus e suas leis.
8 . A infâmia de toda e qualquer forma de idolatria, e os
mandamentos do Senhor contra esse pecado .
9. A necessidade de permanecermos fiéis, mesmo em
meio a sofrimentos e aflições .
10. A maneira pela qual os santos podem escapar às
grandes destruições que ocorrerão nos últimos dias .
1 1 . A grandeza do terrível dia em que o Senhor voltará à
terra em sua glória.
12. O testemunho de que o Deus do Velho Testamento é
Jesus Cristo, e de que ele veio ao mundo para livrar os
homens do cativeiro da morte, e tornar possível que se
libertem do pecado, sendo capazes, assim, de voltar à
presença de Deus , o Pai .
Os preciosos ensinamentos desse livro sagrado foram
escritos para o nosso beneficio . Os autores das obras que
se encontram registradas na Bíblia ansiavam por que sua
mensagem fosse clara e compreensível. Com o decorrer
do tempo, devido às inúmeras traduções e aos desígnios
corruptos dos homens, parte dessa clareza foi obscurecida.
Entretanto, para a felicidade dos santos dos últimos dias,
boa parte dela foi restaurada através de ( 1 ) comentários
inspirados dos profetas modernos; (2) orientação do
Espírito Santo; e (3) revelação da plenitude do evangelho
que se encontra em outras obras-padrão, especialmente no
Livro de Mórmon.
Qual Deve Ser Nossa Meta ou Objetivo ao Fazermos Este
Curso?
Moisés declarou à antiga Israel: "A ti te foi mostrado
para que soubesses que o Senhor é Deus; nenhum outro há
senão ele . " (Deuteronômio 4:35.) O objetivo deste curso é
proporcionar-lhe a oportunidade de conhecer o Deus do
Velho Testamento de maneira poderosa, íntima e pessoal.
Ele é o nosso Redentor, e nossa meta para este curso deve
ser a de sermos capazes de declarar, como Jó: "Porque eu
sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará
sobre a terra. " (Jó 1 9:25 .) Nas páginas do Velho
Testamento, podemos vislumbrar a Jesus, em seu estado
pré-mortal, operando junto aos fIlhos de nosso Pai
Celestial, com a finalidade de lhes proporcionar a
salvação . Através destes relatos, podemos aprender como
nos achegarmos mais a Cristo . Moisés fez uma bela síntese
desse processo com as seguintes palavras, de profundo
significado: "Então . . . buscará ao Senhor teu Deus, e o
acharás, quando o buscares de todo o teu coração e de
toda a tua alma. " (Deuteronômio 4:29.) Que maior
objetivo poderíamos atingir?
Como Alcançar Essa Meta com Maior Eficácia?
O Senhor declarou, através do Profeta Jeremias:
"Porque o meu povo fez duas maldades: a mim me
deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram
cisternas , cisternas rotas, que não retêm as águas . "
(Jeremias 2: 1 3 .) As cisternas eram extremamente
importantes, como fontes de suprimento de água, pois era
delas que o povo dependia para se preservar contra as
incertezas da natureza. Elas eram cavadas na rocha viva, e
muitas vezes esta era cheia de fissuras e incapaz de reter o
precioso líquido. Usando este fato como uma metáfora, o
Senhor fez duas acusações contra Israel. A primeira dizia
respeito à falta de confiança que tinham nele. O povo
escolhido podia confiar eternamente em Jeová como a
fonte de água viva, mas a antiga Israel cavara novas
cisternas para seu uso, isto é, voltara-se a outros
mananciais , em busca de vida e poder espiritual. Segundo,
estas novas cisternas não poderiam reter o Espírito, da
mesma forma que as cisternas rachadas não poderiam
preservar a água. Assim sendo, a antiga Israel agia como
um povo que se encontra em meio a uma seca e ignora a
cisterna que contém todas as reservas necessárias, para
ajudá-los, e volta-se para fontes que nada podem fornecer-lhes.
Cada capítulo deste manual tem por objetivo ajudá-lo a
encontrar a verdadeira fonte de água viva - Jesus Cristo.
No Velho Testamento, esse manancial é o Senhor, e você
deve ter como objetivo, procurar conhecê-lo melhor.
Cada lição contém uma designação de leitura do Velho
Testamento. Ela será a parte principal de seu estudo, e
você deve lê-la cuidadosamente, ao estudar os materiais .
Este manual (Curso d e Religião 3 0 1 ) abrange
aproximadamente a metade do Velho Testamento, de
Gênesis a II Samuel, inclusive alguns trechos de Salmos . A
outra parte do Velho Testamento será coberta no manual
do Curso de Religião 302.
vi
o objetivo deste curso não é fazer com que você leia
cada capítulo desta primeira etapa do Veiho Testamento .
Todavia, depois de haver completado as seções des.ignadas
nos blocos de leitura, você terá lido a maior parte dele e
adquirido a habilidade necessária para compreend(:r por si
próprio as passagens restantes. Combinado à oraçiio
sincera, o estudo das escrituras pode tornar-se uma fonte
de revelação pessoal e um caminho através do qual você
poderá obter maior poder espiritual em sua vida diária. Ele
será a senda que o conduzirá à fonte que saciará slla sede,
à única cheia de água viva.
1 . Uma breve seção introdutória que estabelece o
cenário histórico das escrituras que você irá estudar.
2. Uma designação de leitura.
3 . Uma seção de notas e comentários (principalmente
dos líderes da Igreja) que ajudará a esclarecer escrituras
particularmente dificeis.
4. Uma seção de Pontos a Ponderar, que chama sua
atenção para algumas das principais lições que poderá
aprender naquela parte do Velho Testamento, e lhe dará a
oportunidade de considerar profundamente como poderá
aplicar tais ensinamentos em sua vida.
Por Que o Aluno Precisa de um Manual Próprio?
Como Usar seu ManuaI do Aluno
Algumas partes das escrituras antigas não são facilmente
entendidas pelo leitor de hoje. Até mesmo os j udeus que
retornaram do exílio (por volta de 500 A. C.), prec-isaram
de assistência para compreendê-las . A Bíblia registra que
Esdras, o escriba "explicava ao povo a lei . . . Assim (os
escribas) leram no livro, na lei de Deus, distintamente; e
deram o sentido de modo que se entendesse a leitura" .
(Neemias 8 :7-8.) Embora a maior parte do problema se
devesse a alterações lingüísticas, ainda assim a palavra do
Senhor precisava ser explicada. O mesmo acontece' hoje
em dia. Textos adulterados, linguagem arcaica e falta de
conhecimento da parte doutrinária, histórica ou g�:ográfica
causam dificuldades na leitura e compreensão do Velho
Testamento.
Tendo em vista essas dificuldades, este manual lhe
proporciona os seguintes auxílios:
1. Informações histórica� que o ajudarão a entender
melhor o mundo do Oriente Médio em que os profetas
proferiram suas mensagens .
2. Informações esclarecedoras a respeito dos profetas do
Velho Testamento e também sobre importantes
personagens políticas de suas respectivas épocas .
3 . Esclarecimentos importantes sobre diversos livros do
Velho Testamento.
4. Comentários interpretativos e proféticos sobre as
passagens mais importantes e sobre algumas escrituras de
dificil compreensão.
5 . Uma seção de mapas e gráficos identificando pontos
geográficos preponderantes, algumas das atividades mais
importantes dos profetas e israelitas.da época, um esboço
cronológico dos eventos que estarão sendo estudados, e
medidas atuais equivalentes às usadas no tempo do Velho
Testamento.
O Velho Testamento é o texto básico deste curso de
estudo. O manual do aluno não foi criado com o objetivo
de substituir a leitura das escrituras, nem pode tomar o
lugar da orientação do Espírito Santo que você pode obter
através de oração fervorosa. Eis algumas sugestões a
respeito de como este manual poderá ser usado com maior
eficácia:
1 . Antes de examinar as escrituras, estude os mapas, a
fim de obter uma idéia sobre a localização das diversas
terras, regiões, povos, cidades e acidentes geográficos. À
medida que der prosseguimento ao estudo, examine-os
sempre que for necessário .
2. Estude a designação de leitura de cada capítulo . O
número de capítulos que terá de ler para cada período de
aula pode variar dependendo de seu instrutor, e de você
estar estudando em base semestral, trimestral ou pelo
método de estudo individual . Seja quaJ. for o sistema, você
acabará lendo a maior parte do Velho Testamento, de
Gênesis a II Samuel, e os salmos selecionados .
3 . Estude as seções especiais tão logo as encontre. Você
verá que compreender a história, geografia ou teologia
nelas explicadas o ajudará a compreender melhor as
escrituras, quando as ler.
4. Leia as Notas e Comentários relativos às passagens
dificeis de entender.
5 . Complete as designações que se encontram em
Pontos a Ponderar, conforme for orientado pelo instrutor.
6. Use os índices que se encontram no fim do manual,
para localizar uma determinada escritura, autor ou
assunto .
Organização do Manual
Os vinte e oito capítulos do manual foram organizados
na mesma ordem dos livros do Velho Testamento, com
exceção do capítulo relativo aos Salmos . Considerando
que a maior parte dos salmos foram escritos por Davi,
você receberá designação de estudá-los logo após haver
lido a respeito da vida dele.
Periodicamente, você encontrará, em meio aos textos,
seções especiais - num total de sete - cujo objetivo é
fornecer informações que o ajudarão a entender melhor os
capítulos subseqüentes.
Este manual deve ser: usado como um meio de ajudá-lo
a organizar e tirar o máximo proveito de seu estudo das
passagens das escrituras. O seguinte esboço da org.anização
de cada capítulo evidencia esse propósito:
Como Usar as Referências Internas
Neste manual, encontram-se diversos trechos de obras
de eminentes autores bíblicos. Foram usadas algumas
referências abreviadas desses livros, para interromper a
leitura o mínimo possível. A seção bibliográfica, que se
encontra no fim do manual, fornece uma relação completa
desses textos.
Foi criado um sistema especial para identificar as
citações extraidas de Commentary on the Old Testament,
de C. F. Keil e F. Delitzsch, uma obra que originalmente
foi publicada em vinte e cinco volumes, mas que, na
reimpressão, foi resumida para apenas dez. Isto quer dizer
que, em alguns casos, um livro pode ter três páginas
diferentes com o mesmo número . Para dar uma referência
mais curta, estabelecemos um sistema constituído de três
números . Por exemplo: Commentary, 3 : 2: 5 1 significa que
a referência se encontra na p. 5 1 do volume dois, que se .
encontra no livro 3 .
vü
Mapas e
Gráficos
Relevo da Palestina.
O Velho Mundo no Tempo dos Patriarcas.
O Êxodo.
Os Reinos de Israel e Judá.
As Dispensações do Evangelho .
A Família
de Abraão .
Gráfico Cronológico , dos Patriarcas ao Reino Unido .
Sistema Monetário .
Medidas-padrão de Volume
Pesos e Medidas .
Medidas Lineares .
Antigo Calendário Judaico .
Relevo
da Palestina
N
Jerusalém
Maciço
montanhoso da
Transjordânia
Planícies de
Sarom
Região de
Sefe1á
Jericó
Nível do Mar
Mediterrâneo
s
o
s
Nível do
Fundo do
Mar Morto Mar Morto
- 792m.
- 3% m.
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Monte Moriá
744m.
Monte Sião
774m.
Mar Morto
Monte Ebal
935 m.
Monte das
Oliveiras
812m.
Monte Tabor
560m.
Monte Gilboll
512m.
Jerusalém
Jericó
Monte Hermon
2760m.-
Monte Gerizim
869m.
Lago Hulé
Mar da Galiléia
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GRANDE MAR
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GOLFO P ÉRSICP
Os Reinos de
Israel e Judá
Escala
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Azecá.
• Libná
• Asquelom
• Gaza
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• Medeba
• Laquls
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• Gate
MOA8E
FILISTEUS
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MIDIANITAS
NEGEV
AMALEVUITAS
As Dispensações
do Evangelho
I
--"-1-
I
6 gerações
PRIMEIRA DISPENSAÇÃ O.
d
A ão
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(4000 A.C.) 1
Sete
1>nos
Cainã
I
Maalalel
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1
Jarede
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SPENSAÇÃ O
E
I
Noé
3
pENSAÇÃ O
(2944 A.C.)
I
Sem
DISPENSAÇÃ O
JAREDITA
j
--t -
I
'''j''''
Arpachade
I
Selá
Aprox. 2243 A.C.
Torre de Babel.
Confusão de línguas e
dispersão.
1
Eber
(Moisés 5:6- 1 2; 6:64-68)
O início da mortalidade. Adão ensinou a seus
filhos.
(Moisés 6:25-39; 7:68-69; 8: 1 ; D&C 1 07:49)
Enoque provavelmente foi chamado pelo Senhor
aos 65 anos de idade. A dispensação provavelmente
teve início no ano 3 3 1 3 A.C., 687 anos após o
início da primeira. (Ver D&C 1 07:47-49.)
(Gênesis 6:8-9, 1 3; 7:6; Moisés 8: 1 9)
Noé caminhou com Deus. Entra na arca aos 600
anos de idade . O dilúvio iniciou-se
aproximadamente no ano 2344 A.C.; início da
terceira dispensação com apenas 8 pessoas , 969
anos após haver-se iniciado a segunda.
10 gerações
I
Pelegue
I
Reú
.1
TRIBOS
PERDIDAS
Levadas ao cativeiro
entre os anos
721-7 1 7 A.C.
(ignora-se quantas
dispensações têm
havido entre as tribos
. perdidas)
Serugue
I
Naor
I
QUARTA PISPENSAÇAO
Terá
I
1
6 gerações
Rúben
1
Simeão I
Levi
I
Coate
I
A{lrão
QUINTA DISPENSAÇÃ O I
Moisés
(nascido aproximadamente no
ano
1567 A.c.)
Tinha 80 anos, quando
os filhos de Israel
foram libertados. A
quinta dispensação
iniciou-se cerca de
1487 A.C., 430 anos
após a quarta
dispensação (ver
Êxodo 3: 7-12).
_
Abraão
(Abraão 1 : 1 6- 1 9; 2:14; Gênesis 1 2:1-4; 17: 1 )
(1992 A.C.,
caiO
tenha nascido quando Terá
estava com 130 anos d�
idade)
I
Abraão foi chamado pelo Senhor quando tinha
cerca de 75 anos de idade (Gênesis 1 2:4) ou 62
(Abraão 2: 1 4). A quarta dispensação começou
aproximadamente no ano 19 1 7 A.C., 427 anos após
o início da terceira.
�que
I
Jacó (Israel)
Judá
I
Zebulom
Gade
lssacar
Aser
I
t
Davi
I
1
I
Jesus Cristo (nascido
no anoll D.C.)
1
14 gerações
----L
t
�
I
Doze Apóstolos
(Dispensação do meridiano dos tempos)
Teve início aproximadamente no ano 30 D.C.,
cerca de 1 5 1 7 anos após o início da quinta.
SÉTIMA DISPENSAÇÃO
Joseph Smith (nascido no ano de
Manassés
Diversas gerações
Ismael
1
I
Leí
DISPENSAÇÃO DE LEÍ-NÉFI
(600 A.C.)
I
14 gerações
SEXTA DISPENSAÇÃ O
I
Efraim
•
Jeconias (levado cativo para
a Babilônia)
I
Dã
14 gerações de Abraão
a Davi (Mateus 1: 17)
Néfi e Leí (20 A.C.)
(Helamã 1 0:3- 1 7; 1 1 : 1 9-23;
3 Néfi 7: 1 5- 1 9; 9: 1 5-22;
1 1 :7 40)
-
Início dos 200 anos de paz
-34 D.C.
lAs datas são apenas estimativas, e não devem
1805)
(Dispensação da plenitude dos tempos)
(Atos 3: 19-21; Efésios 1 :9- 1 0; D&C 27: 13)
. Joseph Smith estava com 24 !inos e 3 meses , quando A Igreja de
Jesus Cristo dos Santos dos Ultimos Dias foi organizada, no
ano de 1830.
Início da última dispensação, 1800 anos após o início da sexta.
ser consideradas exatas. Baseiam-se na
Cronologia de Calmet, que mais se aproxima
das datas mencionadas no livro Lectures on
Fai/h, de Joseph Smith. A Cronologia de
Ussher apresenta uma diferença de cerca de
quatro anos para cada uma das antigas eras
aqui apresentadas. Assim sendo, em tal registro
a época adâmica é tidalcomo tendo ocorrido
no ano
no ano
4004 A.C.,
4 A.C.
e o nascimento do Salvador
(Adaptado do artigo intitulado "Our Gospel
Dispensations", de autoria de Joseph Fielding
Smith, Jr., publicado na revista Instructor,
novembro de
1959.)
A Família
de Abraão
NOÉ
ABRAÃO: "Pai de
SEM
TERÁ
Muitas Nações"
(bisneto de Noé na sétima geração)
(Gênesis 1 1 : 1 0-26)
I
I
HARÃ
r:;
ABRAÃO (ABRÃO)
NAOR
l
Casou-se com Milca (filha de Harã)
(""'�i,
Casou-se com Sara (Sarai)
(filha de Harã)
(Gê"�i' lJ '29)
I
ESAÚ
I
Doze Tribos
(Abraão 2:2)
(Gênesis 1 1 :27 -29)
I
I
REBECA
(Gênesis 22:23)
I .
LABÃO
(Gêncsis 24:29)
I
I
LÉIA
JACÓ
I
I
Através de Hagar, serva de Sara,
Abraão teve Ismael (ver Gênesis
1 7:20). Após o falecimento de Sara,
Abraão casou-se com Quetura, com a
qual teve seis filhos, os quais se acham
mencionados em Gênesis 25: 1 -2.
RAQUEL
(Gênesis 29: 1 6)
(vendeu sua primogenitura
a Jacó)
(Gênesis 25:29-34)
JACÓ: Pai das
SARAI
ISCÁ
BETUEL
ISAQUE
(Gênesis 1 8: 1 - 1 4; 2 1 : 1 -3)
Casou-se com Rebeca
(filha de Betuel)
(Gênesis 25:2 1 -26)
LÓ
MILCA
RÚBEN
SIMEÃO
�--
LÉIA
------1
(Gênesis 29:30-35)
(Gênesis 30: 1 7-2 1 )
LEVI
JUDÁ
ISSACAR
ZEBULOM
DINÁ (uma filha)
RAQUEL ----1 JOSÉ
(Gênesis 30:22-24)
(Gênesis 35: 1 6- 1 8)
I
I Casou-se com Asenate (Gênesis 41 :45)
I
BENJAMIM
DÃ
BILHA
(serva de Raquel)
(Gênesis 30:4-8)
ZILPA
-----l
(serva de Léia)
(Gênesis 30:9- 1 3)
NAFTALI
GADE
I
,
MANASSES
I
EFRAIM
I
(Gênesis 4 1 :50-52)
a tribo da primogenitura
(Gênesis 48)
LINHAGEM DE LEÍ
(Alma 1 0:3)
ASER
(Adaptado do artigo intitulado "The Family o f Abraham" , publicado em
Instructor, j aneiro de 1964.)
i
3900
3800
3700
3600
,
3500
3400
3300
3200
3100
3
�
� � 1.11. J � � I,\
,\, I?i \1\\ ,\",
\. 1 ""
,
1800
1700
1600
1500
1400
1300
1200
1100
,
I
ISRAEL
NO
EGITO
:
i
!
REINADO
DOS
JUÍZES
1000
900
EXÍUO
Sistema Monetário do
Velho Testamento
Embora, sem dúvida, alguma, os metais preciosos fossem
usados para fins de comércio , eles apenas faziam parte de
um sistema de intercâmbio baseado em troca, a qual
induía gêneros perecíveis ou duráveis . O dinheiro tornou­
-se de uso popular durante o sétimo século A . C . , porém
jamais conseguiu substituir a antiga forma de negociação.
Desde as épocas mais remotas, o ouro, a prata e o cobre
foram os metais mais usados para essa finalidade.
Entretanto, gradualmente foi-se desenvolvendo um
sistema melhor padronizado . Pesavam-se os metais e se
lhes examinava a qualidade. Os nomes de alguns deles se
tornaram também os das moedas, as quais originariamente
eram grosseiramente circulares e continham um sinete ou
efígie. O peso de tais moedas raramente era superior ao de
um sido de ouro ou de prata.
Moedas de prata
Gera
sido
20 geras
3000 sidos
=
=
1 sido
1 talento
1 sido
1 talento
Moedas de ouro
Gera
sido
20 geras
3000 sidos
=
=
1 sido
1 talento
O talento de ouro tinha apenas um pouco mais que a
metade do tamanho do talento de prata, porém pesava o mesmo.
•
1 sido
1 talento·
Medidas-padrão
de Volume
Medidas para Líquidos
Bato (22 litros ou 5 , 8 galões)
gg
lll\t\
VVV
gg
ggg
1 ômer (ou coro)
10 batos
" uma carga de jumento" (220 litros
ou 58 galões)
=
Him (3 ,66 litros ou 3,9 quartos de galão)
Cabo
Log (0,3 litros)
Medidas para Secos
Efa (22 litros ou 62 cestos)
5 efas
1 leteque (meio ômer)
( 1 10 litros ou 3 cestos)
=
Seá (7, 3 litros ou 6,6 quartos
de galão)
10 efas
1 6mer
(220 litros ou 6,2 cestos)
=
Pesos e
Medidas
Embora tanto Davi como Ezequiel tenham procurado
padronizar o sistema de pesos e medidas , jamais
conseguiram fazê-lo de modo completo . Alguns indivíduos
inescrupulosos tentaram tirar proveito dessa situação,
utilizando-se de dois tipos diferentes de peso . A fim de se
protegerem contra semelhante defraudação, não raro as
10 geras
1 beca
(aprox. 6 grs)
pessoas levavam consigo , numa bolsa ou saco , seu próprio
peso . A necessidade de ser usado tal procedimento fez com
que os profetas levantassem a voz em severas repreensões ,
pois era uma clara evidência da aviltante condição
espiritual em que se encontrava o povo israelita.
2 becas
1 siclo
(aprox. II grs)
A
AAAA
«::A:--A-=--A=-AAAA
AAAAAAA
AAAAAAA
AAAAAAA
AAAAA
50 siclos
1 mina
(aprox. 500 grs)
60 minas
1 talento
(aprox. 30 kg)
o siclo real, mais pesado que o comum ,
tinha 1 3 gramas . O duplo talento , de maior
peso , equivalia a 60 quilos .
Medidas
Lineares
1 . Côvado ou cúbito (medida que ia desde o
cotovelo até a ponta do dedo médio) :
45 cm . O côvado real era um palmo mais
longo que o comum: 52 cm. 6 cúbitos
equivaliam ao tamanho de um j unco .
2. Palmo (medida da mão aberta, desde o
polegar ao dedo mínimo): um palmo
era igual a meio côvado ou 23 cm.
3. 4 dedos (ou largura O .i mau na base dos
dedos) 7,6 cm .
4. Dedo ou dígito ( 1 14 da mão) 3/4 de
polegada ou 1 ,9 cm.
J
Antigo Calendário
Judaico
14?: Pãscoa, seguida pela
Festa dos Pães Asmos
(�xodo 12:6;
Lucas 22:13-20)
\
21?:
Primídas
(Sete semanas)
I
/
/
Equinócio de primavml
14?/15?: Purim
(Ester 9:26-28)
"'­
"'-
/
Pentecostes
Inicio
da colh�ita
da cevada
Estaçao
quente
Colheita
do trigo
de inverno
4�mes
Tamaz
Colheita de uvas,
timaras, figos e
azeitonas.
Iniciadas
5?mes
Abe
vindimas:
Números 13:20
8?mes
MwIIesh_
(Bul)
Colheita de
7?mes
TIsrI
(Etanim)
legumes,
milho, aIgodAo,
romIs e azeitonas.
Vmdima geral
lsaIas 32:10
25?: Festa das Luzes,
ou da Dedicação
(João 10:22)
15?-21?: Festa
dos Tabernáculos/Cabanas
(Neemias 8)
\
\
I?: Ano NovolToQue
das Trombetas
(Levítico 23:23-25)
.
!O?: Dia da Expiação
(Levítico 16:29-30)
lsaIas
18:4
o
Pl<I1\1:F.
n�O
LI VR
O DE
('IfA'\1
Af>()
1\1:0181':
8
Introdução
Para Nosso Benefício e
Instrução: A
Vantagem de Estudarmos
o Velho Testamento
(1-1) Introdução
Provavelmente não seria incorreto dizer que muitos
membros da Igrej a negligenciam o Velho Testamento
como livro de escrituras . Não é difícil compreender essa
atitude . O Velho Testamento é o livro de escrituras mais
extenso, tendo quase o dobro do tamanho do Livro de
Mórmon. Sua história e cultura são as mais distantes de
nossa época. Contém uma descrição precisa e detalhada da
lei mosaica, e algumas de suas ordenanças foram
cumpridas ou substituídas na dispensação atual pelas
ordenanças do evangelho restaurado. Conseqüentemente,
algumas partes desse livro, como as ext �nsas listas
.
.
.
genealógicas, censos e descrições mmuclOsas de ntuals
agora obsoletos, podem parecer insignificantes,
comparadas às outras escrituras . Vezes há, ainda, em que
a linguagem da tradução do Velho Testamento é arcaica e
difícil de ser entendida. Não é de admirar, portanto, que
muitos membros da Igreja, embora estej am familiarizados
com algumas de suas histórias, j amais tenham lido todo
este livro de escrituras . Não obstante, tanto os profetas
antigos como os modernos têm salientado o quanto ele é
valioso para ajudar os homens a conhecerem a Deus.
O apóstolo Paulo, comentando os atributos de .
.
Timóteo, declarou o seguinte : " . . . desde a tua mellllllce
sabes as sagradas letras " . (II Timóteo 3: 1 5.) Pelo que
sabemos, as únicas escrituras que Timóteo tinha a seu
dispor eram as que agora conhecemos como o Velho
.
Testamento . Observe o que Paulo declarou a esse respeito :
1. Elas podem tornar-nos sábios para a salvação . (Vej a
II Timóteo 3: 1 5.)
2. Foram dadas pela inspiração de Deus. (Vej a II
Timóteo 3 : 1 6.)
3. São proveitosas para ensinar, para repreender, para
corrigir e instruir em justiça. (Vej a o versículo 1 6)
4. Ajudam o homem de Deus a se tornar perfeito e
completamente preparado para toda obra. (Vej a II
Timóteo 3 : 1 7.)
Quando os rebeldes irmãos do profeta Néfi
.
ridicularizaram a idéia de que ele pudesse constrUIr um
navio que os levasse à terra prometida, Néfi confundiu-os,
citando exemplos que se encontravam nas placas de latão
(Vej a 1 Néfi 1 7 : 1 7-43). Estas continham escritos que .�emos
hoje em dia no Velho Testamento . Numa ou �ra oc �slao,
ele explicou que havia lido para seu povo mUItas cOisas
que estavam gravadas nas placas de l �t �o, entre elas os
escritos de Moisés e Isaías, com o obJetlvo de:
1. Aj udá-los a conhecer o que o Senhor havia feito em
outras terras, entre os povos antigos . (Vej a 1 Néfi 19:22.)
2. Melhor persuadi-los a acreditar no Senhor, seu
Redentor . (Vej a 1 Néfi 19:23.)
3 . Fazê-los aplicarem todas as escrituras a (si) para (seu)
proveito e instrução. (Veja I Néfi 1 9:23.)
1
Reflita em sua própria situação por um momento. Sua
motivaçüo para estudar as escrituras emana de um
profund,) desej o de aprender a respeito de Deus e dos atos
por ele fI!alizados entre os homens? Vo �ê está proc �rando
obter vigor espiritual nas escrituras, a fim de aperfeiçoar
sua vida. achegando-se mais a Cristo? Paulo e Néfi
declarar ilm que, como todas as outras escrituras, o Velho
Testamento ajudá-lo-á a alcançar os objetivos
mencion ados acima. Você gostaria de aprender mais sobre
nosso Pl:.i Celestial e aqueles que o serviram fielmente?
Então procure conhecer a história da vida dos profetas e
patriarcas. Você gostaria de ganhar inspiraçã?, através dos
exemplo:; de homens e mulheres que consegUIram
sobrepujar suas fraquezas e alcançar a perfeição? Leia o
que fizeram José, Abraão, Sara, Jó e inúmero � o �t �os
personagens bíblicos. Gostaria de encontrar prm.clplOs de
vivência diária que o aj udassem a achegar-se mais a Deus?
O Velho Testamento os tem em abundância. Gostaria de
conhecer melhor a Jeová, o Senhor Jesus Cristo, que veio
à terra para ser o nosso Redentor? Então leia o Velho
Testamento, pois ele, como as demais escrituras, testifica
de Sua d ivindade, amor e misericórdia.
o VELHO TESTAMENTO
É ESCRITURA
(1-2) O Velho Testamento, como Todas as Outras
Escritur3s, Foi Dado por Deus para o Nosso Benefício
"O Velho e o Novo Testamento, o Livro de Mórmon e
o livro de Doutrina e Convênios . . . são como um farol em
meio ao oceano, ou uma placa que indica o. caminho que
devemos trilhar . Para onde eles apontam? A fonte de toda
luz . . . Foi, com este obj etivo que foram escritos . Eles
provêm de Deus; são valiosos e necessários : através deles,
podemos estabelecer a doutrina de Cristo . " (Brigham
Young, em Journal of Discourses, Vol . 8, p. 1 29.)
(1-3) Como Todas as Escrituras, o Velho Testamento nos é
Edificante e Profundamente Benéfico Atualmente
"A Bíblia nos apresenta um retrato global da vida de .
seus persDnagens . Podemos esperar, portanto, que revele
algumas fragilidades humanas . Todavia, '!lui.tos de.ss.es
elementos humanos revelam genuínos deslglllos religIOSOS,
se os compreendermos à luz dos padrões sociais de sua
própria época.
.
.
"O aluno diligente que realmente aprecia a Blblla,
sempre a estudará considerando as valiosas contribuições
que suas mensagens podem transmitir à nossa vida
religiosa atual . Não podemos nos contentar ap �nas em ler
suas histórias como simples passatempo, mas sim
entesourá-las profundamente em nossas almas, para que
possam tornar-nos indivíduos melhores. Os registros da
,
20
Bíblia foram preservados devido à grande aj uda que
podem proporcionar ao homem , no sentido de aUl�iliá-lo a
desenvolver sua fé e estimulá-lo a seguir os mandamentos
do Senhor. O leitor que deixa de captar o significajo que
as histórias bíblicas têm para os tempos modernos, não é
um verdadeiro estudioso da Bíblia. " (Larsen , Introdução
de The Message of the Old Testament, pp. 35-36.)
(1-4) Como Todas as Outras Escrituras, o Velho
Testamento é Centralizado em Cristo
"Assim como Jesus testificou ,sobre Moisés , também
este prestou testemunho a respeito de Cristo , embora a
maior parte de seu testemunho não se encontre em nossa
Bíblia atual; não resta qualquer dúvida, porém , de que se
achava nas escrituras que eram lidas pelo povo do tempo
de Jesus .
"É um fate::> promovedor da fé observar o quanto os
ensinamentos que se encontram nos diversos livro�, de
escrituras são conformes entre si; como as revelaçêies
dadas em diferentes épocas se harmonizam , e como as
palavras dos profetas , não importando quando ou onde
viveram , testificam acerca de nosso Salvador Jesw: Cristo .
"Ao ser alvo dos críticos de seus adversários, o Senhor
respondeu-lhes, dizendo: 'Examinais as Escrituras, porque
vós ·cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que df! mim
testificam . ' (João 5 : 39. Itálicos acrescentados .)
"Ele nunca teria dito isto , se as escrituras que e�:tavam
ao alcance do povo daquela época não testificassem dele.
Conceituou-os a lê-las , para que pudessem, consci�ntizar­
-se de que os profetas a quem tanto veneravam, mas que há
muito haviam morrido, realmente predisseram sua vinda.
Testificaram sobre ele - o Salvador. E Moisés foi um
desses profetas...
"Observe que o Senhor citou tanto Moisés como os
outros profetas , dizendo que eles haviam declarado 'em
IOdas as escrituras as coisas concernentes a ele' ."
(Petersen , Moses, pp. 148-49.)
É/der Mark E. Petersen testifica que todas as escrituras apontam para Cristo
(1-5) Por Estar Centralizado em Cristo, o Velho
Testamento Revela Muitas Coisas a Respeito de Sua
Missão
" Se entendermos perfeitamente as escrituras , veremos
que elas estão repletas de referências a Cristo , e que todas
elas nos foram dadas com o intuito de indicá-lo como
nosso único Salvador. Não é apenas a lei; que é um aio
para Cristo ; nem os simbolismos que são sombras das
coisas vindouras relativas ao Cristo; nem ainda as
profecias e predições sobre o Cristo ; mas é o Velho
Testamento todo , q� é repleto da história de Cristo . Até
mesmo quando os personagens bíblicos não o
representavam, os eventos assim o fazem . Ainda que
alguém não conseguisse ver em Isaque ou em José um
simbolismo pessoal de Cristo , não poderia negar que o
oferecimento de Isaque em sacrificio l, ou a venda de José
ao Egito , bem como as medidas que tomou , necessárias ao
sustento de seus irmãos, são eventos representativos da
história de nosso Senhor. E assim , de fato , todo
acontecimento aponta para Cristo , pois ele é o principio , o
centro e o fim de toda história - 'o mesmo ontem , hoje e
para sempre' . Este fato nos ensina uma coisa: que a leitura
ou estudo das escrituras pode-nos ser proveitosa e eficaz
tão somente se, através delas , aprendermos a conhecer a
Cristo - 'o caminho, a verdade e a vida' para todos nós .
Para tanto , devemos pedir constantemente o auxílio e
instrução do Espírito Santo. " (Edersheim, Old Testament
Bible History, pp. 2-3 .)
(1-6) Embora Tenham Sido Retiradas Muitas Partes
Preciosas e Claras do Velho Testamento, Ele Conserva o
Essencial Admirávelmente Intato e Valioso
"A visão de Néfi , conforme se acha registrada no inicio
do Livro de Mórmon, nos ensina que muitas verdades
claras e preciosas que se achavam originalmente escritas na
Bíblia, foram retiradas desse volume sagrado muitos anos
antes de ele chegar às mãos dos gentios.
"Qual era seu conteúdo, antes de haver sido despojado
de passagens claras e preciosas? O que tornava tais
ensinamentos tão importantes?
" Certamente o Velho Testamento não era tão
fragmentário quanto o que temos hoje em dia. Ao
examinarmos o volume de informações contidas na Bíblia
atual , imaginamos como poderia conter ainda mais, pois
já é, em si, toda uma biblioteca.
"Não obstante, originalmente seu conteúdo doutrinário
era bem maior, e tornava o evangelho tão claro aos povos
antigos, que uma pessoa, por mais néscio que fosse, não
poderia entendê-lo erroneamente.
" Como era o Velho Testamento então?
"É óbvio que não podemos responder plenamente a
essa pergunta, mas encontraremos boa parte da resposta,
lendo cuidadosamente tanto o Livro de Mórmon como a
Bíblia.
" O que mais nos chama a atenção é que o Velho
Testamento , conforme estava originalmente escrito, ERA
UMA TESTEMUNHA DE CRISTO E DELE
TESTIFICAVA !
"Ele relatava a história da pregação do evangelho de
Jesus Cristo aos antigos povos de todas as dispensações
passadas.
21
" Se tivéssemos hoj e o Velho Testamento em sua forma
original, a humanidade teria uma testemunha poderosa
e infalível - de que Jesus de Nazaré era de fato o Cristo,
de que ele deu a lei a Moisés, de que era o Deus de
Abraão, Isaque e Jacó, e de que seu nascimento na
. mortalidade foi claramente predito de maneira detalhada
nas sagradas escrituras." ("Christ and the Old Testament" ,
Church Ne ws, 22 de j aneiro de 1 966, p . 1 6 . )
"A mão d o Senhor, entretanto, tem pairado sobre esta
obra de escritura, sendo notável que nos tenha chegado
nas excelentes condições em que a conhecemos . "
(Doutrinas de Salvação, Vol . III, p . 1 94.) Ele preparou um
meio de preservar a essência de sua mensagem sagrada,
apesar de todas as tentativas que os homens e Satanás têm
feito para destruí-la. O Senhor fez isto velando verdades
profundas no espírito de profecia (ver Alma 25 : 1 5- 1 6) . Em
outras palavras , o Senhor velou muitas verdades espirituais
em representações simbólicas, as quais só podem ser
interpretadas através do espírito de profecia, o qual é o
"testemunho de Jesus" (Apocalipse 1 9 : 1 0) . Muitas das
mais preciosas verdades não foram escritas com clareza,
para que aqueles que as teriam adulterado, não captassem
seu significado e as deixassem intatas.
Deste modo , grande parte do testemunho de Cristo foi
escondido dos inimigos de Deus, pois o homem natural
não tem acesso às "coisas do Espírito de Deus, porque lhe
parecem loucura; e não podem entendê-las, porque elas se
discernem espiritualmente" . (I Coríntios 2: 14.) O homem
perverso pode tentar corromper o evangelho do Senhor e
até mesmo ser capaz de retirar dele muitos esclarecimentos
escriturísticos que identificam claramente a Jesus como o
Cristo ; todavia, a interpretação de escrituras que requerem
o uso do Espírito - as coisas simbólicas , sutis e poderosas
- ilude-lhe os sentidos. Considerando estes fatos, o Élder
Mark E. Petersen sugeriu:
"Apesar de todos os problemas que ocorreram na sua
formação , a Bíblia não deve ser de forma alguma
desprezada. Ela é a palavra de Deus, e embora suas
diversas traduções tenham obscurecido um pouco o seu
significado, e muitas verdades "claras e preciosas " tenham
sido dela retiradas , ainda é um guia milagroso e inspirado
para todos aqueles que a lêem.
" Quando suplementada por escrituras modernas, como
o Livro de Mórmon indica que aconteceria, ela pode
ensinar-nos a trilhar os caminhos que levam à salvação
eterna." (As Translated Correctly, pp. 1 6- 1 7.)
�
SETE CHAVES PARA
ENTENDER O
VELHO TESTAMENTO
(1-7) Chave 1: O Estudo Fervoroso , Diligente e Constante
é o Fator Principal para se Entender as Escrituras
" Examinem as escrituras ; examinem as revelações que
publicamos, e peçam ao Pai Celestial, em nome de seu
Filho Jesus Cristo, que lhes manifeste a verdade; e se o
fizerem com os olhos fitos na sua glória, nada duvidando,
Ele lhes responderá pelo poder do seu Santo Espírito.
Assim, saberão por si mesmos e não por intermédio de
outros . Não dependerão mais do homem para conhecer a
Deus, nem haverá lugar para espéculações . Não ; porque,
quan do os homens recebem instruções daquele que os fez,
sabem como Ele os salvará. E é por isto que repetimos :
Examinem a s escrituras ; examinem a s profecias e
verifiquem o que se aplica a vocês . " (Smith,
Ensinamentos, pp . 1 3 - 14.)
(1-8) Chave 2: Além d e um Estudo Fervoroso, Deve Haver
o Compromisso de Vivermos os Mandamentos
" .. . não basta apenas lermos as escrituras e conhecê-las .
É importante que guardemos os mandamentos, que
sejamos cumpridores da palavra, e não apenas ouvintes . A
grande promessa que o Senhor nos deu deve ser suficiente
para estimular-nos a conhecê-lo e a fazer a sua vontade:
" 'E todos os santos que se lembrarem e guardarem e
fizerem estas coisas , obedecendo aos mandamentos,
receberão saúde para o seu umbigo e medulas para os seus
ossos ;
" 'E acharão sabedoria e grandes tesouros de
conh,!cimento, até mesmo tesouros ocultos ;
" 'E correrão e não se cansarão , caminharão e não
desfalecerão.
" 'E eu, o Senhor, lhes faço a promessa de que o anjo
destruidor os passará como aos filhos de Israel, e não os
matará. ' (D&C 89: 1 8-2 1 .)
" Que esta gloriosa promessa torne-se uma realidade
para : � ós, ao examinarmos as escrituras e encontrarmos o
caminho que conduz à vida eterna." (N. Eldon Tanner ,
" Right Answers : First Presidency Message" , Ensing,
outubro de 1 973, p. 6.)
(1-9) Çhave 3: As Escrituras Modernas Esclarecem Muitas
Pass2.gens do Velho Testamento
"A revelação moderna é a chave para se entender o
Velho Testamento , visto que ele ainda conserva seu sabor
e intento originais. Isto é, temos certeza de que o texto da
revelação moderna apresenta as inferências e
entendimentos que o Senhor desej a que esta geração
possua. As revelações dadas ao Profeta Joseph Smith,
diretamente aplicáveis ao Velho Testamento, são de pelo
menos três tipos diferentes :
" 1 . A restauração e tradução de documentos antigos ,
tais como o Livro d e Mórmon e o Livro d e Abraão.' Estes
dois l ivros, como a Bíblia, tiveram origem no mesmo
ambiente do mundo antigo , havendo sido traduzidos para
o nosso uso nesta dispensação por um profeta de Deus.
Por ii;so, podemos ter certeza de que a sua tradução é
correra.
"2 A restauração dos escritos de certos profetas do
Velho Testamento , mas sem que Joseph Smith tivesse em
mãos os documentos originais . Esses escritos incluem o
Livro de Moisés , contendo as visões e escritos de Moisés , e
uma profecia de Enoque, revelados ao Profeta Joseph;
não s,e trata, contudo, de tradução de documentos antigos,
no ffiI!smo sentido como foram o Livro de Mórmon ou o
Livro de Abraão.
" 3 . Revelações divinas concedidas ao Profeta Joseph
Smith sobre acontecimentos e/ou personagens do Velho
Testamento. Muitas das revelações em Doutrina e
Convênios, embora não sejam traduções de documentos
bíbliCos, comentam ou iluminam nosso entendimento a
respeito de personagens e acontecimentos bíblicos. Nas
seções 84, 1 07 e 1 32, por exemplo, encontramos revelações
que muito nos ajudam a entender o Velho Testamento .
..
22
"Assim, .os sant.os d.os últim.os dias dispõem de mui ta
inf.ormaçã.o referente a.o Velh.o Testament.o, e seriam
injust.os para c.onsig.o mesm.os, se deixassem de utilizar
t.odas essas f.ontes em seu estud.o.
"As revelações feitas a.o Profeta J.oseph Smith
testificam que a história bíblica, em essência, é c.orreta,
emb.ora nã.o seja c.ompleta. " (R.obert J. Mattheus,
" Revelaçã.o M.oderna: Uma Janela Para .o Velh.o
Testament.o" A Liahona, julh.o de 1 974, pp . 1 8- 1 9.)
(1-10) Chave 4: O Entendimento de que os Povos
Primitivos Conheciam o Evangelho nos Proporciona 111m
Meio de Interpretar Corretamente os Seus Ensinamentos
"Certas pess.oas crêem que .o Velh.o Testament.o em ina e
apresenta alguns c.onceit.os te.ológic.os e étic.os bastante:
rudimentares . Tal afirmativa p.ode parecer lógica para . .os
que julgam que as religiões sã.o meras instituições s.ociais
que ev.oluíram e se desenv.olveram c.om .o passar d.os
sécul.os . Mas , para .os que c.onsideram a religiã.o c.om.o
te.ol.ogia revelada e um códig.o de ética divin.o , c.ontend.o
verdades abs.olutas que n.os dã.o a perspectiva eterna d .o
que é cert.o .o u errad.o, essa declaraçã.o relativa a .o Velh.o
Testament.o nã.o é lógica nem aceitável . . .
" . . . O Velh.o Testament.o n.os ensina grandes princípi.os .
Durante .o seu ministéri.o terren.o, Jesus us.ou-.os , cit.oUI-.oS e
rec.omend.ou a seus discípul.os que .os c.ol.ocassem em
prática.
"P.or exempl.o, recordem.os a .ocasiã.o em que ele ha.via
acabad.o de repreender alguns saduceus p.or nã.o
c.onhecerem as escrituras. (Ver Marc.os 12:24.) Outro
inquirid.or levant.ou-se .ostensivamente, tentand.o descobrir
.o que Jesus achava d.os ensinament.os da lei m.osaica, l e
pergunt.ou: 'Qual é .o primeiro de t.od.os .os mandament.os?
" 'E Jesus resp.ondeu-lhe: .o primeir.o de t.od.os .os
mandament.os é : Ouve , Israel, .o Senh.or n.oss.o Deus é .o
únic.o Senh.or:
" 'Amarás, p.ois, a.o Senh.or teu Deus de t.od.o .o teu
c.oraçã.o, de t.oda a tua alma, e de t.od.o .o teu
entendiment.o, e de t.odas as tuas f.orças : este é .o primeiro
mandament.o .
" 'E .o segund.o, semelhante a este , é: Amarás .o teu.
próxim.o c.om.o a ti mesm.o . Nã.o há .outro mandament.o
mai.or d.o que estes . ' . . . (Marc.os 12:29-3 1 .)
"Estes grandes princípi.os de am.or enc.ontravam-se n.o
Velh.o Testament.o. P.odem.os ainda achá-l.os nas versôes
feitas, em Deuteronômi.o 6:4-5 e Levític.o 1 9: 1 8 . Veja
também alguns ensinament.os a respeit.o deles em
Deuteronômi.o 10: 1 2 e 30:6 e em Levític.o 1 9 : 34 . . .
"Entretant.o, muitas pess.oas h.oje em dia acham que
estes d.ois mandament.os sã.o d.outrinas d.o N.ov.o
Testamento. Nã.o há dúvida de que f.oi Jesus , realmente,
que .os deu a.os h.omens, mas numa ép.oca bem anterior à
d.o N.ov.o Testament.o . " (Ellis T. Rasmussen, "The
Unchanging G.ospel .of Tw.o Testaments" , Ensign, .ou tubr.o
de 1 973 , pp . 24-27 .)
(1-11) Chave 5: Entender a Natureza de Deus nos
Proporciona um Discernimento Especial
Muitas pess.oas nã.o apreciam .o Deus d.o Velh.o
Testament.o, c.onsiderand.o-.o vingativ.o, desapiedad.o I!
diferente d.o Deus am.oros.o d.o N.ov.o Testament.o . Não
.obstante, .o sever.o ser divin.o d.o antig.o c.onvêni.o é .o
mesm.o Jesus miseric.ordi.os.o que vei.o n.o meridian.o d.os
temp.os . Para rec.onciliarm.os este aparente parad.ox.o, basta
n.os lembrarm.os de que ele é .o mesm.o Deus, e Deus nã.o
muda. Ele é .o mesm.o h.oje, .ontem e para sempre (ver
D&C 20: 1 2) . C.om.o .o própri.o Jesus declar.ou, ele "nã.o
anda p.or sendas t.ortu.osas, nem se v.olta à direita .ou à
esquerda, nem se desvia daquil.o que fal.ou, p.ortant.o, suas
veredas sã.o retas, e .o Seu caminh.o, um círcul.o etern.o ".
(D&C 3 :2; ver também Tiag.o 1 :7.) Portant.o, .o Deus d.o
Velh.o Testament.o é tão amável, c.ompassiv.o e am.oros.o
c.om.o .o Deus d.o N.ov.o Testament.o; mas, p.or .outro lad.o,
.o membr.o da Deidade retratad.o n.o N.ov.o Testament.o
ab.ominava tã.o severamente .o pecado quant.o .o Deus d.o
Velh.o Testament.o. Por quê? Porque .os d.ois sã.o a mesma
pess.oa ! Se tiverm.os este fat.o em mente, terem.os maior
capacidade de interpretar .os mandament.os, atitudes e
desígni.os d.o grande Je.ová.
Embora muit.os aut.ores bíblic.os m.odern.os afirmem que
alguns event.os, c.om.o .o dilúvi.o , .ou a .ordem que J.osué
recebeu de destruir .os cananeus, quand.o c.onduziu .o p.ov.o
de Israel à terra pr.ometida, pr.ovem que .o Deus d.o Velh.o
Testament.o é rig.or.os.o e vingativ.o, .os sant.os d.os últim.os
dias p.odem dizer, c.ontrariand.o essa afirmativa: "Eu sei
que Crist.o tem um perfeit.o am.or a t.oda a humanidade . "
O que p.odem.os aprender, p.ortant.o, c.om a maneira c.om.o
ele trat.ou .os h.omens p.or .ocasiã.o d.o dilúvi.o e c.om .o
mandament.o recebid.o p.or J.osué? Este process.o de
aprendizagem é muit.o produtiv.o, quand.o t.omam.os a
firme decisã.o de c.onhecer melh.or a Deus . (Ver a Seçã.o
Especial A, " Quem é .o Deus d.o Velh.o Testament.o? ")
(1-12) Chave 6: A Natureza e Propósitos dos Convênios
que Deus Fez com Seus. Filhos São Muito Importantes
Algumas medidas que Deus t.om.ou c.oncernentes a.o
p.ov.o d.o Velh.o Testament.o tinham .o .objetiv.o de
estabelecer e manter c.onvêni.os. O Senh.or amava tant.o a
justiça, que c.oncedeu à semente de Abraã.o .o privilégi.o de
participar d.o c.onvêni.o e de t.odas as .obrigações, direit.os e
p.oderes inerentes a ele . Através desse c.onvêni.o, eles
p.oderiam separar-se das c.oisas d.o mund.o, t.ornand.o-se um
p.ov.o sant.o .ou divin.o . Observand.o .o c.onvêni.o e
estendend.o suas bênçã.os a seus semelhantes, .os h.omens
asseguravam para si as bênçã.os e proteçã.o de Deus .
Devid.o à grande misericórdia d.o Senh.or, ele prometeu a.os
just.os que manteria a aliança que fizera, se eles cumprissem
.os term.os nela estabelecid.os .
P.or .outr.o lad.o, se .o p.ov.o vi.olasse .o c.onvêni.o e
rejeitasse seu Deus nã.o s.omente deixaria de ser abenç.oad.o,
mas também inc.orreria na ira d.o Senh.or. Nã.o devem.os
admirar-n.os, p.ortant.o, a.o ver .os pr.ofetas rec.ordarem
c.ontinuamente a Israel .os c.onvêni.os que ela havia feit.o , e
adm.oestarem .o p.ovo a ser fiel a eles. Esse c.onceit.o é de
imp.ortância vital para entenderm.os a mai.or parte das
c.oisas que ac.ontecem n.o Velh.o Testament.o . (Veja a Seçã.o
de Aprim.orament.o B, "Os C.onvêni.os e .o Mei.o de Fazê­
-l.os : A Chave Para a Exaltaçã.o . ")
(1-13) Chave 7: Uma Parte Importante do Estudo das
Escrituras é nos Colocarmos no Lugar dos Personagens
Antigos ao Lermos o Velho Testamento
"Meus amad.os irmã.os e irmãs, ledes as escrituras c.om.o
se as estivésseis escrevend.o há mil, d.ois mil .ou cinc.o mil
an.os atrás? Ledes c.om.o se estivésseis n.o lugar d.os h.omens
que as escreveram? Se assim nã.o fazeis , tendes .o privilégi.o
de fazê-l.o para que p.ossais estar tã.o familiarizad.os c.om .o
23
significado das palavras escritas por Deus, como estais
com vossos pensamentos e conversas diárias, ou com
vossos empregados e familiares . Podeis, assim , entender o
que os profetas compreenderam e tinham em mente - o
que eles pretendiam e planejavam fazer em beneficio de
seus irmãos.
"Quando puderdes sentir isso em vossos corações, então
podereis começar a ter a idéia de que podeis descobrir algo
a respeito de Deus e começareis a aprender a respeito
dele. " (Brigham Young em Journal of Discourses, vol. 7,
p . 333 .)
PONTOS A PONDERAR
estud ar o Velho Testamento. Não seria isto colocar em
prática o que Néfi quis dizer, quando declarou que
que �pliquei todas as escrituras a nós ?
(1 Né fi 1 9:23 .)
"
"
(1-16) Morôni aconselhou àqueles que desejam ter um
testemunho pessoal do evangelho que "vos lembrardes de
quão misericordioso tem sido o Senhor para com os filh os
dos homens, desde a criação de Adão". (Morôni
10:3.) Por que ele nos deu tal advertência? O que há de tão
importante na mensagem do Velho Testamento para uma
pesso,a que se esforça a fim de obter um testemunho
pessoal? Aliste quatro ou cinco conceitos práticos
importantes que poderia encontrar no Velho Testamento e
que o ensinaria a ser um cristão melhor .
(1-14) Uma das escrituras mais freqüentemente citadas é
Isaías 55:8-9. Muitas vezes, todavia, limitamo-nos a esses
dois versículos e deixamos de entender todo o seu
contexto . Leia agora os versículos 10 e 1 1 . O que o Senhor
quis dizer, quando declarou que sua maneira de fazer as
coisas é diferente da dos homens? (Observe especialmente
o versículo 1 1 .) O que o Senhor quis dizer, quando
afirmou que sua palavra " fará o que me apraz" , e como
essa declaração se aplica ao Velho Testamento?
Considerando este ensinamento, como responderia agora a
alguém que lhe dissesse: "O Velho Testamento é muito
dificil; ele preci�a ser simplificado e melhor esclarecido?"
(1-17) O Presidente Spencer W. Kimball deu a seguinte
admoestação a todos os membros da Igrej a :
" Insisto, com todo o povo desta Igrej a, e m que dê séria
atençiio às histórias familiares , que os pais e avós sej am
incentivados a escrever seus diários, e que ninguém faleça,
sem deixar suas memórias para seus filhos, netos e demais
pósteros . Este é um dever e uma responsabilidade, e
conceito a todos a que comecem a fazer com que as
crianç:as também escrevam uma história pessoal e um
diário . " ("O Verdadeiro Caminho da Vida e Salvação " ,
A Liahona, outubro de 1 978, p . 5.)
(1-15) Leia novamente o segundo parágrafo da Leitura
1-3, e todo o texto da 1 - 1 3 . Nesta introdução . Medite por
alguns instantes a respeito de como podemos colocar-nos
no lugar dos personagens antigos e permitir que as
escrituras "alcancem o íntimo de nossas almas" . (Larsen,
introdução de The Message of the Old Testament, p. 367 . )
Aliste algumas medidas práticas que você pode tomar no
sentido de aplicar esse conceito em sua própria vida, ao
Se você ainda não começou a manter um diário pessoal ,
agora é uma excelente oportunidade para fazê-lo . Faça
com que seu estudo do Velho Testamento seja parte de seu
diário . Registre nele os ensinamentos especiais que
conse:�uiu aprender, as coisas que mais o impressionaram
ou ap enas o que sentiu ao estudá-lo . Você verá que seu
estudo do Velho Testamento será grandemente realçado
pelas anotações que fizer em seu diário, e vice-versa.
Gênesis 1-2
A Criação
(2-1) Introdução
Adão e Eva foram o ponto culminante da Criação .
Contudo, faça uma pausa e reflita por um momento na
criação em si . Era o Pai dirigindo a formação de um lar
para seus filhos. Depois de terminado, afirmam os
registros bíblicos com maravilhosa simplicidade : "E viu
Deus tudo o quanto tinha feito, e eis que era muito bom"
(Gênesis 1 : 3 1 ) . E assim tem sido este lar durante os
milhares de anos que j á se passaram . A terra é um lugar de
beleza e abundância, um lugar que se auto-renova e de
constante recriação . Ela tem sido a morada mortal de
bilhões de pessoas , e ainda é capaz de suster muitos outros
bilhões .
Medite por alguns instantes em seu próprio
relacionamento com Adão e Eva - os seus avós tão
distantes . Os milênios que o separam deles tornaram-nos
personagens irreais para você, como os protagonistas
fictícios de um conto? Eles são reais e estão vivos . Adão
retornará à terra antes do Milênio para presidir, sob as
ordens de Cristo, o grande conselho de Adam-ondi­
-Ahman (vej a Daniel 7; D&C 1 1 6) , e conduzir os exércitos
do Deus Todo-Poderoso no combate que será travado
contra as hostes do maligno, na última grande batalha que
será travada na terra. (Vej a D&C 88: 1 1 2- 1 1 5 . )
O mundo quer fazê-lo acreditar que Adão e Eva foram
seres primitivos e supersticiosos , que foram responsáveis
pela Queda devido à imoralidade, ou ainda que são
personagens místicos ou imaginários. Mas, ao ler a respeito
deles , lembre-se da opinião do Senhor sobre estas duas
grandes almas . Imagine as características especiais que
deviam possuir para serem escolhidos como nossos
precursores .
Você provavelmente já teve a oportunidade de ler
muitas vezes acerca da criação , mas , ao estudá-Ia de novo ,
pense no que ela hoje realmente significa para você.
Instruções aos Alunos
1 . Ao ler e estudar Gênesis 1 -2, utilize o auxílio .que
as Notas e Comentários podem oferecer-lhe.
2. Porque os registros paralelos que se encontram em
Moisés 1-3 e Abraão 4-5 contêm informações valiosas e
importantes não encontradas em Gênesis, eles devem
ser lidos e estudados em conexão com o relato de
Gênesis. (O livro de Moisés e o de Abraão serão
estudados detalhadamente no Curso de Religião 327 ,
sobre a Pérola de Grande Valor.)
3. Complete a seção de Pontos a Ponderar,
conforme as orientações que l he forem fornecidas pelo
professor. (Os alunos que estudam individualmente
devem completar toda a seção. )
2
NOTAS E COMENTÁRIOS
SOBRE GÊNESIS 1-2
(2-2) Gênesis 1 : 1 . Quando foi o "princípio" ?
Pelo menos dois pontos importantes devem ser
esclarecidos a respeito destas palavras iniciais da Bíblia:
Prim eiro , o termo "no princípio" é de natureza relativa
e não s: gnifica o ponto de origem de toda a eternidade, se
é que pode haver tal coisa . O Senhor disse a Moisés que
falaria somente acerca desta terra (vej a Moisés 1 :40) . As
criaçõe s de Deus são inúmeras e incontáveis para o homem
(vej a Moisés 1 : 37; 7: 30) , e muitos mundos já "deixaram
de exist ir" (Moisés 1 :35). Assim sendo , o termo "no
princip io" refere-se somente ao início deste mundo . O
Preside nte Brigham Young explicou:
" Quando houve um começo? Jamais houve um ; se
houves:;e, haveria um fim; porém j amais houve um
começo; por conseguinte, nunca haverá um fim; assim é a
eternidade . Quando falamos a respeito do inicio da
eternidade , é uma conversa bastante simplória, e vai muito
além da capacidade humana. (Discursos de Brigham
Young, p . 47 . )
Segu ndo, a criação deste mundo não foi o verdadeiro
princip io da existência daqueles que viriam habitar este
planeta . Antes que fossem estabelecidos os alicerces desta
terra, e les viveram como filhos espirituais de pais celestes,
num es tado de existência pré-mortal . O Presidente Joseph
F. Smit h declarou:
" De onde viemos? De Deus. Nossos espíritos existiam
antes d,� virem a este mundo . Eles estiveram presentes nos
conselh os dos céus antes de serem estabelecidos os
alicerce s desta terra . . . Elevamos cânticos jubilosos na
ocasião em que foram estabelecidos os alicerces desta
terra, na ocasião em que foi delineado o plano de nossa
existência terrena e de nossa redenção . . . Não resta
qualqw!r dúvida de que estávamos presentes naquele
conselh o celestial e presenciamos aqueles maravilhosos
acontecimentos . . . e quando Satanás se ofereceu para ser o
salvador deste mundo , se, em troca, recebesse a honra e
glória (.0 Pai , por ter-nos resgatado . . .
Inquest ionavelmente, assistimos ao desenrolar daquelas
cenas e delas participamos, pois estavamos vitalmente
interessados no estabelecimento destes grandes planos e
desígnios, os compreendíamos, e foi para o nosso bem que
eles foram decretados e serão consumados . " (Citado por
Ludlow, em Latter-day Prophets Speak , pp . 5 -6.)
Assim sendo , toda a humanidade existiu , durante um
períodcl de tempo de duração desconhecida, muito antes
deste m undo ser criado (vej a D&C 49: 16- 17). O Presidente
Kimball esclareceu :
"A " ida transcorreria em três partes ou estágios : pré­
-mortal , mortal e imortal . O terceiro est ágio incluiria a
exaltaç;io - vida eterna com divindade - para aqueles
26
que magnificassem sua existência mortal . Tudo o que
fosse realizado em um estágio afetaria vitalmente o � stágio
ou estágios seguintes . Se a pessoa conservasse seu pr imeiro
estado, ser-lhe-ia permitido viver o segundo , que é a vida
mortal, como um período posterior de provação e
experiência. Se magnificasse o segundo estado, sua
experiência terrena, a vida eterna estaria à sua espera.
Com essa finalidade, os homens passam por numero sas
provações durante o estágio mortal - "para ver se des
farão todas as coisas que o Senhor seu Deus lhes mandar" .
(Abraão 3 :25 .)
"Nós, mortais, que agora vivemos nesta terra, estamos
passando por nosso segundo estado . O fato de estarmos
aqui com corpos mortais , por si só, atesta que
"guardamos" nosso primeiro estado . A matéria de nosso
espírito era eterna e coexistente com Deus, mas foi
organizada em corpos espirituais pelo Pai Celestial . 'l"ossos
corpos espirituais passaram por um longo período d,�
crescimento, progresso e treinamento , e por termos
passado no teste, fomos finalmente admitidos a esta terra
e à mortalidade. " (O Milagre do Perdão , p. 1 6 . )
Este "longo período de progresso e desenvolvimento"
certamente deve ter exercido grande influência no que o
homem é agora. Por exemplo , o Presidente Brigharn
Young salientou que todos os homens sabem que há um
Deus, embora alguns deles tenham esquecido que o
conhecem . Ele declarou :
" Quero dizer a cada um de vós, particularmente, que
conheceis muito bem vosso Deus, nosso Pai Celestia l, ou o
grande Eloim . Estais bem familiarizados com ele , pois não
existe uma só alma entre todos vós , que não tenha v ivido
em sua morada e habitado com ele durante muitos anos;
todavia, estais procurando familiarizar-vos com ele,
quando o fato é que meramente esquecestes o que sabíeis.
"Não existe uma só pessoa aqui, que não sej a um filho
ou filha daquele Ser . " (Discursos de Brigham Young,
p . 50.)
(2-3) Qual é a Idade da Terra?
"Mesmo levando-se em conta que o capítulo 1 de
Gênesis não descreve o principio de todas as coisas , ou
mesmo a origem da humanidade, mas somente o iní cio
desta terra, não podemos afirmar com certeza quando ela
se originou . Em outras palavras, as escrituras não
fornecem informação suficiente para determinarmo:; de
maneira exata a idade da terra. Falando
generalizadamente, aqueles que aceitam os registros das
escrituras defendem uma das três teorias básicas a n:speito
da idade deste planeta. Todas as três dependem de como é
interpretada a palavra dia, usada no relato da criaçã.o .
A primeira teoria salienta que a palavra dia deve �,er
entendida como a usamos atualmente, e que, portanto,
significa um período de 24 horas . De acordo com ela,
a terra foi criada em uma semana, ou 1 68 horas .
Considerando esta hipótese, a terra teria aproximadamente
seis mil anos de idade. (Muitos eruditos concordam que
transcorreram cerca de quatro mil anos de Adão até
Cristo , e mais ou menos dois mil anos de Cristo até a
época atual .) Pouquíssimas pessoas, tanto membros da
Igreja como de outras religiões , aceitam esta idéia, I,ois as
evidências de que o processo da Criação foi bem mé'.is
longo, são bastante substanciais .
A segunda teoria afirma que Abraão aprendeu, através
do Urim e Tumim , que Kolob , a estrela que se encontra
mais próxima do trono de Deus, tem um período de
revolução que dura mil anos terrestres (ver Abraão 3 : 2-4) .
Em outras palavras , poderíamos dizer que, para o Senhor
um dia é igual a mil anos do planeta Terra. Outras
escrituras também apóiam esta teoria (Salmos 90:4;
II Pedro 3 : 8 ; Fac-símile n ? 2 do Livro de Abraão ,
figuras 1 , 4) . Se a palavra dia, do livro de Gênesis , foi
usada neste sentido, então a terra teria aproximadamente
13 mil anos de idade (sete dias de mil anos cada, relativos à
criação , mais cerca de seis mil anos desde a queda de
Adão) . Alguns vêem D&C 77: 1 2 como apoio adicional a
essa teoria.
Sala da criação no Templo de Los Angeles
Embora a maior parte dos geólogos, astrônomos e outros
cientistas acreditem que até mesmo este extenso período de
tempo não é suficientemente adequado para esclarecer as
evidências físicas que se encontram na terra, existe um
pequeno número de eminentes estudiosos que discorda das
afirmações de tais cientistas . Eles argumentam que a
cronologia geológica está sendo mal interpretada, e que as
tremendas catástrofes que ocorreram na história da terra
aceleraram o processo que normalmente levaria milhares
de anos para se completar . Eles citam evidências apoiando
a' idéia de que treze mil anos não é um período de tempo
irrealístico . O escritor Immanuel Velikouski, por exemplo ,
escreveu três livros reunindo evidências de que ocorreram
levantamentos catastróficos da crosta terrestre em épocas
recentes da história deste planeta, e manifestou sua
opinião em contrário à idéia de que os processos naturais
que hoje vemos sempre existiram aproximadamente no
mesmo índice de uniformidade. Os livros são Worlds in
Collision, Ages in Chaos, e Earth in Upheaval. Dois
cientistas SUD, Melvin A. Cook e M. Garfield Cook,
também defenderam esta teoria em seu livro intitulado
Science and Mormonism. Um breve resumo da idéia desses
autores foi abordada no artigo "How Old is the Earth? " ,
de Paul Cracroft, publicado na Improvement Era de
outubro de 1 964, pp. 827-30, 852.
Uma terceira teoria afirma que a palavra dia se refere a
um período de tempo de duração indeterminada,
sugerindo assim, uma era. A palavra hebraica para dia
usada no relato da criação pode ser traduzida como "dia"
no sentido literal, mas também pode ser empregada para
indicar um período de tempo indeterminado . Abraão
declarou que os deuses chamaram aos períodos de criação
de dias . (Vej a Abraão 4 : 5 , 8 . )
27
Se esse foi o sentido em que Moisés usou a palavra dia,
então o aparente conflito existente entre as escrituras e a
maior parte das evidências apresentadas pelos cientistas
apoiando a idéia de que a terra é de idade avançada, fica
facilmente resolvido . Cada era ou dia da criação poderia
ter durado milhões ou até mesmo centenas de milhões de
anos terrenos, e assim sendo , não haveria qualquer
problema em aceitarmos o uniformitarismo* . (A maior
parte dos livros didáticos relativos à história natural
podem nos dar excelentes informações a respeito da
maneira pela qual é contada a idade da terra. )
Embora sej a interessante aprendermos estas diversas
teorias , oficialmente a Igrej a não tomou posição alguma
com referência à idade da terra. Por motivos que só ele
conhece, o Senhor ainda não achou apropriado revelar
formalmente os detalhes relativos à criação . Por
conseguinte, embora os santos dos últimos dias sej am
encoraj ados a aprender as verdades existentes nos
inúmeros campos de estudo (veja D&C 8 8 : 77-79) , não é
j ustificável tentar estabelecer qualquer teoria como sendo
a posição oficial da Igrej a concernente ao assunto.
(2-4) Gênesis 1:1. Quem Criou a Terra?
Embora os registros bíblicos indiquem que Deus criou
os céus e a terra, há informações adicionais que revelam
exatamente qu-::m foi o autor .
Numerosas escrituras indicam que Jeová, ou Jesus
Cristo na vida pré-mortal , foi quem realmente recebeu a
responsabilidade de executar a obra da criação , não
somente desta terra, mas também de inúmeras outras .
Deus explicou o seguinte a Moisés : "E criei mundos sem
número, e também os criei para o meu próprio intento ; e
por meio do Filho, que é o meu Unigênito, eu os criei . "
(Moisés 1 : 3 3 .)
Ao criar a terra, Jeová, ou Cristo , foi aj udado por
Miguel . O Élder Bruce R. McConkie nos explica quem era
Miguel :
" Nosso grande príncipe, Miguel, conhecido na
mortalidade como Adão, é o segundo após Cristo no
plano de salvação e progresso eterno . Na existência pré­
-mortal Miguel foi o mais inteligente e mais poderoso filho
espiritual de Deus, com exceção apenas do Primogênito,
sob a direção e conselhos de quem ele trabalhou, e recebeu
• (n . t . ) Doutrina que explica o passado geológico da terra por causas
análogas às que aluam hoje.
a missão de vir a esta terra. ' Ele é o pai da família humana
e preside sobre os espíritos de todos os homens. '
(Ensinamentos, p . 1 5 3 . ) O nome Miguel aparentemente, e
com toda a propriedade, significa 'alguém que é
semelhante a Deus ' .
" Mig uel desempenhou um papel importante na criação
da terra , sendo superado apenas por Jesus Cristo . "
(Mormon Doctrine, p . 49 1 .)
Abra-io registra que, entre muitos espíritos pré-mortais
"nobre!; e grandes " , havia um " que era semelhante a
Deus " , que disse a eles : " Desceremos . . . e tomaremos
destes materiais e faremos uma terra onde estes possam
morar . " (Abraão 3 :22, 24. Itálicos acrescentados . ) Esta
passagem sugere que outros personagens , além de Miguel ,
aj udaram na Criação . O É lder Joseph Fielding Smith
ensinou :
" É vt,rdade que Adão aj udou a formar esta terra,
trabalhé.ndo com nosso Salvador Jesus Cristo . Tenho uma
forte impressão ou convicção de que havia outros que
também aj udaram . Quem sabe Noé e Enoque; e por que
não Joseph Smith , e os designados para governantes antes
de a terra ser formada? " (Abraão 3 :24.) (Doutrinas de
Salvação, Vol . I , p . 82.)
(2-5) Gênesis 1:1. Que Significa a Palavra Criar?
O termo hebraico que foi traduzido por "criar" em
Gênesis 1 : 1 , significa formar, moldar , criar; sempre
referindo-se à atividade divina. O Profeta Joseph Smith
esc!arect:u o seguinte:
" Se perguntardes aos cultos doutores que afirmam que
o mundo foi feito do nada, responderão : 'Acaso não diz a
Bíblia que ele criou o mundo? ' Eles inferem do verbo criar
que deve necessariamente ter sido feito do nada. Bem , a
palavra ,;riar provém do termo baurau, que não significa
criar do nada; quer dizer organizar; a mesma coisa como
se o homem organizasse materiais e construísse um navio .
Dali, deduzimos que Deus dispunha de materiais para
organizar o mundo dentre o caos - matéria caótica, que é
elemento , e no qual habita toda a glória . O elemento
existe, d,esde que ele próprio (Deus) existe . Os puros
princípios de elemento são indestrutíveis ; podem ser
organiza dos , reorganizados, mas nunca destruídos . Não
tiveram inicio e não poderão ter fim . " (Ensinamentos,
pp . 341 -42.)
28
(2-6) Gênesis 1 :2. Por Que o Espírito "Se Movia" sobre a
Face da Terra, que "Era Sem Forma e Vazia" ?
(2-7) Gênesis 1 :6-8. Que É a "Expansão" e que São as
Duas " Águas" ?
" Depois que a terra foi organizada e formada, ela não
era, de forma alguma, sem forma e vazia; muito pel o
contrário, como diz o texto hebraico e através do rei.ato de
Abraão , ela era 'vazia e desolada' . De fato, no ponto em
que começa a descrição da preparação da terra para ser
u'a morada adequada p ara o homem, ela se encontrava
envolvida pelas águas , sobre as quais o ' Espirito de Deus'
se movia ou pairava. (Estas duas últimas palavras são
ambas uma tentativa de traduzir o termo hebraico que
descreve o que um pássaro ou galinha faz ao incubar e
vigiar seus ovos no ninho ! )
"A força criadora, aqui chamada d e 'Espírito d e Deus ' ,
que age sobre o s elementos no sentido de formá-los e
prepará-los para suster a vida sobre a terra, pode ser a
mesma encontrada em Doutrina e Convênios , chamada de
' Luz de Cristo ' . (Vej a D&C 88:7- 1 3 .) É óbvio que o· Filho
exerceu esse poder, sob as ordens do Pai, conforme
podemos ver também através de escrituras como Joào 1 : 1 - 4 e Hebreus 1 : 1 -2 . (Ver também n o Livro d e Mórrr.on,
Helamã 1 2 : 8 - 1 4 e Jacó 4:6-9 . ) " (Rasmussen, Introduction
to the Old Testament, Vol . 1 , p. 1 1 .)
A palavra traduzida por "expansão " vem do vocábulo
hebraico que significa estender, expandir, cobrir . (Este
termo é também usado em Abraão 4:6-7 . ) A separação das
águas que estavam debaixo das que se encontravam por
cima do firmamento, ou expansão, é explicada como um
simples fenômeno natural da terra.
"As águas que estavam debaixo do firmamento são as
que cobrem o próprio globo terrestre; as que estavam
sobre, são as que flutuam na atmosfera, e que estão por
ela separadas das que se acham sobre a terra; as águas que
se acumulam em forma de nuvens, e que depois rompem
seus mananciais e se derramam em forma de chuva sobre a
superfície do planeta . . . Portanto, de acordo com esta
concepção , se levarmos em conta que essa massa líquida
que cai sobre a terra em forma de chuva está cerrada nos
céus (Gênesis 8 : 2) , é evidente que devemos considerá-Ia
como estando acima da abóbada que cobre a terra ou, de
acordo com as palavras de Salmos 148:4, ' as águas que
estão sobre os céus ' . " (Keil e Delitzsch , Commentary,
1 : 1 : 53-54.)
(2-8) Gênesis 1 : 1 1-12, 21, 24-25
O fato básico das leis da genética, ou Leis de Mendel,
acha-se revelado em todos os três relatos da Criação . Em
cada um deles (Gênesis 1 ; Moisés 2; Abraão 4) , a frase
"segundo a sua espécie" é usada diversas vezes. Abraão
deu grande ênfase a esse princípio , em Abraão 4: 1 1 - 1 2 .
Também Abraão 4 : 3 1 parece realçar a imutabilidade das
leis que o Senhor deu a este reino (vej a D&C 88: 36-38, 42-43). O Profeta Josep h Smith ensinou:
"Deus expediu certos decretos que são fixos e
inalteráveis; por exemplo: pôs o sol, a lua e as estrelas nos
céus, e fixou as leis, condições e limites que devem regê-los
e a que não podem desobedecer, exceto por mandamento
seu; todos se movem em harmonia perfeita: dentro de sua
esfera e ordem, e nos são por luzes , maravilhas e sinais. O
mar também tem seus limites que não pode ultrapassar .
Deus colocou muitos sinais na terra, assim como nos céus;
por exemplo: o carvalho na floresta, o fruto na árvore, a
erva no campo, são sinais de que ali se plantou uma
semente, porque o Senhor decretou que toda árvore ,
planta e erva que tenham semente, devem produzir sua
própria espécie, e não podem nascer de acordo com
nenhuma outra lei ou princípio . " (Ensinàmentos, p. 1 93 . )
(2-9) Gênesis 1:21
A palavra baleias usada neste versículo é traduzida do
vocábulo hebraico tannanim, derivado de um verbo que
significa "alongar" . Este termo, na verdade, quer dizer
"os de grande tamanho " . Esta palavra provavelmente se
aplicava a outros animais ou répteis marinhos de grande
porte, como o golfinho , o tubarão e o crocodilo , além do
animal que atualmente chamamos de baleia. (Keil e
Delitzsch , Commen tary, 1 : 1 : 60; Clarke, Bible
Commentary, 1 : 3 7 . )
"Efez Deus separação entre a luz e as trevas "
29
(2-10) Gênesis 1:26-27. ""Façamos o Homem à Nossa
Imagem"
Falando a respeito da veracidade de que o homem foi
criado à imagem e semelhança de Deus , o Presidente
Brigham Young declarou :
"O homem foi criado à imagem de seu Criador . . .
do qual é a exata semelhança, tendo , como ele, olhos,
testa, sobrancelhas , nariz, faces, boca, queixo e orelhas,
exatamente como nosso Pai Celestial . " (Citado por
Ludlow, em Latter-day Prophets Speak, p. 278 . )
Embora o Presidente Young s e referisse a o homem , esse
termo se aplica também à mulher. Os profetas modernos
pronunciaram-se a respeito da existência de uma mãe
celestial . A Primeira Presidência (Joseph F. Smith , John
R. Winder e Anthon H. Lund) confirmaram esta doutrina
em 1 908 , com as seguintes palavras : "Todos os homens e
mulheres são à semelhança do Pai e Mãe universal, e são
literalmente filhos e filhas da Deidade. " (Citado por
Clark) Messages of the First Presidency, Vol . 4, p. 203 .)
O Elder Joseph Fielding Smith , após citar Gênesis 1 :26-27 , declarou também: "Não é incorreto crer que os
espíritos femininos foram criados à imagem de uma 'Mãe
Celestial' . " (Answers to Gospel Questions, Vol . 3 , p .
144.)
(2-11) Em que Se Baseava o Domínio que Adão Tinha
sobre a Terra?
"O Sacerdócio foi dado primeiramente a Adão ; a ele se
deu a Primeira Presidência, e teve as suas chaves de
geração em geração . Recebeu-o no início , antes de ser
formado o mundo, como está registrado em Gênesis 1 : 26-28 . Foi-lhe dado domínio sobre todo ser vivente . Ele é
Miguel, o Arcanjo , de quem se fala nas Escrituras . "
(Smith , Ensinamentos, p . 1 5 3 . )
(2-13) Gênesis 1:27-28. A Palavra "Homem" , Citada no
Relato da Criação, Refere-se ao Homem e à Mulher
" 'E eu , Deus , disse a meu Unigênito , que estava
comigo desde o princípio : Façamos o homem (não um
homem isolado, mas um homem completo , e que significa
marido e mulher) segundo nossa imagem e semelhança; e
assim foi . ' (Moisés 2:26.) Que maravilhosa parceira ! O
Senhor casou Adão e Eva por toda a eternidade. Esse tipo
de matrimônio continua em vigor além desta vida. Todas
as pessoas deveriam procurar obter essa espécie de união
conjugal . . .
É nisso que consiste uma parceria. Então , depois de os
haverem criado à imagem de Deus, deram-lhes este
mandamento eterno : 'Frutificai e multiplicai-vos e enchei a
terra, e sujeitai-a' (Gênesis 1 : 28) , e quando os deuses
completaram esta magnífica criação , examinaram-na e a
consideraram 'boa, muito boa' - um trabalho que não
precisa ser aperfeiçoado pelos intelectuais modernos; o
homem deveria arar o solo , sustentar a família,
proporcionar-lhe uma liderança adequada; a mulher
deveria ser uma adj utora, conceber filhos, criá-los e
instruí-los. Foi um trabalho 'bom, muito bom ' .
"Foi assim que o Senhor os organizou . Não se
constituiu numa experiência. Ele sabia muito bem o que
estava fazendo . " (Spencer W . Kimball , " Speaking
Today" , Ensign , março de 1 976, p. 7 1 .)
(2-14) Gênesis 1:28. "Frutificai e Multiplicai-vos"
Sabe ndo que o objetivo principal de Deus é
"proporcionar a imortalidade e vida eterna ao homem "
(Moisé, ; 1 : 39) , que , sem um corpo físico , o homem não
pode receber a plenitude da alegria (veja D&C 93 : 3 3-35), e
que o �to de nascermos aqui na terra e sermos provados é
um requisito prévio necessário ao nosso progresso eterno
(veja Abraão 3 :25), poderíamos afirmar, sem qualquer
margem de dúvida, que trazer filhos ao mundo é um dos
objetiv os primordiais do plano do Senhor.
O Presidente Spencer W. Kimball declarou o seguinte a
respeito da importância de termos filhos:
"O primeiro mandamento registrado nas escrituras
parece ter sido ' frutificai e multiplicai-vos e enchei a terra' .
Ningué m deve pensar que o Senhor ordenou que
tivéssemos filhos sem sermos casados . Uma idéia dessa
nature;:a é destituída de qualquer fundamento . . .
"Tenho dito a inúmeros grupos de jovens que não
devem adiar seu casamento até que tenham conseguido
realizar todas as suas ambições relativas à educação . Já
tive a o portunidade de dizer a dezenas de milhares de
j ovens que , ao se casarem , não devem protelar o
nascim ento de filhos até haverem concretizado seus ideais
educati vos e financeiros . O casamento é realizado
basicamente para se constituir família, e quando as pessoas
encont:am o cônj uge adequado, não devem adiar a
formação de sua progênie. Elas devem conviver
normal mente e permitir que os filhos venham ao mundo .
"O conceito de que o matrimônio foi instituído para a
legalização do sexo , ou em seu beneficio, parece estar
ganhando crescente aceitação na época atual . O casamento
existe primordialmente para a formação da família; é por
isto qUt� contraímos matrimônio - não para satisfazer os
apetite:; sexuais, como o mundo quer fazer-nos acreditar..
Quand o as pessoas tiverem encontrado seus
companheiros, repito, não devem demorar muito para
estabel,�cer sua família. As jovens esposas devem ocupar­
-se em conceber e criar seus filhos . Não conheço escritura
alguma que as autorize a adiar a formação de famílias
para poderem trabalhar e garantir a escolaridade de seu
marido . Há milhares de homens que conseguiram formar­
-se e ao mesmo tempo constituir família. Embora as coisas
se torn �m mais dificeis, mesmo assim os jovens podem
levar avante seus programas concernentes à educação . "
(Marriage i s Honorable" , em Speeches of the Year, 1 973,
pp. 262-63 .)
30
(2-15) Génesis 2:5. O Relato que se Encontra em Gi'nesis É
um Registro da Criação Espiritual?
"O que foi descrito em Gênesis não foi uma criação em
espírito mas , em certo sentido, uma criação espiritu al.
Isto, logicamente, exige uma explicação . O relato em
Gênesis , capítulos um e dois , descreve a criação da terra
física. A descrição da colocação de toda vida sobre a terra
'
desde o princípio até a queda de Adão, é, em certo
sentido, um relato da criação espiritual de tudo isso ,
embora fosse também uma criação física. Quando (I
Se�h?r falou qu� i a criar Adão , não se referia à cria.ção do
.
espmto dele, pOIS IStO
aconteceu muito , muito temp o
antes, quando se encontrava no mundo dos espíritos e era
conhecido como Miguel . (Moisés 2:26-28 ; Gênesis
1 :26-28 .)
"O corpo de Adão foi criado do pó da terra, por,!m, na
UNo princípio criou Deus o s céus e a lerra "
ép �c � , ela e�a uma t�rra espiritual . Adão tinha um corpo
espmtual ate sobrevIr-lhe a mortalidade por causa da
violação da lei sob a qual vivia; porém , ele também tinha
um corpo físico de carne e ossos.
"Agora, o que é um corpo espiritual? É um corpo
vivificado pelo espírito e não por sangue . . . Após a queda,
provocada pela transgressão da lei sob a qual Adão vivia
'
o fruto proibido teve o poder de produzir sangue e
modificar sua natureza, fazendo a mortalidade ocupar o
lugar da imortalidade : e todas as coisas , participando da
modificação , tornaram-se mortais . Agora, repito , o relato
de Génesis, capítulos um e dois, descreve a criação física
da terra e de tudo o que sobre ela há, porém esta criação
não estava sujeita à lei mortal até depois da queda. Foi,
portanto, uma criação espiritual, e assim se conservou até
depois da queda, quando se tornou temporal, ou mortal.
(Smith, Doutrinas de Salvação , Vol . I, pp . 84-85.)
"
31
(2-16) Gênesis 2:7. Adão Foi a "Primeira Carne" sobre a
Terra
Moisés 3 : 7 dá maior significado à frase que se encontra
em Gênesis 2 : 7 : "E o homem se tornou alma vivente; a
primeira carne sobre a terra, também o primeiro homem . "
O Presidente Joseph Fielding Smith explicou o que
significa o vocábulo carne.
"E assim Adão foi o primeiro homem sobre a terra e,
de acordo com a declaração do Senhor, também a
primeira carne . Isto exige uma pequena explicação .
" Adão não foi colocado aqui na terra até que ela
estivesse pronta para a sua vinda. Os animais já viviam
aqui, e as plantas haviam sido criadas . O Senhor não o
trouxe a um mundo desolado , para depois trazer as outras
criaturas . Tudo estava preparado para recebê-lo ,
exatamente como nos ensina a ordem de criação que temos
em nossas escrituras. Quando o ambiente se achava
organizado para Adão , ele foi colocado sobre a terra.
"Então , o que significa o termo 'primeira carne' ? É
simples , quando o compreendemos . Adão foi a primeira
de todas as criaturas a cair e se tornar carne, e carne, neste
sentido, significa mortalidade. Em todas as nossas
escrituras , o Senhor se refere a esta vida como carne,
enquanto nos encontramos aqui na carne. Assim Adão
tornou-se a primeira carne . Não houve nenhuma outra
criatura mortal antes dele, nem havia a morte física antes
que ele a trouxesse para o mundo, como as escrituras
ensinam . É assim que está escrito , e esse é o evangelho de
Jesus Cristo . " (Seek Ye Earnestly, pp. 280-8 1 .)
Deus fez os animais
(2-17) Gênesis 2:8. Onde Estava Situado o Jardim do
Eden?
" De acordo com as revelações dadas ao Profeta Joseph
Smith , ensinamos que o Jardim do É den esteve localizado
onde será construída a cidade de Sião , a Nova Jerusalém
(veja D&C 1 1 6; Dyer, The Refiner's Pire, pp . 1 7- 1 8) .
Quando foram expulsos d o Jardim, Adão e Eva acabaram
habitando num lugar chamado A dam-ondi-Ahman ,
situado no atual Condado de Daviess , no Missouri . Três
anos antes de sua morte, Adão reuniu nesse lugar, os
justos de sua posteridade e os abençoou, e é nesse lugar
que Ad ão , ou Miguel, se assentará, conforme lemos no
capítulo sete de Daniel . " (Daniel 7:9-14, 2 1 -22, 26-27 .)
(Smith , Doutrinas de Salvação, Vol . III, p . 75.)
O dil úvio e os cataclismos subseqüentes alteraram
profundamente a topografia e geografia da terra. Os
descendentes de Noé evidentemente deram a alguns rios e
talvez a outros acidentes geográficos os mesmos nomes de
locais que conheciam antes do dilúvio . Esta teoria
explicaria por que os rios da Mesopotâmia possuem agora
os nomes de rios que originalmente se encontravam no
contine nte americano. É possível, também, que alguns dos
sistema s fluviais modernos sejam remanescentes de
antigos , de origem antediluviana, existentes no grande e
único continente de então .
PONTOS A PONDERAR
(2-18) No livro de Génesis e nos relatos paralelos que se
encontram em Moisés e Abraão , temos como que um
esboço da criação da terra e do homem que nela habitaria.
É uma narrativa simples e direta. Embora não nos ensine
exatamente como o Senhor realizou o processo criativo ,
aprend�mos aí diversos conceitos essenciais.
Prim eiro , Deus , o Pai de toda a humanidade, instituiu a
criação deste mundo, para que fosse um lugar onde os
homen:; pudessem nascer na mortalidade e progredir em
busca de seu destino eterno.
Segundo, o homem é progênie da Deidade .
Terceiro, o mundo não foi criado por forças casuais, ou
mero addente.
Quarto, Adão foi o primeiro homem e a primeira carne
sobre a terra (veja a Leitura 2- 1 6, para uma definição do
que significa o termo "primeira carne" [Moisés 3 : 7]) .
Quinto , Adão caiu de um estado de inocência e
imortalidade, e sua queda afetou toda a vida sobre a terra,
bem como à própria terra.
Sexto, a expiação de Jesus Cristo foi planej ada antes da
criação do mundo, para que o homem pudesse vir a uma
terra decaída, vencer a morte e os pecados, e voltar para
viver na presença de Deus.
Há no mundo uma outra teoria a respeito do início de
todas as coisas , popularmente defendida e amplamente
ensinada. Essa teoria, a da evolução orgânica, foi
desenvolvida partindo das idéias e escritos de Charles
. Darwin .. Ela apresenta diferentes conceitos sobre como a
vida começou e acerca da origem do homem . Com
referência a ela, as seguintes declarações devem ajudá-lo a
entender o que a Igreja ensina a respeito desses dois
princíp ios .
" Há quem afirme que Adão não foi o primeiro homem
criado nesta terra, e que o ser humano original
desenvolveu-se de formas inferiores da vida animal . Tais
idéias , entretanto , são teorias dos homens. A palavra do
Senhor declara que Adão foi ' o primeiro de todos os
homen:; ' (Moisés 1 : 34) ; temos, portanto, o dever de
consid{:rá-Io como o pai da raça humana. O Senhor
mostrou ao irmão de Jarede que todos os homens foram
criados no princípio segundo a imagem de Deus; e quer
achemos que tal criação se referia ao espírito ou ao corpo ,
ou a ambos, isso nos leva à mesma conclusão : O homem
iniciou sua vida neste planeta como um ser humano,
semelhante a nosso Pai Celestial . " (A Primeira
Presidência [Joseph F. Smith , John R. Winder, Anthon
H. Lund] , citado por Clark, em Messages of the First
Presidency, Vol. 4, p . 5 . )
32
"Qualquer teoria que exclua Deus como um ser pessoal
e imbuído de objetivos eternos, e considere que todas as
coisas foram criadas por acaso, não pode ser aceita pelos
.
santos dos últimos dias . . . É inconcebível crer que a
existência do homem e de toda a criação seja obr.a do
acaso . Considerando que o homem foi criado pela v ontade
e poder de Deus, é igualmente inconcebível pensar q ue o
poder divino de criação se limita a um processo vagmnente
entendido pelo homem mortal . " (Widtsoe, Evidences and
Reconciliations, Vol. 1 , p. 1 5 5 . )
" Sinto-me profundamente grato pelo fato d e que , em
meio à enorme confusão que reina 'entre os filhos de nosso
Pai Celestial, os membros desta grande organização
tenham recebido um conhecimento exato a respeito da
origem do homem; que viemos do mundo espiritual onde
nossos espíritos foram organizados pelo Pai que está nos
céus, que ele formou nossos primeiros pais do pó da . terra,
e que seus espíritos foram colocados nos corpos que ele
criou, e que o homem surgiu, não como tantas pessoas
acreditam ou como muitos preferem crer , de algumas
formas inferiores de vida, mas que nossos primeiros
progenitores foram seres que viveram nas cortes cekstiais.
Não surgimos de alguma forma inferior de vida, mas
somos descendentes de Deus, nosso Pai Celestial . "
(George Albert Smith , em Conference Report, outubro de
1 925, p. 3 3 . )
" Penso que, naturalmente, essas pessoas defensoras do
ponto de vista de que o homem evoluiu, no decorrer de
bilhões de anos , da espuma do mar, não acreditam em
Adão . Honestamente, nem sei como poderiam , e provar­
-vos-ei que elas não acreditam . Alguns há que tentam fazê-lo , mas são inconsistentes - absolutamente inconsistentes ,
pois tal doutrina é tão incompatível, tão absolutamente
destoante das revelações do Senhor, que é simplesmente
impossível crer-se em ambas.
" . . . Afirmo com toda ênfase, não podeis crer nessa
teoria da origem do homem e ao mesmo tempo aceitar o
plano de salvação, conforme é apresentado pelo Senhor,
nosso Deus. Tereis que escolher um e rejeitar o outro, pois
são diretamente conflitantes e separados por um tão
grande abismo, que não pode ser transposto, por mais que
se tente.
" . . . Adão , e com isto quero dizer o primeiro homem,
não era capaz de pecar. Não podia transgredir, e com isto
trazer ao mundo a morte; pois , segundo essa teoria,
sempre houve morte no mundo. Se, portanto, não houve
queda, não havia necessidade de expiação, seguindo-se que
a vinda do Filho de Deus como o Salvador do mundo é
uma contradição, uma coisa impossível. Estais preparados
para crer numa coisa dessas ? " (Smith, Doutrinas de
Salvação, Vol . I, pp . 1 5 3-54.)
A Primeira Presidência (1901-1910): John R. Winder. Presidente· 1oseph .F. Smith e Anthon H. Lund
33
(2-19) Que podemos dizer das evidências científicas que
supostamente contradizem tais declarações? Não é
convincente a evidência de que toda a vida evoluiu de uma
fonte comum? Harold G. Coffin , professor de
paleontologia e pesquisa do Geoscience Research Institute,
da Universidade de Andrews, de Michigan, Estados
Unidos, apresentou o ponto de vista de um cientista sobre
como a vida começou . Os seguintes trechos foram
extraidos do folheto intitulado Creation, de sua autoria.
" Chegou o momento em que devemos fazer um novo
exame das evidências que Charles Darwin usou para
apoiar sua teoria da evolução , à luz das inúmeras
informações científicas recentes . Aqueles que se atrevem a
penetrar no emaranhado de suposições concernentes à
origem da vida, logo descobrirão que a ciência apresenta
provas substanciais de que o relato da criação é o que
melhor explica a origem da vida. Quatro considerações nos
levam a esse resultado;
" 1 . A vida, é sem paralelo .
"2. Os animais de estrutura complexa apareceram
subitamente.
" 3 . No passado, a probabilidade de mutação era muito
limitada.
"4. No presente, a probabilidade de mutação é muito
limitada.
"Qualquer pessoa que esteja interessada em conhecer a
verdade, deve considerar seriamente estas questões. O
desafio que elas apresentam à teoria da evolução levou
muitos cientistas inteligentes e sinceros da época atual a
reconsiderarem suas crenças concernentes à origem da
vida. " (Coffin , Creation: The Evidence From Science,
p . 1 .)
A Vida É sem Paralelo
"O cientista Homer Jacobson relata o seguinte , na
revista A merican Scientist, de j aneiro de 1 95 5 : 'Do ponto
de vista da probabilidade , a transformação dos elementos
atuais numa só molécula de aminoácido seria
extremamente impossível, mesmo que dispuséssemos de
todo o tempo e espaço necessário para dar origem à vida
terrena.
" Somente a mais simples dessas proteínas (a salmina)
poderia ter-se originado desses elementos , mesmo que a
terra estivesse coberta por uma camada de aminoácidos de
750 metros de espessura durante um bilhão de anos ! Por
mais fantasiosos que fôssemos , não poderíamos supor que
as condições atuais pudessem dar origem até mesmo a uma
só molécula de aminoácido, e que ela, espontânea e
casualmente, pudesse transformar-se num complexo
organismo protoplasmático , dotado de um metabolismo e
com capacidade de auto-reprodução . " (Homer Jacobson,
" Information, Reproduction and the Origin of Life , "
A merican Scientist, janeiro d e 1 955 , p . 125.)
" Outro cientista, impressionado com as probabilidades
contrárias à formação casual de proteínas , manifestou sua
opinião , declarando o seguinte: 'Podemos calcular
perfeitamente a possibilidade destes cinco elementos
(carbono , hidrogênio, nitrogênio , oxigênio e enxofre) se
reunirem e formar uma molécula, a quantidade de matéria
que deve estar em constante vibração e o período de tempo
necessário para se completar a tarefa. Charles Eugene
Guye, matemático suíço, fez os cálculos e descobriu que as
possibilidades contrárias a tal ocorrência são de 1 0 160
contra 1 , ou somente de uma chance favorável em cada
1 0 160 ; isto é, 10 multiplicado por si mesmo 1 60 vezes, um
número tão grande, que mal podemos expressá-lo em
palavras . O volume de matéria que deveria combinar-se
para produzir uma única molécula de proteína seria
milhõe:; de vezes maior que o que encontramos em todo o
univers o . Para que isso ocorresse na Terra, somente
seriam necessários muitos, quase que incontáveis bilhões
( 1 0243) de anos . ' (Fr ank Allen , " The Origin of the World by Chance or Design? " citado por John Clover Monsma,
em The Evidence of God in an Expanding Universe, p .
23 .)" (Coffin, Creation , pp . 3-4.)
Os Animais de Estrutura Complexa
Apareceram Subitamente
" Em 1 9 l O, Charles Walcott , quando cavalgava pelas
Montanhas Rochosas canadenses , fez uma importante
descoberta de fósseis marinhos. O local forneceu a mais
completa coleção de fósseis do período cambriano que
conhecemos . Walcott encontrou animais de corpo mole
preservados no lodo de fina textura. Muitas espécies de
vermes, camarões e crustáceos deixaram a impressão d.e
suas formas na argila, que posteriormente endureceu .
Entre a, impressões, foram encontradas até mesmo marcas
das partes internas, como a dos intestinos e estômagos. As
criatunls eram cobertas de pêlos, espinhos e apêndices,
inclusive maravilhosos detalhes das estruturas tão
características dos vermes e crustáceos .
" Ao examinar as partes duras visíveis desses fósseis, é
possível aprender muita coisa sobre esses animais. Seus
olhos e antenas indicam que possuíam um perfeito sistema
nervoso. Suas guelras demonstram que extraíam oxigênio
da água, e para que ele circulasse por seu corpo, era
preciso que fossem dotados de corrente sangüínea;
" Alguns desses animais cresciam pelo processo de
muda * ,:omo os gafanhotos . É um processo complicado
que os biólogos ainda estão procurando entender . Eles
possuíam partes bucais complexas , para poderem extrair
tipos es peciais de alimentos da água. Não havia nada de
simples ou primitivo naquelas criaturas . Elas poderiam ser
comparadas aos vermes e crustáceos que hoje conhecemos .
Não obstante, elas são encontráveis nas rochas mais antigas
que con tenham um número bastante significativo de
fósseis. Onde estão os ancestrais deles? . .
" O que você acabou de ler até aqui, não é novidade .
Este problema é conhecido pelo menos desde a época de
Charles Darwin . Se a evolução progressiva dos organismos
simples aos mais complexos for correta, deveriam ser
encontr ados os ancestrais dessas criaturas vivas
plenamente desenvolvidas do período cambriano; mas eles
não foram encontrados, e não existe a menor perspectiva
de que venham a sê-lo .
"Baseando-nos apenas nos fatos e nas evidências que
encontramos atualmente sobre a terra, a teoria de um
súbito a to criador em que as formas maiores de vida
foram colocadas neste planeta, se encaixa melhor no
contexto histórico . " (Coffin, Creation , pp . 5-6.)
As Espécies Básicas de Animais Não Mudaram
"Os dentistas que estudam os fósseis, descobriram
outra informação interessante. Os animais de éstrutura
complicada não apenas aparecem subitamente nas rochas
inferiores do período cambriano, mas também as formas
básicas de animais não sofreram grande alteração desde
aquela �:poca . . . Esclarecendo melhor, este é o problema
dos elos perdidos . Não é o caso de apenas um elo
• n.! . (processo pelo qual insetos e moluscos perdem suas cascas e
carapaças, substituindo-as por novas; o mesmo processo se verifica em
outras est=écies animais. ocorrendo a muda de penas, pelos e pele).
34
faltando , nem mesmo de diversos deles . Os evolucio nistas
se defrontam agora com o problema de toda uma série de
seções de elos faltando na corrente da vida.
" a . a. Simpson , bastante cônscio desse problema,
declarou : ' Uma característica invariável dos fósseis que
conhecemos demonstra que a maioria deles apareceu
subitamente. Eles não são , de maneira geral, o resultado
de uma seqüência de precursores mutantes , como D arwin
acreditava, no caso da evolução . ' ( The Evolution ofLife,
p. 1 49.)
" Vemos, assim, que não só o aparecimento de animais
de estrutura completa e intrincada é um problema para os
que defendem a evolução , mas que é igualmente sério o
problema da ausência de mutação de uma espécie m aior
para outra. Repetimos que este não é um problema 110VO .
Logo depois que os colecionadores começaram a reunir
fósseis, tomou-se óbvio que pertenciam às
mesmas categorias maiores, assim como as plantas e'
animais da época moderna. Alguns cientistas comen taram,
recentemente, sobre a falta de mutação e a ausência de
elos de ligação entre espécies especificas de animais . . .
"Todo estudante colegial , j á teve a oportunidade de ver
gravuras, talvez até mesmo em seus livros de biologi a,
retratando um ser cabeludo e seminu, o homem de
Neanderthal, de pescoço curto , ombros caídos, pernas
arqueadas e aparência bestial . Tal gravura é fruto da
descrição do homem de Neanderthal feita pelo francês
Boule, em 1 9 1 1 - 1 3 . (Marcellin Boule, Fossil Men. ) Esse
retrato tem sido publicado sem alterações , de um lh ro
para outro , ano após ano, durante quase sessenta anos .
Porém , Boule baseou sua descrição originalmente n um
esqueleto cujos ossos , segundo se verificou recentemente,
haviam sido gravemente deformados pelo artritismo .
"William Straus e A. J . E. Cave, os dois cientistas que
descobriram o fato declararam: ' Assim sendo , não existe
uma razão aceitável para crermos que a postura do
. homem de Neanderthal, do quarto período glacial , diferia
significativamente da do homem moderno . . . Não
obstante, se pudéssemos revivê-lo e colocá-lo num metrô
de Nova loque - desde que tivesse tomado banho , feito a
barba e vestisse roupas modernas - duvido muito ele que
chamasse mais atenção que qualquer um de seus
concidadãos . ' (William L. Straus, Jr . , e A. J. E. Cave,
"Pathology and the Posture of Neanderthal Man " ,
Quarter/y Review of Biology, dezembro d e 1 957, pp . 358-59.) Esse parecer foi escrito há aiguns anos. Hoje e m dia,
mesmo sem se barbear, o homem de Neanderthal nilo
atrairia a menor atenção ! " (Coffin, Creation , pp . 6, 10.)
Atualmente a Mutação É Limitada
"Num programa de televisão que comemorava o
centenário do livro A Origem das Espécies, de Charles
Darwin , Sir Julian Huxley iniciou seus comentários ,
dizendo : 'A coisa mais importante que podemos di2:er a
respeito da teoria de Darwin é que ela já não é uma teoria,
mas um fato . Nenhum cientista consciencioso poderia
negar o fato de que a evolução realmente aconteceu, como
não negaria o fato de que a terra gira em volta do sol . '
(Sol Tax e Charles Callender, lssues in Evolution , p . 4 1 .)
Esta declaração é bastante confusa, pois diz apenas parte
da verdade . Em primeiro lugar, devemos definir o q ue
significa a palavra evolução.
"Este vocábulo significa simplesmente 'transformação'
e baseando-nos nesse conceito, a evolução é uma
realidade . Não obstante, a maioria das pessoas entende
que evolução significa uma transformação progressiva
através do tempo, de organismos mais simples para mais
complexos, de formas primitivas para formas com
características mais avançadas . Esta definição desse termo
não é baseada em fatos. O estudo da hereditariedade já
revelou princípios e fatos que podem provar a evolução , se
entendermos a palavra evolução no sentido de 'mudança' .
Mas as aparentes e pequenas transformações que ocorrem
hoje em dia nos organismos vivos não nos fornecem base
alguma para concluirmos que , no passado, houve uma
ilimitada mutação . . .
" Sim, hoje em dia estão-se formando novas espécies de
plantas e animais. A quase infindável intergradação* de
animais e plantas que existe no mundo , a fantástica
degeneração entre os parasitas e as adaptações para ataque
e defesa, levam-nos à conclusão inevitável de que tem
havido uma transformação. Todavia, o problema das
mutações maiores , de uma espécie fundamental para
outra, continua a ser uma das maiores incógnitas com que
se defrontam os evolucionistas . Os animais e plantas
modernas podem sofrer transformações , mas o número de
mutações é limitado. Os laboratórios da ciência não foram
capazes de demonstrar que houve transformação de uma
espécie maior para outra, nem tal mutação ocorreu na
história passada da terra, se levarmos em conta as
evidências que nos dão os registros fósseis. " (Coffin ,
Creation , pp. 1 3 , 1 5 .)
Conclusão
"A constante exposição a uma das teorias da origem,
somente uma, convenceu muitas pessoas de que não existe
outra alternativa, e que a evolução é a resposta mais
completa. Quão infeliz é o fato de a maioria dos milhões
de pessoas que atravessam os processos educacionais terem
pouca oportunidade de avaliar as evidências que existem
em ambos os lados !
"O exame dos fósseis, registros petrificados d o passado,
nos ensinam que os complexos organismos vivos surgiram
subitamente (em outras palavras , sem avisar) sobre a face
da terra. Outrossim , o tempo não os modificou o
suficiente a ponto de alterar o relacionamento básico que
têm uns com os outros . Os organismos vivos modernos
nos ensinam que a transformação é uma característica da
vida e do tempo, mas também nos esclarecem que há
limites que ela não pode ultrapassar de maneira natural , e
que os homens foram incapazes de forçá-la a tal . Ao
considerar as coisas vivas antigas ou modernas , o homem
não deve esquecer-se de que está tratando com a vida, uma
força profundamente singular que ele não tem a
capacidade de criar e que está tentando desesperadamente
entender .
"Estes são os fatos ; aqui estão as evidências ; eis as
razões seguras por que devemos acreditar que a vida se
originou através de um ato criativo. Já é tempo de cada
indivíduo ter a oportunidade de conhecer os fatos e tomar
uma decisão inteligente . " (Coffin , Creation , p. 1 5 .)
• N.T. Mutação contínua, através de formas intermediárias de uma espécie
para outra.
Gênesis 3
3
A Queda
(3-1) Introdução
Talvez nenhum outro relato bíblico tenha sido alvo de
tanto debate e incompreensão como o que se referem a
Adão e Eva. O Élder Mark E. Petersen escreveu :
"Adão , o primeiro homem , é um personagem que é
motivo de muita controvérsia para muitas pessoas . O
mesmo acontece com Eva, sua esposa. Juntos , eles
provavelmente são o casal menos compreendido que viveu
sobre a face da terra.
"Não devemos surpreender-nos que isto aconteça.
Durante muitos séculos , o público tem sido bombardeado
com inúmeras teorias e ensinamentos errôneos relativos a
nossos primeiros pais . Provavelmente a culpa maior cabe
aos próprios mestres de religião, que, desconhecendo os
fatos concernentes a eles , têm inculcado suas opiniões
pessoais e crenças profanas na mente das pessoas,
resultando numa confusão geral que vem aumentando
ano após ano . " (Adam: Who Is He?, p. 1 . )
Uma das razões pelas quais os relatos concernentes à
criação e queda são mal compreendidos e interpretados .
foi a retirada proposital de verdades claras e preciosas que
se encontravam no Velho Testamento
(Veja I Néfi 1 3 : 25-29) . Os membros da Igreja têm a seu
alcance muitos ensinamentos que haviam sido perdidos ,
mas que foram restaurados nos livros d e Moisés e Abraão ;
o mundo , porém, possui apenas o relato de Gênesis, no
Velho Testamento atual , o qual trata a queda como um
simples evento, mas nada esclarece sobre as doutrinas
concernentes a ela. Em outras palavras , o Velho
Testamento que hoje possuímos, nada fala sobre as razões
pelas quais ocorreu a Queda e o que ela significou para a
humanidade . O Novo Testamento esclarece um pouco
sobre este assunto , porém com bastante restrição . Na
verdade , a doutrina da Queda é claramente ensinada no
Livro de Mórmon . Não é de admirar, portanto , que o
mundo tenha idéias tão discrepantes sobre a Queda, já que
não conta com o auxílio das escrituras modernas . O
obj etivo dos eventos de que trata Gênesis 3 foi resumido
por Leí, quando ensinou que "Adão caiu para que os
homens existissem , e os homens existem para que tenham
alegria. " (2 Néfi 2:25 . )
O Presidente Joseph Fielding Smith declarou:
"Agradeçamos ao Senhor por nosso pai Adão , em nossas
orações . Não fosse por ele, eu não estaria aqui; vocês não
estariam aqui ; estaríamos nos céus, ainda na forma
espiritual, aguardando a vinda à mortalidade . . .
"Estamos nesta vida mortal para ganharmos
experiência, um treinamento que não poderíamos obter de
nenhuma outra forma. Para que nos tornemos deuses , é
necessário que conheçamos um pouco as aflições ,
enfermidades e outras coisas de que partilhamos nesta
escola da mortalidade.
"Portanto , irmãos e irmãs , não nos queixemos de
Adão , desejando que ele não tivesse agido desta ou
daquela forma. Quero agradecer a ele . Regozijo-me com o
privilégio de estar aqui , desfrutando da experiência da
mortalidade, e se for fiel e verdadeiro aos convênios e
obrigações que são requeridos de mim como membro da
Igreja f: no reino de Deus, terei o privilégio de voltar à
presenç a do Pai Eterno; e isso acontecerá também a vocês ,
tanto quanto a mim , pois somos todos filhos e filhas de
Deus, c om o direito de receber a plenitude da glória
celestia l . (Em Conference Report , outubro de 1 967 ,
p . 1 22.)
Instruções aos Alunos
I . Ao ler e estudar Gênesis 3, utilize o auxílio que as
Notas e Comentários podem proporcionar-lhe.
2. Moisés 3 -4 contém valiosos ensinamentos não
encon trados em Gênesis. Embora este relato paralelo ,
escrito por Moisés, seja estudado com maiores detalhes
no curso da Pérola de Grande Valor (Curso de
Religi ão 327), você deve ler e estudar estes capítulos
em conexão com o relato que se encontra em Gênesis .
Enoque também nos dá maior discernimento
conce:mente à maneira como ocorreu a Queda. Leia
Moisés 5 :4- 12; 6:45 -62.
3. Complete a seção de Pontos a Ponderar,
confo rme as orientações que lhe forem fornecidas pelo
profe�.sor . (Os alunos que estudam individualmente
devem completar toda a seção .)
NOTAS E COl\1ENTÁRIOS
SOBRE GÊNESIS 3
(3-2) Gi'nesis 3. A Queda do Homem
Ante!; de começar a ler a história relativa à Queda,
considere os seguintes princípios ou doutrinas básicas
escritos pelo Élder Joseph Fielding Smith , a respeito de
Adão e Eva e a queda do homem .
"Quando Adão e Eva foram colocados no Jardim do
É den , n ão estavam sujeitos ao poder da morte, e poderiam
ter vivido para todo o sempre no estado de inocência em
que se encontr<}vam , se não tivessem violado a lei que
receberam no Eden .
"O S enhor disse que a terra era boa, e também ela teria
perman,ecido eternamente em tal condição , não fosse
transfor mada para adaptar-se à situação decaída do
homem .
"Tod as as coisas que existiam sobre a face da terra
também teriam permanecido em sua condição original , se
Adão nilo tivesse transgredido a lei .
"Ao partilhar do fruto proibido, quebrando, assim , a
lei sob a qual vivia, sua natureZa física sofreu uma
transformação e ele se tornou suj eito à ( 1 ) morte
espiritual, que é o afastamento da presença de Delis, e à
(2) mort e física, que é a separação do espírito do corpo .
Eva também ficou suj eita a estes dois tipos de morte .
" Se Adão e Eva não tivessem violado a lei que
recebefélm no Jardim do Éden , não poderiam ter progênie .
" Devido ao fato de a transgressão haver-lhes trazido a
mortalidade , os filhos de Adão e Eva herdaram corpos
mortais e se tornaram igualmente suj eitos à morte física .
38
" 3 . Não tinha posteridade.
"4. Não tinha conhecimento do bem e do mal . Ele tinha
conhecimento, é lógico . Sabia falar. Sabia conversar .
Havia muitas coisas que podia aprender e foram-lhe
ensinadas mas , sob as condições em que então vivia, era­
-lhe impossível visualizar ou entender o poder do bem e do
mal . Ele não sabia o que era a dor . Não conhecia a
tristeza; e mais uma porção de outras coisas que nos
acontecem nesta vida . Adão não conhecia no Jardim do
É den , não podia entender e não teria chegado a conhecer,
se ali ficasse . Essa era sua condição antes da Queda . "
(Smith , Doutrinas de Salvação, Vol . 1 , p p . 1 1 6- 1 7 . )
(3-5) Gênesis 3:4-5. E Sereis Como Deus
"Ao tentar Eva , o demônio disse uma verdade,
declarando que, se ela comesse do fruto da árvore do
conhecimento do bem e do mal , eles se tornariam como
Deuses . Nada havia de falso nesse ensinamento , mas ele
complementou-o com uma mentira, como sempre faz . O
adversário nunca diz a verdade completa. Ele declarou que
Adão e Eva não morreriam ao partilhar do fruto proibido ;
mas o Pai lhes dissera que certamente morreriam . O
demônio precisava mentir para levar avante seus desígnios,
mas havia alguma verdade na sua declaração . Os olhos de
nossos pais foram abertos , e passaram a conhecer o bem e
o mal como os Deuses conheciam . Eles assim se tornaram
como Deuses , pois essa é uma de suas características, um
dos atributos peculiares daqueles que alcançam esse grau
de glória - entendem a diferença que existe entre o bem e
o mal . " (Cannon , Gospel Truth , Vol . 1 , p. 1 6 . )
(3-6) Gênesis 3 : 6 . P o r Que Adão e Eva Partilharam d o
Fruto?
E plantou o Senhor Deus um jardim no Éden, da banda do oriente e pôs ali
o homem que tinha formado
" Depois que Adão transgrediu a lei , o Senhor
transformou a terra, adaptando-a às condições mortais , e
todas as coisas que nela existiam se tornaram sujeitas à
mortalidade, como a própria terra.
"Para sobrepujar o poder que a morte adquiriu ,
tornou-se necessário que fosse oferecida uma expia\:ão
infinita para pagar o débito, restaurando , assim , Adão e
Eva e toda a sua posteridade, e também todas as co isas , à
vida imortal, através da ressurreição . " (Man, Ris Origin
and Destiny, pp. 50-5 1 .)
(3-3) Gênesis 3 : 1 . A Serpente Era o Mais Astuto de Todos
os Animais do Campo
No relato que se encontra em Qênesis, a serpente fala
com Eva e procura induzi-la a partilhar do fruto proibido .
A história mais completa, registrada no livro de Moisés,
salienta que é Satanás que está falando , fazendo-o por
intermédio da serpente (veja Moisés 4:6-7). Em out ras
escrituras, o adversário é representado pela figura de uma
serpente (veja Apocalipse 12:9; D&C 76:28; 88: 1 !O} .
(3-4) Gênesis 3:3. Adão e Eva Não Eram Mortais Q uando
Viviam no Jardim do Éden, e Não Compreendiam
Plenamente o Bem e o Mal
"Vemos, pois, que a condição de Adão antes da Queda
era:
" 1 . Ele não estava sujeito à morte.
"2. Estava na presença de Deus. . .
Os relatos que se encontram em Moisés e Gênesis
afirmam apenas que Satanás tentou a Eva, mas as
revelações modernas registram que ele primeiramente
procurou iludir Adão , mas foi repelido. Eva, todavia, foi
enganada pelo adversário e comeu do fruto . Sabendo que
ela seria expulsa do Jardim do É den, e separada dele,
Adão também fez o mesmo . O apóstolo Paulo, escrevendo
a respeito da Queda, disse que "E Adão , não foi
enganado, mas a mulher, sendo enganada, caiu em
trans�ressão " (I Timóteo 2 : 1 4) .
O Elder James E . Talmage explicou d e que maneira
Eva, mesmo sendo enganada, fez com que. se cumprissem
os propósitos do Senhor:
" Com Q papel que representou no grande drama da
Queda, Eva estava cumprindo os propósitos previstos por
Deus ; não obstante, não partilhou do fruto proibido com
tal intenção , mas com o propósito de agir contra o
mandamento divino , pois foi enganada pelas manhas de
Satanás que, por isso mesmo, adiantou os propósitos do
Criador, tentando Eva. Seu propósito, entretanto , era o de
frustrar o plano do Senhor . É -nos dito terminantemente
que ' Satanás não conhecia os propósitos de Deus; por
conseguinte, intentotl destruir o mundo (Moisés 4:6) .
Entretanto, seu esforço diabólico , longe d e ser u m passo
inicial para a destruição, contribuiu para o plano do
progresso eterno do homem . O papel que Adão
representou no transcendental acontecimento foi
essencialmente distinto do de sua esposa; ele não foi
39
enganado; ao contrário, resolveu deliberadamente fazer o
que Eva queria, a fim de levar a cabo os desígnios de seu
Criador, com respeito à raça humana, cujo primeiro
patriarca ele viria a ser . " (Talmage, Regras de Fé, p. 70.)
Brigham Young declarou que "jamais devemos culpar a
mãe Eva" , pois, devido à sua transgressão da qual o seu
marido também escolheu partilhar, a humanidade recebeu
o privilégio de distinguir entre o bem e o mal . (Discursos
de Brigham Young, p . 1 03 ; ver também a Leitura 3 - 1 2 ,
que trata c o m maior profundidade da grandeza d e Eva.)
" O ' Deus de paz ' , que de acordo com as escrituras
esmagará a Satanás , é Jesus Cristo . " (Answers to Gospel
Questions, Vol . 1 , p . 3 . )
A promessa relativa a o ferir a cabeça e o calcanhar
significa que, embora Satanás (representado , neste caso ,
pela serpente) venha a ferir o calcanhar do Salvador,
induzindo os homens a crucificá-lo e aparentemente
destruí-lo, na verdade, este ato de expiação dará a Cristo o
poder para sobrepujar a força que Satanás tem sobre os
homens , e desfazer os efeitos da Queda. Desse modo , a
semente da mulher (Cristo) esmagará a cabeça da serpente
(Satanás e seu reino) com o mesmo calcanhar que foi
ferido «) sacrifício expiatório) .
(3-9) Gênesis 3:16. Que Si gnifica a Condenação que Foi
Imposta a Eva?
E o Senhor Deus fez brotar da terra toda a árvore
"O Senhor disse à mulher: ' . . . Com dor terás filhos . '
Fico imaginando s e o s tradutores d a Bíblia houvessem
usado a palavra aflição ao invés de dor . O significado seria
quase o mesmo, exceto pelo fato de que há grande alegria
na maior parte dos lares santos dos últimos dias , quando
neles na:;ce uma criança. Ao concluir sua declaração , o
Senhor diz : 'e o teu desej o será para o teu marido, e ele te
dominar á. ' (Gênesis 3 : 1 6.) Tenho minhas dúvidas sobre a
palavra dominará. Ela dá uma impressão errônea. Eu
preferiria usar a palavra presidirá, pois é isto o qqe o
homem faz . Um marido digno preside sobre sua esposa e
família. " (Spencer W. Kimball , "The Blessings and
Responsibilities of Womanhood" , Ensign , março de 1 976,
p . 72.)
(3-7) Gênesis 3:6-7. A Transgressão Cometida por Adão e
Eva Não Envolveu um Pecado Contra as Leis da
Castidade e Virtude
Falando a respeito da transgressão de Adão e Eva, o
Élder James E. Talmage declarou :
"Aproveito esta ocasião para erguer minha voz contra a
falsa interpretação da escritura, adotada por certas
pessoas, sendo corrente em seu pensamento, e mencionada
de maneira secreta e dissimulada, que a Queda do homem
consistiu em alguma ofensa contra as leis da castidade e
virtude. Tal doutrina é uma abominação . . . a raça humana
não nasceu da fornicação . Estes corpos, que nos são
dados, o são da maneira planejada por Deus . . .
"Nossos primeiros pais foram puros e nobres,e quando
passarmos para o outro lado do véu, talvez aprendamos
algo sobre seu estado superior. " (Jesus o Cristo, p. 30.)
(3-8) Gênesis 3:15. Que Significa a Maldição que Foi
Colocada Sobre Satanás?
Como Satanás não tem um corpo físico , e
conseqüentemente não pode ter filhos literais, sua semente
são aqueles que o seguem, tanto aquela terça parte que ele
conseguiu desencaminhar na existência pré-mortal, como
as pessoas que cedem às suas artimanhas na mortalidade,
até se tornarem sujeitas ao seu poder. A semente da
mulher se refere a Jesus Cristo, que foi o único mortal
nascido de mãe terrena e Pai Celestial .
O Presidente Joseph Fielding Smith disse o seguinte,
referindo-se ao que o Apóstolo Paulo escreveu aos
santos romanos:
" Finalizando sua epístola aos romanos, ele declarou : 'E
o Deus de paz esmagará em breve Satanás debaixo dos
vossos pés. A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo sej a
convosco . Amém . ' (Romanos 1 6:20�2 1 .)
Adão e Eva fizeram saber todas as coisas a seus filhos e filhas
(3-10) Gí!nesis 3: 16-19. Adão e Eva Foram "Castigados"
por Sua Transgressão?
" Pod(!mos retratar mentalmente a condição em que
Adão e Eva se encontravam . Eles haviam sido condenados
a sofrer aflições, pesares , problemas , e a ganhar o pão
com o suor de seu rosto. Tinham sido ainda expulsos da
presença de Deus, e o Senhor declarara que seu destino final
seria a m orte . Um quadro deveras patético . Porém,
acontecera-lhes algo de suprema importância . O Evangelho
de Jesus Cristo lhes havia sido ensinado. Como reagiriam?
40
Quando o Senhor explicou que ocorreria uma redenção
através de Jesus Cristo , o Filho Unigênito do Pai, Adão
exclamou, com grande j úbilo : "Bendito sej a o nome de
Deus, que por causa de minha transgressão meus olhos
foram abertos e terei alegria nesta vida, e em carne verei
outra vez a Deus . " (Moisés 5 : 10.)
"E que respondeu Eva, sua esposa? Ela ouviu todas
essas coisas e se alegrou, dizendo: Se não fosse pela nossa
transgressão , j amais teríamos conhecido o bem e o mal,
nem a alegria de nossa redenção . . . e a vida eterna. "
(Ibiden , 5 : 1 1 .)
"Esta é a chave da questão relativa ao mal : Se não
podemos ser bons, a não ser quando resistimos e
sobrepujamos ao mal , então o mal deve estar presente no
mundo, para que possamos resistir a ele .
"Assim, esta vida terrena foi estabelecida de acordo
com princípios corretos , e as condições que existiram após
a transgressão não foram, no sentido usual, penalidades
que nos foram infligidas . Todas as tristezas que
mencionei, que parecem ser dolorosas aplicações de
castigos, aflições e problemas , no final de tudo acabam
sendo algo bem diferente. São bênçãos! Conseguimos
obter o conhecimento do bem e do mal, o poder de
apreciar o que é doce, de sermos os nossos próprios
árbitros, de alcançar a redenção e vida eterna. Esses
privilégios originaram-se da transgressão . O Senhor
transformou a terra de modo que temos de trabalhar para
viver, e o trabalho nos preserva da maldição da preguiça e
indolência; e embora o Senhor nos condene à morte morte fisica - ela é uma das maiores bênçãos que
podemos receber aqui, porque é a porta que nos conduz à
imortalidade, e j amais poderemos alcançá-la sem morrer. "
(George Q . Morris, e m Conference Report , abril de 1958,
p . 39.)
"Tal doutrina descarta obrigatoriamente a história de
Adão e do Jardim do Éden , que é tida como mito, por nós
herdado de um remoto tempo de tola ignorância e
superstição . Ainda mais, ensina-se que, como sempre
houve morte aqui e uma condição natural prevalece em
todo o espaço, não poderia haver possivelmente uma
redenção da transgressão de Adão , por conseguinte não
havendo necessidade de um Salvador para um mundo
caído . " (Doutrinas de Salvação, vol . I, p. 339.)
(3-11) Gênesis 3 : 19. A Queda de Adão
Introduziu Duas
'
Espécies de Morte no Mundo
" Por causa de sua transgressão, foi pronunciada sobre
Adão a morte espiritual - banimento da presença do
Senhor, bem como a morte temporal . A morte espiritual
deu-se no momento da queda e banimento; e na mesma
hora, foram lançadas igualmente as sementes da morte
temporal; isto é, Adão e Eva sofreram uma transformação
física, tornando-se mortais, ficando assim sujeitos aos
males da carne que resultaram no seu declínio para a idade
avançada e finalmente, na separação do espírito do
corpo . " (Smith, Doutrinas de Salvação, Vol. 1 , p. 1 2 1 ;
para maiores esclarecimentos a respeito da idéia de que a
morte espiritual também foi conseqüência da queda, ver
D&C 29:4ú-41 ; Alma 42: 7 . )
" Muitas pessoas d o mundo ensinam que a morte fisica
sempre existiu e, portanto, não poderia ter começado com
Adão e Eva. O Presidente Joseph Fielding Smith fez o
seguinte comentário , referindo-se a essa idéia:
"A educação moderna afirma que nunca houve coisa
como a Queda do homem, mas que neste mundo mortal as
coisas sempre andaram como hoje. Dizem que morte e
mutação sempre foram condições naturais nesta terra e
que no universo inteiro prevalecem as mesmas leis.
Declaram que o homem ascendeu ao elevado lugar que
agora ocupa no decorrer de incontáveis eras de
desenvolvimento que gradualmente o foram distinguindo
de formas de vida inferiores.
Adão e Eva foram expulsos da presença de Deus
(3-12) Gênesis 3:20. "Porquanto Ela Era a Mãe de Todos
os Viventes"
"Temos muito pouco conhecimento a respeito de Eva
(esposa de Adão) e de tudo o que ela fez na vida pré­
-mortal e na mortalidade. Não resta qualquer dúvida de
que ela deva ter sido , como seu notável esposo, Adão ,
possuidora de igual inteligência e devotamento à retidão ,
tanto em seu primeiro como em seu segundo estado de
existência. Ela foi colocada aqui na terra da mesma forma
que seu marido, pois o relato feito por Moisés , de haver
sido criada de uma costela de Adão , é apenas figurativo .
(Moisés 3 : 20-25 .)
"Eva foi a primeira mulher; ela se tornou a mãe de toda
a raça humana, e seu próprio nome significa ' mãe de todos
os viventes' . (Moisés 4:26; Néfi 5 : 1 1 .) . . .
"Antes d a Queda, Eva foi selada a Adão no novo e
eterno convênio do casamento , numa cerimônia realizada
pelo Senhor quando a morte ainda não havia entrado no
41
mundo, sendo, portanto, um matrimônio que deveria
durar para sempre. (Moisés 3 : 20-25 .) . . .
" . . . De fato, Eva participou com Adão em todo o seu
ministério , e herdará juntamente com ele todas as bênçãos
relativas a seu elevado estado de exaltação . " (McConkie,
Mormon Doctrine, p . 242.)
(3-13) Gênesis 3:24. Os Querubins e a Espada Flamejante
Para maior esclarecimento a respeito de por que o
Senhor impediu que Adão e Eva tivessem acesso à árvore
da vida, leia Alma 1 2 : 2 1 -27; 42:2- 1 2 .
PONTOS A PONDERAR
(3-14) Talvez você já tenha meditado profundamente sobre
algumas das coisas resultantes da Queda. Por que temos
que nascer num mundo cheio tanto do mal como do bem?
Por que há tanto sofrimento no mundo? Por que todos os
homens têm que morrer? Que é a morte espiritual e quais
são as suas conseqüências? Estes e muitos outros
problemas estão diretamente relacionados com a Queda.
Responda às seguintes questões numa folha de papel, após
ler cuidadosamente as escrituras mencionadas .
1 . Qual foi a intenção de Satanás , ao tentar Eva a
partilhar do fruto proibido?
Leia Moisés 4:6-12
2. De que maneira Doutrina e Convênios 1 0:43 se aplica
a este caso? Satanás foi bem sucedido? (Vej a também a
declaração do Élder Talmage, na Leitura 3-6.)
3. Quais foram os efeitos positivos imediatos
decorrentes da Queda?
Leia 2 Néfi 2: 19-23
4 . Que disseram Adão e Eva a respeito d a Queda, após
haver-lhes sido ensinado o plano de salvação?
Leia Moisés 5: 10-11
5 . As conseqüências da Queda afetam toda a
humanidade?
Leia Alma 42:9
6. Se o plano de salvação, através do qual Cristo expiou
tanto a transgressão de Adão quanto as nossas , não tivesse
sido levado a efeito, que teria acontecido à humanidade?
Leia 2 Néfi 9:7-10; Alma 42: 10-1 1
7 . Qual é, portanto, o propósito d a mortalidade?
Leia Alma 12:21-27; 42:2-5
(3-15) Como você se sente, agora, a respeito da Queda?
Pode compreender como um entendimento correto
rel ativo a ela dá maior objetivo e significado à
mortalidade? Leí declarou: "Adão caiu para que os
homens existissem , e os homens existem para que tenham
alegria. " (2 Néfi 2:25 .) Cada um de nós é um filho
espiritual de Deus . Esta terra foi organizada para ser um
lugar onde pudéssemos continuar nosso aprendizado e
progresso . Adão e Eva abriram a porta da mortalidade
para nós e todos os outros filhos espirituais de Deus que
obtiveram o direito de nascer neste mundo . Quando nos
encontrávamos na vida pré-mortal , bradamos de j úbilo
com a expectativa de provarmos a mortalidade. (Vej a Jó
3 8 : 7 . ) Mas , a partir do momento em que nascemos aqui , o
Senhor muito espera de nós. A mortalidade é um lugar de
provação . A Queda não nos abriu a porta para o É den ,
mas sim para o conhecimento do bem e do mal . A
experiência da mortalidade é uma das maiores bênçãos que
recebemos.
Seção Especial
Quem É o Deus do
Velho Testamento?
(A-I) Quem É o Senhor
O empedernido , insolente e orgulhoso faraó perguntou:
"Quem é o Senhor, cuja voz ouvirei . . . ? Não conheço o
Senhor . " (Êxodo 5 : 2 . ) Muitas pessoas , hoje em dia,
desconhecem o Deus do Velho Testamento tanto quanto o
faraó o desconhecia. Consideram-no como um ser criado
pela mente dos povos antigos, um Deus de ira e religião
inferior, capaz de destruir povos inteiros através de
dilúvios e pestilências . Será este o mesmo Deus que se
apresenta como um ser amoroso no Novo Testamento ,
revelado p o r intermédio do ministério terreno d e Jesus
Cristo? Outros dizem que o Jeová do Velho Testamento
era Deus , o Pai , no Novo Testamento . Por que há tanta
confusão? Quem, realmente, era o Deus de Adão,· de
Enoque e Abraão , de Israel e Moisés?
(A-2) Jeová, ou Cristo, É o Deus do Velho Testamento
Embora para muitas pessoas sej a um paradoxo , o Jeová
do Velho Testamento não era senão Jesus Cristo, o Filho
de Deus . Ele criou o mundo sob a autoridade e direção de
Deus, o Pai . Posteriormente, Jeová veio à terra como o
Salvador e Redentor do Mundo . Esta verdade é uma das
doutrinas menos compreendida em toda a história deste
mundo , apesar do fato de o Velho Testamento e outras
obras-padrão estarem repletas de evidências que apóiam
esta idéia.
Antes de examinar as evidências das escrituras, seria
mais sábio primeiramente entendermos melhor os nomes e
títulos de Deus, o Pai, e de seu Filho Unigênito .
Geralmente são usadas duas palavras hebraicas referindo­
-se a Deus em todo o Velho Testamento . Elas são Elohim
e Jeová (conforme são pronunciadas na época atual) .
(Como a língua hebraica original era escrita sem vogais, os
eruditos discordam quanto à pronúncia primitiva do
nome, escrito YJWH, em hebraico . Numa revelação
moderna, todavia, Jesus aceitou o título Jeová. Veja
D&C 1 1 0 : 3 . )
Jeová era o nome o u título pré-mortal dado a o Filho
Primogênito de Deus, o qual é atualmente conhecido
como Jesus Cristo. O Élder Talmage explicou o que
significa o nome Jeová:
"Jeová é a tradução portuguesa do hebraico Yahveh ou
Jah veh , que significa o que existe por si mesmo, ou o
Eterno . Este nome é, geralmente, usado em nossa versão
portuguesa do Velho Testamento como Senhor, impresso
em maiúsculas . O hebraico Ehyeh , que quer dizer Eu sou,
relaciona-se em significado e por derivação do termo
Yahveh ou Jeová. " (Jesus, o Cristo, p. 36.)
Os judeus consideravam o nome Jeová tão sagrado, que
era proibido pronunciá-lo . Por esta razão, eles o
substituíram pela palavra A donai, que significa " o
Senhor" . (Veja Talmage, Jesus, o Cristo , p . 37.) O s
tradutores da Bíblia usaram o mesmo procedimento, por
respeito ao costume judaico . Algumas vezes, entretanto, a
palavra Senhor é usada referindo-se não a Deus , mas a
alguma pessoa nobre ou importante. Para distinguir o
nome sagrado daquele atribuído às pessoas em geral , os
tradutores escreveram o vocábulo senhor com letra inicial
maiúscula, quando se referia a Jeová, e com letras
A
minúsculas quando dizia respeito à outra pessoa. (Para ter
um exemplo de ambos os casos, veja a palavra senhor em
II Samuel 1 5 :2 1 .)
O termo Elohim é o plural da palavra hebraica que
signifi ca Deus. Os eruditos modernos concordam que ela
devia :;er considerada como se estivesse no singular,
embora a terminação gramatical im seja uma forma plural .
Joseph Smith , entretanto, nos ensinou qual é o significado
da palavra no plural :
" Se lermos mais adiante (no texto hebraico da Bíblia) ,
encomraremos o seguinte: 'o principal dos Deuses disse:
Façamos o homem à nossa imagem . ' Certa ocasião,
perguntei a um erudito judeu : ' Se o idioma hebraico nos
obriga a dar interpretação plural a todas as palavras que
termin am em heim, por que não interpretar o primeiro
Eloheim no plural ? ' Essa é a regra, explicou ele, salvo em
pouca:; exceções; mas, neste caso , seria uma ruína para a
Bíblia. Admitiu que eu tinha razão . . .
" Desde o inicio , a Bíblia mostra que há uma
pluralidade de Deuses, o que não pode ser refutado de
forma alguma. O tema que estou tratando é
imporrantíssimo . A palavra Eloheim deve ser entendida no
plural - Deuses - em todo o livro . Os principais dos
Deuse:; apontaram-nos um Deus; e quando alguém
considera o tema por esse prisma, fica livre para perceber
toda a beleza, santidade e perfeição dos Deuses . "
(Ensin amentos, pp. 363-64.)
O É lder James E . Talmage explicou qual é o significado
especial que o termo Elohim tem para os santos dos
últimos dias :
" O nome Elohim . . . é expressão de exaltação e poder
supremo ou absoluto . Elohim, como compreendido e
usado na Igreja restaurada de Jesus Cristo, é o nome de
Deus , o Pai Eterno , cuj o primogênito em espírito é Jeová
- o U nigênito na carne, Jesus Cristo . " (Jesus, o Cristo,
p . 37. )
É d�: vital importância nos lembrarmos da posição que
Deus, o Pai, ocupa: ele é o Pai de nossos espíritos (veja
Hebreus 1 2 : 9) e é o nosso Deus. A existência de outros
Deuses não pode alterar este fato . Ele é o autor e
responsável pelo plano eterno de salvação . É igualmente
essencial que observemos , todavia, que o agente pelo qual
ele administra seus negócios relativos a esta terra é seu
Filho Primogênito, conhecido como Jeová, no Velho
Testamento . Ele deu a Jesus toda autoridade " Paterna"
para olrganizar e governar este mundo, e assim , através do
sacrifkio expiatório, Jesus se tornou o Pai dos fiéis. O
Salvador tornou-se, desse modo, o principal advogado do
plano de seu Pai .
Porque Jesus é um com Deus e por ele também ser um
Deus, os profetas do Velho Testamento muitas vezes se
referiram a ele como " Jeová Elohim" , que, ao ser
traduzi.do na Bíblia, intitulou-se " SENHOR Deus " . A
construção deste termo em hebraico , " Jeová Elohim" , é
usada raras vezes depois de Gênesis 2 e 3 , embora a frase
" Senhor Deus" seja encontrada em muitas partes do texto
bíblico . Para evitar a repetição freqüente do nome
sagrado, foi utilizada a frase " Senhor DEUS" , em lugar do
termo hebraico " Adonai Jeová" , que, traduzido
literalmente, é " Senhor Senhor" (veja Gênesis 1 5 :2, 8;
44
Deuteronômio 3 : 24) . Assim sendo, na versão portuguesa
do Velho Testamento, a palavra hebraica Jeová aparece
quase sempre traduzida como : SENHOR ou DEUS.
Um outro nome ou título de Jesus que requer alguma
explicação é o de o Cristo, pelo qual ele também é
conhecido . O termo Cristo é derivado da palavra grega
Christos, que significa "o ungido" . Os gregos usavam o
título Christos para traduzir o vocábulo hebraico
meshiach , que quer dizer "o ungido" . O termo hebraico
foi aportuguesado para messias. Jesus, o Cristo, significa,
portanto, " Jesus, o Messias " .
(A-3) Jesus Cristo: O Deus Deste Mundo
Havia muita confusão na mente dos judeus , o próprio
povo de Jesus, quanto à identidade de seu Deus, poi.s,
durante, o período do Velho Testamento, eles haviam
apostatado e não mais compreendiam suas próprias
escrituras . O mesmo problema ocorre hoje em dia com a
maior parte do mundo cristão . O mistério de as peswas
não entenderem a identidade do Deus do Velho
Testamento surgiu, em ambos os casos, devido à
iniqüidade ou perda de muitas verdades claras e preciosas
que havia nas escrituras . Em contraste com esta situ ação ,
Jesus disse que a vida eterna consistia em conhecer
plenamente o Pai e o Filho (veja João 1 7 : 3) . Em últ ima
análise, o indivíduo conhece o verdadeiro Deus através de
experiências que o treinam a ser semelhante a ele, e assim
passa a compreender ou conhecer a Deus (veja I JO�IO 2 : 3 ;
3 : 1 -2; Éter 2-3).
Na época em que Cristo veio ao mundo , os judeus
haviam perdido o conhecimento dos três membros,
distintos e separados da Trindade . Haviam perdido a
noção de que Jeová, que lhes dera a lei através de Moisés,
viria ao mundo como o Redentor da humanidade , embora
os profetas lhes houvessem ensinado claramente este
principio (veja I Coríntios 1 0:4; 3 Néfi 1 5 : 10; Isaías 4 1 : 14;
44:6) . Eles aguardavam ansiosamente o aparecimento de
seu Deus, o Messias prometido , como um salvador
político que os libertaria do jugo romano . Sua religião era
monoteísta, e um filho de Deus não fazia parte dela .
Porém, Zacarias, pai de João Batista, recebeu a revdação
de que seu filho iria diante do Senhor (Jeová, em
hebraico) , "preparar para o Senhor (ou Jeová) um povo
escolhido" . (Lucas 1 : 1 7 ; veja também o versículo 1 15.) E
os anjos anunciaram aos pastores, naquela primeira noite
de Natal : " Pois , na cidade de Davi, vos nasceu hoj�: o
Salvador, que é Cristo, o Senhor. " (Lucas 2 : 1 l .)
Todas as escrituras apontam para Cristo
(A-4) Evidência das Escrituras de que Jesus Cristo É o
Deus do Velho Testamento
Abinádi, diante da corte do iníquo rei Noé, prestou
testemunho de que todos os profetas , desde o princípio do
mundo , haviam profetizado que Deus (Jeová) "baixaria
entre os filhos dos homens (e) tomaria forma humana"
(Mosias 1 3 : 34; ver também o versículo 33) . Os santos dos
últimos dias , que têm o privilégio de contar com escrituras
adicionais, foram ensinados claramente a respeito dessa
verdade . Por exemplo , o Livro de Doutrina e Convênios
demonstra que Jesus Cristo é Jeová, o grande "Eu Sou"
(veja D&C 1 1 0: 3-4; 29: 1 ) .
Porém, muitos indivíduos d o mundo cristão não têm
examinado com o devido cuidado a evidência bíblica que
ensina inequivocamente que Jeová é o Jesus pré-mortal .
As seguintes escrituras são apenas um exemplo dessas
provas conclusivas que se encontram na Bíblia.
45
Velho Testamento
Novo Testamento
1 . Jesus (Jeová) foi o criador do
mundo .
"Assim diz o Senhor . . . Eu que fiz a
terra e criei nela o homem ; eu o fiz; as
minhas mãos estenderam os céus, e a
todos os seus exércitos dei as minhas
ordens . " (Isaías 45 : 1 1 - 1 2 . )
"No principio era o Verbo, e o Verbo
estava com Deus, e o Verbo era
Deus . . . Todas as coisas foram feitas
por ele, e sem ele nada do que foi
feito se fez . " (João 1 : 1 , 3 . )
2. Jeová é o Salvador .
"Todavia, e u sou o Senhor teu Deus
desde a terra do Egito ; portanto não
reconhecerás outro deus além de
mim, porque não há Salvado : senão
eu . " (Oséias 1 3 :4.)
" Pois , n a cidade d e Davi , vos nasceu
hoje o Salvador, que é Cristo, o
Senhor . " (Lucas 2: 1 1 )
3 . Jeová é o Redentor.
"Assim diz o Senhor, teu Redentor, o
Santo de Israel . " (Isaías 43 : 1 4 .)
" Cristo nos resgatou da maldição da
lei . " (Gálatas 3 : 1 3 . )
4. Jeová resgatará os homens das
garras da morte .
"Eu (Jeová) os remirei da violência
do inferno, e os resgatarei da morte :
onde estão , ó morte, as tHas pragas?
Onde está, ó inferno a tua perdição ? "
(Oséias 1 3 : 14. )
"Mas agora Cristo ressuscitou dos
mortos, e foi feito as primícias dos
que dormem . Porque assim como a
morte veio por um homem também a
ressurreição dos mortos veio por um
homem . Porque, assim como todos
morrem em Adão , assim também
todos serão vivificados em Cristo . "
( I Coríntios 1 5 :20-22 .)
5 . Os judeus olharão para Jeová a
quem traspassaram .
"E sobre a casa de Davi , e so'ore os
habitantes de Jerusalém , (eu , Jeová)
derramarei o Espírito de graça e de
súplicas ; e olharão para mim a quem
traspassaram ; e o prantearão como
quem pranteia por um unigênito; e
chorarão amargamente por el e, como
se chora pelo primogênito . "
(Zacarias 1 2 : 10.)
"Contudo um dos soldados lhe furou
o lado com uma lança, e logo saiu
sangue e água . . . Porque isto
aconteceu para que se cumprisse a
Escritura, que diz: Nenhum dos seus
ossos será quebrado. E outra vez diz a
Escritura: Verão aquele que
traspassaram . "
(João 1 9 : 34, 36-37.)
6. Jesus acompanhou Israel no
deserto, durante o Êxodo.
" E o Senhor ia diante deles , dle dia
numa coluna de nuvem , para os guiar
pelo caminho, e de noite numa coluna
de fogo , para os alumiar , para que
caminhassem de dia e de noite . Nunca
tirou de diante da face do pov o a
coluna de nuvem , de dia, nem a
coluna de fogo, de noite . " (Êxodo
1 3 : 2 1 -22 .)
"Ora, irmãos não quero que ignoreis
que nossos pais estiveram todos
debaixo da nuvem , e todos passaram
pelo mar . E todos foram batizados
em Moisés, na nuvem e no mar , e
todos comeram dum mesmo manjar
espiritual , e beberam todos duma
mesma bebida espiritual , porque
bebiam da pedra espiritual que os
seguia e a pedra era Cristo . "
( I Coríntios lO: 1 -4.)
7 . Jeová é o marido ou noivo .
" Porque o teu Criador é o teu
marido; o Senhor dos Exércitos é o
seu nome; e o Santo de Israel é o teu
Redentor ; ele será chamado o Deus
de toda a terra . " (Isaías 54: 5 . )
"Regozij emo-nos, e alegremo-nos e
demos-lhe glória ; porque vindas as
bodas do Cordeiro , e já a sua esposa
se aprontou . E foi-lhe dado que se
vestisse de linho fino , puro e
resplandecente ; porque o linho fino
são as justiças dos santos . "
(Apocalipse 1 9:7-8 .)
8 . Jeová é o primeiro e o último (alfa
e ômega) .
"Assim diz o Senhor Rei d e I� rael, e
seu Redentor, o Senhor dos
Exércitos : Eu sou o primeiro, e eu sou
o último , e fora de mim não há
Deus . " (Isaías 44:6.)
"Eu sou o Alfa e o Ô mega, o
princípio e o fim , diz o Senhor , que é,
e que era e que há de vir, o Todo­
-Poderoso . " (Apocalipse 1 : 8.)
.
46
(A-S) A Importância de Se Conhecer a Identidade do Deus
do Velho Testamento
Muitas pessoas , inclusive inúmeros estudiosos da Bíblia,
chegaram à conclusão de que o Deus retratado no Vdho
Testamento foi produto das superstições e crenças antigas
de um povo primitivo e supersticioso . Eles tomaram tal
decisão por haverem encontrado certas características que
contradiziam o conceito que tinham do Deus do Novo
Testamento. Todavia, saber que o Senhor do Velho
Testamento foi o mesmo Jesus Cristo da vida pré-mortal ,
tem profundas implicações, não somente para
entendermos corretamente o Velho e o Novo Testamento ,
mas também para compreendermos a natureza e des ígnios
de Deus e o relacionamento que o homem tem com cada
membro da Deidade.
Por exemplo , a mesma pessoa que disse, "Amai a
vossos inimigos" (Mateus 5 :44) , disse o seguinte a respeito
dos Cananeus que viviam na terra prometida: "Nenhuma
cousa que tem fôlego deixarás com vida; antes destrui-las­
-ás totalmente. " (Deuteronômio 20: 1 6- 1 7 .) O mesmo
Salvador que declarou que devemos perdoar " setent a
vezes sete" (Mateus 1 8 : 22) , destruiu todos os habitantes da
terra, com exceção de apenas oito almas (vej a Gênesi.s ? -8) .
Por outro lado, o Jesus do Novo Testamento , qUf: dIsse
certa vez que todo aquele que se recusasse a perdoar as
faltas de seus semelhantes seria entregue "aos
atormentadores até que pagasse tudo o que devia" (Mateus
1 8 : 34-35), é o mesmo Senhor do Velho Testamento que
disse : " Ainda que os vossos pecados sejam como a
escarlata eles se tornarão brancos como a neve (Isaías
1 : 1 8) . E � Cristo representado no livro de Apocalipse, que
é retratado como uma grande foice , prestes a colher os
frutos da vinha e lançá-los no lagar (veja Apocalipse
14: 1 4-20) , é o mesmo Deus do Velho Testamento que disse
a Miquéias : "E que é o que o Senhor pede de ti , senão que
pratiques a j ustiça, e ames a beneficência, e andes
humildemente com o teu Deus? " (Miquéias 6 : 8 . )
Não existe inconsistência alguma n a natureza d e Deus.
Ele é sempre perfeitamente magnânimo e amoroso, mas é
ao mesmo tempo infinitamente j usto e não encara o
pecado com o menor grau de tolerância. Como ele disse a
Joseph Smith: " Deus não anda por sendas tortuosas , nem
se volta à direita ou à esquerda . . . suas veredas são retas , e
o seu caminho, um circulo eterno . " (D&C 3 : 2 . ) Em todas
as escrituras do Velho Testamento, encontramos esse
mesmo Deus perfeitamente imutável . Elas acrescentam
maior brilho ao nosso entendimento de Deus e de como ele
trata a seus filhos, abençoando-os de acordo com sua
obediência e receptividade, ou punindo-os ao serem
rebeldes e iníquos. Se quisermos conhecer melhor a Cristo ,
devemos estudar o Velho Testamento, pois, em seu papel
de Jeová, sua personalidade permeia todo aquele antigo
registro . Jesus Cristo é o Deus do Velho Testa!llento tanto
quanto é o Deus do mundo atual . Um dos meIos de
entendermos o Velho Testamento e também a natureza de
Deus, é mantermos esse importante fato sempre em nossa
mente.
Gênesis 4-11
4
Os Patriarcas
(4-1) Introdução
"Talvez nossos amigos digam que o evangelho com suas
ordenanças não foi conhecido até os dias de João , filho de
Zacarias , na época de Herodes , rei da Judéia.
Examinemos esse ponto . De nossa parte, não cremos que
os antigos de todas as épocas não tivessem algum
conhecimento do sistema celestial, como muitos supõem ,
porque todos os que já se salvaram o foram pelo poder
.
desse grande plano de redenção , tanto antes como depOIS
da vinda de Cristo; se não foi assim , Deus tinha vários
planos em funcionamento (se podemos expressar-nos desse
modo) , para trazer os homens de volta a sua presença; e
nisso não acreditamos, pois não houve mudança na
constituição do ser humano desde a queda; e a ordenança
ou instituição de oferecer sangue em sacrifício tinha por
objetivo continuar somente até que Cristo fosse oferecido
e derramasse seu sangue - como já foi dito - para que o
homem pudesse esperar com fé esse dia. Veremos que,
segundo Paulo (Gálatas 3 : 8) , o evangelho foi pregado a
Abraão . " (Smith , Ensinamentos, p. 59.)
relato feito por Moisés salienta que, antes de Caim,
haviam nascido muitos outros filhos, não sendo para ele,
portan to, um problema encontrar uma esposa.
3. Adão e Eva invocaram o nome do Senhor, e e 11! bora
já não pudesse vê-lo, como acontecia no Jardim do � den ,
o Senhor falou com eles e deu-lhes mandamentos (veja
Moisé�; 5 :4-5).
4. A dão e Eva foram obedientes aos mandamentos, os
quais i ncluíam o sacrifício das primícias de seus rebanhos
como uma oferta ao Senhor (veja Moisés 5 : 5).
5. D epois que nossos primeiros pais demonstraram essa
obediência durante "muitos dias " , um anj o do Senhor
aparec eu a Adão e perguntou-lhe por que oferecia
sacrifícios (Moisés 5 : 6) . Quando ele respondeu que não
sabia, ,� que apenas estava obedecendo a um mandamento
(uma g rande evidência que temos da fé que Adão possuía) ,
o anj o ensinou-lhe que tais sacrifícios eram à semelhança
do futuro sacrifício expiatório do Salvador, e que eles
deviam arrepender-se e invocar a Deus em nome do Filho
para todo o sempre . (Veja Moisés 5 : 6-8 .)
Instruções aos AJunos
1 . Ao ler e estudar Gênesis 4- 1 1 , utilize o auxílio que
as Notas e Comentários podem oferecer-lhe .
2. Moisés 5-8 contém informações e ensinamentos
valiosos não encontrados em Gênesis . Embora esse
relato paralelo venha a ser estudado com maior
profundidade no curso referente à Pérola de Grande
Valor (Curso de Religião 327), estes capítulos devem ser
lidos e estudados juntamente com o relato de Gênesis .
3 . Complete a seção de Pontos a Ponderar,
conforme as orientações fornecidas pelo professor. (Os
alunos que estudam individualmente devem completar
toda a seção .)
NOTAS E COMENTÁRIOS
SOBRE GÊNESIS 4-11
(4-2) Gênesis 4:1. Que Verdades Importantes o Relato do
Livro de Moisés Restaura aos Ensinamentos que se
Encontram em Gênesis?
Foram acrescentados quinze versículos entre Gênesis
3 : 24 e Gênesis 4: 1 , os quais contêm as seguintes
informações fundamentais:
1. Depois que Adão e Eva foram expulsos do Paraíso ,
trabalharam juntos para obter seu próprio sustento e o de
.
seus filhos, cultivando a terra e criando rebanhos (veja
Moisés 5 : 1 ) .
2. Adão e Eva começaram a ter filhos, cumprindo o
mandamento que o Senhor lhes dera, de frutifícarem,
multiplicarem-se e encher a terra. Seus filhos casaram-se
entre si, originando suas próprias famílias (veja M � isés
5 : 2-3) . Este ensinamento esclarece um problema OrIundo
da falta de informações do relato de Gênesis . Em Gênesis
4: 1 -2, surgem os nomes de Caim e Abel como sendo os
primeiros filhos de Adão; todavi.a, alguns versículos
.
depois , Gênesis 4: 17 fala a respeIto da esposa de CaIm. O
Adão
50
6. Depois que Adão e Eva aprenderam a respeito do
plano de salvação e foram batizados, o Espírito Santo
desceu sobre eles, e começaram a profetizar. Ambos
compreenderam o propósito da Queda e rejubilaram -se
com o plano do Senhor (Moisés 5 : 9- 1 1 ) _
7 . Adão e Eva ensinaram estas coisas a seus filho s, mas
Satanás também começou a influenciá-los tentando
persuadi-los a rejeitar o evangelho . Daquela época em
diante, o evangelho começou a ser pregado sobre a terra;
os que o aceitaram foram salvos e os que o recusaram,
sofreram condenação (Moisés 5 : 1 2- 1 5) .
(4-3) Gênesis 4:3. O que Sabemos a Respeito d e Abel,
Além do que Encontramos Nesta Escritura?
O Profeta Joseph Smith ensinou o seguinte acerca de
Abel:
"Temos em Gênesis 4:4, que Abel trouxe dos
primogênitos das suas ovelhas , e da sua gordura, e atentou
o Senhor para Abel e para a sua oferta. E, ainda, 'pela fé
Abel ofereceu a Deus maior sacrifício do que Caim., pelo
qual alcançou testemunho de que era justo, dando Deus
testemunho dos seus dons, e por ela, depois da morte,
ainda fala' . (Hebreus 1 1 :4.) Como é que ainda fala por
ela? Porque magnifícou o Sacerdócio que lhe foi co nferido
e morreu como um justo . Por conseguinte, chegou a ser
um anjo de Deus, porque recebeu seu corpo dos mortos, e
ainda tem as chaves de sua dispensação; e foi enviado dos
céus para administrar palavras de consolo a Paulo f:
ministrar-lhe conhecimento dos mistérios da divindade.
"E se não foi esse o caso, eu perguntaria, como Paulo
sabia tanto sobre Abel, e por que mencionou que ele falou
depois de morto? E para ter falado depois de morto , deve
ter sido enviado dos céus para exercer seu ministério . "
(Ensinamentos, p . 1 64.)
A visão da redenção dos mortos que Joseph F. Smith
teve (D&C 1 38), indica que Abel se encontrava entre os
santos justos que viu no mundo espiritual , aguardando a
vinda do Salvador, que visitou os espíritos em prisão
enquanto seu corpo ainda j azia na tumba (veja o
versículo 40) .
(4-4) Gênesis 4:4-8. Mas para Caim e para a Sua Oferta
Não Atentou
O Profeta Joseph Smith explicou por que a oferta de
Caim não foi aceitável:
" Pela fé nessa expiação ou plano redentor, Abel ,
ofereceu a Deus um sacrifício aceitável das primícias do
rebanho . Caim ofereceu do fruto da terra, e não foil
aceito , porque não pôde ofertá-lo com fé; não podfTia ter
tido fé, ou melhor, não poderia exercer uma fé contrária
ao plano celestial . A expiação em favor do homem tem de
ser através do derramamento do sangue do Unigêni to; e
sem isso , não há remissão ; e uma vez que o sacrifício foi
instituído como um modelo por intermédio do qual o
homem discerniria o grande Sacrifício que Deus tinha
preparado, era impossível exercer a fé em um sacrificio
contrário , porque a redenção não foi conseguida dessa
maneira, nem se instituiu o poder expiatório segundo essa
ordem. Portanto, Caim não poderia ter tido fé, e o que
não se faz pela fé é pecado . Porém, Abel ofereceu um
sacrifício aceitável, através do qual recebeu testemunho de
que era j usto , e o próprio Deus testifícou de suas dMivas .
Certamente, por verter o sangue de um animal, o homem
em nada se benefíciaria, a menos que o fízesse para imitar,
ou como modelo ou explicação do que seria oferecido por
intermédio do dom do próprio Deus; e isso deveria ser
feito com os olhos voltados para o futuro, tendo fé no
poder desse grande sacrifício para a remissão dos
pecados . " (Ensinamentos, pp . 57-58.)
Mesmo após recusar-lhe a oferta, o Senhor não rejeitou
a Caim, mas deu-lhe uma advertência específíca a respeito
do perigoso caminho que ele estava trilhando . Foi somente
após repudiar aquele conselho que a rebeldia de Caim se
tornou total . Moisés registra que " Caim irou-se, e não
mais fez caso da palavra do Senhor" . (Moisés 5 :26. )
Gênesis 4:7 não está bem claro, mas o registro d e Moisés
esclarece que o Senhor preveniu a Caim, avisando-o de
que, caso não se arrependesse, governaria sobre Satanás .
Esse relato, muito mais completo, nos ensina que Caim
não foi , imediatamente após ser advertido, até o campo e
matou Abel . Depois de rejeitar o Senhor, ele começou a
comunicar-se diretamente com Satanás, que lhe sugeriu os
meios pelos quais poderia matar seu irmão (veja Moisés
5 : 28-3 1 ) . Gradualmente o adversário engendrou a queda
de Caim, fazendo-o chegar a um ponto em que "se
vangloriou de sua iniqüidade" (Moisés 5 : 3 1 ) . Foi ao atingir
esse nível de degradação que ele matou Abel .
(4-6) Gênesis 5:22-24. Que Sabemos a Respeito de
Enoque?
"Quatro gerações, ou cerca de quinhentos anos depois,
segundo o livro de recordações de Adão, Enoque, da
linhagem de Sete, foi chamado para ser um grande
profeta, missionário e reformador. Seu ministério foi
profundamente necessário em virtude de os descendentes
de Caim e seguidores de seu culto se haverem tornado tão
numerosos, e porque a violência se havia propagado sobre
a terra, já na quinta geração posterior â de Caim (Moisés
5 :28-3 1 , 47-57) . Enoque pregou o arrependimento àqueles
que se haviam convertido em pessoas sensuais e diabólicas .
Os filhos de Deus, distintos dos filhos dos homens, viram­
-se obrigados a habitar numa nova terra, chamada ' Cainã' ,
em homenagem a um seu ancestral, filho d� Enos . (Não
confundir este Cainã com o povo iníquo de Canaã, citado
em Moisés 7 : 6- 1 0. )
"Enoque foi bem sucedido e m seu chamado de
combater os males de sua época (Moisés 6:27-29) ; ele teve
a capacidade de levantar um povo justo , chamado ' Sião' ,
que signifíca 'o puro de coração' . (Moisés 7 : 1 8 em diante .)
Os ensinamentos de Enoque podem ser divididos em
quatro categorias principais e transmitem informações que
não se encontram em nenhuma outra escritura. Ele
esclareceu ( 1 ) a queda do homem e suas conseqüências; (2)
a natureza da salvação e os meios pelos quais podemos
alcançá-la; (3) o pecado , considerando os males que
existiam em sua época, em contraste com a retidão dos
justos que eram seus seguidores ; (4) a causa, objetivo e
conseqüências do futuro dilúvio, previsto para o tempo de
Noé; (5) a magnitude do triunfo de Satanás e as aflições de
Deus concernentes a ele; (6) o primeiro advento do
Messias ; (7) o segundo advento do Messias e seu pacífico
reinado milenar . Os detalhes dos seus conceitos do
'
evangelho merecem cuidadoso estudo e atenção . O Novo
Testamento menciona esse grande homem (Judas 14, 1 5 ;
Hebreus 1 1 :5), e também Doutrina e Convênios. "
(Rasmussen, lntroduction to the Old Testament,
Vol. 1 , pp . 24-25 . )
(4-7) Gênesis 5:21-27. Metusala Morreu no A n o e m que
Ocorreu o Dilúvio?
Um criterioso exame do registro dos patriarcas que se
encontra neste capítulo de Gênesis demonstra que
51
(4-8) Gí�nesis 6: 1-2. Que Significam as frases "Filhos de
Deus" e "Filhas dos Homens" ?
Enoque
Metusala morreu no ano em que ocorreu o dilúvio. Muitas
pessoas perguntam a si mesmas por que ele não foi levado
na arca j untamente com Noé, e chegam à conclusão
errônea de que talvez tenha sido um homem iníquo. O
livro de Moisés, todavia, mostra que a linhagem que se
encontra nessa parte do registro traça a genealogia dos
patriarcas dignos (veja Moisés 6:23), e que Metusala nela
se encontra. Moisés 8 : 3 nos ensina que Metusala não subiu
aos céus com a cidade de Enoque para que a linha
patriarcal tivesse continuidade. Vemos também que ele
profetizou que, de seus lombos, nasceriam rodas as nações
da terra (através do j usto Noé) . Isto evidencia claramente
que ele também era um homem digno . A escritura nos diz
ainda que "ele se glorificou a si mesmo " (Moisés 8 : 3) .
Após haver executado o seu trabalho, ele provavelmente
foi transladado como os outros, pois , durante
aproximadamente setecentos anos contados desde a época
em que a cidade de Enoque foi levada, até o tempo do
dilúvio , os santos j ustos foram transladados e j untaram-se
ao povo de Enoque (veja Moisés 7:27; McConkie,
Mormon Doctrine, p. 804) .
Embora a maior parte dos eruditos acreditem que o
nome signifique "homem de azagaia" ou "homem de
lança " , um deles escreveu a seguinte interpretação que, se
estiver correta, daria a esse nome uma natureza profética:
" Metusala viveu até o ano em que ocorreu o dilúvio , e
acredita-se que seu próprio nome tinha algo de profético . . .
methu ' ele morreu ' , e shalach , 'ele enviou' ; como se Deus
quisesse ensinar aos homens que tão logo Metusala
morresse, o dilúvio seria enviado para afogar um mundo
iníquo. Se era assim compreendido naquela época, até o
nome deste patriarca continha em si mesmo uma solene
advertência. " (Clarke, Bible Commentary, Vol . 1 , p . 68 .)
Mois,�s 8 : 1 3- 1 6 esclarece melhor o significado dessa
escritura e por que esse tipo de casamento era condenável .
Comentando a respeito desses versículos , o É lder Joseph
Fielding Smith escreveu :
"Porque as filhas de Noé se casaram com os filhos dos
homens , contrariando os ensinamentos do Senhor,
acendeu-se sua ira, e essa transgressão foi um dos motivos
pelo qu. al ele fez com que sobreviesse um dilúvio universal .
Podemos ver no livro de Moisés que essa condição aparece
ao inverso .
Foi porque as filhas dos filhos de Deus se casaram com
os filho, dos homens que o Senhor se desgostou. O fato é
que, como vemos através das revelações , as filhas , que
evidentemente haviam nascido sob o convênio, e eram
filhas dos filhos de Deus, ou, em outras palavras , daqueles
que possuíam o sacerdócio , transgrediram o mandamento
do Senhor e se casaram /ora da Igreja, perdendo , assim , o
dir:eito de receber as bênçãos do sacerdócio e agindo em
contrári o aos ensinamentos de Noé e à vontade de Deus . "
(Answers to Gospel Questions, Vol . 1 , pp . 1 36-37 .)
O Presidente Spencer W. Kimball advertiu os santos dos
últimos dias a respeito dos perigos do casamento fora do
convênio :
" Paulo disse aos Coríntios: 'Não vos ponhais e m j ugo
desigual . . . . ' Talvez Paulo quisesse fazê-los compreender
que as diferenças religiosas são fundamentais e envolvem
extensa�; áreas de conflito . A lealdade à Igreja e a lealdade
à famíli a se entrechocam . A vida dos filhos em geral
torna-St: frustrada. O não-membro pode ser igualmente
brilhante, bem preparado e atraente, e ele ou ela podem
ter a personalidade mais agradável que se possa imaginar,
porém, sem uma fé comum , problemas e dificuldades
acompanharão o casamento. Há algumas exceções , mas a
regra é severa e infeliz.
" Não há preconceitos nem prevenções nessa doutrina. É
uma questão de seguir certo plano para alcançar um
objetivo determinado . " (O Milagre do Perdão, p. 23 1 .)
(4-9) Gê llesis 6:3. O que Significa a Promessa dos 120 Anos?
Muitos eruditos, que contam apenas com Gênesis como
fonte dt: pesquisa, afirmam que esta declaração foi uma
profeci2. diminuindo a duração da vida do homem após o
dilúvio. No livro de Moisés, todavia, está claro que os 1 20
anos diziam respeito ao tempo que Noé levaria pregando o
arrependimento e tentando salvar o mundo, antes que o
Senhor enviasse o dilúvio. (Vej a Moisés 8 : 1 7 . ) Esse espaço
de temp o mais tarde seria referido por Pedro como o
período " quando a longanimidade de Deus esperava"
(1 Pedro 3 : 20) . Por ter rejeitado os princípios e
ordenanças do evangelho que lhes foram pregados por
Noé, o povo foi destruído pelas águas do dilúvio . O
Senhor lhes havia concedido um tempo mais que suficiente
para que se arrependessem .
(4-10) Gênesis 6:6-7. Sendo Perfeito, Como Poderia o
Senhor Se Arrepender?
Vej a \1oisés 8 : 25-26. O Profeta Joseph Smith afirmou :
" Creio na Bíblia tal como se encontrava ao sair da pena de
seus esc. itores originais. Os tradutores ignorantes, os
copistas descuidados e os sacerdotes intrigantes e
corruptos cometeram muitos erros. Lê-se em Gênesis 6:6:
"Então arrependeu-se o Senhor de haver feito o homem
sobre a terra. " E em Números 23 : 1 9: ' Deus não é homem ,
52
para que minta; nem filho do homem , para que se
arrependa; no que eu não acredito . Deveria estar esc:rito :
Lamentou Noé que Deus tivesse feito o homem. ' "
(Ensinamentos , p. 3 1 9.)
(4-11) Gênesis 6:9. O Homem Chamado Noé
"O Senhor revelou muitas coisas ao Profeta Joseph
Smith a respeito dos antigos profetas e das chaves que eles
possuíam . Num discurso sobre o sacerdócio, proferi do no
dia 2 de j ulho de 1 839, ele informou aos santos o que o
Senhor lhe havia revelado com relação às missões dos
antigos profetas e videntes . Das observações que fez ,
consta o seguinte:
" ' . . . Noé, que é Gabriel; este segue a Adão em
autoridade do Sacerdócio . Deus chamou esses homms
para esse oficio , e cada um, em sua época, foi o pai de
todo o ser vivente, e a ele foi dado todo o domínio . Eles
tiveram as chaves do Sacerdócio primeiramente na t,erra, e
depois nos céus . ' " (Ensinamentos, p . 1 53 .)
" Lucas nos revelou que o anjo Gabriel apareceu a
Zacarias para informar-lhe que sua esposa teria um filho .
Ele também visitou a Maria, anunciando-lhe o nascimento
de nosso Senhor e Salvador.
"Gabriel , portanto, é Noé, de acordo com esta
revelação.
" Descobrimos então, através de revelação dada ao
Profeta Joseph Smith , em agosto de 1 830, que foi Elaías,
quem apareceu a Zacarias e anunciou-lhe o nascimento de
João Batista. (D&C 27 : 6-7 é então citada.)
"Este é o mesmo Elaías que possuía as chaves da
dispensação de Abraão , e que apareceu ao Profeta Joseph
Smith e Oliver Cowdery no dia 3 de abril de 1 836, no
Templo de Kirtland, e restaurou as chaves da dispen sação
de Abraão . (D&C 1 1 0: 12; 128:20-2 1 são citadas . )
"Através destas escritutas, aprendemos que Noé i: o
mesmo Gabriel, e que visitou o Profeta Joseph Smith em
seu chamado de Elaías, e restaurou as chaves da
dispensação em que o Senhor havia feito convênio c om
Abraão e sua posteridade, até às últimas gerações .
"O termo Elaías significa precursor. Noé, Elias, J oão
Batista e João, o Revelador, são chamados erroneamente
de Elias nas escrituras, embora o termo correto seja Elaías,
ou precursores . (Vej a Ensinamentos , pp . 326-330.)
" Resumindo os fatos - Joseph Smith revelou qu e
Gabriel era Noé; Lucas declarou que foi o anjo Gabriel
que apareceu a Zacarias e Maria; e o Senhor afirmou que
Elaías apareceu a Zacarias e Joseph Smith . Portanto ,
Elaías é Noé . " (Smith, Answcrs to Gospel Questions, Vol .
3 , pp . 1 38-4 1 .)
(4-12) Gênesis 6 : 10
A maneira típica de nos referirmos aos filhos de Noé é
da forma em que se encontra no livro de Gênesis, ou seja,
Sem, Cão e Jafé . O livro de Moisés, entretanto, registra
que Jafé era o mais velho dos três filhos, Sem o segundo , e
Cão o terceiro (veja Moisés 8 : 1 2) .
(4-13) Gênesis 6: 14-16. Que Aparência Tinha a Arca?
"A arca: a palavra hebraica significa ' caixa' ou ' cesto ' .
Ela é usada e m outra parte d a Bíblia somente a o referir-se
à arca a prova d ' água em que Moisés foi colocado sobre o
Nilo - um paralelo deveras interessante.
"A arca era de grande tamanho , e fora construída não
para navegar, mas apenas para flutuar sobre as águas; não
apresentava portanto, os problemas de lançamento à água
enfrentados por nossos navios atuais ! Considerando que
um cúbito deveria ter 46 centímetros , a arca media,
portanto, 1 37 x 23 x 14 metros . " (Alexander and
Alexander, Eerdmans' Handbook to the Bible, p. 1 32.)
(4-14) Gênesis 7:7. Foram Salvas Outras Pessoas sem Ser
Através da Arca?
" Durante os primeiros 2200 anos da história da terra,
ou seja, desde a queda de Adão até o ministério de
Melquisedeque não era um caso incomum os membros
fiéis da Igreja serem transladados e subirem às regiões
celestiais sem provarem a morte . Desde aquela época,
ocorreram exemplos ocasionais de transladação quando
um trabalho especial de ministério assim o requeria.
" . . . Metusala, o filho de Enoque, não foi transladado
junto com a cidade de seu pai, 'a fim de que se
cumprissem os convênios que o Senhor ha'{ia feito com
Enoque; porque ele em verdade fez convênio com Enoque
de que Noé seria do fruto de seus lombos' . (Moisés 8:2.)
Porém, durante os 700 anos que transcorreram desde a
transladação de Enoque até o dilúvio de Noé, parece que
quase todos os membros fiéis da Igreja haviam sido
transladados, pois 'o Espírito Santo desceu sobre muitos, e
eles foram levados pelos poderes do céu a Sião ' . (Moisés
7 :27 .)" (McConkie, Mormon Doctrine, p. 804.)
53
40 m
70 m
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300 m
1 37 m
mi.
A Arca de Noé
Trirreme Grega ·
Encouraçado
Soberano
dos Mares
Quebra-gelos
Lenin
Transatlântico
Estados Unidos
(4-15) Gênesis 7 : 19. Como o Dilúvio Conseguiu Cobrir
toda a Terra, Inclusive as Montanhas? Qual Foi o
Significado Dessa Imersão?
"Gostaria de saber através de que lei conhecida do
universo pôde realizar-se a total imersão da terra.
.
Podemos explicar esse fato, em poucas palavras , atraves
das próprias escrituras , pois elas dizem que " As j anelas
dos céus se abriram" , isto é, desceram as águas que
existiam por todo o espaço que circundava a terra, que
provinham das nuvens de onde caiu a chuva. Essa foi uma
das causas da imersão . A outra é que ' se romperam todas
as fontes do grande abismo' - ou seja, algo que existe
além dos oceanos, fora dos mares . Reservatórios dos quais
não temos conhecimento, contribuíram para que ocorresse
tal evento, e as águas foram libertadas pela mão e poder de
Deus; pois ele havia decretado que enviaria o dilúvio sobre
a terra, e assim fez. Mas , para tanto , o Senhor teve que
libertar as fontes das grandes profundezas , e trazer as
águas que lá existiam. Quando as águas d � dilúvio
começaram a diminuir, as escrituras nos dIzem que
'cerraram-se as fontes do abismo e as j anelas dos céus, e a
chuva dos céus deteve-se, e as águas tornaram de sobre a
terra' . Para onde foram elas? Para o mesmo lugar de onde
tinham vindo. Agora mencionarei algo mais. Algumas
pessoas falam, um tanto filosoficamente, de ondas
provocadas pelo fluxo e refluxo das marés . Mas a questão
é - como fazer com que as marés do Oceano Pacífico
produzam onda de tamanho suficiente para, por exemplo,
cobrir a Serra Nevada? Mas a Bíblia não nos ensina que
foi isso o que aconteceu . As escrituras simplesmente
declaram que 'todos os altos montes, que havia debaixo de
todo o c éu foram cobertos. Quinze côvados acima
prevaleceram as águas; e os montes foram cobertos' . Isto
quer dizer que a terra foi completamente coberta pelas
águas . Foi um período de batismo . " (John Taylor, em
Journa/ oi Discourses, Vol . 26, pp . 74-75.)
Orson Pratt declarou o seguinte, a respeito do fato de o
dilúvio t er sido o batismo da terra:
" A primeira ordenança instituída para a purificação da
terra foi sua total imersão na água; ela foi sepultada no
líquido, e todas as coisas pecaminosas que haviam .sobre
ela foram varridas de sua superficie. Quando a terra
ressurgiu do oceano que a envolvia, como uJ?a crianç�
recém-n,ascida, era totalmente inocente; haVIa res �urgldo
para uma nova vida. Aquele foi seu segundo naSCImento
do ventr e das poderosas águas - um novo mundo que
surgia das ruínas do antigo, revestido com toda a
inocência da primeira criação . " (Citado por Smith, em
A nswers to Gospe/ Questions, Vol. 4, p. 20. )
"Esta terra, e m s u a condição e situação atual, não é
uma morada adequada pata os santificados; ela obedece,
porém, à lei de sua criação , foi batizada pela água, será
batizada pelo fogo e pelo Espírito Santo , e, com o passar
do tempo, será preparada para os fiéis nela habitarem . "
(Brighãm Young, citado por Smith ,. e m Answers to Gospe/
Questiolls, Vol . 4, p . 20.)
54
(4-16) O Dilúvio Foi um Ato de Amor
"Farei agora uma análise retrospectiva dos fatos para
mostrar-vos como o Senhor costuma agir. Ele destruiu
certa vez toda a humanidade, salvando apenas algu mas
pessoas, as quais preservou para cumprir seus desígnios.
Por quê? Ele tinha mais de uma razão para agir ass im .
Aquele povo antidiluviano não somente era
profundamente iníquo , mas, tendo o poder de propagar a
sua espécie, transmitiu sua natureza e propósitos in íquos a
seus próprios filhos, fazendo com que se entregassem às
mesmas práticas . Os espíritos que habitavam nos m undos
eternos tinham conhecimento disso, e sabiam muito bem
que, se nascessem de tais progenitores, fariam recai r sobre
si próprios uma infinita onda de problemas, misérias e
pecados. Suponhamos que nós também nos
encontrássemos entre aqueles espíritos que ainda iri am
nascer na carne; não seria j usto presumirmos que
clamaríamos ao Senhor; dizendo: ' Pai, não vês a condição
decaida desse povo , quão corrupto e iníquo ele se tornou? '
'Sim ' , responderia ele. ' É correto , então , que nós, que
somos puros, tomemos sobre nós de tais tabernáculos e
estejamos sujeitos às mais amargas experiências , antes
mesmo de sermos redimidos, de acordo com o plano de
salvação? ' 'Não ' , diria o Pai, 'isso não estaria de acordo
com a minha j ustiça' . ' Então , Pai, o que fareis nes�;e caso?
O homem possui o livre-arbítrio e não pode ser coag ído a
mudar; e enquanto ele viver, tem em si o poder de
perpetuar a sua espécie . ' ' Primeiro , enviar-lhes-ei a minha
palavra, oferecendo-lhes um meio de se libertarem do
pecado e advertindo-os quanto à força de minha j u stiça,
que certamente os ferirá se a rejeitarem, e os destruirei da
face da terra, impedindo , assim , que se multipliquem, e
levantarei para mim outra semente. ' Pois bem , aquele
povo não deu ouvidos à pregação de Noé, um servo de
Deus que lhes foi enviado, e conseqüentemente o S,�nhor
fez com que 'as chuvas caíssem incessantemente sobre a
terra durante quarenta dias e quarenta noites, e toda a
humanidade pereceu no dilúvio, com exceção de oil:O
pessoas , que obedeceram à mensagem do Senhor . Mas ,
diria o sofista, seria correto um Deus j usto destruir tantas
pessoas? Tal atitude estaria de acordo com a miserkórdia?
Sim, foi um ato de justiç,a para com aqueles espíritos que
ainda não haviam recebido seu corpo, e um gesto de
justiça e misericórdia também para com aqueles indivíduos
que se achavam em pecado. Por quê? Porque, ao pôr fim
à sua existência terrena, o Senhor impediu que eles
fizessem seus pecados recaírem sobre a posteridade
humana, degenerando-a, e impediu também que
cometessem maiores iniqüidades . " (John Taylor, em
Journal of Discourses, Vol . 1 9, pp . 1 58- 1 59.)
(4-17) Gênesis 8:4. Onde a Arca de Noé Parou, Quando as
Aguas Baixaram?
Devemos lembrar-nos de que o Jardim do É den estava
situado na terra que agora conhecemos como América do
Norte (veja a leitura 2- 1 7) . Embora não saibamos d izer até
onde os primeiros habitantes se haviam espalhado,
partindo de sua localização original, nos mil e seiscentos
anos transcorridos desde a Queda de Adão até a ép oca do
dilúvio , é provável que Noé e sua família tenham vivido
em alguma parte daquela mesma região . A Bíblia n os
ensina que a arca repousou sobre o monte Arará, p orém
as escrituras não nos dizem onde estava situado este
monte. O lugar tradicional é uma montanha situada a
nordeste da Turquia, perto da fronteira com a Rús!:ia.
Comentando. a respeito da distância que Noé e seus fllhos
viajaram, o Elder Joseph Fielding Smith declarou :
" Lemos que foi no décimo sétimo dia do segundo mês
que se romperam as fontes do grande abismo, e que
choveu durante quarenta dias . A arca repousou sobre o
monte Arará no décimo sétimo dia do sétimo mês ;
portanto, eles viajaram durante cinco meses , até que o
Senhor fez com que a arca chegasse ao seu destino final .
Não resta qualquer dúvida de que uma considerável
distância separou o ponto em que a arca iniciou sua
jornada e o em que ela finalmente repousou . Não há
dúvida que contradiga o fato de que, durante o dilúvio,
houve grandes transformações na face da terra. Sua
superficie estava passando pelo processo de divisão em
continentes . Os rios mencionados no livro de Gênesis eram
cursos de água que existiam no Jardim do É den muitos
anos antes que a terra se dividisse em continentes e ilhas .
(Gênesis 2: 1 1 .) " (Answers to Gospel Questions, Vol . 2,
p . 94.)
(4-18) Gênesis 9:2-6. Qual É a Lei de Deus Relativa ao
Derramamento de Sangue?
Joseph Smith esclarece o mandamento do Senhor a Noé
(Gênesis 9: 1 0- 1 3), explicando que os animais foram dados
ao homem como fonte de alimento, para serem usados
parcamente, sem serem desperdiçados. O homem também
é prevenido a não matar seus semelhantes .
Doutrina e Convênios 49: 1 8-21 apóia essa informação
dada pelo Profeta, concernente ao uso de animais como
alimento , mas conclui com a seguinte advertência:
"E ai do homem que derrama sangue ou desperdiça
carne sem necessidade. '"
O Presidente Spencer W. Kimball esclareceu muitas
coisas numa reunião geral do sacerdócio, a respeito da
idéia de matar animais simplesmente por esporte . (Veja o
artigo intitulado " Princípios Fundamentais para se Viver e
Ponderar" , A Liahona, abril de 1 979, p . 64. )
(4-19) Arco-Íris Como Sinal d o Convênio
Na tradução de Joseph Smith , de Gênesis 9 : 1 7-25 , o
Senhor declara que o arco-íris é um símbolo do convênio
que ele fez com Enoque, assegurando que todo ser vivente
j amais seria destruído novamente por um dilúvio . Ele
acrescenta que, no futuro, a cidade de Enoque será
reunida à Sião da Nova Jerusalém.
"O Senhor colocou um arco nas nuvens por sinal de
que, enquanto se o puder ver, haverá sempre semeadura e
colheita, inverno e verão; mas quando desaparecer, ai
dessa geração , pois eis que o fim virá rapidamente . "
(Smith , Ensinamentos, p . 297 .)
"Perguntei ao Senhor sobre sua vinda, e enquanto isso,
o Senhor deu-me um sinal, e disse: 'Nos dias de Noé,
coloquei um arco nos céus como um sinal de que, em
qualquer ano que se visse o arco, o Senhor não viria, mas
que haveria plantação e colheita durante esse ano ; mas
quando virdes o arco ser retirado, será por sinal de que
haverá fome, pestilência e grande aflição entre as nações, e
que a vinda do Messias não está distante. ' "
(Ensinamentos, p . 332.)
(4-20) Gênesis 9:20-27. Por Que Noé Amaldiçoou a Canaã
numa Ocasião em que Ele Nem Mesmo Se Achava
Presente?
O relato da "nudez" de Noé e do papel que seus filhos
desempenharam naquele acontecimento é bastante
55
confuso, especialmente na parte em que ele desperta e
pronuncia uma maldição sobre seu neto Canaã, filho de
Cão (vej a Gênesis 1 0 : 6) , o qual parece que nem mesmo se
achava presente na ocasião .
A maioria dos membros da Igreja está ciente de que as
pessoas que participam da cerimônia da investidura no
templo usam o garment do sacerdócio, o qual simboliza os
convênios que lá fizeram. Esse garment representa a veste
de peles que o Senhor fez para Adão e Eva depois da
Queda (veja Gênesis 3 : 2 1 ; Moisés 4:27) . A idéia de um
vestuário de peles significando que o indíviduo tem poder
no sacerdócio , é encontrada em diversos escritos antigos.
Hugh Nibley disse o seguinte, falando a respeito de alguns
desses manuscritos antigos e a relação que eles têm com
.
essa passagem do livro de Gênesis :
"Ninrode declarou possuir soberania sobre o povo de
sua época, baseando-se na vitória que conseguiu obter
sobre seus inimigos (vej a Gênesis 1 0:8-10; Leitura 4-2 1 ) ,
a o sacerdócio, entretanto , ele declarou ter direito em
virtude de possuir 'a veste de Adão ' . O Talmude nos
assegura que foi devido à posse dessa vestimenta que
Ninrode foi capaz de assumir o poder de governar toda a
terra, .e que ele se assentava num trono , em sua torre,
enquanto os homens, prostrados, o adoravam . Os escritos
apócrifos, tanto os j udaicos como os cristãos, nos
transmitem muitas informações a respeito dessas vestes .
Para citar apenas um deles : 'as vestes de pele que Deus fez
para Adão e sua esposa, quando eles foram expulsos do
jardim, foram dadas a Enoque após o falecimento de
Adão ' ; e assim , elas devem ter passado a Metusala, e
depois a Noé, de quem Cão as roubou, quando sua família
saiu da arca. Ninrode, neto de Cão , as obteve de seu pai,
Cuse. Quanto à propriedade legítima desse vestuário, um
fragmento de escritura muito antigo, recentemente
descoberto, afirma que Miguel 'despiu Enoque de suas
vestimentas terrenas, e colocou sobre ele uma roupa
celestial' , levando-o depois à presença de Deus . . .
" Incidentalmente, a história relativa à veste roubada,
conforme relato feito pelos rabinos, entre os quais o
grande Eleazar, apresenta uma versão bem diferente da
estranha história que se encontra no capítulo 9 de Gênesis,
da Bíblia que conhecemos . Eles aparentemente consideram
que a palavra hebraica 'erwath ' , mencionada em Gênesis
9:22, de forma alguma significa 'nudez' , mas sim que tem
a conotação dada por sua raiz principal, que é 'vestimenta
de pele' . Se assim entendermos , devemos crer que Cão
furtou a veste de seu pai, enquanto este dormia, e
mostrou-a a seus irmãos, Sem e Jafé, os quais fizeram um
modelo ou cópia (salmah) ou teceram uma roupa
semelhante a ela (simlah) , a qual colocaram sobre seus
próprios ombros, devolvendo o vestuário original a seu
pai . Ao despertar, Noé reconheceu o sacerdócio de dois
filhos e amaldiçoou aquele que tentou despojá-lo de sua
veste . " (Lehi in the Desert and the World of the Jaredites,
pp . 1 60-62.)
Assim sendo , embora Cão tivesse o direito de possuir o
sacerdócio, o mesmo não acontecia a seu filho , Canaã,
pois , devido a seu pai haver-se casado com Egyptus , uma
descendente de Caim (Abraão 1 :2 1 -24) , seus descendentes
não poderiam ter aquele privilégio .
(4-21) Gênesis 10:8-9. Que Espécie de Homem Era o
Fundador da Babilônia?
A tradução da Bíblia feita por Joseph Smith não indica
que Ninrode tenha sido um "poderoso caçador diante da
face do Senhor" (Gênesis 1 0 : 9) , mas sim que ele foi um
"poderoso caçador em sua nação" .
Um f:studioso da Bíblia disse o seguinte a respeito de
Ninrod,!:
"Embora este termo não esteja bem definido , é bem
provável que Ninrode tenha sido um homem muito mau,
pois seu nome provém da palavra marad, que significa ele
se rebelou. No Targum (antigas traduções j udaicas das
escritur as) , no livro de I Crônicas 1 : 1 0 é dito: E Ninrode
começo u a se tornar um homem poderoso no pecado, um
assassin o de pessoas inocentes, e um rebelde diante do
Senhor. O Targum de Jerusalém afirma que ' Ele foi
poderoso na caça (ou em rapina) e em pecado diante de
Deus, p ois era um caçador dos filhos dos homens em seus
idiomas; a quem disse, Apartai-vos da religião de Sem e
apegai-vos aos estatutos de Ninrode' . O Targum de
Jonatham Ben Uzziel diz o seguinte: ' Desde a fundação
do mun do, ninguém j amais se encontrou semelhante a
Ninrode, poderoso na arte da caça e em rebeliões contra o
Senhor . ' A Siriaca* dá-lhe o título de gigante guerreiro . A
palavra . . . tsayid, traduzida para caçador, significa fazer
presa, e este termo é aplicado nas escrituras ao
aptisionamento de homens através de perseguição , tirania
e opres�:ão . Assim sendo, é bem provável que Ninrode,
tendo adquirido poder, usou-o de maneira tirânica e
despótica, e através de rapina e violência, fundou o
domínio que foi conhecido como o primeiro reino sobre a
face da terra . " (Clarke, Bible Commentary, Vol. 1 , p. 86.)
Naquela mesma época patriarcal, Melquisedeque (veja a
leitura 5-9) estabeleceu uma Sião de acordo com o modelo
deixado por Enoque, o protótipo da verdadeira cidade de
Deus, a mais livre de todas as sociedades , ao passo que
Ninrode erigiu uma Babilônia, cujo nome serviu para
designar o símbolo do reino de Satanás, a antítese de Sião .
(4-22) Gênesis 10:25. Foi a Terra Dividida no Tempo de
Pelegue?
"A d ivisão de terra a que diz respeito este versiculo , não
foi o ato de repartir algumas de suas regiões pelos seus
habitantes , de acordo com suas tribos e povos, mas sim a
separaçilo dos continentes , dividindo a superficie do
planeta, criando os hemisférios oriental e ocidental .
Examin ando um mapa-múndi, verificaremos como a
superficie terrestre das costas norte e sul do continente
americano, da Europa e da Á frica, parecem ter sido
unidas f:m épocas anteriores . Naturalmente a face do
globo passou por muitas transformações desde a época em
que o m undo foi criado. O Senhor nos informou , por
meio de revelação, que chegará o dia em que a condição
atual da terra será uma vez mais modificada, e que a sua
superfície voltará a possuir a mesma aparência do
princípio, tornando-se um só lugar . " (Em seguida, ele cita
D&C 1 3 3 :22-24.) (Smith, Answers to Gospel Questions,
Vol . 5 , pp. 73-74.)
(4-23) Gênesis 1 1 : 1-9. A Torre de Babel
Além de fornecer uma explicação para a existência de
inúmeros idiomas sobre a face da terra, este relato
referentl! à Torre de Babel demonstra quão rapidamente o
ser humano se esqueceu das lições ensinadas pelo dilúvio , e
se afastou novamente do Senhor: O Livro de Mórmon nos
ensina que a atual confusão de línguas provavelmente não
ocorreu de modo instantâneo , mas que tal processo pode
. ter demorado um período desconhecido de tempo . Jarede
pediu a seu irmão que rogasse ao Senhor que seu idioma
não fosse confundido , no que foi atendido . Em seguida,
'(N. do T. = tradução dos textos bíblicos em siríaco, língua falada em
certas regiões da Síria e Palestina, nos tempos antigos.)
56
ele tornou a pedir a seu irmão que solicitasse que o idioma
de seus amigos permanecesse o mesmo que o seu . O
Senhor também concedeu tal desej o . (Vej a Éter 1 : 33-3 8 . )
Tal fato implica e m que a confusão de línguas não
aconteceu repentinamente.
(4-24) Gênesis 1 1 : 10-26
Esta cronologia de patriarcas nos ensina diversas
verdades. (Compare o conteúdo da escritura com o esboço
que se encontra na seção de Mapas e Gráficos .) Por
exemplo , Sem viveu um período de tempo que o tornou
"
contemporâneo das dez gerações que o sucederam . Em
outras palavras , ele ainda vivia, quando Abraão , Isaque e
Jacó nasceram . Esta circunstância é uma das razões que
levam alguns a crer que Sem era o mesmo Melquisedeque .
(Veja a Leitura 5-9, onde se encontra um debate sobre
Sem e Melquisedeque .)
Muitos eruditos acreditam que o nome Éber foi usado
para designar seus descendentes, chamados hebreus, assim
como os descendentes de Sem eram chamados de semitas ,
e os de Canaã de cananeus .
(4-25) Gênesis 1 1 :31
Gênesis 1 1 : 3 1 dá a impressão de que Terá instruiu toda
a sua família a partir de Ur e dirigir-se para Canaã,
passando por Harã. Todavia Abraão 2: 3-5 deixa bem claro
que Abraão , sob a diretriz do Senhor, era o líder daquele
grupo. (Para informações adicionais, vej a o roteiro das
viagens de Abraão , em " Velho Mundo no Tempo dos
Patriarcas " , na seção de Mapas e Gráficos . )
PONTOS A PONDERAR
(4-26) Nestes onze capítulos do livro de Gênesis , que
cobrem os fatos relativos à vida dos antigos patriarcas,
quase uma terça parte da história total da humanidade é
resumida de maneira breve. Não resta dúvida de que , para
sofrer tal limitação , foram omitidos muitos detalhes que
seriam de grande beneficio para nós . Quando Moisés
escreveu este relato , entretanto , compartilhou conosco de
um dos mais extraordinários contrastes da história do
mundo . Desde a época da Queda de Adão , os habitantes
da terra começaram a se dirigir para duas direções
completamente opostas . Um dos grupos seguiu os
ensinamentos de Adão e Eva, e esforçou-se continuamente
para adquirir maior integridade e perfeição, ao passo que
o outro cedeu às maléficas seduções de Satanás e seus
servos , e caiu cada vez mais fundo no abismo da
depravação e iniqüidade. Esses dois caminhos divergentes
conduziram-nos a seus destinos finais. Sob a direção de
Enoque, uma sociedade inteira se tornou tão perfeita, que
Deus a levou para si, e durante os setecentos anos
seguintes, todos aqueles que conseguiram adquirir em vida
idênticas qualificações , foram igualmente transladados
para viver na admirável cidade de Enoque (veja a Leitura
4- 1 4) . O outro grupo seguiu um rumo decadente na mesma
proporção que o de Enoque trilhou um rumo celestial .
Finalmente, aqueles desarvorados filhos dos homens
alcançaram tal nível de iniqUidade, que se tornou uma
bênção para eles serem destruídos (veja a Leitura 4- 1 6 . )
P o r que esse padrão d e conduta deve ser significativo
para você? Porque nos encontramos numa época da
história em que estão ocorrendo idênticos contrastes e
dissenções dramáticas! Responda ao seguinte questionário
numa folha de papel, após ler as referências de escritura
que forem indicadas :
1 . Jesus ensinou que a situação existente nos dias de
Noé iria repetir-se outra vez na história da humanidade.
Quando ela voltaria a ocorrer, e que conseqüências traria?
Em que sentido a visão de Néfi se relaciona com este
ensinamento?
Leia Joseph Smith-Mateus 1:41-42; 1 Néri 14: 10-14.
2 . Sião proporcionou àqueles que eram j ustos um meio
de escaparem do cataclismo , antes que viesse o dilúvio. De
que maneira os santos dos últimos dias poderão salvar-se
dos j ulgamentos vindouros?
Leia Moisés 7:61; D&C 45:65-71 ; D&C 45:5-6.
3. Quais são as éondições necessárias para que sejamos
dignos das promessas de libertação?
Leia D&C 97:18-27.
(4-27) O mundo está novamente se encaminhando para a
destruição , como aconteceu na época precedente ao
dilúvio . Uma vez mais está sendo preparada a avenida da
libertação para os j ustos , e a própria Sião será de novo
estabelecida. Após ler as seguintes declarações , aliste numa
folha de papel as medidas específicas que você pode
tomar, hoje em dia, no sentido de se preparar
pessoalmente e ao reino do Senhor para o estabelecimento
de Sião .
"Profetizo, em nome do Senhor, que, na ocasião em que
os santos dos últimos dias estiverem preparados através da
retidão para redimirem Sião , eles conseguirão realizar essa
obra, e Deus estará ao lado deles . Quando tal acontecer,
nenhum poder deste mundo os impedirá de realizarem seus
desígnios; pois o Senhor declarou que assim será feito, e
que tudo acontecerá no devido tempo do Senhor, quando
seu povo estiver preparado para tal empreendimento . Mas ,
quando estarei pronto para ir viver em Sião? Sem dúvida,
isto não acontecerá enquanto eu tiver em meu coração um
amor mais forte pelas coisas do mundo que pelo Senhor.
Não enquanto existir em mim esse egoísmo e cobiça
capazes de fazer-me ter maior apego aos bens mundanos,
em detrimento dos princípios de retidão e da verdade .
Porém, quando eu estiver disposto a dizer, ' Pai , tudo o
que possuo, inclusive minha própria pessoa, vos pertence;
meu tempo, meus recursos, todos os meus bens deposito
diante de vosso altar, para serem usados livremente, de
acordo com o que for mais agradável aos vossos desígnios,
e não se faça a minha vontade, mas a vossa' , só então,
talvez, eu estej a preparado para ir e auxiliar na redenção
de Sião . " (Joseph Fielding, em Millennial Star. 18 de
j unho de 1 894, pp. 385-86.)
57
" Quando nos decidirmos a construir uma Sião, nós o
faremos, e esse trabalho começa no coração de cada
indivíduo . Quando um pai de família desej a construir uma
Sião em seu próprio lar, é ele quem deve dirigir essa obra,
a qual lhe será impossível realizar, a não ser que dentro de
si possua o espírito de Sião . Para que ele possa produzir o
trabalho de santificação em sua família, deve primeiro
santificar-se, e somente por esse meio Deus pode ajudá-lo
a santificar sua família . . .
" É necessário que eu mesmo procure obter a alegria
espiritual para a minha vida, porém ela em muito
aumentaria o conforto da comunidade e minha felicidade
pessoal, se todo homem e mulher vivessem sua religião e
desfrutassem da luz e glória do evangelho, fossem
submissos, humildes e fiéis; rejubilando-se continuamente
diante do Senhor, tratando dos deveres que foram
chamados a cumprir e certificando-se de jamais fazer nada
errado.
" Tudo então seria paz, alegria e tranqüilidade em
nossas ruas e em nossos lares . A contenda deixaria de
existir e não haveria qualquer problema a ser apresentado
diante do sumo conselho, tribunais do bispo e cortes
j udiciais, e o tumulto e a discórdia não mais seriam
conhecidos .
"Então teríamos uma Sião, pois todos seriam puros de
coração . " (Discursos de Brigham Young, pp . 1 1 8- 1 9.)
" Vivemos atualmente nos últimos dias . Encontramo­
-nos na época de que falaram os profetas, desde o tempo
de Enoque até o presente. Estamos na era que precede o
segundo advento do Senhor Jesus Cristo . Fomos
ensinados que devemos nos preparar e viver de maneira
que sejamos, como disse e nos concitou um dos oradores
de hoje, independentes de todas as outras criaturas abaixo
do reino celestial. É assim que devemos ser . . .
" . . . a capacidade final que precisamos adquirir é a de
estarmos aptos e dispostos a consagrar tudo o que
possuímos em beneficio da edificação do reino de Deus e
ao sublime propósito de cuidarmos de nossos semelhantes.
Quando assim procedermos, estaremos preparados para a
vinda do Messias. " (Marion G. Romney, em Conference
Report, abril de 1 975 , pp . 1 65-66.)
" Entrementes, enquanto aguardamos que Sião e a terra
sejam redimidas, e que a Ordem Unida seja estabelecida,
nós, possuidores do sacerdócio, devemos viver
estritamente e pelos princípios da Ordem Unida, conforme
incorporados nas práticas atuais da Igreja, tais como as
ofertas de j ejum, dízimo e as atividades do Programa de
Bem-Estar. Através dessas práticas, podemos, como
indivíduos, se tivermos o desejo de assim fazer, colocar em
prática em nossa própria vida todos os princípios
básicos da Ordem Unida . . .
" É assim aparente que, quando os princípios do dízimo
e das ofertas de jejum são adequadamente observados, e o
Programa de Bem-Estar completamente desenvolvido e
colocado inteiramente em operação, 'não estaremos muito
longe de executar os grandes fundamentos da Ordem
Unida. ' (Em Conference Report, outubro de 1 942,
pp. 57-58.)
" Nossa única limitação está em nós mesmos . " (Marion
G. Romney, Conference Report, abril de 1 966,
pp . 100- 1 0 1 .)
Registre em seu diário, se assim desejar, o que sente a
respeito de Sião e o que acha que ela significa para você.
Seção Especial
Os Convênios e
o Meio de Realizá-los:
A Chave para
a Exaltação
B
(B-1) Deus Opera Junto aos Homens através de Alianças
e Realização de Convênios
Um I;onvênio é um acordo mútuo entre duas ou mais
pessoas, através do qual cada parte contratante concorda
em cumprir certos requisitos . Nosso Pai Celestial se
propõe a dar a seus filhos tudo o que possui, desde que
eles guardem todos os seus mandamentos (veja D&C
75: 50-60) . "Eu, o Senhor, estou obrigado quando fazeis o
que eu digo; mas , quando não o fazeis , não tendes
prome�, s a nenhuma" (D&C 82: 1 0) . Os convênios violados
não têm um efeito eterno ou duradouro . Como Joseph
Smith ensinou: "Para que haja viabilidade, é necessário
haver duas partes, e ambas devem estar de acordo,
porque, do contrário, nenhum convênio pode ser
firmado . " (Ensinamentos, p . 1 6 . )
Deus, o Pai, desfruta da plenitude da glória eterna. Seu
objetivo é proporcionar a seus filhos espi rituais o
privilégio de se tornarem como ele: "Pois eis " , disse o
Senhor, " que esta é a minha obra e minha glória:
proporcionar a imortalidade e a vida eterna ao homem"
(Moisés 1 :39) . Joseph Smith ensinou : "Nosso Pai
Celestial, vendo que se encontrava em meio aos espíritos e
em glória, pois ele era o ser mais inteligente, ach o u por
bem instituir leis pelas quais os demais espíritos tivessem a
oportunidade de progredir da mesma forma que ele . "
(History of the Church , Vol . 6, p . 3 1 2.)
Vida eterna é exaltação na presença de Deus . É essencial
ao progresso e crescimento do homem que ele receba
certos instrumentos básicos através dos quais possa
realizar essa escalada. Ninguém consegue alcançar o nível
celestial com um só passo . Por este motivo, foi concedido
ao homem o beneficio do arrependimento . Esta dádiva,
juntamente com o direito ao livre-arbítrio, significa que
temos o poder de controlar nosso próprio destino . Samuel,
o lamanita, esclareceu: "Lembrai-vos de que os que
perecem, perecem por culpa própria; e todos os que
praticam iniqüidades o fazem contra si meSmOS; pois eis
que sois livres; tendes permissão para agir por vós
mesmos." (Helamã 1 4 : 30.)
De acordo com o plano de Deus, esta terra foi criada a
fim de ser um lar para o homem . Ela é um local de teste, o
lugar da provação mortal, onde o homem é testado e
provado para ver se fará "todas as coisas que o Senhor seu
Deus lhe mandar " . (Abraão 3:25.)
O objetivo primordial da terra, assim como também do
homem , é se tornar celestial . Depois que for celestializada,
a terra será a morada eterna de todos aqueles que viveram
de acordo com as leis celestiais (vej a D&C 88:22) .
"Portanto, é necessário que ela (a terra) sej a santificada de
toda a iniqüidade, a fim de que seja preparada para a
glória celestial; pois , depois que tiver realizado o propósito
da sua criação, ela será coroada com glória, sim , com a
presença de Deus, o Pai . Para que os corpos que forem do
reino celestial a possuam para todo o sempre; pois , com
esse intento foi ela feita e criada, e com esse intento são
eles santificados . " (D&C 88: 1 8-20.)
Para ajudar seus filhos a se tornarem como ele, o Pai
Celestial os adverte a guardarem certos princípios do
evangelho por meio de ordenanças e convênios . O
evangelho em seu todo é chamado nas escrituras de " um
convênio novo e eterno" (D&C 22 : 1 ; veja também
1 3 3 : 57). Dentro desse convênio global, há uma série de
outros convênios que , ao serem devidamente observados,
tornarão o homem como seus pais divinos. Os convênios,
e o ato de fazê-los e cumpri-los, tornam-se assim as chaves
da exaltação, ou o tipo de vida de que Deus desfruta.
(B-2) �o s Tempos Antigos, Deus Centralizou Sua Obra
em um Povo do Convênio
Os convênios que Deus faz com o homem são
perpétUlos . Seus filhos existiam, como seres eternos, ao
lado de seu Pai na vida pré-mortal. O Presidente John
Taylor esclareceu:
"Não estamos ligados a algo que existirá apenas por
alguns anos, a algumas idéias singulares e dogmas
inventados pelos homens, a alguma teoria por eles
concebi.da; os princípios em que acreditamos alcançam a
eternidade, eles tiveram origem nos Deuses que viviam nos
mundos eternos, e atingem as eternidades vindouras .
Temos a convicção de que estamos agindo com Deus ao
lado daqueles que existiram, que existem e que existirão
aqui na terra no futuro . " (Em Journal of Discourses,
Vol . 1 7 , p. 206 .)
O convênio do evangelho é tão antigo quanto a
eternidade. No que concerne a esta terra, entretanto, ele
foi introduzido primeiramente a Adão, e através dele
passou às gerações posteriores . O Presidente Taylor
esclarec eu ainda:
"Qual é o significado do evangelho eterno? Sei de
alguma; pessoas que acreditam não ter havido evangelho
algum aqui na terra antes da vinda de Jesus Cristo , mas
esse é um grande engano . Adão, Noé, Abraão e Moisés
possuíam o evangelho; e quando Jesus veio ao mundo,
ele o fez para oferecer a si mesmo em sacrificío pelos
pecados da humanidade e trazer-lhe o evangelho que
haviam perdido . 'Ora ' , diria alguém, 'você quer dizer que
os homens , cujos nomes acaba de mencionar, já
possuíam o evangelho? ' Digo-lhes que sim, e por isto ele é
chamado de evangelho eterno . " (Em Journal of
Discou/'ses, vol . 1 3 , p . 1 7 . )
A fim d e propagar a s bênçãos d o evangelho por todas as
partes dia terra, o Senhor centralizou seu trabalho entre um
povo que foi especialmente escolhido para esta missão . No
início , e:sse povo se constituía nos santos justos que
seguiam as orientações de Adão , Enoque e de outros
patriarcas fiéis. Por volta do ano 2.000 A . C . , Abraão foi
60
escolhido para ser o cabeça desta raça do convênio, a qual
seria abençoada daquéla época em diante. De sua p,arte,
Deus prometeu fazer de Abraão "pai de uma multidão de
nações" e dar a ele e sua semente a terra de Canaã "em
perpétua possessão" (Gênesis 1 7 :4, 8). "Estabelecerei o
meu concerto entre mim e ti e a tua semente depois de ti
em suas gerações, por concerto perpétuo, para te ser a ti
por Deus e à tua semente depois de ti . " (Gênesis 1 7 : 7 . )
Porém foi requerido que Abraão fIzesse certas
promessas a Deus. De um lado, ele se comprometeu a
andar na presença -do Senhor e ser perfeito (veja Gênesis
1 7 : 1 ) . Assim ele prometeu viver de toda palavra qm:
procede da boca de Deus, e cumprir com exatidão todos os
aspectos do convênio eterno que existia entre ele e CI
Senhor. Como um sinal dessa aliança, concordou ainda
em circundar-se e a todo descendente varão. O Senhor
explicou : " Este é o meu concerto, que guardareis entre
mim e vós, e a tua semente depois de ti: Que todo o macho
será circuncidado . . . e isto será por sinal do concerto entre
mim e vós . " (Gênesis 1 7 : 1 0- 1 1 ; veja a Leitura 5 - 1 7 , onde
-se acha um debate sobre o convênio da circuncisão .)
As revelações modernas têm esclarecido os objetivos
práticos de Deus haver escolhido realizar sua obra
missionária através de Abraão e sua semente. Consi dere
estas importantes palavras que o Senhor disse ao Pai
Abraão.
Leia Abraão 2:8-11
(B-3) Com Que Exatidão os Antigos Filhos de Israel
Guardaram os Convênios que Fizeram com o Senhor?
Deus se lembra de todos os convênios que fez com os
homens, e os cumpre fIelmente. Moisés declarou o
seguinte à antiga Israel: " Saberás pois que o Senholr teu
Deus é Deus, o Deus fIel, que guarda o concerto e 2L
misericórdia até mil gerações aos que o amam e guardam
os seus mandamentos" (Deuteronômio 7 : 9) . De acordo
com Jacó , irmão de NéfI, a fIdelidade com que Deus
guarda os convênios é uma das razões pela qual o profeta
Isaias escreveu,. para mostrar à casa de Israel, que " o
Senhor Deus cumprirá os convênios que fez com seus
fIlhos" (2 NéfI 6: 1 2) .
Infelizmente, os homens nem sempre são fIéis ao:;
convênios que fazem com Deus . Uma coisa é saber que se
foi escolhido pelo Senhor; outra bem diferente é entender
para o quê se foi escolhido, e outra, ainda, provar (jue se é
fIel à missão recebida. Em última análise, muitos são
chamados para fazer um convênio com Deus - de fato, a
todos é estendido esse privilégio - mas poucos são
escolhidos, pois muitos há que não se esforçam o
sufIciente para colherem as recompensas que lhes foram
prometidas (veja Mateus 20: 1 6) . Por quê? Porque muitos
não cumprem os convênios que fIzeram com o Senhor.
A história da casa de Israel é um estudo fasciname sobre
cumprimento e violação de convênios . É doloroso
descobrir que os registros do Velho Testamento
contenham notícias de uma série de pactos que foram
violados. Mas , por outro lado , ele assinala também
grandes exemplos de fIdelidade, e convênios que fOlram
zelosamente observados .
Quando estudamos o Velho Testamento, pode ser uma
experiência gratifIcante observarmos a maneira como
Israel correspondia aos convênios que havia feito com o
Senhor. O Velho Testamento pode, desta maneira,
proporcionar aos santos modernos uma experiência vicária,
relativa a esse fato, que os ajudará a avaliar a maneira
como estão cumprindo os próprios convênios que fIzeram.
Ao analisarmos a maneira como Israel guardava seus
convênios, podemos descobrir o verdadeiro signifIcado da
declaração aparentemente paradoxal feita por Paulo aos
santos romanos, na qual ele afIrma que "nem todos os
que são d ' Israel são israelitas" (Romanos 9:6).
(B-4) O Moderno Povo do Convênio do Senhor
O objetivo do Senhor é o de abençoar a todos os seus
fIlhos que lhe são fIéis, com as bênçãos da exaltação e vida
eterna. Este era o propósito central do convênio feito com
Abraão (veja Abraão 2: 1 1 ) .
O fato d e uma pessoa ser escolhida pelo Senhor não
signifIca que ele a ama, arbitrariamente, mais que às
outras . "Deus não faz acepção de pessoas" (Atos 1 0 : 34) .
Ele não lhes manifesta sua aceitação baseando-se em
caprichos ou fatores de tal natureza. Seus fIlhos devem
demonstrar, através da obediência, que são merecedores
de suas bênçãos; de outra forma, não conseguirão obtê­
-las . Porém, ser uma pessoa ou povo escolhido realmente
quer dizer que o Senhor confIa em sua habilidade de fazer
aquilo que ele requer. Esse conhecimento ele adquiriu
através de prolongada experiência com seus fIlhos ainda
em vida pré-mortal. (Veja Talmage, Jesus, o Cristo, pp.
28-29, Nota 1 .) Nosso Pai Celestial não decide quem é seu
eleito sem fundamentar-se em bases sólidas. Uma pessoa
se torna eleita de Deus, quando utiliza adequadamente as
dádivas que ele lhe oferece. O Senhor defIniu nas
escrituras quem são oS. seus eleitos, afumando serem
aqueles que "ouvem a minha voz e não endurecem os seus
corações" (D&C 29:7) . Foi exatamente este princípio que
NéfI tentou ensinar a seus rebeldes irmãos, Lamã e
Lemuel.
Leia 1 Néfi 17:35, 40
Moisés ensinou este preceito aos inconstantes filhos de
Israel, mas parece que eles nunca compreenderam
realmente a que seu grande profeta e legislador se estava
referindo .
Leia Deuteronômio 4:5-8
Os santos dos últimos dias são a semente de Abraão nos
últimos dias . Sua exaltação e vida eterna dependem da
obediência que prestarem aos convênios que fIzeram com
Deus . As promessas feitas a Abraão encontram-se ao seu
alcance, se também fIzerem as obras realizadas por aquele
grande patriarca. Veja o que o Senhor tem a dizer sobre
este assunto .
Leia D&C 132:29-32; 110-12
Tão logo você consiga entender as verdades que
acabamos de analisar, estará preparado para compreender
que toda lei estabelecida por Deus tem como objetivo fInal
a exaltação de todos os que a viverem. Pode-se escolher
viver essas leis, ou rejeitá-las, mas jamais se conseguirá
obter as bênçãos, a não ser pela maneira revelada pelo
Senhor. Ele esclareceu isto da seguinte maneira:
Leia D&C 132:5-6, 8
61
Porém, se tudo o que proporciona as bênçãos dos céus
tem por base a obediência à lei, então é igualmente
verdadeiro o conceito de que ninguém é forçado a receber
aquilo que não deseja. Somente quando escolhemos
conscientemente desenvolver um espírito celestial, é que
podemos ter a esperança de conseguirmos obter tudo o
que o Pai tem . Como Alma ensinou a seu filho que havia
quebrado convênios sagrados: "Portanto, ó meu filho, todo
aquele que quiser vir poderá vir e beber livremente das
águas d.a vida; e aquele que não quiser vir não será
obrigad.o a vir, mas no último dia ser-lhe-á restituído de
acordo com suas ações." (Alma 42:27.)
Os convênios do Senhor abençoarão a vida daqueles
que os observarem com fé e viverem à altura das bênçãos
que lhes são prometidas , mediante a sua fidelidade.
Gênesis 12-17
5
Abraão: O Pai
dos Fiéis
(5-1) Introdução
Você faz parte da "semente de Abraão " (D&C 84:34;
veja também D&C 1 32 : 30) . O que significa esta afirmação?
Você provavelmente, já encontrou uma declaração
semelhante em sua bênção patriarcal. Quais são as bênçãos
de Abraão às quais você tem direito , e o que tais
privilégios concedidos em época tão remota têm a ver com
você, nos dias de hoje? As bênçãos prometidas a Abraão
são essencialmente diversas daquelas que foram dadas a
Adão , Enoque e Noé?
O assunto deste capítulo centraliza-se no convênio
estabelecido entre Jeová e Abraão . Será dada grande
ênfase aos termos do convênio , e suas bênçãos e
responsabilidades . Ao estudá-lo , procure identificar como
pode aplicá-lo pessoalmente. Por ser membro de A Igreja
de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, o convênio
faz parte de sua vida, pois os aceitou por ocasião de seu
batismo . Sua salvação eterna depende da maneira como
cumpre tais promessas . Seria prudente e sábio procurar
compreender este convênio .
Instruções aos Alunos
1 . Ao estudar Gênesis 1 2- 1 7 , utilize o auxílio que as
Notas e Comentários podem oferecer-lhe .
2. Abraão 1 -3 contém valiosos ensinamentos e
adições que não se encontram no l ivro de Gênesis.
Embora este registro paralelo contido no livro de
Abraão venha a ser estudado com maior profundidade
no curso da Pérola de Grande Valor (curso de
Religião 327), estes capítulos devem ser lidos e
estudados juntamente com o relato de Gênesis .
3 . Complete a seção d e Pontos a Ponderar,
conforme as orientações que lhe forem fornecidas pelo
professor. (Os alunos que estudam individualmente,
devem completar toda a seção .)
NOTAS E COMENTÁRIOS
SOBRE GÊNESIS 12-11
(5-2) Gênesis 12:1
Doutrina e Convênios 84: 14 nos ensina que Abraão
recebeu o Sacerdócio Maior das mãos de Melquisedeque .
É incerta a época em que isso aconteceu : ele pode tê-lo
recebido quando ainda se encontrava em Ur (veja Abraão
1 :2; 3: 1) ou numa ocasião posterior .
(5-3) Gênesis 12: 1-4
Conforme se acha registrado em Gênesis 1 2: 1 , quando
ainda habitava em Harã, Abraão recebeu o chamado de
deixar seu país e sua parentela, e partir para o sudoeste ,
rumo à uma nova terra. Ele então partiu de Harã, e foi
para Canaã. Numa época anterior, conforme se acha
registrado em Abraão 1 : 1 5- 1 6, o Senhor havia ordenado a
ele que saísse de Ur, situada perto da desembocadura do
Jornada feita por A braão, de Ur a Canaã
rio EU!:rates, e se mudasse para Harã, a noroeste de Ur.
Vemos , assim , que por duas vezes Abraão foi orientado
pelo Senhor, naquela época tão remota, a mudar seu local
de domicílio. O Senhor continou a guiá-lo , de um lugar
para outro .
As primeiras evidências do convênio que seria renovado
atravé1: de Abraão acham-se nos versículos 2-3 , 7. (Para
maion:s informações sobre este convênio veja a seção de
Ponto:: a Ponderar, neste capítulo .)
(5-4) Gênesis 12:5
Nest a escritura, encontra-se uma evidência de que
Abraão possuía a grande habilidade de pregar e de reunir
almas ao seu redor (ou seja, de realizar a obra missionária)
onde q uer que fosse (veja Abraão 2: 15).
(5-5) Gênesis 12: 10-20. Por Que Abraão Disse que Sara
Era Su a Irmã?
A id éia de que Abraão , um homem de imaculada
integridade, aparentemente tenha contado uma mentira
propm:ital com o intuito de salvar sua própria vida, tem
confundido muitos estudiosos do Velho Testamento. Não
resta qualquer dúvida de que sua existência se achava em
perigo" em virtude da grande beleza de Sara. É bastante
peculiar o fato de os faraós egípcios terem forte aversão a
cometerem adultério com a mulher de outro homem , mas
não terem o menor escrúpulo em matar o marido , a fim de
64
permitir que a mulher pudesse contrair novas núpcia:, com
eles .
"Parece que a prática de assassinar o marido com o
objetivo de apoderar-se de sua esposa era um costume da
realeza bastante utilizado naqueles dias . Um papiro nos
fala de um faraó que, instigado por um de seus
conselheiros , ordenou a homens armados que raptas:;em
uma linda mulher e lhe eliminassem o marido . Um
sacerdote prometeu a um outro faraó, agonizante que,
mesmo após sua morte , ele mataria xeques palestino�: e
Alguns eruditos observaram que Abraão poderia ter
licitamente afirmado que Sara era sua irmã,
principalmente porque , no idioma hebraico, os termos
irmão e irmã eram freqüentemente usados com relação a
outros graus de parentesco . (Vej a Gênesis 14: 14, onde o
patriarca chama a Ló, seu sobrinho, de "seu irmão " . )
Visto que Abraão e Harã, pai d e Sara, eram irmãos , esta
era sobrinha de Abraão , e poderia assim ser chamada de
irmã. O seguinte gráfico demonstra esse grau de
relacionamento :
I
NO É
I
SEM
TERÁ
(bisneto d e Noé d a sétima geração)
(Gênesis 1 1 : 1 0-26)
I
ABRAÃO (ABRÃO)
Casou-se com Sara
(Sarai) (filha de
Harã) (Gênesis
1 1 : 29)
I
I
NAOR
Casou-se com Mil.ca (filha de Harã)
(Gênesis :Z2:20-22)
agregaria as esposas deles em seu harém . " (Kasher,
Encyclopedia of Biblical Interpretation , Vol . 2, p . 1 28 . )
Outro costume bastante antigo permitia que uma
mulher fosse adotada como irmã de um homem , ao casar­
-se com ele, para conceder a ela maior condição legaL e
social (veja Encyclopedia Judaica, vol . 14, p. 866) .
Podemos supor também que, com o falecimento de Harã,
Terá com certeza adotou os filhos dele, tornando, assim,
Sara irmã de Abraão .
Não resta dúvida de que Abraão não mentiu; porém,
embora ele tenha sido tecnicamente correto ao chamá-la
de irmã, com isto enganou os egípcios. Como tal atitude
pode ser j ustificada? A resposta é muito simples . Não
houve dolo em seu gesto, porque Deus o havia instru ído a
assim proceder (veja Abraão 2:22-25). O Profeta Jos eph
Smith ensinou o seguinte:
"Aquilo que é errado sob certas circunstâncias, pode
ser, e geralmente é, certo sob outras .
" Deus disse : 'Não matarás. ' Em outra ocasião mandou:
'de todo destruirás . ' Este é o princípio pelo qual funciona
o governo dos céus : por revelações que se adaptem à:,
circunstâncias em que se encontram os filhos do reino.
Tudo quanto Deus réquer é j usto, não importa o qm: seja,
embora não possamos compreender por que razão ele
ordene isso ou aquilo , senão até depois que se tenham
cumprido os seus propósitos . " (Ensinamentos,
pp . 249-50.)
Considerando que Deus é perfeito e nada faz que não
sej a correto (veja Deuteronômio 32:4; I Samuel 1 5 :29;
Alma 7:20; D&C 3 : 2) , nada houve de errado na man eira
como Abraão agiu .
I
HARÃ
I
I.
I
I
MILCA
LO
ISCÁ
(Gênesis 1 1 :27-29)
I
SARAI
(SARA)
(Abraão 2:2)
(5-6) Gênesis 13:1-13. Abraão Era um Homem Muito
Próspero
As escrituras nos advertem com tanta freqüência a
respeito dos perigos decorrentes das riquezas , que
ocasionalmente algumas pessoas presumem que existe algo
de mau em possuir demasiados bens materiais, e que toda
pessoa próspera é automaticamente iníqua.
Inquestionavelmente, a tentação de nos apegarmos às
coisas do mundo é um mal que tem levado muitas pessoas
a sucumbir . Todavia, Paulo ensinou que o "amor ao
dinheiro é a raiz de toda a espécie ç1e males " , não o
próprio dinheiro (I Timóteo 6: 10; itálicos adicionados) .
Abraão é um exemplo de uma pessoa abastada (veja
Gênesis 1 3 :2) mas que, todavia, era um homem posuidor
de grande fé e retidão . O incidente ocorrido entre ele e Ló
nos dá uma excelente imagem de sua extraordinária
natureza cristã. Pelo direito, era Ló que devia ter insistido
para que Abraão fosse o primeiro a escolher a parte da
terra que preferia, pois este o havia criado e protegido , e
acima de tudo, porque era o patriarca da família. Abraão
poderia ter feito prevalecer o seu direito e entregue ao
sobrinho a parte da terra que restasse . Em vez disso , sua
maior preocupação era que não "houvesse contenda"
entre os dois . Portanto, concedeu a Ló o privilégio de
escolher primeiro (versículo 8; veja também os versículos
9- 1 0) . Este aparentemente escolheu a região de terra mais
fértil - as planícies bem irrigadas do Jordão - e apesar
disso , parece que Abraão não guardou qualquer
ressentimento . De fato , nos capítulos seguintes , acha-se
registrado que ele interveio para salvar a vida de Ló . Eis
um homem que dava maior valor aos bons principios que
65
aos bens materiais. Não é de admirar que o Senhor tenha
renovado com ele o antigo convênio e feito dele o pai dos
fiéis .
(5-7) Génesis 13: 14-17. De Que Maneira a Semente de
Abraão Possui a Terra "Para Sempre " ?
Todos o s que recebem "este evangelho, serão chamados
segundo o teu nome (de Abraão), e serão contados entre
tua semente" (Abraão 2: 1 0) . E também , " os mansos . . .
herdarão a terra" (Mateus 5 : 5) quando esta alcançar seu
"estado santificado e imortal" (D&C 1 30:9) e for
transformada no reino celestial . Desse modo , a semente de
Abraão (os fiéis) possuirão a terra por toda a eternidade,
bem como durante a vida mortal .
(5-8) Gênesis 14: 1-7
Ao estudar esta lista de conquistas alcançadas por cinco
reis coligados, devemos lembrar-nos de que, nos tempos
antigos , a entidade política mais comum era uma pequena
cidade-estado em que o rei presidia sobre a cidade
principal e regiões adjacentes . Este território muitas vezes
era ampliado, porém os reinos daquela época não se
constituíam em grandes países e impérios. Sodoma tinha
um rei . Gomorra outro , e assim por diante.
:
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rl"Y\
Monte Herman
,
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-Carnaim
,
�
Monte Gi/boa
Abraão. persegue
os reIs para
libertar a Lá
Os reis atacam o
sul, onde
capturam
a Lá
)
Salém -
IV' Monte Nebo
Manre
Hebron Sodoma, Gomorra,
Admá, Zeboim e
o Vale de Sidim
provavelmente
estavam localizados
nesta parte de
águas rasas
_
-
Zoar
I
I
I
I
I
I
I
I
Quiriataim
t
Para SEIR
A braão e a Batalha dos Reis
(5-9) Génesis 14:18. Quem Era Melquisedeque?
"Ao homem Melquisedeque foi concedida a honra de
ser usado o seu nome para identificar o Santo Sacerdócio
segundo a Ordem do Filho de Deus, possibilitando aos
homens 'evitar a freqüente repetição do nome da Deidade
(D&C 1 07 : 2-4) . Dentre todos os antigos sumos sacerdotes
de Deus, 'nenhum foi maior do que ele' (Alma 1 3 : 1 9) . Sua
posição na hierarquia sacerdotal do reino terreno de Deus
era sem elhante à de Abraão (Hebreus 7:4- 1 0) , seu
contem porâneo , a quem ele abençoou (Gênesis 14: 1 8-20;
Hebreus 7 : 1 ) ; e sobre quem conferiu o sacerdócio . (D&C
84: 14.)
" De fato, tão exaltada e eminente era a posição que
Melqui:;edeque ocupava aos olhos do Senhor e de seu
povo , q ue se tornou um protótipo do próprio filho de
Deus . . .
"Alm a nos ensina que ' Ora, este Melquisedeque era rei
da terra de Salém; e seu povo entregara-se à prática de
iniqüidades e abominações; sim, todos se haviam
extraviado; praticavam toda sorte de iniqüidades;
Melqui:;edeque, porém, tendo exercido uma fé vigorosa e
recebido o ofício do sumo sacerdócio segundo a santa
ordem de Deus, pregou o arrependimento a seu povo. E eis
que ele�; se arrependeram; e Melquisedeque estabeleceu paZ
na terra em seus dias; foi portanto chamado de príncipe da
paz, poi,s era o rei de Salém; e governou subordinado a seu
pai." (Alma 1 3 : 1 7 - 1 8 . )
"O apóstolo Paulo, obviamente conhecendo muito mais
a respei to de Melquisedeque do que registrou em sua
epístola, deu-nos uma brilhante ilustração da grande fé
possuíd a por uma pessoa cujo nome não revelou, a qual
'praticou a j ustiça, alcançou promessas , fechou a boca dos
leões, a pagou a força do fogo . ' (Hebreus 1 1 : 1 3-34.)
Através das inspiradas adições feitas pelo Profeta Joseph
Smith ao Velho Testamento , sabemos que Paulo estava-se
referind o a Melquisedeque . (McConkie, Mormon
Doctrine, pp . 474-75 . )
Nas a ntigas tradições j udaicas, Melquisedeque é
freqüentemente considerado como sendo Sem , filho de
Noé . Melquisedeque é um título que significa "rei de
j ustiça" , muito embora sej a usado como um nome
próprio . Um autor moderno examinou a questão sobre a
possibilidade de Sem e Melquisedeque serem a mesma
pessoa, e chegou à conclusão de que, embora não
possamos afirmar isto com certeza, existe essa grande
possibili dade . Ele afirmou:
" Examinemos em primeiro lugar o que sabemos acerca
de Sem . Embora a Bíblia mencione Sem como sendo o
filho mais velho de Noé (Gênesis 5 : 32) , as revelações
modern as nos ensinam que Jafé o era (Moisés 8 : 1 2) .
Ambos o s relatos , entretanto , são unânimes e m indicar
Sem corno sendo o progenitor de Israel, e que , de fato , o
sacerdócio foi transferido através dele a todos os grandes
patriarc as que viveram depois de Noé . (I Crónicas
1 : 24-27 .) Nesta ordem patriarcal do sacerdócio , Sem é
colocado na mesma posição de destaque j unto com Noé .
Ele poswía as chaves do sacerdócio , e era o grande sumo
sacerdOLe de sua época.
" Vivendo no mesmo período histórico que Sem , existia
um homem chamado MeIquisedeque , que também era
conhecido como o grande sumo sacerdote . As escrituras
nos dão os detalhes relativos ao nascimento de Sem e sua
linhagem de ancestrais, mas nada falam quanto à sua vida,
e quanto ao ministério posterior que exerceu. Todavia, no
que diz respeito a Melquisedeque, acontece exatamente o
contrári o . Não existe registro algum sobre o seu
nascimento e nomes de seus ascendentes , embora o Livro
de Mórmon afirme que ele tinha um pai . (Alma 1 3 : 1 7- 1 8 . )
No que concerne à sua vida e ministério , conhecemos
diversos fatos extraordinários e importantes .
(Gênesis 14: 1 8-20; Hebreus 7 : 1 -4; Alma 1 3 : 1 7 - 1 8 . )
"Todos estes detalhes suscitam algumas questões que
merecem ser respondidas . Haviam dois sumos sacerdotes
presidin do na mesma ocasião? Por que os relatos bíblicos
66
nada dizem sobre o ministério exercido por Sem? Por que
nada se sabe sobre os ancestrais de Melquisedeque?
"Devido ao nível de conhecimento que possuímo s,
muitos santos e estudiosos do evangelho têm imagiIl.ado se
estes dois homens não seriam a mesma pessoa. A ve rdade
é que não conhecemos a resposta. Porém, ao examinarmos
as escrituras, ficamos fascinados com o que conseguimos
descobrir, pois tudo parece indicar que ambos são d.e fato
um só personagem. Por exemplo, eis alguns detalhes que
esclarecem esta suposição :
" 1 . A herança concedida a Sem incluía a terra de Salém.
Melquisedeque é mencionado na Bíblia como rei de Salém,
que governava a mencionada região .
"2. De acordo com revelação recebida numa épo,:a
posterior, Sem reinou em justiça, e o sacerdócio pru;sou às
gerações posteriores através dele. Melquisedeque su rge em
cena com um título cujo significado é 'rei de justiça ' .
" 3 . Sem era o grande sumo sacerdote de sua época.
Abraão prestou a devida honra ao sumo sacerdote
Melquisedeque, procurando obter uma bênção de suas
mãos e pagando-lhe dízimos .
"4. Abraão vem e m seguida n a ordem patriarcal do
sacerdócio, e com certeza deve ter recebido o sacerd.ócio
das mãos de Sem; entretanto, D&C 84: 5- 1 7 afirma que
Abraão foi ordenado por Melquisedeque.
" 5 . A tradição judaica identifica Sem como sendo
Melquisedeque.
"6. Na extraordinária visão tida pelo Presidente Joseph
F. Smith, ele alista o nome de Sem entre os dos grandes
patriarcas , porém não faz menção alguma ao de
Melquisedeque.
"7. O jornal Times and Seasons (Vol . 6, p. 746) fala de
'Sem , o qual era Melquisedeque . . . '
"Por outro lado, também poderia acontecer de Sl� tratar
de duas pessoas diferentes. Muitos acreditam que D &C
84: 14 é uma evidência de que existiram talvez diversas
gerações entre Melquisedeque e Noé. A escritura menciona
que 'Esse Abraão recebeu de Melquisedeque o sacerdócio,
e Melquisedeque recebeu-o através da linhagem de �;eus
pais até Noé ' .
"Se, de fato, a conclusão lógica é a de que Sem e
Melquisedeque são a mesma pessoa, esta escritura com
certeza não será uma pedra de tropeço, pois poderia ser
interpretada significando que a autoridade do sacerdócio
teve início em Adão , continuando através dos patriarcas
até Noé, e deste a Sem . " (Alma E. Gygi, "Is It Pos sible
That Shem and Melquizedek Are The Same Person ? ? '
Ensign , novembro de 1 973 , pp . 15-16.)
Na tradução que Joseph Smith fez do capítulo 1�· de
Gênesis, foram acrescentados diversos versículos a respeito
de Melquisedeque, os quais ampliam grandemente ()
conhecimento que dispomos acerca desse grande su mo
sacerdote.
(5-10) Gênesis 15:5-6. Abraão Viu a Jesus Cristo
Na tradução desta passagem feita por Joseph Smith, é
dito a Abraão pelo Senhor que ele herdará a terra através
de sua posteridade. Em visão , é-lhe mostrada a vida e a
ressurreição do Salvador.
Outra vez se torna evidente que os antigos patriarcas
sabiam mais a respeito de Cristo e de sua missão do que
nos indica o registro que possuímos atualmente no Velho
Testamento (veja Mosias 13 :33).
(5-11) Gênesis 15:12. Sobrevieram Grande Pavor e Densas
Trevas Sobre Abraão
Para encontrar um interessante paralelo com a
experiência que Abraão teve no início de sua visão , leia
Joseph Smith 2 : 1 4- 1 6.
(5-12) Gênesis 15: 13-16. Porque a Medida da Injustiça dos
Amorreus Não Está Ainda Cheia
Nesta profecia concernente ao futuro cativeiro de Israel,
o Senhor nos revela um importante indício a respeito da
razão que mais tarde o moveria a ordenar aos israelitas a
destruição dos cananeus que viviam na terra prometida
(vej a Deuteronômio 7 : 1 -2; 20: 1 6- 1 8) . Evidentemente
naquela época, o povo havia atingido o mais alto nível de
iniqüidade e se encontrava, portanto, amadurecido, para a
destruição .
Para maiores detalhes sobre o extermínio dos cananeus,
veja a Leitura 1 9- 1 5 .
(5-13) Gênesis 16: 1-3
De acordo com os costumes da época, o ato de Sara dar
a Abraão sua serva, Hagar, como esposa, foi um gesto
lógico e esperado (D&C 1 32: 1 -2, 29-30, 34-35).
(5-14) Gênesis 16:10
A mensagem transmitida pelo anjo a Hagar demonstra
que as promessas feitas a Abraão vão muito além daquelas
que vieram através de Isaque.
(5-15) Gênesis 16: 11-12
Em idioma hebraico, o nome Ismael significa
literalmente "Deus está ouvindo" (vers. l I , nota de
rodapé b) . No versículo 12, ele é chamado de "homem
bravo" ou em hebraico de "jumento selvagem" , uma
metáfora que diz respeito a alguém que é aI)1ante da
liberdade. Ela bem que poderia ser uma descrição
profética da vida nômade que viveriam os descendentes de
Ismael (vej a o versículo 1 2) .
(5-16) Gênesis 17: 1 . Andar em Integridade e Ser Perfeito
O Senhor deu este mandamento a Abraão: "Anda em
minha presença e sê perfeito" (Gênesis 1 7 : 1 ) . Os santos,
em todas as épocas , receberam semelhante admoestação
(vej a Deuteronômio 1 8 : 1 3 ; Mateus 5 :48; 3 Néfi 12:48 ;
27:27; D&C 67 : 1 3) .
"A salvação não vem d e u m s ó golpe; somos mandados
ser perfeitos como é perfeito nosso Pai que está nos céus .
Isto nos tomará séculos, pois , no além-túmulo, o
progresso será maior, e será ali que os fiéis sobrepujarão
todas as coisas , e receberão todas as coisas, mesmo a
plenitude da glória do Pai.
"Creio que o Senhor quis dizer exatamente o que falou:
que devemos ser perfeitos como é perfeito nosso Pai que
está nos céus. Isto não virá de uma só vez, mas linha sobre
linha, preceito sobre preceito, exemplo sobre exemplo, e,
mesmo assim , não enquanto estivermos nesta vida mortal,
pois que teremos de ir para o além-túmulo antes de
alcançarmos essa perfeição e sermos iguais a Deus .
"Mas é aqui que lançamos os alicerces . É aqui, neste
estado probatório , que nos são ensinadas as simples
67
verdades do Evangelho de Jesus Cristo, a fim de nos
preparar para essa perfeição . Temos por dever ser
melhores hoje do. que fomos ontem , e amanhã melhores
do que hoje. Por quê? Porque, se estamos no caminho, se
guardarmos os mandamentos do Senhor, estamos nesse
caminho para a perfeição , e esta só pode vir pela
obediência e o desejo em nosso coração de sobrepujar o
mundo . " (Joseph Fielding Smith, Doutrinas de Salvação,
Vol . II, pp . 1 8- 1 9.)
(5-17) Gênesis 17:2-14. Qual É o Significado da
Circuncisão Como um Sinal do Convênio?
A circuncisão foi instituída por revelação, como um
sinal ou símbolo de que a pessoa pertencia ao convênio
feito com a semente de Abraão. O relato da tradução de
Joseph Smith nos dá informação adicional:
1 . Antes de instituir a lei da circuncisão , o Senhor
explicou porque estabelecia este sinal do convênio.
a. O povo havia esquecido os principios corretos e
abandonado a prática das verdadeiras ordenanças .
b. O batismo era uma das ordenanças que estava sendo
incorretamente observada.
c. O povo estava aplicando lavamentos em seus filhos e
aspergindo sangue sobre eles, em lembrança do sangue de
Abel, o qual consideravam como tendo sido derramado
pelos pecados .
d. Não entendiam perfeitamente o relacionamento
existente entre a idade de responsabilidade das criancinhas
e a expiação de Jesus Cristo .
2. Em virtude de tal apostasia, a circuncisão foi
instituída.
a. Ela era u m sinal d o convênio .
b. Foi estabelecida para a semente de Abraão .
c. Significava que as crianças não eram responsáveis
perante o Senhor antes de alcançarem oito anos de idade.
Outras escrituras tornam bem claro que não era a
circunc:isão em si, mas o que ela significava, que dava
àquela ordenança maior significado .
Em muitos outros lugares, o Senhor se refere à
verdaddra circuncisão como sendo feita no coração . O
coração "circunciso" é aquele que ama a Deus e obedece
ao Espírito . Os "incircuncisos de coração" são pessoas
perversas, orgulhosas e rebeldes (Ezequiel 44:7; veja
também Deuteronômio 10: 1 6 ; 30:6; Jeremias 4:4; Ezequiel
44:7; Atos 7 : 5 1 ; Romanos 2:25-29; Colossences 2: 1 1 ) .
Embora u m indivíduo tivesse recebido n a carne o
símbolo da circuncisão, se não fosse digno, ela perderia
toda a ma validade, e seria uma ordenança inútil. Assim
sendo, a circuncisão era apenas um sinal ou símbolo do
que precisava acontecer ao homem interior. Se a
transformação interna não ocorresse, a circuncisão se
tomava virtualmente sem sentido algum. (Vej a Jeremias
9:25-26 ; Romanos 2:25-29; I Coríntios 7 : 19; Gálatas
5 : 1 -6; 6 : 1 2- 1 5 ; Filipenses 3 : 3-4.)
Com o cumprímento da lei mosaica, em Jesus , o sinal
da circuncisão não mais foi requerido do povo do
convênio de Deus (veja Atos 1 5 :22-29; Gálatas 5 : 1 -6;
6 : 1 2- 1 5:1.
(5-18) Gênesis 17:17
Joseph Smith corrigiu este versículo, dizendo que
Abraão se regozijou. Esta modificação é também
substanciada pelo texto em hebraico .
68
Lugar onde tradicionalmente se acredita terem sido enterrados Abmão e i Sara. em Hebrom
(5-19) Gênesis 17: 18-21
O direito da primogenitura foi dado a Isaque, pri meiro
filho da primeira esposa de Abraão , ao invés de Ismael,
primeiro filho de Abraão com Hagar e cerca de catorze
anos mais velho que Isaque . O Senhor deixou bem daro
que, de acordo com: a promessa original que fizera a
Abraão , seria o filho dele com Sara que traria sobre seus
ombros a responsabilidade do convênio . Todavia Is �ael,
através de seus doze filhos, também seria o pai de uma
grande nação .
PONTOS A PONDERAR
(5-20) Embora saibamos , através das escrituras modernas,
que o processo de estabelecer convênios teve início com
Adão e outros patriarcas (veja Moisés 6:65-68 ; 7 : 5 1 ; 8 : 2),
é por meio do convênio abraâmico que temos uma idéia
mais completa do que significa fazer um convênio.
Considerando que os membros dignos da Igreja se tornam
semente de Abraão , sendo assim parte do povo do
convênio (D&C 84: 34), devemos entender os princípios
que se acham envolvidos no pacto estabelecido com aquele
grande patriarca. A parte de Abraão no convênio, e por
conseguinte também a nossa, era a de que deveria andar
na presença de Deus e ser perfeito (veja Gênesis 1 7 : 1 ) . Se
ele assim procedesse, então o Senhor, por sua vez,
constituiria com ele o que chamamos de convênio
abraâmico . O É lder Bruce R. McConkie prestou o
seguinte esclarecimento concernente ao convênio feito com
Abraão, e sua relação conosco :
"Abraão primeiramente recebeu o evangelho através do
batismo (que é o convênio da salvação) ; em seguida,
recebeu o sacerdócio e entrou na sagrada ordem do
casamento celestial (que é o convênio da exaltação) ,
obtendo a certeza de que, desse modo , teria uma progênie
eterna; e finalmente recebeu a promessa de que essas
bênçãos seriam oferecidas a toda a sua posteridade.
(Abraão 2:6- 1 1 ; D&C 1 32:29-50.) Entre as promessas
feitas a ele, estava a garantia divina de que Cristo nasceria
de sua linhagem e que a posteridade de Abraão obteria
como herança eterna certas terras escolhidas . (Abraão 2;
Gênesis 1 7 ; 22: 1 5 - 1 8 ; Gálatas 3 . )
" A reunião d e todas essas promessas é chamada de
convénio abraâmico. Esse pacto foi renovado com Isaque
(Gênesis 24: 60; 26 : 1 -4, 24) e depois com Jacó (Gênesis 28;
3 5 : 9- 1 3 ; 48 : 3-4) . Os requisitos desse convénio concernentes
à exaltação pessoal e progénie eterna são renovados com
cada membro da casa de Israel que entra na ordem do
casamento celestial; através desta ordem, os participantes
se tornam herdeiros de todas as bênçãos prometidas a
Abraão, Isaque e Jacó . " (D&C 1 32; Romanos 9:4;
Gálatas 3 ; 4.) (Mormon Doctrine, p . 1 3 .)
Uma análise detalhada de tais promessas nos dá uma
idéia de seu significado temporal e eterno .
69
A Terra Prometida. Leia Gênesis 15:18;
17:8; Abraão 2:6
Significado Temporal
Significado Eterno
A terra de Canaã, ou Palestina, foi prometida a Abraão
e seus descendentes , apesar de que ele, pessoalmente,
j amais viesse a possuí-la (vej a Gênesis 1 2 : 7 ; 1 3 : 1 5 ; 1 7 :8).
"O Senhor fez a Abraão a promessa de que ele teria a
Palestina, ou a terra de Canaã, como possessão perpétua.
Todavia, conforme disse Estêvão por ocasião de seu
martírio, Abraão não recebeu nem sequer o espaço de um
pé como posse, enquanto viveu .
"Então , o que o Senhor quis dizer, fazendo tal
promessa a Abraão , dando-lhe para sempre aquela porção
de terra como possessão perpétua a ele e sua posteridade, à
sua parte j usta? Simplesmente isto - que eventualmente
chegará o tempo, após a ressurreição dos mortos, em que
Abraão e seus filhos que guardam fielmente os
mandamentos do Senhor, possuirão aquela terra e também
se espalharão tão longe quanto necessário para que
recebam uma herança. " (Joseph Fielding Smith ,
Doutrinas de Salvação, Vol. I, p . 96. )
Os descendentes j ustos de Abraão herdarão a terra.
"Após o rnilênio e mais um 'pouco (de) tempo'
(D&C 29:22-25), a terra morrerá, será ressuscitada e se
tornará ' como um mar de vidro' (D&C 1 30:7); alcançará
seu 'est ado santificado, imortal e eterno' . (D&C 77: 1 -2.)
Então os pobres e os mansos , isto é, os indivíduos j ustos e
tementes a Deus, herdarão a terra; e ela se tornará a
morada. do Pai e do Filho , e os seres celestiais a possuirão
para todo o sempre . (D&C 88: 1 4-26, 1 1 1 .) " (McConkie,
Mormon Doctrine, p . 2 1 1 .)
A Promessa de Posteridade. Leia Abraão 2:1;
Gênesis 17:4-6; 16; Abraão 3:14
Significado Temporal
Abraão já tinha alcançado cem anos de idade, antes de
nascer seu filho do convênio, Isaque . Abraão possuía ao
todo oito filhos; todavia, foi através de Isaque que se
desenvolveu o povo do convênio, e de Ismael surgiram
muitas das nações árabes (vej a D&C 1 32: 34) . Os filhos de
Quetura deram origem aos midianitas e outros povos.
"A vasta população do mundo árabe, muçulmano e
israelita que reivindica serem descendentes de Abraão ,
alcança o elevado número de aproximadamente cem
milhões de pessoas . Se acrescentarmos os incontáveis
ancestrais falecidos e uma estimativa das posteridades
futuras destes grupos, e ainda outros descendentes de
Abraão como os nefitas e lamanitas do passado , presente e
futuro, as dez tribos perdidas, e os santos dos últimos dias ,
podemos ter uma idéia do que o Senhor quis dizer,
quando prometeu que Abraão seria abençoado com uma
posteridade inumerável como as areias do mar . " (Nyma,
em Sperry Lecture Series, 1 975, p . 1 3 .)
Significado Eterno
No se ntido literal, a posteridade de Abraão j amais terá
fim, porque seus descendentes j ustos continuarão a gerar
progênil� por toda a eternidade (vej a D&C 1 3 2 : 30) .
70
A Promes!;a do Sacerdócio. Leia Abraão
1: 18-19; 2:9-11
Significado Temporal
Significado Eterno
Assim como Noé recebeu o sacerdócio e foi
comissionado a pregar o evangelho, o mesmo acont eceu a
Abraão, para que pudesse abençoar os outros com
semelhante privilégio . A missão do povo do convênÍlo é
servir ao Senhor, levando a seus semelhantes as bên\;ãos
do evangelho .
" Passamos para a promessa feita a Abraão, a qual
afirma que nele e em sua semente todas as famílias da terra
seriam abençoadas . Moisés , como já disse, era
descendente de Abraão, e foi o libertador de toda a nação
israelita. Mas quem eram os antigos profetas que existiram
na antiga Israel? Eles eram descendentes de Abraão , os
quais receberam a palavra de Deus e a luz da revela\:ão.
Quem era Jesus? Era da semente de Abraão . De que:
estirpe eram seus Doze Apóstolos? Da semente de Abraão .
De que origem era o povo que veio para este continente Léhi e sua família - aproximadamente no ano 600 A . C . ?
D a semente de Abraão . D e que linhagem eram os doze
discípulos que havia entre os nefitas, que propagaram a
verdade aos milhões de pessoas que habitavam sobfte este
continente? Da semente de Abraão . Quem era Joseph
Smith? Da semente de Abraão . " (John Taylor, em
Jouma! of Discourses, Vol . 20, p. 224.)
Como descendentes de Abraão, se permanecermos
dignos e fiéis ao chamado que recebemos, de conceder à
nossa família e à toda a humanidade as bênçãos do
evangelho , continuaremos a fazê-lo por toda a eternidade.
E acima de tudo , seremos herdeiros , através de Jesus
Cristo, de tudo o que o Pai tem . (Veja D&C 84: 38-39.)
(5-21) Como outro assunto a ser levado em consider ação ,
observe que há três grandes forças inteligentes no
universo: Deus, o homem e Satanás . Não resta qualquer
dúvida a respeito de qual dessas forças é a maior . Deus é
Todo-Poderoso, portanto ninguém possui maior pod.er do
que ele . Mas, dentre os últimos dois, qual deles tem maior
poder, o homem ou Satanás? Antes de responder, leia as
seguintes escrituras , pensando nelas em termos de força e
poder .
o
O homem pode
apegar-se a Deus e
obter dele maior
poder
Poder do Homem. Leia D&C 10:5; EfésioH
6: 10-13; Romanos 8:35-39
O Poder de Satanás. Leia Moisés 4:4; 2 Néfi
2:29; 28:22-23; Alma 34:35
Para que o poder do homem sej a maior que o de
Satanás , tudo depende dele mesmo , de sua disposiçllo de
apegar-se aos mandamentos de Deus e obter dele maior
capacidade. Todavia, se assim não proceder, então
gradualmente se tornará mais sujeito à influência e
domínio do adversário . A escolha com que o homem se
defronta poderia ser ilustrada da seguinte maneira:
ou entregar-se ao
domínio de
Satanás .
Joseph Smith afirmou esta grande verdade com as
seguintes palavras : "O diabo não tem poder sobre nós ,
exceto se o permitirmos . No momento em que nos
rebelarmos contra qualquer coisa que vem de Deus, o
diabo exercerá seu domínio . " (Ensinamentos, p. 1 76.)
O que significa apegar-se a Deus?
Leia D&C 130:20-21; 82:4-10; 54:3-6
Gênesis 18-23
Abraão: Um Modelo
de Fé e Retidão
6
(6-1) Introdução
o Élder Melvin J. B allard escreveu: "Estais lembrados
da história de como o filho de Abraão nasceu depois de
longos anos de espera, sendo considerado por seu pai a
.
mais preciosa de todas as suas posses; no entanto, em melO
ao seu regozijo, foi dito a Abraão que tomasse aquele seu
filho único e o oferecesse como sacrifício ao Senhor. Ele
obedeceu. Podeis imaginar o que sentiu nessa ocasião?
Amais a vossos filhos da mesma forma como Abraão;
talvez nem tanto, por causa das circunstâncias peculiares,
mas o que achais, pois, que se passou em seu coração ao
despedir-se de Sara, sua mulher? Como achais que ele se
sentiu, ao ver Isaque dar adeus à mãe ao iniciarem a
j ornada de três dias até o lugar designado para o
sacrifício? Imagino o esforço que teve de fazer para não
demonstrar sua grande dor e sofrimento; porém, tomou
seu filho e com ele empreendeu a longa e penosa
caminhada para o lugar indicado, carregando Isaque a
lenha para o holocausto. Os dois viaj antes finalmente
descansaram ao pé da montanha, e foi dito aos servos que
os acompanhavam que ficassem ali, enquanto Abraão e
seu filho iniciavam a subida.
"Então o menino disse ao pai : 'Eis aqui o fogo e a
lenha, mas onde está o cordeiro para o holocausto ? '
"Deve ter cortado a alma d e Abraão ouvir o rapaz, tão
confiante, dizer: 'Pai, o senhor se esqueceu da vítima para
o sacrifício . ' Olhando para o j ovem, seu filho prometido,
o pobre pai somente pôde dizer: 'O Senhor proverá. '
"Subiram a montanha, juntaram as pedras e colocaram a
lenha sobre elas. Então Isaque foi amarrado pelos pés e
mãos, aj oelhado sobre o altar. Presumo que Abraão,
como todo pai amoroso, deva ter dado um beij o de
despedida no filho, deva tê-lo abençoado, demonstrando­
lhe seu amor; porém, sua agonia deve ter sido imensa ao
ter que matar seu único filho com as próprias mãos. Todos
os passos foram dados, até a retirada da faca da bainha, e
levantada a mão que deveria dar o golpe que iria tirar a
vida de Isaque." ("O Convênio Sacramental", A Liahona,
junho de 1 976, p. 5)
É importante ter em mente que Abraão foi salvo de
semelhante destino, que seria levado a cabo pela
iniqüidade de seu próprio pai. Como acontece à maioria
das pessoas, Abraão provavelmente era profundamente
averso ao sacrifício de seres humanos. Por que o Senhor
requereu dele uma prova de fé tão difícil? Que podemos
aprender através das experiências vividas por Abraão,
o qual foi fiel até o fim?
Instruções
aos Alunos
1 . Ao estudar Gênesis 1 8-23, utilize o auxílio que as
Notas e Comentários podem oferecer-lhe.
2. Complete a seção de Pontos a Ponderar,
conforme as orientações que lhe forem fornecidas pelo
professor. (Os alunos que estudam individualmente
devem completar toda a seção.)
,
NOTAS E COMENTÁRIOS
SOBRE GÊNESIS 18-23
(6-2) Gênesis 18:1-2. Quem Conversou Com Abraão?
"Não estamos justificados em ensinar que nosso Pai
Celestial, em companhia de outros personagens celestes,
desceu empoeirado e cansado, e comeu com Abraão. Não
é isto o que se ensina no capítulo dezoito de Gênesis . O
primeiro versículo desse capítulo deveria dizer: :E o
Senhor apareceu-lhe nos carvalhais de Manre . ' E um
pensamento completo. A segunda parte do parágrafo não
tem nada a ver com a aparição do Senhor a Abraão . . . :
'Estando sentado à porta da tenda quando tinha aquecido
o dia, de levantou os seus olhos, e olhou e eis três varões
estavam em pé j unto a ele . ' Esses três homens eram
mortai:;. Tinham um corpo, sendo capazes de comer,
banhar ·se e sentar-se para descansar da fadiga. Nenhum
desses três era o Senhor." (Joseph Fielding Smith,
Doutrii7as de Salvação. Vol. I, pp . 1 7- 1 8.)
(6-3) Gênesis 18:9-15. Sara Riu-se Consigo
'
O falO de Sara ter rido admirada com a notícia de que
conceberia e teria um filho não deve ser interpretado
como 5,endo a prova de sua falta de fé. Muitas vezes nas
escritu:cas, os servos do Senhor ficam admiradíssimos
com a bondade e os milagres do Senhor. Moisés não
acredit ava ser capaz de falar em nome de Deus ao faraó
e pediu ajuda. (Ver Êxodo 4: 1 0- 1 7.) Gideão precisou de
uma prova dramática de que o Senhor queria ele para
livrar Israel dos Midianitas. (Ver Juízes 6: 1 1 -24.)
Ezequias pediu a confirmação de que a promessa que
Isaías lhe fizera de que sua vida seria prolongada era
mesmo do Senhor. (Ver II Reis 20: l - I I .) Zacarias ficou
mudo para que soubesse que sua mulher, Isabel,
conceberia (ver Lucas 1 : 1 9-20), e Lucas diz que, quando
os discípulos viram o Senhor pela primeira vez após a
ressurráção, não acreditaram "por causa da alegria".
(Lucas 24: 4 1 ) A atitude de Sara deveu-se ao fato de a
notícia ser inacreditável. Depois de aproximadamente
setenta anos sem ter filhos, quem a condenaria por
temporariamente não ter conseguido acreditar nessa
prome5,sa de alegria?
(6-4) Gênesis 18: 16-33. O Poder de uma Existência Digna
Não raro ouvimos as pessoas dizerem: "A atitude de
apenas uma pessoa pode fazer alguma diferença?" A
resposta é um sonoro sim. Alma declarou ao povo de
Amoni a que "não fosse pelas orações dos justos que
agora habitam a terra, vós seríeis agora mesmo visitados
.
por completa destruição" (Alma 10:22). E em segUIda,
advertiu aquele povo: "Agora, se afastardes portanto os
justos do meio de vós, então o Senhor não deterá a mão ."
(Alma 10:23). Como aconteceu aos habitantes de Sodoma
e Gomorra, o povo de Amonia recusou-se a arrepender-se
ou a reconhecer que a única proteção de que dispunham
eram o , justos que viviam entre eles; portanto, mataram­
nos tirando-os, assim, de seu meio (vej a Alma 14:9- 1 1 ;
Em conseqüência desse gesto, algum tempo depois
15:
toda a cidade foi destruída (vej a Alma 1 6 : 1 -3, 9- 10).
1).
(6-5) G ênesis 18: 19. "Ele Há d e Ordenar a Seus Filhos
Que Guardem o Caminho do Senhor"
..•
Este5 versículos registram uma das chaves da grande
integridade de Abraão. Ele não somente guardou os
mandamentos do Senhor, mas também ensinou toda a sua
casa a assim proceder. Falando a este respeito, o
Presidente Kimball declarou:
"O p:rofundo anseio que Abraão sentia de cumprir a
vontade de Deus em todas as coisas levou-o a presidir a
sua fanu1ia em retidão. Apesar de todas as outras suas
respom:abilidades, ele sabia que, se deixasse de ensinar ?
evange lho, por preceito e por exemplo, a seus filhos, tena
fracassado numa das 'mordomias mais importantes que
receber a." ("The Example of Abraham", Ensign, junho
de 1 975, p . 5)
74
(6-6) Gênesis 19:4-11. Por Que Ló Ofereceu Suas Filhas
aos Perversos Sodomitas?
Muitos estudiosos da Bíblia têm procurado j ustifi car a
chocante atitude de Ló ao oferecer suas filhas para que os
habitantes de Sodoma não molestassem os visitante:;
celestiais que se encontravam em seu lar, baseando-:;e
estritamente na lei de hospitalidade e proteção que
vigorava naquela região do antigo Oriente Médio . A
tradução feita por Joseph Smith, entretanto , registra que,
quando Ló se recusou a permitir que os homens daquela
cidade satisfizessem seus desejos malignos e depravados,
eles ficaram extremamente irados e disseram : que
tomariam não apenas aos homens, mas às moças também .
(6-7) Gênesis 19:13. Em Que Consistia a Iniqüidade de
Sodoma e Gomorra?
No relato que se encontra em Gênesis , é evidente que o
povo daquelas duas cidades havia-se tornado
extremamente imoral , praticando homossexualismo e
outros abusos . P orém o profeta Ezequiel nos deus maiores
esclarecimentos a esse respeito quando declarou : "Eis que
esta foi a maldade de Sodoma, tua irmã; soberba, fartura
de pão, e abundância de ociosidade teve ela e suas filhas ;
mas nunca esforçou a mão do pobre e do necessitado . E se
ensoberbeceram e fizeram abominação diante de mi m;
pelo que as tirei dali, vendo eu isto . " (Ezequiel 16:49-50.)
Tiago declarou que a religião pura se resumia em "visitar
os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e guardar-se da
corrupção do mundo " (Tiago 1 :27) . Os habitantes de
Sodoma e Gomorra não somente haviam participad,o da
imundície da imoralidade sexual, mas também haviam
repudiado a seus semelhantes que se encontravam e m
necessidade.
demora, e que até mesmo nem voltassem a seus lares para
buscar seus pertences. Jesus disse nessa ocasião : "E, da
mesma sorte, o que estiver no campo não volte para trás.
Lembrai-vos da mulher de Ló. " (Lucas 1 7 : 3 1 -32; itálicos
acrescentados . ) O Mestre então os preveniu de que todo
aquele que procurar salvar sua vida, perdê-Ia-á, e qualquer
que perder sua vida, encontrá-Ia-á. O É lder Bruce R.
McConkie parafraseou estes versículos com as seguintes
palavras :
"Não olhe para trás , à riqueza e luxo que ficaram em
Sodoma. Não fique em meio à casa incendiada, com a
esperança de salvar seus tesouros, ou será destruído pelas
chamas; em vez disso , fuj a para as montanhas .
"Apegar-se às coisas temporais é perder a vida eterna;
renuncie às coisas deste mundo e ganhe a vida eterna. "
(Doctrinal New Testament Commentary, Vol . I, p. 645 . )
Concluímos dai que a mulher d e L ó deve ter retornado a
Sodoma, talvez para salvar alguns de seus bens, e acabou
sendo vitimada pela destruição .
No livro de Doutrina e Convênios , há uma escritura que
apresenta a mesma terminologia encontrada em Gênesis
19:26. Após advertir os santos a que fugissem da Babilônia
espiritual, que é a iniqüidade, o Senhor disse : "E o que for
não olhe para trás, para que súbita destruição não lhe
sobrevenha" (D&C 1 3 3 : 1 5 , itálicos acrescentados) .
Novamente a implicação é a de um retorno à iniqüidade.
A maioria dos eruditos concorda que o lugar mais
provável em que esteve situada Sodoma, está hoje coberto
pelo extremo sul do Mar Morto , o qual contém elevado
teor salino . Se, de fato, a mulher de Ló voltou a Sodoma,
ela deve ter sido destruída j untamente com a cidade . O ato
de se haver tornado uma estátua de sal poderia ser uma
forma figurativa de exp'ressar o destino que teve .
Sej a o que for que tenha acontecido à mulher de Ló ,
não resta qualquer dúvida de que ela pereceu .
(6-9) Gênesis 19:30-38. O Pecado Cometido pelas Filhas de
Ló
o Monte Sodoma, situado na regido sul do Mar Morto
O relato da sedução incestuosa de Ló por suas duas
filhas é deveras chocante, mas é um incidente que
novamente ilustra a maneira imparcial com que o Velho
Testamento registra tanto as atitudes nobres de seu povo
como as degradantes . De forma alguma podemos
justificar a iniqüidade do gesto cometido pelas duas
j ovens , embora possamos entender melhor o passo que
tomaram, se considerarmos que elas devem ter j ulgado
que o mundo todo havia sido destruído naquele
holocausto, e que Ló era a única fonte de onde poderiam
assegurar uma posteridade para si. Moisés provavelmente
incluiu este relato em Gênesis, porque ele demonstra a
maneira como teve início a nação dos moabitas e
amonitas, povos estes que desempenhariam um importante
papel na história de Israel .
(6-8) Gênesis 19:26. A Esposa de Ló e a Estãtua de Sal
(6-10) Gênesis 20: 1-18
A história da esposa de Ló ter-se transformado numa
estátua de sal , tem intrigado muitos comentaristas da
Bíblia. Tal evento realmente aconteceu ou foi apenas
figurativo? Há duas indicações nas escrituras de qUI: a
frase "olhou para trás" era uma expressão idiomática que
significava "voltar atrás" , ou "retornar a Sodoma" . Ao
advertir seus discípulos sobre a destruição que sobn:viria a
Jerusalém, o Salvador os avisou que fugissem sem
Para maiores infor:mações a respeito do porquê de
Abraão haver dito que Sara era sua irmã, examine a
Leitura 5-5 .
(6-11) Gênesis 22:1-19. O Sacrifício de Isaque - Um
Protótipo
No Livro de Mórmon, Jacó ensina claramente que o
consentímento de Abraão em oferecer Isaque em sacrificio
75
é "ã semelhança de Deus e seu Filho. Unigênito." (Jacó
4:5). Um pro.tótipo. é um o.bjeto. , ato. o.u aco.ntecimento. de
realidade fisica que co.rrespo.nde a alguma realidade
espiritual de grande magnitude. (Para maio.r
esclarecimento. so.bre o. mo.tivo. de o. Senho.r usar de tais
protótipo.s , veja a Seção. Especial C, "O Uso. de
Simbo.lismo.s e Prefigurações no. Velho. Testamento. " .)
A maio.ria do.s leito.res do. Velho. Testamento. po.dem
pro.ntamente identificar as semelhanças existentes entre' o.
teste requerido. de Abraão. e o. sacrificio. feito. po.r no.sso. Pai
Celestial, po.rém muito.s deles não. co.nseguem entender o.s
detalhes exato.s, deste pro.tótipo. usado. po.r Deus para no.s
ensinar verdades precio.sas a respeito. do. futuro. sacrificio.
de seu Filho. Unigênito.. A seguir, enco.ntram-se alguns
desses detalhes significativo.s .
.
Abraão. certamente era um pro.tótipo. do. Pai. E
interessante no.tar que seu no.me, A brão, significa "pai
exaltado." , e que o. no.me A braão quer dizer "pai de uma
grande multidão." (vej a Gênesis 1 7 :5). Ambo.s são. no.mes
pertinentes a no.sso. Pai Celestial.
Isaque era a prefiguração. do. Filho. de Deus. Um do.s
significado.s de seu no.me é "ele rejubilirá" . Co.mo. Jesus,
fo.i o. fruto. de um nascimento. miraculo.so. . Seu nascimento.,
certamente, não. fo.i tão. milagro.so. co.mo. o. de Jesus ,
através de Maria, mas, ao.s no.venta ano.s de idade, Sara
também não. era uma mulher à quem dar à luz a um filho.
fo.sse algo. viável pelo.s padrões no.rmais. To.davia, po.r
meio. da intervenção. de Deus, ela co.ncebeu e tro.uxe ao.
mundo. um filho. . Paulo. chamo.u a Isaque de " filho.
unigênito." (Hebreus 1 1 : 1 7) ao. referir-se a esse
aco.ntecimento. .
O Senho.r não. so.mente pediu a Abraão. que realizasse o.
ato. sacrificatório. à semelhança daquele que ele mesmo.
faria no. futuro., co.mo. também indico.u que precisaria ser
levado. a cabo. num lugar po.r ele especificado.. O lo.cal
esco.lhido. fo.i o. Mo.nte Mo.riá, "so.bre uma das mo.ntanhas,
que eu te direi" . (Gênesis 22:2.) (Atualmente o. Mo.nte
Mo.riá é uma das co.linas principais de Jerusalém .) No. lo.cal
co.nhecido. tradicio.nalmente co.mo. o. em que Abraão.
o.fereceu Isaque em sacrificio., fo.i co.nstruída a Cúpula de
Pedra, uma bo.nita mesquita muçulmana. Algumas
centenas de metro.s ao. no.rte, num po.nto. mais elevado., há
um o.utro. lo.cal famo.so., conhecido. co.mo. o. Calvário. de
Go.rdon . O no.me hebraico. daquela elevação. era GÓlgo.ta.
Abraão. não. so.mente se dispôs a realizar o. sacrificio. à
semelhança do. de Cristo., mas o. fez também na mesma
área em que o. Pai entregaria seu Filho. para resgatar o.
mundo. .
O Gênesis relata que, ao. chegarem em Mo.riá, "E
to.mo.u Abraão. a lenha do. ho.lo.causto. e pô-la so.bre Isaque,
seu filho." (Gênesis 22:6) . Na tradução. feita po.r Jo.seph
Smith, está escrito. que ele "co.lo.co.u a lenha so.bre as
Co.stas de Isaque, seu filho. " . Há quem veja neste gesto. uma
semelhança de Cristo. carregando. a cruz so.bre seus
o.mbro.s, a caminho. do. lo.cal de crucificação. (Jo.ão. 19: 1 7).
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l,
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I .,
"Toma ag,)ra o
teu filho "
IsaqUl: vo.luntariamente s e submeteu à vo.ntade de
Abraão.. Muitas pesso.as deixam de no.tar este impo.rtante
paralelo. , O Velho. Testamento. não. no.s revela detalhes
suficientes que indiquem co.m exatidão. a idade que tinha
Isaque po.r o.casião. deste aco.ntecimento., mas é bem
pro.vável que ele já fo.sse adulto.. Imediatamente �pós o.
relato. do sacrificio. no. Mo.nte Mo.riá, acha-se regIstrada
uma declaração. afirmando. que Sara mo.rreu co.m 127 ano.s
(veja Gê nesis 23 : 1 ) . Assim sendo. , Isaque deveria estar co.m
37 ano.s na épo.ca de sua mo.rte. Mesmo. co.nsiderando. que
a jo.rnada até o. Mo.nte Mo.riá tenha aco.ntecido. muito.s
ano.s antes do. falecimento. de Sara, co.m certeza Isaque
estava com mais de trinta po.r o.casião. daquele
aco.ntecimento., apro.ximadamente a mesma idade que o.
Salvado.r teria na épo.ca de sua crucificação.. Entretanto., a
/
76
idade exata que ele tinha não é um fator importante. O
mais significativo é que Abraão, na ocasião do sacrifício,
estava com mais de cem anos de idade, e que Isaque era
um homem jovem e forte, que poderia ter oferecido
vigorosa resistência, se assim desejasse. De fato, Isaque se
propôs voluntariamente a fazer o que seu pai pretendia,
tomando assim uma atitude idêntica à do Salvador.
Tão logo o evento chegou ao fim, e teve um venturoso
final, Abraão deu àquele lugar o nome de Jeovah-jiré, um
nome que, na Bíblia que conhecemos, foi traduzido como
"no monte do Senhor se proverá" (Gênesis 22: 1 4) . Adam
Clarke, citando outros eruditos, afirmou que a trad'ução
correta deste termo deveria ser "neste monte o Senhor se
mostrará. " Clarke então teceu os seguintes comentários:
" Isto nos faz crer que o sacrifício oferecido por Abraão
foi entendido como sendo uma representação de algo
futuro, e a partir daquela época, originou-se a tradil;ão de
que Jeová seria visto em forma sacrificatória sobre aquele
monte. Isto nos mostra que é bem provável. . . que Abraão
tenha oferecido Isaque na mesma colina em que, no
meridiano dos tempos, Jesus seria sacrificado. " (Bible
Commentary, VoI. I , p . 1 4 1 .) Jesus foi sentenciado à
morte no recinto da fortaleza Antonia, situada apenas
uma centena de metros distante do lugar onde
tradicionalmente se acredita que Abraão sacrificaria.
Isaque. Jesus foi morto no Gólgota, uma colina que faz
parte do mesmo maciço rochoso do Monte Moriá.
Os estudiosos da Bíblia não somente observaram a
importância do lugar em relação ao ponto exato em que
Jesus foi sacrificado mas também que ele se relaciona com
o local do templo de Salomão , onde eram realizado, ; os
sacrifícios durante a dispensação mosaica. "O lugar do
sacrifício indica com extraordinária clareza o monte
Moriá, uma colina sobre a qual legalmente eram
oferecidos todos os sacrifícios simbólicos a Jeová; . . , para
que, à sombra deste único e verdadeiro sacrifício, o:;
sacrificios simbólicos se tornassem verdadeiros e reais. "
(Keil and Delitzsch, Commentary, 1 : 1 :25 3 , itálicos
adicionados. )
(6-12) Gênesis 22: 1 . O Senhor "Tentou" a Abraão?
A palavra traduzida para "tentar" , na Bíblia que
conhecemos é originária do vocábulo hebraico nissah, o
qual significa "testar ou provar" . O teste requerido de
Abraão tinha dois aspectos. Primeiro, foi-lhe pedido que
entregasse algo que lhe era sobremaneira precioso . O ato
de matar o próprio filho, por si só, poderia ser
considerado por demais horrível; quanto mais imolar um
filho que havia chegado após muitas décadas de infrutífera
espera, o filho prometido por homens santos enviados por
Deus, o filho em quem o convênio deveria ser cumprido.
Essa prova deve ter sido algo que ultrapassava a sua
compreensão. A obediente disposição daquele patriarca
em renunciar a alguém a quem tanto amava, forma um
agudo contraste com a relutância com que o jovem rico
perguntou ao Salvador o que deveria fazer para ser salvo.
Quando Jesus lhe respondeu que vendesse tudo o que
possuía e o seguisse, o rapaz "retirou-se triste, porque
possuía muitas propriedades. " (Mateus 1 9:22.)
E tomou A braão a lenha do holocausto e pô-Ia sobre Isaque, seujilho "
Porém, um teste igualmente dificil, ou talvez maior, foi
o que poderia ser descrito como o de não questionar a
integridade de Deus. O próprio Abraão quase havia
perdido a vida num altar idólatra, mas fora salvo pela
intervenção direta do Senhor (veja Abraão 1 : 1 2-20) .
Abraão sabia que era contrário à lei de Deus o sacrifício
humano ou qualquer espécie de assassínio. Certamente
qualquer outra pessoa imaginaria, ao receber semelhante
ordem: "Será que este mandamento realmente provém de
Deus? O Senhor contradiz a si mesmo? " Além do mais
deve ter sido esmagador, saber que aquele holocausto
significaria o final da linhagem do convênio que Deus
havia prometido estabelecer.
O Élder Spencer W. Kimball disse o seguinte,
comentando sobre este aspecto do teste: "Abraão
demonstrou uma fé extraordinária, no teste sobre-humano
que dele foi requerido. Seu jovem ' filho da promessa' ,
destinado a ser o pai de inúmeros impérios, deveria agora
ser oferecido sobre o altar do sacrifício . Era um
mandamento de Deus, mas parecia de natureza tão
contraditória! Como poderia Isaque, seu filho, ser o pai de
uma inumerável posteridade, se a sua existência iria
terminar na tenra juventude? Por que deveria ele, Abraão,
ser chamado a praticar tão revoltante gesto? Era algo
irreconciliável, impossível ! Mas nem por isto ele deixava
de crer em Deus. Sua fé inabalável levou-o a seguir, com o
coração partido, até a região onde estava situado o Monte
Moriá, juntamente com seu filho, que mal suspeitava as
agonias que dilaceravam o coração de seu pai . " (Em
Conference Report, 'outubro de 1 952, p. 48 .)
Não é de admirar que em todas as escrituras onde é
mencionado seu nome, Abraão, seja considerado repetidas
vezes como um grande exemplo de fé, de alguém obediente
aos ditames do Senhor.
77
(6-13) Gênesis 23: 1-2. A Grandeza de Sara
Fala-se freqüentemente que Abraão é o pai dos fiéis, e
um incomparável exemplo de fé e justiça. Todavia, é
interessante notar que Sara estava a seu lado durante todas
aquelas experiências que viveu, muitas vezes observando
dos bastidores da história, mas sempre se destacando
como um grande modelo de mulher de fé e retidão .
Doutrina e Convênios afirma que os justos pertencem à
semente de Abraão (veja D&C 84:34), mas Pedro também
sugere que as mulheres retas podem ser chamadas de filhas
de Sara (veja I Pedro 3 : 1 -6, especialmente o
versículo 6) .
PONTOS A PONDERAR
(6-14) Ao refletir sobre a vida de Abraão e a maneira
maravilhosa como correspondeu ao teste do Senhor,
lembre-se de que Deus disse aos santos desta dispensação .
Os membros da Igreja que viviam no condado de Jackson
haviam sido expulsos de seus lares em pleno inverno do
Missouri. Eles suportaram sofrimentos intensos, e muitas
vidas foram ceifadas. Naquela ocasião, o Senhor falou aos
santos através de Joseph Smith e declarou: "Portanto, é
necessário que sejam castigados e provados, mesmo como
Abraão, a quem se mandou oferecer o seu único filho.
Pois todos os que não suportam o castigo, mas me negam,
não podem ser santificados . " (D&C 1 0 1 :4-5 .)
Alguns meses antes, ele dissera aos membros da Igreja:
"Pois ao fiel ele dará Jinha sobre linha, preceito sobre
preceito; e com isso vos experimentarei e provarei. E quem
perder a sua vida por minha causa, por amor ao meu
nome, tornará a achá-la, mesmo a vida eterna. Portanto,
não receeis os vossos inimigos, pois diz o Senhor, no meu
coração decretei que vos provarei em todas as coisas, para
ver se permanecereis no meu convênio, mesmo até a
morte, para que sejais considerados dignos. Pois, se não
permanecerdes no meu convênio, não sois dignos de
mim . " (D&C 98 : 1 2- 1 5 .)
Este padrão parece por demais elevado. Por que um
indivíduo deve receber castigos e provações, para que
possa ser santificado? Por que uma pessoa não se torna
digna de Deus, a menos que esteja disposta a cumprir o
convênio, e até mesmo a dar sua vida? Para
compreendermos estas questões e ganharmos maior
discernimento sobre em que aspecto Abraão tinha que
provar sua fé, reflita um pouco sobre a perspectiva eterna
desse conceito. Imagine as desastrosas conseqüências de
permitir que um indivíduo se torne um Deus, não sendo
perfeito em todos os sentidos . Como o universo poderia
sobreviver, se fosse controlado por uni Deus que não
pudesse suportar nem mesmo as mais intensas pressões?
Onde nos encontraríamos, se nosso Deus não estivesse
disposto a suportar o sofrimento de presenciar seu Filho
Unigênito encaminhar-se para o suplício da cruz? Se
Abraão tivesse fracassado no teste que lhe foi requerido,
com certeza teria perdido suas bênçãos e posição . Se Deus,
o Pai, tivesse falhado no mesmo teste, não haveria
expiação, e toda a humanidade teria ficado Hã mercê
daquele anjo que caiu da presença do Eterno Deus e
tomou-se o diabo . . . E nosso espírito deveria tomar-se como
ele e nós nos tornaríamos diabos ... a fim de sermos afastados
da presença de nosso Deus ." (2 Néfi 9:8-9.)
"Então I,vantou A braão os seus olhos e olhou; e eis um carneiro detrás
dele, trav" do pelas suas pontas num mato "
Ao meditar sobre esta perspectiva eterna, escreva um
pequen,) artigo, de apenas uma página sobre o tema: "Por
Que o Senhor Prova a Nossa Fé? " Ao fazer isto, seria
importante considerar os ensinamentos que se encontram
em Éter 1 2:27; D&C 1 0 1 : 35-38; 1 22: 5-9.
Seria proveitoso também incluir essa dissertação em seu
diário.
(6-15) Há um outro aspecto do teste vivido por Abraão
que é de profundo significado para nós . Para que
possamos comprendê-lo, devemos seguir cuidadosamente
a cadeia de raciocinio dada pelo Profeta Joseph Smith, a
qual demonstra como uma pessoa desenvolve fé suficiente
para alcançar a salvação . Os conceitos principais dessas
idéias SilO os seguintes:
1 . O indivíduo precisa obter três espécies de
conhecimento, se desejar desenvolver fé:
"Ob�;ervemos agora que três coisas são necessárias para
qualqm r ser racional e inteligente poder exercer fé em. Deus
para a " ida e salvação.
"Primeira: ter a idéia de que ele realmente existe.
" Seg unda: ter uma noção correta sobre seu caráter,
perfeiçües e atributos.
"Ter ceira: O conhecimento real de que o curso que sua
vida está seguindo está de acordo com a sua vontade (de
Deus) . :Pois sem o conhecimento desses três fatos
importémtes, a fé de todo ser racional seria imperfeita e
improd lltiva; porém, com tal convicção , ele pode tornar-se
perfeito e fecundo, pleno de retidão, para o louvor e glória
de Deu:" o Pai, e do Senhor Jesus Cristo. " (Joseph Smith,
Jr. , "Lectures on faith , 3 : 2-5.)
2 . O :onhecimento de que a existência que está vivendo
é agrad,ivel aos olhos de Deus, é de importância
primordial para que a pessoa consiga desenvolver sua fé:
"É necessário que uma pessoa tenha o conhecimento
real de que o caminho que está seguindo está de acordo
com a \ontade de Deus, para que seja capacitada a ter
confiança nele, sem o que ninguém pode alcançar a vida
eterna. Foi isso que possibilitou aos santos antigos
suportarem todas as aflições e perseguições, e aceitarem
alegremente a espoliação de seus bens, sabendo (não
simplesmente crendo) que tinham uma possessão mais
duradoura . . .
78
Para um homem deixar tudo o que possui, seu ca ráter,
reputação , suas honrarias , o louvor, seu conceito en tre os
homens, suas casas , suas terras , seus irmãos, irmãs , esposa
e filhos, e até mesmo a própria vida, considerando t odas
as coisas como imundície e impureza, comparadas à
excelência do conhecimento de Jesus Cristo - requer mais
do que a mera crença ou suposição de se estar cumprindo
a vontade de Deus; requer um conhecimento real , sabendo
que, quando terminarem esses sofrimentos, ele entrará no
descanso eterno , e será um participante da glória de
Deus . " (Idem, 6:25 . )
3 . A única maneira pela qual uma pessoa pode saber
com certeza que sua vida é agradável a Deus, é estar
disposta a sacrificar tudo o que o Senhor dela reque::er:
"Observemos agora aqui, que uma religião que niio
requer o sacrifício de todas as coisas, j amais tem poder
suficiente para produzir a fé necessária para a vida e
salvação , pois, desde a primeira existência do homem, a fé
necessária para ele desfrutar a vida e salvação j amai:;
poderia ser obtida sem o sacrifício de todas as coisas
terrenas . Foi através desse sacrifício, e somente assim, que
Deus ordenou que o homem pode desfrutar da vida
eterna. E é por meio do sacrifício de todas as coisas
terrenas, que os homens realmente conhecem que estão
fazendo as coisas que são agradáveis à vista de Deus .
Quando um homem oferece em sacrifício tudo o qUI:
possui por amor à verdade, nem mesmo excluindo a sua
própria vida, acreditando diante de Deus que foi chamado
para fazer esse sacrifício, porque procura cumprir a sua
vontade, ele sabe, com toda certeza, que Deus aceita. e
aceitará o seu sacrifício e oferta, e que não procura e nem
procurará a sua face em vão . E então , sob essas
circunstâncias, ele pode obter a fé que necessita para.
alcançar a vida eterna. " (Ibidem, 6:7.)
4. A menor relutância em realizar os sacrifícios exigidos
por Deus diminuem, em igual proporção , a habilidade que
a pessoa tem de adquirir a virtude da fé .
"Mas aqueles que não fizeram esse sacrifício a Deus,
não sabem se o caminho que seguem é agradável à sua
vista; pois qualquer que seja a crença ou opinião , é um
motivo de dúvida e incerteza em sua mente; e onde há
dúvida e incerteza, não existe e nem pode existir a fé . Pois
a incredulidade e a fé não podem existir no indivíduo ao
mesmo tempo ; assim, essas pessoas que estão sob o
domínio da dúvida e do medo, não podem ter uma
confiança inabalável; e onde essa confiança inabalável
inexiste, a fé é fraca; e onde é débil a fé, os indivíduos
serão incapazes de lutar contra toda a oposição ,
tribulações e amarguras que terão de enfrentar para que
possam ser herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo
Jesus, e sua mente se fatigará, e o adversário terá poder
para destruí-los . " (Ibidem , 6: 1 2 . )
Agora, aplique esta cadeia de raciocínio ao caso
específico de Abraão e responda às seguintes perguntas:
1 . O que Abraão teria que fazer, para que Deus o
abençoasse com uma fé absoluta e inabalável?
2. Que relação teve o consentimento de Abraão em
sacrificar a Isaque com o conhecimento de que sua vida
era agradável a Deus?
3. Você diria que o teste pelo qual Abraão passou foi
uma bênção? Em que sentido?
Observe o que o Élder George Q . Cannon declarou a
respeito da razão pela qual Deus testou aquele grande
patriarca. Que implicações tem o teste de Abraão no que
concerne a você?
"Por que o Senhor exigiu tais coisas de Abraão?
Porque, conhecendo qual seria o seu futuro , e que ele se
tornaria o pai de uma numerosa posteridade, o Senhor se
dispôs a testar sua fé. Deus não agiu assim para satisfazer
um capricho seu, pois tinha presciência da atitude que
Abraão tomaria; o objetivo principal de tal mandamento
foi o de ensinar àquele líder uma grande lição , e capacitá­
-lo a alcançar um conhecimento que não poderia obter de
outra forma. É por esta razão que Deus prova a cada um
de nós . Isso não acontece para que ele tenha conhecimento
de nossa reação , pois ele conhece todilS as coisas desde o
princípio . Ele sabe tudo sobre sua vida, e sabe de antemão
todas as atitudes que irão tomar. Porém, testa-nos para o
nosso próprio bem , para que possamos conhecer a nós
mesmos; pois é muito importante que o homem conheça a
si mesmo .
"Ele requereu de Abraão que se submetesse a um teste
rigoroso , porque pretendia conceder-lhe glória, exaltação e
grandes honras ; desejava com isto fazer dele um rei e
sacerdote, para que pudesse compartilhar com Ele a
glória, o poder e o domínio que exercia. " (George Q .
Cannon, Gospel Truth , Vol . I , p . 1 l 3 . )
Observe também a indicação d e que Deus conhecia o
caráter de Abraão (vej a Gênesis 1 8 : 1 7- 1 9) muito antes de
testá-lo . O que o ato de Deus conhecer de antemão como
agiria aquele patriarca, tem a ver com o conhecimento que
ele tem de você?
Gênesis 24-36
o Convênio Continua
com Isaque e Jacó
(7-1) Introdução
Por que o Senhor escolheu a Isaque e Jacó? De que
maneira eles foram selecionados para perpetuar o convênio
que Deus havia feito com Abraão? O objetivo deste
capítulo é aj udá-lo a entender os eventos significativos que
aconteceram na ocasião em que o Deus de Abraão se
tornou também o Deus de Isaque e Jacó . Você aprenderá
que, dentre os oito filhos de Abraão que se acham
registrados nas escrituras , o Senhor separou Isaque para
que se tornasse herdeiro do convênio . Mais tarde ele
preferiu Jacó a Esaú , embora este último fosse o
primogênito e aparentemente, o preferido de seu pai .
Isaque e Jacó foram preordenados a cumprir suas
responsabilidades . Entretanto, foi através de sua dignidade
pessoal que eles justificaram seus chamados na linha do
convênio . Desde a época destes extraordinários patriarcas,
todas as pessoas que foram escolhidas pelo Senhor
nasceram através desta linhagem ou foram nela adotadas .
No Velho Testamento Jeová é freqüentemente chamado
de o Deus de Abraão , Isaque e Jacó. Assim sendo , é
importante que se entenda não somente quem foi Abraão ,
mas também por que o Senhor escolheu Isaque e Jacó
para serem os primeiros da casa de Israel .
Ao iniciar o estudo da expansão da linha do convênio,
lembre-se de uma coisa. Muitas vezes temos a tendência de
generalizar o conceito do que significa um povo do
convênio e da herança religiosa recebida por certos grupos
de pessoas . Por exemplo, nossa tendência é pensar que os
árabes são descendentes de Ismael e Esaú , os judeus
descendentes de Judá, os índios americanos e do Pacífico
Sul descendentes de Lamã, e assim por diante . De certa
forma tais declarações são verdadeiras, porém , através de
séculos de casamentos inter-raciais e de conversão ao
convênio , a " linhagem sangüínea pura" (um termo
impossível de corresponder à realidade) dos diversos
ancestrais misturou-se amplamente. Sem dúvida, durante
um período de cerca de quatro mil anos, os descendentes
de Isaque contraíram matrimônio com os descendentes de
Ismael e de outras raças da linhagem de Abraão . Temos
conhecimento de que, depois que as dez tribos foram
levadas ao cativeiro ,o termo judeu foi usado num sentido
nacionalista (com o significado de ser um membro do
reino de Judá) e não apenas no sentido tribal (com a
conotação de ser um descendente de Judá, filho de Jacó) .
Por consequinte, Leí, que era da tribo de Manassés (veja
Alma 1 0:3), e Ismael e suas filhas , que eram de Efraim,
eram judeus, isto é, viviam em Judá.
No Livro de Mórmon, o termo lamanita é usado no
sentido espiritual (significando alguém que apostatou da
verdade), bem como para designar os descendentes de
Lamã (veja 4 Néfi I :38). Um exemplo mais recente de
miscigenação sangüínea ocorreu na época em que uma
nação inteira, no oitavo século D . C . , se converteu ao
judaísmo . A maior parte do reino dos khazars, no que
conhecemos como Rússia, adotou a religião judaica (veja
Encyclopedia Judaica, verbete "Khazars " , Vol . X, pp .
944-47). Muitos judeus modernos da Europa, traçam sua
linhagem até os khazars, que antes de 740 D . C . eram
gentios .
7
Os negros africanos da Etiópia afirmam ser
descen dentes de Davi , devido ao casamento do rei
Salomão com a rainha de Sabá (veja I Reis 1 0: 1 - 1 3 ;
Encydopedia Judaica, verbete "Etiópia" , VaI. V I , p . 943).
Assim sendo, é provável que o sangue de Israel tenha-se
espalh ado até mesmo pela Á frica.
Embora hoje em dia existam grupos raciais que
poderiam ser considerados predominantemente membros
da casa de Israel, ou gentios, é quase certo que o sangue
dessas duas linhas possa ser encontrado na maioria dos
povos da terra. O mais importante é que o fato de se
perten cer ao povo de Israel , ou de ser uma pessoa do
convênio, envolve tanto a fidelidade como a linhagem
sangüí nea. Portanto , como Néfi declarou, são o
arrepe lldimento e fé no :Unigênito de Israel que
determinam se o indivíduo pertence ao convênio (veja 2
Néfi 30:2), um conceito que também foi ensinado por
Paulo (veja Romanos 2:28-29) . Em outras palavras ,
embora a linhagem sangüínea seja um fator significativo,
em urr. indivíduo , a fidelidade ou a falta dela, é o que
realme nte conta. Você verá, ao ler a história antiga do
povo cio convênio , que este conceito foi ensinado desde o
princípio .
InstJrUções aos Alunos
I . Ao estudar Gênesis 24-36, utilize o auxílio que as
Notas e comentários podem oferecer-lhe.
2. Complete a seção de Pontos a Ponderar,
conforme as orientações que lhe forem fornecidas pelo
prof(:ssor. (Os alunos que estudam individualmente
,
devem completar toda a seção .)
NOllAS E COMENTÁRIOS
SOH:RE GÊNESIS 24-36
(7-2) Gênesis 24-28. Em Que Época e Região Ocorreram
os Eve ntos Relativos à Vida de Isaque e Jacó?
Comiderando as informações cronológicas fornecidas
pelo livro de Gênesis e pelo de Moisés, calcula-se que
Isaque nasceu aproximadamente no ano 1 900 A . C . Ele
estava com quarenta anos ao se casar com Rebeca. Esaú e
Jacó nasceram vinte anos depois, ou cerca do ano 1 840
A.C. A fuga de Jacó para Padã-Arã, ou Harã, como
também é conhecida, provavelmente aconteceu no ano
1 800 A.C. , o que significa que os doze filhos devem ter
nascido entre 1 800 e 1 780 A.C. Na linhagem patriarcal,
desde Adão , Abraão era o vigésimo, Isaque o vigésimo­
-primeTo, e Jacó o vigésimo-segundo.
De a cordo com as informações que nos chegaram até a
época presente, Isaque passou toda a sua vida numa região
que poderia ser abrangida em um círculo de
aproximadamente cento e sessenta quilômetros . Na parte
norte deste círculo, estaria situada Jerusalém , para onde
Abraão levou seu filho. A maior parte do círculo
corresponderia à parte sul de Israel, conhecida como
Negev . Jacó, por outro lado, viajou para mais longe
ainda, chegando à cidade de Harã, no território situado ao
82
norte do rio Eufrates, e mais tarde ao Egito , onde José,
seu filho, amparou-o em sua velhice .
O Negev é uma região propícia aos empreendimen :os
agrícolas que estej am em harmonia com seu solo árid.o.
Parece que Isaque, um pastor, e sua numerosa família,
encontraram ali férteis pastagens e outros meios de
subsistência para seus rebanhos . Houve, naturalmente,
ocasiões em que tiveram que se mudar para outras te rras ,
devido a repetidos ciclos de escassez que ocorreram
naquela área. Muitos séculos de conflitos, negligê ncia e
fenômenos naturais transformaram o Negev num çle�:erto
que abrange quase a metade da moderna Israel . Nos
últimos anos , os israelitas vêm transformando novamente
aquele solo estéril num lugar produtivo .
Isaque viveu principalmente em três áreas do Nege v :
Beer-Iaai-roi, Gerara e Berseba. Como fez seu pai , Is aque
cavou muitos poços . Sua tribo e rebanhos se mudavam
com freqüência para onde pudessem achar água. De
acordo com os registros que temos dele, Isaque era u m
homem d e boa paz, preferindo transferir-se para out:o
lugar e cavar novos poços, a lutar pelos que já cavam. O
Senhor o fez prosperar grandemente .
Gerara é uma cidade que fica ao sudoeste de Jerus 3.lém;
Berseba está situada ao sul de Gerara, e a 56 km ao o este
da parte sul do Mar Morto. A tribo de Isaque estabel eceu­
-se em Berseba, e desde então seu nome sempre tem estado
ligado ao de Isaque . Berseba, localizada a oitenta
quilômetros de Jerusalém , na época do Velho Testamento
assinalava a fronteira sul do reino de Judá.
Quando se dirigia a Padã-Arã (Harã) , Jacó teve urna
surpreendente visão em Betel , onde Abraão , seu avô,
muitos anos antes havia construído um altar .
Betel , situada dezoito quilômetros de Jerusalém , mais
tarde veio a tornar-se o centro religioso do reino do norte .
Versículo 19. Considerando a capacidade que um
camelo sedento tem para beber, podemos imaginar quanto
esforço deve ter custado a Rebeca matar a sede de uma
dezena daqueles animais. Ela não somente era uma jovem
atraente, mas também prestimosa .
Versículo 58. Esta escritura nos presta um valioso
esclarecimento sobre a fé possuída por Rebeca. Para uma
donzela deixar a casa de seus pais, seguir para um novo
país , completamente desconhecido, e se casar com um
homem que j amais vira, com certeza seria um grande
desafio. Era de se esperar que desej asse ficar ao lado de
sua família o máximo que lhe fosse possível , mas, ao se ver
diante da alternativa de partir, ela decidam ente respondeu :
"- Irei . "
Versículo 67. Ao pensarmos n a fé e beleza d e Rebeca, e
em como o servo de Abraão foi guiado pela mão do
Senhor até encontrá-Ia, não é de se surpreeender que as
escrituras nos digam que Isaque "a amou" .
(7-4) Gênesis 25:8. O Que as Escrituras Querem Dizer,
Quando Afirmam que Abraão "Foi Congregado a Seu
Povo" ?
O s antigos patriarcas tinham u m claro conhecimento
dos principios do evangelho que lhes haviam sido
ensinados desde o primeiro homem que habitou a terra até
Abraão . A frase "congregado a seu povo " é mais uma
evidência do entendimento que possuíam do evangelho .
Dois estudiosos da Bíblia fizeram o seguinte comentário
sobre o significado deste conceito: "Esta expressão . . .
denota a reunião n o Seol , com seus amigos que haviam
partido deste mundo , e pressupõe que o povo daquela
época acreditava na continuação pessoal da vida após a
morte, como um pressentimento de que as promessas de
Deus tinham exaltado, neste caso, os patriarcas , a uma
firme confirmação daquilo em que acreditavam (vej a
Hebreus 1 1 : 1 3) . " (Keil and Delitzsch , Commentary,
1 : 1 :263 .) Seol é a palavra hebraica que serve para designar
o mundo dos espíritos , para onde as pessoas vão depois
que morrem , o equivalente a mundo espiritual . Os hebreus
não somente possuíam um conceito explicando a vida pós­
-mortal , mas também uma idéia correta de um lugar
intermediário entre a morte e a ressurreição .
(7-5) Gênesis 25 : 16. As Doze Tribos de Ismael
Muito se fala das doze tribos que eventualmente
descenderam de Jacó, mas devemos lembrar-nos de que
houve outras doze tribos, que surgiram de Ismael .
Viagem de Jacó à cidade de Harõ. em Padõ-Arõ.
(7-3) Gênesis 24. Uma Esposa É Encontrada para Is�.que
Este capítulo do Velho Testamento contém uma d,is
mais lindas histórias de comprometimento e fé
encontradas nas escrituras . Os seguintes conceitos sã,) de
particular interesse:
Versículos 12- 14. Estas passagens demonstram qm: tanto
o servo como Abraão eram homens de grande fé . Abraão
lhe dissera que sua missão era um mandamento do S,�nhor
(vers . 7) . Assim , ao defrontar-se com uma tarefa de diftcil
realização, pediu aj uda ao Senhor. Em vez de apena!:
rogar a ele que lhe resolvesse o problema, o servo
apresentou ao senhor um plano, e pediu-lhe que o
con firmasse.
Versículo 16. A Bíblia, versão do Rei Tiago, afirma que
Rebeca era muito formosa, mas a Versão Inspirada nos diz
que ela era a mulher mais bonita que o servo já havi(l visto
em toda a sua vida.
(7-6) Gênesis 25:21 . "Porquanto Era Estéril"
A brevidade dos relatos históricos encontrados em
Gênesis geralmente comprime os períodos de tempo que
eles abrangem . Podemos considerar a simples declaração
sobre a esterilidade de Rebeca como deveras amarga, se
nos recordarmos do fato de que , naquela época, as
pessoas davam grande valor à capacidade de ter filhos, e
que Isaque e Rebeca ficaram sem ter descendentes por
vinte anos (vej a os vers o 20, 26) .
(7-7) Gênesis 25:27-28. Jacó Era um Homem Simples
Em contraste com Esaú, descrito nas escrituras como
um "perito caçador" , elas dizem que Jacó era um
"homem simples" (vers . 27) . A palavra hebraica usada
nas escrituras significa "íntegro , completo ou p erfeito" , e
é um adjetivo muito apropriado.
83
o vocábulo amava, usado no versículo 28, tem o sentido
de " favorecer" ou "preferir" . Vemos, portanto, que
Isaque favorecia a Esaú , e Rebeca a Jacó.
(7-8) Gênesis 25:30
A palavra Edom quer di'zer "vermelho " . Os edomitas ,
descendentes de Esaú , desempenharam um importante
papel no Velho Testamento , geralmente como adversários
dos israelitas . Eles habitavam no território onde fica
situado o Monte Seir, e em suas adj acências , entre o Mar
Morto e o Mar Vermelho (veja Gênesis 36) . Os membros
dessa linhagem também podem ser encontrados hoje em
dia entre as nações árabes .
(7-9) Gênesis 25:32
A evidente racionalização retratada nesta escritura,
denota mais um traço de zombaria, que uma cessão de
direito motivada pela fome. Jacó certamente socorreria a
Esaú , sem procurar receber qualquer retribuição , caso a
vida dele estivesse correndo perigo . O objetivo principal
deste relato parece ser o de demonstrar a falta de '
consideração que Esaú tinha por seu direito de
primogenitura. A satisfação de suas necessidades fisicas
imediatas era-lhe mais importante que os privilégios do
convênio . Uma prova adicional dessa atitude é o fato de
ele haver-se casado com mulheres cananitas , rompendo ,
assim, a linhagem do convênio (veja Gênesis 26: 34-35) .
O direito de primogenitura deveria ter sido para ele um
dos bens mais preciosos . Entre as bênçãos mais desejáveis
relativas a ele, encontra-se o direito de presidência, ou as
chaves do sacerdócio. O É lder Bruce R. McConkie
escreveu :
"Parece que, nos primeiros tempos da história religiosa,
sob a Ordem Patriarcal , havia certas bênçãos especiais,
direitos, poderes e privilégios - coletivamente chamados
de primogenitura - que eram transferidos ao primeiro
filho varão (Gênesis 43 :33). Em épocas posteriores ,
bênçãos e prerrogativas exclusivas foram derramadas
sobre todos os descendentes dignos de alguém que outrora
obtivera certos privilégios extraordinários e
primogenituras . (3 Néfi 20:25-27 .) A j ustificativa para a
existência de tal sistema reside, em grande parte , na
preparação e treinamento feito na vida pré-mortal por
aqueles que nasceram nas linhas destinadas a herdar
investiduras preferenciais . " (Mormon Doetrine, p. 87 .)
Na ordem patriarcal , este direito de primogenitura era
passado de pai para filho, que era freqüentemente, mas
nem sempre o varão mais velho . A retidão pessoal era
mais importante que o fato de ter sido o primogênito.
(7-10) Gênesis 27: 1-40. Jacó Obtém a Primogenitura
Pertencente a Esaú
A história da maneira como Jacó obteve de Isaque a
bênção da primogenitura com a aj uda de sua mãe, contém
muitos detalhes que podemos considerar deveras
incomuns . Os comentadores da Bíblia que não utilizam as
escrituras modernas, chegam a duas conclusões típicas : são
levados a dar ênfase ao fato de Esaú ser indigno de herdar
as bênçãos da primogenitura, e assim justificam o ato de
ele haver sido enganado na hora de recebê-la, ou criticam
a natureza sagaz e astuta de Jacó .
Todavia, um conhecimento mais profundo dos
princípios do evangelho nos induz a apresentar alguns
problemas adicionais. Seria lícito iludir um patriarca, a fim
de obter uma bênção que, por direito, pertence a outra
pessoa? Era Jacó um indivíduo enganador e fraudulento?
Era Isaque um homem parcial e dava preferência a
determ inados filhos? Alguém pode ser desonesto e ainda
assim obter uma bênção patriarcal válida? Para
entendermos estas questões , precisamos considerar
cuidadosamente os seguintes fatores :
1 . Rebeca sabia, através de revelação pessoal , que Jacó
deveria ser o filho do convênio (vej a Gênesis 25 :22-23) . O
filho relutantemente consentiu em levar a cabo o plano
que sua mãe engendrara, só fazendo isto depois que ela lhe
disse que assumiria a responsabilidade do ato que iriam
pratica r.
2. E mbora os antigos patriarcas e suas esposas fossem
pessoa, de grande integridade e j ustiça, que eventualmente
foram exaltadas e se aperfeiçoaram (vej a D&C 1 32: 37),
este faro não significa que eram perfeitas em todos os
sentidos, na época em que se encontravam aqui na
mortal idade . Se a história que se encontra em Gênesis
estiver correta, Isaque provavelmente não foi muito
criteric1so ao favorecer a Esaú . Ou ainda, Rebeca talvez
não tiv esse suficiente fé no Senhor, a ponto de permitir
que ele corrigisse a situação , e assim concebeu um plano , a
fim de assegurar que as bênçãos prometidas recaíssem
'
sobre Jacó . Tais faltas não empanam a grandeza que
alcançaram posteriormente e sua eventual perfeição .
3 . Seja qual for a explicação relativa às circunstâncias
que de ram origem ao recebimento da bênção , um fato está
perfeitamente claro : os portadores do sacerdócio recebem
as chaves para ligar e desligar aqui na terra, e isto é
sancionado nos céus (veja Mateus 1 6 : 1 9) . Logo que tomou
conhec imento de que fora enganado, Isaque poderia ter
revogado a bênção e tê-Ia transferido para Esaú . Em vez
disso, ele lhe disse : " . . . será bendito " (Gênesis 27 :33).
Numa ocasião posterior, quando Jacó estava se
prepar,mdo para se dirigir a Padã-Arã, com o objetivo de
escapar da ira de Esaú , Isaque claramente lhe deu a
bênção de Abraão (vej a Gênesis 28 : 3-4) , uma prova
adicional de que Jacó recebera a bênção a que tinha
direito , e que Isaque a confirmou sobre sua cabeça. Assim
sendo, se o registro que se encontra em Gênesis estiver
correto na forma em que o lemos atualmente, Jacó, bem
como outros líderes semelhantes a ele, receberam um
chamajo e promessa de serem eventualmente abençoados ,
em vir1 ude de seu grande potencial e apesar das fraquezas
que possuíam . Como acontece a todo indivíduo, seria
necessitrio que ele vivesse dignamente, para que pudesse
receber os privilégios que lhe foram conferidos .
(7-11) IGênesis 27:34-46. Os Efeitos Subseqüentes das
Bênçãos de Jacó
"Esaú também foi abençoado - com a abundância
prodm:ida pela terra e com o potencial de eliminar o jugo
da opr,�ssão ; mas , como acontece a cada um de nós, ele só
deu vaJor ao que possuía depois de haver perdido o que j á
fora s e u , e s e arrependeu amargamente d o dia e m que
negociara o direito de primogenitura com Jacó . Ao se
conscientizar de sua situação , resolveu vingar-se, matando
seu irmão , ao ver que a transmissão da bênção patriarcal
fora confirmada sobre aquele com quem a negociara .
Rebeca, atenta aos problemas que estavam ocorrendo ,
evitou que ocorresse uma dupla tragédia (a perda de dois
filhos -- um que seria assassinado, e outro que sofreria a
execuç �o, como penalidade , conforme ordenava a lei
84
registrada em Gênesis 9:6) , e propôs a Isaque que
aconselhasse Jacó a partir dali rumo à sua terra natal., em
busca de uma esposa adequada. Desta maneira, ela (I
afastaria do mal que Esaú jurara perpetrar, até que (IS
ânimos se acalmassem. Isaque aparentemente aprov(lu de
imediato a idéia de enviar Jacó a Padã-Arã com tal
incumbência, pois, sem dúvida, conscientizou-se de que
Rebeca estava com a razão em afirmar que a missão que
Isaque recebera na vida seria frustrada, se Jacó contraísse
matrimônio da maneira feita por Esaú . " (Rasmussen,
Introduction to the Old Testament, Vo!. I, p. 47 .)
dariam o direito de entrar no reino dos céus e de viver em
íntima associação como Senhor.
"Devido ao fato de, naquele local, ele haver encontrado
o Senhor e feito convênios com ele, Jacó considerou
sagrado aquele lugar, e deu-lhe o nome de Betel, uma
contração da palavra Beit-Eloim, que significa literalmente
'Casa do Senhor'. Ele disse nessa ocasião: ' Este não é
outro lugar senão a casa de Deus; e esta é a porta dos
céus. ' (Gênesis 28 : 1 7.)
" Jacó não somente atravessou o portão do céu, mas
vivendo à altura do convênio que fizera, continuou a
progredir eternamente. O Senhor declarou o seguinte, a
respeito de Jacó e de seus ancestrais Isaque e Abraão : ' . . .
porque fizeram nada mais do que as coisas que lhes foram
mandadas, entraram para a sua exaltação, de acordo com
as promessas, e se assentam em tronos, e não são anjos,
mas sim deuses. ' (D&C 1 32:37.)
" Os templos significam para nós hoje em dia o mesmo
que Retel para Jacó. Eles são até mais do que isto, pois se
constituem nos portões dos céus para todos os nossos
ancestrais que não tiveram o privilégio de neles entrar.
Devemos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para
que nossos entes queridos os atravessem. " (Tempies The Gates of Heaven, " Ensign , março de 1 97 1 , p . 16,
itálicos acrescentados.)
(7-12) Gênesis 28:10-19.
A Visão da Escada de Jacó .�m
'
Betel
'Dois comentários feitos por profetas dos últimos dias
nos fazem entender melhor o significado da experiência
que Jacó viveu em Bete!. Joseph Smith declarou o
seguinte, com referência à observação feita pelo apó!:tolo
Paulo a respeito de alguém que foi arrebatado até o
terceiro céu (veja II Coríntios 1 2:2) : "Paulo subiu ao
terceiro céu, e pôde entender os três degraus principais da
escada de Jacó: as glórias ou reinos telestial, terrestrial e
celestial. " (Ensinamentos, p . 296.)
O Presidente Marion G . Romn�y esclareceu por que tal
visão celestial foi mostrada na forma de uma escada, e por
que razão o local onde ocorrera foi denominado Bete!:
"Quando Jacó viajava de Berseba até Harã, teve um
sonho no qual viu a si próprio aqui na terra, na base de
uma escada que conduzia ao céu, em cujo topo se
encontrava o Senhor, e que os anjos de Deus subiam e
desciam por ela. Diante daquilo, ele conscientizou-se de
que os convênios que fizera com o Senhor eram os degraus
da escada, e que ele mesmo teria de subi-Ia, para qUE
pudesse obter as bênçãos prometidas - bênçãos que lhe
N� ��
n
Léia
I
L. _
O seguinte gráfico genealógico mostra claramente que
cada um dos três grandes patriarcas - Abraão, !saque e
Jacó - se casou com parentes suas. (As linhas
tracejadas mostram os casamentos, e as pontilhadas unem
os mesmos indivíduos.
�n: T-��� . p * :;�m
Terá
-- Mil"
1
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(7-13) Gênesis 29: 12. Que Relação d e Parentesco Existia
entre Jacó e Suas Esposas?
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Esaú
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Isca
85
Abraão casou-se com Sara, que era sua sobrinha; Isaque
contraiu matrimônio com Rebeca, sua prima-segunda, e
Jacó se casou com Léia e Raquel, suas primas-irmãs.
(7-14) Gênesi" 29: 17. Léia Tinha "Olhos Tenros"
A palavra hebraica traduzida para "olhos tenros"
significa "mansos , delicados, adoráveis" . O fato dessa
característica fisica de Léia haver sido retratada nas
escrituras, ao passo que Raquel é descrita como de
" formoso semblante e formosa à vista" , isto é, bonita em
todos os aspectos, parece sugerir que o maior atrativo de
Léia eram os olhos .
(7-15) Gênesis 29:20-30. O Casamento de Jacó com Léia e
Raquel
Esta passagem nos dá o primeiro lampejo da natureza
astuciosa de Labão. Prometendo a Jacó que lhe daria
Raquel como esposa, em troca de sete anos de serviço, no
dia da consumação do casamento, Labão deu-lhe Léia. Os
leitores modernos provavelmente acharão dificil acreditar
que Jacó só conseguiu descobrir que fora enganado ao
chegar a manhã; todavia, poderíamos atribuir o sucesso de
Labão às seguintes possibilidades. Por serem irmãs, Raquel
e Léia provavelmente eram de altura, peso e compleição
semelhantes. Em segundo lugar, era costume dentre as
mulheres de Harã usarem um véu (veja Gênesis 24:65) . Em
terceiro, Labão era pastor, e como era típico às pessoas
que realizavam aquele trabalho, ele morava em tendas, e
não numa habitação permanente. O interior de uma tenda
durante a noite pode ser muito escuro. E, finalmente,
sabendo qual seria a reação de Jacó, se descobrisse com
antecedência a substituição que fizera, Labão deve ter dito
a Léia que falasse o menos possível, a fim de não
Mãe
denun;iar o engano, senão quando já fosse muito tarde
para repará-lo.
Emhora tivesse exigido de Jacó que trabalhasse mais
sete ar.os em troca de Raquel, Labão permitiu-lhe que
contraísse matrimônio com ela, tão logo passassem os sete
dias d(: festas dos esponsais realizados com Léia, e que
cumprisse após o casamento o período de serviço que
acertara. A concessão de servas às filhas fez das primeiras
propri,!dade direta das esposas, e não de Jacó. Por
conseguinte, quando futuramente as servas tiveram filhos
de Jacó, estes foram considerados legalmente como
progênie de Raquel e Léia.
(7-16) 'Gênesis 29:31. Jacó "Desprezou" a Léia?
A palavra hebraica sahnay não significa "aborrecida" ,
como 4) termo bíblico dá a entender atualmente, mas sim
que era "menos amada" . A tradução mais correta deste
versícu lo seria " Vendo pois o Senhor que Léia era menos
amada, ou que não era favorecida" , abriu a sua madre.
(7-17) IGênesis 29:31 a 30:24. Os Filhos de Israel
As escrituras contidas neste capítulo indicam que cada
filho n ascido de Jacó recebeu um nome que refletia os
sentiffii !ntos que seus pais nutriam por ocasião daquele
evento , Existia um extraordinário espírito de rivalidade
entre as esposas. Elas consideravam uma grande honra dar
um filbo varão para seu marido . Raquel aparentemente
sentiu-,;e muito triste por não ter um filho,o que só
acontel;eu posteriormente em sua vida. Quando,
finalffil!nte, conseguiu trazê-lo ao mundo, o nome que lhe
deu indicava o que sentia por ele., e as grandes esoeranças
que depositava no futuro. Abaixo, encontram-se alistados
os dozefilhos de Jacó, pela ordem de seu nascimento.
Nome
Significado
Razão pela QUal .t<ecebeu o Nome
Léia
Rúben
Eis ! um filho
A alegria por ter um filho (Gênesis 29:32) .
Léia
Simeão
Ouvindo
Porquanto o Senhor ouviu que ela era aborrecida (ver Gênesis 29: 33).
Léia
Levi
Junto
"Agora esta vez se ajuntará meu marido comigo" (Gênesis 29:34) .
Léia
Judá
Louvor
"Esta vez louvarei ao Senhor" (Gênesis 29: 35).
Bilha
Dã
Juiz
" Julgou-me Deus" (Gênesis 30:6) .
Bilha
Naftali
Lutando
" Com lutas de Deu.; tenho lutado com minha irmã" (Gênesis 30:8).
Zilpa
Gade
Fortuna
"Então disse Léia: Vem uma turba" (Gênesis 30: 1 1 ; notas d, e) .
Zilpa
Aser
Feliz
"Então disse Léia: Para minha ventura" (Gênesis 30: 13).
Léia
Issacar
Galardão
"Então disse Léia: Deus me tem dado o meu galardão" (Gênesis 30: 1 8) .
Léia
Zebulom
Morada
"Desta vez morará I) meu marido comigo" (Gênesis 30:20) .
Raquel
José
Aumentador
"O Senhor me acre!:cente outro filho" (Gênesis 30:24) .
Raquel
Benjamim
Filho da destra
"Você será o filho d,a minha mão direita" (Gênesis 35 : 1 8) .
86
(7-18) Gênesis 30: 14-22. Em Que Consistiam as
Mandrágoras e Por Que Raquel as Desejava?
Embora os estudiosos da Bíblia não tenham certez a de a
que planta a palavra mandrágora se referia, é bem cl aro o
seu significado para Raquel e Léia "o nome em hebraico
designa uma fruta do amor, a qual possuía sabor e a roma
agradáveis, e supostamente garantia a concepção " (Bible
Dictionary) . Em outras palavras , j ulgavam outrora que
as mandrágoras aumentavam a fertilidade e a capacidade
de gerar da mulher . O conhecimento dessa crença nc's
aj uda a esclarecer a estranha troca feita entre Raquel e
Léia. A primeira desej ava as mandrágoras para que,
finalmente , pudesse dar à luz um filho . Como já vimos
anteriormente , a competição entre as duas irmãs nes :e
sentido era de fato incomum . A resposta de Léia,
portanto , era igualmente a que se esperava. Ela indicou
que Raquel já lhe havia tirado o marido , o que,
provavelmente , queria dizer tão somente que ela era a
esposa preferida de Jacó. (Alguns eruditos, todavia,
acreditam que esta passagem significa que Jacá , na
realidade, vivia na tenda de Raquel , e não na de Léia .) A
vantagem de Léia sobre Raquel era a de poder ter fil hos.
Em resumo, ela disse a Raquel que seria tolice de sua parte
entregar-lhe as mandrágoras de seu filho e aj udá-la , I ter
descendentes, pois isto só acarretaria prej uízo a ela, Léia
(vers . 1 5) . Assim, Raquel fez uma contra-proposta . lCla
prometeu que incentivaria Jacó a ir à tenda da irmã
naquela noite, se, em troca, pudesse conseguir as
mandrágoras (vers . 1 5) . Léia concordou e contou a Jacó .
Em conseqüência do acordo, Léia concebeu a seu quinto
filho (vers . 1 7- 1 8) . Mais tarde, ela deu outro varão a seu
marido e também a primeira filha (vers . 1 9-2 1 ) .
Embora a escritura não mencione especificamente , o
registro deixa ver que a planta não causou efeito algum a
Raquel . Depois de algum tempo , ela concebeu , não por
causa das mandrágoras , mas muito pelo contrário, porque
"lembrou-se Deus de Raquel , e Deus ouviu e abriu , I sua
madre" (vers . 22) .
(7-19) Gênesis 30:37-43. O Ato de Descascar as Vars s
Verdes Influenciou os Rebanhos de Jacó a ConcebeI'?
O ato de Jacó descascar as varas e colocá-las dian':e dos
animais para que, ao conceber as crias , saíssem com
pelagem branca e preta, ou só de cor escura,
aparentemente reflete uma superstição muito comum
naquela época, de que a concepção era influenciada pelo
que a mãe sentia ou enxergava naquela ocasião . A ciência
moderna não conhece fato algum que esclareça o
relacionamento existente entre o que fez Jacó e o que
acabou acontecendo aos fatores hereditários dos animais.
Com certeza está faltando alguma informação no texto.
Talvez, nesse caso , o Senhor estivesse apenas aproveitando
a virilidade no cruzamento de raças . A intervenção divina
certamente desempenhou um papel importante nesse
sentido, pois , com isto , os rebanhos de Jacó aumentaram
e o Senhor abençoou-o . Também o fato de Jacó separar os
rebanhos (vers . 40) seguiu os princípios de um bom
acasalamento animal , aumentando a possibilidade deles
terem animais de pele malhada.
(7-20) Gênesis 31:4
É interessante notar que Jacó se aconselhou com suas
esposas a respeito da imp ortante mudança de domicílio
que pretendia realizar . E comum os eruditos afirmarem
que as mulheres do Velho Testamento desfrutavam de
uma condição social inferior, e que eram tratadas como
propriedade do marido . Porém este exemplo , e outros
semelhantes a ele , demonstram que tal idéia é errônea .
(7-21) Gênesis 31:7
O comentário feito por Jacó, de que Labão havia
mudado dez vezes o seu salário, não deve ser levado ao pé
da letra, ou seja, talvez tal número seja uma força de
expressão . Porém , o temperamento de Labão era de tal
natureza, que não é de duvidar que, tão logo viu Jacó ser
abençoado com prosperidade, tenha mudado diversas
vezes os termos do acordo que com ele fizera. Apesar de
tudo, o Senhor continuou a abençoar Jacó
temporalmente.
(7-22) Gênesis 31: 14-16. "Pois Vendeu-nos e Comeu Todo
o Nosso Dinheiro"
É importante observar que tanto Raquel como Léia
concordaram que era j usto o marido deixar a casa de
Labão . Elas também ressaltaram que nada receberam da
parte do pai, por ele ser um homem muito ambicioso . Um
estudioso da Bíblia fez o seguinte comentário , para
esclarecer a amargura demonstrada pelas duas mulheres :
"O dote era uma parte importante do casamento .
Encontramos este costume registrado pela primeira vez
numa experiência vivida por Jacó, que trabalhou durante
sete anos para Labão, a fim de ganhar um dote pina
Raquel (Genêsis 29 : 1 8) . O pagamento relativo ao serviço
por ele prestado pertencia à noiva, passando a ser seu
dote; assim sendo , Raquel e Léia podiam dizer , com justa
indignação , que haviam sido 'vendidas ' por seu pai , já que
este não lhes pagara o dote que lhes era devido (Gênesis
3 1 : 1 4- 1 5). O dote era o capital da família; representava
uma segurança para a esposa, caso ocorresse um divórcio
por culpa do marido . Se a esposa, entretanto, fosse a
causa da separação , perdia o direito a ele . O dote não
podia ser alienado aos filhos . Há algumas indicações de
que o valor normal de um dote era o equivalente a três
anos de salário . Essa importância era fornecida pelo pai do
noivo , ou pelo nubente , através de serviços prestados , e
sua finalidade era auxiliar a melhorar a vida econômica da
nova família. Ao pai era concedido o privilégio de
87
acrescentar uma contribuição ao dote e era costumeiro que
ele o fizesse, porém o dote básico era dado pelo noivo , ou
por sua família. Assim sendo, constituía-se numa bênção
do pai sobre o casamento do filho , num teste do caráter do
j ovem , no caso de ter que trabalhar para fornecê-lo . "
(Rushdoony, lnstitutes of Biblical Law, pp . 1 76-77 .)
(7-23) Gênesis 3 1 : 19. Em Que Consistiam os Í dolos de
Labão?
Existe muita controvérsia entre os estudiosos , sobre em
que consistiam os ídolos roubados por Raquel, e o que
representavam . A palavra hebraica que algumas vezes é
usada para designar ídolos pequenos, ou falsos deuses, é
terafim . Alguns tradutores dão a esse vocábulo o
significado de "deuses domésticos" . Era Labão um
idólatra? Se assim fosse, por que Jacó se deu ao trabalho
de fazer uma longa j ornada até Harã, para encontrar uma
esposa entre uma família que seria tão idólatra como os
cananeus? Há quem acredite que eles se constituíam em
objetos astrológicos, utilizados 'para predizer o futuro .
Porém, tal sugestão levanta a mesma dúvida. Certo
erudito apresentou a teoria de que os ídolos em questão
tinham estreito relacionamento com os direitos legais
relativos à herança. Se esta afirmação for correta, aquele
que possuísse os terafim teria o direito de herdar os bens
do seu pai . Esta circunstância esclarecia que Raquel levou
as imagens, porque Labão lhe havia "roubado" a herança
(vej a Gênesis 3 1 : 14- 1 6) . Isto também explicaria a razão
por que Labão ficou transtornado com aquela perda, e o
severo castigo que Jacó se propôs a aplicar ao ofensor
(veja Gênesis 3 1 : 3 1 ) .
(7-26) lGênesis 34: 1-31 . O Defloramento de Diná
O te rmo hebraico traduzido como "tomando-a" ,
palavra utilizada n a última frase d o versiculo 2 , pode
significar " apossar-se, às vezes através de violência ou à
força; tomar, capturar ou prender" (Wilson , Old
Testament Word Studies, verbete, "tomar " , p. 435).
Comentando o fato de Siquém ter falado
"afetu osamente" com a donzela (Gênesis 34:3), um
estudiüso da Bíblia deu o seguinte significado a esse
vocábulo :
"Es�,a frase significa literalmente que ele falou ao
coração da donzela
procurou ganhar o seu afeto e fazer
com que aceitasse a desgraça que lhe havia acontecido, Há
evidências neste e no versículo precedente, de que não
houve tal consentimento por parte de Diná, que o
inciderte foi um ato de violência perpetrado contra sua
pessoa., e que agora ela se encontrava detida à força na
casa df: Siquém . Foi lá que Simeão e Levi a encontraram,
ao tom arem a cidade de assalto (vers. 26) " (Clarke, Bible
Commentary, VaI . I , p . 207) .
-
Rio
Jaboque
(7-24) Gênesis 32:24-32. Em Que Consistiu a Luta Travada
por Jacó?
A maioria dos estudiosos acredita que Jacó lutou com
um anj o , porém o Presidente Joseph Fielding Smith
esclareceu por que não podemos crer em semelhante
afirmação:
"Quem lutou com Jacó no Monte Peniel? As escrituras
dizem que foi um homem . Os intérpretes da Bíblia
afirmam ter sido um anj o . É bem mais provável que tenha
sido um mensageiro enviado a Jacó para abençoá-lo .
Pensar-se que lutou com um anj o e segurou-o para que
não se fosse, está fora de questão . O termo anjo, quando
usado nas escrituras , refere-se às vezes a mensageiros
portadores de alguma instrução importante . Mais adiante,
no mesmo capítulo, quando Jacó diz ter visto o Senhor,
isso não tem relação alguma com sua luta. " (Doutrinas de
Salvação, VaI . I , pp . 1 8- 1 9.)
(7-25) Gênesis 33: 1-2
Houve quem já tenha criticado a disposição do
acampamento feita por Jacó , pois , da maneira descrita,
parece que ele está colocando as servas e seus filhos nas
posições mais perigosas . Essa atitude seria bastante
natural , se considerarmos que, no Oriente Médio, era
costume o líder da tribo apresentar sua família e bens
materiais de tal forma, que os bens melhores e membros
mais favorecidos da família se encontrassem resguardados
na parte mais distante do arraial . (Clarke, Bible
Commentary, Vol . I , p . 205 .)
Hebrom
(Quiriate-Arba)
+
-t-1 Monte Nebo
\
\
i
i
f
/
l Roteiro seguido
por Esaú para
chegar a Seir
I
Trajeto percorrido por Jacó ao sair de Harã. para chegar a Hebrom
o ult raje sentido pelos dois irmãos era justificado , mas
colocar uma cidade inteira, de forma traiçoeira, vulnerável
a um m assacre e rapinagem , sob o falso pretexto de fazer
com que aquele povo entrasse para o convênio, foi um
gesto abominável . As bênçãos que Jacó conferiu a estes
dois filhos, pouco antes de morrer (veja Gênesis 49:5-7)
claramente demonstram que tanto ele como o Senhor não
aprovaram tal atitude .
(7-27) Gênesis 35:1-6
Antes de retornar a Betel , que era o equivalente de um
templo moderno (veja a Leitura 7- 1 2), Jacó fez com que
sua família, seus servos e toda a sua casa se preparassem
para a experiência, da mesma forma que os santos atuais o
fazem, quando vão ao templo. Os brincos referidos na
escritura provavelmente eram mais que simples objetos de
adorno , e com certeza se tratava de amuletos contendo
inscriçõ es dirigidas a falsos deuses .
88
(7-28) Gênesis 35:20-22. Rúben Perde o Direito de
Primogenitura
A inclusão do breve relato da imoralidade praticada por
Rúben pode parecer incomum, mas esclarece por qu'� ele,
o filho mais velho de Léia, perdeu a primogenitura.
Considerando que Raquel era a segunda esposa, o
primogênito dela teria então direito a herdar a bênção que
o outro perdera. José ficou, assim , sendo o segundo
herdeiro na linha legal , muito embora fosse o décimo­
-primeiro filho na ordem de nascimento . (I Crônicas 5 : 1 -3
especificamente atribui à transgressão de Rúben o fato de
ele haver perdido a primogenitura, e nos mostra de que
maneira ela passou para José.) Os primogênitos das ,ervas
Bilha e Zilpa não eram considerados herdeiros daquelas
bênçãos, pois pertenciam às suas senhoras , e os filho s
delas eram tecnicamente considerados propriedade d e suas
respectivas donas , Raquel e Léia.
PONTOS A PONDERAR
(7-29) Com isto, você acaba de estudar a origem da casa de
Israel , "o povo escolhido" . Não ficou desiludido ao ver
como alguns de nossos pais não corresponderam àquilo
que você esperava deles? Ao refletir sobre os ensinamentos
contidos neste capítulo, considere as seguintes questôes :
1 . As escrituras apresentam alguma evidência de q ue o
Senhor não fazia caso, desculpava ou tratava com
benevolência atitudes marcantes de comportamento
inadequado?
2. As faltas e enganos cometidos por nossos ancestrais
podem ensinar-nos alguma lição, da mesma forma que
suas virtudes e sucessos?
3. Conseguiu encontrar nos registros do antigo povo do
convênio algum indício que denote crescimento espiritual,
desenvolvimento, arrependimento e comp(omisso p(Tante
(o Senhor?
4. Os detalhes relativos ao comportamento humano , tal
<;; o mo o da rivalidade que existia entre Raquel e Léia ,
torna, para você, mais fácil ou mais difícil crer que Deus é
um Pai amoroso e paciente, e que também você, apesar de
suas fraquezas, pode tornar-se uma pessoa do convênio?
(7-30) Um fato que fica sobremaneira esclarecido nestes
capítulos é o significado que tinha para Abraão , Isaque e
Jacó o ato de se casarem dentro do convênio. Escreva uma
curta dissertação sobre o tema ' 'O que Posso Aprender
sobre Casamento através de Abraão , Isaque e Jacó . "
Antes d e iniciá-la, examine a s seguintes declarações feitas
por nossas Autoridades Gerais :
Brigham Young declarou: " Sede cuidadosas, ó mães da
Igrej a, e não ensineis vossas filhas a casarem fora de
Israel, como muitas têm feito . Ai de vós que assim fazeis ,
pois perdereis vossa coroa tão certo como Deus vive . "
(Discursos de Brigham Young, p . 1 % .)
Joseph F. Smith afírmou: "Algumas pessoas sentem
que não faz muita diferença se uma j ovem se casa com um
rapaz da Igrej a, cheio de fé no evangelho; mas muito
poucos dos que fizeram isso escaparam do fracasso . . . Não
há nada que eu possa imaginar, no que se refere à religião ,
que me afligiria mais do que ver um dos meus filhos
casado com uma j ovem não-membro, ou uma das minhas
filhas unida a um não-membro . " (Doutrina do Evangelho,
p . 254.)
O Presidente Spencer W . Kimball escreveu : " Muitas
vezes tenho sido visitado por mulheres com lágrimas nos
olhos . Como se sentiriam felizes em poder treinar os filhos
no Evangelho de Jesus Cristo ! Porém, não podem fazê-lo ,
devido à incompatibilidade religiosa com o marido não­
-membro . Como gostariam de aceitar posições de
responsabilidade na Igrej a ! Como gostariam de pagar o
dízimo ! Como gostariam de poder ir ao templo para
receber suas investiduras e fazer o trabalho pelos
mortos ! Como gostariam de poder ser seladas para a
eternidade e ganhar a promessa de ter sua carne e sangue
- seus filhos - selados a elas para a eternidade! Às vezes
são os homens que se encontram nessa situação . Mas eles
fecharam as portas , e as dobradiças já enferrujaram . " (O
Milagre do Perdão , pp . 232-3 3 . )
/
Gênesis 37-50
8
José: O Poder
da Preparação
(8-1) Introdução
"A história de José, filho de Jqcó a qu �m o Senhor
passou a chamar de Israel , é uma vívida representação da
grande verdade existente no ensinamento bíblico de que
'todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam
a Deus. ' (Romanos 8 : 2 8 . ) Pelos exemplos que
encontramos das atitudes de José, parece que ele sempre
�ez as coisas de maneira acertada, e ainda, o que é mais
Importante, assim procedeu pelos motivos corretos . Quão
profundamente significativo é esse fato ! José foi vendido
como escravo por seus próprios irmãos, sendo comprado
por Potifar , capitão da guarda do faraó . Porém , mesmo
servindo na posição de servo contratado, José conseguiu
transformar todas as circunstâncias e experiências - não
'
importa quão difíceis fossem , em algo bom.
" Esta aptidão para tornar tudo em algo de bom parece
ser uma característica divina. Nosso Pai Celestial sempre é
capaz de consegui-lo. Qualquer coisa, por mais calamitosa
que seja, transforma-se em vitória para o Senhor. José,
embora escravo sem absolutamente merecê-lo , não
obstan�e conservou-se fiel ao Senhor e continuou a viver
os mandamentos, e fez algo de muito bom de suas
con �ições degradantes . Pessoas como ele não podem ser
vencidas , porque jamais desistem de lutar . " (Hartman
Rector Jr . , "Viver Acima da Lei Para Ser Livre" , A
Liahona, agosto de 1 973, p. 3 1 . )
Instruções aos Alunos
1 . Ao ler e estudar Gênesis 37-50, utilize o auxílio que
as Notas e Comentários podem lhe oferecer.
2. Complete a seção de Pontos a Ponderar
conforme as orientações que lhe forem forne� idas pelo
professor . (Os alunos que estudam individualmente
devem completar toda a seção .)
NOTAS E COMENTÁRIOS
SOBRE GÊNESIS 37-50
(8-2) Gênesis 37:3. Em Que Consistia a Túnica de Várias
Cores?
Existe uma certa dúvida sobre em que consistia a túnica
de José . A palavra hebraica denota que era "uma veste
longa com mangas . . . isto é, uma espécie de capa que
alcançava os pulsos e tornozelos, semelhante a que era
usada pelos nobres e filhas dos reis" (Keil and Delitzsch ,
Commentary, 1 : 1 : 3 3 5 ; vej a também II Samuel 1 3 : 1 8 ,
onde se ensina que as filhas do Rei Davi usavam túnicas
semelhantes) . A túnica, provavelmente, era de cores
diferentes , mas o fato mais significativo referente a ela é
que seu valor não se resumia apenas em seu colorido e
beleza . Um estudioso da Bíblia afirmou que aquela peça
de vestuário "era de um cumprimento que alcançava a
palma das mãos e as solas dos pés : uma túnica longa com
manga�, usada por j ovens e donzelas de alta classe . No
caso de José, conforme supõe Bush . . . devia ser um
símbolo da primogenitura que Rúben perdera e fora
transferida a José " . (Wilson , Old Testament Word
Studies , p . 82 .)
S de fat <:> , essa túnica assinalava que José possuía o
. 7'
direito da pnmogenitura, o qual certamente era disputado
por seu s irmãos, pois na família de Jacó havia quatro
primog �nitos, isto explica a intensa hostilidade e invej a
que ela p rovocava entre os outros filhos daquele patriarca.
Os � egll l� te � irmãos p oderiam facilmente julgar que lhes
cabia o direito da pnmogenitura:
Rúben . Dentre todos os filhos, ele era o primogênito.
Embora houvesse perdido esse direito (veja a Leitura
7-28) , p rovavelmente lhe era difícil aceitar tal fato .
Simeiio . Considerando que era o segundo filho de Léia
'
e o segllinte na linha de sucessão , logo após Rúben , ele
deve ter presumido que receberia o direito da
primogl:nitura, já que seu irmão o perdera.
Judá , Ele poderia ter afirmado que não somente Rúben
hav �a pl:rdido aquele privilégio, mas também Simeão e
L�VI , I? or terem massa�r�do o povo de Siquém (veja
Genesls 34) . A desqualificação desses filhos faria dele o
herdeiro legal àquele direito .
Dã. Devido ao fato de Bilha, sua mãe ter sido
conside rada propriedade de Raquel, ele oderia afirmar
ser o pr imogênito de Raquel, e não José' assim sendo
'
deveria ter herdado aquele direito, quan d o Rúben o
perdeu .
Gac!e . El7 foi o primogênito de Zilpa e, portanto,
podena facilmente ter achado que devia ganhar a
primogt:nitura depois de Rúben havê-la perdido .
� s so nhos tidos por José (veja Gênesis 3 7 : 5- 1 1 ) , os
quais são � ma evidência inequívoca de futura liderança,
somente fizeram aumentar o ressentimento que existia
entre seus irmãos.
�
(8-3) Gt'nesis 37:28
A quantia paga pela compra de José , vinte moedas de
prata, é a mesma que mais tarde a lei mosaica especificaria
como Sf ndo o preço de um escravo com a idade entre
cinco a vinte anos (veja Levítico 27 : 5 ) . Normalmente , um
escravo era avaliado em trinta siclos de prata (veja Êxodo
21 : 32) .
(8-4) Gê nesis 37:32
Morôni r�gistrou no Livro de Mórmon que, na ocasião
em que Jaco recebeu um pedaço da "túnica de várias
cores " (vers . 32), provavelmente após haver-se reunido
com Jo� é no Egito, ele profetizou que, assim como uma
parte da túnica havia sido preservada sem se estragar ou
corromper , também um remanescente da semente de José
seria preservado (veja Alma 46:24) .
92
José vendido aos
midianitas em Dotã
escravo .
Os irmãos de José e
Jacó, seu pai,
reúnem-se a ele no
Egito, para
escaparem à fome.
EO TO
A família de Jacó vai para O I:.gito
(8-5) Gênesis 37:36. Que Posição Ocupava Potifar?
A frase hebraica que foi traduzida como "c�pitão da
guarda" significa literalmente "chefe dos açougueiros ou
matadores " . Considerando este significado, alguns
eruditos afirmaram que ele era administrador da cm:inha,
ou mordomo da casa do faraó. Porém, outros há qm :
acreditam que os termos açougueiro ou matador sãc,
usados no sentido de executor. Assim sendo, Potifar, era
"o oficial comandante do corpo da guarda que exec utava
as sentenças capitais ordenadas pelo rei ' (Keil e Deli1 . zsch ,
Commentary, 1 : 1 : 338). Sej a qual for o caso , Potifar era
um homem importante, mas esta última posição ,
especialmente, por certo teria feito dele um líder de grande
poder e prestígio no Egito.
(8-6) Gênesis 38: 1-30. Judá e Tamar
Com impressionante honestidade , o Velho Testamento
inclui o sórdido relato do relacionamento incestuosc que
Judá teve com sua nora. Parecem existir diversos motivos
pelos quais a história foi preservada. Em primeiro Ilgar,
ele novamente ilustra as conseqüências de o povo dc­
convênio haver esquecido a importância de se CaSaH'ill
dentro do convênio. De maneira bem diferente de SfU pai ,
avô e bisavô (Jacó , Isaque e Abraão), Judá não se
preocupava com o mandamento de não contrair
matrimônio com as filhas dos cananeus . Os resultados
negativos de tal consórcio são claramente demonstrados
neste episódio . Em segundo, a história apresenta a
linhagem de Judá, da qual o Messias eventualmente
nasceria (veja Mateus 1 : 3 ; Lucas 3 : 33). Uma outra lição
que podemos aprender com este incidente, evidencia que a
dignidade dos ancestrais não é um fator que determina a
retidão pessoal de um indivíduo . E, finalmente, vemos que
é bem verdade que o fato de um indivíduo não honrar os
compromissos assumidos, pode levá-lo a sofrer maiores
percalços. Se Judá tivesse cumprido a promessa que fizera
a Tamar, a sedução j amais teria ocorrido. Da mesma
forma, se Judá houvesse cumprido fielmente as leis da
moralidade, de forma alguma teria cometido pecado com
Tamar .
(8-7) Gênesis 38:5- 1 1 . Por Que Tamar Devia Casar-se com
os Irmãos de Seu Marido?
Os antigos costumes vigentes no Oriente Médio
estabeleciam que o irmão de um homem falecido deveria
casar-se com sua viúva . No tempo de Moisés , esse hábito
se tornou uma lei (veja Deuteronômio 25 : 5 - 1 0) . O objetivo
de tal prática era o de suscitar um herdeiro masculino para
a pessoa falecida, perpetuando, assim , seu nome e
93
lembrança. O povo daquela época considerava uma
grande calamidade morrer sem deixar semente, pois assim,
sua linhagem não teria continuidade e os bens que ele
possuía, passariam às mãos de outro membro da família
(através das filhas , se ele as tivesse, ou de outros parentes).
Pode ser que Onã, que em virtude da morte de seu irmão
mais velho havia se tornado o seguinte na linha de
herdeiros de Judá, tenha-se recusado a levantar semente
através de Tamar , porque senão , a herança passaria a
pertencer ao filho do filho mais velho da família. · Ele
cumpriu exteriormente a lei, tomando por esposa a
Tamar, mas n ão permitiu que ela tivesse filhos . Assim , ao
ver que Judá não cumprira a promessa que fizera de lhe
enviar seu filho mais novo , Tamar usou de subterfúgio ,
para que pudesse conceber.
do berr. e dizer : "De que adianta servir a Deus? Tudo o
que ele faz é castigar-me . " Mas não havia o menor traço
de ama rgura em seu coração , nem lhe passou pela idéia
murmu rar contra o Senhor . José limitou-se a continuar
digno e fiel como sempre fora. Prestimosamente , ele se
ofereceu para interpretar os sonhos de dois de seus
companheiros de infortúnio, revelando a eles que tal
conhec imento procedia de Deus (veja Gênesis 40:8). Ele
ainda t mha toda confiança no Senhor , embora parecesse
estar condenado a passar o resto de sua vida numa prisão .
Se havia alguma pessoa que possuía justa razão para
sentir-s e desanimada e rancorosa, esta era José, mas em
momer.to algum permitiu que sua fé se abalasse . Sem
dúvida alguma, ele nos dá um exemplo que vale a pena ser
imitado.
(8-8) Gênesis 38:24
(8-12) Gênesis 41 : 1 . Durante Quanto Tempo José
Permaneceu Encarcerado?
É importante notar que Judá possuía uma noção
distorcida de valores . Ele não teve o menor escrúpulo ao
mandar Tamar embora sem cumprir a promessa que lhe
fizera, nem ao deitar-se com uma meretriz que encontrou
à beira do caminho . Mas , ao saber que a nora estava
grávida, tão exacerbados fica,ram seus ânimos, que
ordenou que a matassem .
(8-9) Gênesis 39:9. Que Razões Tinha José para Recusar a
Proposta da Mulher de Potifar?
A reação que José demonstrou diante das investidas da
mulher de Potifar são uma clara evidência de sua grande
integridade pessoal . O Rei Benjamim ensinou aos nefitas
que "quando estais a serviço de vosso próximo, estais
somente a serviço de vosso Deus" (Mosias 2: 17). A
contrapartida desta afirmação seria: "Quando estamos
tirando partido de nossos semelhantes , ou pecando contra
eles, estamos somente transgredindo contra Deus . " José
entendia perfeitamente este conceito , e respondeu à
mulher de Potifar dizendo que seria uma coisa terrível
abusar da confiança de seu senhor daquela forma. Em
seguida, concluiu a lógica de seu raciocínio acrescentando:
"Como pois faria eu este tamanho mal , e pecaria contra
Deus? " (Gênesis 39:9) .
José ficou ainda por dois anos na prisão , após haver
interpretado os sonhos do copeiro-mor e do padeiro-mor
(veja G ênesis 4 1 : 1 ) . Ele foi vendido como escravo quando
tinha cerca de dezessete anos de idade (vej a Gênesis 37:2),
e se tor nou vi ce-regente do faraó aos trinta anos (vej a
Gênesü; 41 :46) . Transcorreram-se treze anos entre o
período em que ele começou a servir a Potifar e a época
em que saiu da prisão . Os registros bíblicos não
mencionam quanto tempo José serviu a Potifar antes de
ser encarcerado, mas o fato de ele se tornar supervisor dos
detentc s, significa que deve ter passado um considerável
período de tempo antes de o copeiro e do padeiro virem
fazer companhia a ele . Assim sendo , ele provavelmente
esteve preso pelo menos durante três anos, ou talvez muito
mais.
(8-10) Gênesis 39:20
Considerando que Potifar era um homem de grande
poder perante o faraó e que talvez até mesmo fosse o
comandante dos executores reais (veja a Leitura 8-5), é de
admirar que José tenha sido apenas aprisionado, e não
morto . Um escravo acusado de tentar seduzir a esposa de
seu senhor com certeza merecia o mais severo castigo ;
entretanto , José foi apenas encarcerado. Será que Potifar ,
conhecendo bem o caráter de José e o de sua mulher,
suspeitou da verdade, e embora tivesse que fazer algo a
respeito , escolheu um castigo comparativamente mais
suave? Seja qual for o caso , a mão do Senhor seguramente
protegeu José, impedindo que perecesse tragicamente.
(8-1 1) Gênesis 39:21-23; 40; 1-23
A magnitude espiritual de José é, de fato,
surpreendente. Quantas pessoas se tornam amarguradas
diante de uma pequena falta de consideração , quer sej a
real o u imaginária, o u costumam culpar o Senhor ao
sofrerem alguma tragédia pessoal? Quando estava
firmemente determinado a ser leal e defender aquilo que
julgava ser correto, José foi falsamente acusado e posto
numa prisão . Quão fácil seria para ele abandonar a prática
"Os lI1id 'anilas venderam José no EgilO "
94
(8-13) Gênesis 41:8. Por Que os Sábios do Egito FOl'am
Incapazes de Interpretar o Sonho do Faraó?
(8-14) Gênesis 42:8 . Por Que os Irmãos de José Não
Conseguiram Reconhecê-lo?
Muitos entendidos supõem que a interpretação dos
sonhos do faraó estava fora do alcance dos magos do
Egito; mas ainda assim, é de admirar que os sábios não
tenham inventado alguma explicação plausível, utilhando
para tanto os simbolismos que tão bem conheciam.
"Sentindo-se aflito com seu duplo sonho, na manhã
seguinte o faraó solicitou a ajuda de todos os escribas e
sábios do Egito para que o interpretassem . . . (Os
adivinhadores) eram homens pertencentes à casta
sacerdotal, que se dedicavam às artes e ciências sagradas
dos egípcios, à escrita hieroglífica, astrologia,
interpretação de sonhos, previsão de acontecimento:;
futuros e magias, e eram considerados como conhecedores
de artes sagradas . . . os homens mais sábios de toda a.
nação . Porém nenhum deles conseguiu interpretá-los ,
embora a chave para tal revelação pudesse ser encontrada
nos próprios símbolos religiosos do Egito, p�is a vaca era
.
uma representação da deusa Isis, consideradà como a
sustentadora de toda a terra, e nos hieroglifos ela
representava a terra, a agricultura e o alimento; e o Nilo ,
através de suas cheias, era uma fonte de fertilidade para a
terra. Entretanto, por mais simples que pareça a
explicação relativa às vacas gordas e magras saindo de
dentro daquele rio, "o destino da sabedoria deste m undo é
tal, que, quando parece ter a resposta para as coisas mais
comuns, é compelida a silenciar sua voz, pois compt:te ao
governo de Deus emudecer aos eloqüentes e tirar ao:;
anciãos o discernimento (Jó 1 2:20) " . (Keil and Delitzsch,
Commentary, p . 1 : 1 : 349.)
Já haviam transcorrido vinte e dois anos desde que os
filhos de Jacó viram José pela última vez - treze anos em
que passou cativo e encarcerado, sete anos de abundância
e dois de escassez (veja Gênesis 45 : 1 1 )
quando a família
de Jacó foi forçada a ir ao Egito em busca de alimento.
José era apenas um adolescente da última vez que seus
familiares contemplaram seu semblante . Agora ele se
tornara um homem amadurecido e de meia-idade. Mesmo
que José conservasse seus traços fisionômico�. da
juventude, quem acreditaria que um irmão qUI! fora
vendido como escravo para uma caravana de árabes viria a
se tornar a segunda pessoa mais poderosa do Egito?
-
(8-15) Gênesis 42:21
Mais de vinte anos depois de terem vendido José no
Egito, seus irmãos ainda sentiam um ardente remorso pelo
mal que haviam praticado.
(8-16) Gênesis 43: 8-9
Ao exigir que Benjamim fosse trazido ao Egito (veja
Gênesis 42: 1 5), José permitiu que seus irmãos
demonstrassem se estavam ou não verdadeiramente
arrependidos do que lhe haviam feito muitos anos atrás.
Demonstrariam idêntica falta de interesse pelo bem-estar
de Benjamim? É um fato bastante significativo o de que
Judá, o irmão que sugerira aos demais que vendessem a
José (veja Gênesis 37:26-27) , tenha sido quem se levantou
em defesa de Benjamim. Parece haver evidência de que os
irmãos de José estavam· sinceramente arrependidos, e o
estratagema que ele usou fez com que dessem prova
daquele sentimento. No momento de maior tensão , a
mudança ocorrida no íntimo de Judá se tornou evidente e
global (veja Gênesis 44:33).
(8-17) Gênesis 43:28. "E Abaixaram a Cabeça e
Inclinaram-se'
•
A fraseologia usada neste versículo é a mesma que
vemos em Gênesis 37:7, 9. Haviam-se passado duas
décadas, mas as revelações do Senhor agora se cumpriam.
(8-18) Gênesis 43:32. Por Que os Egípcios Consideravam
uma Abominação Comer Com os. Hebreus?
Diversos deuses egípcios eram representados por
animais especialmente por fêmeas de gado . Visto que os
hebreus matavam e comiam a carne de seu gado, seja de
que sexo fosse, tal prática teria sido considerada por
aquele povo como uma terrível abominação. Não importa
qual seja o motivo, José parece ter respeitado o costume
dos egípcios e hebreus de comerem separadamente.
(8-19) Gênesis 45: 4-8. José - Um Protótipo de Cristo
o faraó fez de José governador de todo o Egito
A emocionante cena descrita nesta passagem, na qual
José finalmente se dá a conhecer a seus irmãos, demonstra
a natureza cristã de seu caráter. Ele perdoou sem qualquer
reserva, estendeu amor a seus semelhantes quando não o
mereciam, e viu a mão do Senhor em tudo o que
aconteceu. Porém, suas características semelhantes às de
Cristo vão ainda mais longe. Como Néfi declarou, todas
as coisas, desde a fundação do mundo, foram dadas como
uma representação ou símbolo de Cristo (veja 2 Néfi 1 1 :4;
Moisés 6:63). Já se demonstrou como Abraão foi um
95
protótipo do Pai, e Isaque de Jesus Cristo, no momento
em que o patriarca foi ordenado a oferecer seu filho em
sacrificio . Este ato foi feito "à semelhança de Deus e seu
Filho Unigênito" (Jacó 4:5).
O Élder Bruce R. McConkie ensinou que todos os
profetas são uma representação de Cristo: "Um profeta é
alguém que possui um testemunho de Jesus, que sabe por
meio de revelações concedidas pelo Espírito Santo à sua
alma, que Jesus Cristo é o Filho de Deus. Além de
possuírem esse conhecimento divino , muitos deles viveram
situações especiais ou tiveram determinadas atitudes que
os distinguiram como símbolos, padrões e prefigurações de
eventos que ocorreriam na vida daquele que conhecemos
como nosso Senhor. " ( The Promised Messiah, p. 448 .)
Da mesma forma, a vida e missão de José simbolizam a
vida e missão de Jesus. Considere as seguintes
semelhanças:
1 . José era o filho predileto de seu pai; o mesmo
aconteceu a Jesus (veja Gênesis 3 7 : 3 ; Mateus 3 : 1 7) .
2. José, d a mesma forma que Jesus, foi respeitado por
seus irmãos israelitas (veja Gênesis 37:4; João 1 : 1 1 ; Isaías
5 3 : 3 ; 1 Néfi 1 9 : 1 3- 14).
3. José foi vendido por seus irmãos aos gentios . Idêntica
situação ocorreu a Jesus (veja Gênesis 37:25-27 ; Mateus
20: 1 9) .
4. Judá, o cabeça d a tribo que recebeu seu nome,
sugeriu a seus irmãos que vendessem a José. Certos líderes
dos judeus, na época de Jesus, entregaram o Messias aos
romanos. Judas (grafia grega de Judá) foi o apóstolo que
acabou vendendo a Jesus. (Veja Gênesis 37:26; Mateus
27 : 3 .)
5 . José foi vendido por vinte siclos de prata, o preço de
um escravo de sua idade. Cristo foi vendido por trinta
moedas de prata, o preço de um escravo adulto . (Veja
Gênesis 37 :28; Mateus 27 : 3 ; Êxodo 2 1 :32; Levítico 27 : 5 . )
6. Ao procurarem destruir a José, seus irmãos acabaram,
dando origem às condições que contribuíram para a
eventual salvação temporal da família - isto é, em virtude
de José ter sido vendido, um dia se tornou o seu
libertador. Ao ser entregue nas mãos dos gentios, Jesus foi
crucificado e completou o sacrificio expiatório que veio
realizar, tornando-se, assim, o Salvador de toda a
humanidade.
7. José começou aos trinta anos os preparativos para a
sua missão de salvar Israel, a mesma idade em que Jesus
iniciou o seu ministério preparando li salvação do mundo
(veja Gênesis 4 1 :46; Lucas 3 :23) .
8. Quando José, finalmente, foi elevado à sua posição
no governo do Egito, todos se inclinaram perante ele .
Eventualmente todos os joelhos se dobrarão perante Jesus
(veja Gênesis 4 1 :43 ; D&C 88 : 1 04) .
9. José forneceu pão a Israel, salvando-os da morte
certa, sem cobrar nenhum centavo. Jesus, o Pão da Vida,
fez o mesmo por toda a humanidade. (Veja Gênesis 42: 3 5 ;
João 6:48-57; 2 Néfi 9:50.)
(8-20) Gênesis 47:9. Os Dias de Peregrinação de Jacó
Foram "Poucos e Maus" ?
Comparados aos 175 anos d a vida d e Abraão, e aos 1 80
de Isaque, os 1 30 anos de Jacó poderiam ser descritos
como menores ou "poucos" . A palavra que foi traduzida
para "maus" realmente significa "pesarosos" ou "cheios
de fadigas e problemas " . A lembrança da fuga de Jacó
para Padã-Harã, a fim de escapar à ira de Esaú, os
diversos anos que trabalhou para Labão, suas esposas e
discórdias que houve entre elas, sua peregrinação na terra
de Canaã, a morte de Raquel, e os anos que passou
lamentando a perda de José, muito contribuem para que
entendamos melhor por que ele foi levado a afirmar que
seus dia1: foram cheios de problemas e fadigas.
(8-21) G ênesis 48:5-11. Que Informações Adicionais Sobre
a Semen te de José Aprendemos Com a Tradução da Bíblia
Feita por Joseph Smith?
Nesta passagem, foi revelado através de Joseph Smith,
que Jacó adotou Efraim e Manassés como membros das
doze tribos, com autoridade sobre as outras tribos; eles
seriam u ma fonte de liderança, orientação e
esclarecimento.
(8-22) Gênesis 48:22. De Que Maneira Jacó Concedeu a
José "U m Pedaço de Terra" a Mais que a Seus Irmãos?
" José , filho de Jacó, devido a sua fidelidade e
integridade para com os propósitos do Senhor, foi
recomp<:nsado com o direito de primogenitura em Israel.
Nos tempos antigos, era costume condecer ao primogênito
privilégi os e bênçãos especiais, e estes eram considerados a
ele perte ncentes por direito inato. Rúben, primeiro filho
de Jacó, perdeu o direito de primogenitura por
transgressão, sendo então conferido a José, o mais digno
de todo�: os filhos de Jacó.
"Ao abençoar José, Jacó deu-lhe porção dobrada, ou
seja, uma herança entre seus irmãos na Palestina e também
a bênção da terra de Sião - 'até a extremidade dos
outeiros eternos' . Abençoou-o ainda com as bênçãos dos
céus de dma, do abismo que está debaixo e de
posteridade. Jacó abençoou também os dois filhos de José
com as bênçãos de seu pai, as quais herdaram; e colocou
Efraim, o mais novo, adiante de Manassés, o mais velho, e
por insr iração do Senhor conferiu a Efraim o direito de
primogenitura em Israel. " (Joseph Fielding Smith ,
Doutrinas de Salvação, Vol. III, p. 254.)
(8-23) Gênesis 49:1-20. Que Critério Foi Usado para
DetermLnar Que Tribos Teriam Preeminência?
"Através de um cuidadoso estudo e consideração das
bênçãm que o Senhor concedeu a Jacó e a seus doze
filhos, f' evidente que eles não desfrutariam
equitativamente das promessas do Senhor.
"É óbvio que as bênçãos concedidas a Judá e José
foram bem superiores às pronunciadas sobre qualquer um
de seus :irrnãos." (Richards, Israel! Do You Know? ,
pp. 9- 10.)
As atividades que exercemos na vida pré-mortal
influenciaram de maneira profunda o nosso nascimento e
situação particular aqui na terra. O Presidente Harold B.
Lee fez a seguinte observação:
" ' Quando o Altíssimo distribuía as heranças às nações,
quando dividia os filhos de Adão uns dos outros, pôs os
termos dos povos, conforme ao número dos filhos de
Israel. ' (Deuteronômio 32:8.)
"Not em que isto foi dito aos filhos de Israel antes deles
terem cl1egado na 'Terra Prometida' que deveria ser a
terra de sua herança.
96
"Observem, em seguida, o versículo seguinte: 'Porque
a porção do Senhor é o seu povo; Jacó é a corda da sua
herança. ' (Deuteronômio 32:9.)
"Parece-me que ficou bem claro, portanto, que a queles
que nasceram na linhagem de Jacó, que mais tarde Heria
chamado de Israel, e sua posteridade, que veio a �e�
conhecida como filhos de Israel, nasceram na maIS Ilustre
de todas as linhagens daqueles que vieram à terra como
seres mortais.
"Todas essas recompensas parece que foram prometidas
ou preordenadas, antes do mundo existir. Certamente
foram determinadas pelo tipo de vida que tivemos n o
mundo espiritual pré-mortal. Alguns poderão questIOnar
tais asserções, mas, ao mesmo tempo, não terão dúvida em
aceitar a crença de que cada um de nós será julgado ,
.
quando deixarmos esta terra, de a�ordo com �s ato!: feitos
.
durante nossa vida aqui na mortalidade. Não e Igualmente
razoável acreditar que o que recebemos aqui nesta terra
('lida) nos foi dado de acordo com nossos méritos e
.
conduta anteriores? " ("Understandmg Who We At e
Brings Self-Respect" , Ensign, janeiro de 1 974, p. 5.)
Em Deuteronômio 33:6-29, Moisés faz um novo relato
das bênçãos conferidas a cada uma das tribos. Esta
passagem deve ser estudada e comparad� com as bê.llçãos
originais pronunciadas por Jacó, as qUaIS se encontram no
capítulo 49, de Gênesis .
(8-24) Gênesis 49:8-12. Que Parte Significativa da B enção
de Primogenitura Foi Concedida a Judá?
A bênção concedida a Judá indica que reis procederiam
de sua linhagem (veja I Crônicas 5: 1 -2) . A história 0.0
Velho Testamento nos ensina que esta promessa
certamente foi cumprida. Dentre alguns reis que del i
.
surgiram, podemos citar Davi, Salomão e Roboão. '� Rei
dos Reis, Jesus Cristo, em algumas traduções do vel slculo
10 chamado de Siló, também descende desta linhag em . O
Élder Ezra Taft Benson disse o seguinte, a respeito dessa
promessa:
"A grande bênção recebida por Judá é a de que
. o
contemplaria a vinda de Siló, e que a el� s e cong�egé!na
.
seu povo. Esta profecia concernente a SIlo, tem Sido obJeto
de diversas interpretações rabínicas e cristãs e alvo d e
consideráveis controvérsias. A interpretação desta
passagem, feita pela Igreja Mórmon, é baseada na
, .
revelação dada a profetas modernos , não em comentanos
eruditos . Foi revelado a Joseph Smith que Siló é o
Messias. " ("A Message to Judah from Joseph" , Ensign,
dezembro de 1 976, p. 7 1 .)
(8-25) Gênesis 49:Z2-26.
Recebida por José?
Qual
É o Significado da Bênção
" Há diversos conceitos desta profecia que devemos
entender. Primeiro, o de que de José procederia uma
multidão de nações. Compreendemos plenamente o que
isto significa. Em segundo, seus ramos se estenderiam
sobre o muro. O que esta frase dá a entender? Nos tempos
antigos o Senhor tinha um significado para tudo . Isto quer
dizer que os descendentes desta tribo se tornariam tão
numerosos, que ocupariam mais que a pequena herança
que lhes foi dada em Canaã; que seus des�endentes
frutificariam e seguiriam para uma terra Situada a grande
I
distância. . .
"A bênção peculiar dada a José, que acabei de ler para
vós, foi a de que ele d�sfrutaria de po�sessões muit?
maiores que as concedidas aos progemtores de Jaco, ate, a.
extremidade dos outeiros eternos . Isto parece indicar que
ocupariam uma terra localizada muito longe da
Palestina. " (Orson Pratt, em Journal of Discourses, vol .
14, p. 9.)
A semente de José chegou às terras da América na
ocasião em que Leí e sua família ali aportaram, vindos do
mundo Mediterrâneo . A terra da América foi
especificamente designada pelo Senhor como um lugar
reservado para "um remanescente da casa de José"
(3 Néfi 1 5 : 12) .
(8-26) Gênesis 49:26. A América É a Terra dos "Montes
Eternos"
" Creio que Jacó teve o privilégio de ver esta terra, como
aconteceu a Moisés, e se refere a ela como uma terra
distante. A frase 'à extremidade dos outeiros eternos' , deve
significar uma região deveras longínq�a. Jacó afirmou ?�e
'as bênçãos de teu pai excederão as bençãos de meus paiS ,
e que ele as transferia a José . . . Essas bênçãos divinas
seriam dadas a José nesta terra. Abençoada pelo Senhor
seja sua terra pelas coisas que tem recebido' do alto, muito
mais valiosas que a plenitude da terra, mais preciosas que
os mais diversos produtos produzidos em todos os climas
deste planeta, de valor superior a todos os cereais, ouro e
prata extraidos deste solo . As coisas preciosas dos céus,
reveladas ao povo de José na extraordinária terra que lhe
foi dada, até a extremidade dos outeiros eternos. " (Orson
Pratt, em Journal of Discourses, Vol. 1 8. pp . 1 67-68 .)
97
(8-27) Gênesis 50:24. As Profecias de José
No capítulo 3 de 2 Néfi, o profeta Leí falou a seu
filho, José, a respeito das grandes profecias de seu
ancestral, o mesmo José que fora vendido no Egito . Elas,
evidentemente, se encontravam escritas nas placas de latão
que Leí possuía, mas não se acham em nossa Bíblia atual.
Através de revelação, Joseph Smith restaurou as escrituras
perdidas, acrescentando treze versículos entre Gênesis
50:24 e 25 da Versão do Rei Tiago . Neles foi declarado
que Moisés seria levantado com o propósito de libertar os
filhos de Israel do cativeiro no Egito . Além disso, que um
vidente, com o nome de José, seria levantado nos últimos
dias, o qual , em meio às perseguições, seria um
instrumento para a obtenção de novas escrituras que ,
j untamente com a Bíblia, haveriam de confundir as falsas
doutrinas .
PONTOS A PONDERAR
(8-28) Escreva uma curta dissertação intitulada " José no
Egito - Um Modelo de Retidão Pessoal" . O obj etivo
desta atividade não é simplesmente fazer um resumo da
história de José, mas sim demonstrar como aplicá-la em
sua vida, atualmente. Como um santo moderno poderia
usar em sua vida cotidiana o exemplo deixado por José?
Ao preparar tal mensagem, considere os seguintes fatos:
," José demonstrou vividamente por que era favorecido
pelo Senhor, ou, como dizem as escrituras , porque 'o
Senhor estava com ele, e tudo o que ele fazia. O Senhor
prosperava. ' (Gênesis 39:23 .) Sua segurança estava no
Senhor, confiava no Senhor e sua fidelidade era para com
ele.
" Creio ser esta a maior lição que pode ser aprendida
pela j uventude de Sião - fazer a coisa certa por amor ao
Senhor. Isto é de tão vital importância, que, a meu ver, se
fazeis qualquer coisa justa por outra razão que não o amor
ao Senhor, estais errando - pelo menos, estais pisando
em terreno pouco seguro . E, mais cedo ou mais tarde
vossas razões para agir retamente não terão força
suficiente para ampará-los no momento crítico . Então ,
começareis a ceder às conveniências , ou pressões sociais ,
honra, fama, aplauso , ou à emoção do momento ou outro
motivo mundano qualquer . A não ser que vossos motivos
estejam firmemente alicerçados sobre o amor do Senhor,
não sereis capazes de resistir" (Hartman Rector Jr . ,
" Viver Acima d a Lei para Ser Livre" , A Liahona, agosto
de 1 973, p. 32) .
(8-29) A,) refletir sobre o que acabou de ler a respeito dos
filhos de Jacó e das bênçãos que receberam de seu pai,
pergunt� a si mesmo quão valiosa deve ter sido cada uma
delas, no sentido de ajudá-los a enfrentar os desafios
oferecid,)s pela vida. Reflita sobre os efeitos de longo
alcance que exerceram sobre seus descendentes e toda a
humanidade. Como descendente da casa de Israel, você se
encontra, diante de idênticos desafios em sua existência.
Como p,)de usar com maior proveito as grandes verdades
contidas em sua bênção, para ajudá-lo a desenvolver ao
máximo o seu potencial e ser uma pessoa útil ao serviço de
nosso Se nhor?
O É ld er Bruce R. McConkie teceu os seguintes
comentários a respeito dessa questão :
" Qua ie todo membro da Igreja é um descendente literal
de Jacó , o qual proferiu bênçãos patriarcais sobre a cabeça
de seus 1 2 filhos, predizendo o que aconteceria a eles e à
posteridade que suscitariam . (Gênesis 49; Ensinamentos,
p. 1 47.) Na posição de herdeiros das bênçãos de Jacó , os
remanes :entes reunidos de Jacó têm o privilégio de receber
suas próprias bênçãos patriarcais e, através da fé, serem
abençoados j untamente com os povos de épocas
anteriores . As bênçãos patriarcais podem ser dadas por
patriarcas naturais, isto é, pelos pais em Israel que
desfruta m das bênçãos da ordem patriarcal, ou podem ser
concedidas por patriarcas ordenados, ou sej a, pessoas
especialmente escolhidas , que são designadas para
abençoar os membros da Igreja que forem dignos .
"A Primeira Presidência da Igreja (David O . McKay,
Stephen L. Richards, J. Reuben Clark, Jr.), numa carta
dirigida a todos os presidentes de estaca, datada de 28 de
junho de 1 957, deu a seguinte diretriz e explicação : As
bênçãos patriarcais apresentam uma declaração inspirada
da linha:�em daquele que a recebe e também incluem uma
declaraç ão profética e inspirada das possibilidades e
missão da vida da pessoa. Poderá incluir bênçãos,
promessas, conselhos, admoestações e advertências ,
confom.,e o patriarca for inspirado pelo Espírito. Deve
sempre ficar explícito que o cumprimento de todas as
bênçãos prometidas depende da fidelidade do indivíduo e
da vontade do Senhor. Todas as bênçãos são registradas e
geralmente uma única bênção é apropriada à vida de cada
pessoa. A natureza sagrada da bênção patriarcal requer
obrigato riamente que todo patriarca implore sinceramente
a orientação divina para suas declarações proféticas e
promessas , alertas e admoestações" . (Informações e
Sugestõ(�s aos Patriarcas, p. 4.)
98
Todo indivíduo que tenha um pai que pode abençoar a
seus filhos, deve pedir e receber uma bênção paterna,
quando julgar que dela necessita. Além disso, todc
membro digno da Igreja, mediante recomendação, pode
receber uma bênção patriarcal de um patriarca ordenado.
A bênção patriarcal deve ser lida e relida com cóns.ideração
inteligente, levando-se em conta o seu significado . Assim
como as bênçãos são dadas através de inspiração d o
Senhor, d a mesma forma o seu significado s e tornará claro
por meio desse mesmo poder. O cumprimento de seus
termos dependerá do procedimento do recebedor. O Élder
John A. Widtsoe escreveu o seguinte a respeito dru,
bênçãos patriarcais:
-" Estas bênçãos constituem possibilidades baseadas na
dedicação fiel à causa da verdade. Devem ser mere :idas,
do contrário não passarão de vãs palavras. Certamente,
alcançam seu principal valor quando se empregam como
ideais, como possibilidades particulares que procuramos
realizar durante nossa vida. O Sacerdócio é ofendido
quando se considera o patriarca um adivinho; ele somente
indica os dons que o Senhor quer-nos dar, se trabalharmos
por eles. Ajuda-nos, indicando a meta divina que podemos
alcançar, se pagarmos o preço.
"Esta bênção, dada com espírito de amor paternal e
selada sobre nós com a autoridade do Sacerdócio, chega a
ser uma força em nossa vída e um consolo em nossos dias .
É uma mensagem que, se lida e honrada devidamente,
chegará a ser uma âncora nos dias tempestuosos, nosso
ânimo em dias nublados. Expressa nosso destino exato
aqui e na outra vida, se vivermos de acordo com a lei; e
durante o curso de nossa vida, fortalece nossa fé e nos
conduz à verdade. "
99
"Assim disse o Senhor Deus. . . um vidente escolhido levantarei"
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Êxodo 1-10
9
" Deixa Ir
o Meu Povo "
(9-1) Introdução
o profundo interesse que o Senhor tinha pelo povo que
escolhera pode ser visto no chamado de Moisés . Tão
extraordinário foi este líder, que, depois disso , para
sempre o Senhor e seu povo usaram-no como um padrão
ou modelo de profeta. Até mesmo Jesus Cristo foi
chamado de profeta semelhante a Moisés (veja Atos 3:22;
7:37; Deuteronômio 1 8 : 1 5 , 18-19; 1 Néfi 22:20-2 1 ; 3 Néfi
20:23-24) . De fato, Moisés foi um protótipo ou símbolo
vivo de Jesus Cristo (veja Moisés 1 :6).
Mo sés foi um homem que, como qualquer um de nós,
pOSSUla pontos fracos de personalidade. Sua mansidão é a
chave pela qual podemos entender seu caráter, a
capacidade que possuía de ser moldado pelo Senhor e seu
Espírito . "E era o varão Moisés mui manso, mais do que
todos os homens que havia sobre a terra" (Números 12:3).
Neste capítulo , você aprenderá sobre a preordenação
recebida por Moisés, a preparação que fez em sua
juventude, a paciente têmpera de seu caráter, adquirida no
deserto, o chamado que recebeu de Deus e sobre quando
assumiu a liderança profética. Talvez o conhecimento de
tais atributos o incentive a analisar sua vida, para que,
como aconteceu a Moisés, possa identificar suas
fraquezas , purificar-se delas, e assumir plenamente a
designação que o Senhor lhe concedeu realizar aqui na
mortalidade . Como Néfi, então será levado a dizer,
"sejamos fortes como Moisés" ( 1 Néfi 4:2). O É lder Mark
E. Petersen testificou :
"O verdadeiro Moisés foi um dos homens mais
poderosos de Deus de todas as épocas . . .
"Ele caminhou e conversou com Deus, recebeu da
glória divina enquanto vivia aqui na mortalidade, foi
chamado filho de Deus e era à semelhança do Unigênito
do Pai .
" Moisés teve desvendados diante de si os mistérios do
céu e grande parte da criação, e recebeu das mãos de Deus
maior número de leis que qualquer personagem da
antigüidade de que temos registro . " (Moses, p . 49.)
}
Instruções aos Alunos
1 . Ao ler e estudar Êxodo 1 - 1 0, utilize o auxílio que
as Notas e Comentários podem lhe oferecer.
2. Complete a seção de Pontos a Ponderar,
conforme as orientações que lhe forem fornecidas pelo
professor. (Os alunos que estudam individualmente
devem completar toda a seção .)
NOTAS E COMENTÁRIOS
SOBRE ÊXODO 1-10
(9-2) Êxodo 1:7. "Os Filhos de Israel Frutificaram e
Aumentaram Muito"
"O cumprimento da promessa feita por Deus a Abraão
requeria que Israel se tornasse um povo numeroso . Para
realizar esse objetivo, a pequena família, que contava
com apenas 70 pessoas (Gênesis 46: 26-27), precisava de
tempo sufieiente e de um lugar tranqüilo para que pudesse
crescer. O' Egito era a região adequada. . .
" . . . A Palestina naquela época era um campo de
batalha permanente para as nações beligerantes que
cruzavam seu território de um lado para outro ao
realizan:m suas conquistas nos países situados entre os rios
Nilo e Eufrates . Israel jamais encontraria paz vivendo ali .
Para que, eventualmente, conseguissem o desenvolvimento
de' que lIecessitavam, era necessário que vivessem num
,� ambient e onde desfrutassem de condições favoráveis . . .
" Nem tudo foi negativo no cativeiro do Egito. Ele
.
também teve o seu propósito edificante. A
crueldade dos feitores , o ódio existente entre hebreus e
egípcios, e a grande extensão de tempo que tiveram de
servir a ,eus senhores transformou os filhos de Jacó em
um povo unido .
"O ódio que sentiam para com os egípcios impediu que
houvess e casamentos inter-raciais entre hebreus e seus
vizinhos . Para que pudesse colher os benefícios das
promes! as feitas a Abraão, Israel tinha que permanecer
uma raça pura, e o Senhor usou desse meio para cumprir
seus des ígn ios . . .
"Sim , o Egito desempenhou um importante papel no
poderoso plano do Senhor, e o fez a contento .
"Apé,s haverem transcorrido 430 anos de servidão, o
Senhor decretara que havia chegado o tempo em que Israel
deveria ocupar a terra de sua herança e tornar-se aquela
'propriedade peculiar entre todos os povos' que aguardaria
a vinda do Messias . " (Petersen, Moses, pp . 27-30.)
(9-3) Êxodo 1:8. Um Faraó Que Não Conhecera a José
Muitos eruditos fazem especulações e afirmam que José
galgou é l elevada posição que alcançou no Egito numa
é�oca em que aquela nação estava sob o domínio do povo
hlcso . Manetho , antigo historiador, intitulou os hicsos de
reis-past ores e relatou como a conquista e domínio por
aquela raça era vista com amargura e ódio pelos egípcios.
Os hicsos eram povos de origem semítica procedentes de
regiões do nor!e e ao leste do Egito. Consideranc:jo que
Jacó e s ua família também eram semitas, é fácil entender
como José conseguiu obter os favores dos hicsos, e
também de que maneira, quando aquela raça dominante
finalmente foi destronada e expulsa, os israelitas
subitamente perder� os privilégios que haviam adquirido
junto aos hicsos, e caíram em desfavor perante os egípcios
nativos.
Causa uma certa estranheza a muitas pessoas o fato de
José, sendo vice-regente durante tantos anos, não ter o seu
nome in scrito nos monumentos erigidos pelo Egito . Se a
teoria do domínio hicso for correta, então seu nome deve
ter sido apagado dos registros e monumentos, juntamente
com os dos governantes hicsos. Não obstante, um
arqueólogo afirmou ter encontrado o nome egípcio Yufni,
o qual s'eria equivalente naquele idioma ao nome hebraico
Yosef. Embora a evidência não seja positivamente
conclusiva, ao menos é possível dizer que pode haver
evidência extra-bíblica da existência de José .
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102
�
-- ,-::- --
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Levi
I
I
Coate
I
Anrão casou-se com
I
I
Míriam
I
I
I
Outros
Joquebede
I
I
Aarão
Moisés
4 filhos
Nadabe
Abiú
Eleazar
Itamar
2 filhos
Gérson
Eliézer
I
I
(9-6) Êxodo 2: 1-10
Tanto a Versão Inspirada da Bíblia (veja a
Leitura 8-27» como o Livro de Mórmon (veja 2 Néfi 3)
demonstram que, desde a longínqua época de José, filho de
Jacó, a missão futura de seu libertador havia sido
profetizada. Tão rica de detalhes é a profecia feita por
José, que até mesmo o nome de Moisés já era conhecido,
bem como alguns incidentes de seu ministério (veja a
Leitura 8-27 , sobre os acréscimos e esclarecimentos que a
versão de Joseph Smith lança sobre o capítulo 50 de
Gênesis) .
(9-7) Êxodo 2:10. Que Espécie de Treinamento Moisés
Recebeu em Sua Juventude, Quando Vivia no Egito?
A colossal estátua do rei Ramsés II, que provavelmente foi o faraó da época
do &odo
(9-4) Êxodo 1: 15-22
As medidas opressivas tomadas pelo faraó não
conseguiram frustrar os desígnios que Deus tinha d,�
construir uma grande nação . Graças à corajosa fé que
possuíam as parteiras e sua terminante recusa em le var
avante as nefandas ordens dadas pelo faraó, de
executarem todo filho varão no ato do nascimento Israel
continuou a prosperar. A vida de Moisés, o qual e;, l um
protótipo do Salvador (veja Moisés 1 :6), foi ameaçada
pelo governante daquela nação, assim como a de C risto
esteve em perigo nas mãos de Herodes, o qual decretou a
morte de todas as criancinhas de Belém.
Tanto Flávio Josefo, como Jonathan ben Uzziel, outro
antigo escritor judeu, registraram que o faraó teve um
sonho no qual viu um homem que em breve nasceria, o
qual libertaria Israel do cativeiro, e que este sonho deu
origem ao decreto real condenando à morte todo fil ho
varão, por afogamento.
(9-5) Êxodo 2: 1-2. Qual É a Genealogia de Moisés?
Moisés era descendente direto de Levi, tanto atra vés de
Anrão (veja Êxodo 6: 1 6-20), seu pai, como de Joquebede
'
sua mãe (veja Êxodo 2: 1 ; 6:20) .
No Novo Testamento, Estêvão fez um extenso discurso
sobre as obras feitas pelo Senhor junto à casa de Israel .
Sobre a juventude de Moisés, ele disse o seguinte: " E
Moisés foi instruído em toda a ciência dos egípcios; e era
poderoso em suas palavras e obras" (Atos 7:22) .
O historiador judeu Flávio Josefo afirmou que Moisés
era um príncipe formoso e educado, um poderoso
guerreiro ao defender a causa dos egípcios .
Por ser um príncipe, Moisés provavelmente podia ter
acesso às bibliotecas reais dos egípcios, bem como aos
registros das escrituras pertencentes aos israelitas
conforme ensinados por sua mãe. É bem possívei , assim,
que tenha lido as profecias de José, e sido levado pelo
Espírito a entender a designação divina que recebera de
libertar seus irmãos, os israelitas. O discurso de Estêvão
nos faz crer que Moisés compreendia qual era a sua
responsabilidade: "Ora quando ele completou 40 anos
veio-lhe ao coração ir visitar seus irmãos, os filhos de '
Israel . . . Cuidava que seus irmãos entenderiam que Deus
lhes havia de dar a liberdade pela sua mão; mas eles não
entenderam. " (Atos 7:23 25 . )
Paulo, falando aos hebreus, acrescentou u m valioso
ensinamento a esse conceito, quando declarou que "pela
fé Moisés, sendo já grande, recusou ser chamado filho
da filha de Faraó; . . . tendo por maiores riquezas o
vitupério de Cristo do que os tesouros do Egito" (Hebreus
1 1 :24, 26) . Joquebede, mãe de Moisés, muito
provavelmente ensinou a ele os princípios e tradições
,
103
dignas dos hebreus, enquanto cuidava dele durante seu
crescimento (veja Êxodo 2:7-9) .
(9-8) Êxodo 2: 11-15. Por Que Moisés Matou um Egípcio?
"As palavras ' feriu' e 'matou' são traduzidas do termo
hebraico nakhah, que significa 'derrubar' ; é a palavra
usada para descrever a ação tomada por soldados ao
combaterem contra os outros. Seria correto dizer que
Moisés matou um homem que estava assassinando a
outro, ou que tirou uma vida para salvar a de outrém . O
fato de ele olhar 'a uma e a outra banda' antes de assim
proceder, simplesmente indica que estava ciente de que os
egípcios não lhe perdoariam por haver defendido um
escravo . " (Rasmussen, Introduction to the Old Testament,
1 :74.)
"Todavia, o historiador Eusébio afirma que o
assassinato ocorreu em virtude de uma intriga surgida na
corte, na qual certos homens pretendiam matar a Moisés .
Ao encontrar-se com seu algoz, Moisés conseguiu
desarmá-lo e o matou (Eusébio IX:27).
"Na Midrash Rabah, o tradicional comentário judaico
do Velho Testamento, existe o ensinamento de que Moisés
matou com suas próprias mãos um feitor egípcio que
procurava seduzir uma mulher hebréia. Este fato é
confirmado no Alcorão .
. "Com certeza deve ter havido um motivo justo para
Moisés agir de tal maneira, pois o Senhor certamente não
teria chamado um assassino para ocupar o alto posto de
profeta e libertador de seu povo, Israel. " (Petersen,
Moses, p. 42.)
(9-9) Êxodo 2:18. Quem Era Reuel?
O nome mais comum para Reuel era Jetro (veja
Êxodo 3 : 1 ; Números 1 0:29) . Jetro era descendente de
Midiã, filho de Abraão e Quetura (veja Gênesis 25 : 1 -6) .
Foi através desta linhagem que Moisés recebeu o
sacerdócio (veja D&C 84:6- 1 3) .
(9-10) Êxodo 2:23
Atos 7 : 30 indica que o "depois de muitos destes dias"
aqui. descrito significou um período de mais quarenta
anos.
(9-11) Êxodo 3:1
Horebe é o mesmo Monte Sinai, onde Moisés recebeu a
lei das mãos do Senhor. Em outra ocasião posterior, Elias
também procurou refúgio em Horebe (veja I Reis 19:8) .
(9-12) Êxodo 3: 1-10
"Moisés recebeu uma manifestação através de um
mensageiro de luz, fazendo com que um arbusto parecesse
estar envolto em chamas; mas ele realmente não ardia,
nem foi consumido . A palavra 'anjo' significa
'mensageiro' , o significado básico do vocábulo hebraico
malakh . Uma chama em um arbusto, um vento poderoso,
uma voz delicada, uma grande tormenta e outros
fenômenos semelhantes podem trazer uma mensagem de
Deus, como um malakh de Deus. Depois que a atenção de
Moisés se voltou para o arbusto, a voz do próprio SENHOR
veio a ele, Moisés respondeu com assombro e
reverência. " (Rasmussen, Introduction to the Old
Testament, 1 : 74.)
Na tradução feita por Joseph Smith de Êxodo 3 :2,
lemos qUI! a "presença" do Senhor se manifestou a
Moisés.
(9-13) Êx [)do 3: 11-18. Qual É o Significado do Título Eu
Sou ?
Quando o Senhor apareceu a Moisés na sarsa ardente,
usou o nome Eu Sou para identificar-se como o Deus de
Israel, o mesmo Deus que havia aparecido a Abraão, Isaque
e Jacó . Embora esta seja a primeira vez que este título
aparece n a Bíblia, é óbvio que, se os israelitas já não o
conheces:;em, de nada valeria ao Senhor identificar-se
através dde. O ato de o Senhor identificar-se corretamente
era de im portância fundamental, para dar maior
autenticidade ao chamado que Moisés recebera junto aos
israelitas. Este nome não aparece com muita freqüência na
Bíblia; nito obstante, Jesus (o Jeová do Velho Testamento)
usou-o em outras ocasiões, para revelar-se a Abraão (veja
Abraão 1 : 1 6) , aos judeus (veja João 8 : 58), e à Israel
moderna (veja D&C 29: 1 ) .
Etimol,)gicamente, o título E u Sou está diretamente
relacionado com o nome da Deidade mais freqüentemente
usado no Velho Testamento
YHWH. Nem sempre é
possível determinar quão amiúde o nome YHWH aparece
na Bíblia, pois os tradutores o substituíram por SENHOR
ou DEUS. Esse costume demonstra deferência em relação
aos sentimentos de reverência que os judeus tinham para
com esse Clome, tanto é que nunca o pronunciavam,
substituindo-o pelo termo Senhor ou Adonai . (Para
maiores informações a respeito desse assunto, veja a
leitura A-2.)
Eu Sou é a primeira pessoa do verbo ser. Portanto,
YHWH (que também pode ser a terceira pessoa do
singular) :;ignificaria "ELE É " ou "ELE EXISTE" . O
Senhor w:ou a primeira ou terceira pessoa do mesmo
verbo no texto hebraico do Velho Testamento,
dependendo da ênfase que pretendia dar à sua pessoa ou à
nossa penpectiva com relação a ele.
-
(9-14) Êxodo 4: 10-17. Por Que Moisés Hesitou Tanto Em
Ser o Por ta-voz de Deus?
Há alguma evidência de que Moisés provavelmente
sofria de um pequeno problema vocal (veja a Leitura
9-22),embora alguns estudiosos afirmem que Moisés talvez
estivesse wgerindo que já não tinha tanta facilidade em
se expreS5 ar nos idiomas egípcio e hebraico, em virtude de
ter vivido durante quarenta anos entre os midianitas . Seja
qual fôr �. causa externa, o Senhor respondeu a ele com
um conceito tão simples e profundo, que lhe foi difícil
recusar a missão . O sentimento de inadequação possuído
por Moisés era tão forte, entretanto, que continuou a
insistir ql.e precisaria de ajuda. O Senhor zangou-se com
essa contí nua falta de confiança e estabeleceu a Aarão
como pOIta-voz de Moisés. Qualquer pessoa, com
sentimen1 0s normais de incapacidade diante de um
chamado de tal magnitude, pode compreender o que se
passava no íntimo de Moisés, mas todos nós devemos
aprender a confiar no poder do Senhor. Morôni ensinou
que ele especificamente concede fraquezas aos homens,
para que possam tornar-se humildes; se, no entanto,
tiverem fI: em Deus, sua graça é suficiente para f�er "com
q ue as co isas fracas se tomem fortes para eles" (Eter
1 2:27). Eloque recebeu uma resposta semelhante ao
manifesta o seu sentimento de incapacidade; não obstante
104
grandes coisas advieram de sua fraqueza, quando se voltou
para Deus (veja Moisés 6: 3 1 -32, 47; 7: 1 3) .
(9-15) Êxodo 4:18
A grande visão recebida por Moisés, conforme s,� acha
registrado em Moisés 1 , ocorreu depois de seu charllado
original no Monte Horebe, e antes de sua chegada ao
Egito . Moisés 1 : 17 se refere à experiência da sarsa ardente
de maneira retrospectiva.
Moisés 1 :24-25 fala da libertação de Israel do cativeiro
como um evento ainda futuro.
(9-16) Êxodo 4:19-21. O Senhor Endureceu o Cora ção do
Faraó?
o Faraó havia endurecido seu coração, e não deixaria os
israelitas partirem. É necessário ter esta verdade em mente
sempre que você ler referências posteriores que afirmem
que o faraó teve seu coração endurecido pelo Senhor.
(9-17) Êxodo 4:18-28. Por Que o Senhor Ficou Zangado
Com Moisés, Quando Este Viajava para o Egito?
Faltam alguns detalhes na Bíblia a respeito deste
assunto . A Versão Inspirada indica que o Senhor estava
zangado com Moisés, porque ele havia deixado de
circuncidar a seu filho . Parece que Zípora, não queria que
Moisés circuncidasse Gérson, mas acabou cedendo,
quando o Senhor demonstrou estar irado com seu marido.
A tradução de Joseph Smith de Êxodo 4:21 declara que
o Senhor desejava fazer com que Moisés prosperas ,e, mas
A Grande Pirâmide de Quéops linha cerca de mil imos na época em que Moisés se encontrava no Egito
105
(9-18) Êxodo 4:29-31
Que podemos dizer das pessoas que tiveram de ser
convertidas por meio de sinais? (Vej a Mateus 1 2 : 38-39;
D&C 63 :7-12.) Embora a reação que tiveram ao presenciá­
-los tenha sido deveras positiva, tão logo surgiram os
desafios e adversidade , o infortúnio abalou-lhes a
convicção (veja Êxodo 5 : 20-23) .
(9-19) Êxodo 5: 1-23; 6:1
Deus concedeu ao faraó a oportunidade de permitir sem
ser coagido, que Israel partisse, a fim de que adorassem a
seu Deus livremente . Ao recusar-se a fazê-lo, o rei não
pôde culpar a ninguém pelas conseqüências que lhe
sobrevieram.
(9-20) Êxodo 6: 1-8
O eterno convênio do evangelho que o Senhor Deus
havia estabelecido com Adão e todos os patriarcas depois
dele, entre os quais Noé, Abraão , Isaque e Jacó , foi , na
época de Moisés, firmado com toda a casa de Israel .
os mais diversos milagres . As antigas cortes reais possuíam
vaticina dores , sábios e astrólogos . Tais indivíduos tinham
certos poderes através dos quais descobriam e
solucionavam os sonhos, problemas etc . , dos monarcas .
Um dos exemplos marcantes dessa prática acha-se
registrado no livro de Êxodo , onde o faraó convocou 'os
sábios e encantadores ' , que imitaram alguns dos milagres
que o S.:nhor ordenara a Moisés e Aarão que realizassem .
Quandü este último lançou sua vara ao chão , ela se
transfOI mou numa serpente. Os encantadores egípcios
j ogaram as suas ao solo , e o mesmo aconteceu a elas . . .
" . . . O Salvador declarou que Satanás tinha o poder de
se apos�,ar do corpo de homen e mulheres e afligi-los
durame l1te (vej a Mateus 7 : 22-23 ; Lucas 1 3 : 16). Se ele
tem o p, )der de prender os corpos,. certamente tem idêntica
força pma libertá-los . Devemos lembrar-nos de que o
adversá ·io tem grande conhecimento; assim sendo, pode
exercer ma autoridade e controlar os elementos até certo
ponto , quando um poder maior não o impede de fazê-lo . "
(Smith, Answers to Cospe! Questions, Vol . 1 ,
pp . 1 76· 1 78.)
(9-21) Êxodo 6:3. Era o Nome de Jeová Conhecido Antes
da É poca de Moisés?
Êxodo 6:3 sugere que Abraão , Isaque e Jacó
desconheciam o nome Jeová. Todavia, esse não é,
obviamente, o caso (vej a Gênesis 4:26, onde o nome
SENHOR [Jeová) aparece pela primeira vez) . Sabemos
também que o Senhor (Jeová) apareceu diversas vezes a
Abraão , Isaque, Jacó e outras pessoas . Está claro que há
algo errado na tradução de Êxodo 6 : 3 . Essa dúvida pode
ser dirimida sabendo que o versículo pode ser lido na
língua hebraica como uma pergunta, simplesmente
elevando-se a inflexão no fim da sentença. (Ao traduzir
um texto que não é lido em voz alta, o tradutor não pode
ouvir a modulação da voz e assim não capta a intenção
original do autor .)
(9-22) Êxodo 6:12, 30
A Bíblia diz que Moisés afirmara ser "incircunciso dos
lábios" (Êxodo 6:30) . Joseph Smith esclarece esta
afirmativa em sua tradução , dizendo que Moisés tinha
"lábios tartamudos " e era "lento no falar" . Esta
característica explicaria a hesitação que Moisés
originalmente demonstrou, quando Deus lhe pediu que
fosse o seu porta-voz (veja Êxodo 4: 1 0; Leitura 9- 14).
(9-23) Êxodo 7:1
O Profeta Joseph Smith corrigiu este versículo, e a
escritura passou a ensinar que Moisés devia ser um profeta
para o faraó , e não um Deus.
(9-24) Êxodo 7: 11-12. Usavam os Sábios da Corte do
Faraó o Poder do Senhor?
"Durante o transcorrer dos séculos , em quase todas as
nações, pessoas têm exercido poderes ocultos e místicos,
chegando com isto até mesmo a curar enfermos e realizar
Uma cena típica de purificação encontrada n o templo de Esna
(9-25) Ê xodo 7-10. As Pragas do Egito
Dura l1te muitos anos, têm sido feitas numerosas
tentativ as de explicar as pragas descritas nestes capítulos
do livro de Êxodo . Alguns estudiosos procuraram
demons trar que as diversas calamidades ali descritas foram
decorre I1tes de fenômenos naturais, como o surgimento de
meteori tos, ou a explosão de uma ilha vulcânica situada no
Mar Mediterrâneo . Embora exista uma certa progressão
lógica no aparecimento das pragas (a poluição dos rios
poderia ter expulsado deles as rãs , que vieram em grande
número morrer fora dos pântanos, e tal situação fez com
que sob reviessem as pragas de piolhos , moscas e
enfermi dades), não é possível, no presente, explicar como
o Senhor realizou estes acontecimentos miraculosos . O
fato da� pragas serem seletivas (isto é, afetavam os
egípcim , mas não os israelitas) aumenta sua natureza
milagro sa. O Senhor freqüentemente opera através de
meios naturais para levar avante os seus desígnios, mas tal
106
Esfinge construída perto do templo mortuário de Quéfren
procedimento de forma alguma obscurece a ação di vi na de
sua obra. Na manifestação das pragas e na eventual
libertação de Israel de seu prolongado cativeiro no Egito,
encontra-se o registro da extraordinária e miraculos i
intervenção de Deus em benefício de seus fílhos . O 'ato de
o Senhor haver intervido para libertá-los é certamen te
infinitamente mais importante do que a maneira pel a qual
ele possa tê-lo feito .
PONTOS A PONDERAR
(9-26) Os dois personagens principais deste capítulo são
Moisés e o faraó . Aprendemos que o Senhor conhecia bem
a estes dois homens muito antes de haverem nascido .
Ambos foram colocados diante do teste da mortalid ade
nesta época da história, com o pleno conhecimento do
Senhor de que cumpririram suas respectivas funçõe� .
Moisés era humilde, e permitiu que a mão de Deus o
guiasse . Tal atitude fez com que grandes milagres fossem
realizados por ele, a fim de libertar do cativeiro a Israel, o
povo que o Senhor escolhera.
O faraó, por outro lado, era um indivíduo egocêntrico,
sedento d e poder, cruel e empedernido . Ele não se deixava
impressionar com O poder de Deus, preferindo dar mais
valor às mistificações produzidas por Satanás , as quais lhe
permitiam alimentar a falsa crença de que era um deus na
terra.
Faça de conta que foi convidado a proferir um discurso
na reunião sacramental, sob o tema "Como Utilizar os
Ensinamentos de Ê xodo 1 - 1 0 Como uma Fonte de
Sabedoria para o Crescimento Pessoal" . Que aspectos da
vida de Moisés e do faraó você alistaria, dignos de serem
postos em prática ou evitados, para que nos tornássemos
mais semelhantes a Cristo? Sej a especifico , mencionando
escrituras que sirvam de base para cada um dos casos.
Seção Especial
Os Simbolismos e
Protótipos Usados no
Velho Testamento
(C-I) A Importância dos Símbolos
O grande escritor Thomas Carlyle escreveu certa vez:
" É através do uso de símbolos que o homem, consciente
ou inconscientemente, vive , trabalha e encontra sua razão
de ser . Além disso , as gerações que melhor souberem
reconhecer o valor existente nos símbolos, e tiveram por
eles maior apreciação , podem ser consideradas as mais
sublimes . " (Citado por Maurice H . Farbridge , em Studies
in Biblical and Semitic Symbolism. ) Não é de admirar,
portanto, que a linguagem simbólica e as figuras de estilo
desempenhem um papel tão importante na religiãp , a qual
preocupa-se com o destino eterno do homem . As
ordenanças e rituais religiosos são de natureza
profundamente simbólica, e nas escrituras , que contêm a
palavra do Senhor revelada a seus filhos, encontramos
fartos exemplos de analogias , metáforas, parábolas ,
alegorias , protótipos e símbolos. O simbolismo nelas
utilizado é tão profundo, e encontrado em tal abundância,
que, se não entendermos o seu significado, deixaremos de
compreender muitas verdades importantes e indispensáveis
ao nosso crescimento espiritual .
(C-2) A Lei de Moisés: Uma Lei de Significado Simbólico
Inúmeras pessoas do mundo em geral , e muitos
membros da Igrej a acreditam que o Velho Testamento
reflete as experiências de uma cultura anterior à época da
pregação do evangelho na terra, centralizada em torno do
convênio mosaic q , que foi dado ao povo em lugar das leis
do evangelho . Porém o Senhor declarou o seguinte a
respeito da lei que os israelitas receberam , ao rejeitarem
aquela natureza mais elevada: "E o sacerdócio menor
continuou, o qual possui a chave da ministração dos anj os
e do evangelho preparatório; o qual é o evangelho do
arrependimento e do batismo, e da remissão dos pecados,
e a lei dos mandamentos carnais. " (D&C 84: 26-27 ; itálicos
acrescentados .) A plenitude do evangelho foi retirada
dentre o povo de Israel ; porém , para substituí-la, foi
apresentado aos filhos dos homens um evangelho
preparatório , contendo os seus princípios básicos e
fundamentais . Paulo ensinou aos santos da Galácia que o
Senhor tomou tal medida para que os israelitas pudessem
ser trazidos a Cristo : "De maneira que a lei nos serviu de
aio, para nos conduzir a Cristo , para que pela fé fôssemos
j ustificados . Mas , depois que a fé veio, já não estamos
debaixo de aio . " (Gálatas 3 : 24-25 . ) O Velho Testamento ,
especialmente em seus protótipos e símbolos, reflete de
maneira muito rica o caráter preparatório da lei mosaica,
uma vez que ela continha o evangelho preparatório, cuja
finalidade era a de fazer com que Israel tivesse fé em seu
Redentor .
(C-3) Por Que o Senhor Usa Tantas Figurações e Símbolos
nas Escrituras?
Por que o Senhor utiliza abundantemente de linguagem
simbólica para ensinar a seus filhos? Por que não se limita
a apresentar claramente o que deseja que saibamos?
c
Embora não possamos entender todos os desígnios do
Senho · ao assim proceder, as seguintes razões parecem ser
de imj:'ortância fundamental:
(C-4) A linguagem simbólica e figuras de estilo têm o
poder de, com grande força e impacto transmitir
impori 'antes verdades em diferentes idiomas e às mais
diversas culturas. A linguagem figurativa tem a capacidade
de fornecer uma poderosa impressão didática. Por
exemp lo, em meio a extensos pronunciamentos proféticos ,
alertar.do Israel sobre os julgamentos que sobre ela
recairiam, Isaías apresentou àquele povo um ensinamento
que, à primeira vista, poderíamos considerar como sendo
uma passagem de escritura sobremaneira difícil de se
entender: " Inclinai os ouvidos, e ouvi a minha voz;
atendei bem, e ouvi o meu discurso .
"Pc rventura lavra todo o dia o lavrador, para semear?
ou abr e e esterroa todo o dia a sua terra?
"N�.o é antes assim: quando já tem gradado a sua
superLcie, então espalha nela ervilhaca, e semeia
cominhos : ou lança nela do melhor trigo, ou cevada
escolhi da, ou centeio, cada qual no seu lugar?
0 ;eu Deus o ensina, e o instrui acerca do que há de
fazer.
"Pc rque a ervilhaca não se trilha com instrumento de
trilhar , nem sobre os cominhos passa roda de carro ; mas
como uma vara se sacode a ervilhaca, e os cominhos com
um pa l o
"O trigo é esmiuçado, mas não s e trilha continuamente ,
nem Sé esmiúça com as rodas do seu carro , nem se quebra
com o:; seus cavalos .
"Até isto procede do Senhor dos Exércitos ; porque é
maravJhoso em conselho e grande em obra . " (Isaías
28 :23-:19.)
As figuras utilizadas por Isaías nos ensinam uma lição
de grande poder instrutivo . Isaías usou como símbolo um
lavrad,)r e sua maneira de cultivar o campo e fazer a
colheit a, para demonstrar quais eram os desígnios de
Deus . No caso em questão , Israel é o campo de Jeová. Em
virtud(! de sua iniqüidade e apostasia, esse campo havia-se
tornad o endurecido , incapaz de produzir frutos em
abund lncia . Assim como o lavrador prepara o solo ,
quebwndo a sua superfície dura com a lâmina do arado,
revolv. :ndo a terra e tornando-a apta ao plantio, assim
também os julgamentos e castigos derramados sobre o
povo cio convênio são como o arado e a grade do Senhor
(comp ire com o que Mórmon ensina em Helamã 1 2 : 1 -6,
sobre a natureza dos filhos de Deus) . Entretanto , observe
a pergunta formulada por Isaías : "Porventura lavra todo
o dia C < lavrador, para semear? " A resposta é não . Ele não
ara a t �rra a todo momento . O lavrador o faz apenas o
suficie nte para deixar o solo na condição adequada para
nele plantar a ervilhaca, o cominho (duas espécies de
herbác eas) e o trigo .
Da mesma forma, no simbolismo do lavrador, por
ocasião da debulha, acha-se ilustrado o processo
discriminativo pelo qual Deus realizará seus j ulgamentos .
';'
110
Diferentes espécies de cereais são debulhados de diferentes
maneiras . O trigo era c.olhido com .uma debulhadeira, um
instrumento pesado que era trazido de arrasto por una rez
ou jumento. Porém, outros meios são usados para
debulhar as plantas mais tenras, como a ervilhaca e o
cominho, que seriam destruídas, caso sobre elas se
colocasse excessivo peso . O Senhor age de idêntica
maneira. Os castigos por ele infligidos não se destinam a
esmagar o povo , e com isto destruí-lo . Se a iniqüidade em
que ele se encontra requer apenas que seja punido "com
uma vara" , então é somente tal aflição que o Senhor
permite que lhe sobrevenha. Se, pelo contrário, for preciso
usar um processo mais pesado para a debulhada, ele então
o fará. Em alguns casos extremos, como aconteceu p or
ocasião do dilúvio , ou no caso de Sodoma e Gomorn, os
campos provavelmente terão de ser queimados até o ,;hão,
para que possa ser iniciado o novo plantio e colheita .
O Senhor poderia ter esclarecido de maneira mais direta
sua forma de agir com seus filhos que se tornam rebe ldes,
alistando detalhadamente o que deviam entender. Pc rém
as figurações têm maior poder de instrução que uma
simples lista de requisitos ; elas têm a capacidade de SI:
propagar por todas as partes do mundo , através de
numerosas traduções, atingindo as mais longínquas
culturas . Como o Élder Bruce R. McConkie afirmou:
"O Senhor utiliza simbolismos freqüentemente com o
objetivo de gravar profundamente em nosso intelectcl os
eternos princípios em que devemos crer e aceitar a fim de
sermos salvos; e para tornar mais impressivo seu
verdadeiro significado e importância, fazendo com isto
que, em nosso íntimo, fique gravada uma impressão que
jamais poderemos esquecer, e para que centralizemo�; a
nossa atenção nessas sublimes verdades redentoras . Os
princípios abstratos podem ser facilmente esquecidos e seu
significado profundo pode passar despercebido; poré m as
representações visuais e experiências realmente vívida s
ficam registradas com tal clareza em nossa mente, qu e
jamais conseguiremos esquecê-las . " (The Promised
Messiah, p . 377 .)
(C-5) O ato de transmitir verdades profundas em
linguagem simbólica, muito contribuiu no sentido de
preservá-las da astúcia daqueles que procuravam reti(ar
das escrituras as passagens claras e preciosas. Não re�;ta
qualquer dúvida de que muitas verdades claras e prec iosas
foram retiradas da Bíblia (veja 1 Néfi 1 3 : 26) . O Profeta
Joseph Smith ensinou : "Creio na Bíblia tal como se "
encontrava ao sair da pena de seus escritores originai ; . Os
tradutores ignorantes , os copistas descuidados e os
sacerdotes intrigantes e corruptos cometeram muitos
erros . " (Ensinamentos, p. 3 1 9.)
Ele sugeriu que os textos bíblicos foram
propositadamente deturpados . Entretanto, os
ensinamentos transmitidos por meio de representaçõc!s
simbólicas exigem que a pessoa tenha o "espírito de
profecia" , ou "testemunho de Jesus" , para que possa
interpretá-los (Alma 25 : 1 6; Apocalipse 19: 1 0), e assim
sendo, não puderam ser entendidos pelos "sacerdote ;
intrigantes e corruptos" , que acabaram por deixar ta is
passagens basicamente intactas .
(C-6) A linguagem figurativa pode transmitir verdades e
conhecimentos a todos os níveis de maturidade espiritual.
Após ensinar à multidão que o seguia a parábola do
semeador, Jesus advertiu-os, dizendo: "Quem tem
ouvidos para ouvir, ouça" (Mateus 1 3 : 9) . Esta decla:,"ação
deu a entender a- seus ouvintes que as verdades ensinadas
pelo Salvador naquele momento não deviam ser
entendidas como sendo apenas uma história agradável.
Numa ocasião posterior, os discípulos chegaram-se a ele e
perguntaram: "Por que lhes falas por parábolas? "
(Mateus 1 3 : 10.) A resposta dada pelo Salvador pode
parecer-nos, numa análise apressada, um pouco
equivocante. Ele esclareceu que assim ensinava, porque a
multidão se recusava a ouvir e entender as verdades de
natureza espiritual . O Élder Bruce R. McConkie declarou
o seguinte, salientando a razão por que o Salvador
ensinava através de parábolas :
" Nosso Senhor empregou parábolas em muitas ocasiões
de seu ministério, para ensinar verdades do evangelho. O
seu propósito, entretanto, ao contar essas histórias curtas ,
não era apresentar as verdades do evangelho claramente,
para que todos os ouvintes as compreendessem. Pelo
contrário, eram contadas de modo que escondessem a
doutrina envolvida, para que somente os letrados
espirituais pudessem compreendê-las, enquanto as pessoas
de entendimento obscurecido permaneciam nas trevas .
(Mateus 1 3 : 10- 1 7 . ) Não é adequado ensinar a uma pessoa
mais do que ela tem a capacidade espiritual de entender e
assimilar. " (Mormon Doctrine, p. 553 . Também em Vida
e Ensinamentos de Jesus e Seus Apóstolos, p . 76.)
Para aqueles dotados de parco discernimento espiritual,
a parábola do semeador não passa de uma historieta
agradável. Entretanto, para os que se acham em sintonia
com o Espírito, e que conhecem bem as verdades do
evangelho, elas têm um significado bem maior. Assim
sendo , a linguagem simbólica tanto pode revelar como
ocultar certos princípios, dependendo da acuidade de
espírito daquele que a ouve.
(C-7) O valor simbólico afeta profundamente as emoções e
atitudes do indivíduo. A bandeira nacional de um país não
passa, na realidade, de um grande pedaço de tecido, com
as cores formando um determinado padrão . Entretanto,
por causa desse pedaço de pano, lágrimas são derramadas,
pessoas vão à guerra, arriscam-se a sofrer,perseguições e
até mesmo a morte . Não é, obviamente, aquele pedaço
específico de pano que realmente importa, pois pode ser
facilmente substituído . Seu real valor está no que significa
para o indivíduo. Seu simbolismo pode exercer uma
profunda influência em seu coração e mente. Só é preciso
ponderarmos sobre o sentimento e a emoção que tais
objetos ou atos simbólicos fazem surgir no íntimo de
nosso ser, basta que imaginemos o que significa para nós
um anel de noivado, o templo, o batismo, o sacramento, e
assim por diante, para que entendamos a razão pela qual o
Senhor costuma nos ensinar por meio de símbolos.
(C-8) Quando somos forçados a refletir e examinar o
significado de uma representação simbólica com uma
atitude de busca, adquirimos com isto grande poder
espiritual. Quando, em termos de esforço e sacrifício,
pagamos um preço para obter alguma coisa, a apreciação
que teremos por ela será maior do que se nada fizéssemos
para consegui-la. Para que o estudioso consiga desvendar
as grandes verdades espirituais que se acham ocultas nas
escrituras em uma linguagem figurativa, é necessário que
examine e pondere. Todo conhecimento tem seu preço, e
quando conseguimos obtê-lo, torna-se muito mais
satisfatório e valioso, que se o tivéssemos obtido de outra
forma.
Há ocasiões em que as pessoas tentam desestimular as
outras em seu intento de compreender o significado
simbólico das passagens de escritura. É óbvio que o
111
indivíduo não deve lê-Ias, dando-lhes uma conotação
diferente daquela pretendida pelo autor, porém ignorar o
significado simbóliso onde ele existe, seria I?erder muito do
que é ensinado . O Elder Bruce R. ]\1cConk.le deu-n� s as
seguintes palavras de incentivo: "E uma atitude sadia e
adequada procurarmos encontrar protótipos de Cristo por
toda a parte e usá-los repetidas vezes, no sentido de
mantermos nitidamente gravados em nosso íntimo seus
maravilhosos exemplos e mandamentos. " ( The Promised
Messiah, p . 453 .)
(C-9) Algumas Diretrizes Importantes para Interpretarmos
os Protótipos e Símbolos Contidos no Velho Testamento
Em que ocasião uma atitude ou objeto usado nas
escrituras deve ser interpretado de maneira literal ou de
forma figurativa? Os símbolos podem ser interpretados de
modo demasiadamente literal e seu verdadeiro significado
pode-se perder numa grotesca i�itação da real�dade . Por
outro lado, pode-se, ainda, esqUivar-se de explicar o
verdadeiro significado de uma passagem, alegando que ela
foi dada apenas no sentido figurativo. As seguintes
diretrizes podem ser proveitosas para nos ajudar a
interpretar corretamente os protótipos e símbolos usados
nas escrituras.
(C-lO) Identificar o que existe por trás do símbolo
mencionado, para descobrir com que sentido nos foi dado.
Os símbolos tanto podem denotar como conotar um
significado especifico . A denotação de um símbolo é o que
ele realmente representa. Por exemplo, uma gravura do
Templo de Lago Salgado denota um edifício diferente,
amplo e bem construído, contendo seis t �rres e agulhas
ornamentais nas cumeeiras, uma das quais, adornada com
a figura dourada de um personagem trazendo uma
trombeta na boca. Todavia, considerando-o
simbolicamente, o Templo de Lago Salgado também
conota um significado especial. Conotação é o que �m
símbolo sugere através de associação, mesmo que tais
associações não façam parte do próprio símb ? lo .. r:?r
exemplo, o símbolo em questão conota, ou da ! l� eIa de
casamento no templo, santidade, beleza, reverenCia, ou
um lugar onde se pode obter conforto espiritual . O
Templo de Lago Salgado também acabou se tornando
uma representação de nossa Igreja. Ao olhar-se para. ele,
não se vê o casamento no templo como parte do projeto
arquitetônico . Tal idéia é apenas conotada pelo ou
associada ao edifício, quando se tem tal símbolo em
mente . Freqüentemente a conotação de uma imagem dá à
escritura um significado mais realista do que a passagem
consegue denotar. Por conseguinte, devemos atentar, além
do que o símbolo transmite, à conotação implícita na
passagem.
Ao estudar um determinado símbolo , entretanto, o
indivíduo não deve deixar-se influenciar pelas limitações
impostas por sua própria cultura, a ponto de não entender
as figurações que a ele se acham associadas. Por exemplo,
embora a pessoa tenha sido criada numa grande
metrópole, e jamais haja desfrutado de qua!q�er
experiência rural, isto não quer dizer �ue seja �ncapaz �e
apreciar devidamente as figuras e símIles extra�dos d� Vida
agrícola de uma época antiga. Sem que necessite mUito
estudo e reflexão, qualquer pessoa pode entender o que
significa o ato de semear, colher, joeirar, debulhar,
espremer uvas e outros exemplos semelhantes.
Talvez o problema mais difícil que algumas pe� soas
encontram, sej a o de identificar a natureza dos diversos
símbol os usados n o Velho Testamento . A leitura do
derramamento de sangue de animais sacrificados, e da
maneira como o sangue era recolhido em bacias e
aspergido sobre o altar, ou usado de outras formas
diferentes, pode ser ofensiva a certos leitores modernos.
Na época atual, o máximo que sabemos sobre a matança
de animais é o que diz respeito ao açougue de um
supermercado, onde a carne é higiênica e atraentemente
acondi cionada em balcões frigoríficos . O sangue e as
entranhas dos animais jamais são vistos pelo público em
geral; assim sendo, quando alguns detalhes relativos a eles
são tratados , como acontece no Velho Testamento, a
reação mais comum dos leitores atuais é a náusea ou
repulsa.
Denmos ter em mente duas coisas importantes.
Primei ro, para os povos do Velho Testamento. ta�s
'
prátic" s não eram ofensivas . A �atança de ammals I?ara
alimen to a visão do sangue e a limpeza da carne faziam
parte ele � uas experiências cotidianas . Qualquer família
típica daquela época criava animais e os matava para
alimen to . Até mesmo nas grandes cidades , as pessoas
compr avam carne em feiras ao ar-livre, onde
freqüeritemente os animais eram mortos no próprio local,
para q ue a carne fosse fresca. Tal costume ainda � comum
nos países do Oriente Médio . Em segundo lugar, � o que
tais práticas denotam que geralmente ofende ao leitor
urbanizado de hoje em dia. Porém , quando procuramos
entender o que existe por detrás do simbolismo , a
conot2,ção que ele deseja transmitir, então a repulsa se
transforma em apreciação das verdades que estão sendo
ensinadas .
(C-lI) Será que as próprias escrituras revelam qual � a
interpretação de um determinado símbolo ? Há ocasiões
em qUI: as pessoas criam desnecessária polêmica em torno
do sigllificado de certo símbolo, quando as próprias
escrituras revelam claramente qual é a resposta correta. O
que Sifnificam os sete castiçais de ouro mencionados no
livro de Apocalipse? O Senhor respondeu diretamente a
essa questão; portanto, não temos a menor necessidade d�
criar c1)fijeturas (veja Apocalipse 1 :20) . O que Jesus quena
dizer, quando falou a respeito da parábola do semeador?
Ele esc lareceu especificamente o significado deste
simbolismo (veja Mateus 1 3 : 1 8-23). Que representava a
grandf estátua que Nabucodonosor viu em sonho? (Veja
Daniel 2: 36-45 .) Há centenas de outros exemplos de
interpretações diretas . Através de um estudo cuidadoso
das escrituras, podemos encontrar muitas delas com a
maior facilidade. Porém, é mister que o leitor pague o
devido preço, se desejar descobri-Ias, pois, muitas vezes,
encont ram-se em outra parte das escrituras .
(C-12) Procure identificar o Salvador nos símbolos e
protótipos apresentados nas escrituras. Considerando que
Jesus Cristo e o sacrifício expiatório são a parte central e
mais importante de nossa religião, não é de admirar que
virtualmente todos os símbolos das escrituras sejam
centralizados em Cristo . Poderíamos dizer que todas as
parábCllas, símbolos, metáforas e protótipos têm o
objetivo de ensinar aos filhos de Deus o que devem fazer,
a fim e le que o sacrifício infinito de Cristo se torne parte
integrante de sua vida, e consigam obter uma reconciliaç.ão
perfeit 3. com o Pai Celestial. Este conceito é tão verdadeiro
no Vel ho Testamento como nas demais escrituras. Néfi
ensino cl a respeito da natureza abrangente dos
simbolismos, quando declarou: "Eis que minha alma se
regozija em confirmar a meu povo a veracidade da vinda
112
de Cristo; pois para este fim foi dada a lei de Moisés: e
todas as coisas que foram dadas por Deus aos homer.s,
desde o começo do mundo, são símbolo dele. " (2 Né1'i
1 1 :4; itálicos acrescentados).
Amuleque ensinou o mesmo princípio da seguinte
maneira: "E eis que este é o significado total da Lei, cada
ponto indicando aquele grande e último sacrifício; e aquele
grande e último sacrifício será o Filho de Deus, sim,
infinito e eterno." ( Alma 34: 1 4.)
O Rei Benjamim nos deu um ensinamento idêntico ao
de Abinádi (veja Mosias 3 : 1 4- 1 5 ; 1 3 :29-3 1 ) . (Para
maiores esclarec imentos sobre a natureza abrangente da
idéia de um Redentor divino no Velho Testamento, v eja a
Leitura l -S . )
Mórmon nos revelou uma chave pela qual podemo ;
entender o verdadeiro significado da lei mosaica: "Ora, eles
não acreditavam que a salvação lhes viesse por meio da lei
de Moisés; a lei de Moisés, porém, serviu para forta ecer­
lhe a fé em Cristo; e assim, por meio da fé, mantinhan a
esperança da salvação etema, confiando no espírito d e
profecia que falava dessas coisas futuras." (Alma 25 : 1 6;
itálicos acrescentados). O Senhor ensinou a João que o
"espírito de profecia" consiste no "testemunho de Jes us"
(Apocalipse 1 9 : 1 O). Sem possuir tal testemunho, uma.
pessoa é incapaz de entender o pleno significado das leis e
ordenanças mencionadas no Velho Testamento.
.
(C-13) Permita que a natureza do objeto usado com('
símbolo contribua para um melhor entendimento de seu
significado espiritual. Os povos do Oriente Médio tin ham
grande apreciação por figurações e costumavam criar
figuras e símiles utilizando coisas que existiam ao seu
redor. Para tanto, usavam examinar as característica:;
naturais de um objeto para ver se elas transmitiam
verdades espirituais . Por exemplo, em Salmos 83: 1 3 ,
lemos o seguinte: "Deus meu , fa:ze-os (os inimigos) c omo
que impelidos por um tufão, como a palha diante do
vento. " O vocábulo tufão é traduzido da palavra hebraica
galgaI, que serve para designar uma planta espinhosa,
natural do Oriente Médio . Um grande comentador d i
Bíblia explicou esta metáfora da seguinte forma:
"Galgai é unia planta espinhosa, da família das A1 ter
(Asteracea ou Compositae) . A galgaI é um arbusto in erte
durante os meses secos do verão. Após caírem as primeiras
chuvas de inverno, das robustas raízes perenes brota llma
roseta de folhas . . . Os cachos de flores, ou inflorescências,
se desenvolvem entre o final do inverno e início da
primavera, produzindo o fruto com suas sementes . Depois
desse ciclo, a planta morre - sendo isto pa:rte do pro cesso
através do qual suas sementes se dispersam para outT>JS
luga:res. As hastes geram folhas rígidas, que possuem
nervuras de tal natureza, que as folhas se assemelham a
asas voltadas pa:ra todas as direções. O arbusto tem a
forma redonda; por isto, quando seco, é capa:z de rolar
como uma bola. Quando chega a época em que as
sementes da fruta morta estão prestes a serem espalhadas,
a base do talo se desliga das fortes raízes, através de um
tecido mais fraco que, na ocasião certa, se desenvolv<: no
luga:r em que sofrerá a rutura. Ao sepa:ra:r-se, a planta
começa a rola:r, levada pelo vento, dispersando suas
sementes pelas estepes e campos. (A palavra galgaI
também significa roda, em hebraico; o nome da planta
provavelmente se originou dessa ca:racterística que elél tem
de rola:r pelos campos como uma roda.)
"Um pouco antes de o a:rbusto redondo se desligau de
suas raizes, seu aspecto é deveras assustador - uma
verdadeira bola de espinhos de apa:rência compacta e
ameaçadora. Na realidade, a planta tem sua base muito
fraca, e pode facilmente ser carregada pelo vento . O som
da galgaI seca, rolando impulsionada pela brisa, é uma
experiência inesquecivel para aqueles que vivem nos
lugares em que elas existem .
"Ao cria:r uma metáfora utilizando a galgai, o Salmista
está pedindo ao Senhor que torne os inimigos de Israel
como aquela planta: que, embora tenham uma apa:rência
atemorizante, sua base seja fraca. A planta toda pode ser
levada pelo vento, pa:ra bem longe.
"Uma analogia com a planta galgai é feita também em
Isaías 1 7 : 1 3 :
" 'Bem rugirão as nações, como rugem as muitas águas,
mas ele repreendê-Ias-á e fugirão para longe; e serão
afugentadas como a pragana dos montes diante do vento,
e como a bola diante do tufão . '
" A 'bola' . . . é a galgai. ' Bola' , no caso, traduz somente
parte do significado da palavra. Nesta alegoria, o profeta
está, na verdade, prevendo a destruição do império assírio ,
um inimigo assustador, mas com bases muito fracas, e que
poderia facilmente ser soprado para longe, pelos ventos do
Senhor. " (Anivoam Danin, "Plants as Biblical
Metaphors" . Biblical Archaeology Review, maio/junho de
1 979, p. 20.)
Assim, podemos observar que o entendimento vem com
o exame criterioso do objeto utilizado como símbolo . O
estudo da história e cultura desses povos também nos
ajuda a compreender o significado dos objetos usados e
seu profundo impacto espiritual .
(C-14) Uma verdade pode ser ensinada através de
inúmeros símbolos; um símbolo pode tipificar inúmeras
verdades; e, conquanto o Senhor possa mudar os símbolos
que usa para ensinar verdades, as verdades, em si, nunca
mudam. Às vezes, ao descobrirem a interpretação de
determinado símbolo , as pessoas se satisfa:zem com aquilo
que conseguiram encontrar, e não procuram aprofundar­
-se no assunto; ou ainda, acontece de fica:rem confusas ao
acharem outro símbolo que transmite a mesma verdade.
Tão amplas e profundas são as verdades contidas no
Evangelho de Jesus Cristo, que seria necessário usar
milha:res de figurações, protótipos e símbolos para
transmiti-Ias . Por exemplo, são tantos e tão variados os
aspectos da vida e missão terrena de Jesus, que ele é
representado ou simbolizado como o Cordeiro (veja
João 1 : 29), a Luz (veja João 1 :7-8), o Advogado (veja
D&C 45 :3-5), a Pedra (veja I Coríntios 1 0:4) , o Bom
Pastor (veja João 10: 1 1 , 1 4) , a Videira Verdadeira (veja
João 1 5 : 1 -5), o Verbo (veja João 1 : 1 , 14) , o Leão (veja
Apocalipse 5 : 5) , a Pedra de Esquina (veja Efésios 2:20), o
Pão Vivo (veja João 6 : 5 1 ) , o Amém (Apocalipse 3 : 1 4) , a
Resplandecente Estrela da Manhã (veja Apocalipse 22: 1 6),
o Sumo Sacerdote (veja Hebreus 3 : 1 ) , o Esposo (veja
Mateus 25 : 1 - 1 3) , Aquele que Pisa o Laga:r (veja
D&C 1 3 3 : 50), e o Fogo Consumidor (veja Hebreus 1 2 : 29) .
Uma cuidadosa reflexão das conotações desses títulos
proporciona um significativo esclarecimento. sobre o
Salvador e sua grande missão .
Da mesma forma, um só símbolo pode ensinar
numerosas verdades espirituais. Por exemplo, a oliveira foi
usada como símbolo da casa de Israel (veja Jacó 5 : 3 ) .
Colocando e m prática a diretriz d e examinar a natureza do
simbolo utilizado, a oliveira, podemos identificar muitos
conceitos importantes :
1 . Ela é uma coisa viva, e produz muitos frutos .
113
2. Para que seja produtiva, requer que seja
periodicamente podada, a fim de que os novos galhos que
dela brotam se tornem fecundos . Sem esse trabalho
constante, a árvore se transforma numa oliveira brava,
que não passa de um amontoado de troncos e ramos, que
produzem apenas frutos pequenos, amargos e sem
nenhum valor.
Uma oliveira
3 . Para que volte a produzir bons frutos, é mister podar
completamente a oliveira brava e enxertar nela um ramo
de oliveira boa. Através de cuidadosa poda e cultivo, a
árvore dentro de sete anos começará a dar frutos,
tornando-se completamente produtiva em cerca de catorze
para quinze anos.
4. Embora seja necessário um longo período para fazer
com que a árvore se torne fecunda, tão logo comece a
produzir, ela assim continua durante um admirável espaço
de tempo . Algumas árvores da Terra vêm produzindo
frutos abundantemente há mais de quatrocentos anos.
5. Quando a oliveira finalmente envelhece e morre, das
raízes brotam inúmeros rebentos novos e verdejantes, os
quaís, quando adequadamente cultivados, poderão
transformar-se individualmente em árvores adultas . Desta
forma, a mesma planta pode continuar reproduzindo-se
por milênios. (Não podemos deixar de ver neste fenômeno
um símbolo da ressurreição . Ele também nos leva a refletir
nas diversas vezes em que os vários grupos da casa de
Israel aparentemente morreram; todavia, novos ramos
brotaram de suas raízes, transformando-se depois
novamente em Israel.)
6. O fruto da oliveira fornece o alimento básico aos
povos do Oriente Médio . Além de ser utilizado como
alimento, o óleo extraído da azeitona, ou oliva, era usado
naquela época, e também hoje em dia, nas lâmpadas para
ilumim,ção, para ungir o corpo, cozinhar, como
ingredi,mte básico de cosméticos e para fins medicinais .
Muit os dos sinais e símbolos dados na época do
convên io mosaico foram posteriormente substituídos, mas
isto não quer dizer que fossem de natureza inferior . O
Senhor ordenou aos isràelitas que usassem franjas nas
bordas de suas vestes, para que se lembrassem do
relaciollamento que tinham com o Senhor (veja
Númews 1 5 : 38-39; Deuteronômio 1 2 : 1 2) . Respondendo a
um erudito que afirmou ser esta maneira peculiar de se
vestir os toscos rudimentos e evidências de um povo
espiritualmente imaturo, certo comentador da Bíblia
escreve'] o seguinte:
"A h umanidade veste-se das maneiras mais diversas e
estranh as para seguir os estilos ditados pelo mundo. O que
há de tilo problemático ou 'tosco' em trajar-se de
conformidade com o que ordena o Senhor, ou usar
qualquer modelo de vestuário especificado por Deus? Nada
existe de invulgar ou difícil nesta lei, nem qualquer
caractel"Ística absurda ou impossível. "
O au tor então teceu os seguintes comentários a respeito
de tais !:ímbolos:
"O u so de franjas nas vestes não é observado
atualmt:nte pelos cristãos, porque tal costume, como o da
circunc .são, de guardar o dia do sábado, e outros aspectos
da aliança feita através de Moisés, foram substituídos por
novos sinais do convênio, conforme fora renovado por
Cristo. A lei do convênio ainda permanece; o que mudou
foram os ritos e os sinais do convênio . Porém, a forma
dos sinais do convênio na época de Moisés não é menos
honrosa, profunda ou bela do que a forma cristã. A
mudanca não conota ou representa um avanço evolutivo,
nem uma relação de superioridade ou inferioridade. O
convêni o foi cumprido em Jesus Cristo; entretanto, Deus
não pas sou, por isso, a considerar Moisés , Davi, Isaías,
Ezequid ou qualquer outra pessoa com a qual fizera os
convêni os do Velho Testamento como seres inferiores à
sua vista., ou de habilidade infantil, portanto carentes de
receber 'toscos rudimentos' em seus rituais . "
(Rushd,)ony, Institutes 01 Biblical Law, p . 23 .)
(C-IS) Para que possamos entender plenamente o
ensinamento que um símbolo pretende transmitir,
precisamos compreender as verdades espirituais que estão
sendo p or ele ensinadas. O Velho Testamento está cheio de
protótipos, símbolos, metáforas e símiles relativos a
Cristo; não obstante, a maioria dos líderes de Judá, na
época de Cristo, rejeitaram a Jesus , quando este surgiu em
seu mei,) . Eles conheciam a linguagem, a cultura, as
expressi>es idiomáticas; no entanto, rejeitaram o
significado dos princípios que as escrituras ensinavam e se
recusavam a serem convertidos . Eles ignoravam as
verdades do evangelho, que davam aos símbolos seu
significado real .
A rea lidade por trás dos protótipos e símbolos
apresen tados no Velho Testamento, é Jesus Cristo e seus
ensinamentos que nos levam à salvação . Quanto melhor o
entendermos, mais claramente seremos capazes de
compre,:nder o significado dos símbolos. Sem tal
compre,:nsão, a mensagem estará perdida.
(C-I6) Examinar, Estudar, Refletir e Orar
É impossível entendermos tudo a respeito do
simbolü:mo usado no Velho Testamento com apenas uma
rápida l eitura desse livro . Pode até mesmo ser necessário
114
dedicarmos toda a nossa existência à árdua tarefa dt
examinarmos e refletirmos sobre seus ensinamentos, para
que o Senhor nos revele plenamente até que ponto e le
encheu essa arca do tesouro de ensinamentos simból icos .
Observe o que ele disse a Adão :
"E eis que todas as coisas têm sua semelhança e todas as
coisas são criadas e feitas para dar testemunho de m im;
tanto as coisas temporais como as espirituais; coisas que
estão acima nos céus , coisas que estão sobre a terra, coisas
que estão na terra, e coisas que estão embaixo da ter ra, e
todas as coisas , tanto acima, como abaixo da terra; todas
dão testemunho de mim . " (Moisés 6:63 . )
A o estudarmos o Velho Testamento, principalmente os
protótipos e simbolismo da dispensação mosaica, devemos
pagar o preço que de nós será requerido no que concerne a
um estudo cuidadoso, reflexão e orações . Veremos , assim,
que o Senhor revelará aos nossos olhos muitas verdades
claras e preciosas . O Velho Testamento está repleto de
ensinamentos que representam a Jesus Cristo , e para
descobri-los , tudo o de que precisamos é ter olhos para ver
e ouvidos para ouvir.
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Êxodo 11-19
A Páscoa Judaica
e o Exodo
10
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(10-1) Introdução
Nos capítulos anteriores , vimos que o Senhor muitas
vezes in � uenciou o curso da história de tal maneira, que os
acontecimentos relativos a ela se tornaram simbolicamente
significativos. Jacó ensinou que o mandamento recebido
por Abraão , de sacrificar seu filho, Isaque, era à
semelhança do sacrifício que Deus faria de seu Filho
Unigênito (veja Jacó 4:5). José, que foi vendido no Egito ,
acabou sendo símbolo ou protótipo de Cristo e do
ministério que realizaria (veja a Leitura 8 - 1 9) . Néfi
declarou que, desde o começo do mundo , todas as coisas
foram dadas para prefigurar ou simbolizar a Cristo e a
expiação que realizaria. (Veja 2 Néfi 1 1 :4.)
Nestes capítulos de Êxodo, encontra-se uma das maiores
e mais profundas prefigurações históricas que podemos
encontrar. A libertação de Israel do cativeiro não somente
é um dos acontecimentos mais dramáticos da história
como também está repleta de significados simbólicos ara
os santos de todas as épocas .
Como preparação para sua leitura desse formidável
evento , considere o seguinte resumo feito pelo Élder Bruce
R. McConkie, sobre seu significado:
"Quando chegou o momento indicado para a libertação
de seus filhos do cativeiro do Egito , o Senhor ordenou que
cada f�mília de Israel sacrifica� se um cordeiro , que
aspergisse o sangue nas ombreiras e nas vergas das portas e
que, p<:>r sete dias, comessem pães asmos - tudo isto para
slmbohzar o fato de que o anjo destruidor passaria aos
israelitas no dia em que tiraria a vida de todo primogênito
das famílias egípcias, e também para demonstrar que, às
pressas , Israel passaria da escravidão para a liberdade.
Servindo de modelo para todas as instruções que Moisés
futuramente receberia do Senhor, os detalhes desse
cerimonial foram estabelecidos para prestar testemunho
tanto da libertação de Israel como de seu Libertador.
Entre outros procedimentos ordenados pelo Senhor e
registrados em Êxodo 12, encontramos os seguintes :
" 1 . 'O cordeiro ou cabrito será sem mácula, macho de um
ano, ' representando com isto que o Cordeiro de Deus
puro e perfeito, sem mancha ou deformidade, na plen'itude
de sua vida, como um Cordeiro pascal, seria morto pelos
pecados do mundo .
"2. Os israelitas deviam tomar do sangue do cordeiro e
aspergi-lo nas ombreiras das portas de suas moradas,
recebendo, em conseqüência deste gesto, a promessa de
que o 'sangue vos será por sinal nas casas em que
estiverdes; vendo eu sangue, passarei por cima de vós, e não
haverá entre vós praga de mortandade, quando eu ferir a
terra � o Egito ' , significando que o sangue de Cristo , que
vertena em gotas no Getsêmani e se derramaria também
da chaga a ser feita em seu peito, quando fosse pendurado
na �ruz, purificaria os fiéis e lhes traria salvação; e que,
assim como os membros da casa de Israel foram
temporalmente salvos em virtude do sangue do cordeiro
sacrificial que foi aspergido nas ombreiras e vergas de suas
portas, também os j ustos, de todas as épocas, lavariam
suas vestes no sangue do Cordeiro Eterno e dele
receberiam perpétua salvação . Podemos dizer ainda que,
assim como o anj o da morte passou pelas famílias
�
israelitas em virtude da fé que possuíam - como disse
Paulo, falando a respeito de Moisés, 'pela fé celebrou a
páscoa. e a aspersão do sangue, para que o destruidor dos
primogênitos lhes não tocasse' (Hebreus 1 1 : 28) - da
mesme. forma, o Anjo da Vida dará a vida eterna a todos
aquele ; que confiarem no sangue do Cordeiro .
" 3 . Quanto ao que se refere à maneira como o cordeiro
deveria ser sacrificado, o mandamento era de que 'nem
dela (d a carne do cordeiro) quebrarei osso (Êxodo 12:46) .
Isto si!:nificava que, quando o Cordeiro de Deus fosse
sacrificado sobre a cruz, embora fossem quebradas as
pernas dos dois ladrões , para apressar-lhes a morte, as
suas nilo seriam partidas , 'para que se cumprisse a
escritu ra: 'Nenhum dos seus ossos será quebrado . '
(João 19 : 3 1 -36.)
"4. \10 que diz respeito ao modo como seria comida a
carne do cordeiro sacrificial, a ordem do Senhor era a de
que 'nenhum estrangeiro comerá dela' , representando
assim que as bênçãos do evangelho são reservadas àqueles
que en tram para o rebanho de Israel, que se filiam à
Igreja, que executam a parte que lhes compete na
sustent ação do reino; significa também que aqueles que
comem de sua carne e bebem de seu sangue, como ele
declarou , alcançarão a vida eterna e serão levantados no
último dia. (João 6:54.)
"5. Assim como 'o Senhor feriu todos os primogênitos
na tern do Egito ' por não terem dado ouvidos à palavra
do Senhor que lhes fora enviada através de Moisés e
Aarão, também o Primogênito do Pai, que dá vida a todos
os que acreditam em seu nome, destruirá as pessoas
munda nas no último dia, aniquilará todos os incrédulos
que se encontram nas trevas de um Egito espiritual, cujo
coração se encontra endurecido como o do faraó e dos
que o cercavam.
"6. No primeiro e no sétimo dia da Festa dos Pães
Asmos, os israelitas deveriam realizar santas vocações e
não se executaria trabalho algum, a não ser a prepara ão
do que haveriam de comer. Tais ocasiões eram usadas para
pregar a palavra, esclarecer, exortar e testificar. Hoje em
dia, as!;istimos às reuniões sacramentais para sermos
edificados no que concerne à fé e testemunho . A antiga
Israel participava de santas convocações com o mesmo
ob� etivo Sabendo que todas as coisas funcionam pela fé,
:
sena a� sim tão inadequado chegarmos à conclusão de que
é tão fiLcil para nós voltarmos nossa atenção para Cristo e
o sangue por ele vertido , a fim de alcançarmos a salvação ,
como era para os israelitas daquela época olharem para o
sangue de um cordeiro sacrificado, aspergido nas
ombrei ras e vergas das portas a fim de lhes proporcionar a
salvaçã o temporal, quando o anj o da morte varreu a terra
do Egil.O?
"Naturalmente foi quando Jesus e os Doze Apóstolos
celebravam a Festa da Páscoa que nosso Senhor instituiu a
ordenança do sacramento, para que servisse
essenci llmente aos mesmos objetivos dos sacrifícios que
vinham sendo feitos há quatro mil anos . Depois daquela
Páscoa final e do subseqüente levantamento na cruz do
Cordei ro Pascal, chegou o tempo em que cessaria por
comple to a celebração daquela festa, outrora requerida.
Numa época futura, Paulo poderia dizer com muita
ç
118
propriedade: 'Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por
nós ' , e dar aos santos a exortação natural decorrent(' desse
conceito: 'Pelo que façamos festa, não com o fermento
velho, nem com o fermento da maldade e da malícia , mas
com os asmos da sinceridade e da verdade. ' (I Coríntios
5 :7-8 . ) " ( The Promised Messiah, pp. 429-3 1 . )
Instruções aos Alunos
1 . Ao ler e estudar Êxodo 1 1 - 19, utilize o auxílio que
as Notas e Comentários podem-lhe oferecer.
2. Complete a seção de Pontos a Ponderar,
conforme as orientações que lhe forem fornecidas pelo
professor . (Os alunos que estudam individualmente
devem completar toda a seção .)
Êxodo 12: 35-36) . Provavelmente alguns desses objetos
foram mais tarde usados na construção do bezerro de ouro
(veja Êxodo 32: 1 -4) e do Tabernáculo (veja Êxodo 35:22-24) . As riquezas com que os egípcios os acumularam
também cumpriu uma promessa feita a Abraão , de que os
filhos de Israel de lá sairiam "com grande fazenda"
(Gênesis 15: 14).
(10-4) Êxodo 12:2. O Início da Contagem dos Meses
NOTAS E COMENTÁRIOS
SOBRE ÊXODO 11-19
Tão significativo seria o evento que estava por
acontecer, que o Senhor ordenou a Israel que o usasse
para marcar o início de seu calendário. Desta forma, o
sagrado calendário das festas e comemorações israelitas
começa com o mês de Abibe (mais tarde chamado de
Nisã), o qual corresponde ao final de março e principio de
abril . O chamado "Ano Novo Judaico " , que pode ocorrer
tanto no mês de setembro como em outubro, começou na
época em que os judeus se encontravam cativos na
Babilônia.
(10-2) Êxodo 1 1 . Qual É o Significado da Ú ltima Praga
que Assolou o Egito?
(10-5) Êxodo 12:8-10. Instruções sobre Como Preparar o
Cordeiro Pascal
Na Leitura 1 0- 1 , o Élder Bruce R . McConkie disCl)freu
sobre as semelhanças existentes entre o castigo sofriclo pelo
desobediente e empedernido Egito, e a morte espiritual
daqueles que se recusam a atender à voz do Primogênito
de Deus. Todavia, há outra comparação que poderíamos
fazer. Na prefiguração da Páscoa, os filhos de Deus
(Israel) encontram-se sob o jugo de um poder maligIlo
(Egito) . Da mesma forma, todos os filhos de Deus nascem
em um mundo onde existe o pecado, e a possibilidac.e de
se encontrarem sujeitos ao cativeiro de Sátanás e do� :
poderes d o mal . (Alguns termos que conotam escra. idão
foram usados em certas escrituras , como 2 Néfi 2:25';
Alma 34: 35; D&C 84:49-5 1 ; Moisés 4:4; 7:26. ) Assim
sendo, o faraó poderia ser considerado como um
protótipo ou símbolo de Satanás . À luz desta verdac.e,
devemos observar também que o instrumento que
finalmente libertou os filhos de Israel do cativeiro do faraó
(o símbolo de Satanás), foi a morte dos primogênit0 5 do
Egito . De idêntíca maneira, o sacrifício expiatório fe ito
pelo Filho Primogênito de Deus libertou os filhos de nosso
Pai Celestial da morte, isto é, de se tomarem escravos de Satanás
O cordeiro devia ser assado ao fogo, e não cozido em
água. A frase "com fressura" significa que as entranhas,
ou órgãos internos, deviam ser assados junto com o
animal . Keil e Delitzsch deram a seguinte tradução para o
versículo 9: "E naquela noite comerão a carne do
(10-3) Êxodo 1 1 :2. Seria Honesto os Israelitas "Pedirem"
Coisas aos Egípcios?
"O termo hebraico sha 'al. . . signifíca pedir, solicitrJr,
exigir, requerer, indagar. Deus ordenou aos israelita:i que
pedissem, ou exigissem uma determinada recompensa
pelos serviços que tinham prestado, e ele abrandou ( I
coração dos egípcios para que lhes dessem uma retribuição
liberal, e esta, longe de ter sido um pagamento pela
opressão e injustiça que cometeram, ou um gesto de
caridade, não era mais que uma recompensa parcial pelos
longos e penosos serviços que aproximadamente seiscentos
mil israelitas haviam prestado ao Egito durante um
incalculável número de anos. Além do mais, não res :a
qualquer dúvida de que, durante o período em que
viveram sob o jugo egípcio, eles não tiveram permiss ão de
possuir nenhuma espécie de propriedade, pois tudo o que
ganharam fícara nas mãos de seus opressores . " (Bib 'e
Commentary, vol . I , p. 307 . )
O povo egípcio , que aparentemente era mais brando que
o inflexível faraó e menos insensível aos poderes de
Moisés , atendeu à solicitação dos israelitas, e estes , ( om
certeza, levaram consigo riquezas em abundância (v(:ja
cordeiro . . . não o comerão cru, nem cozido em água; . . .
mas sim assado ao jogo; a sua cabeça com suas pernas e
sua jressura. " Eles esclareceram que, desta forma, o
cordeiro permanecia " 'completo ou inteiro, de modo que
nem a cabeça ou �s pernas eram cortadas, ou qualquer dos
ossos quebrado (Exodo 1 2:46), e as vísceras eram assadas
dentro da barriga, juntamente com as entranhas' , as quais,
como não poderia deixar de ser, eram previamente
lavadas . . . Temos razão para crer que o mandamento de
assar a carne não se baseava na necessidade de apressar o
processo de cozimento, pois um animal inteiro poderia ser
tanto cozido como assado com a mesma rapidez, e os
israelitas certamente possuíam os utensílios culinários para
assim proceder . A carne devia ser assada, para que
pudesse ser colocada integralmente sobre a mesa, sem que
o cordeiro se desmanchasse ou sofresse qualquer
modificação essencial. 'Através da união e integridade do
cordeiro que lhes fora dado para comer, os participantes
da ceia deviam reunir-se em perfeita união e fraternidade
com o Senhor, que lhes havia providenciado o cordeiro
pascal . ' ' ' (Commentary, 1 :2: 14- 1 5 . )
(10-6) Êxodo 12: 14. E m Que Sentido a Páscoa É uma
Ordenança Perpétua?
"A Festa da Páscoa Judaica foi daquela forma
cumprida por ocasião da crucificação de Jesus Cristo. A
Páscoa foi uma lei dada a Israel que deveria continuar até
a vinda de Cristo; seu objetivo era fazer os israelitas se
recordarem de que ele viria, e que se tornaria o Cordeiro
sacrificial . Depois que Jesus foi crucificado, a lei foi
modificada pelo próprio Salvador, e daquela época em
diante, foi instituída a lei do sacramento. Hoje em dia,
observamos essa lei, ao invés da Páscoa Judaica, pois esta
foi plenamente cumprida com a morte de Jesus Cristo . Ela
era um símbolo que representava a vinda e crucificação do
Salvador, e o cordeiro simbolizava sua morte . . .
" A afirmação contida no Velho Testamento d e que
aquela ordenança deveria ser perpétua, não significa
119
necessariamente que seria comemorada até o final dos
tempos, mas, sim , até o término de um determinado
período . " (Smith , A nswers to Gospel Questions, Vol . V,
pp . 153-54.)
(10-7) Êxodo 12:8, 18-20. Qual é o Sígnificado Simbólico
dos Pães Asmos e das Ervas Amargosas?
O levedo, ou fermento, era considerado na antigüidade
como um símbolo de corrupção, pois facilmente se
deteriorava, embolorando. Jesus usou essa figuração ao
advertir seus discípulos contra o " fermento dos fariseus"
(Mateus 1 6:6) , referindo-se, com isto, à doutrina corrupta
por eles pregada (veja Mateus 1 6:6- 1 2). De acordo com a
lei mosaica, não podia ser usado levedo nas ofertas de
expiação do pecado e de expiação da culpa (veja
Levítico 6: 17), dando a entender que a oferta não podia
conter qualquer corrupção . O ato de os israelitas comerem
pães asmos significava que partilhavam de um pão que
não continha corrupção ou impureza, ou seja, o Pão da
Vida, que é Jesus Cristo (veja João 6:35). A expurgação
de todo levedo existente no seio da família (veja
Êxodo 12: 1 9) representa bela simbologia sobre eliminar-se
todas as impurezas na família. Paulo usou esta alegoria
dos pães asmos ao concitar os santos de Corinto a
eliminarem de sua vida toda espécie de pecado.
(Veja I Coríntios 5 :7-8 .) (Observação: A comparação feita
pelo Salvador, na qual ele diz que o reino dos céus é
semelhante ao fermento misturado em três medidas de
farinha, não se refere à característica que o levedo tem de
corromper-se, mas , sim, a outro de seus aspectos, o que
faz com que a massa cresça ou se expanda (veja
Mateus 1 3 :33).
As ervas amargosas serviam para fazer com que Israel se
lembrasse do amargo e terrível cativeiro que haviam
suportado no Egito.
(10-8) Êxodo 12:37-38. Cerca de Seiscentos Mil Homens
O número aqui mencionado, de seiscentos mil homens,
concorda aproximadamente com o recenseamento oficial
dos israelitas , que se acha em Números 1 :45-46. Nesta
passagem, todavia, a palavra homens diz respeito apenas
às pessoas do sexo masculino de vinte anos e acima,
capazes de ir à guerra. Isto significa que o total de
componentes da multidão poderia facilmente ser de mais
de dois milhões de pessoas . (Veja a Seção Especial E, "O
Problema dos Grandes Números no Velho Testamento" .)
A "mistura de gente" de que fala o versículo 38,
provavelmente se refere às pessoas de outras
nacionalidades que se juntaram ao povo israelita e o
acompanharam no êxodo, com certeza, eram as mesmas
pessoas aludidas em Deuteronômio 29: 10-1 1 , que
executavam serviços braçais para os israelitas . Numa
ocasião posterior, elas também os imitaram em suas
rebeliões contra Deus (veja Números 1 1 :4).
(10-9) Êxodo 12:40. Quanto Tempo os Israelitas
Permaneceram no Cativeiro?
A Bíblia apresenta duas versões do período em que
Israel permaneceu no Egito . De acordo com Êxodo 12:40-41 , ele foi de exatamente 430 anos . Paulo, entretanto, em
Gálatas 3 : 1 7 , parece sugerir que o cativeiro teve a duração
de 430 anos, contados a partir da época em que Abraão
recebeu o convênio, até o dia em que Israel partiu do
Egito, embora talvez estivesse referindo-se a algum outro
fato.
O P,�ntateuco Samaritano, um dos mais antigos
manus :ritos do Velho Testamento , afirma o seguinte:
" Ora, o tempo que os filhos de Israel e seus pais moraram
na terra de Canaã e na terra do Egito, foi de quatrocentos
e trinfl r anos. " (Citado por Clarke, em Bible Commentary,
Vol . I , p . 358.) Entretanto, outros manuscritos igualmente
significativos não apóiam essa ampliação do período .
Ao mostrar a Abraão o futuro cativeiro que Israel
sofreria, o Senhor declarou : "Saibas, de certo, que
peregri na será a tua semente em terra que não é sua, e
servi-lc1s-ão; e afligi-los-ão quatrocentos anos"
(Gênesis 1 5 : 1 3 ; itálicos adicionados) . Esta passagem nos
dá uma sólida evidência de que o período de cativeiro
duraria quatrocentos anos . Um estudioso da Bíblia
escreve u um comentário relativo a estes dois pontos de
vista e concluiu que a idéia de que houve um cativeiro mais
prolon,gado é melhor defendida pelas escrituras . Ele
afirmo u :
"Há alguns anos costumava-se atribuir o êxodo como
tendo ocorrido no século quinze antes de Cristo . Em
I Reis 6: I é dito que transcorreram 480 anos desde o
êxodo ; ité o quarto ano do reinado de Salomão . Isto nos
leva ao século quinze . Além disso, a descoberta das Cartas
de AmIma, escritas no século quatorze, as quais eram
epístolas de príncipes vassalos moradores em Canaã,
dirigidas a Amenófis IV (o famoso Aquenaton), falam de
um grande distúrbio que houve naquela região . Este fato
teve lugar em virtude de o poderio egípcio estar se
enfraquecendo, e também devido ao aparecimento de
bandos de salteadores, chamados ' Hapiru ' . Na mente de
alguns eruditos, os hapiru são associados aos hebreus
invasores de Canaã. Realçando essa suposição, o
Profeswr John Gqsrstang, que escavou e descobriu a
cidade je Jericó, afirmou que ela foi destruída no final da
Idade c.o Bronze, uma época que se enquadra ao que
indicavam as outras evidências . Aquela cidade era, sem
dúvida alguma, a mencionada pela Bíblia como sendo a
primeira conquistada pelos hebreus em Canaã, quando
marcha ram ao redor das muralhas tocando suas
trombetas, fazendo com que desmoronassem . Portanto,
um cert o número de fatores se reuniu para, com certa
segurar.ça apoiar o que parecia ser a data bíblica para o
êxodo . Sugeriu-se, então, que o faraó da época do êxodo
foi Tutnosis I I I (aprox . 1490- 1 435 A.C.) ou Amenófis III
(aprox . 1406- 1 370 A . C . ) .
" Hoje e m dia, esse panorama mudou inteiramente. Um
após olltro, os fatores que apontavam o êxodo como
tendo acontecido numa data anterior, foram considerados
questio �áveis ou demonstrou-se que nada tinham a ver
com a questão. Ao mesmo tempo, surgiram novas
evidências que indicam ter ele ocorrido numa época
posterior: no século treze, ou talvez no início do reinado
de Ram sés II (1 290- 1224 A . C . ) . Êxodo 1 : I 1 nos revela que
o cative iro dos hebreus estava relacionado à reconstrução
das cidades reais de Pitom e Ramessés (Tanis) . A natureza
da escravidão descrita em Êxodo 1 : 14 parece indicar que,
sendo n ômades vivendo próximos aos locais de
constru ção, aquele povo foi arregimentado em grupos de
trabalho. Foram forçados a cultivar os campos que
supririam as cidades com os alimentos de que
necessitavam, bem como a fabricar tijolos para a
constru ;ão dos novos e esplêndidos baluartes reais. As
descobertas arqueológicas , indicam que essas cidades
haviam entrado em declínio na época em que os hicsos
foram e xpulsos do país, mas que foram reconstruídas sob
o reinado de Ramsés I I , ou possivelmente no de seu pai,
Seti I ( 1 309- 1290 A . C . ) . Há também, nos capítulos 20 e 21
'
120
de Números, a declaração afirmando que, quando c's
hebreus tentaram passar por Edom e Moabe, foram
rechaçados e tiveram que seguir ao longo da fronteira que
dividia aquelas duas regiões. Novamente as pesquiséls
arqueológicas recentes podem-nos dizer muita coisa a
respeito dessa área da Transjordânia, e provam que ela
não teve uma população fixa até o século treze. Assim
sendo, antes daquela época, não haveria Edom e Moabe
para recusarem passagem aos hebreus . Além disso, veio à
luz outra evidência escrita, de interesse, para datar c '
êxodo. Trata-se de uma inscrição egípcia comemora rldo as
vitórias conseguidas pelo faraó Mereptá, em Canaã, por
volta do ano 1 220 A.C. Ela faz menção a ' Israel' e, sem
dúvida, é a referência escrita mais antiga a Israel de que
temos conhecimento . .É óbvio que este fato apenas
demonstra a data mais recente que se pode atribuir i i
presença de Israel em Canaã. Porém, a data que se
encontra na inscrição
1 220 A.C. - é consideradél por
muitos estudiosos como deveras significativa, se
considerada à luz de outras evidências existentes, uma das
quais, além das que já foram mencionadas, é a violmta
destruição de inúmeras cidades cananitas, ·ocorrida por
volta do século treze. Teria sido obra dos invasores
hebreus?
" Infelizmente a questão relativa à data em que oc orreu
o êxodo não pode ser determinada com segurança.
Todavia, é grande o peso dos indícios encontrados, e a
maioria dos eruditos da atualidade concordam com a idéia
de que foi Ramsés II, ou possivelmente seu pai, que
endureceu o coração contra os hebreus . " (Frank,
Discovering the Biblica/ World, p . 56.)
-
(10-10) Êxodo 12:43-51. Por Que Não Era Permitid' l) aos
Estrangeiros Comerem da Páscoa?
A Páscoa era uma ordenança e cerimônia que
identificava Israel como sendo uma nação escolhida, um
povo eleito por Jeová, e que, por sua vez, havia tomado a
firme decisão de servi-lo. O Senhor proibiu que
estrangeiros, ou "não-membros" da casa de Israel,
comessem da Páscoa, assim como determinou que "
sacramento só deve ser partilhado pelas pessoas que se
arrependeram, foram batizadas e são dignas (veja 3 Néfi
1 8 : 1 6 , 28-32) . O fato de pârticipar de qualquer uma destas
duas ordenanças, não sendo um membro, implicaria
estar-se renovando convênios que, na verdade, o indivíduo
jamais' havia feito . O Senhor sempre enfatizou, entretanto,
�e, se um estrangeiro " quiser celebrar a páscoa" .
(Exodo 1 2:48), deveria se unir ao povo de Israel pOI meio
da circuncisão ou, no que diz respeito à época atual , ser
batizado (veja 3 Néfi 1 8 : 30, e também o quarto ponto
ressaltado pelo Élder McConkie na Leitura 1 0- 1 ) .
expiação e propiciação de Cristo, da qual tudo isto foi um
símbolo .
"Assim sendo, o Senhor reivindicou aqueles que
salvara, como se por direito lhe pertencessem e,
considerando-os seus, requereu que lhe prestassem
serviços; porém, numa ocasião posterior (Números 8 : 1 6- 1 8) , aceitou a tribo de Levi, em lugar dos primogênitos de
Israel . Como o número de levitas era menor que o de
primogênitos, a diferença teve que ser redimida com
dinheiro, o qual era pago a Aarão, o grande sumo
sacerdote e representante do Sacerdócio Aarônico,
também um levita. (Veja Números 3 : 50-5 1 .) " (Taylor,
Mediation and A tonement" p. 108.)
Um fato de maior significado é a verdade de que Cristo
é o Primogênito dentre todos os filhos espirituais de nosso
Pai Celestial (veja D&C 93 : 2 1 ) . Ele veio ao mundo como
nosso Redentor, pagando o preço requerido de toda a
humanidade, sendo j usto, portanto, que requeira qu� o
sirvamos . Como Paulo declarou , todos os habitantes da
terra foram "comprados por bom preço" (I Coríntios
6:20) .
(10-12) Êxodo 13:9-10
Para explicações mais detalhadas relativa ao
mandamento de pôr o sinal sobre a mão e entre os olhos,
veja a Leitura 1 9- 1 2.
(10-13) Êxodo 13: 17-22
"O caminho que Israel devia seguir era indicado por
uma coluna de fogo, que significava que a presença do
Senhor ia adiante deles . Teriam feito uma jornada mais
'curta, se estivessem preparados para atravessar as terras
filistéias até Canaã . " (Rasmussen, Introduction to the O/d
Testament, Vol. I , p . 80.) A fé que possuíam, entretanto,
ainda não era suficiente para realizarem tal
empreendimento . Deus não exige que alguém prove sua fé
por intermédio de uma pro vação maior do·que pode
suportar (vej a I Coríntios 10: 1 3) . A frase "subiram
armados" (Exodo 1 3 : 1 8) dá a entender que existia
organização, ordem, e provavelmente, preparativos para
defesa contra possíveis ataques . Embora seja
absolutamente espantoso imaginar o que seria conduzir
dois milhões de pessoas através do deserto, este versículo
sugere que não foi uma fuga caótica, mas sim um êxodo
ordeiro.
(10-14) Êxodo 14:4, 8, 17
Joseph Smith alterou a tradução destes versículos,
mostrando que foi o faraó quem endureceu o coração
contra Israel (veja a Leitura 9- 1 6) .
(10-11) Êxodo 13: 1-2, 11-16. Por Que o Senhor Requereu
que Todo Primogênito de Israel lhe Fosse Santificac lo?
(10-15) Êxodo 14: 10-31. P o r Que o Senhor Conduziu Israel
em Direção ao Mar Vermelho?
"Novamente, o Senhor tendo através do sinal da
aspersão do sangue de um cordeiro nas ombreiras e vergas
das portas dos israelitas poupado a vida de todos os
primogênitos de Israel, reclamou-os como seus, para que
prestassem serviços em sua causa . . .
"Porém os primogênitos dos egípcios, para os quais não
fora oferecido um cordeiro, como simbolo da propiciação,
foram destruídos. Foi somente por meio "da propicülção e
expiação que os israelitas foram salvos, quando, sol) as
circunstâncias, teriam perecido juntamente com os
egípcios, que haviam sido condenados, não fosse pela
Alguns estudiosos modernos têm argumentado q1,.le
Moisés não levou Israel diretamente para e através do Mar
Vermelho (no Golfo de Suez, um braço daquele mar), mas
sim que atravessou o "Mar dos Juncos" , já que em
hebraico o termo Yam Suph tem esse significado . Tais
eruditos defendem que a área por eles atravessada foi uma
região baixa e pantanosa, situada às margens dos Lagos
Amargos. (Veja o mapa do Êxodo, na seção de Mapas e
Gráficos.) Eles afirmam que os carros dos soldados
ficaram atolados na lama e que os guerreiros morreram
afogados, quando as águas subiram de nível. Porém os
santos dos últimos dias têm informação segura de que o
121
/
o Mar Vermelho dividiu-se diante da ordem de Moisés
relato contido no livro de Êxodo está correto . Tanto o
Livro de Mórmon como o de Doutrina e Convênios
afirmam categoricamente que o lugar do acontecimento
foi o Mar Vermelho (veja 1 Néfi 1 7 : 24-27 ; D&C 8:3).
Êxodo 14:22, 29 ensina que "as águas foram-lhe como
muro à sua direita e à sua esquerda" , significando com
isto que se tratava de algo mais difícil que a simples
travessia de uma área lodosa, que se havia tornado seca
por um vento súbito.
O Senhor teve, provavelmente, dois motivos para
conduzir Israel através do Mar Vermelho . Primeiro , com
aquele ato, ele demonstrou aos israelitas uma portentosa e
surpreendente prova de seu poder de proteção . Ele foi o
único guerreiro nesta batalha travada contra um dos mais
formidáveis exércitos do mundo . Este evento, portanto,
foi o prelúdio da razão que teria, daquele momento
em diante, de exigir que Israel confiasse nele e lhe prestasse
obediência. Em segundo lugar, chegando ao término da
peleja, o poder do exército egípcio fora completamente
destruído. Como os egípcios tiveram que passar um longo
tempo reconstruindo suas forças, isto permitiu que Israel
vivesse livre de qualquer ameaça, até conseguir estabelecer­
-se na t �rra prometida.
Paul, ) ensinou que a travessia do Mar Vermelho e a
proteção oferecida pela nuvem ou coluna de fogo eram
protótipos ou símbolos inequívocos do batismo da água e
do foge, (veja I Coríntios 10: 1 -4) .
(10-16) Êxodo 15:�. "E o Povo Murmurou contra
Moisés"
A palavra murmurou, citada mais de vinte vezes de
formas várias nos registros das peregrinações de Israel, é
usada r,e la priIl}eira vez neste versículo . Esse mau costume
de murmurar parece ter sido uma das características
domina ntes dos israelitas, e tornou-se a raiz de alguns
problemas que tiveram de enfrentar. Ela é usada quase a
mesma quantidade de vezes para descrever a atitude
rebelde de alguns membros da colônia de Leí, ao
viajarem através daquela mesma área deserta, depois
que partiram de Jerusalém.
O ato de murmurar, em vez de ser uma expressão franca
de crítica e interesse sincero, visando resolver um
122
problema, é uma reclamação constante e prejudicial feita
nos bastidores . Tal problema não era comum apenru: entre
os israelitas, ou Lamã e Lemuel. Existe também entre os
santos dos últimos dias na época atual. O Élder Mar ion G.
Romney declarou :
"Gostaria d e chamar vossa atenção para o princíJ: io da
lealdade; lealdade à verdade e aos homens escolhido:; por
Deus para conduzir a causa que a defende. Falo da
'verdade' e de tais 'homens' ao mesmo tempo, porque é
impossível aceitar plenamente a primeira e rejeitar em
parte, os segundos.
"Levanto minha voz para advertir-vos e aconselhar-vos
a estarem atentos contra o criticismo . . . Ele provém, em
parte, de pessoas que ocupam, ou um dia já ocuparellIl,
posições de destaque no reino do Senhor. Os indivíd uos a
que me refiro muitas vezes se encontram ostensivam, �nte
em boa situação perante a Igreja, e ao manifestarem seus
sentimentos, costumam dizer: 'Não esqueça que tarr.bém
somos membros da Igreja, e nossos pontos de vista devem
ser levados em consideração . '
"Eles acham que alguém pode gozar de plena harnonia
com o espírito do evangelho, desfrutar de todos os
privilégios dentro da Igreja, e, ao mesmo tempo, est u em
desacordo com os líderes eclesiásticos e com os consdhos e
instruções que eles transmitem. Semelhante atitude (:
deveras inconsistente, pois as orientações que esta IE reja
recebe provêm não somente da palavra escrita, mas de
revelação contínua, e o Senhor a concede à Igreja através
dos líderes que escolheu, e de ninguém mais. Portanto,
aqueles que afirmam aceitar o evangelho e que
veladamente criticam os líderes e se recusam a segui! os
conselhos que deles emanam, estão na verdade assumindo
uma posição indefensável. (Em Conference Report, abril
de 1 942, pp . 1 7 - 1 8 . )
O Presidente David O . McKay esclareceu o
relacionamento direto que existe entre o criticismo e o ato
de murmurar, com a seguinte declaração:
"Na Igreja, às vezes, encontramos dois grupos de
pessoas : os edificadores e os murmuradores. Que cada um
pergunte a si mesmo: 'A que grupo pertenço? '
Somos chamados para realizar tarefas. Quando a
liderança do sacerdócio e das auxiliares introduz
programas novos, muitos dos membros afirmam: ' S im ,
nós o faremos. Colaboraremos com este novo programa. '
Mas, algumas vezes ouvimos um murmúrio, alguém que
está sempre à procura de faltas, e que diz: 'Não . Não
podemos fazer isto . ' Julgando motivos incorretamente,
alguns logo se identificam com Lamã e Lemuel, ao invés
de estarem com Néfi, cujas ações expressam o desejo de
seguir a voz de Deus. (Ver 1 Néfi 1 7 : 1 7 e versículos
seguintes .)
Observemo-nps e sejamos fiéis aos exemplos dados por
nossos líderes. As vezes ouvimos a advertência: 'Nã,)
falem contra as autoridades. ' O que significa isto?
Significa - 'não sejam murmuradores' . Falar contra a
liderança do sacerdócio e das auxiliares é uma das coisas
mais venenosas que podem ser introduzidas no lar de um
santo dos últimos dias. Por que os líderes são chamados
para ocupar certas posições? Para beneficio próprio ? Não,
é impossível apontar um só exemplo nesta Igreja em que
uma pessoa foi chamada para seu benefício pessoal.
Quando se faz um chamado, é com o propósito de
abençoar alguém, alguma classe, ou a humanidade em
geral. Esta é a missão de cada membro, desde o Pre,idente
da Igreja até o último dos conversos. A posição de cada
um tem o propósito de edificar, abençoar, estabelecer a
retidão, a pureza e a virtude entre os homens. " (Quatro
marcos de Orientação, A Liahona de julho de 1 969, p. 4.)
(10-17) Êxodo 16: 1-35; 17: 1-7. Que Lições Deus Procurou
Ensinar a Israel pela Forma Com que Lhes Deu Água e
Maná?
"O Senhor usou o maná com a finalidade de ensinar
lições tanto de edificação espiritual como de sustento
físico . Ele ensinou a Israel que, no momento em que lhes
faltou outras espécies de alimento ('te deixou ter fome'
Deuteronômio 8:3), o fornecimento diário de maná devia
'dar a entender que o homem não viverá só de pão, mas de
tudo o que sai da boca do Senhor' (Deuteronômio 8 : 3 ,
compare com o verso 1 6) . Deus forneceu o maná durante
seis dias, mas não no sétimo, para ensinar ao povo
escolhido o princípio da obediência, e condenava-os
sempre que agiam em contrário ao que ensinara (veja
Êxodo 1 6 : 19, compare com os verso 20, 25-30) . Jesus
Cristo utilizou-se do maná, o 'pão que desce do céu ' ,
como uma representação d e s i mesmo, o verdadeiro pão
da vida, e ressaltou o contraste marcante que existia entre
a substância física do maná e o simbolismo relativo a ele:
'vossos pais comeram o maná no deserto, e morreram'
(João 6:49), mas ele podia dizer: 'Eu sou o pão da vida . . .
que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para
sempre. ' (João 6:35, 5 1 , compare com os verso 26-59 et
passim.) (Douglas , New Bible Dictionary, p. 780.)
A declaração de Paulo, que se encontra em
I Coríntios 10: 1 -4, esclarece o que o Senhor estava
procurando ensinar a Israel sobre Cristo, quando lhes
forneceu tanto a água como o maná de que necessitavam.
O Élder Bruce R. McConkie fez um comentário bastante
esclarecedor com referência ao ensinamento de Paulo:
"Cristo é o pão que desceu do céu, o Pão da Vida, o
maná espiritual, do qual os homens devem comer para
alcançar a salvação. (João 6:3 1 -58.) É a bebida espiritual,
a água viva, a água da vida que a humanidade deve beber,
para que nunca mais tenha sede. (João 4:6 1 5 .) "
(Doctrinal New Testament Commentary, Vol. II, p . 3 5 5 . )
O "maná escondido" , mencionado por. João em
Apocalipse 2: 1 7 , foi explicado pelo Élder McConkie como
sendo "o pão da vida, a boa palavra de Deus, as doutrinas
daquele que é o Pão da Vida - todas as quais se acham
ocultas da mente carnal. Aqueles que dele comem jamais
terão fome, e eventualmente serão herdeiros da vida
eterna. " (Doctrinal New Testament Commentary, Vol.
III, p. 45 1 .)
-
Um oásis no
deserto do Sinai
123
"Aarão e Hur sustentam as mãos de Moisés "
(10-18) Êxodo 17:8-16. Por Que o Senhor Ordenou a
Moisés que Destruísse os Amalequitas?
Os amalequitas provavelmente eram descendentes de
Esaú (veja Gênesis 36: 1 2, 1 6) . Eles atacara� o � israelitas
da maneira mais vil e covarde, matando pnmelramente as
pessoas débeis, fracas e fatigadas que se encontravam na
retaguarda da peregrinante nação (veja
Deuteronômio 25 : 1 7- 1 9) . Em virtude dessa falta de
respeito para com Deus, os amalequitas foram .
amaldiçoados pelo Senhor, e �gum tempo de�?ls, os
. .
israelitas foram ordenados a nscar totalmente a memona
de Amaleque de debaixo dos céus (Êxodo 1 7 : 14) .
Nesta primeira batalha que travaram contra u m outro
povo , Israel novamente demonstrou gr�nde fal�a de
.
confiança em Deus. Somente quando Viam MOlses
.
empunhando a vara, o símbolo de autoridade, consegUiam
sobrepujar seus inimigos . O Presidente Harold B. Lee
pôde discernir 'o significado simbólico deste evento e
aplicou-o à época atual:
"Penso ser esse o trabalho que o Presidente Tanner e eu
temos de realizar. As mãos do Presidente Smith poderão
cansar-se. Poderão começar a cair ao seu lado, por causa de .
suas pesadas responsabilidades; mas enquanto nós a
seguramos, e enquanto liderarmos sob a sua direção, do
seu lado, as portas do inferno não prevalecerão contra
vocês e contra Israel.
"A � :egurança de vocês e a nossa dependem da manei:a.
como s eguimos aqueles que o Senhor colocou para presidir
sobre esta Igreja, que é sua. Ele conhece a quem quer que
presida sobre esta Igreja, e não cometerá erros. O Senhor
não fcu: as coisas por acaso . Jamais fez alguma coisa
acident almente . E penso que os cientistas e os filósofos do
mundo jamais descobriram ou aprenderam qualquer coisa
que o �:enhor Deus já não soubesse. Suas revelações são
mais poderosas, mais significativas e têm mais conteúdo
que todo o aprendizado secular do mundo .
"Mantenhamos nossos olhos sobre o Presidente da
Igreja e sustentemos suas mãos, como o Presidente Tanner
e eu co ntinuaremos a fazer. " ("Su3tentem as Mãos do
Preside nte da Igreja" , Discursos da Conferência Gera/,
outubro de 1 970, p . 83.)
(10-19) Êxodo 17: 14
Que evidência temos de que Moisés realmente registrou
as informações que passaram às épocas posteriores , e que
refutam a idéia defendida por algumas pessoas, de que a
124
Bíblia é baseada em tradição oral e que seus eventos foram
escritos muito depois do tempo em que ele viveu?
dO-lO) Êxodo 18
"Jetro deu a Moisés um conselho muito proveitos' D,
quando lhe sugeriu que organizasse os líderes em uni dades
de dez, cinqUenta, cem e mil, para que instruíssem e
julgassem o povo em todos os assuntos, exceto os mais
dificeis, que seriam, quando necessãrio, apresentados a
tribunais inferiores e superiores, até chegarem a Moi ,és,
que se encontrava à cabeça de Israel. Moisés demomtrou
possuir um notável sentimento de humildade e sabedoria,
ao aceitar o conselho do velho sacerdote. (Podemos
encontrar a utilização moderna de idêntica espécie de
organização registrada em D&C 1 36.)" (Rasmussen,
Introduction to the Old Testament, Vol . I, pp. 82-83 .)
Na tradução de exodo 1 8 : 1 , Joseph Smith declara que
Jetro era "o sumo sacerdote de Midiã" (itálicos
acrescentados), confirmando o ensinamento que se a .cha
em Doutrina e Convênios 84:6-7, de que Jetro possu ía o
Sacerdócio de Melquisedeque.
(10-21) Êxodo 19:5.
Uma "Propriedade Particular' ;
A palavra original, tanto em grego como em hebraico,
significa "posse , riqueza, propriedade, particular, que é
separada ou posta em reserva; a idéia principal que da
transmite é a de que se trata de algo escolhido, precioso e
estimado, a que muito se estima e zelosamente se .
pteserva . " (Wilson , Old Testament Word Studies, p. 305 .)
(Veja Deuteronômio 14:2; I Pedro 2:9.)
(10-22) Êxodo 19:10-25. "Moisés ... Procurou
Diligentemente Santificar o Seu Povo para
que Pud, ssem
.
Ver o Rosto de Deus" (D&C 84:23 .)
" Se Israel tivesse aceitado todos os privilégios que lhe
foram oferecidos naquela ocasião, e seguisse os cons elhos
que teriam qualificado aquele povo a receber o
cumprimento de todas as promessas feitas por Deus,
teria conseguido obter a maior de todas as revelaçõe: ; : O
Senhor se ofereceu para descer diante dos olhos de tl xlo o
povo e permitir que o ouvissem na Ocasião em que falasse
com Moisés, para que soubessem por si mesmos qual era a
sua vontade e a sua lei, acreditassem nas revelações que
Moisés futuramente receberia, e temessem ainda ma:,s ao
Senhor (compare com DeuteronÔmio 4: 10). Observe a
necessidade de haver uma preparação especial do povo,
em termos de limpeza e dedicação espiritual, para que
pudesse desfrutar dessa extraordinária experiência.
"Ao sinal predeterminado, que era um toque longo de
buzina, todos os que se encontravam no arraial
estremeceram, tomados de assombro; mas,
aparentemente, não estavam ainda preparados para subir
ao Senhor' , no monte onde Moisés se encontrava, pois
Deus lhe ordenou que descesse e instruísse o povo a não
subir. Os indícios que nos esclarecem por que isso
aconteceu, encontram-se no capítulo seguinte do exodo,
em 20: 1 8-19, e também em D&C 84:21 -25 . Embora os
corações dos israelitas ainda não estivessem inteiramente
preparados para suportar a presença do Senhor, eles
ouviram a voz e as palavras proferidas por Deus na
ocasião em que foram dados os Dez Mandamentos, como
veremos em outro lugar, ao estudarmos os comentários de
despedida, em Deuteronômio 4: 10, 12, 33, 36; 5:22-26.
"(A apresentação dos Dez Mandamentos em tábuas de
pedra será relatada em outro ponto da narrativa, em
exodo 3 1 : 1 8 ; 32: 1 5 , 19. Sobre o segundo conjunto de
tábuas, preparado depois que o primeiro havia sido
quebrado, trataremos ao abordar exodo 34: 1 em diante .)"
(Rasmussen, Introduction to the Old Testament, Vol . I ,
.
p . 83.) .
PONTOS A PONDERAR
(10-23) A Páscoa judaica ocorreu há mais de três mil anos ,
mas ainda é comemorada pot aquele povo em todas as
partes do mundo . Ap6s o sacrifício expiatório efetuado
pelo Salvador, os cristãos não a celebram mais ; contudo '
ainda a consideramos como um dos eventos mais
significativos para os santos de todas as épocas . Faça de
conta que esteve presente naquela memorável noite e nos
dias que se seguiram, e que costuma manter um diãrio
fielmente. Numa folha de papel (ou em seu próprio diário,
se assim desejar), registre o que sentiria, se houvesse
l2articipado dos grandiosos acontecimentos descritos em
Exodo 1 1 -19. Não anote o que aconteceu, mas o que teria
pensado e sentido na ocasião. Faça todo o possível para
escrever no mesmo estilo em que registra os eventos de sua
vida em seu diário.
Êxodo 20
Os Dez Mandamentos
(11-1) Introdução
Muitas pessoas da época atual, e até mesmo alguns
cristãos, parecem pensar que os Dez Mandamentos faziam
parte somente da dispensação de Moisés , e não de todo o
evangelho . Ao iniciar o estudo desses dez princípios
revelados há mais de três mil anos, pergunte a si mesmo
quão importante acredita que eles sejam hoje em dia. Será
que realmente fazem parte do evangelho , ou eram
destinados apenas aos antigos israelitas? Esta pergunta é
de vital importância para você. Cecil B. DeMille, produtor
do filme Os Dez Mandamentos, fez a seguinte observação :
"As pessoas que mal conhecem a Bíblia ou a natureza
humana, ao assistirem ao meu filme, provavelmente verão
retratada na orgia feita ao redor do bezerro de ouro, .
apenas o fruto da imaginação prodigiosa de Hollywood .
Contudo, os que possuem um entendimento maior, serão
capazes de aprender a terrível lição sobre quão
rapidamente uma nação ou um homem pode decair sem a
lei de Deus .
"Se a humanidade se recusar a ser guiada por Deus,
certamente o será por tiranos - e não existe tirania mais
despótica ou devastadora que o próprio egoísmo do
homem, sem a lei .
"Não podemos quebrar os Dez Mandamentos . Tudo o
que podemos fazer é aniquilarmo-nos contra eles; ou
então, cumprindo-os zelosamente, elevarmo-nos até
conseguirmos alcançar a plenitude da liberdade regidos
por Deus . O Senhor nos criou para que fôssemos livres .
Com coragem divina, deu-nos o poder de escolha. "
(Commencement A ddress, Brigham Young University
Speeches of the Year, Provo, 3 1 de maio de 1 957.)
Instruções aos Alunos
1 . Ao ler e estudar Êxodo 20, utilize o auxílio que as
Notas e Comentários podem oferecer-lhe.
2. Complete a seção de Pontos a Ponderar;
conforme as orientações que lhe forem fornecidas pelo
professor. (Os alunos que estudam individualmente
devem completar toda a seção.)
NOTAS E COMENTÁRIOS
SOBRE ÊXODO 20
(11-2) Êxodo 20: 1-17. As Dez Grandes Pedras
Fundamentais
Talvez a maior evidência do quanto os Dez
Mandamentos são importantes, se encontre no fato de que
eles se acham mencionados em três de nossos livros­
-padrão . Além da primeira vez em que foram dados (veja
Exodo 20), Moisés os repetiu, ao fazer um resumo das
experiências vividas por Israel no deserto (veja
Deuteronômio 5 : 6-2 1 ) . O profeta Abinádi citou-os perante
os iníquos sacerdotes do Rei Noé (veja Mosias 1 3 : 1 2-24), e
assim eles se encontram também no Livro de Mórmon . E
finalmente, embora não se encontrem na forma exata
como aparecem nas demais escrituras, os mesmos
princípios acham-se no Novo Testamento (veja
11
1
Mateu:: 5 : 1 7-37) e em Doutrina e Convênios (veja
D&C � 2 : 1 8-29; 59:5-9) . Quando o Senhor dá ênfase a
algum �nsinamento, repetindo-o diversas vezes, é sinal de
que é muito importante. O Élder Mark E. Petersen
declamu:
"Co m seu próprio dedo, o Senhor escreveu os Dez
Mandamentos sobre tábuas de pedra. Eles representam a
lei bási,;a do Todo-poderoso, e desde que foram entregues
à humwidade, têm-se constituído nos elementos
fundamentais da lei civil e religiosa que o mundo cristão
conhec � .
"Eles são d e suprema importância e m nosso
relacionamento com Deus . São uma parte integral do
evange:ho restaurado de nosso Senhor Jesus Cristo,
essenciais para que nos tornemos perfeitos como é perfeito
nosso Pai Celestial (D&C 42; D&C 59).
"Na ; normas estabelecidas em Levítico e Deuteronômio
acham· se variações dessas leis, ao serem aplicadas a
assuntCtS específicos; mas, geralmente, elas fornecem o
alicercf' para toda conduta humana adequada. " (Moses,
p. 1 1 0. )
Este�: mandamentos mostram ao homem que ele possui
três pri :>ridades básicas em sua vida. Os primeiros quatro
demon:;tram qual deve ser o seu relacionamento correto
com D,:us . O quinto evidencia quão importantes são a
família e um relacionamento familiar apropriado. Os
últimm cinco regulamentam a conduta que o homem deve
ter para com seus semelhantes. A pessoa que toma a firme
determ inação de aperfeiçoar o relacionamento que tem
com Deus, a família e seu próximo, está bem adiantada no
caminh o que a levará a ser perfeita em todas as coisas .
(11-3) í txodo 20:2-3. "Não Terás Outros Deuses Diante de
Mim "
O pr imeiro mandamento dá ao homem a prioridade de
sua vid a. Se Deus não estiver em primeiro lugar, então
todas as outras coisas serão influenciadas por isso . Em
nossa e xistência, nada pode vir antes de Deus, ou ter
priorid,lde sobre ele, nem mesmo as coisas que mais
amamc's, como nossa família, e até mesmo a própria
vida. C risto ensinou especificamente este princípio a seus
discípu los : "Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim
não é d igno de mim; e quem ama o filho ou a filha mais
do que a mim, não é digno de mim" (Mateus 10:37). E
declaro u nesta dispensação : "Portanto, não receeis os
vossos inimigos, pois diz o Senhor, no meu coração
decretei que vos provarei em todas as coisas, para ver se
permanecereis no meu convênio , mesmo até a morte, para
que sej lis considerados dignos . " (D&C 98: 14- 1 5 . )
"De'Js não nos favorecerá, s e o colocarmos e m segundo
lugar em nossa vida, e nos decidirmos a andar em busca
das coi ias do mundo , não importa quão importante nos
pareçam.
"O mandamento do Salvador foi este: 'Mas buscai
primeil O o reino de Deus e a sua justiça . ' (Mateus 6:33 .)
Nas revelações dadas ao Profeta Joseph Smith , o Senhor
ensinoll que devemos ter os olhos fitos na glória de Deus .
(D&C :!7:2; 5 5 : 1 ; 59: 1 ; 88:67 . ) " (Petersen, Moses, p . 1 1 1 . )
128
À princípio, pode-se pensar que essa exigêncía que Deus
faz, de que seus filhos lhe prestem exclusiva reverênc ia e
adoração, pareça um tanto egoísta; porém devemos ter
dois fatos em mente: primeiro, na posição de Senhor e
Criador de todo o universo , e como o ser que possui todo
o poder, conhecimento e glória, Deus não necessita da
veneração e honra que os homens lhe dedicam, para
aumentar a sua divindade . Assim sendo, seu excessivo zelo
não tem a finalidade de proteger ou assegurar sua eh:vada
posição .
A segunda coisa que devemos lembrar é que o Senhor
ensinou a Moisés que a obra de Deus é "proporcionar a
imortalidade e vida eterna ao homem" (Moisés 1 : 39\
Toda vez que seus filhos dão maior valor a qualquer coisa,
por menor que seja, que a Deus, nesse momento começam
a frustrar os desígnios que o Senhor tem para com el es .
Deus é a única fonte de poder e conhecimento capaz de
nos salvar. Quando colocamos alguma coisa acima dele,
tal atitude diminui nossa habilidade de utilizar aquel e
poder e conhecimento em benefício da nossa salvação. Foi
por este motivo que ele, em primeiro lugar, e acima de
tudo, disse a seus filhos: "Não terás outros deuses d lante
de mim" (Êxodo 20:3).
Um conhecido estudioso da Bíblia fez o seguinte
comentário a respeito desse princípio: "Este mandamento
proíbe toda espécie de idolatria mental e todo apego
exagerado aos bens terrenos, e a coisas que apelam �, ara os
nossos sentidos . . . . Deus é afonte dafelicidade, e
nenhuma criatura inteligente pode ser feliz, exceto através
dele . . . O primeiro mandamento de toda a série que de deu
foi divinamente calculado com o fim específico de evitar a
miséria humana e promover a sua felicidade, afastan do­
-nos de sermos sujeitos a coisas falsas, e conduzindo -nos a
Deus, que é a fonte de todo bem. " (Clarke, Bible
Commentary, Vol . I, pp . 402-3.)
(11-4) Êxodo 20:4-6. "Não Farás para Ti Imagem
Esculpida"
No prefácio de Doutrina e Convênios, o Senhor
declarou que uma das características do mundo atual é a
de que "cada um segue o seu próprio caminho, segu ndo a
imagem de seu próprio Deus, a qual é à semelhança jo
mundo, e cuja substância é a de um ídolo" (D&C 1 : 1 6) .
Referindo-se a o mal d a idolatria, o Élder Spencer W .
Kimball ensinou:
"A idolatria que mais nos preocupa neste momemo é a
adoração consciente de outros deuses . Alguns são df'
metal, veludo e cromo, de madeira, pedra e pano . Não são
feitos à imagem de Deus ou do homem, mas são
desenvolvidos para proporcionar conforto e satisfaçüo ao
ser humano, para satisfazer seus caprichos, ambiçõe:;,
paixões e desejos. Alguns não têm forma física, são
intangíveis.
"Os ídolos ou os falsos deuses modernos podem adotar
as formas mais variadas, tais como roupas, casas,
negócios, máquinas, automóveis , barcos e inúmeros
outros desvios materiais que conduzem para longe da
trilha que leva à divindade. Que diferença faz que o )bjeto
de adoração não tenha a forma de um ídolo? Brigham
Young disse: 'Preferiria ver um homem adorando a Jm
pequeno deus de metal ou de madeira a vê-lo adoran do
suas propriedades. (Journal of Discourses, Vol. VI,
p. 1 96.)
" As çoisas intangíveis podem prontamente tornar··se
ídolos. Diplomas e títulos podem tornar-se ídolos. Muitos
j ovens preferem ir para a faculdade quando deveriam
primeiro fazer missão . O diploma universitário e a
prosperidade e segurança que ele proporciona, parecem
tão desejáveis, que a missão fíca em segundo lugar. Alguns
negligenciam o serviço da Igreja durante os anos em que
estão na universidade, preferindo o treinamento secular e
ignorando os convênios espirituais que fizeram.
"Muitas pessoas constroem a casa, mobiliam-na e
compram o automóvel primeiro - e depois descobrem
que "não podem" pagar o dízimo . A quem elas adoram?
Certamente não é ao Senhor do céu e da terra, pois
servimos a quem amamos e consideramos em primeiro
lugar o objeto de nossa afeição e desejos. Os jovens casais
que adiam a paternidade até obterem seus diplomas
universitários, talvez ficassem chocados se a preferência
que demonstram fosse rotulada de idolatria. Essa
racionalização lhes traz diplomas às custas de filhos . Será
que essa é uma mudança justificável? A quem eles amam e
adoram - a si mesmos ou a Deus? Outros casais,
reconhecendo que a vida não tem o objetivo primário de
proporcionar conforto, facilidades e luxos, completam
seus cursos ao mesmo tempo que progridem em todos os
setores, tendo seus filhos e trabalhando em prol da Igreja e
da comunidade.
"Muitos adoram as caçadas, as pescarias, as férias, os
piqueniques de fim de semana etc . Outros têm como seus
ídolos os esportes como o basebol, o futebol, as touradas
ou o golfe. Esses prazeres quase sempre interferem com a
adoração ao Senhor e com a prestação de serviço para a
edificação do reino de Deus . Aos que participam desses
esportes, talvez essa ênfase não pareça tão séria;
entretanto, indica onde depositam a sua fidelidade e
obediência.
"Ainda outra imagem que os homens adoram é a do
poder e prestígio. Muitos pisarão nos valores espirituais e
mesmo éticos em sua escala rumo ao sucesso . Esses deuses
do poder, da prosperidade e influência têm tanta procura e
são quase tão reais como os bezerros de ouro feitos pelos
filhos de Israel no deserto . " (O Milagre do -Perdão,
pp . 48-49.)
(11-5) Êxodo 20:5. "Eu, o Senhor Teu Deus, Sou Deus
Zeloso"
A raiz hebraica kanah denota "ardor, zelo, cuidado "
(Gesenius, Hebrew and English Lexicon of the Old
Testament, p. 888) . Deste modo, a implicação desta frase é
a de que o Senhor abriga em seu coração "sentimentos
profundos e sensíveis" em relação à idolatria
(Êxodo 20:5). A razão é bem clara. É somente em Deus
que reside o poder de salvar a humanidade. Qualquer
espécie de adoração falsa, portanto, coloca o pecador
longe do alcance de tal poder. Considerando que Deus
ama a seus filhos, e tudo o que deseja é o eterno bem-estar
deles, o Senhor neste sentido é zeloso (isto é, muito
enérgico) no que concerne a qualquer adoração falsa ou vã
praticada por seus filhos .
(11-6) Êxodo 20:5-6. O Senhor Pune os Filhos pela
Iniqüidade dos Pais?
Uma explicação para o versículo 5, "visito a iniqüidade
dos pais nos filhos" , é que os filhos certamente seriam
prejudicados, caso aprendessem e seguissem os caminhos
pecaminosos dos pais; mas veja o que (jiz o versículo 6
sobre os que se arrependem e servem ao Senhor.
(ÊXOdo 20: 5-6; veja também D&C 1 24: 50-52; 98 :46-47 .) A
respeito daqueles que se arrependem e voltam a servir o
Senhor (Êxodo 20:5 , veja também D&C 1 24: 50-52;
98:46-47).
129
As encostas íngremes do Monte Sinai
(11-7) Êxodo 20:7. "Não Tomarás o Nome do Senhor Teu
Deus em Vão "
Há dois aspectos importantes neste mandamento .
Primeiro, o terceiro mandamento implica que os filhos do
Senhor devem ter uma atitude de profunda reverência no
que diz respeito ao seu nome .
"Este preceito não somente nos proíbe de proferir falsos
juramentos, mas também dizer qualquer frase corriqueira
em que o nome de Deus é usado, ou invocá-lo como
testemunha da verdade. Proíbe-nos; também, de toda a
menção vã e irreverente de Deus ou de quaisquer de seus
atributos . " (Clarke, Bible Commentary, Vol . 1 , p. 404.)
Numa época em que a profanidade domina a
conversação do mundo , seria proveitoso nos lembrarmos
da advertência feita pelo Senhor, de que não considerará
sem culpa tais indivíduos. O Élder LeGrand Richards
decl�rou o seguinte acerca da profanidade:
"E difícil compreender como uma pessoa possa ser leal
e sincera no relacionamento que tem com Deus através da
oração , procurando ser por ele abençoada, e ao mesmo
tempo ser tão desrespeitosa a ponto de tomar seu nome em
vão .
"A profanidade é incompatível com o sentimento de
reverência. Certamente nesta época crítica de nossa
história, quando necessitamos tanto do auxílio
indispensável de Deus , devemos fazer todo o possível para
não ofendê-lo através de nossa linguagem . Incentivamos
os jovens da Igreja, de todas as partes do mundo, a terem
sagrada reverência pelo nome da Deidade , para que
possam viver de maneira aceitável perante o Senhor, de
modo que, quando surgir uma ocasião em que precisem de
seu alentador apoio, possam dirigir-se a ele com a
consciência tranqüila e invocar sua ajuda, certos de que
serão atendidos . " (Em "The Third Commandment" , The
Ten Commandments Today, pp . 52-53.)
Há uma implicação adicional neste mandamento .
Fundamentalmente o ato de vivermos o evangelho implica
fazermos votos e convênios com Deus . Ao ser
batizada, a pessoa faz o convênio de tomar sobre si o
nome de Cristo (veja D&C 20:37). Se ela esquecer-se do
j uramento solene que fez naquele momento, terá tomado
o nome do Senhor em vão . Perante os altares do templo,
homens e mulheres juram solenemente cumprir
compromissos sagrados . Todavia, se, ao de lá saírem,
passarem a viver como se não tivessem feito tais
promessas , estão violando o terceiro mandamento, mesmo
que não usem profanamente o nome do Senhor. Aqueles
que participam do sacramento a cada semana, sem dar o
mínim(i valor ao significado do convênio que fizeram, de
tomar � obre si o nome de Cristo, de guardar os
mandamentos que ele lhes deu e de sempre se recordarem
dele, estarão tomando o seu nome em vão . Essa falta de
conside ração para com as coisas sagradas se constitui em
leviand lde à vista do Senhor . Ele mesmo nos ensinou
numa r �velação moderna: "Portanto, que todos os
homen�; se acautelem como tomam em seus lábios o meu
nome -- Pois eis que na verdade eu digo que muitos há
que estio sob essa condenação, que usam o nome do
Senhor , e usam-nos em vão , não tendo autoridade. "
(D&C (;3 : 6 1 -62.)
Além dos votos e convênios religiosos, muitos atos
formai�, da sociedade moderna utilizam juramentos e
comprCtmissos solenes . No entanto, estes votos são
freqüertemente desfeitos ou relegados. Sem dúvida
alguma, a violação de tais juramentos é também uma
violaçã,) do terceir.o mandamento .
(11-8) Í :xodo 20:8- 1 1 . "Lembra-te do Dia do Sábado,
Para o Santificar"
A do utrina do Dia do Senhor é ensinada em muitos
lugares das escrituras e inclui os seguintes conceitos de
inquest ionável importância:
1 . Este mandamento tem a dupla finalidade de
incenth'ar tanto o trabalho como a adoração . Ele nos
ordena que devemos trabalhar seis dias e descansar no
sétimo . Em outros lugares das escrituras , condena-se o
ocioso e ressalta-se o valor da industriosidade (veja
D&C 4 �:42; 56: 1 7 ; 60: 1 3 ; Alma 24: 1 8 ; 38: 12) .
2. A lei sobre o Dia d o Senhor foi dada como u m
símbolo o u sinal d o dia d e descanso que o s deuses
desfrutaram após haverem completado a obra da criação .
A palana hebraica Schabat significa "repouso " , ou
"cessanento do trabalho " . O fato de que o Dia do Senhor
está dir,�tamente relacionado à criação do mundo é
evident,� não apenas neste mandamento , mas também em
outras escrituras, como Gênesis 2: 1 -2 e Êxodo 3 1 : 1 7 .
3 . S o b a dispensação d e Moisés, a violação d o dia do
Sábado era um crime capital (veja Êxodo 3 1 : 14- 1 5). Um
renomado estudioso da Bíblia fez um importante
coment ário a respeito da razão pela qual se aplicava tão
extremo castigo a esse pecado:
"A p ena de morte, aplicada à violação do Dia do
Senhor na época do Velho Testamento , nos dá a entender
dois aspectos fundamentais desse mandamento . Primeiro,
a lei do Dia do Senhor envolve um princípio tão
importante e básico, que a sua violação constitui ofensa
capital. Segundo , ela nos transmite também a idéia de que
a violação dos preceitos relativos ao dia santificado
implica por si mesma uma espécie de morte, isto é, que a
transgn:ssão produz a morte. Os profetas deixaram bem
claro este aspecto da lei . Por outro lado, a obediência à lei
significa vida. " (Rushdoony, Institutes of Biblical Law,
p . 1 37 . }
4. O Senhor indica que a observância d o Dia d o Senhor
é um "�,inal . . . p�ra que saibais que eu sou o Senhor, que
vos san/ifica" (Exodo 3 1 : 1 3 ; itálicos acrescentados). Ele
nos ens:,nou um conceito de santidade semelhante ou de
pureza ,�spiritual, numa revelação moderna: "E, para que
te conserves limpo das manchas do mundo, irás à casa de
oração e oferecerás os teus sacramentos no meu dia
santificado " (D&C 59:9; itálicos acrescentados).
130
5. O conceito de santificação e a idéia de repouso,
conforme são usados nas escrituras, parecem estar
intimamente relacionados . O descanso do Senhor é
definido como a "plenitude da glória (de Deus)" (D &C
84:24). Alma ensinou que determinados santos da época
antiga entraram "no descanso do Senhor" , após haverem
sido purificados através de um processo de santifical;ão
(Alma 1 3 : 1 2) . Em outras palavras, a obra de Deus é
santificar a seus filhos, capacitando-os a entrar em s �u
repouso final, que é a plenitude de sua glória. O homem
recebeu o mandamento de, a cada semana, interromper
seus labores e permitir que Deus realize nele sua obra de
santificação . O ato de repousar no Dia do Senhor,
portanto, significa mais do que tirar uma soneca, ou cessar
as atividades normais de trabalho. Nesse dia, a
humanidade deve dedicar-se à obra do Senhor, isto ó,
tornar a si próprios e aos outros mais semelhantes ao Pai
Celestial, o que é outra forma de traduzirmos o que é a
santificação. Fazer a obra,do Senhor (santificação)
freqüentemente significa realizar grande atividade no Dia
do Senhor, e no sentido usual, ele provavelmente não será
um dia de repouso . Podemos presumir que, se o ato de
fazer o bem a um animal no Dia do Senhor é agradável a
Deus (veja Mateus 1 2 : 1 1 ; Lucas 1 3 : 1 5) , então proceder de
tal maneira com relação aos homens é muito mais lo uvável
ainda. As duas diretrizes relativas ao Dia do Senhor são a
de que nele devemos nos dedicar ao descanso e à adoração
(vej a D&C 59: 1 0) . A palavra hebraica la-avodh ,
"adorar" , significa também "trabalhar" e "servir" . Este
labor sagrado, desta forma, gera um homem novo e santo;
assim sendo, o Dia do Senhor associa-se intimamente à
obra de criação .
6. O mandamento relativo à observância do Dia d o
Senhor não s e destinava apenas a o indivíduo, mas t2mbém
abrangia seus servos (empregados), membros da família e
animais. Sob a lei mosaica, até mesmo a terra deveria
descansar por um ano depois de cada período de setl ! anos
(veja �xodo 20: 1 0 ; Levítico 25: 1 -7). Imagine quanta fé era
necessária para, a cada sete anos, confiar plenament � na
providência divina, ao invés de confiar nos labores d as
próprias mãos. (Esse desafio foi dado em Levítico
25 :20-22.)
7 . Foram feitas promessas de riquezas temporais,
proteção divina e poder espiritual àqueles que guardassem
o Dia do Senhor. Por exemplo, após dar o mandamento
relativo à observância do ano sabático, o Senhor
prometeu: "assim habitareis seguros na terra. Ela da�á o
seu fruto, e comereis a fartar. " (Levítico 25 : 1 8- 1 9.) [saías
prometeu àqueles que não se ocupassem da satisfaçã o de
seus prazeres pessoais naquele dia santificado: "Enti lo te
deleitarás no Senhor" (Um conceito que talvez se rerira ao
fato de nossa confiança se tornar forte na presença e le
Deus (veja D&C 1 2 1 :45» , e "te farei cavalgar sobre as
alturas da terra, e te sustentarei com a herança do te l pai
Jacó" (Isaías 58 : 14) . A herança de Jacó foi a exaltaç ão,
ele se tornou um Deus ! (Veja D&C 1 32:37.)
As promessas contidas em Doutrina e Convênios �;9: 1 6-24 são baseadas nas condições específicas que se acham no
versículo 1 6 . O Élder Spencer W. Kimball nos deu al guns
detalhes concernentes aos desafios implícitos na
santificação do Dia do Senhor:
"O quarto mandamento contém uma lei de duplo
aspecto: um de afirmação, e outro de negação. Qua nto à
negação, temos " . . . não farás nenhuma obra " ; é a
afirmação: 'Lembra-te do dia do sábado, para o
santificar . . . .
'
"Todas as semanas, encontramos pessoas
desafiadoramente executando seus afazeres e atividades
incompatíveis com o Dia do Senhor . . . Nesse dia, inúmeros
estabelecimentos comerciais, como restaurantes ,
panificadoras, bares e lanchonetes realizam seus melhores
negócios . Os corretores de imóveis fazem plantão de
vendas inclusive aos domingos . Nos balneários, parques de
diversões e outros lugares de entretenimento, os
comerciantes conseguem obter elevados lucros . Longas
filas se formam diante das bilheterias dos cinemas . Os
j ogos de futebol e outras competições esportivas atraem
milhares de pessoas, e inúmeras famílias passam esse dia
sagrado em piqueniques e viagens de recreio. Os jovens
aproveitam o domingo para estudar e fazer suas tarefas
escolares . As exposições-feiras realizam vultosas vendas de
animais e de outros produtos . Muitos fazem viagens
desnecessárias . Agricultores preparam o solo, executam
colheitas e efetuam o plantio . Alguns homens de negócio
fecham seus escritórios, mas aproveitam esse dia para
caçar e pescar. As donas de casa dedicam-se aos afazeres
domésticos que não conseguiram completar nos outros
dias da semana. Outros saem em excursões aos bosques e
montanhas . O mundo todo parece estar sobre rodas - as
estradas ficam congestionadas . Homens semi-despidos são
vistos aparando cercas-vivas ou a grama do jardim . Os
restaurantes funcionam em ritmo alucinante. Mulheres
trajando roupões, e homens com o rosto por barbear,
passam horas indolentes no lar. A elite realiza recepções
sociais e chás , e uma semana após outra, o Dia do Senhor
é profanado, e a lei de Deus desrespeitada.
"A lei permite que muitas pessoas excelentes sejam
forçadas a trabalhar aos domingos. Elas não têm outra
alternativa, do contrário, serão despedidas . Porém, o fato
é que freqüentemente os empregados que trabalham por
turnos escusam de participar das atividades do Dia do
Senhor, usando o trabalho como desculpa. Os operários
que trabalham por turnos raramente atuam mais horas por
dia que as demais pessoas , e se estiverem determinados ,
·
terão tempo suficiente para prestar serviço e guardar o dia
santificado nas horas restantes.
"Quando há escassez de empregos e é difícil obtê-los ,
algumas pessoas acham que devem trabalhar no dia
santificado, a fím de ganharem um pouco mais . Todavia,
em tempos normais, é difícil encontrar um emprego que
não requeira que se trabalhe aos domingos . Essa mudança
de ocupação provavelmente exigirá algum sacrifício de
natureza financeira, mas o Senhor prometeu que
abençoará àqueles que viverem as suas leis . " (Em "The
Fourth Commandment" , Part 1 , The Ten
Commandments Today, pp . 55, 57 - 5 8.)
Em seguida, falando a respeito dos aspectos positivos
do mandamento, o Élder Kimball declarou:
"Em hebraico, a palavra Schabat signifíca 'descanso ' .
Ela quer dizer que as pessoas devem desfrutar de
tranqüilidade, paz de espírito e sossego mental. É um dia
apropriado para deixarmos de lado todos os interesses
egoístas e atividades que nos absorvam .
"O dia do Senhor foi concedido a todas as gerações da
humanidade como um convênio perpétuo. É um sinal
eterno entre nosso Pai Celestial e seus filhos . É um dia em
que devemos prestar-lhe nossa adoração e expressar os
sentimentos de gratidão e apreço que temos para com ele.
É um dia em que devemos abandonar todos os interesses
mundanos e louvarmos humildemente a Deus , pois a
humildade é o início da exaltação . É um dia em que
devemos abster-nos de qualquer atividade que nos cause
131
atlição ou fadiga; é uma ocasião adequada ao repouso e
entretenimento sadio . É um dia em que não devem ser
preparados banquetes suntuosos, mas refeições simples, e
festejos espirituais; não é um dia de abstinência de
alimentos, exceto quando se trata do dia de jejum, mas,
sim, um dia em que empregadas e patroas descansam dos
afazeres domésticos . É um dia que nos foi generosamente
concedido por nosso Pai Celestial. É um dia em que os
animais devem ser soltos no campo, para que possam
pastar e repousar; é uma ocasião em que o arado deve
permanecer no celeiro, e em que a maquinaria agrícola
esfria seus componentes; um dia em que o empregador e o
empregado, o patrão e o servo, libertam-se da lida
cotidiana, do preparo da terra e das fadigas do plantio.
É um dia em que os escritórios se fecham, os assuntos
comerciais são adiados, e os problemas esquecidos; um dia
em que o homem pode ser temporariamente livre do
mandamento que lhe foi dado no principio . . .' É um dia
em que o corpo pode descansar, a mente ter sossego,
e o espírito se desenvolver. É um dia em que podemos
entoar hinos, proferir oraçõ�s, pregar sermões e prestar
testemunhos; uma dia em que o homem pode elevar-se às
alturas, quase eliminando as barreiras do tempo, espaço e
distância existentes entre ele e seu Criador.
"O domingo é um dia em que podemos examinar nossa
vida - analisar nossas fraquezas, confessar nossos
pecados aos nossos semelhantes e ao Senhor. É um dia em
que podemos jejuar em 'saco e cinza. ' É um dia em que
devemos ler bons livros, um dia apropriado para refletir e
ponderar; um dia para estudarmos as lições do sacerdócio
e organizações auxiliares; um dia propício ao estudo das
escrituras e ao preparo de discursos; um dia para tirar uma
boa soneca, descansar e se descontrair; um dia para visitar
o enfermo; um dia para pregar o evangelho; um dia para
fazer proselitismo; uma dia para conversar sem muito
alarido com os familiares , e para procurarmos conhecer
melhor nossos filhos; um dia para o namoro adequado;
um dia para praticar o bem; um dia para beber da fonte
do conhecimento e instrução; um dia para procurar obter
o perdão de nossos pecados; um dia favorável ao
enriquecimento de nosso espírito e de nossa alma; um dia
em que podemos restaurar nossa estatura espiritual; um
dia para participarmos dos emblemas do sacrifício e
expiação; um dia para desfrutarmos das coisas gloriosas
do evangelho e dos domínios eternos; um dia para
avançarmos no caminho ascendente que conduz ao Pai
Celestial. " (Em "The Fourth Commandment" , Part 2,
The Ten Comman dments Today, pp. 66-68 .)
geralmente surgem duas dúvidas a respeito deste
mandamento . Primeiro, se devemos ou não honrar pais
indignm ; segundo, se devemos obedecer, caso eles
solicitem que façamos àIgo errado.
Primeiramente, embora na maioria dos casos o ato de
honrar ( i S pais envolva prestar-lhes obediência, esses dois
princípios não são idênticos. Honrar significa "trazer-lhes
honra 011 ter para com eles uma atitude de dar-lhes
honra. " Obedecer significa sel? uir a orientação ou
exemplo . "O apóstolo Paulo afirmou : 'Filhos, sede
obedient es a vossos pais no Senhor, porque isto é justo"
(Efésios 6: 1 ; itálicos acrescentados), e logo a seguir:
'Honra a teu pai e a tua mãe" (vers. 2) . Ao assim fazer,
entretan :o, ele não adicionou nenhum requisito, dizendo
apenas s �r aquele o "primeiro mandamento com
promess,i" (Efésios 6:2) . Obedecer aos pais no Senhor
significa obedecer-lhes em retidão (McConkie, Doctrinal
New TeMament Commentary, Vol. 2, p. 521 ) . Sempre que
um filho se comporta dignamente, traz honra a seus pais,
sejam eles pessoas corretas ou não . O mesmo acontece ao
contrário . Toda vez que um filho vive desregradamente,
faz com que a vergonha sobrevenha a seus genitores,
sejam eh:s dignos ou não . Vemos portanto, que honrar aos
pais nem sempre implica obedecer-lhes . Nos casos
relativamente raros em que os pais incentivam os filhos a se
comport arem indevidamente, estes os estarão desonrando,
se lhes obedecerem.
No en tanto, nenhum requisito foi adicionado ao
mandam ento de honrar pai e mãe. Para entendermos o
porquê, ;onvém examinarmos em que se resume o padrão
correto c .e relacionamento entre pais e filhos. É apenas no
relaciommento que os pais celestiais do homem têm para
com sem filhos, que encontramos um modelo perfeito de
paternidade. Os deuses, é claro, são perfeitamente
honorávds (ou seja, merecedores de toda honra) . Não
teríamos qualquer problema em honrá-los, se eles fossem
os único�; pais com quem tivéssemos de tratar.
Porérr.. eles, em sua infinita sabedoria, acharam por bem
conceder que genitores mortais fossem os seus
represent antes no ato de conceber e criar filhos. Em outras
palavras, os pais são os representantes diretos de Deus na
mortalid;ide; portanto, como acontece aos ofícios do
sacerdóc:.o, o ofício da paternidade também requer honra.
Como n�ío poderia deixar de ser, os indivíduos que têm
semelharte chamado recebem com ele uma importante
responsa bilidade e obrigação . Os pais têm o dever de se
esforçar 'Jara serem o máximo possível semelhantes a
(11-9) Êxodo 20: 12' . "Honra a Teu Pai e a Tua Mãe"
O quinto mandamento estabelece claramente a
importância da família aos olhos do Senhor. O
relacionamento familiar adequado é um dos dez princípios
fundamentais da lei, tanto neste mundo como na vida
futura. Obedecendo a este preceito, a unidade familiar e
todos os outros componentes da sociedade permanecem
estáveis e sadios . Na era em que vivemos, que foi
profetizada como sendo uma época em que as pessoas são
"desobedientes a seus pais e mães" e "sem afeto natural"
(II Timóteo 3 :2-3), é necessário que consideremos
seriamente as implicações contidas no mandamento de
honrar pai e mãe, e sobre a promessa nele contida.
Quando os pais são dignos e tementes a Deus, os filhos
não encontram problema algum para entenderem a diretriz
que o Senhor lhes deu, de que devem honrar a seus pais,
embora muitas vezes tenham dificuldade em fazê-lo .
Todavia, quando falta aos pais essa importante qualidade,
Cume do Monte Sinai
132
Deus. O Senhor deixou bem claro que, se eles falharem no
cumprimento da missão que receberam de serem pais, a
qual inclui ensinar a seus filhos o que ele ensinaria s e
estivesse aqui, estarão sujeitos a sofrer graves
conseqüências . (Veja D&C 68 :25-3 1 ; 93 :39-44.)
Se os pais não cumprirem seu ofício e chamado (c:,
naturalmep.te, nenhum pai pode ou será capaz de fazer isto
de maneira perfeita), serão responsáveis perante Del Is;
porém, tal circunstância em nada diminui a
responsabilidade que os filhos têm de honrá-los . Para
entendermos bem esse fato, novamente podemos va ler-nos
do paralelo relativo ao ofício no sacerdócio. Embor a
nenhum portador do sacerdócio seja capaz de cumI'rir
perfeitamente o ofício e chamado que recebeu, o cargo
que ocupa deve ser honrado, apesar de suas imperfdções .
O homem digno e capaz cobre a si mesmo de honra ;
porém, mesmo no caso de um bispo ter que ser
desobrigado por não ser digno de ocupar essa posiç; !o, não
deixaremos de honrar o seu ofício de bispo .
A história de Davi e Saul é uma ilustração clássica deste
princípio. Saul havia sido separado e ungido, sob a
orientação do Senhor, para ser o rei de Israel. Algum
tempo depois, devido ao orgulho e insensatez, ele s(:
tornou indigno da graça de Deus e, eventualmente,
cometeu um grave pecado e perdeu o Espírito do Sf nhor .
Davi, ungido rei em seu lugar, muitas vezes teve sua . vida
ameaçada por Saul, mas sempre se recusou a levant ll a
mão para feri-lo . A resposta consistente que deu foi : "Não
estenderei a minha mão contra o meu senhor, porque é o
ungido do Senhor" (I Samuel 24: 1 0) . Saul havia
claramente fracassado no cumprimento de seu cha mado,
mas Davi entendeu, com grande sabedoria, que o rd teria
que prestar contas a Deus por tal insucesso, não a Davi.
De maneira semelhante, um pai pode fracassar
completamente em seu sagrado ofício e chamado,
chegando ao ponto em que seja impossível a um filho
seguir seu exemplo, mas este continua tendo a obriB ação
de honrar o pai, devido à posição que ele ocupa como um
repr�sentante de Deus . O Élder Bruce R. McConkk
esclareceu esse princípio da seguinte maneira:
"Os filhos chegam à mortalidade trazendo consifo o
requisito inato, profundamente gravado em seu ínti mo
pelo mesmo Ser que lhes deu origem como espíritos , de
honrarem seus pais e seguirem os conselhos dados p or eles
em retidão . " (Doctrinal New Testament Commentary, Vol.
2, p. 52 1 .)
(11-10) Êxodo 20: 12. "Para que Se Prolonguem os feus
Dias na Terra . "
Como foi observado acima, o apóstolo Paulo s e referiu
ao quinto mandamento como sendo o primeiro com uma
promessa específica (vej a Efésios 6: 1 -2) . Em que sentido o
ato de honrar os pais seria capaz de prolongar nossa vida
aqui neste mundo? Para responder a essa pergunta : ;eria
importante considerar os seguintes fatos:
1 . O Senhor havia prometido aos israelitas que lh es
daria por herança uma determinada parte da terra, :LSsim
como concedera aos jareditas e à colônia de Leí uma
terra prometida. Em todos os casos aqui mencionados, ele
ensinou claramente que o recebimento de tal direito não
era automático , mas dependia da retidão manifestada pelo
povo, e que a iniqüidade faria com que perdessem a .
herança (veja Deuteronômio 28: 1 -2, 7, 10; 1 Néfi 2 20-2 1 ;
Éter 2:7- 1 2) .
2. A o fazer u m resumo d a lei que o Senhor dera a Israel,
Moisés fez uma pequena alteração nos termos do quinto
mandamento . Em Deuteronômio 5 : 16, lemos o seguinte:
"Honra a teu pai e a tua mãe, como o Senhor teu Deus te
ordenou, para que se prolonguem os teus dias, e para que
te vá bem na terra que te dá o Senhor teu Deus" (itálicos
acrescentados) .
3 . Moisés ordenou aos pais em Israel que ensinassem
diligentemente a seus filhos as leis de Deus , "para que bem
te suceda . . . na terra que mana leite e mel"
(Deuteronômio 6:3; veja também Êxodo 20:3-7. onde se
acha registrado na íntegra o mandamento dado aos pais) .
4. Numa ocasião anterior, Moisés usou de uma
linguagem semelhante ao prevenir os israelitas: "Quando,
pois, gerardes filhos, e filhos de filhos . . . e fizerdes mal aos
olhos do Senhor. . . hoje tomo por testemunhas contra vós
o céu e a terra, que certamente perecereis depressa da
terra; . . . não prolongareis os vossos dias nela, antes sereis
de todo destruídos " (Deuteronômio 4:25-26: itálicos
acrescentados) . Em seguida, Moisés afirmou esse mesmo
princípio de maneira positiva, novamente usando a mesma
linguagem que aplicara ao quinto mandamento: "E
guardarás os seus estatutos e os seus mandamentos, que te
ordeno hoje, para que bem te vá a ti, e a teus filhos depois
de ti, e para que prolongues os dias na terra que o Senhor
teu Deus te dá para todo o sempre" (Deuteronômio 4:40) .
5 . Em resumo, a condição primordial para se manter '
uma herança numa terra prometida é a retidão pessoal,
que só pode ser mantida quando os pais ensinam as leis de
Deus a seus filhos e estes lhes obedecem e respeitam. Deste
modo, para "prolongar os dias na terra" (Êxodo 20: 1 2) , a
unidade familiar deve estar funcionando adequadamente e
os filhos precisam honrar aos pais.
6. Este mandamento tem ainda um aspecto pessoal . O
Senhor prometeu àqueles que "obedecerem aos
mandamentos, " que terão saúde, vigor, resistência, e que
o "anjo destruidor" os passará como aos filhos de Israel"
(D&C 89: 1 8 , 2 1 ) . Comentando a respeito da frase usada
por Paulo ao se referir a este mandamento como o
"primeiro mandamento com promessa" (Efésios 6:2) , o
Élder Bruce R. McConkie declarou:
"Nesta passagem, Paulo interpreta a promessa como
sendo de natureza pessoal . Os filhos obedientes e fiéis
viverão por muito tempo sobre a terra. Isto é, de modo
geral, a vida temporal é prolongada através da obediência
às leis do evangelho; porém, de modo particular e
fundamental, são as pessoas dignas e tementes a Deus ou seja os mansos - que viverão sobre a terra, quando
esta alcançar seu estado final, ou celestializado .
(D&C 8 8 : 1 6-20)" (Doctrinal New Testament
Commentary, Vol . 2, pp. 521-22.)
(11-11) Êxodo 20: 13. "Não Matarás"
Uma das transgressões e crimes mais graves, é o pecado
do assassinato ou destruição da vida humana. É evidente
que o ato de ser culpado de destruir a vida é um gesto de
'rebeldia ' cometido em oposição aos desígnios do Todo­
-poderoso, negando ao indivíduo cuja existência teve um
prematuro fím na mortalidade, o privilégio de desfrutar
plenamente das oportunidades de aprendizado que
estariam ao seu alcance nesta escola terrena. Essa falta se
acha enquadrada na mesma categoria que a rebelião
gerada por Satanás e suas hostes; portanto, não devemos
surpreender-nos, se as penalidades impostas ao homicida
133
forem de características semelhantes às que ficaram
sujeitos os espíritos expulsos dos céus juntamente com o
maligno . " (Harold B. Lee, em "The Sixth
Commandment" , Part . 1 , The Ten Commandments
Today, p. 88.)
(11-12) Êxodo 20: 13. Em Que Sentido o Mandamento de
Não Matar Afeta os Indivíduos Que Vão ã Guerra?
"Numa declaração concernente a este assunto, contida
numa mensagem da Primeira Presidência à Igreja durante
a II Guerra Mundial, proferida na conferência geral
realizada no dia 6 de abril de 1 942, esse tema foi
plenamente debatido . Ele veio à luz numa ocasião em que
cerca de cem mil jovens SUD se achavam nos campos de
batalha ou recebendo treinamento militar para
combaterem na guerra mais destrutiva da história da
humanidade. Citarei aqui um trecho daquela proclamação
(pp . 32-36):
" ' . . . A Igreja é, e tem que ser contra a guerra. A
Igreja, como organização, não pode promover uma
guerra, a menos que e até que o Senhor lhe dê um novo
mandamento nesse sentido. Ela não pode considerar a
guerra como um meio justo de acertar as divergências
internacionais, que devem e poderiam ser resolvidas
através de negociações e acordos pacíficos , se as nações
assim concordassem.
" 'Porém os membros da Igreja são cidadãos ou súditos
de estados soberanos sobre os quais ela não pode exercer o
menor controle. O próprio Senhor nos ensinou a esse
respeito (D&C 98 :4-7 é então citada).
"Embora pelos seus termos esta palavra revelada se
refira mais especificamente a esta terra da América, não
obstante os princípios nela proclamados são de aplicação
mundial, e especificamente dirigidos a você ' (Joseph
Smith) 'e aos seus irmãos da minha Igreja. ' Portanto,
quando a lei constitucional, seguindo estes critérios ,
convoca o s homens d a Igreja para a s Forças Armadas em
qualquer pais a que tenham que prestar obediência, seu
mais elevado dever cívico requer que eles cumpram esse
chamado. Se, ao assim procederem, acatando as ordens de
seus superiores em comando, eles tiverem que tirar a vida
dos indivíduos que lhes derem combate, essa atitude não
fará deles assassinos , nem sujeitos às penalidades que Deus
estabeleceu que sobreviriam aos homicidas , além do
princípio que será mencionado resumidamente logo a
Local tradicional em que estava situado o acampamento de Israel, enquanto
Moisés se encontrava no Monte Sinai
seguir. Pois Deus seria cruel, se punisse seus filhos como
culpad(ls de transgressões morais, em virtude de atos
cometidos por eles na posição de inocentes instrumentos
de um wberano a quem o Senhor ordenou que
obedecc :ssem, e a cujas ordens lhes era impossível deixar
de atender.
" 'O mundo inteiro encontra-se empenhado em uma
guerra que parece ser a pior de todos os tempos . Esta
Igreja é uma organização mundial. Seus dedicados
membros podem ser encontrados em ambos os lados do
campo de batalha. Eles são inocentes instrumentos que
seus belicosos soberanos usam para a guerra. Em cada um
dos lados , os combatentes acreditam que estão lutando em
defesa de seu lar, país e liberdade. Em cada uma das
facções , nossos irmãos oram para o mesmo Deus ,
invocan do-o sob o mesmo nome, rogando que lhes
conceda a vitória. Ambos os lados não podem estar
completamente certos ; e talvez nenhum seja totalmente
isento de culpa. Deus agirá a seu próprio modo para julgar
a justiça e o direito existente nesse conflito, mas não
conside:rará os inocentes soldados que participam desta
guerra, nossos irmãos que empunham armas, responsáveis
por esse; , hecatombe. A humanidade está atravessando uma
crise mundial de grande envergadura. Deus , porém, está ao
leme . '
"Exi� :te, portanto, uma grande diferença em destruir a
vida, ag indo sob as ordens de uma potência a quem temos
o dever de prestar obediência, e o de cometermos
arbitrar iamente um assassinato por nossa própria
respons,ibilidade. Seria proveitoso se cada jovem que se
acha no serviço militar, estudasse cuidadosamente o
pronunciamento acima, feito pela Primeira Presidência. "
(Lee, em "The Sixth Commandment" , Part 2 , The Ten
Comma ndments Today, pp . 93-94.)
(11-13) l �xodo 20: 14. "Não Adulterarás"
"O homem precisa reproduzir-se. Ele não foi criado
como m embro do reino vegetal para seguir as normas
estabele:idas para aquela forma de vida. Nem tampouco é
ele um e; ,nimal, para que seja orientado pelos meros
instinto� : . Como filho de Deus, o homem recebeu poderes
que não foram outorgados a qualquer outra forma de
vida. El(! faz parte da raça divina, tendo , portanto, o
direito e le desfrutar de muitos privilégios e poderes
relativo�: à divindade.
"O poder de reprodução teria que ser dado ao homem,
como o fora às formas inferiores de vida, com o objetivo
da perp(:tuação da espécie. Enquanto que o Senhor
estabele(;eu limites a este poder com relação às formas de
vida inferior, aos quais os animais não tinham a tendência
de ultrapassar devido à maneira como haviam sido
estabeleddos, o homem se encontra numa situação
diferenÍl ! . Tendo ele o direito de escolher, sendo possuidor
de impu lsos naturais, uns orientados para o bem e outros
para o mal (até mesmo Satanás se havia rebelado na vida
pré-mor tal), ele agora poderia utilizar os poderes divinos
que lhe haviam sido concedidos, tanto com ogjetivos
louvávei s como para propósitos maléficos . No que dizia
respeito ao homem, não se tratava de uma questão de
instinto, mas sim de escolha. Ele possuía o direito de
escolher muito antes de ter sido colocado neste mundo . Tal
caracteristica não lhe foi retirada, ao tornar-se mortal. Os
animais não corromperiam seus poderes de reprodução. O
instinto :uidaria para que tal não acontecesse . Mas , que
faria o h omem mortal? Esta questão faz parte do âmago
do objetivo para o qual ele foi criado - para testá-lo, para
provar S ! ele seria digno de voltar à presença de Deus .
134
Possuindo o arbítrio para escolher, ele teria a liberdade de
selecionar o seu próprio curso . Poderia agir de mar.eira
enobrecedora, ou praticar atos que corromperiam ma
condição .
"As leis eram a resposta. De que outra forma D(:us
poderia tratar com um ser inteligente, que tinha o
privilégio de escolher, e que deveria ser provado pa :a ver
que caminho escolheria?
"E assim Deus colocou diante de si o primeiro homem e
a primeira mulher. Como macho e fêmea, eles deve riam
reproduzir a sua espécie, mas só deviam fazê-lo de acordo
com as normas estabelecidas pelo Senhor . . .
" O convênio do casamento, os sagrados laços que
deviam perdurar eternamente, foi a instituição cele:;tial
criada por Deus, sob a qual seus filhos mortais que viviam
aqui na terra deveriam gerar progênie. ficou estabe lecido
que não deveria haver relações sexuais fora do casamento .
Os filhos que nasceriam ao homem e à mulher ness !
consórcio divinamente indicado, pertenceriam a ele s por
toda a eternidade. As famílias continuariam a exisLr como
unidades até mesmo na eternidade. Os laços de afelO
consolidados no lar terreno durariam para sempn;,. Tais
características faziam parte do sistema de vida cele� tial,
agora transferido para a terra. Ele deve ser mantido
. sagrado . " (Mark E. Petersen , em "The Seventh
Commandment " , Part 1 , The Ten Commandment s
Today, pp . 1 04-5 .)
(11-14) Êxodo 20: 15. "Não Furtarás"
Os Dez Mandamentos foram o alicerce dos grandes
princípios fundamentais de retidão. Eles são de tal
amplitude e de tão vasta e profunda aplicação , que
. abrangem todos os aspectos do comportamento moral . O
oitavo mandamento é um bom exemplo desse fato . É
constituído apenas de duas palavras ; não obstante, sua
área de aplicação é de tal magnitude, que cobre uma
extensa escala do comportamento humano . Desde a época
da queda, Adão e toda a humanidade que nasceu a pós ele,
foram ordenados a trabalhar, a fim de ganhar o pão de
cada dia (vej a Gênesis 3: 1 9) . Quando alguém procura
colher os frutos do trabalho empreendido por outro
indivíduo, sem dar a ele a necessária compensação , isto é
uma atitude de roubo . Como podemos ver, o ato de furtar
envolve muito mais que a simples apropriação dos Jens
alheios. O Presidente Spencer W. Kimball declarou :
"Nos cargos públicos e na vida particular, a pala vra
do Senhor troveja: 'Não furtarás . . . nem farás coisa alguma
semelhante. ' (D&C 59:6.)
"Encontramo-nos racionalizando em todas as fo rmas
de desonestidade, incluindo pequenos furtos em loj as , o
que é um ato baixo e mesquinho , praticado por mil hões de
pessoas que clamam ser gente honrada e decente.
"A desonestidade aparece em muitas outras formas : em
assaltos, jogando com o amor e as emoções das pe� soas
para obter lucro sujo; roubando dinheiro em caixa ou
furtando mercadorias de empregadores; falsificand o
contas; tirando vantagem de outros pagadores de impostos,
fazendo uso indevido de coisas pagas com o dinheiro de
impostos; fazendo reivindicações falsas; declarando
isenções irreais; fazendo empréstimos de órgãos do
governo ou particulares, sem intenção de pagar;
declarando falências injustas ou falsas para evitar ü
pagamento de empréstimos; roubando na rua ou no lar,
dinheiro e outras coisas alheias; roubando tempo, dando
menos do que um dia completo de trabalho honesto pelo
pagamento de um dia completo de trabalho; usand o
transporte público sem pagar a passagem; e todas a s
formas de desonestidade e m todos o s lugares e e m todas as
condições .
"A todas as roubalheiras e ato desonestos, o Senhor
diz: 'Não roubarás . ' Ele usou apenas estas palavras .
"Talvez ele, cansado da longa lista que poderia ter feito
das muitas maneiras de roubar, deturpar, tirar vantagem,
tenha coberto todos os métodos de se tirar alguma coisa
. que não nos pertence, dizendo: 'Não roubarás . ' " ("Um
Relatório e Um Desafio " , A Liahona, fevereiro de 1 977,
p . 4.)
(11-15) Êxodo 20: 16. "Não Dirás Falso Testemunho"
"O assassinato, o adultério e o furto, que dizem respeito
respectivamente à vida, virtude e propriedade, geralmente
são considerados como faltas mais graves perante a lei que
o ato de prestar falso testemunho . Embora essa
transgressão não seja vista como digna de tão grande
culpa, sem dúvida se tornou predominante no mundo
moderno . É evidente que a maioria das pessoas que estão
lendo estas lições costumam evitar as três espécies de
pecados acima descritos como se fossem uma praga pois são , de fato, as três maiores ofensas sociais ; porém ,
conscientes , ou mesmo sem nos darmos conta disso , há
ocasiões em que todos nós estamos sujeitos a ser tentados
a, negligentemente, propagar mexericos e outras formas de
falsos testemunhos . . .
"Prestar falso testemunho é testificar ou passar adiante
relatos, insinuações, especulações ou boatos como se
fossem verdadeiros, em prejuízo de algum de nossos
semelhantes . Muitas vezes tal procedimento é originado
pela falta de informação correta relativa a um fato; outras ,
pela falta de compreensão; ou ainda, em virtude de um
mal-entendido - ou até mesmo por uma disposição
malévola de distorcer uma verdade ou deturpá-la.
"O assassinato envolve tirar a vida humana, ao passo
que prestar falso testemunho centraliza sua força na
destruição do caráter ou na difamação do bom nome de
uma pessoa. Seu escopo é a ruína da reputáção . " (Adam
S. Bennion, em "The Ninth Commandment" , Part 1 , The
Ten Commandments Today, pp . 1 34- 146.)
(11-16) Êxodo 20: 17. "Não Cobiçarás"
Este é o último dos Dez Mandamentos, e caso não fosse
evidente que ele tem estreito relacionamento com os
demais, seríamos levados a supor que é um dos de menor
gravidade. Todos, os mandamentos , porém, estão de tal
forma interligados, que não podemos violar um deles sem
enfraquecermos todos os outros. Eis alguns fatos que
servirão para ilustrar esse ponto (e relembrar-nos os nove
restantes):
"Quem cobiça ainda que seja as coisas mais simples da
vida, estará de certa forma 'tendo outros deuses ' diante do
Senhor e se 'encurvando diante deles ' , em pensamento e
em espírito, quando não fisicamente.
"A pessoa que cobiça se torna vulgar e negligente
também em outros aspectos da lei, como no que se refere a
'tomar o nome do Senhor Deus em vão . '
"O que cobiça é capaz d e profanar o Dia d o Senhor
com o objetivo de ganhar dinheiro .
"Quem cobiça pode ser levado a não prover para seu
pai e sua mãe quando necessitarem.
"Muitos indivíduos cobiçosos já mataram com a
finalidade de obter lucro .
"Ao cobiçarem 'a mulher do próximo' , muitos já
cometeram o grave pecado do adultério.
135
"Quem cobiça está sujeito a furtar (ou a enganar ou se
apoderar fraudulentamente do que não lhe pertence).
"A pessoa cobiçosa é capaz de prestar falso testemunho
com a finalidade de obter lucro.
"Vemos, assim, que os Dez Mandamentos estão
inseparavelmente interligados, e ceder ao pecado da cobiça
pode levar o indivíduo a infringir os outros preceitos do
decálogo - pois a vida é um todo, e uma parte
complementa a outra. A palavra de Deus também é
completa e harmoniosa, e toda ela provém da mesma
fonte. Toda vez que ignoramos qualquer conselho ou
mandamento divino , podemos estar certos de que estamos
nos enfraquecendo e aumentando a possibilidade de
cometer outros pecados . . .
" O mandamento relativo a nos guardarmos da cobiça
não significa que não devemos ter o desej o sacjio de não
nos satisfazermos com nossa situação atual, e de nos
esforçarmos para melhorá-Ia. Não significa também que
não devemos ter uma ambição honesta de possuir um
pouco mais das boas coisas da vida. Não quer dizer,
ainda, que não devemos ter admiração pelo que nosso
próximo possui, e procurarmos, através de nosso próprio
esforço, obter bens de idêntico valor. A terra produz em
abundância para todos - e o impulso de adquirir para nós
mesmos bens semelhantes aos que outros desfrutam, é um
importante traço de caráter - desde que os obtenhamos
através de trabalho honesto, por meios legais, e vivendo de
uma forma bem equilibrada. Começamos a correr perigo,
quando permitimos que as coisas triviais se tornem
demasiadamente importantes à nossa vista. " (Richard L.
Evans, em "The Tenth Commandment " , Part I , The Ten
Commandments Today, pp . 142-44.)
As escrituras nos fornecem uma interessante definição
do que significa cobiçar. Em duas ocasiões ; o apóstolo
Paulo comparou a cobiça à idolatria (veja Efésios 5 : 5 ;
Colossenses 3 : 5). A implicação é d e que, quando uma
pessoa apega seu coração às coisas do mundo a ponto de
não m2.i s dar a menor importância à fidelidade a Deus e
seus pr: . n cípios, então as coisas materiais se tornam um
deus péifa aquele indivíduo. Ele passa a buscá-Ias mais que
a tudo na vida, ou a adorá-Ias - um hábito que é
semelhante ao da idolatria - um pecado que, segundo as
palavr2 s do Senhor, é uma das características principais
desta g,:ração (veja D&C I : 1 6) . Samuel ensinou a Saul que
o pecado e a iniqüidade são também idolatria (veja
I Samu el 1 5 :23).
PONTOS A PONDERAR
(11-17) As leis estabelecidas nos Dez Mandamentos
estavam em vigor muito antes de esta terra ser criada. Todos
os profetas as ensinam . Elas são o alicerce de todas as
civiliza,;ões que se desenvolveram . São também as
diretrizes através das quais cada indivíduo pode ter uma
vida mais plena e feliz . Se formos sábios , procuraremos
obter e ;sas bênçãos através da obediência aos
manda:nentos . O Profeta Joseph Smith declarou :
"A f elicidade é o objetivo e o propósito da nossa
existên,:ia; e também será o fim, caso sigamos o caminho
que no ; leva até ela; e esse rumo é a virtude, retidão ,
fidelid�.de, santidade e obediência a todos os
manda.nentos de Deus. Mas não podemos guardar todos
os man damentos, se não os conhecermos , e nem sabê-los
todos (lU conhecer mais do que já conhecemos , a menos
que cumpramos ou guardemos os que já tivermos
recebido. Aquilo que é errado sob certas circunstâncias ,
pode St T , e geralmente é, certo sob outras . "
(Ensinc rmentos, p . 249.)
É importante observar que, mesmo hoje em dia, em
meio à dispensação da plenitude dos tempos, o Senhor
reiterou cada um dos segmentos desse sagrado decálogo .
Reflita por um momento e considere as implicações dos
Dez Mandamentos na época em que vivemos , lendo as
escrituras seguintes :
Os Dez Mandamentos Outrora e Atualmente
Mandamento
Na É poca de Moisés
Atualmente
I . Não terás outros deuses diante de mim .
Êmdo 34: 1 0- 1 4;
D,!uteronômio 5 : 6-7
D&C 76: 1 -4
2. Não farás para ti imagem de escultura.
Êmdo 34: 1 7
D,!uteronômio 4: 1 5 - 1 9
D&C 1 : 1 5 - 1 6
3 . Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão .
Lt vítico 19: 1 2 ;
Deuteronômio 5 : 1 1
D&C 63 : 6 1 -62
4. Lembra-te do dia do sábado, para o santificar.
Êmdo 3 1 : 1 2- 1 7
Di!uteronômio 5 : 1 2- 1 5
D&C 59:9- 1 3
5 . Honra a teu pai e a tua mãe.
Êmdo 2 1 : 1 5 , 1 7 ;
Di!uteronômio 2 1 : 1 8-2 1
D&C 27 :9
6. Não matarás .
Ê) odo 2 1 : 12-14
D(!uteronômio 5 : 17
D&C 42: 1 8- 1 9, 79
7 . Não adulterarás .
Ê).odo 22: 1 6- 1 7 ;
D(!uteronômio 5 : 1 8
D&C 42:22-26,
74-8 1
8 . Não furtarás.
Lt vítico 1 9: 1 3 ;
Di!uteronômio 5 : 1 9
D&C 42:20,
84-85
9. Não dirás falso testemunho .
Salmos 1 0 1 :7;
Deuteronômio 5 : 20
D&C 42:21 , 27 , 86
Pr ovérbios 28 : 1 6
Deuteronômio 5 : 2 1 -22
D&C 19:25-26
10. Não cobiçarás .
Êxodo 21-24; 31-35
A Lei Mosaica:
Um Evangelho
Preparatório
(12-1) Introdução
Vimos no capítulo 1 1 como o Senhor iniciou a revelação
da lei para Israel, com os dez princípios que resumem o
tipo de relacionamento que a humanidade deve ter com
Deus, com sua família e seus semelhantes . Logo após o
Decálogo, o Senhor revelou uma série de leis e
mandamentos, aos quais chamamos hoje em dia de lei
mosaica.
É pesaroso notar que muitas pessoas , até mesmo alguns
membros da Igreja, acreditam que a lei de Moisés tenha
sido estabelecida em substituição à lei maior do evangelho .
Chamamo-Ia de lei menor, usando essa palavra com uma
conotação de progressão . Assim, a lei mosaica era, de
fato, uma lei menor . Porém há quem julgue que esse
termo significa algo de importância e significado
inferiores, ou de um nível menor de verdade e justiça;
contudo , não é esse o caso . Observem o que outras
escrituras nos ensinam a respeito dessa lei.
D&C 84:23-27
A lei mosaica era um "evangelho preparatório , " o que
incluía os princípios do arrependimento , batismo,
remissão dos pecados e a lei dos mandamentos carnais.
Mosias 13:29-30
Ela era uma "lei muito severa" de "ritos e
ordenanças " , destinada a fazer com que os israelitas
conservassem viva a lembrança de Deus e de seu dever
para com ele . "
Jarom 1 : 11 ; Mosias 3: 14-15; 13 :31; 16:14;
Alma 25: 15 ; 34: 14
A lei de Moisés era profundamente simbólica, cheia de
protótipos e alegorias, todos apontando para Cristo e seu
futuro sacrificio expiatório .
Gálatas 3:23-24
A lei mosaica foi dada como um aio ou tutor, para fazer
com que Israel ,se voltasse para Cristo.
Alma 25: 16; Apocalipse 19:10
A lei de Moisés é entendida pelo "espírito de profecia"
ou "testemunho de Jesus" .
Em resumo, ao estudar a lei mosaica, você deve esperar
receber durante a leitura: ( 1 ) um testemunho de Jesus
Cristo e de seu sacrifício expiatório , e (2) princípios do
evangelho ilustrados nas leis dadas . Hoje em dia, não é
requerido que os santos vivam muitos dos preceitos
mencionados na lei; todavia, os princípios ensinados são
eternos e jamais serão abolidos . Por exemplo , o costume
de oferecer sacrifícios de sangue foi cumprido, quando
Jesus veio e deu os símbolos do sacramento em
substituição à lei antiga. Porém, o princípio era tão
verdadeiro na época em que os sinais do convênio eram
12
animai ; oferecidos sobre o altar, quanto o é agora,
quando se constituem em pão e água abençoados pelo
sacerdócio . O princípio eterno que devemos visualizar aqui
é o de que, somente participando do sacrifício expiatório
do Cor deiro, estaremos aptos a sobrepujar os nossos
pecados e para eles obter o perdão .
É importante conhecer duas outras características
fundamentais da lei mosaica, para que se possa estudar as
leis em si . Em primeiro lugar, boa parte do código
mosaic D é jurisprudência. Um estudioso da Bíblia
esclareceu que a lei tem duas funções :
"Para compreendermos a lei bíblica, necessário s e faz
que ent endamos também certas características básicas de
tal lei . Primeiro , ela enumera certas premissas ou
princípios fundamentais, os quais são exposições da lei
básica. Os dez mandamentos nos dão tais exposições ou
declara ções . Eles não são , portanto , leis entre leis , mas sim
as leis básicas das quais as outras são exemplos específicos.
Um ex<:mplo de uma dessas leis básicas é o que se acha em
Êxodo 20: 1 5 (Deuteronômio 5 : 1 9) , 'Não furtarás . ' . . .
"Tendo isto em mente, que a lei primeiramente
estabel,�ce princípios fundamentais, examinemos uma
segund rJ característica da lei bíblica, ou seja, a de que a
maior parte dela é uma jurisprudência, quer dizer, a
ilustraç ão de um princípio básico através de casos
específ ic os . Estes casos específicos são freqüentemente
ilustraç ões da extensão da aplicação da lei; em resumo,
citande , -se um simples delito , as necessárias j urisdições da
lei serão reveladas.
"A l ei, portanto, primeiramente estabelece os
princíp ios, depois cita alguns casos, a fim de desenvolver
as implicações de tais princípios, e, finalmente, tem por
objetiv D e diretriz o restabelecimento da ordem de Deus. "
(Rushd oony, Institutes of Biblical Law, pp . 1 0- 1 2 . )
Vere mos numerosos exemplos d e jurisprudência ao
estudar mos o código mosaico .
Em tegundo lugar, a lei é originalmente negativa. Oito
dos deí: mandamentos, e muitas das outras leis, nos
ensinam o que não devemos fazer, ao invés de tratar do
que devemos fazer. Nossa cultura geralmente sente um
certo d esagrado pelas leis negativas, e alega que elas
impõen demasiada restrição, preferindo leis positivas,
que, as segurando os nossos direitos, parecem dar-nos
maior liberdade. Tal aspecto, entretanto, é ilusório. O
Senhor deu a lei mosaica a Israel não para oprimir os
israelitas, mas sim para assegurar-se de que desfrutariam
de maior liberdade individual . Esclarecendo como isto
acontecia, um estudioso do assunto afirmou:
Um I ;onceito negativo da lei nos concede duplo
benefício : Primeiro, é prático, no sentido de abordar
realisticamente um pecado específico . Ele afirma: 'Não
furtarás ' , ou 'Não dirás falso testemunho' . Portanto, uma
declara ção negativa trata determinada transgressão de
modo daro e direto, proibindo-a e tornando-a ilegal.
Assim, a lei exerce uma função moderadora; a lei .é
limitadrJ, e igualmente limitada é a ação do estado. Como
138
órgão executor da lei, o estado se limita a reprimir o mal,
não a controlar todos os homens.
"Em segundo lugar, e diretamente relacionado co:n o
ponto de vista acima, o conceito negativo da lei assegura a
obtenção de maior liberdade: com exceção das áreas em
que existe proibição, todos os outros aspectos da vid a
humana se encontram fora do alcance da lei, e esta llles é
necessariamente indiferente. Se o mandamento ordena:
'Não furtarás' , significa que a lei somente pode coibir o
roubo; ela não pode governar nem controlar a propriedade
honestamente adquirida. Quando a lei proíbe a blasfêmia e
o falso testemunho, ela garante que todas as outras formas
de expressão oral têm sua própria liberdade. A
negatividade da lei assegura a preservação das
,
características positivas da vida e liberdade humana .
(Rushdoony, Institutes of Biblical Law, pp . 1 0 1 -2.)
Lembre-se de que, no prefácio dos dez mandamentos, o
Senhor declarou : "Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei
�� �erra do Egito, da casa da servidão" (Êxodo 20:2;
Itahcos acrescentados). Ao proferir estas palavras, ková
fez com que Israel se lembrasse de que o objetivo pri ncipal
da lei era tQrnar o povo livre e mantê-lo nessa condiç:ão.
.
Instruções aos Alunos
1 . Ao ler e estudar Êxodo 2 1 -24; 3 1 -35, utilize o
auxílio que as Notas e Comentários podem oferecer­
-lhes.
2. Complete a seção de Pontos a Ponderar,
conforme as orientações que lhe forem fornecidas pelo
professor. (Os alunos que estudam individualmente
devem completar toda a seção .)
NOTAS E COMENTÁRIOS
SOBRE ÊXODO 21-24; 31-35
(12-2) Êxodo 2 1 : 2-11. Os Direitos de Liberdade
Estabelecidos Pela Lei
Este é o primeiro exemplo de abordagem da
jurisprudência referente à 'lei mosaica. O princípio aqui
retratado é "não furtarás" . Uma das coisas mais
preciosas que qualquer indivíduo possui é a sua liber dade
pessoal. Tolher a liberdade de uma pessoa é um gra" e ato
de furto. Dessa forma, a posse permanente de escra\'os
não era permitida, a menos que a própria pessoa
escolhesse ser escrava por toda a vida (veja os verso :;-6.)
Conforme se acha ilustrado nesta passagem, o escrallo em
Israel exercia realmente as funções de servo . A lei requeria
que fosse libertado após sete anos de serviço, a não ! er que
ele, voluntariamente, preferisse permanecer em servi dão .
Embora a um pai fosse permitido combinar o
casamento de sua filha (é esse o significado da frase
"vender sua filha por serva" , contida no versículo 7 .
como bem evidenciam os esponsais mencionados no,;
versículos 8 e 9), ela também possuía certos direitos . O
marido em perspectiva não podia usá-la como escra\'a
("não sairá como saem os servos"). Se o homem não se
agradava de sua noiva, a lei concedia à moça a devid,a
proteção . Esta garantia legal se achava em agudo cO ltraste
com os hábitos de outros povos, cujas esposas eram
consideradas como mera propriedade, sujeitas a sere m
negociadas quando o marido bem entendesse.
(12-3) Êxodo 21:6. Por que Existia o Costume de Furar a
Orelha do Escravo?
Em virtude das diretrizes especificadas pela lei, o fardo
dos escravos hebreus foi grandemente amenizado; de
fato, a condição em que viviam era bem semelhante à dos
trabalhadores contratados . Sob tais circunstâncias, alguns
homens demonstravam a disposição de trocar a liberdade
pela segurança, especialmente se haviam casado enquanto
se encontravam no cativeiro, pois, com a libertação,
provavelmente teriam que renunciar a suas esposas e
filhos.
"Quando acontecia de o escravo recusar-se a ser livre
seu senhor o levava . . perante Deus, isto é . . . ao lugar o �de
se procedia ao julgamento da questão em nome do Senhor
(veja Deuteronômio 1 : 1 7 ; 1 9 : 1 7 ; comparar com
E�odo 2� :7-8) , 'para que ali fizesse uma declaração de que
nao quena ser hbertado. Sua orelha era então perfurada
com �ma sove�a, de encontro à porta ou ao postigo, e,
atraves desse smal, costumeiro entre muitas nações da
antigüidade, era como se ele fosse ligado àquela casa para
sempre. É esse o significado do ato de perfurar a orelha
�ontra a porta da casa, como é evidente pela expressão
mcomum encontrada em Deuteronômio 1 5 : 1 7 . 'Então
tomarás � ma sovela, e lhe furarás a orelha, à porta, e teu
servo sera para sempre' , caso em que a orelha e a porta
têm estreita relação com aquele simbolismo . " (Keil and
Delitzsch , Commentary, 1 :2: 1 30.)
.
(12-4) Êxodo 21: 12:36. Algumas Jurisprudências que
Esclarecem Principios
E �tas leis específicas nos dão maiores informações
relativas aos mandamentos ou princípios fundamentais .
1 . Há uma diferença entre o crime premeditado e a
morte acidental, ou homicídio não premeditado, como é
chamado hoje em dia (veja os vers o 1 2- 1 4) . A frase "mas
Deus o fez encontrar nas suas mãos" (vers. 1 3) é uma
expressão idiomática indicativa de que o indivíduo não
procurou propositadamente tirar a vida da pessoa. Esta lei
é um esclarecimento adicional do mandamento "não
matarás" .
.2 .. Certos crimes eram de natureza tão grave, que
eXigiam a aplicação da pena de morte. Esse fato
demonstra, em primeiro lugar, a seriedade de tal
transgressão, e em segundo, que a pena de morte, quando
executada pelas autoridades legalmente constituídas não é
uma violação do sexto mandamento . Entre os crim ;s
capitais aqui alistados encontram-se os seguintes :
Crime premeditado (veja os vers o 1 2- 1 4) .
A tentativa d e homicídio contra o s pais (veja o vers o 1 5 ) .
A palavra traduzida por "ferir" é derivada d e u m termo
hebraico que significa "golpear profundamente, a fim de
ferir ou matar" . (Wilson, Old Testament Word Studies ,
verbete "ferir" p . 401 .)
Rapto (veja o verso 1 6) .
Amaldiçoar o s pais (veja o vers o 1 7) . Nesta passagem,
vemos ser novamente usada uma palavra hebraica de
grande rigor, significando "injuriar" ou "censurar
violentamente" (Wilson, Old Testament Word Studies
verbete "amaldiçoar" p . 1 05).
Provocar a morte de um servo (veja os vers o 20-2 1 ) . A
Tradução de Joseph Smith, versículo 20, diz que se alguém
matar a seu servo , será também executado.
'
139
Negligência deliberada ao usar alguma propriedade
pessoal (veja o vers o 29).
Outros crimes passíveis de pena de morte são alistados
em outras partes da lei.
3 . A gravidade do crime do aborto é ensinada no
exemplo jurisprudencial aqui mencionado (veja o vers o 22-25). Se dois homens estão brigando e ferem uma mulher
grávida, fazendo com que aborte, o autor sofre uma
penalidade. Porém se "houver morte" (veja os vers o 22-23), então o ofensor será punido com a morte. Um
estudioso da Bíblia sugeriu que o método de apresentar
um exemplo da aplicação da lei ilustra até que ponto ela
era posta em vigor (veja a leitura 1 2- 1 ) , e este caso oferece
um excelente exemplo desse conceito. Se um aborto
provocado por acidente era punido com tal severidade,
devemos presumir que o aborto proposital, sem causa
justa, era uma transgressão ainda mais grave.
4. Com uma ampliação do sétimo mandamento , "Não
furtarás" , diversos casos de retribuição justa se acham
ilustrados nesta escritura e em Êxodo 22. Ainda desta v.ez,
os casos mencionados nos apresentam uma noção da
amplitude da lei . O furto podia ocorrer de maneira direta,
ou por negligência ou acidente . Assim , se alguém rouba
bens físicos pertencentes a outros (veja os vers o 26-27) , é
necessário que seja feita uma restituição . Se alguém, por
negligência, causa prejuízo a outrem, também é necessário
que uma restituição seja feita. A lei mosaica não é uma lei
de retaliação , mas, sim , de reparação .
Abinádi afirmou que a lei era "muito severa", uma lei
de "ritos e ordenanças", dada porque Israel era um
"povo obstinado" (Mosias 1 3 :29-30). Na lei de
Cristo, um principio geral , como "tudo o que vós quereis
que os homens vos façam, fazei-lho também vós "
(Mateus 7: 1 2) abrange situações semelhantes às
mencionadas em Êxodo 2 1 . Porém , na lei mais elevada do
evangelho, não era requerido que fossem mencionados
mandamentos adicionais específicos . Na lei de Cristo , uma
pessoa não precisava ser ensinada a precaver-se contra a
negligência ou a fazer restituição pelas perdas acidentais
por ela causadas. Ela assim procederá por amor ao
próximo . A lei mosaica especificava como. os preceitos
deviam ser vividos nas situações práticas do dia-a-dia;
contudo ainda assim , ensinava a lei de Cristo .
(12-5) Êxodo 22: 1-17. A Lei Preocupava-se com a
Restituição às Partes Prejudicadas
Primeiro , é fixada a taxa de restituição :
" 'Se alguém furtar boi ou ovelha, e o degolar ou
vender, por um boi pagará cinco bois, e pela ovelha quatro
ovelhas' (ÊXOdo 22: 1 ) . A retribuição múltipla baseava-se
num princípio de justiça. As ovelhas têm elevada
capacidade de reprodução e servem aos mais diversos usos,
não apenas como alimento, mas também fornecendo a lã
para o vestuário . Furtar uma ovelha significava roubar o
valor presente e futuro da propriedade de um indivíduo . O
furto de um boi exigia uma taxa de restituição maior
(cinco vezes) , pois ele era treinado para puxar carroças e
arar o campo, além de ser usado na execução das mais
diferentes tarefas agrícolas . Seu valor era, portanto,
avaliado não somente pela carne e utilidade do animal,
mas também pelo treinamento que recebera, pois adestrar
um boi para o trabalho requeria muito mais tempo e
habilidade . Exigia, portanto, uma taxa de restituição bem
maior. Nesta escritura acha-se claramente estabelecido um
princípio de retribuição, a qual devia calcular não só o
valor atual e futuro do objeto roubado , mas também o
treinamento especializado envolvido na sua substituição .
"Seg undo, o furto também envolvia problemas com
respeito à defesa contra o ladrão : (Êxodo 22: 2-3 é citado) .
U m arr Dmbador noturno podia ser legitimamente morto,
pelos proprietários da casa, a fim de defenderem sua
proprie dade; tal atitude fazia parte da legítima defesa de
suas vicias e bens temporais . Não há razão para se pensar
que a mesma lei não se aplicava a dependências externas à
casa, como por exemplo o estábulo . O ato de matar um
ladrão ,l luz do dia, entretanto, exceto em defesa da
própria vida, era considerado homicídio não premeditado .
Neste C:l.SO o ladrão poderia ser identificado e preso , sendo
a lei, m sta circunstância, uma forma de proteção . Se o
ofensor não podia fazer a restituição , era vendido como
escravo , a fim de satisfazer esse requisito . Em termos
atuais, .sto significa colocá-lo sob uma espécie de custódia,
através da qual o valor total de seu salário é revertido no
sentido de que seja feita plena restituição .
" Ter�eiro , a lei especificava a restituição que se requeria
de um l adrão apanhado em flagrante, ou antes de se livrar
dos obj etos roubados: (Êxodo 22:4 é citado) . Em tais
casos, c' ofensor devia devolver a propriedade roubada e
seu valor equivalente, isto é, o montante exato que a
pessoa I:sperava lucrar com aquele furto . Essa era a
restitui� ão .mínima que podia ser feita. Alguém que
roubava determinada quantia tinha que devolver não
apenas .lquela importância, mas também outro valor igual .
" Quarto , alguns danos , sejam deliberados ou
acidentais , incorrem em certa responsabilidade sobre o
indivíduo , a qual requer que seja feita uma restituição ,
pois danificar a propriedade alheia significa roubar uma
medida de seu vaior: (Êxodo 22:5-6 é citado) . A restituição
a ser feita em tais casos depende da natureza do ato; se a
parte pl ej udicada eram árvores frutíferas ou vinhas , a
produçiio futura era afetada, e a responsabilidade ,
proporc ional . A lei criminal que hoje conhecemos não tem
mais que pequenos vestígios do princípio da restituição;
atualmf nte a pessoa ofendida precisa abrir um processo
civil, a fim de ressarciar-se dos prej uízos sofridos , e isto
sem qUé Llquer consideração pelo princípio bíblico .
" Quinto, em Êxodo 22:7- 1 3 , é determinada a
respons lbilidade do indivíduo pelos bens colocados sob
sua cust ódia . . .
" 'O� bens colocados sob a guarda de outra pessoa
podiam ser tão facilmente defraudados pelo depositário ,
ou perd idos por sua negligência, que foi necessário
estabelecer algumas leis especiais para protegê-los .
Inversamente eram resguardados também os direitos do
depositúrio quanto a perdas , se o objeto a ele confiado
sofresse dano ou desaparecesse sem que ele fosse culpado.
A legislação mosaica regia ambos os casos . Por um lado ,
era reql.erido que o depositário cuidasse bem das coisas
colocad !l.s em suas mãos, e ele respondia perante a lei , caso
elas fos�:em roubadas e não conseguissem encontrar o
ladrão . Se houvesse apropriação indébita, o depositário
era obri gado a "pagar o dobro " . Por outro lado, quando
havia dúvida quanto à culpa, era-lhe permitido esclarecer a
situaçãc mediante um juramento (versículos 10 e 1 1 ), e em
casos in equívocos, provar que a perda ou dano ocorrera
por um acidente inevitável (versículo 12).
"SexlO, em caso de aluguel ou empréstimo , havia certos
princípios a serem seguidos (é citado Êxodo 22: 1 4- 1 5) . Se
uma pe� soa toma emprestados os bens de outra e os
danifica , tem a obrigação de pagar pelos prejuízos
causados; ela destruiu ou danificou a propriedade alheia,
sendo , portanto, culpada de furto, tendo assim que fazer
uma res tituição . Se o proprietário do animal veio aj udar
voluntariamente a seu amigo , como um bom vizinho, o
prejuízo recai sobre ele , pois sua propriedade foi
140
danificada enquanto se encontrava sob sua supervisão . O
mesmo princípio se aplicava, se ele estivesse trabalh mdo
mediante pagamento, pois o preço de seus serviços ,
executados com o auxílio de um boi, asno ou qualq ler
outro equipamento , cobria, manutenção , desgaste,
rupturas e danos que porventura seu instrumento de
trabalho viesse a sofrer.
"Sétimo a sedução não somente é uma ofensa contra o
sétimo ma� damento, mas também uma quebra do oitavo ,
pois o ato envolve o roubo da virgindade de uma donzela
(Êxodo 22: 16, l 7) . A compensação ou restituição eJjgia
que o ofensor 'desse em dinheiro conforme ao dote �as
virgens' . Um fato significativo é que a palavra hebr.llca
traduzida para dar quer dizer pesar; o dinheiro naquela
época era por peso , ou seja o peso de um siclo de prata ou
de ouro . . .
"Em todos o s casos, o transgressor não somente é
julgado por Deus, mas também precisa fazer restituição à
pessoa ofendida. A restituição , assim, está estreitamente
ligada à expiação , j ustiça e salvação . " (Rushdoony,
lnstitutes of Biblical Law, pp . 459-462.)
(12-6) Êxodo 22: 18-24. Outros Crimes Capitais Alis tados
Pelo Senhor
Em meio às leis de restituição , o Senhor alista di\ ersos
outros crimes puníveis com a morte . Em outras palavras,
algumas faltas eram de natureza tão grave, que a
restituição tinha que ser feita com a própria vida. Entre
elas encontramos as seguintes :
1 . Feitiçaria (veja o vers o 1 8) . Um comentador da Bíblia
nos explicou o motivo :
"Através da severidade com que eram punidas a�
feiticeiras, podemos ver como eram consideradas pda
justiça divina. Elas seduziam o povo e o desviavam de sua
obediência a Deus, de cujo julgamento deviam depl:nder
exclusivamente; e ao profanamente se intrometerem nas
coisas vindouras , tentavam assumir para si um dos
atributos de Deus, a predição de acontecimentosfu turos,
um ato que podia ser considerado como uma grand e
blasfêmia, e tinha a tendência de corromper a mente do
povo, fazendo com que se afastasse do Senhor e da
revelação que ele dera de si mesmo . Muitos israelita s, sem
dúvida alguma, haviam aprendido essa curiosa arte
durante sua longa convivência com os egípcios; e haviam
criado tanto apego a ela, que encontramos evidências da
grande consideração em que tinham tais prá�ic �s � a gumas
das quais podem ser observadas em toda a histOrIa .
judaica. Não obstante, essa falta era de natureza capital, e
todos os casos eram punidos com a morte. " (Clark,�, Bible
Commentary, Vol. 1 , p. 416.)
Na Tradução de Joseph Smith , todavia, � palavr a
feiticeira é substituída po.r assassi:z a (T JS, Ex? do. 2:�: 1 8) .
2. A s perversões seXUaiS cometidas com ammals; uma
das mais terríveis formas de pecado sexual (veja
Êxodo 22: 1 9).
3 . A idolatria (veja o vers o 20) . A adoração de um deus
falso causa ao homem espiritual o mesmo dano qu<: o
assassinato ao corpo físico - uma morte direta e
desoladora. Alma, o Filho, mostrou que entendia e sse
princípio, quando se referiu ao período de apostasi l em
que viveu: "Sim, e que havia ass �ssinad� �u��os de seus
filhos, ou melhor, que os levara a destrUlçao .
(Alm a 36: 1 4; itálicos acrescentados).
4. A negligência para com as viúvas e órfãos (vej a .
Êxodo 22: 22-24) . Neste caso, todavia, não era pernitldo
aos juízes aplicarem a pena de morte. O Senhor reservava
para si mesmo esse direito (veja o vers o 24) .
(12-7) Êxodo 22:25-27. Por Que Era Proibido Conservar
as Vestes de Uma Pessoa Durante a Noite?
"A verdadeira questão é que, em seu relacionamento
com o pobre, possivelmente seu próprio empregado, um
israelita deveria ser generoso . Se julgar apropriado
conceder-lhe uma antecipação de seu salário, não deve
insistir em receber o pagamento no final do dia, com o
risco de fazer com que o homem parta sem a túnica que
deu como penhor do empréstimo (vers . 26) . A advertência
original não se constituía tanto numa proibição de receber
juros, como numa exigência de a pessoa estar pronta a
'arriscar a concessão de adiantamento ' sem reter uma
garantia material . Amós 2:6 condena os israelitas por
haverem feito tais empréstimos de maneira estritamente
legal, até mesmo chegando ao extremo de privar os pobres
de suas posses mais elementares . Quando o sistema
econômico que funcionava à base de troca se transformou
em sistema monetário, o problema dos juros se tornou
ainda maior (Deuteronômio 23 : 19-20; Levítico 25 :26);
entre os israelitas, era proibido cobrar juros sobre os
empréstimos comerciais. (No idioma hebraico , a palavra
'juros' significa 'mordida' .) Reter a túnica do próximo
como penhor, por um período superior ao das horas de
trabalho de um dia, ocasião em que ele não a está usando,
é o equivalente ao homem dar sua vida como garantia
(compare com Deuteronômio 24:6, 1 7) . Essa proibição , no
final, torna impossível uma pessoa aceitar outra como
escrava para saldar um débito . " (lnterpreter's Bible,
Vol . 1 , p . 1 (08).
(12-8) Êxodo 22:28
A Tradução de Joseph Smith registra que foi dito ao
povo que não deveria rebelar-se contra Deus, nem
amaldiçoar seus governantes .
(12-9) Êxodo 22:29-31
A palavra traduzida para "licores" é derivada de um
termo hebraico que significa "chorar " , e denota o suco da
uva ou óleo de oliva, e não se refere necessariamente ao
suco fermentado . Estas leis simbolizavam o anseio de
consagração do povo de Jeová.
(12-10) Êxodo 23: 1-8. As Leis de Um Viver Digno
Muitas pessoas do mundo cristão pensam que a lei
mosaica está resumida no requisito "olho por olho , dente
por dente" (Êxodo 21 :24). Eles visua�zam um sistema de
retaliação feroz e castigo brutal. Em Exodo 23 : 1 -8,
encontramos um excelente exemplo da impropriedade
dessa idéia. Ali se acham demonstradas leis que requerem
um elevado padrão de moralidade, justiça e retidão, além
do mandamento de fazermos bem ao próximo . Numa
época em que a iniqüidade é tão profunda, onde o .
mexerico e a difamação existem por toda parte (veja o
vers o 1 ) , em que a humanidade segue os cap:ichos e a.
moda ditada por homens perversos e mesqumhos (veja o
vers o 2), em que pessoas iníquas (Joseph Smith corrigiu a
palavra pobre do vers o 3 para iníquo) são apoiadas e até
mesmo enaltecidas, onde tantos indivíduos se recusam a se
envolver nos problemas ou infortúnios de seus semelhantes
(veja os vers o 4-5) , em que a exploração do pobre e
ignorante é tão difundida (veja os �e�s . 6-7), e em qu� ?
suborno e a corrupção se acham diarIamente nas noticias
dos jornais (veja o verso 8), o mundo seria grandemente
beneficiado, se adotasse tais leis e as seguisse.
141
(12-11) Êxodo 23:8-19
(12-16) Êxodo 31
Para maiores detalhes sobre os diversos dias santificados
alistados aqui , veja a Seção E special D, "As Festas e
Comemorações" . Eles serviam a dois propósitos :
primeiramente, para ajudar Israel a lembrar-se de sua
libertação do cativeiro pelo poder de Deus; e em segundo,
para auxiliá-los a dar continuidade ao relacionamento de
convênio com Jeová. O objetivo principal desse costume
era promover maior confiança no Senhor .
O Se l1hor opera através de homens talentosos, a fim de
realizar seus desígnios (veja os vers o 1 -6) . Na leitura 1 1 -8,
encontr a-se um comentário sobre o Dia do Senhor (veja os
verso E- 17).
A natureza das tábuas (veja o vers o 1 8) será debatida na
Leitura 12-24.
(12-12) Êxodo 23:20-31
Deus prometeu cinco coisas a Israel pela sua obediência.
Primeiro, um anjo do Senhor os conduziria para a terra
prometida (veja os vers o 20-23) . Segundo, seriam
abençoados com boa saúde (veja os vers o 24-25) . Terceiro ,
o povo e seus rebanhos se multiplicariam
extraordinariamente (veja o vers o 26) . Quarto , seriam bem
sucedidos nas lutas que travariam com as nações pagãs
(veja os vers o 27-30) . Quinto, no final herdariam tudo o
que estivesse entre o Mar Vermelho e o Rio Eufrates (veja
o vers o 3 1 ) .
(12-13) Êxodo 24: 1-8. Antes d e Moisés Subir a o Monte
Sinai , Israel foi Instruída Sobre a Lei e Fez o Convênio de
Obedecer a Ela.
"O povo , antes de Moisés e as setenta testemunhas
especiais entrarem na presença do Senhor , foi instruído a
respeito das leis. Eles aceitaram-nas , fazendo o convênio
de guardá-Ias , recebendo uma cópia de tais preceitos como
contrato, e santificando seus convênios com um sacrifício .
Observe a promessa feita pelo povo : 'Todas as palavras
que o Senhor tem falado, faremos . ' " (Rasmussen ,
Introduction to the Old Testament, Vol . 1 , pp . 88-89 .)
As instruções que Israel recebeu antes de Moisés subir
ao Monte Sinai foram preservadas no "livro do concerto"
(vers . 7) :
"Porém , como nenhum convênio era tido como
ratificado ou celebrado sem que um sacrifício fosse
oferecido , podemos compreender a necessidade dos
sacrificios aqui mencionados .
(12-17) Êxodo 32: 1-6. Por Que os Israelitas Quiseram
Adorar um Bezerro de Ouro?
"A h istória toda é bastante estranha e inexplicável . Como
era pos ;ível que um povo tão cedo esquecesse as
maravil hosas manifestações de Deus ocorridas sobre o
monte? Seria possível que Aarão tivesse imaginado que
poderia criar alguma espécie de deus que pudesse aj udá­
-los? E mais, não encontramos evidência de que ele tivesse
alguma vez censurado o povo ! Provavelmente apenas
pretend ia criar para eles alguma representação simbólica
do podl!r e energia divinos, que fosse tão visível para os
israelitas como fora a coluna de nuvem e fogo, e à qual
Deus pudesse agregar uma energia e influência sempre
presenV!s ; ou, ao requerer ao povo que sacrificasse seus
ornamentos, ele pode haver suposto que diante disso , não
insistiriam , em seu veemente pedido. Porém , tudo isto não
passa di! simples conjetura, com ínfima probabilidade de
que assi m tenha sucedido . Todavia, não podemos deixar
de afirmar que não encontramos indícios de que ele tenha
criado um sistema de adoração que substituísse àquela
prestada ao Altíssimo . Assim , vemo-lo proclamando:
'Amanllã será festa ao Senhor, ' e observaremos , pouco
depois , que alguns dos próprios rituais da verdadeira
adoraç�lo foram observados naquela ocasião , pois o povo
trouxe holocaustos e ofertas pacíficas (vers . 5 , 6) ; assim , é
evidenli! pretender ele que o verdadeiro Deus fosse o
objeto daquela adoração , embora permitisse e até mesmo
os estimulasse a oferecê-Ia através de um recurso idólatra,
um bezerro fundido . " (Clarke, Bib/e Commentary, Vol . I ,
pp . 463 -464.)
"Metade do sangue do animal era aspergido sobre o
altar, e o restante sobre o povo, mostrando , assim , que
tanto Deus como eles estavam mutuamente ligados àquele
convênio . Ao Senhor cabia apoiar, defender e salvar o
povo . Este, por sua vez, assumia perante Deus o
compromisso de temê-lo , amá-lo e servi-lo . " (Clarke,
Bible Commentary, Vol . 1 , p . 425 . )
A s instruções dadas a Israel asseguravam que o povo
não seria forçado a ter com o Senhor um relacionamento
que não compreendia ou desejava. Desde que os israelitas
manifestaram sua disposição de aceitar a lei e fizeram o
pacto de vivê-Ia, Moisés ficou livre para agir por Israel na
presença do Senhor.
(12-14) Êxodo 24:9-11
Para maiores informações sobre esta e outras vezes em
que Deus foi visto, examine a Leitura 12-23 .
(12-15) Êxodo 25-30
Estes capítulos contêm as revelações do Senhor
concernentes ao tabernáculo e seu mobiliário . Estas
diretrizes serão consideradas no próximo capítulo .
Os filhos de Israel adoraram UlI1 bel.erro de O/lro
142
(12-18) Êxodo 32:9-14. Deus Iria Realmente Destruir os
Israelitas, e "Se Arrependeu do Mal"?
A Tradução de Joseph Smith corrige este versículo e
afirma que Moisés rogou ao Senhor que poupasse os
israelitas sob a condição de se arrependerem. No
versículo 14, da Tradução de Joseph Smith, o Senh)f disse
a Moisés que pouparia o povo, se ele (Moisés) puni� se
aqueles que se recusassem a se arrepender.
(12-19) Êxodo 32: 15-35. Moisés, o Mediador
O papel que Moisés desempenhou em todo esse
acontecimento é bastante significativo. Na grande v isão
que teve do Senhor, ele aprendeu que era "à semelh ança"
do Filho Unigênito (Moisés 1 :6). Tal semelhança é
claramente demonstrada nesta passagem . Quando c' povo
estava prestes a ser destruído em virtude de sua iniq liidade,
Moisés tornou-se seu mediador perante Deus . Ele
defendeu sua causa e até mesmo ofereceu a própria vida
para aplacar a justiça (veja Êxodo 32:3 1 -32) . Após :;e
defrontar com as constantes reclamações e rebeldia do
povo, qualquer líder comum teria dito: "Sim, é um povo
iníquo. Vamos , destrua-o . " Porém Moisés , como Cristo,
a quem era semelhante, amava seu povo apesar da dureza
de seu coração e evidente iniqüidade. Ele intercedeu em
seu favor e salvou-os, mas somente sob a condição de que
se arrependessem .
Para maiores explicações sobre o que continham as
primeiras tábuas que Moisés recebeu, veja a Leitura 1 2-24.
(12-20) Êxodo 32:25-30
"Moisés procurou saber quem era 'do Senhor' , dentre
aqueles que Aarão havia 'despido' . (A palavra hebraica
usada aqui, também pode significar 'nu, descoberto' ou
'desenfreado, turbulento' .) A palavra 'despido' pode ser
entendida no mesmo sentido em que foi usada, qua ndo
Adão se envergonhou e escondeu-se do Senhor, pOl que
estava nu. A expressão também pode significar 'exJ: 0sto
em culpa perante a ira de Deus' . Compare com a
experiência vivida por Alma, ao descrever seus
sentimentos, em Alma 36: 1 4-22. Por outro lado, não
restava qualquer dúvida de que Israel se havia
'desenfreado' e sido 'turbulenta' sob a liderança de Aarão .
Ambas as condições reverteriam para a vergonha dI! um
povo que se supunha fosse religioso . " (Rasmussen,
Introduction to the Old Testament, Vol. 1 , p . 93 .)
Algumas pessoas imaginam por que Aarão, que
desempenhou um papel tão importante no incidentl! do
bezerro de ouro , conseguiu escapar sem qualquer
condenação . Embora não se ache registrado em Êxodo,
Moisés posteriormente afirmou que Aarão também quase
foi destruído, conseguindo salvar-se apenas porque ele
intercedeu em seu favor (Veja Deuteronômio 9:20) .
(12-21) Êxodo 33: 1-3
Para encontrar um paralelo moderno referente a esta
censura, veja Doutrina e Convênios 1 03 : 1 5-20.
(12-22) Êxodo 33:4-7. Em Que Consistia o Taberná culo
Que Moisés Armou Fora do Arraial?
"Moisés, então, tomou uma tenda e armou-a fora do
arraial, a uma certa distância do acampamento de I srael, e
chamou-a 'tenda da congregação' . A 'tenda' não el a o
santuário do tabernáculo descrito em Êxodo 25-30, o qual
não foi erigido antes que se realizasse a perfeita
restauração do convênio (Êxodo 35-40), nem outra espécie
de santuário que fora herdado de seus ancestrais e
utilizado até que se construísse o tabernáculo . . . mas sim
uma tenda que pertencia a Moisés, a qual se tornou um
tabernáculo temporário pelo fato de a coluna de nuvem
haver descido sobre ela e ali Jeová conversar com Moisés .
Era conhecida pelo mesmo nome que o tabernáculo . . .
porque Jeová naquela tenda se revelara, e todos os que o
buscavam tinham que dirigir-se àquele santuário fora do
arraial. " (Keil and Delitzsch , Commentary, Vol . 1 :2:
pp. 233- 34.)
(12-23) Êxodo 33: 19-23. É Possível Alguém Ver a Face de
Deus e Viver?
Certamente existe algo errado em Êxodo 3 3 : 20, pois o
versículo 1 1 deste mesmo capítulo declara taxativamente:
"E falava o Senhor a Moisés cara a cara, como qualquer
fala com seu amigo" (itálicos acrescentados). Também,
em Êxodo 24:9- 1 1 , se acha registrado que Moisés e setenta
anciãos de Israel viram a Deus. O É lder Joseph Fielding
Smith fez os seguintes comentários sobre o problema que
Êxodo 3 3 : 20 e João 1 : 1 8 apresentam:
"Existem inúmeras passagens que afirmam
categoricamente ter Deus realmente aparecido àquelas
pessoas e conversado 'face-a-face' com seus antigos
servos. Assim sendo, as passagens declarando que
ninguém jamais o viu, devem, com toda certeza, estar
erradas . Por exemplo , o caso de João 1 : 1 8 . . é bem
provável que tenha sido porque um tradutor da Bíblia, em
anos recentes, não acreditava ser Deus uma pessoa fisica,
e, conseqüentemente, achou que não poderia ser visto .
Essa idéia chegou até nós desde a introdução do Credo
Atanasiano no ano 325 D.C. Na Tradução do Profeta
Joseph Smith, esta passagem declara que ninguém jamais
viu a Deus, sem que tenha testificado do Filho, e que é
somente através dele (do Filho) que o homem pode ser
salvo . Em I João 4: 12, a Tradução de Joseph Smith
declara que ninguém que não tenha demonstrado a
quantidade apropriada de fé, viu a Deus, e que, se
amarmos uns aos outros, teremos conosco o Espírito de
Deus e refletiremos seu perfeito amor .
"Consideremos agora outros versículos do evangelho de
João, e comparemo-los com a Versão Autorizada:
" 'Está escrito nos profetas : E serão todos ensinados
por Deus. Portanto, todo aquele que do Pai ouviu e
aprendeu vem a mim .
" 'Não que alguém visse ao Pai, a não ser aquele que é
de Deus; este tem visto ao Pai . ' (João 6:45-46.)
"Se não estivéssemos cientes do fato de que há
traduções errôneas, teríamos a impressão de que o
Salvador se contradisse. O último versículo (João 6:46)
não está em harmonia com João 1 : 1 8 .
"Lemos que Abraão falou com Deus face-a-face, e que
o Senhor também conversou com Enoque e outras
pessoas . O mundo moderno, todavia, não aceita isso e tem
rejeitado o Deus vivo , trocando-o por outro, que não pode
ser visto nem ouvido. " (A nswers to Gospel Questions,
2: 1 62-63 .)
Vemos, assim, o quanto Joseph Smith foi inspirado ao
corrigir esta passagem. Em sua tradução, este versículo diz
que foi declarado a Moisés que ele não teria permissão
para ver a Deus naquela ocasião, e que tal visão não seria
permitida a pecador algum.
.
143
(12-24) Êxodo 34: 1-4. Ambos os Conj untos de Tábuas
Continham as Mesmas Leis?
Para que possamos responder plenamente a esta
questão, é necessário exarminarmos com cuidado o
conteúdo das primeiras tábuas . Um estudioso da Bíblia
ofereceu a seguinte análise:
" 'As considerações abaixo sã:> uma análise geral deste
assunto. No capítulo 20 de Êxodo, foram dados os dez
mandamentos; e na mesma ocasião, diversos estatutos
políticos e eclesiásticos, que se acham minuciosamente
descritos nos capítulos 2 1 , 22 e 23 . Para recebê-los, Moisés
'se chegou à escuridão onde Deus estava' (Êxodo 20:21) e,
após tê-los em mãos, voltou novamente para junto do
povo , de acordo com o que lhe haviam pedido (veja o
vers o 1 9) : Fala tu conosco e não fale Deus conosco, para
que não morramos, pois haviam ficado aterrorizados com
a maneira como Deus lhes dera os dez mandamentos; veja
o vers o 1 8 . Depois disso , Moisés, juntamente com Aarão,
Nadabe, Abiú e os setenta anciãos subiram ao monte, e ao
retornarem, ele proclamou todas estas leis ao povo
(Êxodo 24: 1 em diante); e os israelitas prometeram
obedecer a elas . Até aqui , não há menção das tábuas de
pedra. Em seguida, Moisés escreveu todos os estatutos
num livro (Êxodo 24:4), o qual foi chamado de livro do
concerto (vers . 7) . Moisés, Aarão, Nadabe, Abiú e os
setenta anciãos subiram então uma segunda vez ao monte
(ÊXOdo 24:9), ocasião em que ocorreu aquela gloriosa
visão de Deus, mencionada nos versículos 10 e 1 1 daquele
mesmo capítulo . Depois que eles desceram, Moisés
recebeu ordem de subir de novo, e o Senhor prometeu-lhe
dar as tábuas de pedra contendo a lei e os mandamentos
(vers . 12). Esta é a primeira menção feita às tábuas de
pedra; e assim parece que os dez mandamentos e diversos
outros preceitos foram dados e aceitos pelo povo , inclusive
com o oferecimento de um sacrifício (Êxodo 24: 5), antes
que as tábuas de pedra fossem escritas ou mencionadas . ' É
bem possível que os mandamentos, leis etc . tenham sido
primeiramente proclamados de forma oral para o povo
pelo Senhor, e repetidos posteriormente por Moisés, e que
as dez palavras ou mandamentos se constituíam num
resumo de toda a lei, as quais, em ocasião 'posterior, foram
escritas sobre as primeiras tábuas de pedra, para serem
preservadas como um registro no interior da arca. "
(Clarke, Bible Commentary, Vol. 1 , p . 474.)
Esta análise por certo corresponde a uma questão
freqüentemente apresentada: Como o Senhor escreveu
toda a lei de Moisés em apenas duas tábuas? Elas, ao que
parece,continham somente o divino resumo conhecido
como Os Dez Mandamentos .
Na Tradução de Joseph Smith , estes dois primeiros
versículos declaram que Moisés recebeu instruções de fazer
duas novas tábuas, nas quais seria registrada a "lei
mosaica" (uma lei preparatória, pois os israelitas não
estavam prontos para uma lei maior). O Senhor então
declara que nunca seria dada ao povo a oportunidade de
entrar em sua presença nos dias de peregrinação. Moisés é
instruído então a apresentar-se ao Senhor no Monte Sinai,
na manhã seguinte.
À primeira vista, a leitura desta passagem pode soar um
pouco contraditória. Nela o Senhor diz que escreverá
sobre as segundas tábuas 'as mesmas palavras que estavam
nas primeiras tábuas, que tu quebraste" (vers . 1 ) , e logo a
seguir, de acordo com a Tradução de Joseph Smith ,
declafél que "não serão iguais às primeiras " (vers . I ) . O
problema a esclarecer é se, ao dizer isso, ele estava-se
referin:lo à escrita nas tábuas, ou à nova ordem de coisas
introduzida em virtude da rebeldia de Israel . Esta
inform ação parece dizer respeito à nova ordem , e não aos
novos I!scritos. Deuteronômio 1 0:2, na Tradução de
Joseph Smith , declara que o segundo conj unto de tábuas
não cO rltinha a "lei maior" .
Moisés fI 'cebeu as tábuas no Mome Sinai
(12-25) Êxodo 34:29-35. Que Significava o Resplendor que
Moisés Tinha no Rosto e o Véu que Usava?
"Após uma prolongada permanência diante de Deus , e
depois de haver desfrutado dessas maravilhosas
experiê ncias, não é de admirar que o rosto de Moisés
resplan decesse com glória divina no momento que
retornaa, e que o povo tivesse medo de chegar perto dele.
Este fe'llômeno de luz irradiando de seres celestiais e de
personagens terrenos que se acham sob a influência
celestial não é o único . Compare as descrições dos
Apósto los no dia de Pentecostes, ocasião em que 'línguas . . .
como que de fogo ' emanavam deles (Atos 2 : 3 ) .
"A palavra hebraica traduzida por 'resplandecia' é
qaran , um verbo denominativo derivado de um
susbstantivo que significa 'chifre' , designando emanações
144
radiais de luz, como 'chifres ' ou os raios de luz matutina
quando surgem no horizonte , antes de o sol nascer .
Devido a este fenômeno , os árabes chamam o nasceI " do
sol de 'gazela. ' (Devido a uma tradução errônea do
hebraico para o latim, Michelangelo colocou chifres reais
na cabeça de sua heróica estátua de Moisés ! ) "
(Rasmussen , Inlroduclion l o lhe Old Teslamenl, Vo l . 1 ,
p . 95 .)
PONTOS A PONDERAR
(12-26) A antiga Israel aprendeu claramente que a te rra
pertencia ao Senhor. Ele é o seu soberano e rei . Assi m
sendo , o Senhor não só pode estabelecer as leis que a
governam , mas também colocar habitantes em seus mais
diversos rincões. O Livro de Mórmon une-se à Bíblia para
testificar este fato . Faça uma pequena pausa e exam: .ne
estas escrituras : 1 Néfi 1 7 : 36-39; 2 Néfi 1 : 7 ;
Deuteronômio 4:20, 37-38.
Através destas passagens, podemos ver que os dirdtos
que uma nação tem de conservar a terra são garantidos
apenas por meio da obediência às leis daquele a quem ela
pertence . Embora o homem tenha recebido , através de
Adão , o direito de dominar a terra, tal domínio está
sujeito a Deus . Portanto, o homem tem a obrigação de
estabelecer as leis de Deus e fazer com que vigore a sua
ordem . Já que este é o caso, examine as seguintes
questões : Até onde alcançam as leis de Deus? Todas as
pessoas estão nela incluídas? A violação das leis de Deus
entre adultos mutuamente concordantes , anula a lei?
Existe, de fato , um pecado que prej udique apenas o
próprio indivíduo? Em que sentido qualquer pecado é uma
violação da ordem de Deus? De que maneira todos os
pecados são cometidos contra Deus, embora pareçam
afetar apenas o indivíduo? Que devemos responder à
pessoa que diz : "A vida é minha; posso fazer dela o que
bem quiser" ?
(12-27) Leia d e novo , cuidadosamente , Doutrina e
Convênio s 84:23-27; Mosias 1 3 :29-30; (veja a leitura 1 2-24) ; e Alma 25 : 1 5 - 1 6 . Agora, responda às seguintes
perguntas :
1 . Por que os antigos israelitas receberam esta lei mais
estrita?
2. De que poderiam ter desfrutado, não fosse pela sua
grande iniqüidade?
3. Se tivessem sido obedientes à lei que receberam, qual
teria sido o resultado?
4. Exis tem , hoj e em dia, membros da Igreja que estejam
em condição semelhante à dos antigos israelitas?
5 . De que adianta, portanto , a um santo dos últimos
dias da época atual, estudar a lei mosaica?
Êxodo 25-30; 35-40
A Casa do Senhor
no Deserto
(13-1) Introdução
Dos trovões que estrondeavam no Sinai, o Senhor
revelou um plano glorioso, através do qual poderia redimir
os filhos de Israel . O Senhor abriu os céus para Moisés , e
através dele, estendeu a Israel a oportunidade de alcançar
a plenitude de sua glória, provar do seu amor , e
verdadeiramente se tornar um povo de Sião (veja
Êxodo 25 : 8 ; 29:43 ; D&C 84:23-27) . Durante os quarenta
dias de jejum que passou no Monte, Moisés recebeu , com
todos os pormenores , as informações de que necessitava
para construir um tabernáculo , uma casa do Senhor, onde
Israel poderia vir e receber as chaves da salvação e
exaltação .
É inequívoca a ligação entre este tabernáculo e os
templos dos últimos dias . Como os templos modernos, o
tabernáculo foi criado para ser uma casa onde se podiam
encontrar "todas as coisas necessárias " (D&C 1 09: 1 5 . )
Seria "uma casa de oração , casa de jejum, casa de fé, casa
de glória e de Deus " , para que "todas as entradas do teu
povo nesta casa sej am em nome do Senhor; e que todas as
suas saídas sejam em nome do Senhor" (D&C 1 09: 1 6- 1 8 ;
vej a também Levítico 9:23 ; 1 0: 8- 1 1 ) . E assim , através do
poder da revelação , Israel poderia aprender palavras de
sabedoria" e procurar "conhecimento pelo estudo e
também pela fé " (D&C 1 09: 1 4) .
Existe u m profundo significado n o que diz respeito às
dimensões físicas e à planta do tabernáculo . Elas tinham o
propósito de refletir os padrões espirit uais também
transmitidos nos templos de hoje em dia. O estudo e a
meditação fervorosa aj udá-lo-ão a compreender a
importância dessa antiga morada do Senhor.
Instruções aos Alunos
I . Ao ler Êxodo 25-30; 35-40, utilize o auxílio que as
Notas e Comentários podem oferecer-lhe.
2. Complete a seção de Pontos a Ponderar,
conforme as orientações que lhe forem fornecidas pelo
professor . (Os alunos que estudam individualmente
devem completar toda a seção . )
NOTAS E COMENTÁRIOS
SOBRE ÊXODO 25-30; 35-40
(13-2) Êxodo 25-30; 35-40. Por Que Existem no Êxodo
Dois Relatos Sobre o Tabernáculo?
Q uando se encontrava no monte Sinai , Moisés recebeu
uma revelação indicando os detalhes da planta do
tabernáculo (veja Ê xodo 25-30) . Ao descer, ele reuniu
Israel e começaram a construí-lo (veja Ê xodo 35-40) . Visto
que Moisés usou a revelação para orientar a construção ,
há um estreito paralelo entre as duas descrições que se
acham em Ê xodo. (Observação: Para fins de comentário,
toda a atenção será focalizada em Ê xodo 25-30, ou seja, os
13
capítulos onde se encontra a revelação, e as adições
significativas registradas nos capítulos que tratam de sua
construção , serão abordados quando necessário .)
( Êxodu 25 : 1-9. Um Coração Desejoso
É bé .sta nte expressivo o fato de que , antes de revelar o
padrãe . segundo o qual seria construído o tabernáculo , o
Senhor disse a Moisés que o povo de Israel teria que
demon strar disposição de fazer os sacrifícios necessários
para construir o santuário do Senhor (veja o vers o 2) .
Mórillt)n ensinou que, se uma dádiva ou sacrifício é
oferecido a Deus com má vontade, ele não apenas é
recusado pelo Senhor, mas também se torna um gesto
indigno (veja Morôni 7 : 6- 1 0) . A menos que Israel tivesse
uma at itude correta ao sacrificar um pouco de seus bens
materiais , de nada lhe valeria. Os leitores atuais devem
record, lr-se de que, apesar de suas outras faltas e
transgresS-es (o incidente do bezerro de ouro ocorreu
quando Moisés se encontrava no monte, recebendo esta
revelaç ão) , quando Israel soube o que o Senhor pedia,
correspondeu com jubilosa liberalidade ao que ele
solicitava. Seus corações foram de fato tocados (veja
Ê xodo 3 5 : 20-22 , 25-26, 29) e, finalmente , Moisés teve de
restrini�ir-Ihes a bondade, pois doaram muito mais do que
era necessário para construir o tabernáculo (veja
Êxodo 36: 5-7) .
Em Êxodo 25 : 8 , o Senhor revelou claramente qual era o
obj etiv o do tabernáculo - ele seria a casa do Senhor. A
palavra hebraica traduzida como "tabernáculo " realmente
significa "tenda" ou "habitação " (Wilson , Old Testament
Word Sludies, verbete "tabernáculo " , p. 434) .
A fr ase "conforme a tudo o que eu te mostrar " (vers . 9)
parece estar indicando que Moisés realmente teve uma
visão d o tabernáculo e de seu mobiliário, e que não apenas
recebeu uma descrição verbal .
O éfode, mencionado no versículo 7, será tratado com
porme lores na Leitura 1 3 - 1 3 .
(13-4) Êxodo 25 : 10. Que Significam o s Termos Cetim
(A cáci.7) e Cávado?
O ce tim (acácia) (shittim, em hebraico) é o nome de uma
árvore de acácia do deserto, conhecida em todo o Egito e
no Ori ente Próximo (Smith, Dictionary oi Bible,
pp . 62· �-25 ) . Por ser uma espécie de madeira muito dura,
de grande durabilidade e ótimo polimento , era ideal para a
construção do tabernáculo .
As d imensões do santuário são descritas numa unidade
de meclida chamada côvado, equivalente a cerca de 45 cm .
(O aluno deve examinar o gráfico de pesos e medidas , que
se enCC lntra na seção de Mapas e Gráficos .)
A m aior parte da mobília do tabernáculo era feita de
cetim (acácia) e coberta de ouro , para dar-lhe a aparência
daquel e precioso metal. Caso elas tivessem sido feitas de
ouro maciço, seriam muito pesadas para carregar .
148
(13-5) Êxodo 25: 10-22; 37: 1-9. A Arca do Concerto
A arca do concerto era um baú , ou caixa, feita de cetim
(acácia) e recoberta de ouro . Media aproximadamente um
metro de comprimento por 68 cm de largura e 68 cm de
altura. Dois varais de madeira, um em cada lado da arca,
permitiam que os sacerdotes a levassem sem precisar tocá­
-la. Em seu interior eram guardadas as tábuas da lei
recebidas por Moisés no monte Sinai (veja o vers o 1 ( ;) . Por
isso , era chamada de arca do testemunho, ou arca d D
concerto . Numa ocasião posterior, também foram ali
colocados um vaso contendo maná e a vara de Aarã o, que
milagrosamente florescera (veja Hebreus 9:4) . A arc a era
guardada num dos aposentos internos do tabernácu ,o ,
conhecido como o lugar mais sagrado, ou Santo do�,
Santos . Os israelitas a tratavam com profunda rever ência,
e cada vez que era necessário mudá-la de lugar , proferiam
orações antes de fazê-lo (veja Números 1 0:35-36).
A
arca d o concerto
A tampa, ou cobertura, da arca se acha descrita e m
Êxodo 27 : 1 7-22. A palavra hebraica kapporeth (qm :
significa propiciatório, ou lugar de expiação , é traduzida
também como "assento da misericórdia" . O propic iatório
era de ouro puro , e em cima dele havia a figura de d ois
querubins , cuj as asas se estendiam por cima dele e o
cobriam .
A palavra querubim geralmente se refere aos guardiães
das coisas sagradas . Embora não saibamos o significado
exato da palavra, a maioria dos eruditos concordam que
eles representavam " a humanidade redimida e
glorificada" ou os " santos e anjos glorificados" (W ilson,
Old Testament Words Studies, verbete "querubim" ,
p . 75). Considerando que os santos dos últimos dia1 não
acreditam que os anj os possuam asas , conforme sãc
apresentados nas obras artísticas cristãs , o mandamento de
formar asas nos querubins certamente levanta algumas
controvérsias . Outra revelação indica, todavia, que lS asas
simbolicamente representam o poder para se mover e agir
(veja D&C 77 : 4) . O Senhor disse a Moisés que, no meio
desses querubins, viria falar e se comunicar com ele , As
revelações deelaram que os anj os permanecem como
sentinelas, guardando a presença de Deus (veja
D&C 1 32: 1 9) .
O sangue do cordeiro d e Jeová era aspergido sobre o
propiciatório durante o sagrado dia da Expiação . (Para
um debate completo sobre o santo significado desse
evento , veja a Leitura 1 5-8.) Tanto Paulo como João
disseram , que Jesus "é a propiciação pelos nossos
pecados " (veja I João 2:2; 4: 1 0; Romanos 3 :25) . O
vocábulo grego hilasterion, traduzido como
"propiciação " , também foi usado, para interpretar o
termo hebraico kapporeth ("assento ou lugar da
expiação " ) no Velho Testamento grego . Certo estudioso
da Bíblia nos deu a seguinte definição da palavra
hilasterion:
"Todos os substantivos gregos terminados com erion
significam o lugar onde sefaz algo. Dikasterion, quer dizer
o lugar onde se faz dika, ou justiça, portanto um tribunal .
Thusiasterion significa o lugar onde se faz thusia, ou
sacrifício , ou seja, o altar . Portanto Hilasterion
certamente só pode se referir ao lugar onde se faz
hilasmos, ou expiação . Devido ao fato de que tanto no
Velho como em o Novo Testamento a palavra hilasterion
tem um sentido uniforme e técnico , ela sempre significa a
tampa de ouro colocada sobre a arca, sendo conhecida
como propiciatório . Em Êxodo 25 : 1 7 começam a ser
descritas as mobílias do tabernáculo : " farás um
propiciatório, (hilasterion) de ouro puro . ' Essa palavra só
é usada em um outro lugar do Novo Testamento , em
Hebreus 9 : 5 , onde o autor fala dos querubins que cobriam
o propiciatório . A palavra é usada, com este sentido , mais
de vinte vezes no Velho Testamento grego .
Se considerarmos que hilasterion significa propiciatório ,
e que Jesus foi o nosso hilasterion , ou fez a propiciação
pelos nossos pecados , isto significa, por assim dizer, que
Jesus é o lugar onde Deus e o homem se encontram , e que
ele, (Cristo), especialmente, é o local onde os pecados
humanos se unem ao amor expiatório do Senhor . "
(Barelay, The Mind of St. Paul, pp . 87-8 8 . )
Assim, evidentemente, a arca do concerto era u m dos
obj etos mais importantes do tabernáculo , tanto pela sua
importância para a antiga Israel , como pelo valor
simbólico.
(13-6) Êxodo 25 :17. Por que Foi Usado Ouro no
Tabernáculo e Em Seu Mobiliário?
O ouro sempre foi grandemente valorizado pela
humanidade, desde as épocas mais remotas , e, portanto ,
possui um significado tanto simbólico como monetário .
"O ouro é freqüentemente mencionado nas escrituras
como um emblema do que é divino , puro , precioso ,
sólido , útil , incorrutível, duradouro e glorioso"
(Fallows , Bible Encyc/opedia, VaI . 2, p . 723). Esse
simbolismo explica, de maneira inequívoca, por que era
usado na arca do concerto .
A prata e o cobre também foram usados em outras
partes do tabernáculo e de seu mobiliário . Esses dois
metais possuem um valor simbólico e também funcional .
A Encyc/opedia Judaica faz a seguinte observação:
"A relatividade do grau de santidade se evidenciava pelo
material empregado . Ouro puro foi usado na confecção da
arca, do propiciatório , da mesa da proposição e seus
utensilios, do castiçal e seus acessórios, do altar do incenso,
e das vestes do sumo sacerdote . O ouro comum foi
utilizado na confecção das molduras , das argolas e varais
da arca, da mesa e do altar do incenso; dos colchetes das
cortinas ; das barras e das tábuas ; das colunas e colchetes
do véu ; também de algumas partes das vestimentas
sacerdotais . A prata era destinada às bases das tábuas , às
bases das colunas do véu , e molduras para o pátio do
tabernáculo . Além desses dois materiais, havia também o
cobre, de que era feito o altar dos holocaustos e seus
149
utensílios , as bases do tabernáculo e também as pias . O
mesmo se aplicava aos tecidos bordados e de linho torcido .
" O mesmo sistema de gradação se aplicava aos três
tipos de pessoas que poderiam entrar no tabernáculo .
Aos israelitas era permitido entrar somente até o pátio ; os
sacerdotes serviam no Lugar Santo ; apenas o sumo
sacerdote podia entrar no Santo dos Santos, e isto ainda
uma vez por ano - no Dia da Expiação . " (VaI . 1 5 ,
p . 687 . )
(13-7) Êxodo 25:23-30; 37: 10-16. A Mesa da Proposição e
Seus Instrumentos
A segunda peça de mobiliário descrita pelo Senhor foi a
mesa da proposição . Como a arca do concerto, ela
também era feita de cetim (acácia) e recoberta de ouro (veja
os vers o 23-24) . Possuía uma coroa e moldura
(provavelmente um rebordo) de ouro no topo ou
superfície , e também argolas e varais , para que fosse
facilmente transportada. Media mais ou menos um metro
de comprimento, por 50 cm de largura e 75 cm de altura.
Diversos utensílios, chamados de colheres , pratos,
cobertas e tigelas , foram feitos para serem usados com a
mesa.
sementt :s parcialmente intactas), sendo feitas doze
unidad( :s de tamanho considerável - duas dízimas
equival, !riam a cerca de 7 litros de farinha (vej a
Levítico 24: 5 ; Novo Dicionário da Bíblia, p. 1 1 74) . Assim
sendo, , :ada um deles devia pesar pelo menos cinco quilos.
Os pãe5 eram colocados em duas fileiras , e sobre cada uma
delas punha-se um pouco de incenso puro , que
posteriormente era queimado no altar dos incensos "como
oferta c ueimada" ao Senhor (Levítico 24: 7 ; vej a também
o vers o 15). Os pães eram trocados por novos cada Dia do
Senhor, e os que foram removidos eram comidos pelos
sacerdo tes (vej a Levítico 24: 8-9) . Foi desse pão que Davi
se alime ntou ao fugir do rei Saul (vej a I Samuel 2 1 : 1 -6;
Mateus 1 2:4) .
A mdoria dos eruditos e a tradição j udaica concordam
que o v nho também era colocado sobre a mesa,
juntamente com os pães, embora os registros bíblicos não
mencionem esse fato especificamente . As colheres eram
realmeLte vasos ou taças , e não colheres semelhantes às
que con hecemos hoje em dia; eram , provavelmente,
recipien tes para conter líquidos . Vemos assim que os itens
postos wbre a mesa da proposição encontram um paralelo
distinto nos emblemas do sacramento .
(13-8) Ê xodo 25 :31-40; 37: 17-24. O Castiçal de Ouro
A mesa da proposição
Recebeu esse nome devido aos doze pães que eram nela .
colocados . O Senhor chamou-os de pães da "proposição "
(vers . 30), traduzido literalmente da palavra hebraica que
significa "o pão das faces " , ou "o pão da presença" ,
significando que aquele pão era colocado diante da face do
Senhor, ou em sua presença (Wilson , Old Testament
Word Studies, p. 388; Novo Dicionário da Bíblia,
p. 1 1 74) . O pão era feito com flor de farinha (isto é, com
farinha de trigo bem moída, da qual não se deixaram as
A luz que iluminava o tabernáculo provinha do castiçal
sagrado , chamado menorah em hebraico, palavra que
significa "lugar das luzes " (Fallows, Bible Encyclopedia,
VI. 1 , p . 332) . Em suas extremidades não eram postas
velas , mas sim sete recipientes em forma de cálice , cheios
de óleo de oliva puro , nos quais se colocavam e acendiam
pavios . Feito de ouro puro , o menorah era apoiado num
pedesta: que descansava sobre três bases . Sua haste central
surgia da base, e era decorada com copos (ornamentos
esférico s) , cálices (dilatações proporcionais ao tamanho
dos copos, e sobre as quais havia corolas de amêndoas) e
flores (dilatações esféricas representando o formato de
pétalas de nor de amêndoa) . Cada um dos ramos do
menora � era coroado com uma lâmpada de azeite, a qual
iluminava o lugar santo , ou o primeiro aposento do
taberná,:ulo .
O número sete possui significação sagrada no Velho
Testamento, conotando integridade e perfeição . Visto por
este asp �cto, o lume que brilhava na casa do Senhor
representava a luz perfeita.
O óleo que alimentava as sete lâmpadas tinha que ser
óleo puro de oliva (veja Ê xodo 27 :20) , especialmente
consagr ado para aquele propósito . A festa judaica do
Hannukah , ou Festa das Luzes , comemora a época em
que Jud as Macabeu finalmente conseguiu expulsar os
gregos cio templo de Jerusalém , por volta do ano 1 65 A . C .
D e acor do com a tradição judaica, o s Macabeus
encontr. lram óleo consagrado suficiente apenas para
alimentar as lâmpadas por um dia . A cerimônia da
consagnção de mais óleo levaria oito dias ; contudo,
milagro ;amente , o parco suprimento queimou até que
outro pudesse ser adequadamente preparado.
150
(13-9) Êxodo 26: 1-14; 36:8-38. As Cortinas do
Tabernáculo
o menorah, ou castiçal sagrado
Outras escrituras indicam que o óleo de oliva representa
o Santo Espírito, provavelmente porque oferece fogo ,
calor e luz, quando queimado nas lâmpadas (veja
D&C 45 : 56-57). Assim sendo, o menorah era uma
representação ou símbolo da verdadeira fonte de luz
espiritual, ou seja, o Espírito Santo , ao prestar testemunho
do Pai e do Filho .
o tabernáculo n o deserto
Em virtude de, naquela época, o povo israelita andar
vagando pelo deserto , o tabernáculo tinha que
necessariamente ser portátil. As paredes eram formadas de
painéis que podiam ser armados (Veja Êxodo 26: 1 5 - 1 6) .
Depois d e armadas, a s paredes e o teto eram cobertos com
quatro camadas diferentes de panos .
O tecido da cobertura interior era de linho fino torcido .
A palavra hebraica traduzida por "linho" não é somente
uma designação do tecido , mas também significa
"brancura" (Wilson , Old Testament Word Studies, p. 255 ;
também e m Fallows , Bible Encyclopedia, Vol . 2 ,
p . 1 068) . O s eruditos acreditam que s e tratava d e u m pano
fino de algodão ou fibra de linho . Devido ao comprimento
do tabernáculo , eram necessárias dez cortinas, ou peças de
tecido, para cobri-lo . A camada interna deveria ter
bordados representando querubins (anjos), e além da
tonalidade branca, deveria ter também as cores azul ,
púrpura e carmesim .
As cortinas tinham uma ourela especial, feita em toda a
extremidade de cada parte costurada, impedindo que se
desfiassem . A orla geralmente era de fios de tamanhos
diversos, às vezes de urdidura diferente do resto da
cortina.
As orlas ou extremidade das cortinas eram presas umas
às outras por meio de ganchos ou alfinetes de ouro ,
chamados colchetes, dando a impressão de que eram uma
só peça de tecido cobrindo o tabernáculo .
As outras três espécies de cobertura consistiam em uma
de pelos de cabra, uma de peles de carneiro tingidas de
_
vermelho , e outra de peles de texugo (veja Exodo 26: 7 ,
1 4 ) . A natureza desta última não é bastante clara; todavia,
os entendidos parecem concordar que não se tratava
realmente de peles de texugo . A palavra hebraica implica
151
mais cor do que a espécie de tecido usado . Alguns
eruditos acreditam que ela provavelmente era feita de peles
de toninhas ou focas que existiam no Mar Vermelho, as
quais dariam ao tabernáculo uma proteção exterior
impermeável.
(13-10) Êxodo 26: 15-30. Em Que Consistiam as Bases e
Couceiras?
As couceiras eram dois grandes tarugos retangulares de
madeira, colocados na extremidade inferior de cada uma
das tábuas . Elas encaixavam numa base dupla chamada
soquete que podia fazer cada tarugo deslizar
independentemente, para cima e para baixo . Como todas
as tábuas eram unidas firmemente lado a lado, formando
uma parede sólida, os soquetes repousavam sobre o solo,
mesmo quando este era irregular. Não podemos deixar de
ficar impressionados, logo de imediato , com a riqueza de
detalhes que o Senhor forneceu a Moisés, concernentes ao
lugar de sua morada.
(13-11) Êxodo 26:31-37
Os dois véus, ou cortinas, aqui descritos , eram a porta
exterior ao tabernáculo (entrada principal) e o véu que
separava o lugar santo , ou primeira sala do aposento
interno, que era o Santo dos Santos . Este último véu é
adequadamente chamado de véu do tabernáculo .
(13-12) Êxodo 27: 1-19; 30: 17-21 ; 38:1-20. O Pátio
Exterior e Seu Mobiliário.
Ao redor do tabernáculo , havia uma grande área
cercada, protegida por painéis de tecidos presos a uma
parede móvel . Neste pátio, estava localizado o altar dos
holocaustos (altar do sacrifício) e a pia de cobre, que
servia para a lavação simbólica das mãos e dos pés .
Qualquer membro da casa de Israel tinha permissão de
trazer sacrifícios até este lugar , mas somente os sacerdotes
podiam entrar no tabernáculo . (Há ocasiões, entretanto ,
em que o tabernáculo mencionado no Velho Testamento se
refere a todo o conjunto , inclusive ao pátio, e não apenas
à tenda.)
Cada coluna do pátio do tabernáculo era cingida
horizontalmente com faixas de prata, que consistiam em
fitas retangulares que envolviam as colunas , tanto para
proteger a madeira como para embelezá-Ia. As cortinas,
ou tecido de que eram feitas as paredes externas do pátio ,
eram presas ao topo das colunas e afixadas na parte
inferior por colchetes de prata às bases de cobre, fincadas
solidamente no chão . O mobiliário do pátio exterior era o
seguinte:
A ltar dos holocaustos. Todos os holocaustos realizados
no tabernáculo eram oferecidos sobre este altar .
Ele era de formato côncavo , de cinco côvados de
comprimento , por cinco de largura e três de 'altura, ou
seja, media cerca de 2 , I Om x 2, I Om x 1 , 5Om .
Era feito de madeira de cetim revestida de lâminas de
cobre .
Havia quatro pontas , uma em cada canto . Sobre elas o
sacerdote colocava com o dedo um pouco do sangue do
sacrifício . Agarrando-se a elas , uma pessoa poderia
encontrar refúgio e segurança (veja I Reis 1 : 50; 2:28),
exceto se fosse culpada de crime premeditado (veja
Êxodo 2 1 : 14) . Algumas vezes, as pontas eram usadas para
nelas amarrar o animal ou sacrifício que se pretendia
oferecer.
Santos instrumentos de sacrifício. O caldeirão era uma
grande travessa de cobre colocada sob o altar para receber
as cinzas que dele caíam .
Para esvaziar os caldeirões eram usadas pás feitas de
cobre .
,
As bacias eram recipientes usados para recolher o sangue
do sacrifício .
Os garfos eram utensílios d e três dentes que o s
sacerdotes usavam para mergulhar no recipiente sacrificial.
Aquilo que com eles conseguissem tirar, serviria para
seu uso pessoal .
Os braseiros eram os recipientes onde se mantinha
continuamente aceso o fogo do sacrifício .
Pia. Como o altar dos sacrifícios, era também feita de
cobre.
Estava situada entre o altar dos holocaustos e o
tabernáculo .
Os sacerdotes a usavam para se purificarem ,
preparando-se para entrar no tabernáculo.
Na época de Salomão , quando foi construído um
templo permanente, a bacia foi colocada no dorso de doze
bois (veja I Reis 7 : 23-26) .
(13-13) Êxodo 28; 39: 1-43. As Vestes Sacerdotais e Seu
Significado
Quando os filhos de Israel perderam o direito ao
sacerdócio maior e às bênçãos e responsabilidades a ele
inerentes, o Senhor estabeleceu entre eles o Sacerdócio
Levítico (veja D&C 84: 1 8-27) . Através desta ordem do
sacerdócio , Israel desfrutava dos principios do evangelho
preparatório. Os israelitas eram lembrados constantemente
do sacrifício expiatório do Salvador, o qual era
simbolicamente representado diante deles na pessoa que
oficiava como sacerdote (cruze referência com
Levítico 8 : 5- 1 0; 2 1 : 10 ; Hebreus 7 : 1 1 - 1 2. 2 1 ; D&C 107: 1 ,
1 3-20; Hebreus 5 : 4; Joseph Smith 2: 68-72) .
Assim como o projeto do tabernáculo , o padrão do
vestuário oficial do sumo sacerdote , ou autoridade do
Sacerdócio Aarônico (não se tratava do ofício de sumo
sacerdote do Sacerdócio de Melquisedeque), foi dado
através de revelação , e possuía um significado tanto
prátíco como simbólico . As vestes consistiam dos seguintes
itens :
O éfode. "Era uma peça de vestuário sagrada, que os
sumos sacerdotes do Sacerdócio Levítico usavam . O Senhor
instruiu que não deviam usar roupas comuns ao
executarem seus serviços , mas sim 'vestidos santos ' feitos
por pessoas a quem o Senhor havia 'enchido do espírito da
sabedoria' (Êxodo 28 :2-3). Estas vestes santas deviam ser
legadas de pai para filho, juntamente com o ofício de
sumo sacerdote ( Êxodo 29:29).
"O éfode, usado sobre um manto azul, era feito de um
material que, além dessa cor, possuía as tonalidades
púrpura e carmesim , com desenhos feitos com fios de
ouro , habilmente urdidos no próprio tecido. Esse
vestuário era preso em cada ombro e possuía um cinto
esmeradamente trabalhado , com o qual era cingido ao
redor da cintura. Nas ombreiras, engastadas em encaixes
de ouro , havia pedras sardônicas nas quais se achavam
gravados os nomes dos doze filhos de Israel , como uma
'memória' ao sacerdote ao servir diante do Senhor. (Veja
Êxodo 28:6- 1 4 e 39:2-7 . ) Preso ao éfode, havia um peitoral
em que o Urim e Tumim podiam ser colocados
(Êxodo 28: 1 5 -30) .
152
"Desconhece-se qual seria a função exata do éfode.
Como o Presidente Joseph Fielding Smith observou , as
informações relativas a essas antigas ordenanças 'jamais
foram registradas em seus menores detalhes, pois sil.o
sagradas e não se destinam ao conhecimento do mundo . '
(Improvement Era, novembro de 1 955, p . 794)" (Rich ard
O . Cowan, "I Have a Question " , Ensign, dezembro de
1 973 , p . 33.)
Este "avental " , nome com que às vezes é traduzido,
possuía um maravilhoso conceito simbólico . Usand o as
duas pedras sardônicas que prendiam o éfode a seu:;
ombros, o sumo sacerdote (um símbolo de Cristo e
também de seus representantes autorizados) entrava no
tabernáculo (a casa do Senhor, ou presença de Deu ;)
levando Israel sobre seus ombros (veja Êxodo 28: 1:�) .
O peitoral. Preso a o éfode com cadeias d e ouro ou
engastes (colchetes ou ganchos), o sumo sacerdote t razia o
peitoral (veja os vers . 1 3-29) . Não devemos confund ir o
peitoral usado por Aarão e os sumos sacerdotes
subseqüentes, com aquele que o Profeta Joseph Srr.ith
usou ao traduzir o Livro de Mórmon . O peitoral de Aarão
era feito de. tecido, e não de metal, e confeccionadc com o
mesmo material de que era constituído o éfode (vej ii o
verso 1 5) . Tinha duas vezes o comprimento da largua, e
quando dobrado, tornava-se uma espécie de bolso
quadrado em que se colocava o Urim e Tumin . Na metade
do peitoral que ficava exposta, havia pedras precioi;as ,
sobre as quais se achavam inscritos os nomes de cada uma
das tribos de Israel . Dessa forma, o sumo sacerdote' levava
"os nomes dos filhos de Israel no peitoral do juízo sobre o
seu coração . . . para memória diante do Senhor
continuamente" (vers. 29) .
O simbolismo do sumo sacerdote levando Israel : ;obre o
seu coração dá maior significado à promessa de qUI ! dia
virá em que o Senhor escolherá suas "jóias " (D&C 60:4;
101 :3).
O Urim e Tumim. Como observamos acima, o Urim e
Tumim era carregado em um bolso que se formava,
quando o peitoral era dobrado para cima (veja
Exodo 28:30). Foi dado a muitos profetas em todas as
épocas, exercendo um efeito transcendental no que
concerne à obtenção de maior luz e conhecimento.
"O Urim e Tumim consiste em duas pedras especiais,
chamadas videntes ou intérpretes . As palavras hebraicas
urim e tumim, ambas plurais, significam luzes e perfeições.
Presume-se que uma das pedras se chama Urim e a outra
Tumim . Geralmente elas são levadas num peitoral sobre o
coração (Êxodo 28: 30; Levítico 8 : 8) .
" . . . Abraão a s possuiu e m sua época (Abraão 3 : 1 -4), e
também, Aarão e os sacerdotes de Israel, de geração em
geração . (Êxodo 28:30; Levítico 8:8, Números 27 :21 ;
Deuteronômio 3 3 : 8 ; I Samuel 28 :6; Esdras 2:63 ;
Neem . 7:65 . )
" ... Am6n declarou o seguinte a respeito dessas pedras:
'esses objetos são chamados, intérpretes e nenhum homem
os pode olhar, a menos que lhe seja ordenado, para que não
procure o que não deve e pereça. E quem quer que receba
ordem para olhá-los é chamado vidente. ' (Mosias 8 : 1 3; .
28: 1 3 - 1 6.)
"A existência e uso do Urim e Tumim como
instrumento de revelação continuará entre os seres
exaltados na eternidade. " (McConkie, Mormon Doctrine,
pp . 8 1 8- 1 9.)
O Urim e Tumim de Aarão não era o mesmo usado por
Joseph Smith , pois o Profeta recebeu aquele que fora
usado pelo irmão de Jared . McConkie , Mormon Doctrine,
p. 8 1 9.)
O manto. Era de cor azul (para conhecer o significado
dessa tonalidade, veja a Leitura 13-9) e tecido sem
costuras, tendo no centro uma abertura, por onde se
enfiava a cabeça (veja Êxodo 28 : 3 1 -32) . Jesus, o Grande
Sumo Sacerdote, vestia uma roupa também sem costura,
antes de ser crucificado (veja João 1 9:23). Ao longo da
barra do manto, eram colocados , alternadamente,
campainhas de ouro e urdiduras de franjas semelhantes a
romãs . Certo erudito deu o seguinte significado ao manto
e seus ornamentos :
" (O manto era) tecido numa só peça, dando a idéia de
totalidade ou integridade espiritual. A cor azul escura
indicava a origem celestial e caráter do ofício associado ao
manto . Se quisermos conhecer o verdadeiro sentido do
manto , todavia, devemos procurá-lo nos ornamentos
peculiares que pendiam da barra, cujo significado pode ser
encontrado nas instruções análogas dadas em
Números 1 5 :38-39), onde cada israelita foi instruído a
fazer franjas nas bordas de suas vestes, feitas de cordão
azul, para que, quando olhassem para elas , se lembrassem
dos mandamentos de Deus e obedecessem a eles . De
acordo com essa idéia, devemos também procurar
reconhecer alusões à palavra e testemunho de Deus nos
pendentes de romãs e nas campainhas que ornamentavam
as franjas do manto do sumo sacerdote. A analogia
encontrada em Provérbios 25 : 1 1 , onde a palavra é
comparada a uma maçã, sugere o conceito de que as
romãs, com seu aroma agradável , seu sumo doce e
refrescante, e o sabor exótico de suas sementes, eram
símbolos da palavra e testemunho de Deus , no sentido de
que esta era um suave e aprazível alimento espiritual, que
vivifica a alma e refresca o coração (comparar com
Salmos 1 9 : 8- 1 1 , 1 1 9-25 , 43 , 50; Deuteronômio 8 : 3 ;
Provérbios 9:8; Eclesiastes 5 : 3) , e que a s campainhas
representavam o ressoar da palavra, ou a revelação e
proclamação da palavra de Deus . Vestindo o manto e os
153
atavios que nele existiam , Aarão simbolizava o recebedor e
intermediário da palavra e testemunho que veio dos céus ;
era por esta razão que ele não ·podia aparecer diante do
Senhor sem o sonido das campainhas , ou perderia a vida
(veja Êxodo 28 :35). Tal penalidade não era imposta
simplesmente porque ele pareceria um homem comum ,
caso se apresentasse sem tais ornamentos , pois ainda
estaria trajando as vestes sagradas de sacerdote , embora
não portasse os adornos oficiais de um sumo sacerdote;
mas , sim , porque um simples sacerdote não tinha a
permissão de entrar na presença imediata do Senhor . Esse
privilégio era reservado à pessoa que representava toda a
congregação , ou seja, o sumo sacerdote; e ele só podia
fazer isso , quando estivesse usando o manto da palavra de
Deus , como o portador do testemunho divino , sobre o
qual se baseava o convênio de companheirismo com o
Senhor . " (Keil and Delitzsch , Commentary, Vol . 1 : 2 ;
pp . 202-3 . )
As tiaras de ouro e a mitra. A mitra (ou chapéu , ou
barrete) era feita de linho fino (veja Êxodo 28: 39), e todos
os sacerdotes usavam-na. Além desse ornamento , o sumo
sacerdote levava também uma lâmina de ouro em frente
da mitra, presa à testa. Nela se achava gravada a frase
" Santidade ao Senhor" (vers . 36; veja também os
vers o 37-38), simbolizando, em primeiro lugar , que o sumo
sacerdote deveria ser caracterizado por este atributo, e em
segundo, que Cristo, o Grande Sumo Sacerdote , seria
perfeitamente santo diante de Deus .
pessoa só pode se aproximar da presença de Deus através
da ora\ :ão , pois outras escrituras indicam que o incenso é
um sím bolo da oração (veja Apocalipse 5 : 8 ; 8 : 3 -4;
Salmm 1 4 1 :2) .
(13-14) Êxodo 29
Para maiores esclarecimentos sobre os rituais de
purificação dos sacerdotes , e a respeito do Dia da
Expiação , veja a Seção Especial D, "As Festas e
Comemorações" .
(13-15) Êxodo 29:7
A Leitura 1 3 - 1 8 explica o que significava a unção com
óleo .
(13-16) Êxodo 29:20. Que Simbolizava Tocar com Sangue
a Orelha, o Dedo Polegar da Mão e o do Pé?
"O sacerdote passava um pouco de sangue do sacrifício
sobre a ponta da orelha direita, o polegar da mão direita , e
o polegar do pé direito da pessoa que estava sendo
consagrada, para que o órgão de audição , com o qual ele
ouvia a palavra do Senhor, e os dedos que representavam
respectivamente as mãos e os pés que usava para agir e
andar de acordo com os mandamentos de Deus, pudessem
ser assim santificados através do poder do sangue
expiatório do sacrifício " . (Keil and Delitzch ,
Commentary, Vol . l :2, pp . 387-88, itálicos acrescentados .)
(13-17) Êxodo 30:1-10. O Altar do Incenso
A terceira peça de mobiliário que se encontrava no lugar
santo , juntamente com o castiçal sagrado e a mesa do pão
da proposição , era o altar do incenso . Ele estava situado
imediatamente defronte do véu (veja o vers o 6) . Como
acontecia à arca do concerto e à mesa do pão da
proposição , era feito de madeira de cetim coberta de ouro ,
e possuía argolas e varais por onde era carregado. No altar
eram colocados carvões em brasa, e todos os dias , pela
manhã e à noite (veja os vers o 7-8), o sacerdote nele
queimava incenso . Este ritual parece significar que uma
o altar d" incenso
(13-18) Êxodo 30:22-33. Por Que o Senhor Mandou
Moisés Ungir o Tabernáculo e Todo o Seu Mobiliário?
O ól(:o de oliva puro era um símbolo do Espírito do
Senhor (veja D&C 45 : 56-57» , e seu uso signi ficava a
santificação da pessoa ou obj eto ungido (veja
Ê xodo 30: 29) . A utilização de óleo para unção do
indivíduo também pode ser uma indicativa da existência de
pureza naquela pessoa, visto que o Espírito do Senhor não
habitar i num tabernáculo impuro . O Presidente Joseph
Fielding Smith declarou :
"De1de os primeiros tempos, a oliveira tem sido o
símbolo de paz e pureza . Talvez tenha sido considerada
mais sa grada do que qualquer outra árvore ou forma de
vegetaç ão pelos autores inspirados de todas as eras , através
dos quais recebemos a palavra do Senhor . Nas parábolas
das escrituras , a casa de Israel ou o povo que fez convênio
com o � ;enhor , tem sido comparada com a oliveira . "
(Doutrmas de Salvação, Vol . III, p . 1 83 . )
Assim sendo, o ato d e ungir até mesmo estes objetos
inanimados sugere que o tabernáculo e tudo o que tinha
ligação com ele era santificado pelo Espírito, em
prepara ção para o serviço a Deus .
PONTOS A PONDERAR
(13-19) No discurso de abertura da conferência geral em
outubro de 1 978, o Presidente Spencer W. Kimball
incumb iu a Igrej a com a responsabilidade de ser perfeita .
Ele decl arou na ocasião que é possível alcançar essa meta,
visto q11.e cada um de seus membros tem o poder de se
154
tornar como o Pai Celestial . Todavia, há alguns que ficam
desanimados diante desse sacrifício , tendo em mente que o
Senhor afirmou : "Pois eis que o mistério da divinda je
quão grande é ! " (D&C 1 9 : 10) . Conseqüentemente,
aqueles que interpretam mal esse conceito , j ulgam que o
" mistério da divindade" é por demais grandioso par a
que os mortais possam tão somente desej ar , quanto mais
alcançar.
Moisés ordena Aarão, para que presida o sacerdócio
A verdade é que, a menos que o homem volte os 'Jlhos
para o templo , o mistério da divindade sempre será uma
incógnita para ele .
" Foi sobre este assunto que o Profeta Joseph Smith se
referiu , quando disse : "O princípio da salvação é dado
mediante o conhecimento de Jesus Cristo " , e que "o
conhecimento , mediante nosso Senhor e Salvador Jesus
Cristo , é a chave mestra que abre as glórias e mistérios do
reino dos céus . ' " (Ensinamentos, pp . 289-90.)
"Estas revelações , que são reservadas e ensinadas
somente aos membros fiéis da Igreja nos templos
sagrados , se constituem no que chamamos de "mistérios
da divindade" . O Senhor declarou que dera a Joseph 'as
chaves dos mistérios e revelações seladas . . . (D&C 28 : 7 . )
Como recompensa aos santos dignos, o Senhor lhes
prometeu : 'E a eles revelarei todos os mistérios, assim,
todos os mistérios ocultos do meu reino desde os dias
antigos . . . ' (D&C 76: 7 . ) " (Lee, Ye A re The Light of the
World, pp . 2 1 0- 1 1 .)
Desde as épocas mais remotas , o Senhor tem desej ado
revelar-se aos filhos dos homens. Este capítulo demonstra
quão minuciosamente ele arquitetou planos nesse sentido
j unto à antiga Israel, através do profeta Moisés .
Estabelecido como uma representação simbólica, e
maravilhosamente retratado em progressivo esplendor, o
tabernáculo e seu pátio se tornaram uma escola onde as
coisas celestiais eram reveladas ao povo que o Senhor
escolhera. Pretendia-se que os israelitas passassem do pátio
exterior do tabernáculo ao recinto interno e sagrado, e que
ao fazê-lo , observassem que as obras artesanais e a
ornamentação iam-se tornando gradualmente mais
requintadas , elaboradas e reclusas , até que , finalmente , o
ritual os colocava perante a santa presença, mesmo o
Santo dos Santos . Indescritivelmente sagradas , protegidas
dos olhares de pessoas indignas , estas ordenanças tinham o
objetivo de ser, e realmente poderiam ter sido , o cimento
ou agente consolidador entre a j usta Israel e seu Deus .
Esta j ornada simbólica, entretanto , foi negada a Israel , em
virtude de seu próprio orgulho e rebeldia (veja
Êxodo 20: 1 8-20; 32: 1 ) . Por isto , ela perdeu o direito a
es sas grandes bênçãos e se tornou dependente dos
sacerdotes oficiantes que agiam como procuradores,
através de uma ordem menor do sacerdócio.
Essa perda de privilégios, porém , de forma alguma
implica que o tabernáculo tenha perdido o significado para
Israel . Vimos , na Leitura 1 2- 1 , que a lei mosaica foi
acrescentada ao evangelho , e era, na verdade, chamada de
evangelho preparatório . Embora fosse retirada de Israel a
plenitude da investidura do sacerdócio, o plano e a
construção do tabernáculo em si representava, ou
simbolizava, o progresso do homem rumo à perfeição ,
para que pudesse assim entrar na presença de Deus .
Observe a planta do tabernáculo e a colocação de seu
mobiliário .
155
l ei � I
Véu
D
cp
Castiçal
sagrado
Altar do
incenso
Mesa do
pão da
propo­
sição
O
O
Pia
em bus,:a da perfeição e admissão à presença de Deus .
Esta pr imeira etapa poderia ser comparada ao ato de ter fé
em Crü,to (tendo em mente o Último e Grande Sacrifício)
e arrependimento . Jesus ensinou aos nefitas que ele havia
cumprido a lei mosaica, e que agora o sacrifício que deles
se exigia era "um coração quebrantado e um espírito
contrito " , que os levaria a serem batizados com " fogo e
com o Espírito Santo" (3 Néfi 9:20) . Vemos assim que os
fogos sacrificiais do grande altar significavam que a
"purifi,:ação espiritual ocorreria através do Espírito Santo,
a quem o Pai enviaria por causa do Filho " (McConkie,
The Pr omised Messiah, p . 43 1 ) .
N o pátio, n a mesma direção, encontrava-se a pia, ou
bacia com água, que era usada para lavamento e
purificc:,ção (veja Exodo 30: 1 9-20) . Como já foi
mencio:Jado, quando Salomão construiu um templo
perman ente, colocou a bacia sobre o dorso de doze bois
(veja I Reis 7:25), um simbolismo que passou aos templos
modern os e claramente se relaciona ao batismo .
Considerando que a pia batismal , por si mesma, é "em
similitu je à sepultura" (D&C 128: 1 3) , onde o "homem
velho" do pecado é sepultado (Romanos 6: 1 -6) , seu
simboli:;mo parece bastante claro . Tão logo o "homem
natural" (Mosias 3: 1 9) é sacrificado (morto através de um
coração contrito, ou do arrependimento sincero e
D
Altar dos
. holocaustos
o tabernáculo era constituído de três divisões ou áreas
principais: o pátio exterior, a primeira sala do próprio
tabernáculo, ou lugar santo, e o aposento interior, ou
Santo dos Santos . Nos templos modernos, três níveis de
vida são também retratados por salas específicas , ou seja,
a sala do mundo, ou telestial; a sala terrestrial, e a sala
celestial . O significado de tais aposentos é ,assim descrito:
Esta sala (telestial) retrata o mundo no qual nós vivemos
e morremos. Aqui são dadas instruções com respeito ao
segundo estado do homem e às maneiras pelas quais ele
sobrepuja os obstáculos da mortalidade.
A sala terrestrial simboliza a paz que poderá ser obtida
pelos homens ao sobrepujarem sua condição decaída,
através da obediência às leis e ordenanças do evangelho .
A sala celestial simboliza a alegria e a paz eternas
encontradas na presença de Deus . Algo do espírito das
promessas infinitas de Deus aos obedientes foi captado no
planejamento desta bela sala" . (Narrativa do roteiro do
Fi/me estático: "A Casa do Senhor ", quadros 43 , 48 e 5 1 .)
Se compararmos as três divisões do tabernáculo com
estes três níveis de vida espiritual, encontraremos alguns
paralelos e introvisões deveras interessantes.
O pátio externo (o mundo ou sala te/estia/). A primeira
coisa que a pessoa encontrava ao passar pelo portão
principal era o altar dos holocaustos. Ali os vários animais
e outras ofertas eram mortos e oferecidos ao Senhor.
Vemos assim que eram requeridos estrita obediência e
sacrifício como o primeiro passo no progresso simbólico
profundo), ele é purificado tanto pelas águas do batismo
como p �lo fogo do Espírito Santo (vej a 2 Néfi 3 1 : 17).
Uma ve z feita esta purificação, ele está preparado para
abando l1ar o mundo, ou a maneira telestial de viver , e
"nascer " (J oão 3 : 5) em um estágio mais elevado de vida
espiritual .
O lug ar santo (sala terrestrial) . Três peças de mobiliário
se encontravam na primeira sala do tabernáculo: a mesa
do pão j a proposição , o castiçal sagrado, e o altar do
incenso , A mesa, em que p ão e vinho eram trocados a
cada Dia do Senhor, era um símbolo equivalente aos
emblem as sacramentais que conhecemos hoj e em dia . Eles
representavam o corpo e o sangue do Filho de Deus, dos
quais a pessoa espiritual partilha consistentemente, para
que pos ,a ter vida esp irit u al em Cristo (vej a João 6: 53-56) .
O castiç al, ou lâmpada, com seus sete braços e óleo de
oliva, si mbolizava a luz perfeita do Espírito (vej a
D&C 4: : : 56-57), através da qual o indivíduo
espiritualmente renascido conhece toda a verdade (vej a
João 14: 1 6- 1 7 , 1 5 : 26) . Nos convênios do sacramento ,
existe uma sólida relação entre os emblemas do corpo e
sangue do Salvador e o poder do Espírito, pois o Senhor
promete:u que, ao uma pessoa sempre se lembrar dele, terá
eternamente consigo o seu Espírito (vej a 3 Néfi 1 8 : 7 , 1 1 ) .
O terceiro componente do lugar santo era o altar do
incenso, um símbolo da oração (vej a Apocalipse 5 : 8), o
qual fic : lva situado defronte ao véu . Este altar sugere o
terceiro aspecto dominante da vida em con formidade com
os princípios e ordenanças do evangelho , ou seja, o de se
buscar c onstantemente o poder e revelação do Senhor por
intermédio da oração . O fato de que o incenso era
queimado sobre carvões em brasa nos sugere que até
mesmo nossas orações devem ser influenciadas pelo
Espírito Santo (veja 3 Néfi 19:24; Romanos 8 : 26) .
O Santo dos Santos (sala celestial). Assim como a sala
celestial dos templos modernos simboliza o reino onde
Deus habita, o mesmo acontecia ao santo dos santos do
156
Santo dos Santos
A presença
de Deus.
CELESTI AL
Guardiães
angélicos.
! (i � !
Oração.
Véu
Viver pela luz
do Espírito,
e pela carne
e sangue de
Cristo.
D
cp
Castiçal
sagrado
AJtar do
Incenso
Mesa do
pão da
proposição
O
TERRESTI tIA L
Lugar Santo
Batismo e
remissão
dos pecados.
O
Pia
TELESTl AL
Obediência e
sacrifício
D
Altar dos
holocaustos
Pátio Exterior
antigo tabernáculo. A única peça de mobiliário da sala
interior era a arca do concerto , a qual o próprio Senhor
dissera ser o lugar onde se encontraria com Moisés , e
estaria em comunhão com o povo (veja Ê xodo 25 :22).
Tanto no véu , que separava o lugar santo , do santo dos
santos, como na tampa da arca, havia querubins ou anjos.
A utilização de anj os é uma bela representação do
conceito ensinado nas escrituras modernas , de que
passamos pelos anj os a caminho da exaltação (vej a D&C
1 32: 1 9).
Em resumo , o tabernáculo, sua planta e as ordenanças
que ali se realizavam , ilustram o grande e glorioso
simbolismo do progresso ascendente do homem , de um
estado em que esteve excluído da presença de Deus, até
alcançar outro em que vive em plena comunhão com ele.
Tenha em mente o seguinte diagrama, ao ler com todo o
cuidado Hebreus 9: 1 0, onde o apóstolo Paulo tão
maravilhosamente retrata o verdadeiro signi ficado espiritual
do tabernáculo da antiga Israel .
Levítico 1-10
Uma Lei de Cerimônias
e Ordenanças, Parte 1:
Os Sacrifícios e
Ofertas
(14-1) Introdução
Pergunta: A lei de Moisés não teria sido dada como
uma genuína reprovação a Israel, castigando-a por haver
rejeitado a lei maior?
.
Resposta: Não resta dúvida de que Deus castiga a seu
povo pela desobediência, mas a concessão de leis n�o é
uma punição . Os mandamentos do Senhor se constituem,
como disse Moisés "para o nosso perpétuo bem"
(Deuteronômio 6:24) . O propósito de tod � le! � edifica: e
inspirar, reconciliar e aperfeiçoar . Esse pnnClplO se aphca
também à lei mosaica. Ela foi um castigo somente no
sentido de que era menos do que teriam recebido. Porém,
foi um meio para que se cumprissem os desígnios de Deus ,
como o são todos os seus mandamentos. Como o Senhor
disse aos antigos santos desta dispensação, se eles
obedecerem a seu evangelho , serão "coroados com
bênçãos do alto, sim, com mandamentos, não poucos"
(D&C 59:4).
Pergunta: Mas a lei mosaica não cbegou a ser pelo
menos um passo de retrocesso?
Resposta: De forma alguma. Foi um gra.nde P ll:sso à
frente não de tal magnitude quanto podena ter sido, mas
sem d Ítvida um grande passo. Sabemos, pelas escrituras,
que os israelitas se encontravam em infeliz condição
espiritual ao saírem do Egito. Haviam perdido o ofício
profético, a profecia e o espírito de revela�ão , e se
impregnado de tradições egípcias e idolatna. ·Quando se
propôs a libertar Israel do cativeiro, o Senhor ordenou-lhe
que abandonasse suas abominações e ídolos, m.as o povo
recusou-se a atendê-lo : "Ninguém lançava de SI as
abominações dos seus olhos, nem deixava os ídolos do
Egito " (Ezequiel 20: 6-8) . Não fosse por sua grande .
miserícórdia e pelos convênios que fizera com os antigos
patriarcas, o Senhor teria derramadÇ,> sua justa ira contra
Israel e destruído a eles todos (veja Exodo 32:7- 1 4) . Em
vez disso, abençoou-os com uma lei apropriada, qu � os
ajudaria a crescer espiritualmente, partindo da condição
em que se encontravam .
Pergunta: Quer dizer que o ato dos hebreus se voltarem
à adoração dos deuses egípcios, quando se encontravam
no deserto, não era uma experiência nova para eles? O
bezerro de ouro, na realidade, havia sido levado nos
corações de uma Israel espiritualmente enfraquecida e
imatura?
Resposta: Certamente. Foi um desafio mai �r retirar o
Egito de dentro do coração de Israel, do que �I�ar Israel do
, , de que MOlses teve que
Egito . Não esqueçamos, tambem
usar de sinais para convencer não somente o faraó : m�s
também Israel. E quando é necessário apresentar smals
como prova de autoridade, essa é uma evidência de uma
14
geração má e adúltera (veja Mateus 12: 39) . Moisés
declaro u : "Rebeldes fostes contra o Senhor desde o dia em
que vo:; conheci " (Deuteronômio 9:24) .
Perg unta: Nesse caso, quando se diz que a le! não foi
um cas tigo, mas o meio de alcançar um determmado
objetiv D, isto significa que tal medida foi um plano
deliberado e cuidadoso para fazer com que Israel se
voltassl! para Jeová?
Resposta: Isso tudo e ainda mais . A lei não somente
faria com que fossem trazidos para Cristo, mas também
seria o recurso através do qual poderia desenvolver-se um
relaciol1amento de convênio, a fim de aumentar seu poder
espiritt.al , para que pudessem desfrutar dos dons e .
manife ;tações do Espírito, obter uma esperança perf�lta, e
o amO! a Deus e a todos os homens . Se eles prossegUissem
em frente e perseverassem até o fim , teriam a certeza da
vida etl:rna (comparar com 2 Néfi 3 1 :20) .
Perg unta: Nunca pensei que a lei de Moisés fosse capaz
de reali zar tudo isso . Como era possível?
Resposta: É mais fácil entender esse fato, quando
relaciol1amos todos os aspectos da lei com o progresso
espiritllal do indivíduo . O problema é que geralmente
imaginamos a lei mosaica como sendo apenas aquela parte
que trata dos rituais e ordenanças .
.
Perg unta: Quais são os outros aspectos da lei? .
Resposta: Os elementos básicos d� lei são defi � ldos sob
as cha\ es de autoridade do sacerdócIO menor (veja
D&C 1 3 ; 84: 26-27; 107: 14, 20) . Eles se resumem nos
seguintes princípios :
Fé: Embora as escrituras não mencionem diretamente
esse fal o , este principio se acha envolvido na questão,. visto
ser a fé absolutamente necessária em todas as atitudes que
se desti nam a agradar a Deus e cumprir os seus desí�nios
(veja Hebreus I I :6; Romanos 14:23). Amuleque ensm�:> u
c1araffil!nte que a fé era um pré-requisito da lei , essencial
para tr lZer uma pessoa ao arrependimento (veja
Alma :14: 1 5) .
Arrependimento: O princípio do sacrifício , dado a
Israel , tinha o propósito fundamental de ajudar os .
israelitas a demonstrarem uma atitude de arrependimento,
ensinando o povo a respeito do sacrifício expiatório de
Cristo . Então, se exercessem fé no Salvador e se
arrependessem de suas obras iníquas , seus pecados eram
perdoados , não pela lei mosaica, mas a��av�s de s.u a fé no
futuro Messias, demonstrada pela obedlencla à lei de
Moisé& (veja Mosias 1 3 :28). .
. .
Bati:;mo por imersão: O batlsmo era a mais Importante
ordena nça exterior da lei , sendo ele o meio pelo q� � o
indivíduo estabelecia um relacionamento de convento com
Jeová. Infelizmente foi perdida qualquer referência ao
batism :> no Velho Testamento; porém , através de outras
160
fontes , sabemos que fazia parte da lei mosaica (veja
D&C 84:26-27; 1 Néfi 20: 1 ; I Coríntios 10: 1 -4) .
A lei dos mandamentos carnais, ou a lei dos ritos e
ordenanças (veja D&C 84:27; Mosias 1 3 :30): em nm:sa
época, a palavra carnal tem conotações sensuais, ma ; o
termo latino da qual ela se deriva significa "carne" .
Portanto , estes mandamentos tratam das ações pratkadas
na mortalidade. Como Abinádi ensinou, estes preceitos
tinham o propósito de "conservar viva a lembrança de
Deus e de seu dever para com ele" (Mosias 1 3 : 30).
A ministração dos anjos: Essa ministração tem o
objetivo explícito de preparar os homens para terem fé em
Cristo , a fim de que possam receber o Espírito Santc (veja
Morôni 7 : 30-32) .
Pergunta: Quer dizer que a lei de Moisés realment, �
abrangia todos os princípios básicos do evangelho?
Resposta: Para ser mais claro , a lei mosaica é cham .ada
de "o evangelho preparatório " (D&C 84:26). Em vir tude
de Israel haver perdido as chaves do Sacerdócio de
Melquisedeque , não poderia receber a plenitude da lei de
Cristo . Quando o Senhor cumpriu a lei , o evangelho
preparatório ficou sujeito à lei de Cristo , e os
mandamentos carnais foram abolidos .
Pergunta: Podemos discernir estes fatos no Velho
Testamento , da forma em que ele se encontra hoje?
Resposta: Sim , desde que saibamos o que procura r e
como fazê-lo . Mórmon ensinou que os conversos
lamanitas entendiam adequadamente a lei mosaica, pois
possuíam o "espírito de profecia" (Alma 25 : 1 6 ; vej a
também o verso 1 5 ) . O espírito de profecia é o
"testemunho de Jesus " (Apocalipse 1 9 : 10; vej a também
Alma 6:8). A lei de Moisés foi um "aio " para condu zir
Israel a Cristo (Gálatas 3 : 24) ; todavia, ela foi dada em
"símbolos e figuras" (Mosias 3 : 1 5 ; veja também 1 3 : :1 1 ;
1 6 : 14). Somente aqueles que possuem o espírito de
profecia podem entender esses recursos didáticos
simbólicos, pois , como ensinou Amuleque: "E eis qu e este
é o s ig nifi c ado total da lei, cada ponto indicando aquele
grande e último sacrifício" (Alma 34: 1 4) .
Instruções aos Alunos
1 . Ao ler e estudar Levítico 1 - 1 0, utilize o auxílio que
Notas e Comentários podem-lhe oferecer .
2. Complete a seção de Pontos a Ponderar,
conforme as orientações que lhe forem fornecidas pelo
professor . (Os alunos que estudam individualmenw
devem completar toda a seção . )
as
NOTAS E COMENTÁRIOS
SOBRE LEVÍTICO 1-10
(14-2) Levítico 1 : 1 . Qual É o Aspecto Mais Importaf lte do
Livro de Levítico?
O livro de Levítico contém revelações diretas de Deus,
concedidas a Israel através de Moisés . Não resta dúv ida de
que ele foi o manual do sacerdócio daquela geração . Este
fato torna o livro de grande interesse, pois , sempre q ue
Deus fala ao homem, ele se revela a si mesmo . Por meio
dos ensinamentos de Levítico , podemos entender mdhor o
Senhor e seus propósitos . Os leitores modernos
provavelmente acharão que o conteúdo do livro já se
encontra superado, especialmente no que se refere aos
sacrificios de sangue, embora todos eles , como disse
Amuleque , se destinassem a indicar a expiação infini ta de
Cristo (veja Alma 34: 1 4) . Um erudito observou o seguinte
a respeito das diversas espécies de sacrifícios e ofertas ;
"A questão primordial , portanto , que requer a nossa
atenção , é esta: Em cada oferta, existem pelo menos três
aspectos distintos: a oferta, o sacerdote, e o ofertante. Se
quisermos entender as ofertas , é um requisito
absolutamente essencial que tenhamos o conhecimento
definido do valor exato de cada um desses aspectos .
"Em que consiste, portanto , a oferta? E o sacerdote? E
o ofertante? Cristo é a oferta, Cristo é o sacerdote, Cristo
é o ofertante . Podemos ver que são tantos os
relacionamentos de Cristo para com o homem e pelo
homem , que nenhum símbolo , ou conj unto deles, pode
representar adequadamente a plenitude de todos eles .
Assim , temos muitas classes distintas de símbolos e
diversas variações dentro delas , cada uma das quais nos
apresenta uma característica particular de Cristo , tanto de
seu caráter , como de sua obra ou pessoa. Porém , não
importa sob que aspecto consideremos a Jesus, ele cobre
mais que um desses relacionamentos . Isto gera a
necessidade de muitos emblemas . Primeiramente ele surge
como ofertante , mas não podemos imaginar o ofertante
sem uma oferta, e o próprio ofertante, neste caso , é a
oferta, e ele, que é tanto o ofertante como a oferenda, é
também o sacerdote . Como um homem sujeito à lei , nosso
substituto, Cristo , se apresentou por nós perante Deus,
como o ofertante . Ele tomou do 'corpo preparado para
ele ' como sua oferta, para que nele , e através dele, pudesse
reconciliar-nos com Deus . Dessa forma, quando o
sacrifício e a oferta falharam completamente, quando
Deus não o aceitaria de mãos de homens, então disse: 'Eis
aqui venho; no rolo do livro está escrito de mim : Deleito­
-me em fazer a tua vontade , ó Deus Meu ; sim , a tua lei está
dentro do meu coração ' (Salmos 40:7) . Assim , seu corpo
tornou-se a sua oferta: ele ofereceu-o voluntariamente ;
então , como sacerdote , levou o sangue até o santo dos
santos . Como ofertante, o vemos como um homem sujeito
à lei, se oferecendo como nosso substituto, para em nosso
lugar cumprir toda a justiça. Como sacerdote, vemo-lo
apresentar-se como o mediador, o mensageiro de Deus entre
ele mesmo e Israel . Como oferta, eis que ele se torna uma
vítima inocente, um cheiro suave para Deus , todavia
trazendo sobre si os pecados da humanidade, e morrendo
por eles .
"Assim, nesse mesmo símbolo , o ofertante incorpora
Cristo em sua pessoa, como Aquele que se tornou homem ,
a fim de cumprir os desígnios de Deus: a oferta o
apresenta em todo o seu caráter e obra, como a vítima pela
qual a expiação foi ratificada, enquanto o sacerdote nos
dá uma terceira imagem de Cristo , na relação oficial que
ele tem para conosco, como o mediador e intercessor
designado. Da mesma forma, quando encontramos um
símbolo em que a oferta é mais proeminente , a idéia
princípal será a de que Cristo é a vítima. Por outro lado,
quando sobressai o papel do ofertante ou sacerdote, tal
figura representará, respectivamente, Cristo como homem
ou Cristo como mediador . " (Jukes , Law of the Offerings,
pp . 44-45 . )
(14-3) Levítico 1 :2-3. O Que Tornava um Animal
Aceitável Como Oferta a Deus?
A palavra hebraica traduzida para " sem mancha" ,
significa ser sadio ou inteiro . Além desses dois requisitos,
todos os animais destinados ao sacrifício tinham que
possuir duas outras características . Precisavam ser da
categoria que o Senhor declarou limpa (veja Levítico 1 1 ) , e
161
também deviam provir de manadas ou rebanhos
domesticados (veja Levítico 1 :2) .
" Dos animais limpos , que o. israelita obtivera através de
seu próprio treinamento e cuidado , e que faziaI? parte de
seus rebanhos comuns, ou do produto consegUido com o
trabalho de suas mãos no campo e na vinha, do qual ele
retirava seu sustento , ele oferecia . . . o alimento que
providenciara no exercício de seu chamado designado por
Deus, como um símbolo do alimento espiritual que
perdura para a vida eterna (veja João 6:27; 4: 34) , e que
alimenta tanto a alma como o corpo, para que obtenha
vida infindável na companhia de Deus . . . Desta forma, as
dádivas sacrificiais adquirem uma característica simbólica,
e denotam a submissão voluntária do homem e de todo o
seu trabalho e rendimentos a Deus . " (Keil and Delitzsch ,
Commentary, Vol . 1:2, pp . 275-76.)
Essa oferta tinha que ser "voluntária" (veja
Levítico 1 : 3). O ofertante não era obrigado a fazê-la,
servindo aquele gesto como uma livre evidência de
.
.
gratidão da parte do indivíduo . Qualquer cOisa que assim
o sacrifício simbolizava a expiação dos pecados
não fos ;e , seria uma violação do princípio básico das
ofertas oferecidas de boa vontade (compare com
Morôni 7 : 6- 1 0) .
(14-4) Levítico 1 : 3 . A Oferta para o Holocausto Era
Realme nte Abatida Diante da Porta do Tabernáculo?
Para aj udar Israel a vencer a idolatria, o Senhor
especifkou que as ofertas fossem sacrificadas em um lugar
determi nado , "à porta da tenda da congreg�ção " (vers .
3). Este lugar foi especificado, porque era alI
.
(tecnica mente situado a apenas alguns metros defronte a
.
porta do tabernáculo ou templo) que estava situado o
.
altar , sc .bre o qual o sacrifício , ou uma parte dele , sena
queimado. (ObservaçãÇJ: Este versículo e as passagens
subseqü entes descrevem os holocaustos . Outras ofert � s
_
obedeci am a diferentes requisitos . Para ter uma descnçao
complet a de todas as diferentes ofer� as , examine o gr � fico
que aco mpanha esta lição , o qual fOi adapt�do do artigo
de Edward J. Brandt, " Sacrifices and Offenngs of the
.
Mosaic Law " , Ensign, dezembro de 1 973, pp . 50-5 1 . )
Os Sacrifícios e Ofertas da Lei Mosaica
NOME DA
ORDENANÇA E
TIPO DE
SACRIFÍCIO
OBJETOS SIMBÓLICOS USADOS NA
ORDENANÇA
PROPÓSITO D A ORDENANÇA
OFERTAS PÚBLICAS
OFERTA
QUEIMADA
(Levítico 1; 6 : 9- 1 3) .
Animal macho sem defeito (Êxodo 1 2 : 5; Levitico 1 : 3;
22: 1 8-25; Números 28 :3-4; Deuteronômio 1 5 :2 1 ;
17:1).
Este é u m outro nome
para a ordenança
praticada pelos
patriarcas, desde Adão
até Israel (Jacó) .
Originalmente , o animal deveria ser u m primogênito
(Gênesis 4:4; Êxodo 1 3 : 1 2; Levitico 27 :26; Números
3 : 4 1 ; 1 8 : 1 7; Deuteronômio 1 2 : 6; 1 5 : 1 9-2 1 ) .
" Isto é á semelhança do sacriflcio do Unigênito do
Pai " (Moisés 5 : 7; ver também Levítico 1 :4, 9; 1 4 : 20;
Hebreus 9: 14; I Pedro I : 1 9; 2 Néfi 1 1 :4; 25 :24-27;
Jacó 4:5; Jarom I ; Mosias 3 : 1 5 ) .
Épocas especificamente designadas :
Diariamente: de manhã e ao
anoitecer (Êxodo 29 : 3 8-42;
Números 28 : 3-4) .
No Sábado: uma porção dupla
deveria ser oferecida (Números
28 :9- 1 0) .
N a Lua Nova : mensalmente
(Números 28: 1 1 - 1 5).
Épocas designadas segundo as
estações do ano:
Festa da Páscoa e dos Pães
Asmos.
Festa da Colheita e Festa dos
Tabernáculos .
O Ano Novo e o Dia da
Expiação .
O animal variava d e acordo com a posição social e os
bens do indivíduo que fazia a oferta, e com a ocasião
em que o sacrifício era oferecido : bezerro, cabra,
carneiro , rola ou pombinhos (Levítico I : 5 , lO, 1 4;
5 : 7; Gênesis 1 5 :9).
OFERTAS PARTICULARES
Oferecidas por ocasião de
acontecimentos importantes dentro
da família: nascimento, casamento,
reuniões etc . , e em épocas de
necessidades pessoai s . O mais
freqüente era fazer-se tanto as
ofertas públicas quanto as
particulares , por ocasião das festas
já mencionadas .
OFERTA DE PAZ
(Levítico 3; 7 : 1 1 -38).
Animal macho ou fêma sem mancha (Levítico 3 : I ,
1 2) , podendo ser gado, carneiro ou cabra, mas nunca
aves ou outros substitutos (Levítico 22:27) . O animal
deveria servir de alimento em refeição sacrificial . A
gordura e as entranhas deveriam ser queimadas sobre
o altar (Levítico 3 : 3-5); uma parte especialmente
designada era dada aos sacerdotes (ver Oferta
Alçada), e o resto deveria ser aproveitado naquela
refeição especial (Levítico 7: 1 6) .
O propósito triplo das ofertas de paz é especificado
abaixo, segundo os títulos e descrições mencionados:
OFERTA DE LOUVORES: feita a Deus para
agradecer-lhe por todas as bênçãos (Levítico 7: 1 2- 1 3 ,
1 5; 22:29) .
OFERTA DE VOTO OU OFERTA VOLUNTÁRIA :
era oferecida para se fazer ou renovar um voto ou
convênio (Levítico 7 : 1 6; 22: 1 8 , 2 1 , 23; Números 1 5 : 3 ,
8 ; 29 : 39; Deuteronômio 1 2 :6) .
OFERTA VOLUNTÁRIA: sugeria a aceitação
voluntária de convênios e suas responsabilidades e
conseqüências (Levítico 7 : 1 6; 22: 1 8 , 2 1 , 23; Números
1 5 :3; 29 : 39; Deuteronômio 1 2:6, 1 7; 16: 1 0; 23 :23).
Era facultado ao ofertante fazer quaisquer das ofertas
descritas acima, separada ou conj untamente .
Estas eram apenas ofertas
particulares, ou um sacrifício
pessoal oferecido por famílias ou
indivíduos (ver Ofertas
Particulares).
OFERTA PELOS
PECADOS
(Levítico 4; 5 : 1 - 1 3 ;
6 :25-30) .
OFERTA PELAS
CULPAS
(Levítico 5 : 1 5 - 1 9 ;
6 : 1 -7 ; 7 : 1 - 1 0) .
Animal macho o u fêmea sem mancha . A oferta era
determinada pela posição social do ofertante e suas
propriedades : um sacerdote oferecia um novilho
(Levítico 4 : 3 ; Números 8 : 8) ; um príncipe oferecia
uma cabra (macho) (Levítico 4 : 22-23) ; os do povo em
geral ofereciam uma cabra fêmea (Levítico 4:27-28);
os pobres ofereciam duas rolas ou dois pombinhos
(Levítico 5 :7); e os extremamente pobres ofereciam
aves ou farinha (Levítico 5 : 1 1 ; Números 1 5 : 20-2 1 ) . A
oferta não era queimada, mas utilizada pelo
sacerdócio Levítico em uma refeição sacrificial. A
carne e o couro eram para seu sustento e utilização
(Levítico 6:25-30; 7 : 7-8; 1 4 : 1 3) .
As ofertas pelos pecaaos eram feitas pelos pecados
cometidos em ignorância (Levítico 4:2, 22, 27), os
quais geralmente não eram do conhecimento de
outras pessoas (Números 1 5 :24), ou pecado por
quebra de votos e convênios (Levítico 5: I , 4-5), e
peçados cerimoniais de profanação ou impureza com
relação aos mandamentos temporais (Levítico 5 : 2-3 ;
1 2 : 1 -8 ; 1 5 :28-30) . O propósito das ofertas pelos
pecados era o de preparar o o fertante, mediante seu
arrependimento sincero , para receber o perdão, como
parte da renovação de seu convênio (Levítico 4:26, 3 5 ;
5 : 10; 1 0 : 1 7 ; Números 1 5 : 24-29) . Esta mesma bênção
está ao nosso alcance hoje através do sacramento .
Carneiro sem mancha (Levítico 5 : 1 5 , 1 8 ; 6 : 6 ; 1 9 : Z I ) .
U m leproso deveria oferecer u m cordeiro (Levítico
14: 1 2) , e um nazireu também deveria oferecer um
cordeiro (Números 6 : 1 2) .
As ofertas pelas culpas eram oferecidas por causa de
ofensas feitas a terceiros , tais como falso testemunho
(Levítico 6:2-3), apropriação indevida, quer por força
ou por logro, de objetos alheios (Levítico 6:4),
desrespeito pelas coisas sagradas (Levítico 5 : 1 6- 1 7) , e
atos de natureza passional (Levítico 1 9 : 20-22) . A
oferta pelas culpas tinha como propósito
proporcionar o perdão (Levítico 6:7). Este era
concedido após o arrependimento do transgressor
(Levítico 26:40-45) , e do cumprimento por parte dele
Uma oferta especial pelos pecados ,
que se aplicava à todas as pessoas ,
era oferecida no Dia da Expiação
(Êxodo 30: 10; Levítico 1 6 : 3 , 6 , I I ,
1 5 - 1 9).
Todas as outras ofertas pelos
pecados eram particulares e
de caráter pessoal, freqüentemente
feitas por ocasião das festas j á
mencionadas .
Todas as ofertas pelas culpas eram
particulares e de caráter
pessoal , freqüentemente feitas por
ocasião das festas j á mencionadas .
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possível) , e mais um adicional de 20070 (Levítico 5 : 1 6 ;
6 : 5 - 7 ; 27: 1 3 , 1 5 , 1 9, 27 , 3 1 ; Números 5 :6- 1 0) .
OFERTA DE
MANJARES
xodo 29 :40-4 1 ;
Levítico 2 ; 6 : 1 4-23 ;
7:9-10; Números
1 5 :4-24; 28; 29) .
(Ê
(Ê
OFERTA ALÇADA
xodo 29: 26-27 ;
Levítico 7: 1 4 , 32-34;
Números 1 8 : 1 9) .
Pão não levedado . Permitia-se somente uns poucos
ingredientes misturados com a farinha: sal (Levítico
2 : 1 3), óleo (Levítico 2 : 5), e incenso (Levítico 2: 1 5);
mel e fermento eram proibidos (Levítico 2 : I I ) .
Entretanto, o pão podia ser cozido o u frito de
diversas maneiras .
Esta oferta era um complemento à refeição sacrificial
das ofertas queimadas e de paz. Era oferecida aos
sacerdotes pelos seus serviços e para seu sustento .
(Levítico 7 : 8- 1 0) .
Esta oferta era sempre feita
juntamente com as ofertas
queimadas e de paz, e em casos de
extrema pobreza, podia até servir
como um substitutivo da oferta
pelos pecados (Números 1 5 :28, 29) .
A oferta alçada era feita com a espádua direita do
animal , e a oferta do movimento era feita com o seu
peito , dados ao sacerdote em pagamento pelos
serviços prestados .
Esta é a porção d o sacerdote (Levítico 7 : 3 5-36;
Deuteronômio 1 8 : 1 -8) . Esta oferta memorial era uma
espécie de oferenda de paz ou de louvor ao Senhor,
tanto quanto um sinal de que o Senhor era lembrado e
servido .
Os levitas também recebiam o couro de todos os
animais sacrificados como pagamento pelos serviços
prestados . (Levítico 7: 8 . )
Eram oferecidas na mesma ocasião
que as ofertas queimadas e de paz .
Eram oferecidas na mesma ocasião
das ofertas .
Tudo o que os levitas recebessem por seus serviços
sacerdotais , fossem ofertas alçadas ou de movimento ,
manjares ou dízimo (Números 1 8) , era-lhes requerido
que oferecessem ao Senhor , em sacrifício, uma sua
porção como oferta memorial (Levítico 2:2, 9, 1 6 ;
5 : 1 2 ; 6: 1 5 ; Números 5 : 26; 1 8 : 26-29) .
"Alçar" e " mover" referem-se a gestos
correspondentes ao ato de levantar as ofertas e
oferecê-las ao sacerdote, que por sua vez as recebia
em lugar do Senhor.
(Adaptado de Edward J . Brandt, "The Priesthood
Ordinance of Sacrifice " , Ensign , dezembro de 1 973 , pp . 50-5 1 .)
164
(14-5) Levítico 1:4. Por que o Ofertante Colocava as Mãos
sobre a Cabeça da Oferta, e de Que Modo Esta Ofena
Fazia a Expiação em Benefício Dele?
A imposição das mãos era uma parte importante d e
todo sacrifício . " Ela significava transmissão e delega ção e
encerrava um certo simbolismo , de modo que realmente
indícava a substituição do sacrifício pelo sacrifícador .
Assim sendo, essa prática era sempre acompanhada pela
confíssão do pecado e oração . Era assim que se procl:dia.
O sacrifício era virado, de modo que a pessoa que
confessava a culpa olhasse rumo ao oeste, enquanto
impunha as mãos entre os chifres do animal que ia ser
sacrificado . Se ele fora trazido por mais de uma pessoa,
cada uma delas fazia a imposição das mãos . Não se sabe
ao certo se eram impostas ambas as mãos ou apenas uma;
mas as evidências parecem comprovar que se devia fazer
isso 'com toda a força' - como se o ofertante quisesse
com isto colocar todo o seu peso sobre o substituto. "
(Edersheim, The Temple, pp. 1 1 3-14.)
Esse costume demonstra que o sacrifício tinha um duplo
aspecto ou simbolismo . Em primeiro lugar, e acima de
tudo, representava o único sacrifício que no final poderia
proporcionar a paz e remissão dos pecados, ou seja, o que
seria feito por Jesus Cristo . Entretanto, a imposição das
mãos conotava uma transferência de identidade; isto é, o
ofertante colocava sua própria identidade sobre o an mal a
ser sacrificado . Conseqüentemente, a morte do animal
implicava simbolicamente em uma das duas situações
seguintes, dependendo da espécie de oferta. Primeiro ,
dava a conotação de que o ser pecador, "o homem
natural " , como o rei Benjamim o intitulou (veja Mosias
3: 1 9), era morto para que o indivíduo espiritual pude sse
renascer. Paulo usou esta terminologia em Romanos 6: 1 -6
'
e a pia batismal é comparada a uma sepultura, em
Doutrina e Convênios 1 28 : 1 3 . Por quê? Porque o
"homem velho " do pecado é ali sepultado (Romano:; 6:6) .
E m segundo lugar, caso não s e tratasse d e uma oferta pela
transgressão, a morte do animal implicaria no ato de
entregar a vida, isto é, o sacrifício total de si mesmo
perante Deus.
A palavra traduzida para "expiação " é derivada d� um
termo hebraico que significa "cobrir ou esconder" . A
conotação que vemos não é a de que o pecado deixou de
existir, mas sim a de que ele foi coberto, ou falando
escrituristicamente, apagado perante Deus por intermédio
de sua graça e inigualável bondade (veja Alma 7: 1 3 ) . Isto é
o mesmo que dizer que o poder que o pecado tem de
separar o homem da presença de Deus foi retirado . Desse
modo , a palavra expiação foi usada para demonstrar que o
homem voltou a ter unidade com Deus .
(14-6) Levítico 1:5. Por Que É Dada Tanta Ênfase ao
Sangue?
De todos os elementos da ordenança do sacrifício,
nenhum deles desempenhava um papel mais proemin ente
que a administração do sangue da oferta. A maneira pela
qual era feita a oferta, foi minuciosamente especificada
pelo Senhor. Dependendo de sua natureza, o sangue era
posto sobre as pontas do altar, aspergido ou salpicad o
sobre os quatro cantos do altar, ou derramado em sua
base.
O Senhor escolheu o sangue para dramatizar as
conseqüências do pecado e do que está envolvido no
processo do perdão e reconciliação . Portanto, o sang ue
representava tanto a vida (veja Levítico 1 7 : 1 1) como o ato
de dar a vida. A morte é a conseqüência do pecado; por
o sangue simbolizava a expiação dos pecados
isto, O animal era morto, para demonstrar o que acontece
quando o homem peca. Além disso, o animal era um
protótipo de Cristo, pois este, ao dar sua vida pela
humanidade, através do derramamento de seu sangue, fez
com que o indivíduo que está espiritualmente morto em
virtude do pecado , possa encontrar uma nova vida.
Encontramos um outro paralelo decorrente dessa verdade:
"Assim como em Adão, ou por natureza, todos os
home� s pecam e estão sujeitos à morte espiritual, também
em CrIsto, e em seu sacrificio expiatório, todos os homens
têm o poder de alcançar a vida eterna. " (McConkie, The
.
Promised Messiah, p . 259.)
O objetivo do derramamento de sangue era
proporcionar a reparação ou expiação (veja Levítico
1 7: 1 1 ; Hebreus 9:22) . Conforme observamos na Leitura
1 4-5, o verbo hebraico traduzido por expiar significa
"cobrir" . Portanto, o ato de salpicar, aspergir ou
derramar o sangue "cobria" os pecados dos homens,
realizando assim a expiação . Há um extraordinário
paradoxo na idéia de que os justos são aqueles "cujas vestes
são branqueadas pOI; meio do sangue do Cordeiro'� (Éter
1 3 : 10; Alma 5 : 2 1 ) . E o sangue de Cristo que cobre os
pecados e purifica o homem, para que ele possa ter
unidade com Deus .
Dessa forma, o sangue era um símbolo que envolvia
todo o processo através do qual o homem podia
reconciliar-se com o seu Criador. " É aparente, em todos
esses fatos, que os membros espiritualmente esclarecidos
da casa de Israel sabiam que suas ordenanças sacrificiais
eram à semelhança da futura morte daquele cujo nome
usavam para adorar o Pai, e que não era o sangue
derramado sobre os altares que trazia a remissão dos
pecados, mas o sangue que seria vertido no Getsêmani e
sobre o Calvário . " (McConkie, The Promised Messiah,
p . 258.)
(14-7) Levítico 1:6-9. Qual Era o Propósito de Dividir o
Corpo do Animal?
Um aspecto singular dos holocaustos era a divisão do
animal em vários pedaços e o lavamento com água, das
entranhas e pernas do boi sacrificado . No entanto, é
exatamente essa prática que proporcionava ao sacrifício
sua adequada dimensão e significado, sem desconsiderar
outros aspectos importantes . Um autor nos deu a seguinte
descrição desse simbolismo:
165
"O dever que o homem tem para com Deus não se
resume em dedicar a ele toda a sua capacidade, mas em
devotar-lhe todo o seu ser. Assim, Cristo resume o
primeiro e grande mandamento - toda mente, toda alma
e todos os sentimentos . 'Amarás o Senhor teu Deus de
todo o teu coração e de toda a tua alma, e de todo o teu
pensamento . ' (Mateus 22: 3 7 . ) Não posso duvidar de que o
protótipo se refira a isso ao falar tão particularmente sobre
as partes da oferta queimada; pois 'a cabeça' , 'as pernas ' ,
e 'as fremuras' (entranhas) se acham distintamente
enumeradas . 'A cabeça' é uma parte do corpo reconhecida
como emblema dos pensamentos; 'as pernas' um símbolo
do ato de caminhar; e as ' fremuras' , um símbolo
conhecido, constantemente usado para significar os
sentimentos e desejos do coração . O significado de
'redenho' * pode não ser tão evidente, embora, neste caso,
também as escrituras nos ajudem a encontrar a solução .
Ele representa a energia, não dos músculos ou do
intelecto, mas a saúde e vigor geral de todo o ser. Em
Jesus, tudo isto foi entregue como oferta, absolutamente
sem mancha ou defeito . Se houvesse na mente de Jesus um
só pensamento que não fosse perfeitamente submisso a
Deus; tivesse ele ainda que um só sentimento em seu
coração que não fosse sujeito à vontade do Pai; tivesse
Jesus dado um só passo ou decisão em sua vida, que não
fosse para cumprir os desígnios de Deus, e sim para a sua
satisfação pessoal; - então ele não poderia ter oferecido a
si mesmo, nem ter sido aceito como 'oferta queimada ao
Senhor' . Mas Jesus a tudo entregou, não reservando nada
para si. Tudo foi queimado, tudo foi consumido sobre o
altar . " (Jukes, Law of the Offerings, pp . 63-64.)
O lavamento da fressura e perna sugeria a necessidade
de o indivíduo ser espiritualmente puro , não somente em
suas atitudes , mas em seus mais profundos anseios . (Veja
Efésios 5 :26; Jukes , Law of the Offerings, p. 7 1 . )
Analisados em conjunto, estes atributos revelam a
qualidade de existência que Jesus vive. Ele sujeitou todos
os seus desejos, pensamentos, atividades e toda a sua vida
a Deus. O sacrificio ao mesmo tempo ressaltava a idéia de
que somente quando o ofertante se submete à vontade de
Deus, sua vida se torna suave ou satisfatória perante o
Senhor.
(14-8) Levítico 1 : 10-17. Por Que o Senhor Permitiu que
Existissem Diversos Níveis de Oferta?
Os sacrifícios aceitáveis se resumiam nos seguintes
grupos: Um bezerro ou boi macho, um cordeiro ou
cabrito, uma rola (macho) ou pombo. A situação
econômica do indivíduo determinava qual desses animais
iria sacrificar. O fato de cada um desses animais ser
aceitável ao Senhor era um sinal de sua misericórdia. Para
ele não é a dádiva que importa, mas o intento do coração
do ofertante.
(14-9) Levítico 2. Em Que Consistia a Oferta de Manjares?
A palavra hebraica traduzida como "oferta de
manjares" também significa "dádiva" (Wilson, Old
Testament Word Studies, p . 27 1 ) . Esse termo , quando
usado no sentido sacrificial, se refere a uma oferta feita
com cereais, farinha ou pães . Através dela, o indivíduo
reconhecia em Deus o doador de todas as coisas, e
sujeitava a ele o que lhe fora concedido como propriedade
sua (ou seja, o fruto do campo), suplicando forças para
cumprir seus deveres . O trigo, ou produtos feitos desse
°N. T. = grande dobra do peritônio (membrana serosa que reveste
interiormente o abdome) que se assemelha a uma rede.
cereal, adicionados de óleo, incenso e sal, também se
constituíam em oferta (veja os vers , 1 , 1 3 ) . Em cada caso
era necessário que o trigo fosse preparado de certa forma.
A "flor de farinha" (vers . 4, 5 , 14) era bem difícil de ser
obtida, considerando que naquela época o trigo era, na
maioria das vezes, moído manualmente . Dessa forma, o
tempo do ofertante, simbolizando toda a sua vida, fora
aplicado na confecção da oferta.
O ato de trazer como oferta o óleo, o incenso e os
cereais, é uma representação bastante instrutiva (veja o
vers o 1 ) . O óleo era usado nas escrituras como símbolo do
Espírito Santo (veja D&C 45 : 56-57); o trigo significa a
palavra de Deus (veja Marcos 4: 14); e o incenso simboliza
a oração (veja Apocalipse 8 : 3 ) . Como o homem foi criado
para obter a sua subsistência principalmente do pão , assim
também ele deveria viver espiritualmente em Cristo,
partilhando da palavra e do espírito do Senhor através da
oração .
Apenas uma parte da oferta era queimada (veja
Levítico 2:2, 9) . Este requisito era seguido no caso de
todas as ofertas, exceto na oferta pelo pecado e nas ofertas
queimadas . O restante se tornava propriedade dos
sacerdotes, aos quais era permitido compartilhar com seus
familiares (veja os vers o 3, 10) . Deste modo , o sacerdote
era sustentado pelo Senhor durante o tempo que a ele
servia.
As partes do sacrifício que haviam sido queimadas ,
eram consideradas "santas" , e as que se destinavam a
servir de alimento eram chamadas de "coisa santíssima"
(vers. 3, 1 0) . Essa distinção parece que servia como uma
medida protetora, pois pouco dano poderia ocorrer à
parte do sacrifício que era queimada, ao passo que o que
restava, se não fosse cuidadosamente guardado, corria o
risco de sofrer profanação .
A oferta das primicias dos frutos não era um sacrifício,
mas sim uma dádiva de agradecimento e louvor a Deus
pelas boas colheitas (veja os vers o 1 2) . Se o ofertante
desejasse usar uma parte de sua oferta das primícias como
oferta de manjares , o Senhor designava como poderia
assim proceder (veja os vers o 14- 16).
(14-10) Levítico 2:1 1 , 13. Por Que Era Proibido Usar
Fermento e Mel nas Ofertas, e o Sal se Permitia?
A proibição de usar fermento se aplicava também ao
mel . É bem conhecida a capacidade que esses dois
elementos têm de fermentar e produzir deterioração ,
tornando-se, por este motivo, excelentes símbolos de
corrupção, algo que não tinha lugar nos efeitos
purificadores da lei, a qual os sacrificios simbolizavam
(veja a leitura 10:7) .
"Embora o fermento e o mel não pudessem ser usados
em nenhuma oferta de manjares, devido à tendência que
tinham de fermentar e se corromper, o sal era
indispensável em todas as ofertas de sacrificio . 'Não
deixarás faltar à tua oferta de manjares o sal do concerto
do teu Deus; em toda a tua oferta oferecerás sal ' , isto é,
ele sempre deveria se achar presente em toda oferta de
manjares . Com seu poder de tornar mais forte o alimento e
preservá-lo da decomposição, o significado que o sal
acrescentava ao sacrifício era a inabalável veracidade da
rendição de si próprio ao Senhor (representada pelo
sacrifício), através da qual toda impureza e hipocrisia eram
repelidas . O sal utilizado no sacrifício era chamado de sal
do concerto , pois na vida cotidiana ele era símbolo de
convênio. Segundo um antigo costume grego, preservado
até hoje entre os árabes, os acordos considerados firmes e
invioláveis eram selados pelos representantes de ambas as
166
partes comendo pão com sal, representando o tratado que
fizeram. Como um pacto assim firmado recebia a
denominação de 'convênio do sal ' , e era indissolúvel
(Números 1 8 : 1 9 ; II Crônicas 1 3 :5), nesta oferta da mesma
forma, o sal acrescentado ao sacrifício recebe o nome de
sal do concerto de Deus, devido ao fato de ele emprestar
maior vitalidade e pureza ao sacrificio, através do qual,
Israel era fortalecida e revigorada por meio de um
convênio pacifico com Jeová. " (Keil and Delitzsch,
Commentary, 1 :2: 295 .)
(14-11) Levítico 3. Os Sacrifícios de paz
O nome deste sacrifício em hebraico é shelamim, o
plural da palavra shalom, que significa "paz " .
"O plural denota o inteiro conjunto d e bênçãos e
poderes, através dos quais é estabelecida e assegurada a
salvação ou integridade do homem em seu relacionamento
com Deus . O objetivo da shelamim era, invariavelmente, o
de obter a salvação : algumas vezes era oferecida refll�tindo
um ato de ação de graças pela salvação já recebida, e
outras, como uma oração pela salvação desejada. A8sim,
representavam tanto ofertas de súplica como de
agradecimento , e eram oferecidas até mesmo em épocas de
infortúnio, ou no dia em que se ofertava uma súplica pela
ajuda de Deus . " (Keil and Delitzsch, Commentary,
(14-13) Levítico 4:5-7. Por Que o Sangue Era Levado ao
Tabernáculo e Aspergido Diante do Véu , e Colocado nas
Pontas do Altar?
O sangue de todas as ofertas era um símbolo direto da
expiação (veja a Leitura 1 4-6) . O número sete representava
a perfeição (pois ele provém do radical hebraico que
significa "todo" ou "completo" , e também,
provavelmente, devido à idéia da Criação haver sido
completada em sete dias) . Deste modo o número sete se
tornou um símbolo do convênio . Devido às suas
transgressões, Israel estava em perigo de perder o
relacionamento de convênio feito com Jeová. De fato, os
israelitas eram pecadores, e suas faltas eram
continuamente trazidas à presença do Senhor. Embora
Israel pudesse esquecê-las com facilidade, Deus não
poderia. Contudo, tampouco poderia ele esquecer que
Cristo havia expiado aqueles pecados cometidos não por
rebeldia, mas por causa das fraquezas da carne. O sangue
da oferta pelo pecado (um símbolo da expiação feita pelo
Senhor), era levado pelo sacerdote e posto diante do véu,
onde permanecia sempre presente perante os olhos de
Deus (Jukes, Law of Offerings, pp . 1 53-54) .
1 : 2 : 299 .)
Era permitido oferecer-se fêmeas de animais como
sacrifícios de paz (veja os vers o 1 , 6), mas ainda assim era
necessário que fossem sem defeito . Era proibido oferecer
aves.
Somente a gordura e os rins desta oferta eram
queimados . Tal procedimento cumpria o objetivo do
sacrifício , considerando que a gordura indicava o bem­
-estar do animal, e ela, assim, era usada para repres�:ntar a
consagração plena da vida do indivíduo a Deus.
Uma espécie de ovelha muito comum no Oriente Médio,
possui uma cauda muito gorda. Este fato explica as
instruções dadas pelo Senhor concernentes à "cauda
toda" (vers . 9) , a qual deveria ser oferecida por inteiro
(Wilson , Old Testament Word Studies, p. 363).
(14-12) Levítico 4:2. Que Significa o "Pecado por Elrro" ?
E m hebraico , a palavra chata 't, usada com referência a
este sacrifício , provém de um radical que significa "errar,
não acertar o alvo " , ou "tropeçar e cair" (Wilson , Old
Testament Word Studies, p. 395) . Assim, as transgressões
que se pretendia expiar através deste sacrifício eram as que
tinham sido cometidas por engano, erro ou negligência,
isto é, pecados involuntários . Em outras palavras, este
sacrifício cobria as faltas praticadas em conseqüência das
fraquezas da carne, ao contrário daquelas cometidas
intencionalmente, num momento de rebeldia. Este
sacrificio ilustra o fato de que o pecado, mesmo quando
não cometido de propósito, faz com que o indivíduo fique
sujeito às exigências da justiça. O profeta e rei Benjamim
explicou, "Pois eis também que seu sangue (de Cristo)
expia os pecados dos . . . que morreram sem conhecer a
vontade de Deus acerca de si mesmos, ou que pecaram por
ignorância" (Mosias 3: 1 1 ).
Para fazer este sacrificio , era permitido ao ofertante
usar as mais diversas espécies de animais (veja
Levítico 4 : 3 , 1 3 - 14, 22-23, 27-28; 5 : 6-7, 1 1 - 12) . De a.cordo
com o seu entendimento da lei mosaica, diga por que o
Senhor considerou aceitáveis tantas ofertas para expiar os
pecados cometidos por ignorância?
A s pontas do altar
As pontas do altar de sacrifícios e do altar de incenso
eram um símbolo de poder (talvez porque muitos animais
possuidores de chifres têm grande força). Portanto, as
pontas dos altares sugeriam simbolicamente que aqueles
dois altares tinham o poder de salvar. O ato de colocar o
sangue da oferta pelo pecado nas pontas do altar de
incenso, significava que o sangue expiatório tinha o poder
de tornar mais eficazes as orações que Israel elevava a
Deus .
(14-14) Levítico 4-12. Que Representava Fazer o Sacrifício
pelos Erros Fora do Arraial?
O oferecimento da gordura e fressuras sobre o altar,
demonstrava que a oferta era aceitável a Deus. Todavia,
em virtude deste sacrifício representar os efeitos do
pecado, não era permitido que ele fosse feito sobre o altar.
167
Causa certa estranheza, a princípio que a oferta pelo
pecado pudesse ser um protótipo de Cristo . Neste sentido
Jukes, um grande conhecedor da Bíblia, nos deu uma
valiosa visão sobre como o sacrifício diferia da oferta de
cheiro agradável (as ofertas queimadas, as ofertas de
manjares e os sacrifícios pacíficos).
"Até este ponto, a idéia do Pecado não é encontrada
nos sacrifícios. A oferta queimada, a oferta de manjares e
a oferta pacífíca, embora diferissem entre si, eram
bastante parecidas quanto ao fato de que, em cada uma
delas, a oferta consistia na apresentação de algo que era
agradável a Jeová, uma oblação para satisfazer seus santos
requisitos, a qual era por ele aceita com grata satisfação .
Todavia, nos sacrifícios pelo erro e pela expiação da culpa,
vemos o pecado em conexão com a oferta. Nestes
sacrifícios temos pecado confesso, o pecado j ulgado, o
pecado que requer sacrifício e derramamento de sangue;
mas também, e ao mesmo tempo, o pecado expiado
'
remido, perdoado . . .
" . . . Os sacrifícios pelo erro mostravam que a
transgressão já havia sido julgada, e que, portanto, o
senti,mento pelo pecado, se acreditarmos haver sido ele
remido, não precisa, necessariamente, abalar o nosso
sentimento de segurança. Neste sacrifício o pecado é
proeminentemente mostrado como sendo algo deveras
grave, odioso e maligno aos olhos de Deus; mas mesmo
assim dá a idéia de que, através do sacrifício foi
perfeitamente reparado, perfeitamente apagado,
perfeitamente julgado , perfeitamente expiado . . .
" . . . Os sacrifícios de cheiro agradável são, pelo que
sabemos, uma representação do Cristo em perfeição,
oferecendo a si próprio , por nós, perante Deus, sem
qualquer mancha de pecado; as outras ofertas , pelo
contrário, como bem poderemos ver, simbolizam Cristo
oferecendo a si mesmo como nosso representante pelo
pecado . " (Jukes, Law of Offerings, pp. 1 37-39.)
O sacrifício expiatório, que teve início no Getsêmani e
terminou no Gólgota no dia seguinte, poderia ser
considerado como um,! oferta pela transgressão, pois foi
esse o seu objetivo . O Elder James E. Talmage escreveu :
"A agonia de Cristo no jardim é insondável para a
mente finita, tanto em intensidade quanto em causa . . . Ele
lutara e gemera sob uma carga tal, que nenhum outro ser
vivente sobre a terra poderia nem mesmo conceber fosse
possível. Não se tratava de dor física, nem apenas de
angústia mental, que o fizera sofrer tortura tão grande até
�roduzir a extrusão de sangue de todos os seus poros , mas
sim uma agonia da alma, de tal magnitude, que somente
Deus seria capaz de experimentar . . .
"De alguma forma, verdadeira e terrivelmente real
ainda que incompreensível para o homem, o Salvado ;
tomou sobre si mesmo a carga dos pecados da
humanidade desde Adão até o final do mundo . " (Jesus o
Cristo, p . 592.)
Em outras palavras , para cumprir as exigências da
justiça, Cristo se apresentou perante a lei como se fosse
culpado de todos os pecados, embora não fosse culpado
de nenhum. Ele se tornou uma oferta pelos erros de toda a
humanidade. Este sacrifício envolve mais do que o
sofrimento que ele padeceu no Jardim do Getsêmani. O
sacrifício foi completado fora dos muros da cidade. Foi
por isso que Paulo considerou o sacrifício de Cristo o
cumprimento do protótipo representado pela oferta pelos
erros ao ser queimada fora do arraial :
"Porque <;J s corpos dos animais, cujo sangue é, pelo
pecado, trazido pelo sumo sacerdote para o santuário , são
queimados fora do arraial. E por isso também Jesus, para
santificar o povo pelo seu próprio sangue, padeceu fora da
porta. Saiamos pois a ele fora do arraial , levando o seu
vitupé!rio . " (Hebreus 1 3 : 1 1 - 1 3 . )
(14-15) Levítico 4:25, 30, 35
O sa.ngue derramado no sacrifício pelos erros de um
príncipe e da congregação não era aspergido nos lados do
altar dle sacrifícios, mas sim passado com o dedo em suas
pont.as . Elas simbolizavam a força e poder de Jeová (veja
a Lel� ra 14- 1 3) . O ato de passar nelas o sangue expiatório
sugena que o perdão somente conseguiria ser obtido
através do poder de Deus .
(14-16) Levítico 5: 1-13
Estes versículos contêm a continuação dos requisitos
relativos à oferta pelos pecados. As faltas aqui
especificadas como necessitando de expiação são as
referen tes à omissão (deixar de relatar um crime que se
presenciou), contaminação involuntária (tocar em algo
impuro , sem saber), e j uramento imprudente (j urar
irreflet idamente) .
Embora sendo chamado de oferta pela expiação do
pecado (veja o verso 6) , este sacrifício não deve ser
confundido com a oferta pela expiação da culpa descrita
em Levítico 5 : 14- 1 9 . A oferta pela expiação do pecado
aqui mencionada, se destinava a expiar os atos que se
enquadravam na oferta pelos erros (por ignorância,
ofensas menores e participação em cerimoniais quando
não se está digno).
(14-17) Levítico 5: 14-19; 6: 1-7. Qual É a Diferença entre os
Sacrifídos pela Expiação da Culpa e pelos Pecados
Voluntários?
Os profetas do Livro de Mórmon ensinaram claramente
que as pessoas que não "nasceram do Espírito" ou não
foram "mudadas de seu estado carnal e decaído" (Mos ias
27 :24-25) se encontram em "rebelião contra Deus"
(Mosia.s 1 6: 5 ; veja também 3 : 1 9). Esta condição decaída
ou pecaminosa, chamada de "homem natural" (Mosias
3: 1 9) é uma situação realmente perigosa. Ao tentarmos
fazer uma distinção entre a oferta pela expiação da culpa e
pelos pecados voluntários devemos considerar em que
consist o "homem natural " .
"Com nossa estreiteza d e visão , e incapacidade de
perceber o que há além da superfície, temos a tendência de
ver apenas o que o homem faz, e não o que ele é; e
embora admitamos que ele pratique o mal, talvez nem
sempre pensemos que ele seja mau . Porém Deus julga
tanto o que somos, como o que fazemos, ou seja, os
nossos erros, o pecado que existe em nós, bem como as
nossas culpas. A sua vista, nossa natureza má é claramente
representada pelos nossos pecados, os quais nada mais são
que o fruto de tal natureza . . .
"Ora, a distinção que se faz entre os sacrifícios pela
expiaçào da culpa e pelos pecados voluntários consiste ·
simplesmente nisto: o primeiro é oferecido pelo pecado em
sua natureza (isto é, o "homem natural"), e o segundo ,
pelos frutos de tal condição . Tudo o que precisamos fazer
para entender esse fato é examinarmos cuidadosamente os
particulares de tais sacrifícios . Assim, no caso do sacrifício
pela expiação da culpa não é mencionada nenhuma
t�ansgressão específica, mas vemos que uma certa pessoa é
vista aparecendo como o pecador confesso; na oferta pelos
pecados voluntários são mencionadas determinadas
atitudes, e não é feita qualquer menção ao transgressor.
No sacrifício pela expiação da culpa, vejo um indivíduo
168
o sangue derramado no Getsêmani e na cruz expiaram os pecados do mundo
que necessita do benefício da expiação oferecendo uma
oblação por si mesmo, como pecador; na oferta pel os
pecados voluntários , vejo certos atos que requerem
expiação , e a oferta sendo oferecida por tais ofensas
especificas. " (Jukes, Law of Offerings, pp. 1 48-49.)
(14-18) Levítico 5:16. Por Que Era Acrescentado "o Seu
Quinto" ao Sacrifício pela Expiação da Culpa?
"No caso da expiação da culpa, isto é, de nossa
natureza pecaminosa, quando não havia sido realmente
cometido um roubo ou falta contra qualquer pessoa , a
j ustiça era plenamente satisfeita com a morte e sofrimento
do pecador . Porém, o sofrimento e a morte do pecador,
por si sós, não reparariam o erro cometido, uma vez que a
vítima desse erro ainda sairia perdendo . A punição do
pecador não apagaria o mal que ele fez. Assim sendo , a
morte do pecador não repararia esse mal, nem restauraria
os direitos que tinham sido defraudados de outrem . Até
que fosse feita uma reparação, a expiação da culpa
dificilmente poderia ser considerada perfeita.
Conseqüentemente, para que o sacrifício pela expiação da
culpa fosse satisfatório , era necessário não apenas que a
justiça fosse feita, mas também que a vítima recebesse
restituição : que tivesse de volta aquilo de que tinha sido
defraudado , e o mal plenamente reparado . " (Jukes, Law
of Offerings, p. 1 79.)
(14-19) Levítico 6 : 13. Por Que o Fogo do Altar Jamais
Deveria Ser Apagado?
A primeira chama, acesa no primeiro altar construído
por ordem de Moisés, originou-se da ação direta de Jeová
(veja Levítico 9:23-24) . Era a obrigação do sacerdote
mantê-la sempre ardendo , pois ela simbolizava a
continuidade do convênio que tornava a ordenança do
sacrifício eternamente válida. Além disso, como foi
explicado na Leitura D-5 , o fogo representava o poder
purificador do Espírito Santo , que jamais se extingue .
169
(14-20) Levítico 7:11-27. Por Que o Ofertante Partilhava
do Sacrifício Pacifico?
Tão logo eram removidos a gordura, os rins , o peito e a
espádua traseira direita, o resto do animal era devolvido
ao ofertante. Ao voltar para casa, ele utilizava aquela carne
a fim de preparar uma festa para a qual sua família, seus
amigos, e os pobres eram convidados . Visto que o sacrifício
constituía o elemento principal da festa, não era lícito
utilizar aves, pois estas forneciam pouca carne . Esta festa
se tornou uma santa refeição do convênio , da qual se
participava com grande j úbilo e ações de graça, pois
representava uma confraternização com o Senhor . O
alimento terreno simbolizava o poder espiritual com que o
Senhor satisfazia e revigorava seus santos , e fazia com que
obtivessem vitória sobre todos os seus inimigos .
Todos os participantes da festa compartilhavam da
carne da oferta. O Senhor especificou a parte que lhe
pertencia, a que seria entregue ao sacerdote , e a que seria
utilizada pela família. Portanto, todos desfrutavam do
espírito da refeição de confraternização , assim como
compartilhavam da obra realizada por Cristo , de
proporcionar a salvação aos fiéis e a vitória sobre a morte
e o inferno .
Aquele que , conscientemente, participava da oferta
pacifica estando em condição de impureza, poderia ser
castigado com a excomunhão (veja o vers o 2 1 ) . Um
indivíduo não pode estar em pecado e ao mesmo tempo
em paz com Deus .
(14-21) Levítico 7:28-34. Em Que se Constituíam a Oferta
Alçada e a Oferta Movida?
O Senhor declarou que duas partes especificas do
animal pertenceriam ao sacerdote . A primeira era uma
oferta alçada, representada pela espádua direita . O termo
alçar, em hebraico , significa "retirar ou remover" . Esta
p arte, o ofertante dava ao sacerdote como pagamento pela
sua aj uda . O "peito movido " (vers . 34) era a carne
daquela parte do animal , a qual , juntamente com a
gordura e os rins, pertencia ao Senhor. A carne do peito do
animal era apresentada ao Senhor por meio de um ato de
movimento . Para tanto, o sacerdote colocava a oferta nas
mãos do ofertante, e sob estas , punha as suas próprias
mãos . Depois , os dois juntos moviam 'a carne
horizontalmente na direção do altar (simbolicamente
transferindo-a ao Senhor) , e em seguida a traziam de
volta, simbolizando a aceitação que Deus fez da oferta, e
a sua transferência a seu servo , o . sacerdote .
(14-22) Levítico 8-9
Estes capítulos registram a ordenação de Aarão e seus
filhos , e a santificação do tabernáculo , conforme
mandamento recebido em Êxodo 28-29. Para saber o
significado do sangue colocado com o dedo na orelha e
polegares das mãos e dos pés , veja a Leitura 1 3 - 1 6.
(14-23) Levítico 10: 1-7. Em que Consistia o Fogo Estranho
Oferecido pelos Filhos de Aarão?
A palavra hebraica traduzida por "estranho" significa
" ser alheio . . . ou oposto ao que é santo e genuíno"
(Wilson , Old Testament Word Studies, p . 422) . Vemos
assim que , a idéia aqui transmitida, não é a de que o fogo
era estranho ou incomum " mas que os dois filhos de Aarão
haviam apresentado uma forma não autorizada de
adoração . O relato não esclarece se eles retiraram fogo (ou
brasas) de algum lugar que não o grande altar , que o
próprio Deus havia acendido (veja Levítico 9:24), ou se
usaram alguma espécie de incenso que não fora preparado
da maneira especificada (veja Êxodo 30:34-37) . Mas ao
revelar como deveria ser feito o preparo adequado do
incenso , o Senhor prevenira: "O homem que fizer tal
como {:ste para cheirar , será extirpado do seu povo "
(Êxodo 30:38). Os outros filhos de Aarão foram proibidos
de prantear oficialmente a morte de seus irmãos, pois se
assim fizessem , estariam sugerindo que o Senhor havia
sido injusto na aplicação daquele castigo (vej a
Levítico 1 0 : 6) .
(14-24) Levítico 10: 16-19. Por Que Moisés se Indignou
Com Aarão e Seus Filhos?
Partt� da oferta pela expiação da culpa era destinada
especificamente a ser usada pelo sacerdote que
admini strava a ordenança, portanto ela, assim , lavava " a
iniqüidade d a congregação " (vers . 1 7) . Entretanto,
Eleazar e Itamar haviam-na queimado toda ao invés de
comer a parte que lhes cabia. Esta fora a segunda vez em
que os filhos de Aarão negligenciaram na observância da
lei . Tomado de j usta indignação , Moisés os repreendeu ,
mas Aarão redargüiu a censura recebida .
"A desculpa apresentada por Aarão , de não comer a
oferta pela expiação da culpa, de acordo com o que
ordenava a lei , foi apropriada e digna . Foi como se
houvesse dito : 'Deus certamente mandou-me fazer isso;
mas por haverem-me sucedido estas coisas , seria este gesto
agradável aos olhos do Senhor? Não esperaria ele que eu
tenha s entimentos paternos em tão amargas
circunstâncias? ' Esta resposta inspirada satisfez a Moisés ;
e Deus, que sabia do sofrimento pelo qual atravessava
Aarão , deixou passar a irregularidade ocorrida no serviço
solene . Deus concedeu à natureza humana o privilégio de
chorar nos momentos de grande aflição e amargura. Em
sua infinita bondade, ele ordenou que as lágrimas, as
únicas evidências exteriores de nosso pesar , devem ser a
válvula de escape de nossas tristezás , e costumam eliminar
a causa que as originou . " (Clarke, Bible Commentary ,
vol . I, p . 539.)
POl'TOS A PONDERAR
(14-25)
Pergunta: Não foi dito que a lei mosaica seria um
grande avanço? Teria ela sido um fator de progresso
apenas para a antiga Israel , ou representa o mesmo para
nós , hoje em dia?
Re!>p osta: Considere , por um momento, qual seria o
efeito no mundo moderno , se as pessoas estivessem
dispostas a realmente viver os princípios ensinados na lei
de Moi�;és . Mesmo alguns membros da Igrej a não vivem
de acordo com os padrões dessa lei , quanto mais da lei
maior , ue nos foi dada.
Pergunta: Porém , temos a plenitude do evangelho , e
isto faz cessar o efeito da lei mosaica, no que concerne a
nós, não é mesmo?
Resposta: Sem dúvida alguma, mas examinemos esse
fato de um outro ângulo . Não podemos deixar de admitir
que a lei das ordenanças e sacrifícios já não é requerida,
'
mas a per feição que buscamos não pode ser alcançada sob
o sacerdócio menor (veja Hebreus 7 : 1 1 ) . Todavia, os
170
princípios que servem de base e envolvem aquela lei são
tão vitais e indispensáveis hoj e em dia, como eram naquele
tempo . Tais princípios, que eram parte do evangelho
preparatório , foram também incorporados à lei maior ,
através d a qual podemos alcançar a perfeição . Mas <'u não
estava pensando apenas nisto quando afirmei que nã.o
estamos vivendo à altura dos padrões da lei . Refiro-me
com isto também aos aspectos morais da lei mosaica.
Pergunta: Que quer dizer com isso?
Resposta: Talvez a melhor maneira de responder seria
revertendo o processo . Permita-me compartilhar alguns
conceitos que enquadram os princípios cia lei em sua
própria vida . Estas idéias indicarão o que a observância da
lei mosaica poderia ter gerado não somente no coração de
um israelita fiel daquela época, mas também no de u m
israelita moderno, ao viver o princípio por detrás d a lei .
Conceito 1 : A lei nos ensina a servir (vej a Levítico
1 9 : 1 3 - 1 8 , 32-37). Qual é a natureza do serviço que você
costuma prestar? Ele fica aquém do esperado , e é fadgante
e intermitente? Ou já sentiu a espécie de poder e
conhecimento que um serviço prestado de todo 'o cOJ:ação
pode proporcíonar? Já recebeu "graça por graça" e
"continuou de graça em graça" para chegar "ao Pa:i em
meu nome (no de Cristo) , e no devido tempo (recebe:r) a
sua plenitude" ? (D&C 93 : 1 2- 1 3 , 1 9 . ) O Senhor pode, de
fato, elogiá-lo como fez a Néfi , o filho de Helamã, por ser
" infatigável " ? (Helamã 10:4.)
Conceito 2 : A lei nos ensina o dever de orar (vej a
Deuteronômio 26: 1 3- 1 5) . Que papel tem desempenhado a
oração em sua vida? É capaz de orar como os nefitas ,
"cheios de anelo" e em sintonia com o Espírito , de modo
que " lhes era manifestado o que deviam dizer " ? (3 Néfi
1 9: 24.) Alguma vez sentiu ao orar , uma certa influência
dominante do Espírito, mansamente lhe assegurando que
suas orações foram ouvidas?
Conceito 3: A lei nos ensina que devemos perdoar (vej a
Levítico 1 9 : 1 7- 1 8) . Sempre lhe falta a disposição de
perdoar , ou faz isso de má vontade? Ou será que vive
ansioso para conceder o perdão , sentindo o mesmo que o
Profeta Joseph Smith , que : "quanto mais nos achegarmos
ao nosso Pai Celestial, mais haverá em nós a disposi ção de
sermos misericordiosos com as almas que estão pereçendo ;
sentiremos o desej o de levá-las sobre nossos ombros e
suportar em nossas costas o peso de seus pecados . "
(Ensinamentos, p . 235 . )
Conceito 4: A lei nos ordena a adorar a Deus (vej a
Deuteronômio 6 : 3 - 1 1 ) . Costuma procurar ao Senhor
"para estabelecer a sua j ustiça" , ou "segue o seu próprio
caminho , segundo a imagem do seu próprio Deus, a qual é
à semelhança do mundo, e cuj a substância é a de um
ídolo " ? (D&C 1 : 1 6 . ) Pode sentir, como disse o Profeta
Joseph Smith , que "só podemos viver adorando o nosso
Deus " ? (Ensinamentos, p. 237 . ) Ou , como afirmou o
É lder B. H . Roberts , por ser Deus onisciente, todo-amor e
sem qualquer partícula de egoísmo , "as outras
inteligências o adoram , e submetem seus j ulgamentos e sua
vontade ao seu julgamento e vontade . . . Essa submissão à
vontade do mais inteligente (Deus) . . . chama-se adoração " .
(Ensinamentos, p . 345 , nota d e rodapé . )
Conceito 5 : A lei nos ensina a amar (vej a Levítico
1 9 : 1 8) . Alguma vez sentiu a força vital que existe em você ,
que segundo Joseph Smith "por si só se sobressai , mas em
nada prejudica " , que "alarga a mente " , e "nos permite
tratar com maior liberalidade a todas as pessoas " ?
(Ensinamentos, p . 142 . ) Esse princípio , afirmou ele , " É o
que mais se aproxima da concepção de Deus , porque é
semelhante a Deus " . (Ibidem .) De fato, João , o Amado,
declarou: " Deus é caridade" (I João 4: 1 6) . Já sentiu o
cumprimento de sua promessa de que "se nos amamos uns
aos outros, Deus está em nós , e em nós é perfeita a sua
caridade " , e ainda, "quem está em caridade está em Deus ,
e Deus nele" ? (I João 4: 12, 1 6 . ) De fato, pode você " no
dia do juízo (ter) confiança" , devido à perfeição desse
'
amor , " porque qual ele é , somos nós também neste
mundo " ? (I João 4: 1 7 . )
Pergunta: Agora entendo . Então , o s princípios que se
acham incorporados à lei , são realmente uma etapa de
progresso , e são valiosos para mim hoje em dia?
Resposta: Sem dúvida. Tudo o que Deus revela a seus
filhos é edificante e de proveito , embora, em alguns casos ,
devido à nossa falta de retidão , ele não nos possa dar tudo
o que gostaria . Jamais considere a lei mosaica como uma
lei primitiva e inferior . Ela é obra das mãos de Deus e ,
como todas elas , traz a sua marca d e perfeição . Que
sej amos como o autor de Salmos, que exclamou : "Oh !
quanto amo a tua lei é a minha meditação em todo o dia .
Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu
caminho. Os teus testemunhos tenho eu tomado por
herança para sempre, pois são o gozo do meu coração "
(Salmos 1 1 9:97 , 105, 1 1 1 ) .
Levítico 11-18
Uma Lei de Cerimônias
e Ordenanças, Parte 2:
As Coisas Limpas e
Imundas
(15-1) Introdução
o profeta Abinádi caracterizou a lei mosaica como
sendo "uma lei muito severa . . . sim, uma lei de ritos e
ordenanças . . . para conservarem viva a lembrança de Deus
e de seu dever para com ele" (Mosias 1 3 : 29-30) .
Então , imediatamente acrescentou , "Mas eis que vos digo
que todas essas coisas eram símbolos de coisas futuras "
(Mosias 1 3 : 3 1 ) .
Até agora você já estudou o suficiente da lei mosaica
para entender o que Abinádi queria dizer. A lei tinha duas
funções principais: ensinar obediência ao povo para que
pudessem progredir espiritualmente, e orientar sua mente
rumo à única fonte de salvação , que é Jesus Cristo .
Pudemos enxergar ambas essas funções nos mandamentos
da lei , na planta do tabernáculo e seu mobiliário , e
também nos sacrifícios e ofertas . Agora, voltemo-nos para
as leis relativas às coisas limpas e imundas . Da mesma
forma que com as outras leis, também aqui precisamos
olhar para o que existe por detrás dos mandamentos e
rituais exteriores , buscando pelo que pretendiam ensinar
acerca das realidades espirituais .
Observe, por exemplo, as leis concernentes aos animais
limpos e imundos . Havia razões práticas para a existência
de tais preceitos referentes à saúde e higiene. A carne de
porco é altamente sujeita a ser contaminada por
triquinose , uma doença que é facilmente transmitida ao
homem . Os moluscos podem desenvolver um Veneno
mortal , caso não sej am apanhados e usados da maneira
adequada, e assim por diante . Mas o termo hebraico
traduzido como limpo, conforme é aplicado na lei
alimentar , significa muito mais que uma simples limpeza
física. Essa palavra dá a conotação de que algo "deve ser
limpo de toda contaminação e corrupção . . . e implica na
existência daquela pureza que a religião requer , e que é
necessária para que haj a comunhão com Deus . " (Wilson,
Old Testament Word Studies, p . 78.) Como observou um
autor, j udeu ortodoxo, Kosher (palavra iídiche para o que
é adequado, ou satisfaz as exigências da lei) significa
muito mais que a mera limpeza .
"Um porco poderia ser criado numa incubadeira, à
custa de antibióticos , lavado diariamente, morto na mesa
de operação de um hospital , e sua carcaça esterilizada
através de raios ultravioletas , e ainda assim , isso não
tornaria Kosher as bistecas que ele daria . ' Imundo ' , no
livro de Levítico , é uma palavra cerimonial . É por esse
motivo que a Torá afirma que os camelos e lebres ' vos
(serão) imundo(s) ' (Levítico 1 1 :4), limitando a definição e
norma apenas a Israel . As galinhas e cabritos , que nos é
permitido comer , dificilmente são mais limpos, por
natureza, que as águias e leões , que são classificados entre
as coisas imundas . " (Wouk , This Is My God,
pp . 1 00- 1 0 1 . )
15
Se o código alimentar fôr considerado tanto
simboli camente como sendo parte de um sistema de leis
que abrangiam todos os atas costumeiros da vida, a sua
finalidade logo se torna aparente . Deus estava usando a
dieta como um instrumento de ensino . As pessoas
provavelmente se esquecem de orar, brincar, trabalhar, ou
prestar adoração , mas dificilmente se esquecem de comer .
Abstendo-se voluntariamente de certos alimentos , ou
cozinhando-os de maneira especial, um israelita fazia
diariamente um compromisso pessoal de colocar sua fé em
ação . A cada refeição era feita uma escolha formal , a qual
gerava excelente autodisciplina. Obediência a tal lei
propon:ionava fortalecimento , e seu entendimento, maior
visão . Além disso , a lei servia para separar os filhos de
Israel de seus vizinhos, os cananeus. Toda vez que um
hebreu sentia fome , forçosamente se lembrava de sua
identidade pessoal e vínculos comunitários . De fato, eram
um povo à parte . A lei , portanto , agia como um
instrumento social , mantendo íntegra a nação hebréia; um
instrumento psicológico para preservar a identidade do
indivíduo , e um instrumento religioso para fazer com que
o povo se recordasse sempre de Jeová.
Instruções aos Alunos
1 . Ao ler e estudar Levítico 1 1 - 1 8 , utilize o auxílio
que a; Notas e Comentários podem-lhe oferecer .
2. Complete a seção de Pontos a Ponderar,
conforme as orientações que lhe forem fornecidas pelo
profe ;sor. (Os alunos que estudam individualmente
devem completar toda a seção . )
NOTAS E COMENTÁRIOS
SOBRE LEVÍTICO 11-18
(15-2) Levítico 11. Alimentos Limpos e Imundos
Duas condições determinavam a limpeza dos animais .
Eles deveriam ter a unha fendida (isto é, os cascos
separados em duas partes) , e ruminar (vej a o vers o 3). Os
alimentos marinhos eram restritos aos peixes que
possuíssem escamas e barbatanas . Tal requisito eliminava
todos os crustáceos e moluscos, entre eles a lagosta e o
camarã o , os tubarões e golfinhos, e também outras
criaturas do mar, como as enguias (vej a os vers o 9- 1 2) . As
aves proibidas geralmente eram as de rapina, que viviam
de carn iça, ou, como é o caso da cegonha e da garça, por
se aliffi<�ntarem de seres considerados imundos (veja os
vers o 1 3-20) . Pensa-se que o xofrango sej a uma espécie de
abutre, como a águia . A maior parte dos insetos alados era
também proibida. A frase "que anda sobre quatro pés"
(vej a o vers o 21) indica insetos que possuem quatro patas
174
".--- ���:����-;;.� .��-
f". _.-= . _
. . - --=-"
-
Gado usado nos sacrifícios
curtas e duas longas, usadas para pular. Dentre este:; havia
quatro aos quais era lícito comer; todos eles eram
membros da família dos gafanhotos .
(15-3) Levítico 11:24, 31. Por Que o Contato Com
Cadáveres Tornava Uma Pessoa Imunda?
A lei especificava que o contato com o cadáver df; um
animal imundo (ou de animal limpo que morrera de
alguma outra forma que não a matança adequada)
tornava imundo o indivíduo que o tocasse. "De acordo
com as regulamentações do Velho Testamento, o cadáver
humano era o que mais contaminava. Com toda certeza,
isto sintetizava para o povo de Deus, a plena gravidade e
conseqüências finais do pecado . " (Douglas, New Bible
Dictionary, p . 239.) O fato de qualquer pessoa imunda ser
impedida de participar do serviço do templo e de ter
confraternização com outros israelitas, parece confirmar
essa interpretação . O simbolismo sugere que o contato
com o pecado faz com que o indivíduo seja maculado, e
para que tal mancha fosse eliminada, era necessário que
passasse por um período de purificação, o qual era
simbolizado pelas restrições impostas ao indivíduo "até à
tarde" (vers . 24), hora em que tinha início o novo d ia
i-sraelita.
(15-4) Levítico 12-15. Outras Leis Tratando da Imundície
Esta seção da lei Levítica trata de aspectos que po deriam
ser classificados de imundície na carne, devido a inf(�cções
ou secreções do corpo, inclusive o expelir de fluídos
associados ao nascimento (veja 1 2 : 1 -8), as úlceras e males
da pele, como a lepra e inchações (veja 1 3 : l -59),
enfermidades em que havia fluxo (veja 1 5 : 1 - 1 5) , a
"semente da cópula" ( 1 5 : 1 6- 1 8), e o fluxo menstrual
(veja 1 5 : 1 9-33).
Esta parte da lei faz surgir algumas perguntas intrigantes
na mente de muitos leitores . A questão mais óbvia é, por
que as funções naturais do organismo podem fazer com
que uma pessoa se torne imunda? Primeiramente, imundo,
no sentido mosaico, não significa o mesmo que para um
leitor moderno . Não sugeria algo desagradável ou n ojento ,
nem queria dizer que o corpo ou as suas funções naturais ,
como a do nascimento ou as relações sexuais, eram
inerentemente maus . "O termo imundo , usado neste e nos
casos seguintes, é geralmente entendido em sentido legal,
ou seja, tornava uma pessoa incapacitada para realizar as
ordenanças sagradas. " (Clarke, Bible Commentary, Vol.
I, p. 559.) É muito importante entender este ponto, para
compreender as revelações que o Senhor deu sobre o
assunto . Todas as ordenanças da lei de Moisés tinham o
propósito de simbolizar ou tipificar verdades espirituais.
Quanto mais o indivíduo se aproximava da perfeição na
execução da lei, mais perfeitamente discernia o verdadeiro
significado simbólico da ordenança. O corpo físico e suas
funções naturais lembravam a pessoa de que ela pertencia
à terra, ou ao plano físico . Portanto, dizer que um homem
ou mulher estavam imundos (isto é, que não poderiam
realizar ordenanças sagradas) em certas ocasiões, era
sugerir à mente que o homem natural deve ser posto de
lado a fim de achegar-se a Deus .
Havia um ensinamento semelhante nos requisitos
exigidos do sumo sacerdote (veja a Leitura 1 6-9) .
Qualquer pessoa portadora de um defeito físico não
poderia exercer o ofício de sumo sacerdote (veja
Levítico 2 1 : 1 7-21 ) . Deus não considerava tais indivíduos
como espiritualmente inferiores às pessoas normais . Mais
precisamente, tal exigência era um instrumento de ensino .
O sumo sacerdote era um protótipo de Cristo, o Grande
Sumo Sacerdote (veja Hebreus 4: 14) , e o requisito de
perfeição física visava tipificar a perfeição de Cristo. As
leis relativas à imundície natural devem ser consideradas
sob este ponto de vista.
A lei continha também alguns aspectos práticos e
sanitários . As normas severas referentes ao contato com
uma pessoa ou objetos contaminados, vão claramente de
encontro a paralelos modernos . Certo comentador
resumiu esses dois aspectos da seguinte maneira:
"Em Canaã, os rituais de prostituição e fertilidade se
encontravam profundamente misturados às cerimônias de
adoração . Em marcante contraste, em Israel, tudo o que
sugeria sexo ou sensualidade era totalmente banido da
adoração a Deus . . . A intenção de tal atitude não é a de
rotular esse lado da vida como 'imundo ' , conforme
deixam claro outras passagens de escritura. O objetivo é
assegurar que tais coisas não estejam presentes na
adoração a Deus . A lei para estrita limpeza em todos os
assuntos sexuais era, positivamente, para resguardar e
preservar a saúde . " (Alexander and Alexander, Eerdmans '
Handbook to the Bible, po. 1 76.)
(15-5) Levítico 12:5-6. Por Que o Período de Imundície
Era Mais Longo Quando Nascia uma Criança do Sexo
Feminino?
Muitos aspectos da lei de Moisés podem parecer
estranhos em primeira análise, mas se tornam claros e
compreensíveis depois de uma consideração mais
demorada. Esta pergunta, todavia, parece não possuir, na
época atual, uma chave para que possa ser corretamente
interpretada. Uma implicação óbvia, precipitadamente
aceita pela maioria dos críticos modernos, é a de que esta
norma é um reflexo da condição inferior em que a mulher
era tida antigamente, uma posição que eles j ulgam estar
claramente definida pela lei . Essa conclusão é falaciosa por
dois motivos. Primeiro, há evidências por todo o Velho
Testamento de que a mulher possuía uma condição
elevada, e de que seus direitos eram protegidos . De fato,
"as mulheres aparentemente desfrutavam de uma
liberdade bem mais considerável entre os judeus, do que
lhes é concedida hoje em dia na Ásia ocidental" (Fallows,
Bible Encyclopedia, vol. III, p . 1 733). (O livro acima
175
menciona numerosas referências de escritura que apoiam
essa declaração . ) Segundo, estas leis não eram produto do
intelecto do homem, mas uma revelação direta do
Senhor . Deus não considera as mulheres como sendo
inferiores em qualquer coisa, embora o papel que elas e os
homens desempenham sejam diferentes . Fazer conjeturas
sobre a razão pela qual o Senhor revelou diferentes
requisitos para as cerimônias de purificação feitas após o
nascimento de um menino ou menina, é algo sem qualquer
validade até que recebamos maiores revelações sobre o
assunto .
(15-6) Levítico 13. Em Que Consistia a Lepra?
O radical hebraico tzarah , traduzido em nosso idioma
para leproso ou lepra, quer dizer "afligir duramente, ou
golpear" pois a pessoa leprosa era considerada como se
tivesse sido "golpeada ou açoitada por Deus " (Wilson, Old
Testament Word Studies, pp . 248-49) . Embora esse termo
incluisse a lepra propriamente dita (mal de Hansen), essa
palavra servia para designar uma vasta série de
enfermidades, e até mesmo males degenerativos, como
míldio ou eczema. A característica comum parecia ser a
degeneração e a putrefação , e deste modo , a lepra se
tornara um protótipo ou um símbolo do pecado ou do
pecador.
A lepra convencional era uma doença medonha e
terrível, a qual exigia que a pessoa contaminada fosse
afastada da sociedade e vivesse em completo isolamento
(veja Levítico 1 3 :45).
"Quando um homem carrega em si a marca da lepra,
ele deve proceder como o que pranteia o luto , isto é,
rasgar as roupas, andar com os cabelos desgrenhados e
cobrir o bigode; além disso tem que ser segregado do
convívio social .
"A enfermidade popularmente conhecida como 'lepra'
podia manifestar-se de duas formas, conhecidas
respectivamente como 'tuberculada' e 'anestética' . A de
natureza tuberculada se manifesta primeiramente
formando manchas rosadas, nas quais mais tarde surgem
tubérculos escuros: à medida que a doença progride ocorre
o entumescimento e distorção da face e dos membros. A
lepra anestética afeta primeiro os troncos nervosos ,
principalmente as extremidades, as quais se tornam
amortecidas , e finalmente perdem a vitalidade.
Poderíamo-nos perguntar se este capítulo de Levítico diz
respeito e abrange as várias espécies de lepra. Uma
resposta satisfatória, não pode ser dada. O médico de hoje
não diagnosticaria a lepra pelos sintomas aqui descritos. É
bem provável que muitas doenças da pele , algumas delas
de importância insignificante, fossem chamadas de lepra.
Por outro lado, pode-se argumentar que, nesta escritura,
foram mencionados somente os primeiros sintomas, aos
quais o sacerdote deveria estar atento; e ainda,
considerando que a lepra (o mal de Hansen) era
seguramente conhecida na Palestina da época Bíblica,
sendo ela uma enfermidade que, de forma proeminente,
fazia com que uma pessoa se tornasse 'imunda' , é
certamente a ela que a passagem se refere, ainda que
outras enfermidades da pele se achem incluídas sob o
mesmo nome.
"Certamente os sacerdotes adotaram medidas científicas
sadias ao isolar as pessoas adultas que contraíam doenças
crônicas da pele, as quais poderiam ser transmitidas aos
outros. O isolamento era o melhor método de previnir sua
propagação ou contágio . Ademais, é evidente que se o
indivíduo mais tarde se recuperasse - nesse caso seria
uma doença mais amena e recuperável - ele, então, era
consid,�rado curado, e no devido tempo, poderia retornar
ao convívio da família e dos amigos . " (Buttrick,
Interpreter's Bible, Vol. I I , pp . 66-67 . )
(15-7) !Levítico 14. A Purificação d e u m Leproso
No capítulo 14 de Levítico encontramos uma descrição
minuciosa do ritual que deveria ser seguido quando a lepra
de uma pessoa fosse curada. Devido à natureza do ritual,
há pes�;oas que o consideram como um rito primitivo ,
supersticioso, detestável e que sustenta a idéia de que os
israelitas eram um povo rude e cheio de crendices pagãs .
Todavia, se aplicarmos a diretriz para interpretação de
símbolos, como os referidos acima, veremos que o ritual é
uma bonita representação das verdades do evangelho . Mas
para isso , precisamos primeiro entender o verdadeiro
significado dos diversos simbolismos nele usados,
conforme a seguir:
" 1 . O Leproso . A lepra, em suas mais diversas formas ,
era uma enfermidade que produzia a degeneração e
apodrecimento do organismo vivo; e também, em virtude
de sua repugnância, requeria que a pessoa fosse isolada
em um lugar onde estivesse longe da companhia dos demais
membros da casa de Israel . Devido a estas características,
a lepra era considerada como um protótipo ou símbolo
apropriado do que sucede espiritualmente ao homem que
peca. () pecado produz a degeneração e corrupção do
espírito, semelhante àquela que a enfermidade produz no
plano físico . O pecador era afastado do convívio da Israel
espiritual, e não poderia fazer parte do verdadeiro povo do
convênio do Senhor . Assim, o próprio leproso servia de
protótipo ou símile do que o rei Benj amim chamou de
'homem natural ' . (Veja Mosias 3: 1 9 . )
"2. O sacerdote. O sacerdote agia como representante
oficial do Senhor, e era autorizado a purificar o leproso , e
fazer com que voltasse a conviver plenamente com os
demais israelitas .
" 3 . As aves. Sendo a única coisa viva usada no ritual, as
aves simbolizavam o candidato à purificação . Devido às
duas v{:rdades que seriam ensinadas , era necessário que
fossem utilizadas duas aves . A primeira era morta, e seu
sangue derramado significando que o leproso (o homem
natural) teria que dar a sua vida. A outra ave, após ser
amarrada juntamente com outros símbolos, era então
libertada. Isso significava que o homem fora liberto do
cativeir o do pecado .
"4. O pau de cedro . A madeira do cedro é ainda usada
hoje em dia, em virtude de sua capacidade de preservar da
decomposição as coisas que são guardadas em recipientes
feitos d.este material . Portanto, o pau de cedro simbolizava
a preservação da degeneração .
" 5 . O carmesim. A palavra carmesim (Levítico 14:4) se
referia a uma peça de tecido de lã, tingida desse tom de
vermelho . O vermelho nos lembra o sangue, que é o
símbolo da vida e também da expiação . (Veja
Levítico 1 7 : 1 1 .)
"6. O hissopo. Temos conhecimento de que, na época
do Velho Testamento, esta erva trazia em si o simbolismo
da purificação , embora se desconheça a razão para isso .
(Veja Ê:xodo 12:22; Salmos 5 1 :7; Hebreus 9: 19.)
"7. O vaso de barro com água. Observe -que o sangue da
ave era misturado com água . Aprendemos em
Moisés 6:59, que o sangue e a água são os símbolos do
nasciffil�nto, tanto físico como espiritual . Sabemos
também, que o lugar de renascimento espiritual, ou seja, a
pia batismal, simboliza o lugar em que é morto o homem
natural . (Vej a Romanos 6: 1 -6; D&C 1 28: 1 3 . ) A primeira
ave era sacrificada sobre o vaso, simbolizando a morte do
176
também por ser um símbolo do Espírito Santo (veja
D&C 45 : 55-57), o óleo de oliva carrega em si um profundo
signifícado simbólico . Tocar com óleo sugeria que o efeito
do Espírito recairia sobre os mesmos órgãos da vida e
ação . Assim, o sangue de Cristo purificava cada aspecto
da vida do ofertante, e em seguida, o processo era repetido
com o óleo, para demonstrar que também o Espírito
influenciaria tudo o que fizesse. Desta forma, o indivíduo
recebia paz e pureza (simbolizadas pela oliveira e seu
fruto). " (Lund, "Old Testament Types and Symbols " ,
Symposium, p . 1 84-86.)
(15-8) Levítico 1 6 . O Dia da Expiação e o Perdão
Recebido por Israel
Hissopo
homem natural e seu eventual renascimento como p�:ssoa
espiritualmente inocente.
" 8 . O lavamento do leproso. Esse ato era, claramente,
um símbolo de purificação.
"9. O rapamento de todos os pêlos. Pode-se notar que,
o rapamento dos pelos do corpo (inclusive os das
sobrancelhas, fazia com que o indivíduo adquirisse uma
certa semelhança com um recém-nascido , que virtualmente
quase não possui pelo algum. Assim, após passar pel o
processo de renascimento de forma simbólica, o candidato
demonstrava, de maneira visível em seu próprio corpo,
que havia renascido espiritualmente .
" 10. O sacrifício dos cordeiros. A tipificação é ba:;tante
clara, já que o cordeiro a ser sacrificado tinha que ser
macho, primogênito, e sem defeito. Ele simbolizava o
oferecimento do Filho de Deus.
" 1 1 . A aplicação do sangue sobre as partes do corpo.
Em hebraico, a palavra usualmente traduzida por
'expiação' , literalmente significa 'cobrir' . Assim, qu;mdo
o sacerdote tocava em alguma coisa ou pessoa com (I
sangue derramado, esse gesto sugeria a santificação ou
expiação feita em benefício dela. Neste caso, vemos I)
sangue do cordeiro santificando o órgão da audição ou
obediência (a orelha), o órgão da ação (a mão), e o órgão
de seguir ou caminhar na direção correta (o pé) . Desse
modo, todo aspecto da vida da pessoa era tocado e gozava
dos efeitos da expiação de Cristo.
" 1 2 . O óleo. 'Desde os primeiros tempos, a oliveira tem
sido o símbolo de paz e pureza. ' (Joseph Fielding Smith,
Doutrinas de Salvação, Vol. III, p . 1 83 . ) Por este motivo, e
"O Dia da Expiação, que ocorria no final do ano, era a
mais sagrada e solene festa dos israelitas . Nela vemos
claramente o protótipo ou simbolismo da obra realizada
por Cristo em benefício de Israel . Era um dia de jejum
nacional; um dia que significava que todos os pecados de
Israel haviam sido expiados, e que a nação e seu povo
voltavam a um estado de comunhão com Deus . A festa
incluía os seguintes aspectos especiais (veja Levítico 16,
onde são mencionados todos os detalhes):
" 1 . O sumo sacerdote passava por uma meticulosa
preparação, a fim de se tornar digno de agir como
oficiante para o resto da casa de Israel . Esse processo
exigia que fizesse sacrifícios por si mesmo e em favor de
sua casa, bem como o lavamento e purificação por
meio da aspersão do sangue sacrificial sobre vários objetos
do tabernáculo.
"2. O sumo sacerdote despia as vestes sacerdotais que
normalmente usava e vestia outra mais simples , feita de
linho branco . (Para saber o significado do vestuário de
linho branco, leia Apocalipse 1 9 : 8 . )
" 3 . Eram lançadas sortes sobre dois bodes . U m era
designado como o bode do Senhor, e o outro como bode
expiatório , ou em hebraico, o bode de Azazel. O bode de
Jeová era sacrificado como uma oferta pela expiação da
culpa, e o sumo sacerdote levava seu sangue para o lugar
santíssimo do tabernáculo , e o aspergia sobre a tampa da
arca do concerto (chamada de 'propiciatório '), fazendo
assim a expiação pelos pecados de Israel.
"4. O outro bode, ou Azazel, era apresentado diante do
sumo sacerdote, que impunha as mãos sobre a sua cabeça,
e simbolicamente transferia para ele todos os pecados de
Israel. Em seguida, ele era levado ao deserto e libertado
onde jamais fosse visto novamente. Um comentador da
Bíblia explicou o significado do Azazel, dizendo que
representava 'o próprio diabo, o cabeça dos anjos
decaídos, que depois veio a .chamar-se Satanás; pois
nenhum espírito maligno subalterno poderia ter sido
colocado em antítese a Jeová como o Azazel foi aqui, a
não ser o governante ou cabeça do reino dos demónios' .
(C .F. Keil e F . Delitzsch, Commentary o n the Old
Testament, Livro 1 : The Pentateuch , 'The Third Book of
Moses' , 1 0 vais, p . 398 .)
"No livro de Hebreus, o apóstolo Paulo discorre
longamente sobre o simbolismo do Dia da Expiação, a fim
de ensinar a respeito da missão de Cristo . Naquela epístola
ele ressaltou os seguintes fatos:
"a. Cristo é o grande sumo sacerdote (Hebreus 3: 1 ) o
qual, ao contrário do sumo sacerdote do Sacerdócio
Aarónico, era santo e imaculado, não precisando fazer a
expiação pelos seus próprios pecados para que pudesse ser
digno de oficiar por Israel e entrar no lugar santíssimo
177
(Hebreus 7 :26-27) . Sua vida perfeita foi o cumprimento
final do simbolismo das vestes brancas usadas pelo
sacerdote.
"b . O verdadeiro tabernáculo (ou templo , ou casa do
Senhor) está situado no céu, e o tabernáculo terreno, feito
por Moisés, deveria servir como um exemplo e sombra
daquele de natureza celestial . (Veja Hebreus 8 :2-5 ; 9: 1 -9.)
"c. Cristo é tanto o Cordeiro de Jeová como o Sumo
Sacerdote . Através do derramamento de seu sangue ele se
tornou capaz de entrar no lugar santíssimo celestial (o
Santo dos Santos), onde ofereceu seu próprio sangue
como resgate dos pecados daqueles que acreditariam nele e
obedeceriam aos seus mandamentos . (Vej a Hebreus 9: 1 1 - 1 4, 24-28; 1 0: 1 1 -22; D&C 45 : 3-5 .)" (Lund, "Old
Testament Types and Symbols" , Symposium, pp . 1 87-88 . )
Não obstante o significado simbólico d o ritual deste dia
santificado, tal cerimonial não tinha o poder de conceder a
remissão dos pecados a Israel. O Élder James E . Talmage
declarou:
"Os escritos sagrados dos tempos antigos, as expressões
inspiradas dos profetas dos últimos dias , as tradições do
gênero humano, os ritos do sacrifício e até mesmo os
sacrilégios da idolatria pagã encerram todos o conceito de
uma expiação vicária. Deus jamais se tem negado a aceitar
uma oferta, feita por quem tem autoridade, em favor
daqueles que de algum modo estão incapacitados de
efetuar eles mesmos o trabalho necessário . O bode
expiatório e a vítima de altar entre os antigos israelitas era
aceito pelo Senhor para mitigar os pecados do povo , se
oferecidos com arrependimento e contrição . " (Regras de
Fé, pp. 77-78; itálicos acrescentados .)
assunto . Os israelitas, devido a sua longa permanência no
Egito , um país reconhecidamente idólatra, sem dúvida
alguma haviam adotado muitos de seus costumes. Diversas
partes do Pentatêuco parecem haver sido escritas
meramente para corrigir as atitudes do povo , e trazê-lo de
volta à pureza da adoração divina.
"Para que nenhum sangue fosse oferecido a ídolos ,
Deus ordenou que todo animal , usado para alimento ou
sacrifíci o, fosse morto à porta do tabernáculo . Enquanto
que todo animal era morto desta forma sacrificial, até
mesmo o alimento diário, usado pelo povo, deveria fazer
com que se lembrassem da necessidade de fazerem um
sacrifício pelo pecado . Talvez o apóstolo Paulo tivesse essa
circunst ância em mente, quando declarou: " Portanto,
quer co mais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa,
fazei tudo para glória de Deus (I Coríntios 1 0 : 3 1 ) ; e,
Quanto fizerdes por palavras ou por obras, fazei tudo em
nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai
(Coloss,�nses 3 : 1 7) .
Enqu anto o s israelitas s e encontravam acampados n o
deserto , era comparativamente fácil prevenir quaisquer
abusos I:ontra este mandamento divino . Assim , eles foram
ordenados a trazer todos os bois, cordeiros e cabras à
porta da tenda da congregação , para que ali fossem
mortos, e seu sangue aspergido sobre o altar do Senhor.
Porém, quando os filhos de Israel se estabeleceram na
terra prometida, e a distância, em muitos casos, tornou
impossí vel levar os animais ao templo para serem mortos
para uso doméstico, foi permitido aos israelitas derramar o
sangue dos animais perante Deus, à maneira dos
sacrifícios, em suas próprias habitações, e cobrir esse
sangue I:om pó (veja Levítico 1 7 : 1 3 ; Deuteronômio 12:20-2 1 ) . (Clarke, Bible Commentary, Vol I, pp . 566-67 .)
(15-10) Levítico 17:7. "Após o s Quais Eles s e Prostituem"
Cabrito se/vagem do Sinai
(15-9) Levítico 17: 1-7. Por Que os Israelitas Tinham que
Matar Todos os Animais Domésticos Perante o Altar,
Mesmo os que se Destinavam Somente à Alimentação?
Como o sacrifício sempre foi considerado essencial à
verdadeira religião, era necessário que fosse realizado de
forma a assegurar o grande propósito para o qual fora
instituído . Uma vez que somente Deus poderia demonstrar
como isto deveria ser feito de modo agradável à sua vista,
ele mesmo forneceu diretrizes claras e definidas sobre o
O conceito de que Israel "se prostituía" após falsos
deuses f: encontrado com bastante freqüência nas
escrituras , e complementa a metáfora de que Jeová era o
marido , com quem Israel se casara, Isaías afirmou,
"Porque o teu Criador é o teu marido; o senhor dos
Exércitos é o seu nome" (Isaías 54:5) . Quando Israel se
voltava para outros deuses, tornava-se infiel ao
relacion amento conjugal que tinha com o verdadeiro
Deus, e assim era descrita como que desempenhando o
papel de uma prostituta, ou meretriz .
Jeremias escreveu : "Viste o que fez a rebelde Israel? ela
foi-se a todo o monte alto, e debaixo de toda a árvore
verde e ali andou prostituindo-se . E vi, quando por causa
de tudo isto , por ter cometido adultério a rebelde Israel , a
despedi e lhe dei o seu libelo divórcio , que a aleivosa Judá,
sua irmá, não temeu; mas foi-se e também, ela mesma se
prostituiu. E sucedeu que pela fama da sua prostituição
contaminou a terra; porque adulterou com a pedra e com
o pau . " (Jeremias 3 :6, 8-9.)
Na época do Novo Testamento , a mesma figura foi
usada p ara retratar a Igreja de Jesus Cristo como sendo a
esposa de Cristo (veja II Coríntios 1 1 :2; Apocalipse 1 9 : 7-8;
21 :2, 9) .
Vemos, portanto , que nas escrituras, a idolatria era
freqüentemente comparada ao adultério espiritual . Certo
comentador da Bíblia acrescentou a seguinte explicação
quanto à expressão : "se prostituíram" :
"Embora este termo seja usado amiúde para constar
idolatria, não devemos supor que não se deva considerar
essa expressão no sentido literal , nos muitos casos em que
178
é mencionada nas escrituras , mesmo quando usada em
conexão com atos de adoração idólatra. É bem conhecido
o fato de que Baal-Peor e Astarote eram adorados através
de rituais imundos, e que a prostituição pública
desempenhava um papel preponderante na adoração de
muitas deidades entre os egípcios , moabitas , canant:us ,
gregos e romanos . " (Clarke, Bible Commentary, Vol . I, p .
367 . )
(15-11) Levítico 1 8 . A Pureza e m Todos os
Relacionamentos Sexuais
"A proibição do incesto, e abominações sensuais
similares, é introduzida com uma advertência geral quanto
aos costumes licenciosos dos egípcios e cananeus , continua
com uma exortação para caminharem de acordo co m os
j ulgamentos e ordenanças de Jeová (Levítico 1 8 :2-5), e
finaliza com uma ameaçadora alusão às conseqüências de
tais corrupções (vers . 24-30) . " (Keil and Delitzsch ,
Commentary, 1 : 2 : 4 1 1 - 1 2.)
A frase "descobrir a sua nudez" (vers . 6; vej a também o
7- 1 9) era um eufemismo hebraico para relações sexuais, e
assim , todas as espécies de relações incestuosas eram
proibidas , incluindo-se as praticadas " ( 1 ) com a mãe, (2)
com a madrasta, (3) com uma irmã ou meio-irmã, (4) com
uma neta, filha tanto do filho como da filha, (5) com a
filha da madrasta, (6) com uma tia, irmã do pai ou da
mãe, (7) com a esposa de um tio paterno, (8) com uma
nora, (9) com uma cunhada ou esposa de um irmão , ( l O)
com uma mulher e sua filha, ou uma mulher e sua neta, e
( 1 1 ) com duas irmãs ao mesmo tempo " (Keil and
Delitzsch, Commentary, 1 : 2 : 4 1 2) .
A inj unção contra permitir que os filhos passem "'pelo
fogo perante Moloque" (vers . 2 1 ) é explicada da seguinte
maneira:
" O nome deste ídolo é mencionado pela primeira vez
nesta passagem . Como a palavra moloque ou meloque
significa rei ou governador, é bem provável que este ídolo
representasse o sol, e mais particularmente pelo fato de o
fogo ter aparentemente sido usado em sua adoração . Há
inúmeras opiniões quanto ao significado de passar pelo
fogo perante Moloque.
1 . Alguns asseveram que o sêmen humano era ofl!recido
no fogo a este ídolo . 2. Outros acreditam que as crianças
eram oferecidas em holocausto a ele . 3. E outros, ai nda,
supõem que as crianças não eram queimadas, mas apenas
passadas pelo fogo , ou seja, entre duas chamas, corno
uma cerimônia de consagração a este ídolo . Que muitas
crianças foram , de fato , queimadas vivas a este ídolo ,
parece ser fortemente assegurado nas escrituras d e é.cordo
com a opinião de comentadores ; veja, entre outras ,
Jeremias 7 : 3 1 , e Ezequiel 23 : 37-39. Que outras houve que
foram apenas consagradas ao seu serviço passando por
entre dois fogos; é-nos assegurado com convicção pelos
rabinos . E, se Acaz teve apenas um filho , Ezequias
(embora provavelmente tenha tido outros; veja
II Crônicas 28 : 3 ) , e as escrituras dizem que ele passou pelo
fogo ( I I Reis 1 6: 3 ) , e, não obstante, ele sucedeu a seu pai
no reino (II Reis 1 8 : 1 ) , então esse ritual só poderia ser
apenas uma consagração , tendo seu pai idólatra
simplesmente pretendido , com isso , iniciá-lo cedo na vida
no serviço a este demônio . " (Clarke, Bible Commentary,
Vol. I , pp . 570-7 1 .)
Outras abominações envolvendo perversões sexuais
como o homossexualismo (Levítico 1 8 : 22) e a bestialidade
(Levítico 1 8 : 23) eram proibidas com igual severidade.
Foram essas mesmas abominações , praticadas pelos
cananeus , que fizeram com que fossem expulsos da terra
prometida que Israel estava prestes a herdar (vej a
Levítico 1 8 : 24-25 ; 1 Néfi 1 7 : 32-35).
PONTOS A PONDERAR
(15-22) O que nos parece, em primeira análise, ser apenas
uma série de leis ultrapassadas estabelecidas como parte do
convênio mosaico relativo à impureza pessoal , após um
exame mais acurado transmite uma mensagem poderosa
aos santos de todas as épocas . Se desej armos ser o povo de
Deus, devemo-nos tornar diferentes dos demais povos , e
ser separados das influências do mundo . O Senhor deu
mandamentos à antiga Israel, não somente para aj udá-Ia a
manter-se física e espiritualmente limpa, mas também para
fazer com que aprendesse dele, e dele se recordasse . Agora
que você possui um entendimento da lei que serviu para
fortalecer Israel, escreva uma pequena redação intitulada
"O Valor da Lei Mosaica para um Santo dos Ú ltimos
Dias " . Faça de conta que o Senhor dera hoj e , à moderna
Israel, um evangelho preparatório ao invés da plenitude do
evangelho que nos deu . Em outras palavras, faça de conta
que é a sociedade atual que não está preparada para viver
a lei plena do evangelho, e que em vez disso , recebeu uma
"rigorosa lei de ritos e ordenanças" (Mosias 1 3 :30)
relativa à nossa cultura e estilo de vida. Os seguintes
pontos ou perguntas podem aj udar a estimular as suas
idéias , ao preparar seu texto .
I . Na lei maior do evangelho , são estabelecidos
princípios amplos , e o povo pode interpretá-los e aplicá-los
diariamente em sua vida. Na lei mosaica eram dados
princípios e interpretações específicas , que os
relacionavam à cultura em que viviam e à vida diária do
povo em questão .
2. Que especificações faria o Senhor hoj e em dia em
termos de permanecer moralmente limpo? Conhecemos os
princípios mais amplos, como guardar ii lei da castidade ,
manter-se moralmente limpo , e assim por diante ; mas que
determinações específicas Deus daria atualmente a uma
sociedade regida pela lei mosaica? Haveria mandamentos
sobre a música? Diversões? Literatura?
3. A respeito de que equivalentes modernos de Moloque
Deus nos preveniria?
4. Que espécie de coisas na sociedade moderna
poderiam contribuir para um estado de "lepra espiritual " ?
Há paralelos modernos d e objetos limpos e imundos?
Seção Especial
As Festas
e Comemorações
(D-l) o Objetivo dos Dias Santificados
Quase que universalmente , a humanidade aguarda com
certo prazer os feriados santos, pois eles representam uma
pausa nos rigores normais da luta pelo sustento da
existência mortal . O próprio Senhor reconheceu , desde os
primeiros tempos, os benefícios que proporcionam . O
Senhor instituiu os dias santifícados tendo em mente que
uma série interminável de dias cheios de labuta podem
fazer com que o homem se torne embrutecido e insensível
às coisas do espírito . Assim , em vez de designar dias
especiais para quebrar a rotina, na dispensação de Moisés
o Senhor estabeleceu dias santificados que , ao mesmo
tempo , cumprissem um propósito espiritual . As festas e
comemorações foram instituídas por revelação , para
edificar o espírito e ao mesmo tempo proporcionar
repouso ao corpo . Como as outras partes da lei mosai � a,
as festas e comemorações também apontavam para Cnsto .
(D-2) O Dia do Senhor (Shabbat)
O mais freqüente e importante de todos os dias
santificados pelo Senhor era o Seu Dia. Ele proporcionava
um intervalo regular para o que , de outra forma, se
tornaria numa árdua monotonia . Tanto neste dia, como
em todos os seus dias santificados , o Senhor concedeu à
humanidade uma folga no que diz respeito ao
mandamento que dera a Adão , de que o homem deve
ganhar o pão com fadiga "todos os dias da sua vida"
. ,
(Gênesis 3 : 1 7 ; itálicos acrescentados) . Recebemos , aSSIm
um dia dentre sete , para que nele possamos repousar ,
renovar as energias , e recordarmo-nos de Deus . No Dia do
Senhor o homem deveria se lembrar de três eventos
import �ntes : ( 1 ) que a criação do mundo fora realiza? a
pelo Senhor Jesus Cristo para o pr � gr � sso da h � manIdade;
(2) que a libertação de Israel do catIveIro do Eglto fora
realizada através do poder de Jeová; e (3) que a
ressurreição de Cristo traria a promessa da imortalidade
para todos os fílhos de nosso Pai Celestial . (A Leitura 1 1 -8
contém um extenso comentário sobre o Dia do Senhor . )
A o cessar seus labores e recordar-se da obra d o Senhor,
a qual visa "proporcionar a imortalidade e vi � a ete � na ao
homem " (Moisés 1 : 39) , o homem achegar-se-Ia maIs a
Deus sendo esse o objetivo de todas as festas e
come�orações , bem como o do Dia do Senhor. Em todos
os dias santificados pode-se ver representados as
ordenanças e rituais que ajudavam Israel a recordar-se de
seu Libertador e Redentor, e a renovar os con vênios feitos
com ele . Cada dia santificado era celebrado com festas e
comemorações, ou solenes convocações, jejum, e oração .
(D-3) Os Dias Santificados da Antiga Israel
Embora os antigos israelitas contassem com muitos dias
do ano designados para a realização de comemorações,
j ejum e oração , quatro deles , além do Dia do Senhor ,
eram de particular importância : a festa da Páscoa, a festa
de Pentecostes, o Dia da Expiação e a festa dos
Tabernáculos . As festas da Páscoa, de Pentecostes e dos
D
Tabemáculos eram comemorações alegres que tinham suas
origens profundamente alicerçad � em ev� ntos hist ? ri � os,
ou rel acionadas ao ciclo da colheIta. O DIa da Explaçao
era um período de contrição e arrependimento de toda a
nação .
Estes dias santificados foram estabelecidos para Israel
pelo Senhor, durante os quais, todo israelita do sexo
masculino era ordenado a aparecer "perante o Senhor teu
Deus " (signifícando perante o tabernáculo, ou, mais
tarde, o templo) , como símbolo de sua fidelidade ao
Criador (Deuteronômio 1 6 : 1 6; vej a também
Levítico 1 6 : 29-34) . Desta forma, era concedida a Israel a
oport unidade de, quatro vezes por ano , fazer uma I? ausa e
refleti r sobre as bênçãos recebidas de Deus . Além dISSO ,
cada dia santificado foi estabelecido de modo a salientar
um determinado aspecto da natureza e missão do Senhor
Jesus Cristo.
(D-4) A Festa da Páscoa (Pesach)
A festa da Páscoa, juntamente com a dos Pães Asmas,
comemorava a libertação de Israel do cativeiro do Egito.
As co memorações tinham início no décimo-quinto dia de
Nisã (segunda quinzena de março), e continuava p � r . sete
dias . I) objetivo principal dessa celebração era partIcIpar
da refeição pascal , ou Páscoa, constituída de ervas
amargas , pães asmos e cordeiro assado . Este era � �)ftO na
noite anterior à celebração , e o chefe de cada famlha
aspergia seu sangue nos umbrais e lintel da porta d.a .casa
..:
Havia normas estritas que regiam o preparo e partlclpaçao
da refeição pascal . O cordeiro tinha que ser assado inteiro ,
tomando-se cuidado de não quebrar nenhum de seus
ossos . Os membros da família comiam a refeição em pé,
apres�,adamente . Tudo o que sobrasse do cordeiro , tinha
que ser queimado .
.
O r itual fazia com que Israel se lembrasse dos dIaS em
que sofreram o cativeiro no Egito , época em que a vida,
como as ervas , era de fato amarga, e fazia ainda com que
se recordasse de sua libertação pela mão do Senhor,
quando comera pães asmas por sete dias , e o povo
aguardava o sinal para iniciar sua j ornada rumo à
liberd ade .
Porém o signifícado primordial desse ritual não era d.e
natureza histórica . Os detalhes das comemorações relatIvas
a ele foram estabelecidos de modo a testificarem ' não
apenas a libertação de Israel , mas também acerca de seu
Libert ador (veja o capítulo 10, para maiores detalhes sobre
o propósito da celebração da Páscoa) .
(D-5) A Festa das Semanas (Shavuot, ou Pentecostes)
A s,�gunda grande festa anual comemorada pela antiga
Israel era a festa das Semanas , conhecida pelos cristãos
como Pentecostes . A palavra pentecostes é de origem
grega, e significa "o quinquagési m ? di � " . Essa .
.
comemoração , que durava um dIa mtelro , ocorna sete
semanas , ou quarenta e nove dias , após a Páscoa. Era
celebrada no final de maio ou início de junho . Essa
ocasiã o era importante, pois assinalava o início da colheita
182
do trigo novo . Entre as ofertas colocadas sobre o grande
altar nesse dia, havia as espigas de trigo . Para todos os
presentes, isso significava que, embora o homem are o
campo, espalhe a semente e faça a colheita Deus é o
ve.rdadeiro autor de todo o crescimento . F� i ele quem
cno.u a terra e lhe deu a capacidade de produzir. É elie que
envia a chuva e faz com que o sol dê sua luz,
proporcionando crescimento às coisas viventes . Um dos
objetivos dessa comemoração era o de que toda Israd
dissesse, de todo o seu coração, "Do Senhor é a terra e a
sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam" .
(Salmos 24: 1 . )
Nos sacrifícios realizados neste dia entretanto
podemos perceber um maior signific�do. Dois c �rdeiros,
um novilho e dois carneiros eram sacrificados, como
ofertas pacíficas e pela expiação do pecado , oferecidos em
holocausto sobre o altar de sacrifícios . Eles indicavam que
o objetivo principal da festa era fazer com que Israel
obtivesse a remissão de seus pecados e a reconciliação com
Deus. O sacrifício de animais não poderia, realment�:,
proporCionar essa expiação e reconciliação, mas tipificava
o sangue e sacrifício expiatório de Cristo, e a influênda
santificadora e purificadora do Espirito Santo, que é
comparada ao fogo purificador, que consome todas as
coisas corruptíveis . Assim, o ato de queimar os sacrifícios
sobre o grande altar representava a maneira como os
l?ecados de Israel seriam verdadeiramente redimidos . O
Elder Bruce R. McConkie fez os seguintes comentários
sobre o significado simbólico da festa, e acerca do que
aconteceu pouco tempo depois da ressurreição , no d:ia de
Pentecostes .
"Com o encerramento da antiga dispensação e a abertura
da no.va, a Festa de Pentecostes deixou de ser uma época
autonzada para a adoração religiosa. Não foi por um
motivo qualquer que o Senhor escolhera o dia de
Pentecostes, que vinha logo após a Páscoa, como a
ocasião apropriada para demonstrar, de maneira
dr�ática e para sempre, o cumprimento de tudo o que se
relacIOnava aos fogos sacrificiais do passado . O fogo é um
agente purificador,. A imundície e a enfermidade se
consomem em suas chamas. O batismo de fogo, o qual
João prometeu que Cristo traria, significa que, quando os
homens verdadeiramente recebem a companhia do
Espírito Santo, então o mal e a iniqüidade são queimados
de suas almas como que por fogo . O poder santificador
desse membro da Deidade os torna limpos. Com
semelhante simbolismo , todos os fogos de todos os âLltares
do passado, ao queimarem a carne dos animais,
representavam a purificação espiritual que seria operada
através do Espirito Santo , o qual o Pai enviaria por amor
ao Filho . Naquele primeiro dia de Pentecostes da chamada
e�a c�i�tã, tais �hamas teriam realizado a sua purificação
slmbolIca, se amda prevalecesse a ordem antiga de coisas .
Quão ad�quado era, então, para o Senhor, escolher aquele
mesmo dia para fazer com que descesse fogo vivo dos
céus, um fogo que habitaria nos corações dos homens e
substituiria para sempre as chamas que ardiam em todos
os alt�es do passado . E assim aconteceu que, 'cumprindo­
-se o dia de Pentecostes , estavam todos reunidos no mesmo
lugar, e de repente veio do céu um som, como de um vento
veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que
estavam assentados . E foram vistas por eles línguas
repartidas como que de fogo, as quais pousaram sobre
cada um deles . E todos foram cheios do Espírito Santo' .
(Atos 2: 1 -4.)" ( The Promised Messiah, pp . 43 1 -32.)
(D-6) O dia da Expiação (Yom Kippur)
De todos os dias religiosos do calendário hebreu o Dia
da Expiação era o mais solene e sagrado . Os israelitas
cessavam todo o trabalho manual, e não se promoviam
festas ou outros divertimentos . Em vez disso, a ocasião era
apropriada para "afligir" a alma através do jejum. Era
a�nda um dia em que a pessoa se purificava do pecado, um
dia a�equado para oração , meditação e profunda
contnção da alma (Levítico 1 6 : 29) .
Nas observâncias relativas ao Dia da Expiação reside o
coração e centro de toda a lei mosaica - a expiação do
Senhor Jesus Cristo .
"É nisto que consiste a lei de Moisés . Ela própria foi
dada para que os homens pudessem crer em Cristo, e
reconhecer que a salvação só pode ser obtida por e através
de seu sacrifício expiatório, e de nenhuma outra forma.
Cada princípio, cada preceito, cada ensinamento
doutrinário, cada ritual, ordenança e cerimônia, e cada
palavra e ato - tudo o que pertencia ao ministério de
M ?i� és, tudo o que nele foi revelado, tudo o que dele se
ongll�ou, e tudo o que fizeram os profetas que existiram
depOiS dele - tudo foi feito e preparado a fim de
c�pacitar os homens a crer em Cristo, submeter-se a suas
leiS, e f�e: com .qu � ?anhassem a plenitude das bênçãos
�o sac�lfIclO explatono que só Cristo poderia realizar. Os
Simbolismos principais, os sirniles mais perfeitos e os
inigualáveis protótipos e tipificações eram apres�ntados
perante o povo uma vez por ano, no Dia da Expiação .
"Em um dia de cada ano , no décimo dia do sétimo mês
'
aquele que ocupava o assento de Aarão, o sumo sacerdote
de Israel, da ordem do sacerdócio Levítico tinha o
privilégio de entrar no lugar santíssimo da �asa do Senhor
'
como se estivesse na presença de Jeová e ali fazer a
expiação dos pecados do povo . Atravé� de uma série de
simboli �mos sacrificiais, ele purificava a si próprio , o
, , os �ortadores ?o sacerdócio de modo geral, e
santuar
J(�
todos os Israelitas . Os ammais a serem usados nos
sacri�í�ios �ram �batidos, e seu sangue aspergido sobre o
proplclatóno e diante do altar; queimava-se incenso e
eram executadas todas as figurações e simbolismos
referentes às ordenanças de resgate. Algo que se referia
so�ente a este dia em especial, é de grande importância.
DOIS bodes eram escolhidos, e sobre eles lançavam-se
sortes . Em um deles , colocava-se o nome de Jeová,
enquanto o outro era chamado de Azazel o bode
expiatório . Em seguida, o bode do Senho� era sacrificado ,
co�o aconteceria ao Gra.nde Jeová no devido tempo;
porem, sobre o bode expiatório eram colocados todos os
pecados da congregação, cujo fardo ele então levava ao
deserto . Conforme a lei req\,!eria, o sumo sacerdote
c?locava 'ambas as suas mãos sobre a cabeça do bode
VIVO, e sobre ele (confessava) todas as iniqüidades dos
filhos de Israel, e todas as suas transgressões, segundo
todos os seus pecados: e os (punha) sobre a cabeça do
bode' : Então o .b ? �e levava sobre si . 'todas as iniqüidades
,
deles a terra solItarla , como o MeSSias Prometido
carregaria. o pecado de uma multidão de pessoas . 'Porque
naq.uele dia se fará expiação por vós, ' disse Moisés, 'para
punficar-vos; e sereis purificados de todos os vossos
pecados perante o Senhor' . (Levítico 1 6 . )
' : R�conhecendo , como sabemos, que os pecados são
redimidos nas águas do batismo; que os batismos eram a
ordem do dia em Israel; que devem ser tomadas
�rovidências para que os indivíduos arrependidos se
libertem dos pecados cometidos após o batismo - vemos,
183
nas cerimônias anuais do Dia da Expiação , uma das
medidas preparadas pelo Senhor através da qual poderiam
ser renovados os convênios feitos nas águas do batismo e
recebida uma vez mais, a abençoada pureza que provém da
plena obediência à lei relativa àquela ordenança. Na época
em que vivemos, conseguimos obter semelhante estado de
pureza, participando dignamente do sacramento da ceia
do Senhor .
"O simbolismo e significado das ordenanças e
cerimônias realizadas no Dia da Expiação se acham
ressaltados na epístola que Paulo escreveu aos hebreus.
Nela, o apóstolo chama o tabernáculo-templo de 'um
santuário terrestre ' , onde, a cada ano , os sacerdotes levitas
realizavam ordenanças a fim de expiarem pelos pecados
dos homens, preparando-os assim, para entrarem no lugar
santíssimo (o Santo dos Santos). Estas ordenanças
deveriam continuar até ao tempo da correção , quando
tendo vindo Cristo o sumo sacerdote dos bens futuros , por
um maior e mais perfeito tabernáculo ' , prepararia a si
próprio e a todos os homens , derramando seu próprio
sangue , a fim de obter 'uma eterna redenção ' no
tabernáculo celestial . O antigo convênio não passava de
uma 'sombra dos bens futuros . . . Porque é impossível que
o sangue dos touros e dos bodes tire os pecados . . . Mas
este, havendo oferecido um único sacrifício pelos pecados,
está assentado para sempre à destra de Deus ' . (Hebreus 9 e
1 0 . ) Quão perfeitamente as ordenanças da lei mosaica
testificam a respeito daquele através de quem é vinda a
salvação , e em cuj o santo nome , todos os homens são
ordenados a adorar ao Pai Celestial para todo o sempre ! "
(McConkie , The Promised Messiah, pp . 435-37.)
(D-7) A Festa dos Tabernáculos (Sucote)
A festa dos Tabernáculos (também chamada de festa
das Barracas , ou festa da colheita) tinha lugar cinco dias
após o Dia da Expiação , no décimo-quinto dia de Tisri ,
sétimo mês do calendário hebreu , que corresponde
atualmente ao final de setembro e início de outubro . A
festa dos Tabernáculos iniciava e tinha fim em um Dia do
Senhor, perfazendo assim , um total de oito dias de
duração .
Uma parte bem definida desta celebração era a armação
de cabanas ou barracas temporárias (succoth , em
hebraico) feitas de ramos de árvores . O povo nelas se
alojava durante todo o transcorrer da festa. Isto fazia com
que o povo de lembrasse da bondade do Senhor durante
os quarenta anos de sua j ornada pelo deserto do Sinai, e
da bênção (que lhes pertencia) de viverem
permanentemente na terra prometida, se fossem
obedientes .
"Mais sacrifícios eram oferecidos durante a Festa da
Páscoa, do que em qualquer outra época, pois um
cordeiro era morto e usado como alimento por cada uma
das famílias , ou grupo de pessoas ; porém , na Festa dos
Tabernáculos os sacerdotes ofereciam mais sacrifícios de
novilhos, carneiros , cordeiros e bodes em benefício da
nação , que em todas as outras festas israelitas combinadas .
O fato de que esta comemoração celebrava o término de
todas as colheitas , simbolizava a realidade do evangelho de
que é missão da casa de Israel reunir todas as nações para
Jeová; um processo que está sendo levado avante hoj e em
dia, mas que não será completado antes que venha o dia
milenar , quando 'o Senhor será rei sobre toda a terra ' , e
reinará nela pessoalmente . Nessa ocasião se cumprirá o
que está escrito : 'E acontecerá que , todos os que restarem
de todas as nações . . . subirão de ano em ano para
adorarem o Rei , o Senhor dos Exércitos , e celebrarem a
festa das cabanas . E acontecerá que se alguma das famílias
da terra não subir a Jerusalém , para adorar o Rei , o
Senhor dos Exércitos, não virá sobre ela a chuva. '
(Zacarias 1 4 : 9-2 1 .) Esse será o dia em que a lei procederá
de Sião , e de Jerusalém , a palavra do Senhor .
Evidentemente , quando fôr realizada a Festa dos
Tabernáculos naquele dia,' suas cerimônias rituaIísticas
serão feitas de acordo com a ordem do novo evangelho , e
não segundo a ordem mosaica do passado .
"A Festa dos Tabernáculos incluía uma santa
convocação , que, neste exemplo , era também chamada de
assembléia solene. Nas assembléias solenes da época
modern a elevamos um brado de Hosana, que também tem
relação com a festa dos Tabernáculos de outrora, exceto
pelo fato de a antiga Israel acenar com ramos de palmeira,
ao invés de lenços brancos, ao exultarem dizendo ,
' Hosana, Hosana, Hosana a Deus e ao Cordeiro ' . Na
época de Jesus alguns rituais complementares já haviam
sido acrescentados como parte da festa, inclusive o fato de
que um sacerdote se dirigia ao Tanque de Siloé , retirava
água numa bilha dourada, levava-a ao templo , e
derramava a água em uma bacia colocada na base do
altar . E nquanto ele assim procedia, um coro cantava o
Hallel , que consistia dos Salmos 1 1 3 a 1 1 8 . 'No momento
em que o coro pronunciava as palavras , " Louvai ao
Senhor " , e novamente quando cantava "te tornaste a
minha salvação , Jeová" ; e novamente ao encerrar , "Dai
graças ao Senhor" , todos os adoradores brandiam seus
ramos de palmeira em direção do altar ' , um gesto que tem
uma certa semelhança com o Brado de Hosana que
elevamos atualmente . 'Portanto, quando as multidÕes de
Jerusalém ao se encontrarem com Jesus , "cortavam ramos
das árvores , e os estendiam no caminho , e . . . bradavam ,
dizendo , Oh , então , opera agora salvação ao filho de
Davi ! " eles diziam isto com referência a Cristo . Isto era
considerado uma das cerimônias principais da Festa dos
Tabernáculos , e rogavam que Deus , naquele momento, se
manifestasse do alto dos céus e enviasse salvação em
conexão com o filho de Davi , o que era simbolizado pelo
derramamento da água . ' (Alfred Edersheim, The Temple
p . 279. ) " (McConkie, The Promised Messiah, pp . 433-34.)
Levítico 19-27
16
Uma Lei de Cerimônias
e Ordenanças, Parte 3:
Leis de Misericórdia e
Justiça
(16-1) Introdução
Nesta designação você lerá a respeito do que foi
considerado "o coração das leis éticas contidas no livro de
Levítico " (Rasmussen , Introduction to the Old Testament,
Vol . I, p . 1 05). Tais leis não eram apenas o âmago do
Levítico, mas também de todo o Velho e Novo
Testamentos. É naquele livro que se acha registrada, pela
primeira vez, a revelação do princípio que governava todas
as leis sobre a natureza dos relacionamentos sociais:
"Amarás o teu próximo como a ti mesmo "
(Levítico 1 9 : 1 8) . Sob esta perspectiva, é fácil entender que
todas as outras leis eram meramente a aplicação da lei do
amor nas mais diversas circunstâncias . Sendo um preceito
eterno e de aplicação universal , ele é o tecido inconsútil
sobre o qual se acham urdidos não somente o Velho e o
Novo Testamentos, mas também nossas escrituras
modernas .
Instruções aos Alunos
1 . Ao ler e estudar Levítico 1 9-27 , utilize o auxílio
que as Notas e Comentários podem-lhe oferecer .
2. Complete a seção de Pontos a Ponderar ,
conforme as orientações que lhe forem fornecidas pelo
professor . (Os alunos que estudam individualmente
devem completar toda a seção .)
agrupados no versículo 3, seguidos imediatamente pelo
segundo mandamento (não ter imagens de escultura) . No
versículo 1 1 , o oitavo mandamento (não furtar) se
encontra reunido ao nono (não dizer falso testemunho), e
em seguida, é novamente citado em conexão ao terceiro
(não tomar o nome de Deus em vão) no versículo 1 2 .
Através desse processo , o Senhor parece indicar que o que
acompanha o mandamento de sermos santos está
diretamente relacionado a estes princípios fundamentais de
retidão . As leis espec;ficas que acompanham os
mandamentos definem princípios de retidão que provêm
naturalmente dos Dez Mandamentos . Por exemplo , o
mandamento dado é o de não furtar; porém, estas leis
demonstram que isso significa bem mais do que não
roubar a um homem ou assaltar sua casa. É possível
também furtar por meio de fraude ou retenção do salário
de um trabalhador (vers . 1 3) . O mandamento dado é o de
que devemos honrar os pais; mas , nesta escritura, o
Senhor usou a palavra "temerá" (vers . 3), que dá uma
conotação de profundo respeito, reverência e admiração
- o mesmo sentimento que uma pessoa deve ter pelo
próprio Deus . O exemplo relativo ao "mexeriqueiro "
(vers . 1 6) demonstra que há outras maneiras de prestar
falso testemunho além do j uramento proferido nos
tribunais. E o princípio conclusivo resume todo o objetivo
da lei . Se alguém for santo como Deus é santo, então
amará a seu próximo como a si mesmo (veja o verso 1 8) .
NOTAS E COMENTÁRIOS
SOBRE LEVÍTICO 19-27
(16-2) Levítico 19:2-18. "Santos Sereis, Porque Eu , o
Senhor Vosso Deus, Sou Santo "
No capítulo anterior examinamos alguns detalhes sobre
as leis relativas a coiSas consideradas limpas ou imundas ,
tanto no sentido físico como espiritual . Os últimos
capítulos de Levítico centralizam-se em preceitos que
definiam como alguém , que seguia a lei mosaica, poderia
viver retamente e de forma agradável aos olhos do Senhor .
O livro de Levítico termina essencialmente com a mesma
mensagem com que começou, a saber a advertência
sumamente importante de que os homens devem ser
santos , como Deus é santo . As leis que se seguem a este
mandamento , à primeira vista, parecem , não ter qualquer
disposição lógica ou ligação entre si ; contudo , vemos que
se acham intimamente relacionadas , quando as
consideramos à luz da inj unção de que devemos ser
santos , encontrada no versículo 2. Observe também , nos
preceitos que são dados logo após esse conselho, o estreito
relacionamento que elas têm com os Dez Mandamentos
(veja os versículos 3 - 1 2) . O quinto mandamento (honrar
aos pais) e o quarto (santificar o Dia do Senhor) se acham
., o Legislador
186
(16-3) Levítico 19: 18. Em que Mandamentos se Baseiam
Todos os Outros?
Durante o ministério terreno do Mestre, um escriba
perguntou-lhe qual era o maior de todos os mandamentos .
É bem conhecida a resposta que o Salvador lhe deu : Amar
a Deus e ao próximo. Em seguida ele acrescentou : "Destes
dois mandamentos depende toda a lei e os profetas "
(Mateus 22:40; veja também os verso 35-39) . Em outras
palavras , estes dois princípios são a base de todos os
escritos do Velho Testamento . Todos os princípios e
mandamentos se originam da necessidade de amar a Deus
e ao próximo .
Ambas as leis citadas por Jesus se encontram no Velho
Testamento , porém não j untas . A primeira está em
Deuteronômio 6 : 5 e a segunda em Levítico 1 9 : 1 8 . As
palavras usadas para o segundo mandamento são deveras
instrutivas . A afirmativa de que uma pessoa deve amar ao
próximo como a si mesma faz com que a idéia de amor,
neste caso , passe de um estado de emoção para um de
determinação . O amor é aquela espécie de emoção que
alguém naturalmente sente por si próprio . Em outras
palavras , é o desej o que uma pessoa tem pelo seu próprio
bem-estar . O amor e cuidado que um indivíduo tem para
consigo mesmo é algo comum e saudável; mas além disso ,
ele deve alimentar idêntico sentimento por outros . Cada
ser humano deve desej ar o bem dos outros como o seu
próprio . Tal anseio não é inato , mas nos vem através de
um ato consciente da vontade ou livre-arbítrio. O
mandamento, assim , indica que devemos trabalhar tanto
para o nosso bem , como para o de nossos semelhantes .
Não é lícito , portanto, engrandecer-se à custa dos outros .
Este mandamento é o coração de toda interação social, e é
o padrão pelo qual cada ato pode ser j ulgado .
Qualquer pessoa que compreenda verdadeiramente as
implicações relativas à vida diária que fazem parte do
mandamento de amar a Deus de todo o coração , poder,
mente e força, e de amar ao próximo como a si mesma,
pode atuar bem sem que precise receber leis adicionais.
Não é necessário prevenir alguém que ama ao Senhor da
maneira correta, a respeito dos males da idolatria, pois
qualquer ato de adoração que não sej a dedicado a Deus,
lhe parecerá naturalmente ofensivo . As proibições de
furtar, cometer adultério , matar e assim por diante , não
procedem quando alguém verdadeiramente ama ao
próximo como a si mesmo , pois tal pessoa acharia
inconcebível causar tais danos a seus semelhantes . Porém,
como sabemos , a maioria dos homens não compreende
nem guarda estes dois mandamentos , e, por isso , o Senhor
revelou muitas leis e normas adicionais, a fim de
demonstrar especificamente o que é requerido por esses
mandamentos . Mas , na verdade, essas diretrizes
suplementares nada mais fazem que definir e apoiar os
dois princípios básicos : que toda a lei e os profetas se
acham resumidos nestes dois grandes mandamentos .
(16-4) Levítico 19:23-25. Que É um "Fruto Incircunciso " ?
"O uso metafórico d a circuncisão é assim explicado
pelo próprio texto da escritura, o qual denota que o fruto
é inadequado ou impróprio para alimento . Em
Levítico 26:41 é usada a mesma metáfora referindo-se ao
coração obstinado ou não preparado para dar ouvidos às
admoestações divinas . E ainda em outras passagens da
escritura, é usado com relação aos lábios �xodo 6: 1 2 , 30)
e ouvidos (Jeremias 6: 1 0) que não executam suas funções
normais . " (C . D. Ginsburg, citado por Rushdoony,
Institutes of Biblical Law, pp . 1 47-48 . )
Não está b e m claro por que os frutos que a árvore
produzisse durante os três primeiros anos deveriam ser
considerados impróprios para o consumo; todavia, neste
contexto de leis de retidão e santificação , tal proibição
poderia sugerir que até as primícias dos frutos da árvore
serem dedicadas a Deus, como acontecia aos primogênitos
dos animais e dos homens (vej a Êxodo 1 3 : 1 -2) , a árvore
não era tida como santificada, ou ordenada, para o uso
pelo povo do Senhor. Devido ao fato de o solo haver sido
amaldiçoado por causa do homem, quando da queda de
Adão (veja Gênesis 3 : 1 7), esta lei teria servido como um
simples lembrete de que, até serem dedicadas a Deus e seus
propósitos, todas as coisas permaneceriam inadequadas
para serem utilizadas pelo povo do Senhor .
(16-5) Levítico 19:26-31. Israel É Separada do Mundo
Em primeira análise, as leis encontradas nestes
versículos podem parecer ter pouca aplicação no que se
refere ao santo moderno , e podem até mesmo parecer
requisitos estranhos exigidos da antiga Israel . Por
exemplo , o que o corte de cabelo ou a barba têm a ver
com retidão? Todavia, considerando o ambiente cultural
em que vivia a Israel de outrora, estas proibições
específicas ensinavam uma poderosa lição relacionada aos
costumes dos povos pagãos das circunvizinhanças .
Por exemplo a palavra hebraica nachash , traduzida por
"adivinhareis " (vers . 26) significa "tentar saber o futuro " ,
e "agourareis" provém d e u m termo hebraico que
significa "observar as nuvens " (Wilson, Old Testament
Word Studies, p. 1 44) . No mundo antigo , os
adivinhadores e necromantes diziam ter o poder de ler o
futuro através dos mais diversos objetos e meios. Entre
seus métodos encontravam-se os de observar as estrelas
(astrologia) , os movimentos das nuvens e de certos
animais, atar nós , jogar sortes , lançar flechas ao alto e
definir os desenhos que formavam ao cair , e assim por
diante . Portanto , o versículo 26 proibia a utilização de
meios ocultistas para ler o futuro .
Um outro estudioso da Bíblia nos deu uma importante
visão acerca da proibição relativa a cortar a barba e os
cabelos .
"Este versículo (Levítico 1 9 : 27) e o seguinte,
evidentemente se referem a costumes que certamente
existiam no Egito na época em que os israelitas lá viviam , e
hoje em dia é extremamente difícil até mesmo supor em
que consistiam . Heródoto observou que os árabes
cortavam a barba e o cabelo de forma arredondada em
louvor a Baco (o deus do vinho), o qual , segundo eles,
usava um corte semelhante . . . Ele afirma também que um
povo da Líbia cortava o cabelo em forma de círculo,
deixando um tufo no topo da cabeça . . . Os chineses usam
esse estilo até os dias de hoj e . Isto poderia ter sido feito em
honra a algum ídolo , e, portanto , tal prática era proibida
aos israelitas .
"Entre os povos antigos o cabelo desempenhava um
importante papel na adivinhação . Os gregos o utilizavam
para propósitos religiosos supersticiosos, particularmente
na mesma época em que foi dada esta lei , que, supõe-se,
tenha sido a época da guerra de Tróia. Aprendemos com
Homero que era costume os pais dedicarem os cabelos de
seus filhos a algum deus, o que eles faziam ao atingirem a
maturidade, cortando-o e dedicando-o à deidade em
questão . A quiles, por ocasião do funeral de Pátroclo ,
cortou seus cachos de cabelo louro , que seu pai havia
consagrado a Aspércio, deus dos rios, e lançou-os nas
águas do riacho . . .
187
"Se o cabelo era cortado redondo e dedicado a
propósitos semelhantes , então está explicada a proibição
contida neste versículo . " (Clarke, Bible Commentary, Vol .
I, p . 575 . )
A o proibir o s ferimentos feitos na carne o u as
tatuagens, novamente o Senhor, de maneira clara e
inequívoca, indiCou que Israel deveria ser diferente das
nações gentias que viviam ao seu redor . Era costume
afligir-se com ferimentos por ocasião de luta pelos mortos
ou durante a adoração (veja I Reis 1 8 : 28) . Além disso ,
" era uma prática tradicional e muito difundida levar
marcas no corpo, em louvor do objeto ou ser adorado. Os
membros de todas as castas hindús trazem gravados na
testa, ou em qualquer outra parte do corpo, marcas que
eles chamam de sinais sectários, que os distinguem das
demais pessoas , não somente no ponto de vista civil , mas
também religioso .
"A maior parte das nações bárbaras descobertas
recentemente tinham o hábito de marcar o rosto , braços
ou tórax com cicatrizes ou tatuagens , provavelmente por
motivos supersticiosos . Os registros deixados por autores
antigos estão cheios de relatos concernentes a sinais feitos
na face, braços, etc , em honra aos mais diferentes ídolos.
É a esse fato que o inspirado autor se refere
(Apocalipse 1 3 : 1 6- 1 7 ; 14:9, 1 1 ; 1 5 :2; 1 6 : 2 ; 1 9 : 20; 20:4),
onde são representados falsos adoradores recebendo em
suas mãos e testas os sinais da besta. " (Clarke , Bible
Commentary, Vol . I, p. 575 .)
A prostituição sacra era uma prática comum entre os
adoradores pagãos, e freqüentemente as sacerdotisas dos
templos de deusas do amor, como Venus ou Afrodite,
tinham o único obj etivo de satisfazer e dar sanção religiosa
aos desej os sexuais imorais. Deus proibiu tais práticas
rigorosamente .
Os "adivinhadores " a que se refere Levítico 1 9: 3 1 , são
os que hoje em dia chamamos de espiritualistas ou
médiuns espíritas . Eles supostamente tinham o poder de se
comunicar com os espíritos dos mortos através de uma
sessão espírita . A palavra hebraíca para adivinhadores
significa "ventríloquo " , sugerindo como o próprio nome
evidencia, o caráter fraudulento de tais pessoas .
Não resta qualquer dúvida de que as leis que proibiam
tais práticas idólatras tinham o objetivo de separar Israel
do mundo, e da falsa adoração que oferecia. Há nesse fato
uma importante lição para os santos de nossa época.
Embora atualmente os costumes perversos e devassos
sej am um pouco diferentes, o mundo não mudou seu
procedimento . Hoj e em dia o Senhor ainda orienta seu
povo , através de profetas vivos, a evitar os costumes e
práticas do mundo . Não devemos nos surpreender,
portanto , ao ouvir os profetas falarem contra certos estilos
de penteado ou vestuário , modas passageiras , ou práticas
nocivas como sexo grupal , j ogo , casamento temporário e
outros costumes perniciosos .
(16-6) Levítico 19:35-36. Em Que Consistem o "Peso " ,
"Efa" e "Oim " ?
O peso a que s e refere esta escritura diz respeito às
medidas de comprimento do sistema hebraico, como a
vara, palmo e côvado, ao passo que o efa e o him são
medidas de volume. Ao especificar ambas as espécies de
medidas , o Senhor claramente ensinou que requeria que
seu povo usasse de honestidade em todas as transações
comerciais .
(16-7) llevítico 20
Este capítulo especifica alguns dos pecados que eram de
natureza tão grave , que eram punidos com a morte . (Para
uma explicação de o que significa dar sua semente a
Moloq e, vej a a Leitura 1 5 - 1 1 . ) O Senhor afirmou
inequívocamente, repetidas vezes , que o obj etivo destas
leis era separar Israel dos outros povos, para que fossem
santificados e se tornassem um povo santo para Deus (veja
os verskulos 7-8, 24, 26) .
(16-8) Levítico 20:22-24. "Não Andeis nos Estatutos da
Gente tlue Eu Lanço Fora"
Quando os jareditas foram trazidos à terra da
promissão , o Senhor os advertiu de que se não adorassem
o Deus da terra, que é Jesus Cristo , seriam "varridos"
(Éter 2 : 1 O). A colônia de Leí também foi advertida de
que somente poderiam ocupar a terra de sua herança, sob
a condi ção de obediência; do contrário , também seriam
"afastados" (1 Néfi 2: 2 1 , veja ainda o verso 20) . O s
israelitas foram avisados de que, se não estivessem
dispost os a se separarem do mundo , seriam "vomitados"
da terra (Levítico 20:22) .
Néfi declarou a seus irmãos que, o único motivo pelo
qual Israel recebera a terra prometida e os cananeus dela
haviam sido expulsos, era porque aquele povo "havia
rejeitado toda palavra de Deus e amadurecido em
iniqüidade" ( 1 Néfi 1 7 : 35). Devido à extrema perversidade
dos cananeus , o Senhor exigiu que Israel totalmente os
destruísse (vej a Deuteronômio 7 : 2 ; para maiores
esclarecimentos sobre por Deus ordenou que os cananeus
fossem destruídos, veja a Leitura 1 9- 1 5) . Néfi perguntou,
"Pensai.s que nossos pais teriam sido mais favorecidos do
que eles, se eles tivessem sido justos (mais que os
cananeus)? Eu vos digo : Não . " (1 Néfi 1 7 :34.) Idêntica
mensagem foi claramente revelada a Israel . Os cananeus
foram (!xpulsos de sua terra em virtude de sua grande
iniqüidade . Caso Israel não se mantivesse apartada de tais
abominações, semelhantes conseqüências lhe sobreviriam .
(16-9) Levítico 21-22. As Leis de Purificação para o
Sacerd6cio
Nestes dois capítulos se encontram normas e requisitos
especiai s dados ao Sacerdócio Levítico , principalmente ao
sumo sacerdote . Aqui , pela primeira vez, é usado o título
"sumo sacerdote" (Levítico 2 1 : 10). Esse termo hebraico
significa literalmente "o grande Sacerdote " . Na posição
de sacerdote principal, ele era o representante de Jeová
para o povo . Assim sendo , era-lhe requerido que
mantiv{!sse seu santo ofício resguardado de toda
contaminação . (O sumo sacerdócio da época do Velho
Testamento era um oficio do Sacerdócio Aarônico , e não
do de Melquisedeque, como acontece hoj e em dia. O sumo
sacerdote era o sacerdote presidente, ou cabeça, do
Sacerdócio Aarônico . Atualmente , essa posição é ocupada
pelo bispo presidente .) Todos os membros do sacerdócio
tinham que se casar com virgens escolhidas dentre seu
próprio povo . As prostitutas, mulheres adúlteras , ou
mesmo as divorciadas eram excluídas de tal consórcio,
evitando assim que houvesse a menor dúvida acerca de
pureza pessoal . Os sacerdotes não poderiam contrair
matrimônio com mulher "infame " (ou sej a, que não
pertencesse à casa de Israel ; vers o 7), contaminar-se
tocando em cadáver que não fosse o de parente próximo
188
(veja os vers o 1 -3), ou permitir que uma filha se
prostituísse (veja o vers o 9) .
Em outras palavras, toda Israel foi chamada a vivI!r
uma vida de santidade, à parte do mundo ; mas os
sacerdotes, que serviam como representantes de Deus
perante o povo , tinham que manter um nível mais elevado
de separação e santificação . O sumo sacerdote, que era um
símbolo ou protótipo de Jesus, "o grande sumo
sacerdote" , deveria seguir uma lei ainda mais severa
(Hebreus 4: 1 4) . Além de cumprir os requisitos
normalmente exigidos do sacerdócio, no que se refere ao
casamento e à não contaminação , ele não poderia ter
qualquer defeito ou problema físico (veja Levítico 2 1 : 1 6-2 1 ) . Essas medidas rigorosas tinham o propósito de fazer
com que o povo se lembrasse de que Cristo, o verdadeiro
Mediador entre Deus e seus filhos , era perfeito em todos
os sentidos.
(16-10) Levítico 23
Neste capítulo o Senhor indicou cinco dias santificados
ou festas que toda Israel deveria observar. Eram eles : o
Dia do Serihor (veja os versículos 1 -3), a Páscoa e a festa
dos Pães Asmos (veja os versículos 4-14), a festa das
Semanas , ou Pentecostes, como era chamada na época do
Novo Testamento (veja os vers o 1 5 -23), o Dia da Expiação
(veja os vers o 26-32) , e a festa dos Tabernáculos (veja os
vers o 33-44) .
O Dia',do Senhor, é óbvio , era guardado semanalmente.
As demais festas se acham alistadas na ordem em q e
aconteciam . A Páscoa ocorria no final de março ou início
de abril (que corresponde à época da Páscoa atual), e a de
Pentecostes sete semanas depois , em maio . O Dia da
Expiação , que se observava no fim de setembro ou
princípio de outubro , era seguido cinco dias depois pela
festa dos Tabernáculos, ou das barracas . (Para maiores
esclarecimentos acerca das festas e comemorações , vej a a
Seção Especial D, e o calendário hebreu na seção de
Mapas e Gráficos.)
(16-11) Levítico 23:27
Afligir a alma significa ser humilde ou submisso ao
Senhor. O termo hebraico transmite a idéia de disciplina.
Portanto , nestes dias , os israelitas deveriam se dedicar
completamente ao Senhor em jejum e oração .
(16-12) Levítico 23:37
Todas as ofertas especificadas para os dias de
comemorações deveriam ser voluntárias . Eram a ocasião
própria para celebrar e demonstrar livremente a gratidão
ao Senhor .
(16-13) Levítico 24:17-22. A Lei Mosaica Era Realmente
Olho por Olho?
Esta passagem tem sido considerada por muitas pessoas
como a base ou o resumo da lei mosaica: "olho por olho ,
dente por dente" (vers . 20) . Essa maneira errônea de
entender é de fato prejudicial, pois faz com que a lei de
Moisés pareça fria, inflexível e vingativa. Tal equívoco é
decorrência do não se fazer uma clara distinção entre a lei
social e a penal . A primeira era baseada no amor e
interesse pelo bem-estar dos semelhantes (veja
Levítico 1 9 : 1 8) . A segunda, não era destituída de arnor,
mas fora elaborada de modo a ressaltar a necessidade de
justiça absoluta. Mesmo nesse caso, todavia, devemos
ressaltar três fatos relativos à aplicação da lei que exigia
olho por olho:
"Primeiro , ela fora estabelecida para ser uma lei de
estrita justiça, e não de vingança. Segundo, não se tratava
de uma vendeta particular, mas de justiça pública.
Terceiro, a exclusão do assassinato dos crimes pelos quais se
permitia oferecer resgaste (Números 3 5 : 3 1 em diante) , isso
provavelmente permitia que compensação por danos sofridos
freqüentemente assumisse a forma de multa. " (Guthrie
and Motyer, Bible Commentary: Revised, p. 1 64.)
A mesma lei que requeria uma j usta retribuição e
pagamento exigia que um agricultor deixasse de
colher em trechos de seus campos para que neles os pobres
pudessem respigar (veja Levítico 1 9: 9- 1 0; 23 :22), requeria
que um empregador pagasse o salário de seu obreiro ao
anoitecer, ao invés de fazer isso no dia seguinte
(veja 19: 1 3), ordenava aos homens: "Não aborrecerás a
teu irmão no teu coração " ( 1 9 : 1 7), e sintetizava qual
deveria ser a sua condição ideal, dizendo, " Sede santos "
(20: 7).
(16-14) Levítico 25. O Ano Sabático e o Ano do Jubileu
Muitos cristãos modernos julgam a lei mosaica uma lei
menor e primitiva, dada a um povo iletrado e imaturo .
Este capítulo ilustra o compromisso de fé e confiança em
Deus que era requerido de todo aquele que realmente
seguia os ditames da lei . Ao israelita foi dito que, em um
dentre cada sete anos, deveria confiar inteiramente em
Deus para que provesse o seu sustento , em vez de nos
frutos de seu trabalho. Também a terra deveria ter um
sábado de descanso , no qual não deveria ser feito qualquer
cultivo , aradura, semeadura ou colheita. Além disso , uma
vez a cada cinqüenta anos, a terra deveria gozar de um
duplo período de repouso . Após o sétimo ano sabático (no
quadragésimo nono ano) deveria ser guardado um ano de
jubileu . Deus havia libertado Israel do cativeiro do Egito,
perdoado os incontáveis débitos que tinham para com ele,
e lhes concedido uma herança na terra prometida. Para
demonstrar o amor que tinham para com Deus e o
próximo, Israel deveria seguir esse exemplo durante o ano
do j ubileu . Os escravos ou servos deveriam ser libertados ,
a terra devolvida a seu proprietário original, e as dívidas
perdoadas (veja os vers o 1 0, 1 3 , 3 5-36) .
Seria proveitoso se os seguidores modernos da lei mais
elevada do evangelho examinassem o compromisso pessoal
que assumiram perante Deus e o amor que têm pelo seu
próximo , perguntando a si mesmos se seriam capazes de
viver tal lei . Teriam fé suficiente para confiar que Deus os
sustentaria por três anos, como aconteceu à antiga Israel?
(Observe os vers o 1 8-22.)
Certo estudioso da Bíblia sugeriu três idéias importantes
simbolizadas nos requisitos do ano do j ubileu :
"O jubileu certamente simbolizava: 1 . A época de
grande libertação , a dispensação do evangelho , quando
todos os que crêem em Jesus Cristo são redimidos do
cativeiro do pecado - voltam a possuir os favores e a
semelhança à Deus, a única herança da alma humana,
tendo todas as suas dívidas canceladas, e sendo-lhes
restaurado o direito de possuir uma herança. É a esse fato
que o profeta Isaías parece referir-se (Isaías 26: 1 3) ,
particularmente em 6 1 : 1 -3 . 2. A ressurreição geral . 'Ele é ' ,
disse o S r . Parkhurst, 'uma prefiguração vívida d a grande
consumação dos tempos, que será introduzida de idêntica
maneira pela última trombeta (I Coríntios 1 5 : 52) , quando
os filhos e herdeiros de Deus serão ressarcidos de todas as
189
suas perdas , e restaurados à herança eterna que lhes foi
preparada por seu Pai . Daí por diante, descansarão de
todos os seus labores , e serão supridos pela seara de Deus,
com vida e felicidade .
"É digno de nota o fato de que o ano do j ubileu só era
proclamado no décimo dia do sétimo mês , no mesmo dia
em que era feita a grande expiação anual pelos pecados do
povo . E não vem isto provar que a grande libertação ou
redenção do cativeiro , anunciada pelo evangelho , não
poderia ocorrer antes que fosse oferecida a grande
Expiação , o sacrifício do Senhor Jesus ? " (Clarke, Bible
Commentary, Vol . I, p . 592 . )
O u ainda, como afirmou C . D . Ginsburg: " A o final do
grande Dia da Expiação , quando os hebreus tinham se
conscientizado de que haviam alcançado paz de espírito,
de que o Pai Celestial anulara seus pecados , e de que
haviam obtido de novo comunhão com ele através de sua
compassiva misericórdia, era então requerido que todo
israelita apregoasse por toda a terra, por meio de nove
toques de trombeta, que também concedera descanso ao
solo , restituíra ao próximo as suas possessões , e libertara
todo servo para que voltasse aos seus familiares . Assim
como Jeová perdoara suas dívidas , ele também perdoara
aos seus devedores . " (Citado em Rushdoony, lnstitutes of
Bíblical Law, p . 1 4 l .)
(16-15) Levítico 26. Bênçãos ou Maldições: Uma
Alternativa para Israel
O capítulo 26 de Levítico é um dos mais poderosos do
Velho Testamento . O Senhor definiu tão claramente as
alternativas que se achavam ao alcance de Israel, que não
poderia haver qualquer equívoco . Se os israelitas fossem
obedientes , seriam abençoados com fartura, segurança,
paz e proteção contra seus inimigos : "A minha alma de
vós não se enfadará. E andarei no meio de vós, e eu vos
serei por Deus, e vós me sereis por povo . " (Vers . 1 1 - 1 2.)
Tais promessas poderiam ser resumidas numa única
palavra : Sião . Caso Israel fosse obediente , alcançaria a
condição de Sião .
Se os filhos de Israel se recusassem a ouvir , "e não
(fizessem) todos estes mandamentos" (vers . 1 4) , as
bênçãos seriam retiradas, sobrevindo em seu lugar aflição ,
penúria, guerra, enfermidade, ,exílio , tragédia e total
abandono.
A Israel moderna tem diante de si as mesmas opções .
No inverno de 1 976-77 a região oeste dos Estados
Unidos foi afligida com uma grave seca. Um profeta vivo
discerniu naqueLe e em outros fenômenos naturais, uma
advertência idêntica à dada no Velho Testamento .
"No principio deste ano , quando se prenunciavam
tempos de seca no oeste, e havia frio e dificuldades no leste
e condições climatéricas anormais no mundo inteiro,
sentimo-nos impelidos a pedir que todos os membros da
Igreja se reunissem em jejum e oração , implorando ao
Senhor umidade onde era vital, e cessação das condições
difíceis nas demais partes .
"Talvez fôssemos indignos de pedir essas grandes
bênçãos, porém não queremos abordar a questão
frontalmente, apenas levá-la à atenção de nosso Senhor, e
depois dedicar nossas energias a colocar a nossa vida em
ordem .
"Um profeta disse:
" ' Quando os céus se cerrarem , e não houver chuva, por
terem pecado contra ti, e orarem neste lugar , e
confessarem teu nome, e se converterem dos seus pecados,
havendo-os tu afligido ;
" 'Ouve t u então n o s céus , e perdoa o pecado de teus
servos e do teu povo Israel , ensinando-lhes o bom
caminho em que andem , e dá chuva na terra que deste ao
teu pov o em herança. ' " (I Reis 8 : 35-36 .)
" Às vezes , o Senhor usa o tempo para disciplinar seu
povo por violar as suas leis. Disse ele aos filhos de Israel :
(ele ent ão citou Levítico 26: 3 -6) .
"Com o grande sofrimento e preocupação n o leste e a
ameaça de seca aqui no oeste e outras partes, pedimos ao
pov o q e se juntasse em solene círculo de oração , rogan do
umida .e onde fosse necessário. Quase imediatamente,
nossas reces foram atendidas , e ficamos mais gratos do
que é p ossível dizer. Continuamos ainda em necessidade e
esperan ça de que o Senhor haja por bem responder às
nossas , reces constantes nesse assunto . . .
"Tal vez haj a chegado o dia de fazermos uma auto­
-avaliaç:ão e ver se somos dignos de pedir ou se est ivemos
quebrando os mandamentos, tornando-nos assim ,
indignos de receber a s bênçãos.
"O Senhor deu mandamentos peremptórios:
'Guard areis os meus sábados, e o meu santuário
reveren ciareis : "Eu sou o Senhor . " ( Levítico 1 9 : 3 0 . )
"Temos citado esta passagem inúmeras vezes, rogando
ao nosso povo que não profane o dia do Sábad o ; ainda
assim vemos numerosos carros estacionados j unto a
estabekcimentos mercantis nesse dia, e locais de di versão
apinhados e ficamos est arrecidos . . .
" . . . O Senhor faz promessas específicas , dizendo :
" 'Então e u vos darei a s vossas chuvas a seu tempo; e a
terra dará a sua novidade, e a árvore do campo dará o seu
fruto . ' (Levítico 26:4.)
" Deus faz o que promete, e no entanto, muitos de nós
continuamos a profanar o dia do Sábado. Depois , ele
continua:
" 'E a debulha se vos chegará à vindima, e a vindima se
chegará à sementeira: e comereis o vosso pão a fartar , e
habitareis seguros na vossa terra. ' (Levítico 26: 5 . )
"A gente pode confiar nessas promessas . , .
" O Senhor. . . adverte: (Então ele cita Levítico 26: 14- 1 7 ,
1 9-20.)
"O Senhor vai mais além e diz :
" 'Porque enviarei entre vós as feras do campo , as
quais . . . desfarão o vosso gado, e vos apoucarão ; e os
vossos caminhos serão desertos . ' (Levítico 26 :22.)
" Podeis imaginar como as estradas ficariam desertas?
Pela limitação de combustível e energia, quando não
houver nenhum para usar, quando os homens terão de
caminhar em vez de dirigir?
" Já considerastes , minha boa gente, que a questão da
paz está nas mãos do Senhor que diz :
" ' Porque trarei sobre vós a espada . . . ' (Levítico 26 :25)?
"Ser: i a isto difícil? Costumais ler os j ornais? Conheceis
os ódios existentes no mundo? Que garantias de paz
permanente vós tendes?
190
" Sem dúvida, muitos de nós sabemos m dhor do que
agimos. Não é tempo de acabarmos com as práticas
adúlteras , homossexuais e lésbicas , e voltar para a fé e
dignidade? Não é tempo de darmos um basta à nossa
tolerância diante da pornografia?
"Não é tempo de nos opormos firmemente às coisas
ímpias e profanas , e á devassidão , irregularidades e
assuntos correlatos?
"Não é tempo de iníciar vida nova? " (Spencer W .
Kimball , "O Senhor Espera Que o s Seus Santos Sigam os
Mandamentos , " A Liahona, outubro de 1 977, pp . 4-6.)
(16-16) Levítico 26:34-35, 43
Para descobrir como esta profecia foi cumprida, vej a
Jeremias 25 :9, 1 1 - 1 2 ; 29: 10; II Crônicas 36: 2 1 .
(16-17) Levítico 27: 1-34. Que Significado Tem um
Homem Fazer "Particular Voto " ?
Presidente Spencer W. Kimball advertiu-nos de que o livro de Levítico se
aplica aos santos dos úllimos dias
' " . . . e sereis entregues na mão do inimigo . '
(Levítico 26 :25 .)
"Existem inimigos que poderiam e desejariam afligir­
-nos? Já pensastes nisto?
" ' E porei as vossas cidades por deserto ' , diz ele, 'e
assolarei os vossos santuários . . .
" 'Então a terra folgará nos seus sábados, todos os dias
da sua assolação , e vós estareis na terra de vossos inimigos ;
então a terra descansará, e folgará nos seus sábados .
" 'Todos os dias da assolação descansará, porque não
descansou (quando podia) nos vossos sábados, quando
habitáveis nela. ' (Levítico 26: 3 1 , 34-3 5 . )
" São situações difíceis e muito graves, porém possíveis.
"E o Senhor conclui:
" 'Estes são os estatutos , e os j uízos, e as leis que deu o
Senhor entre si e os filhos de Israel, no monte Sinai, pela
mão de Moisés . ' (Levítico 26: 46.)
" Isto se aplica a vós e a mim .
"Não seria esta uma boa hora para nos preocuparmos
seriamente com tais assuntos? Não é tempo de voltarmos
para o nosso lar, nossa família, nossos filhos? Não é
tempo de nos lembrarmos de nossos dízimos e ofert as ,
tempo de desistirmos de abortos, divórcios, de profanar o
dia do Sábado , de nossa tendência de transformar o dia
santo em dia de festa?
"Não é tempo de arrependermo-nos de nossos pecados,
imoralidades, de nossas doutrinas do demônio?
"Não é tempo de todos nós santifícarmos nosso
casamento , viver em alegria e felicidade , criar nossa
família em retidão?
O s votos especiais faziam parte d a lei mosaica. Naquela
época, era permitido a um homem ou mulher dedicar uma
pessoa ao Senhor; exemplos disso , foram a filha de Jefté e
o menino Samuel (veja Juízes 1 1 : 30-3 1 ; I Samuel 1 : 1 1 ) .
Neste capítulo, o Senhor estava afirmando que, quando
uma pessoa fazia esse voto , os envolvidos deveriam ser
considerados como propriedade do Senhor , e não
poderiam ser levados por ninguém . O indivíduo também
poderia entregar como voto (isto é, dedicar ao Senhor) sua
propriedade pessoal . Estas leis indicavam a maneira de se
fazer tais votos.
(16-18) Levítico 27:32 "Tudo o que Passar Debaixo da
Vara"
"O significado deste versículo é bem esclarecido pelos
próprios rabinos : 'Quando um homem desse a Deus, o
dízimo de suas ovelhas ou vacas , deveria fechar todo o
rebanho em um só redil, onde houvesse uma porta
estreita, que permitisse a passagem de apenas um animal
de cada vez . O proprietário , ao entregar o dízimo ao
Senhor, permanecia à porta empunhando uma vara, cuja
ponta havia sido embebida em vermelho ou ocre rubro . As
mães das ovelhas ou vacas permaneciam fora. Quando a
porta fosse aberta, os filhotes corrériam para j untar-se a
elas , sendo, então , contados pelo dono ao passarem . O
décimo a passar, era tocado com a vara tingida, que o
marcava como o bezerro ou cordeiro do dízimo , e quer
fosse magro ou gordo , são ou com defeito , era recebido
como um dízimo legítimo . ' Provavelmente foi se referindo
a esse costume que o profeta Ezequiel declarou à antiga
Israel : 'E vos farei passar de.baixo da vara, e vos farei
entrar no vínculo do concerto '
sereis novamente
reclamados como propriedade do Senhor, e sereis em
todas as coisas consagrados ao seu serviço , marcados ou
separados através de providências e manifestações
especiais de sua bondade , para serem sua propriedade
particular. " (Clarke, Bible Commentary, Vol . I , p . 604.)
-
PONTOS A PONDERAR
(16-19) Faça agora uma pequena interrupção , leia Salmos
24: 3-5 e Levítico 26: 1 1 - 1 2, e em seguida, responda às
seguintes questões :
191
1 . O que o Senhor desejava para Israel?
2. Que atributos você precisa possuir a fim de desfrutar
de uma estreita associação pessoal com o Senhor?
Observe que duas dessas características são a limpeza e a
pureza. É importante a maneira como são usadas estas
duas palavras . Pureza conota a idéia de não contaminação
e consistência harmônica total . Todavia, essa pureza, por
si só, não implica em que tal indivíduo seja integralmente
bom . Por exemplo, há venenos que são
extraordinariamente puros . Portanto , é necessário
acrescentar a idéia de limpeza à de pureza. O termo limpo
indica o que é livre de impurezas ou de corrupção; ou no
sentido teológico , o que é livre de qualquer profanidade e
pecado.
Utilizando a lei como aio , o Senhor simbolicamente
enfatizou o importante papel desempenhado pela pureza e
limpeza . Considere os seguintes procedimentos à luz destes
conceitos : a criação de gado , o plantio de árvores , a
A Lei
semeadura, a confecção de roupas , a forma de adoração ,
o ato ele firmar um contrato, o noivado e o casamento .
Pode você compreender que as exigências de Deus
transff:rem a idéia da limpeza e pureza de um plano
meramente religioso para todos os aspectos da vida
cotidiana? Consegue ver como , desta forma, Deus está
ensinalí)do tanto à antiga como à moderna Israel que a
consist ência em todas as fases da vida é a chave pela qual
podemos desenvolver um relacionamento sólido e
duradouro com o Mestre?
(16-20} O ponto fundamental do livro de Levítico é o
mandamento "Amarás a teu pr6ximo como a ti mesmo "
(Levítico 1 9 : 1 8) . Para sermos mais exatos , esse preceito era
o coração da maior parte da lei mosaica .
Para ilustrar esse fato, leia os seguintes requisitos da lei
de Moisés e, em seguida, escreva no devido espaço , o
princípio do evangelho ensinado pela lei . Os primeiros dois
exemp:los j á estão feitos , como modelo .
o Princípio
1 . Êxodo 21 : 33-34; 22 :6
L
2 . Êxodo 23 :4-5
2.
3 . Levítico 1 9 : 1 3
3.
4. Levítico 1 9 : 1 5
4.
5 . Levítico 1 9 : 33-34
5.
6. Deuteronômio 1 9 : 1 6-20
6.
7 . Deuteronômio 22: 1 -3
7.
8 . Deuteronômio 22: 8
8.
9. Deuteronômio 23 :24-25
9.
1 0 . Deuteronômio 24:6, 1 0- 1 3
10.
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Seção Especial
o Problema dos
E
Grandes Números no
Velho Testamento
(E-I) Uma questão , que surge freqüentemente ao
estudarmos o Velho Testamento, é a que diz respeito à
exatidão dos números usados em seu texto, pois alguns
deles parecem elevados demais à luz dos fatos conhecidos .
Há ocasiões em que as escrituras mencionam números
significativamente diferentes com relação ao mesmo
acontecimento. (Por exemplo, I Crônicas 2 1 : 5 registra
que, no recenseamento feito por Davi, foi contado um
total de 1 . 570.000 homens em idade militar . Em
II Samuel 24:9, o total mencionado é de apenas
1 . 300.000.) Um outro fator a ser levado em corita é o de
que os números eram particularmente suscetíveis a erros de
tradução .
"Todavia, sem levantar qualquer controvérsia quanto à
exatidão do número original, a própria transmissão do
texto , através de contínuas cópias , feitas por milhares de
anos, por si só contribui grandemente para que haja uma
certa dúvida. Se considerarmos que os números na época
antiga eram representados por algarismos , então eles
poderiam ser alterados, suprimidos ou acrescentados com
maior facilidade que as palavras ; porém , como já tivemos
a oportunidade de ver, não encontramos , atualmente,
qualquer evidência que corrobore essa suposição .
Entretanto, mesmo quando os números são escritos por
extenso , as palavras do hebraico para os números são
facilmente confundíveis entre si. Assim como em
português 'três ' e 'treze' só diferem nas duas últimas
letras , também em hebraico, especialmente no estilo antigo
da escrita, a adição de apenas uma letra transformava
'três ' em 'trinta' , e etc . Além disso , ao copiar os numerais,
o escriba não seguia fielmente o contexto , como fazia no
que se refere às palavras . Era possível, ainda, que o escriba
tivesse seus próprios pontos de vista com relação à '
quantidade que os números pretendiam expressar, e que
tenha corrigido o que julgava estar erroneamente escrito . "
(Hastings , Dictionary of the Bible, p . 659.)
(E-2) Um Problema Acerca dos Números
Em vários lugares, o Velho Testamento registra
números que podem ser considerados astronômicos . A
suposição mais comum é a de que foram simplesmente
inventados, e que são uma prova de que a Bíblia não é
historicamente fidedigna. Mas quem criaria números
reconhecidamente absurdos? Alguma pessoa, de sã
consciência, inventaria uma história de uma colisão de
ônibus em que 1 6 .000 passageiros perderam a vida? O
mais provável é que estes números do Velho Testamento
foram fielmente copiados, apesar do fato de não
parecerem fazer sentido . Não podemos crer, com
segurança, que sej am fruto de mera invenção . A
explicação tem de ser outra. De fato , as pacientes
averiguações muito têm contribuído para se chegar a uma
solução para esse difícil problema. " (Alexander and
Alexander, Eerdmans ' Handbook to the Bible, p. 1 9 1 . )
(E-3) AI. Alteração dos N úmeros
"Há evidência de que o texto do Velho Testamento
está, em seu todo , maravilhosamente bem conservado.
Não resta dúvida, também , considerando os relatos
paralelos encontrados em Samuel, Reis e Crônicas , e
(especi almente) em Esdras 2 e Neemias 7, de que os
números eram particularmente difíceis 'de se transmitir de
maneira acurada. Temos alguns exemplos de zeros
adicionais que foram acrescentados a um determinado
número : II Samuel 10: 18 registra '700 carros ' , em
I Crônicas 1 9 : 1 8 se lê ' 7 .000 ' . Houve outros casos em que
foi suprimido um algárismo : II Reis 24: 8 afirma que
Joaquim estava com 18 anos quando começou a reinar, ao
passo que II Crônicas 39:9 diz que foi aos 8. Em outras,
um número é totalmente suprimido . . . Em Esdras 2 e
Neemias 7, os dígitos variam . Há muitos outros erros
feitos por copistas , alguns dos quais podem ser facilmente
explicados . " (Alexander and Alexander, Eerdmans '
Handbook to the Bib/e, p . 1 9 1 . )
(E-4) AI. Confusão Originada por Palavras Semelhantes
"Na Bíblia hebraica moderna todos os números são
registrados por extenso, mas durante muito tempo, o texto
bíblico foi escrito sem vogais . A falta delas tornou possível
confundir duas palavras que são de vital importância no
que concerne a este problema: 'e/ef e 'al/uf . Sem as vogais,
estes dois termos parecem idênticos : 'Ir. O vocábulo 'e/ef
geralmente significa 'mil ' , mas também pode ser usado em
muitos outros sentidos : por exemplo , ' família' (Juízes
6: 1 5 , Versão Revisada) ou 'clã' (Zacarias 9:7, 1 2 : 5 ,
6 Versão Revisada Padrão) o u talvez ainda, uma unidade
militar . O termo ' al/uf foi usado para indicar os
'prínci pes' de Edom (Gênesis 36: 1 5-43), provavelmente
referindo-se ao comandante de um batalhão militar
composto de 'mil' homens, e, com toda a certeza,
designando um soldado profissional completamente
armado . " (Alexander and Alexander, Eerdmans '
Handbook to the Bib/e, p . 1 9 1 .)
(E-S) Estatísticas Militares
"Havia épocas em que as batalhas eram conduzidas por
duas espécies de pelejadores - os Golias e os Davis - ou
seja, os primeiros eram soldados profissionais, usando
todas as armas de combate, e os segundos, um exército
constituído de homens do povo , cujas únicas armas se
resumiam naquelas usadas pelos rústicos pastores . Parece
óbvio que, em muitas passagens, a palavra usada para
indicar um soldado profissional tenha sido mal
interpretada, como se significasse 'mil' . Veja, por
exemplo , o ataque feito contra o pequeno povoado de
Gibeá, relatado em Juízes 20. O versículo 2 afirma que se
reuniram 400.000 soldados de infantaria 'que arrancavam
a espada' . Se, de fato, se tratasse de 400 soldados
194
completamente armados , a narrativa que se acha a seguir
seria mais lógica. As forças dos benjamitas (versículo 1 5)
consistiam de 26 homens portando espadas , e mais 700
deles trazendo apenas fundas . No primeiro ataque
(versículo 2 1 ) , os israelitas perderam 22 homens de sua
tropa de choque, no dia seguinte (versículo 25) outros 1 8 , e
no terceiro dia (versículos 29, 34) , foi feita uma
emboscada, composta ou encabeçada por 10 desses
soldados . (Será que 10.000 homens poderiam ficar à
espreita, sem serem notados?) As perdas então reiniciaram
(versículo 3 1 ) ' como das outras vezes ' - mas , neste caso,
elas foram mantidas em sua exata perspectiva, pois a
escritura afirma que 30 israelitas (que aparentement e não
eram homens armados com espada) , 25 soldados
benjamitas e mais 100 outros foram mortos. Dezoito deles
perderam a vida no primeiro ataque da emboscada, 5
posteriormente foram destruídos 'pelos caminhos ' , e mais
2 em Gideom . Os 600 atiradores de funda que restaram se
refugiaram na penha de Rimom . Da mesma forma, no
ataque contra Ai (Josué 7-8) , as verdadeiras proporções da
narrativa se tornam mais claras , quando nos
conscientizamos de que a desastrosa perda de 36 homens
se justifica pela ação de uma emboscada não de 30.000
homens valorosos , mas de apenas 30.
" O banquete preparado por Davi em Hebrom ,
mencionado em I Crônicas 1 2 dá a idéia de que esteve
presente um número' extraordinário de convidados, não
homens comuns, mas os mais eminentes líderes - cerca de
340.800 deles . Neste caso, é bem provável que, de fato,
entre eles se achassem 'capitães de milhares ' e 'capitães de
centenas ' , e que por metonímia ou abreviação , a palavra
'mil' tenha sido usada no lugar-.de 'capitães de milhares ' e
'centenas ' , por 'capitães de centenas ! ' Portanto, os
vocábulos 'mil' e 'cem' foram tratados como numerais e
somados juntos. Se colocarmos esses algarismos na devida
ordem , teremos um total de apenas 2.000 'homens
valentes ' , algo que parece bem mais razoável.
"Vistos através desta perspectiva, os problemas
numéricos da última história se encaixam em seu devido
lugar . Em I Reis 20: 27-30, o pequeno exército israelita
matou 100 (e não 100.(00) soldados de infantaria, e o
muro de Afeque tirou a vida de mais 27 pessoas (e não de
27 .(00) ao tombar . A invasão etíope mencionada em
II Crônicas 1 4 : 9 tinha mil guerreiros, e não 1 milhão.
Apenas 1 0 pessoas (e não 10.(00) foram lançadas do alto
da rocha (II Crônicas 25 : 1 2) . " (Alexander and Alex ander,
Eerdmans, Handbook to the Bible, pp. 1 9 1 -92.)
(E-6) O Tamanho da População de Israel
"A questão mais interessante, mais complexa (do ponto
de vista histórico) , e mais importante, é a que diz re speito
ao tamanho da população de Israel nos diversos estágios
de sua história . Os textos atuais indicam que as 70 almas
nos dias de José se multiplicaram chegando a ser dois ou
três milhões por ocasião -de Êxodo (Números 1 ) , e pelo
menos cinco milhões na época de Davi (II Samuel 24:9;
I Crônicas 2 1 :5). Com referência a estes últimos dados, R .
de Vaux afirmou o seguinte: '(II Samuel) alista que havia
em Israel 800.000 homens aptos para o serviço militar, e
500.000 em Judá . . . O pequeno total registrado em
II Samuel ainda é extraordinariamente elevado : o fato de
haver 1 . 300.000 homens em idade militar, implicaria na
existência de uma população de pelo menos cinco milhões
de habitantes, o que, para a Palestina, significaria ter mais
habitantes por quilômetro quadrado que os países
mais
.
densamente povoados da Europa de hoje.
"A solução para o problema dos números mencionados
em Êxodo é uma longa história. Basta afirmar que temos
boas razões para crer que, o recenseamento original que se
acha em Números 1 e 26, registra o número de pessoas de
cada tribo da seguinte forma: Simeão : 57 homens
armados ; 23 'centenas ' (unidades militares) .
Estes dados foram escritos da seguinte maneira: 57 'If, 2
'If 3 'centenas ' .
"Sem notar que 'If em um caso significava 'homem
armado ' e no outro , 'mil ' , ajuntou-se tudo , passando a ser
lido com 59. 300. Se examinarmos esses números com
bastante cuidado , acaba surgindo um quadro bastante
claro de toda a organização militar . O total das forças de
combate passa a ser de aproximadamente 1 8 . 000 homens ,
o que provavelmente quer dizer que havia a quantia de
72.000 pessoas para toda a migração .
"A quantidade imputada aos levitas tem toda a
característica de haver adquirido um zero extra. O mistério
da Atlântida de Platão foi resolvido reconhecendo-se essa
mesma confusão numérica. Platão obteve de sacerdotes
egípcios o que passou a ser um relato detalhado da
civilização minoana e seu súbito fim . Porém , quando os
números dados foram multiplicados por um fator decimal,
a área resultante era grande demais para caber no Mar
Mediterrâneo; portanto , ele a colocou no Atlântico, e a
data foi transferida a uma antigüidade remota, milhares de
anos antes de sua época real. Idêntica multiplicação por
fator decimal se acha no total de levitas registrados no
livro de Números. Eliminando-se esse problema, a trib o de
Levi passa a ser uma tribo de tamanho normal com cerca
de 2.200 homens. Esta cifra vai de encontro a outras
indicações sobre população relativas ao período da
conquista e ao dos juízes . " (Alexander and Alexander,
Eerdmans ' Handbook to the Bible, p. 1 92.)
(E-7) O Recenseamento de Davi
"A discrepância existente entre as duas cifras do
recenseamento de Davi pode ser compreendida ao
reconhecer-se nos diferentes estágios de transmissão,
primeiro , a adição de zeros, e em seguida, os equívocos
com relação ao 'If. Se considerarmos como certos os
números originais, ou seja, que Israel tinha 80.000 mais 30
'If, e Judá: 40.000 mais 70 'If, os textos de Samuel e
Crônicas que ora conhecemos poderiam ser lidos da
seguinte maneira:
CRÔ NICAS
Estágio
1
2
3
Israel
80.000 mais 30 'If
800.000 mais 300 'If
1 . 1 00.000
Judá
40.000 mais 70 'If
400.000 mais 70 'If
470.000
Israel
80.000 mais 30 'If
800.000 mais 30 'If
Judá
40.000 mais 70 'If
470.000
SAMUEL
Estágio
1
2
Neste estágio o copista com certeza ficou perplexo com
os 30 'If flutuantes, que julgou serem 30.000 . Ele
errôneamente combinou-os com o número referente a
Judá, produzindo então :
3
800.000
500.000
195
Se os números originais indicassem um total de 1 20. 000
homens em idade militar, junto com 1 00 soldados
'profissionais, toda a população seria de aproximadamente
meio milhão de pessoas , um total que novamente se
enquadra muito bem com outras informações contidas no
texto .
"Utilizando-se estes m"étodos, podemos resolver uma
grande parte dos problemas numéricos conhecidos . "
(Alexander and Alexander, Eerdmans ' Handbook to the
Rible, p. 1 92.)
(E-8) Conclusão
Os estudiosos da Bíblia não estão sugerindo com isto
9ue todos os números do Velho Testamento sejam
mexatos , nem que o mesmo acontece a todos os grandes
números. Joseph Smith afirmou : "Cremos ser a Bíblia a
palavra de Deus , o quanto seja correta sua tradução "
(Oitava Regra de Fé) . Devemos considerar, ainda, que os
erros de transmissão alteraram o texto, até um certo
ponto . Portanto, não deve surpreender-nos o fato de que
os erros de tradução e problemas causados pelos copistas
possam ter alterado alguns dos números encontrados no
texto do Velho Testamento .
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Números 1-12
As Peregrinações no
Deserto, Parte 1
(17-1) Introdução
o título do livro de Números na versão do Rei Tiago
provém da Vulgata em latim, que o chama de Numeri
("Números"), mais por descrever o recenseamento
registrado nos três primeiros capítulos do livro, do que
pelo seu conteúdo geral. Portanto , Números é,
estritamente, o nome dado pelos cristãos a esta parte da
Torá, os primeiros cinco livros de Moisés .
Os hebreus procuravam encontrar um título para cada
livro da Bíblia nas primeiras palavras de seus respectivos
textos . Assim sendo, os judeus deram a ele o título de
Vayedaber ("E ele falou"), que é a primeira palavra
hebraica do livro, ou ainda, o que era mais comum,
Bemidbar ("No Deserto "), que é a quinta palavra do
primeiro versÍCulo.
Esta parte da obra de Moisés registra as migrações dos
filhos de Israel, do Monte Sinai ao Monte Pisgá, situado a
leste do rio Jordão , de onde se descortinava a terra
prometida. O livro contém ainda um relato da contagem
de Israel, dos preparativos levíticos para a mudança do
tabernáculo, da explicação do motivo de Israel haver sido
amaldiçoada com quarenta anos de peregrinação no
deserto, do segundo recenseamento de Israel, feito depois
que todas as pessoas com idade superior a vinte anos por
ocasião do Êxodo haviam morrido , da escolha de Josué
para conduzir Israel, e da descrição de algumas terras
dadas por herança às diversas tribos.
O livro não contém grande número de pronunciamentos
doutrinários , mas nos fornece a necessária compreensão
quanto a eventos históricos importantes concernentes à
família de Jacó . Algumas das implicações doutrinárias
desses eventos históricos são de grande valor para nós .
Esteja atento aos acontecimentos principais e preparativos
especificos feitos por Israel a fim de se tornarem aptos a
receber a recompensa que lhes fora prometida.
Instruções aos Alunos
1 . Ao ler e estudar Números 1 - 12, utilize o auxílio
que Notas e Comentários podem-lhes oferecer.
2. Complete a seção de Pontos a Ponderar,
conforme as orientações que lhe forem fornecidas pelo
professor. (Os alunos que estudam individualmente
devem completar toda a seção .)
NOTAS E COMENTÁRIOS
SOBRE NÚMEROS 1-12
(17-2) Números 1 : 1-46. Quantas Pessoas Moisés Conduziu
Através do Deserto?
O primeiro recenseamento de Israel, feito após o Êxodo ,
afirma que havia 603 . 550 homens acima de vinte anos, que
podiam sair à guerra (veja o verso 3). Esse número não
incluía nenhum membro da tribo de Levi (veja o verso 47) ,
constituída de 22.000 pessoas (veja Números 3 : 39) . Esse
total também excluía todas as mulheres, homens idosos ,
rapazes abaixo de vinte anos de idade, e homens incapazes
17
de pegar em armas . Este registro levou alguns eruditos a
avaliar o número total dos filhos de Israel para uma cifra
acima de dois milhões de almas . Outros, ainda, acreditam
ter havido erros textuais na transmissão dos números
através dos séculos, e que o total dos israelitas deveria ser
algo mais próximo de meio milhão (veja a Seção Especial
E, "O Problema dos Grandes Números no Velho
Testanlento "). Seja qual for a suposição correta, a tarefa
que Moisés teve diante de si foi deveras assombrosa. Já
havia sido dificil guiar até mesmo quinhentos mil israelitas
atravé�; de um deserto árido e hostil, procurar satisfazer­
-lhes a fome e a sede, suprir suas necessidades de proteção
e abrigo contra os elementos e ao mesmo tempo, fazer
com que alcançassem um elevado nível de maturidade
espiritual e obediência - não é pois de admirar que
Moisés tenha dito ao Senhor, "Eu só não posso levar a
todo e�;te povo, porque muito pesado é para mim"
(Números 1 1 : 1 4) .
(17-3) Números 1:32-35
A b1:nção de Efraim foi aqui cumprida, ao possuir ele
um número muito maior de filhos aptos a pegar em armas
que seu irmão mais velho, Manassés (veja Gênesis
48: 1 9-20) .
(17-4) Números 1:47-54
Os h omens que pertenciam ao Sacerdócio Levítico
receberam a designação especial de cuidar da casa do
Senhor: de nela oficiarem em favor dos filhos de Israel, e
de armar e desarmar a tenda do tabernáculo em ocasiões
de mudança. Eles eram os protetores do lugar sagrado;
portan to, suas tendas circundavam o santuário .
(17-5) Números 2. Por Que Havia uma Ordem Específica
para Marchar e Acampar?
A casa de Deus é uma casa de ordem (vej a D&C 1 32 : 8) .
O acampamento d e Israel era uma representação simbólica
desse fato . A ordem era mantida tanto ao estabelecer o
acampamento como ao colocá-lo em marcha.
As tribos eram dispostas em quatro grupos de três . Na
parte o riental do acampamento, e à frente da coluna de
marcha eram colocados Issacar e Zebulom, tendo Judá à
cabeça. No setor sul, em segunda posição, seguiam Simeão
e Gade , sob a liderança de Rúben . No meio ficavam os
levitas . A oeste, e em quarta posição na linha de marcha,
estavam Manassés e Benjamim, encabeçados por Efraim.
Ao nOIte e na retaguarda ficavam Aser e Naftali, com Dã
à frentt! .
Os lugares d e honra, à cabeça das hostes e
imediatamente após o tabernáculo, eram ocupados por
Judá e Efraim respectivamente. Judá acampava
diretamente a leste da porta do tabernáculo .
(17-6) Números 3
Os levitas não eram contados entre as outras tribos de
Israel, em virtude da mordomia divina de agir em lugar do
filho primogênito (veja os verso 1 2- 1 3) . José, entretanto, já
recebera uma dupla porção da herança, e tanto Efraim
198
como Manassés haviam-se tornado tribos completas e
independentes (veja Gênesis 48 :22) . Havia sido feita uma
distinção também entre os filhos de Aarão e os demais
levitas (veja os verso 2, 8-10; Leitura 1 7- 1 5) . Os
descendentes de Aarão foram designados a servir corno
sacerdotes, e a eles foi concedida a mordomia de pre:;idir
nas ordenanças do tabernáculo. Os demais levitas
ajudavam na manutenção do tabernáculo e seus serviços,
mas não lhes era permitido realizar as ordenanças de
sacrificio, queimar incenso, e assim por diante. Embora
todos os levitas acampassem ao redor do tabernáculo,
Aarão e seus filhos, juntamente com Moisés, ocupavam
uma posição privilegiada diretamente em frente á pOlta do
tabernáculo (veja o verso 38).
(17-7) Números 3:51. Por Que os Levitas Extras Fomm
Redimidos Com Dinheiro?
O número total de levitas em serviço religioso era
aproximadamente o mesmo que o número de primogênitos
entre os filhos de Israel. Os 273 primogênitos excedentes,
que não foram redimidos homem por homem atravé:; de
um substituto levita, foram redimidos por uma oferta de
cinco sidos cada um. O Presidente John Taylor explicou
por que foi exigido tal procedimento:
"Os primogênitos dos egípcios, para os quais não fora
oferecido um cordeiro como sinal de propiciação, foram
destruídos. Foi somente através da propiciação e exp:iação
que os israelitas puderam ser salvos, pois sob aquelas
circunstâncias, teriam perecido com os egípcios, que
haviam sido condenados, não fosse pela esperada expiação
e propiciação de Cristo, das quais esta era um simbolo.
"Em virtude disso, o Senhor reivindicou aqueles que
havia salvo, como legitimamente seus, e exigiu que lhe
prestassem serviço . . . Ele aceitou a tribo de Levi em lugar
de todos os primogênitos de Israel; e como havia mais
primogênitos que levitas, o saldo teria que ser redimido
com dinheiro, o qual foi dado a Aarão, o grande sumo
sacerdote e representante do Sacerdócio Aarônico,
também ele um levita. (Veja Números 3 : 50-5 1 .)"
(Mediation A nd A tonement, p . 1 08.)
(17-8) Números 4: 1-49. Qual a importância dos Filhos de
Coate?
O capítulo 4 de Números explica os deveres e
responsabilidades dos ramos da tribo de Levi com relação
ao tabernáculo. Moisés e Aarão eram filhos de Anrão ,
neto de Levi através de Coate (veja Números 3 : 1 9; t;:xodo
6 : 1 8 , 20) . Aarão e seus filhos eram ordenados ao
sacerdócio, e os outros filhos de Levi foram-lhes dados
para que os ajudassem nas mudanças e funções do
tabernáculo (veja Números 3 : 5 - 1 3) .
Coate parece ter sido o segundo filho de Levi (veja
Números 3 : 1 7) , mas provavelmente foi mencionado f:m
primeiro lugar por causa de seus netos Moisés e AarãD, e
também porque seus descendentes masculinos eram a s
portadores d o sagrado mobiliário d o tabernáculo .
Os filhos de Levi iniciavam o seu ministério no
tabernáculo aos trinta anos, a mesma idade que tinha. o
Salvador quando iniciou o seu ministério terreno (vej a
Números 4 : 3 , 23 , 30; Lucas 3 : 22-23) .
(17-9) Números 5: 1-4. A Separação dos Imundos do
Acampamento
Não era permitido aos portadores de lepra ou feridas
supuradas marcharem ou acamparem junto aos demais
membros de Israel (veja o vers o 2) . Ser colocado fora do
acampamento implicava somente numa separação do
corpo principal dos israelitas, não na total rejeição ou
abandono . Um renomado estudioso da Bíblia explicou
por que tal isolamento era requerido .
" A expulsão aqui mencionada tinha por base as
seguintes razões: 1 . Uma de naturezaf(sica, ou seja, as
enfermidades eram contagiosas, e portanto, se tornava
necessário separar os enfermos dos demais, para que a
infecção não se propagasse. 2. Havia também uma razão
espiritual, pois o acampamento era a morada de Deus, e
não seria permitido que algo impuro permanecesse onde
ele estivesse. " (Clarke, Bible Commentary, Vol. 1 , p. 63 1 .)
(17-10) Números 5: 11-31. O Julgamento do Ciúme
Esta lei, que servia para determinar a culpa ou inocência
quanto a um adultério é intrigante em muitos aspectos.
Em primeiro lugar, parece estar voltada severamente
contra a mulher, pois não há um requisito similar no que
se refere ao homem. Um exame mais próximo
demonstrará o que estava envolvido nesta lei, e por que o
Senhor a revelou.
"Os rabinos que comentaram a respeito deste texto nos
deram a seguinte informação: Quando qualquer homem,
movido pelo espírito de ciúme, suspeitava que sua mulher
havia cometido adultério, ele a apresentava primeiramente
aos juízes, e a acusava da transgressão; porém, se a vítima
alegasse inocência, e se recusasse a reconhecer a culpa,
como ele não tivesse provas a apresentar, requeria que ela
fosse sentenciada a beber a água amarga, uma penalidade
indicada pela lei, para que Deus, através deste processo,
pudesse pôr a descoberto o que ela pretendia ocultar.
Depois de ouvirem a acusação e a negação da culpa, os
juízes ordenavam que o homem e a mulher se dirigissem a
Jerusalém e se apresentassem diante do Sinédrio, a única
instância com poderes para julgar tais questões. Os
rabinos afirmam que os juízes do Sinédrio primeiramente
proferiam as mais terríveis ameaças, procurando
confundir a mulher e fazer com que confessasse seu crime;
se ela ainda continuasse a se dizer inocente, era levada à
porta oriental da corte de Israel, onde era despida de suas
roupas e vestida de negro diante de algumas pessoas de seu
próprio sexo. O sacerdote então lhe dizia que se de fato se
julgasse inocente, nada tinha a temer; todavia, se fosse
culpada, teria que sofrer tudo o que a lei estabelecia; ao
que ela respondia A mém, amém.
"Em seguida o sacerdote escrevia as palavras da lei num
pedaço de pergaminho, com tinta isenta de vitríolo, para
que pudesse ser apagada com facilidade. Estas eram as
palavras escritas, segundo a informação dos rabinos:­
" ' Se ninguém contigo se deitou, e se não te apartaste de
teu marido pela imundícia, destas águas amargas,
amaldiçoantes, serás livre. Mas, se te apartaste de teu
marido, e te contaminaste, e algum homem, fora de teu
marido, se deitou contigo, o Senhor te ponha por
maldição e por conjuração no meio do teu povo, fazendo­
-te o Senhor descair a coxa e inchar o ventre. E esta água
amaldiçoante entre nas tuas entranhas para te fazer inchar
o ventre, e te fazer descair a coxa. '
"Depois disto, o sacerdote enchia um vaso de barro
com a água da bacia de bronze que se encontrava perto do
altar de holocaustos, lançava dentro dela um pouco de pó
apanhado do chão do templo, misturava algo amargo,
como o absinto, e, tendo lido para a mulher as maldições
acima mencionadas, e recebido um A mém como resposta,
ele apagava as maldições do pergaminho dentro do vaso de
água. Enquanto ela assim procedia, outro sacerdote
rasgava as roupas da mulher até a altura do peito,
descobria-lhe a cabeça, desalinhava-lhe os cabelos,
199
amarrava-lhe as roupas rasgadas com um cinto abaixo dos
seios, e a apresentava com a décima parte de um efa (cerca
de dois litros) de farinha de cevada, que se achava numa
frigideira, sem óleo ou incenso.
"O outro sacerdote, que havia preparado as águas do
ciúme, a entregava então à acusada para que bebesse, e
assim que ela a ingeria, ele colocava a frigideira com
farinha em suas mãos. A oferta era movida perante o
Senhor, e parte dela lançada no fogo do altar. Se a mulher
era inocente, retornava com seu marido, e as águas, ao
invés de lhe causarem qualquer mal, a tornariam mais
saudável e fértil que nunca. Se, pelo contrário, fosse
culpada de tal crime, imediatamente empalidecia, seus
olhos se esbugalhavam e, para que o templo não fosse
contaminado com sua morte, era levada para fora dele,
onde morria instantaneamente, vítima de todas as
ignominiosas circunstâncias mencionadas na maldição . "
(Clarke, Bible Commentary, Vol. 1 , p . 634.)
Devemos notar vários fatos importantes :
1 . Embora este ritual fosse centralizado n o erro
cometido pela mulher, ele de forma alguma indica que os
homens culpados de adultério eram escusados de suas
penalidades, pois a lei claramente afirmava que os
adúlteros de ambos os sexos deviam ser apedrejados (veja
Levítico 20: 1 0) .
2. D e certa forma, a lei concedia duas espécies de
proteção à mulher. Primeiramente, sem esta lei, seria
possível a um marido acusar injustamente sua esposa de
lhe ter sido infiel. Se sua palavra fosse suficiente para
condená-la, ela se encontraria, de fato, numa terrível
situação. O fato de colocar a determinação da culpa ou
inocência nas mãos de Deus, em vez de nas mãos de seu
marido ou qualquer outro homem, lhe assegurava o
direito de defender sua causa, caso fosse inocente.
O segundo beneficio é mais suti!, mas provavelmente de
maior valor que o primeiro . Se um marido suspeitasse que
sua esposa cometera adultério, um dos resultados seria a
profunda tensão que surgiria no relacionamento do casal.
No sistema legal moderno, não havendo testemunhas para
provar a culpa, um tribunal provavelmente a consideraria
inocente. Todavia, a sua absolvição seria baseada na falta
de uma evidência positiva de culpa, e não numa prova de
inocência. Essa declaração legal, entretanto, pouco
contribuiria no sentido de aliviar as dúvidas do marido, e a
desavença continuaria a existir. Os amigos e vizinhos
provavelmente também continuariam a abrigar suspeitas
sobre sua inocência. Com o julgamento por ciúme,
entretanto, a prova dramática de sua inocência, declarada
por Deus, seria irrefutável. Desse modo, a reputação da
mulher e o relacionamento conjugal eram salvos. Eram
ainda asseguradas a verdadeira justiça e misericórdia, e
todo o problema era resolvido.
3. Aqueles que perguntam por que não havia um teste
semelhante que a mulher pudesse impor ao marido,
devem-se lembrar de que, se a acusada se recusasse a
submeter-se à prova, não bebendo da água, seu gesto era
considerado uma confissão de culpa. Assim ela e o
amante, com quem praticara o adultério, eram
condenados à morte (veja Levítico 20: 1 0) . Se a mulher
tentasse mentir e passar pelo teste, e trouxesse sobre si
aquelas maldições, este resultado também era considerado
como prova da culpa de seu companheiro . É possível que
a esposa que suspeitasse ser seu marido culpado de
infidelidade pudesse pedir que a suposta companheira dele
se submetesse ao julgamento por ciúme. O resultado
comprovaria imediatamente a culpa ou inocência do
marido e da outra mulher.
4. ASHim, em um mundo em que geralmente se abusava
dos direitos da mulher, o Senhor proporcionava os meios
necessários para protegê-los, e ao mesmo tempo, fazer
com que o mal fosse erradicado e a justiça cumprida.
(17-11) l'lúmeros 6:1-21. O que Era um Nazireu?
Um nazireu era um homem ou mulher que
voluntariamente fazia o voto de dedicar sua vida ao
serviço do Senhor, ou de viver consagrado a ele. Ser um
nazireu nada tinha a ver com o fato de ser natural da
cidade de Nazaré.
Um nazireu fazia três votos: de abster-se completamente
de vinho ou bebidas fortes, inclusive quaisquer produtos
provenil!ntes da vinha sob qualquer forma (veja Números
6: 3-4); de não permitir que navalha tocasse sua cabeça,
mas qm: deixaria seu cabelo crescer naturalmente, como
uma coroa para Deus (veja Números 6:5); de não se
achegar ao corpo de um morto, mesmo que fosse membro
de sua própria família (veja Números 6:6) . Sua vida e
todos 01. seus esforços eram expressos e completamente
dedicadDs ao Senhor. Essa vida de consagração parecia-se
com a vida do sumo sacerdote (veja Levítico 2 1 : 1 0- 1 2) .
Entre aqueles que possivelmente fizeram tais votos, ou
cujos pais os assumiram em seu nome, encontramos
Sansão {veja Juízes 1 3 :5), Samuel (veja I Samuel 1 : 1 1 , 28),
e João Batista (veja Lucas 1 : 1 5) . Em alguns casos, estes
votos eram para a vida toda, mas mais freqüentemente
eram feitos por um tempo determinado, depois do qual, a
pessoa voltava à vida normal. (Dois exemplos encontrados
no Novo Testamento que parecem relacionar-se a esse
voto se acham registrados em Atos 1 8 : 1 8 - 1 9 e 2 1 :23-26.)
(17-12) Números 7
A palavra prfncipe no hebraico significa "um líder ou
governante da tribo" . Para um debate sobre os utensílios
do tabernáculo, veja as Leituras de 1 3-7 a 1 3 - 1 2 . Para saber
o valor de um siclo, examine a tabela de pesos e medidas
na seção de Mapas e Gráficos.
o santuário, ou lugar santo
200
(17-13) Números 8:1-4. O que significa " . . . defronte do
candeeiro alumiarão as sete lâmpadas"?
(17-18) Números 9: 15-23. Qual o Significado da Nuvem
Sobre o Tabernáculo?
No hebraico, isto significa que quando as lâmpadas
estavam acesas, sua luz iluminava tudo o que se
encontrava no lado oposto do aposento ("defronte do
candeeiro") (vers. 2) . Neste caso, a mesa do pão da
proposição se achava no lado oposto da lâmpada.
Esta declaração é a mais compreensível na lei do Senhor
acerca da movimentação do acampamento de Israel. Visto
que a nuvem de fumaça e fogo era um sinal visível da
presença de Deus, Israel aprendeu a literalmente seguir ao
Senhor. Eles acampavam, desfaziam o acampamento,
viajavam e prestavam seus serviços sob as ordens do
Senhor - em hebraico se lê "segundo o dito de Jeová"
(compare com o vers o 1 8) . Foram, de fato, ensinados a
seguir a Jeová, que sempre dirigiu sua igreja e reino; no
entanto, muitos israelitas não transferiram o significado
desta milagrosa demonstração fisica a seu corolário
espiritual mais importante.
(17-14) Números 8:5-22
Os levitas iniciavam seu serviço no tabernáculo
exatamente como um bebê vem ao mundo - limpos e
puros (veja os verso 6-7) . Além disso, os filhos de Israel
impunham as mãos sobre o sacerdote (veja o verso 10), que
era, então, ordenado ao seu serviço. Quando um israelita
trazia uma oferta ao tabernáculo, antes de oferecê-la. em
sacrificio, impunha as mãos sobre o animal e
simbolicamente transferia sua identidade para ele (veda a
Leitura 14-5). O fato de o povo de Israel impor as m. ãos
sobre o sacerdote sugere que este tomava sobre si a
identidade deles, isto é, que ele se tornava seu
representante perante o Senhor.
(17-15) Números 8:19. Qual É a Distinção Entre o
Sacerdócio Aarônico e o Levítico?
(17-19) Números 10: 1-10
As trombetas de prata batida 'ou martelada eram usadas
em sete ocasiões especiais: para fazer uma convocação .
geral, reunir os príncipes ou líderes tribais, dar o sinal para
levantar o acampamento, dar sinal de alarme para a
guerra, anunciar os dias de comemoração e regozijo ,
anunciar o s dias d e festividades solenes, e proclamar o
início das ofertas e sacrificios ao princípio de cada mês.
Era evidentemente essencial haver um instrumento de
longo alcance que pudesse fazer com que tão grande
multidão se pusesse em movimento.
"O Sacerdócio Aarônico é dividido em A arônico e
Levftico, sendo, no entanto, um só sacerdócio . É mera
questão de designação de determinados deveres dentro do
sacerdócio. Os filhos de Aarão, que presidiam na ordem
aarônica, eram tidos como portadores do Sacerdócio
A arônico; e os filhos de Levi, que não eram filhos d(!
Aarão, eram chamados de levitas. Eles eram portadores do
Sacerdócio A arônico, mas serviam sob a direção dos filhos
de Aarão, isto é, numa capacidade menor. " (Doutrinas de
Salvação, Vol. III, p . 87 .)
Os coatitas eram levitas da mesma família que Moisés e
Aarão, sendo Coate seu avô, e filho de Levi (veja
Números 4: 1 5 , 1 8 ; �xodo 6: 1 8 , 20) . Eles eram os únicos
membros da tribo de Levi cuja bagagem (a mobília do
tabernáculo) era tão importante, que se requeria que a
carregassem nas mãos (veja Números 7 : 9) .
(17-16) Números 8:23-26. Qual Era a Mordomia dos
Levítas?
(17-21) Números 10:29-32. Quem Era Hobabe, e Por Que
Moisés Lhe Disse, "De Olhos nos Servirás" ?
O capítulo 4 de Números fala a respeito do papel
singular que os levitas desempenhavam no transport(! do
tabernáculo, e estes versículos do capítulo 8 se referem à
mordomia e serviço que nele prestavam. Considerando
que os levitas haviam sido consignados a Aarão e seus
filhos para ajudá-los na administração das sagradas
ordenanças, eles tinham a incumbência de armar e
desarmar o tabernáculo, limpá-lo, carregar lenha e água, e
matar os animais que seriam usados por seus irmãos ao
oferecerem estes sacrificios. A eles era permitido inic'iar a
prestação de seus serviços cinco anos antes que os
encarregados de transportar o tabernáculo . (Compare com
Números 8 : 24; 4 : 3 . )
Após os cinqüenta anos, os levitas "com seus irmãos
servirão" , ou seja, com Aarão e seus filhos, cuidando do
mobiliário do tabernáculo (Números 8 : 25-26; veja também
3 : 7-9). Este serviço voluntário era o coroamento de s,eus
anos avançados.
Reuel (veja �xodo 2 : 1 8) era Jetro, sogro d e Moisés .
"Hobabe, cunhado de Moisés, foi persuadido, embora
inicialmente relutasse a acompanhar os filhos de Israel e a
lhes "servir de olhos" ou guia. Embora Jeová fornecesse
as orientações gerais, Hobabe conhecia bem a região, e
poderia ajudar a descobrir as trilhas específicas, lugares
para acampamento , etc. Que sua família acompanhou o
êxodo, e recebeu uma herança na terra de Israel, é
evidenciado em Juízes 1 : 1 6 e 4: 1 1 ; também I Samuel 1 5 :6,
II Reis, 10: 15; I Crônicas 2:55; e mais tarde em Jeremias
3 5 , onde este profeta cita seu povo como exemplo de
integridade. " (Rasmussen, Introduction to the Old
Testament, Vol. 1 , p . 1 1 5 . )
(17-17) Números 9:1-14
O conceito mais importante ensinado pela festa da
Páscoa era o de que, através de uma cerimônia precü:a,
Israel possuía um protótipo e um simbolo do Filho
Unigênito de Deus, cujo sangue salvaria o homem
espiritualmente, assim como o sangue em suas portas no
Egito os salvara fisicamente. (Examine novamente as
Leituras 1 0- 1 e 1 0-6.)
(17·20) Números 10:21
(17-22) Números 11:16-17, 24-29. Que Dom Especial Foi
Dado aos Setenta?
"Atendendo ao pedido de Moisés para que tivesse
ajuda, setenta Q.omens foram escolhidos e investidos com
o 'espírito que está sobre (ele)' (isto é, sobre Moisés,
significando que receberam um pouco da mesma
autoridade e dons espirituais) para que pudessem estar
aptos a também 'profetizar' . Quando algumas pessoas
reclamaram que dois dos homens que não haviam estado
presentes à cerimônia de posse estavam profetizando no
arraial, Moisés respondeu com o seu desejo, 'Oxalá que
todo o povo do Senhor fosse profeta, que o Senhor lhes
desse o seu espírito ! ' E recusou-se a proibi-los de
profetizar.
201
("Observe que vivemos numa dispensação em que todos
os membros da congregação do Senhor podem ter o dom
da profecia, e muitos outros, porque todos foram
batizados e receberam o ' Dom do Espírito Santo' . No
entanto é que muitos de nós não utilizamos esse dom.)
"Para maiores informações sobre esses dons espirituais
na época de Paulo , vej a I Coríntios 1 2:4- 1 0 . " (Rasmussen ,
Introduction to the Old Testament, Vol . 1 , p. 1 1 5 . )
Neste material s e encontra outra evidência d a grandeza
de Moisés . Alguns líderes se sentiriam ameaçados se seus
subordinados demonstrassem possuir dons e habilidades
semelhantes aos deles, temendo perder seus privilégios e
posição . O mesmo não acontecia a Moisés . Respondendo
à reclamação de Josué, Moisés perguntou , 'Tens tu ciúmes
por mim? ' (Números 1 1 : 29.) Tanto não se sentia
ameaçado por esta partilha de seu poder espiritual, como
ainda expressou o desej o de que todo israelita pudesse
desfrutar do mesmo com ele .
(17-23) Números 11: 19-20, 31-35
Quando Deus enviou as codornizes, atendendo ao
anseio de Israel de provar outra coisa que não fosse o
maná, o povo se tornou guloso . O que conseguira pegar o
menor número de pássaros, reuniu o equivalente a cem
alqueires, uma quantidade muito além da necessidade
normal . A ganância de possuir mais do que poderiam usar
fez com que um justo castigo sobreviesse ao povo . Não
sabemos quantos foram mortos pela praga, mas o lugar
foi chamado de "Sepulcros da Concupiscência, ou
Sepulcros da Cobiça" . (Veja o vers o 34.)
Codorniz do deserto
que efetuaram contra os etíopes, ele casou-se com uma
mulher daquela raça, para fazer uma aliança política e
terminar a guerra.
A razão ostensiva para as queixas de Miriã e Aarão era
a de que os etíopes eram os descendentes não israelitas de
Cuse . O motivo real da queixa, todavia, parece ter sido a
inveja que tinham da posição que Moisés ocupava como
líder espiritual e profeta de Israel .
"O crescimento de Moisés gerou a inveja no coração de
seu irmão e irmã, a quem Deus também havia ricamente
abenço ado e elevado a posições de destaque, pois Miriã
era considerada uma profetisa sobre todas as mulheres de
Israel, ao passo que Aarão havia galgado, com sua
investidura no sumo sacerdócio , o posto de cabeça
espiritual de toda a nação . Porém, o orgulho do ser
natural não se satisfazia com isso . Eles tinham que
disputélf com seu irmão Moisés , a preeminência de seu
chamado especial e posição exclusiva a qual j ulgavam ter o
direito de reclamar para si não somente como irmão e irmã
do proJeta, mas como os mais próximos sustentáculos de
seu cha!mado . Miriã foi a instigadora de uma rebelião
aberta, como podemos ver pelo fato de seu nome ser
citado antes do de Aarão, e do verbo ser empregado no
feminino . " * (Keil and Delitzsch , Commentary, 1 : 3 : 7 5 . )
Hojt: e m dia, os membros da Igreja caem e m idêntica
armadilha. Em virtude de o Senhor abençoá-los com os
dons do Espírito , j ulgam-se achar em posição superior ou
equivalente à da autoridade do sacerdócio que os preside .
Se não se humilharem e se submeterem aos servos de Deus
que foram chamados para presidir, logo se encaminharão
para a apostasia. Ainda que o Senhor satisfizesse o desej o
de Moisés , e concedesse que todo membro da casa de
Israel recebesse o dom da profecia (veja Números 1 1 :29) ,
Moisés ainda continuaria a ser o homem que Deus
escolhera para presidir. Uma pergunta que sempre
costum a surgir é: por que somente Miriã, e não Aarão, foi
castigada com a lepra, quando ambos haviam-se rebelado?
Há duas possíveis razões. Primeira, como afirmaram Keil
e Delitzsch, Miriã foi a instigadora da rebelião contra o
direito que Moisés tinha de presidir. Conseqüentemente,
seu pec ado era de natureza mais grave. Em segundo lugar,
o ato de Aarão procurar obter uma posição maior de
liderança no sacerdócio era uma demonstração de orgulho
e avidez por engrandecimento pessoal . Ele aspirava a uma
posição para a qual não fora chamado . Quando Miriã quis
a mesma coisa, ela não somente demonstrou orgulho,
como também tentou estabelecer uma ordem contrária ao
sistema de governo estabelecido por Deus . Desde o
princípio, os chamados no sacerdócio e o direito de
presidir foram concedidos aos homens . A intenção que
Miriã tinha de liderar num plano de igualdade com Moisés
representava uma séria ruptura no sistema de ordem
instituído por Deus.
(17-24) Números 12:1-11 . Por Que Miriã e Aarão se
Voltaram Contra Moisés?
De acordo com o historiador Flávio Josefo , na época
em que Moisés era general dos exércitos egípcios no ataque
• N T - N o texto e m hebraico o nome d e Miri ã , d e fato, precede o de
Aarão, e na mesma língua, os verbos são conjugados segundo número
gênero.
e
202
Miriã, uma profetisa rebelde.
PONTOS A PONDERAR
(17-25) Freqüentemente os professores do Velho
Testamento separam os capítulos 1 1 e 12 de Números,
tratando cada um deles como se fossem duas histórias
diferentes, quando na realidade podemos aprender uma
poderosa lição observando as relações que há entre des .
Responda às seguintes perguntas ao estudar novamente
estes dois capítulos .
1 . O que havia acontecido imediatamente antes da
reclamação sobre o alimento? (Veja Números 1 1 : 1 -3). O
que este incidente nos sugere acerca da má vontade que
Israel tinha de aprender com aquela experiência?
2. Quando os israelitas se queixaram da rotina de sua
dieta, de quem estavam realmente reclamando? (Veja
1 1 :20.)
3. Maná era o nome popular dado ao alimento enviado
por Deus, e provém de uma palavra hebraica que significa
"Que é isto? " (Veja Êxodo 1 6 : 1 5 , nota de roft apé a.) Que
nome o Senhor dera àquele alimento? (Veja Exodo 16:4.)
4. Que representação ou significado simbólico voc ê
pode ver no fato de Israel haver se cansado do alimento
que vinha dos céus, e demonstrado 'grande desej o '
(Números 1 1 :4) pela comida d o Egito? (Compare c o m
João 6: 30-3 5 , 5 1 .) Lembre-se d e que o Egito, como a
Babilônia, é um protótipo ou símbolo do mundo . (Veja
Apocalipse 1 1 : 8 .)
5 . O Senhor eventualmente concedeu a Israel o que
desejavam e forneceu-lhes carne de codornizes; mas , antes
de assim fazer, atendeu o pedido de Moisés relativo a
obter auxílio no peso da liderança. Ao invés de
simplesmente convocar auxílio adicional, que método o
Senhor escolheu para dividir as responsabilidades de
Moisés? (Veja 1 1 : 1 6- 1 7 , 24-25 . )
6. Foi concedido aos setenta anciãos d e Israel u m dos
dons do Espírito, o dom da profecia (veja D&C 46:22) . A
respeito de que teriam eles profetizado? (Veja Mosias
1 3 : 33-3 5 . )
7 . Leia d e novo, com bastante atenção, João 6 : 33-34,
47-5 1 . Consegue agora ver algo de significativo no fato de
que o Senhor enviou o dom de profecia aos israelitas que
estavam reclamando de que estavam cansados de comer
maná?
8. Observe a linguagem usada com referência ao ato de
se alimentar, em escrituras como 2 Néfi 9 : 5 1 ; 32:3; Isaías
40: 1 1 ; João 2 1 : 1 5 - 1 7 ; D&C 20:77. Quem verdadeiramente
se alimentou naquele dia, os israelitas que recolheram as
codornizes, ou os setenta que se banquetearam com os
frutos do Espírito? De que maneira estes eventos dão
maior significado ao apelo de Moisés , "Oxalá que todo o
povo do Senhor fosse profeta, que o Senhor lhes desse o
seu espírito ! " ? (Números 1 1 : 29.)
9 . Como eventualmente terminarão aqueles que
procurarem banquetear-se apenas com as coisas da carne
do mundo? (Veja Números 1 1 : 3 1 -34.)
1 0. Agora reflita sobre a rebeldia de Miriã e Aarão , no
contexto do que acabara de acontecer. Com toda a certeza
Aarão teria sido um dos setenta líderes do povo, escolhido
para receber o dom da profecia (veja 1 1 : 1 6) . Miriã
também possuía esse dom, o qual não lhe havia sido dado
nesta época, mas em uma ocasião anterior, pois ela era
considerada uma "profetisa" (Êxodo 1 5 : 20) . Há algum
risco de que uma pessoa que desfrute do maravilhoso
poder do dom da profecia venha a pensar que,
subitamente, se tornou igual em poder ao profeta, que é o
oficial presidente no sacerdócio? Por quê?
1 1 . Suponha que o Senhor houvesse atendido ao desejo
de Moisés (veja Números 1 1 :29) de que todo o povo de
Israel fosse profeta. Teria isto significado que Moisés já
não maís era o profeta ou oficial presidente do sacerdócio
em Israel?
1 2 . O pecado de Miriã não foi o de buscar ser igual a
Moisés em termos de dons espirituaís, mas sim, o de
procurar compartilhar com ele o chamado de oficial
presidente no sacerdócio . Que lição a moderna Israel pode
aprender através deste evento?
1 3 . Vimos em Levítico que a lepra era, em si e por si,
um protótipo (veja a Leitura 1 5-7) . Qual é, portanto, o
significado simbólico de Miriã ter sido castigada por haver
rejeitado a posição de liderança ocupada por Moisés? Que
relação tem este castigo com a advertência dada em
Doutrina e Convênios 1 : 14?
I� I!!
\
Números 13-36
18
As Peregrinações no
Deserto, Parte 2
(18-1) Introdução
No Velho Testamento há histórias de homens e
mulheres notáveis e maravilhosos. Abraão Sara Rute ,
'
Moisés , Adão , Eva, Enoque, e muitos out; os
'
proporcionam inspiração a todos aqueles que desejam
alcançar a verdadeira grandeza. Mas o Velho Testamento
tambéJ? registra muitas tragédias . A tragédia não se
traduzIU pelo que aconteceu, mas pelo que foi perdido e
pelo. que poderia ter sido , comparado ao que foi . O re{
DavI perdeu a exaltação em virtude de sua tola tentativa
de, �través de um assassinato, ocultar o adultério que
praticara. Saul, chamado pelo Senhor para ser o primeiro
.
rei de Israel, logo esqueceu-se de quem era o verdadeiro
soberano, e terminou sua vida numa busca desesperada
�a paz e tranqüilidade. Sansão possuía dons e poderes
mcomun� que o Senhor lhe dera; entretanto, desperdiçou­
-os em atitudes frívolas e egoístas .
Neste capítulo , você estudará a respeito de outra
tra�édi � do V�lho Test�ento, só que, neste caso , ela foi
de ambIto nacional . Os Israelitas haviam sido libertados
das .mãos do maior império do mundo da época. Eles
haViam testemunhado as pragas que afligiram os egípcios,
mas que não molestaram a Israel . Com suas próprias mãos
haviam aspergido sangue nas portas de seus lares, e então
escutado os gritos dos egípcios ao perderem seus
primogêni� os. �a�i �m caminhado entre muralhas de água,
que se haViam dlVldldo ante a ordem de Moisés e
presenciado as mesmas águas se fecharem, eng �lfando os
ex.ércitos do faraó. Haviam comido do pão que
mIla?rosamente aparecera a cada manhã, bebido de água
que Jorrara de uma rocha, e visto o Sinai estremecer e
b �il � como que envolto em fogo . Que povo , em toda a
hlstona da terra, recebeu maior testemunho de que Deus
estava com eles, e de que usaria seu insuperável poder em
seu beneficio? Os israelitas haviam recebido muito e
muito mais lhes fora prometido . Então veio a escoiha e
'
por ter sido ela tão tola, cega e absolutamente sem fé esta
'
geração de Israel pôs tudo a perder .
Leia agora sobre a tragédia de Israel. Ela deve fazer com
que c�da alma justa de todas as épocas chore por este
povo �nsensato . .Examine seu próprio coração e veja se a
calamidade sofnda por Israel não poderia repetir-se em
sua própria vida.
�
Instruções aos Alunos
1 . Ao ler e estudar Números 1 3-36, utilize o auxílio
que as Notas e Comentários podem-lhes oferecer.
2. Complete a seção de Pontos a Ponderar
conforme as orientações que lhe forem forn idas pelo
professor. (Os alunos que estudam individualmente
devem completar toda a seção.)
�
NOTAS E COMENTÁRIOS
SOBRE NÚMEROS 13-36
(18-2) Números 13: 1-33. Os Espias e Seu Relato Negativo
Sobre a Terra Prometida
Nes te ponto da história, fazia apenas alguns meses que
Israel havia saído do Egito e recebido a lei de Deus . O
Senhor indicou que aquele era o momento adequado para
entrarrem e tomarem posse da terra prometida. Ele
ordenou que fosse enviado um grupo de reconhecimento a
Canaã., a fim de explorarem a região . A evidência da
grande riqueza da terra era irrefutável, e os espias
chegar� até mesmo a trazer cachos de uvas , carregados
por dOIS homens numa vara, a fim de demonstrar a beleza
e riqueza dos frutos da terra (veja Números 1 3 :23) . No
entanto , os espias , com exceção de Josué e Calebe,
relataram que, apesar da grande fartura de Canaã não
havia qualquer esperança de expulsarem seus habiÍ antes . O
tom exagerado de seu relato negativo se evidencia nas
palavras que usaram, como "mui grandes" (Números
1 3 :28; itálicos acrescentados) , "é terra que consome os
seus moradores" ( 1 3 : 32) , "todo o povo que vimos . . . são
homens de grande estatura" ( 1 3 : 32, itálicos
acrescl�ntados) , "vimos ali gigantes" ( 1 3 : 3 3 ; itálicos
acresc,�ntados), "éramos . . . como gafanhotos" ( 1 3 : 3 3 '
'
itálicos acrescentados) .
Estf: relato exagerado, por si só, foi suficientemente
negativo, demonstrou a falta de fé dos dez homens que o
prestaram. A tragédia nacional, porém, teve início quando
Israel deu ouvidos ao que disseram estes homens.
Abertamente rejeitaram as numerosas evidências do poder
de Deus que haviam presenciado quase que diariamente, e
começaram a reclamar que teria sido melhor se j amais
tiv.e� sem saído do J?gito. E as queixas não pararam por aí.
Imclaram um movimento para rejeitar a Moisés e escolher
um líder que os levasse de volta ao Egito (veja Números
14:4 e Neemias 9: 1 7 , onde se sugere que, de fato,
chegaram a escolher os líderes que os conduziriam em sua
viagem de retorno) . Quando Josué e Calebe tentaram
neutralizar o efeito dos relatos negativos , a congregação
tentou apedrejá-los (veja Números 14: 1 0) .
Não é d e s e admirar, pois, que a ira d o Senhor s e tenha
acendido contra Israel. Numa grande oração intercessória
'
Moisé:; pediu misericórdia para seu povo (vej a Números
14: 1 3- 14) . Ele não escusou o procedimento dos filhos de
Israel, mas apenas ressaltou a longânime misericórdia que
o Senhor possuía. Israel foi poupada da destruição;
perdeu , porém, o privilégio de entrar imediatamente na
terra prometida. Durante os próximos trinta e oito anos
teriam que peregrinar através do árido deserto do Sinai.
Eles bl�m poderiam ter conquistado os habitantes da terra
prometida, construído cidades , comido do fruto da terra
que m anava "leite e mel" (Números 1 3 :27), e criado seus
206
filhos em conforto e paz. Mas não o quiseram, e, assim,
todas as pessoas acima de vinte anos de idade que haviam
repudiado o poder do Senhor, com exceção de Josué e
Calebe, teriam que morrer no deserto .
(18-3) Números 14:40-45. Israel Pode Prevalecer Sellll a
Ajuda do Senhor?
Quando Moisés transmitiu aos israelitas todas as
palavras do Senhor, registrou que "o povo se contristou
muito" (Números 14: 39) . Entretanto, tal pesar não era
oriundo de um verdadeiro arrependimento, conforme
demonstram os eventos que ocorreram logo a seguir . Como
crianças imaturas que não conseguem entender a razilo de
um castigo paterno, Israel subitamente decidiu que deveria
invadir a terra de Canaã, "porquanto havemos pecado"
(vers . 40) . Mas Moisés afirmou já ser tarde demais. O
Senhor havia retirado o mandamento de subir e tomar
posse da terra, e portanto, se persistissem, teriam que fazê­
-lo sem a ajuda de seu poder.
Aí ocorreu o segundo estágio da tragédia. Os israelitas
tinham acabado de perder o direito de entrar na terra
prometida, por haverem-se recusado a seguir ao Senhor .
Agora, procurando demonstrar quão "arrependidos"
estavam, negaram-se a obedecer a Jeová. Lacónica e
amargamente, Moisés simplesmente declarou, "Então
desceram os amalequitas e os cananeus, que habitavam na
montanha, e os feriram, derrotando-os" (vers . 45) .
(18-4) Números 15: 1-26
Aqui está registrada a real aplicação das diversas
ofertas de sacrificio prescritas em Levítico 1 a 7. As kis de
sacrificio, que proporcionavam a expiação e reconciliação
com Deus , foram reiteradas neste ponto do relato de
Moisés , porque no estado de rebeldia em que Israel se
encontrava, elas lhes possibilitariam meio de novamente
obter os favores de Deus .
(18-5) Números 15:27-31
Na antiga Israel, as pessoas que pecavam
conscientemente deveriam ser "extirpados" (vers . 30) , isto
é, deveriam ser excomungadas do meio do povo (vej a o
vers o 30) . Em alguns casos, a natureza do pecado exigia
também a pena de morte . Essa medida drástica era
necessária porque o pecador "desprezou a palavra do
Senhor" (vers . 3 1 ) . Não se tratava de um pecado cometido
por ignorância ou fraqueza, mas de uma recusa deliberada
a obedecer à palavra do Senhor . Assim sendo, esta lei nos
ensina, individualmente, a mesma lição ensinada a Israel
coletivamente, ou seja, que quando as pessoas ou urna
nação desprezam a palavra do Senhor e voluntariam(�nte
transgridem,.são extirpadas da presença de Deus, e n ão
mais fazem parte do povo do convênio. São fadadas a
sofrer a morte espiritual.
(18-6) Números 15:32-36. Apanhar Lenha no Dia do
Senhor É Passível de Morte?
Apedrejar uma pessoa por ter violado o Dia do Senhor
parece um castigo por demais severo . Em seu context o
histórico , porém, duas coisas são importantes . Moisés
havia há pouco revelado a lei para rebelião deliberada
contra Deus . Será que o transgressor conhecia a lei rdativa
ao Dia do Senhor? Moisés , já havia ensinado que a
violação desse dia seria punida com a morte (veja �xodo
3 1 : 1 4- 1 5 ; 3 5 : 2) . Sem dúvida alguma, este era um exemplo
inequívoco de alguém que "desprezou a palavra do
Senhor" (Números 1 5 : 3 1 ) .
Reflita por u m momento acerca d o que acabara de
acontecer a Israel . Como nação, haViam desprezado a
palavra do Senhor , primeiro negando-se a combater os
cananeus como o Senhor ordenara, e segundo,
combatendo-os ao o Senhor proibi-lo . Por esse motivo ,
Israel não obteve a permissão de entrar na terra de sua
herança. Agora um indivíduo desprezara a palavra do
Senhor e se recusara a guardar o repouso relativo ao dia
santificado . Assim como Israel deveria sofrer a morte no
deserto, em virtude de sua rebeldia, semelhante castigo
deveria ser infligido ao indivíduo rebelde . Se assim não
fosse, Deus seria incoerente e contraditório .
(18-7) Números 15:37-41 . Em Que Consistiam as Franjas
nas Bordas dos Vestidos?
Um símbolo é uma coisa que representa outra. Um dos
propósitos da utilização de símbolos é fazer com que nos·
lembremos dos compromissos importantes que
assumimos . Por exemplo , o pão e a água do sacramento
são simbolos que nos lembram do sacrificio expiatório que
Cristo fez por nós , e dos convênios que fizemos com ele .
Israel vivia a lei do sacrificio por uma razão semelhante.
Da mesma forma, o Senhor ordenou à Israel peregrina
que usasse franjas nas bordas de seus vestidos , para que
quando as vissem, se lembrassem dos mandamentos do
Senhor (veja o vers o 39) .
O homem usa o vestuário para cobrir , proteger e
embelezar o seu corpo . Assim sendo, o ato de colocar
franj as numa peça de vestuário simbolizava que o
indivíduo se achava vestido, ou coberto com os
mandamentos de Deus .
O cordão azul também representava conceitos de
profunda importância. O azul é a cor do céu , portanto
simboliza a esfera espiritual ou divindade.
"O zizith (borla) do cordão azul-celeste deveria servir
como um sinal que lembrasse os israelitas dos
mandamentos de Deus, para que os tivessem
continuamente ao alcance de seus olhos e os seguissem , e
não voltassem seus olhos e coração para as coisas do
mundo , que os afastavam da palavra de Deus, e os
desencaminhavam rumo à idolatria. " (Keil and Delitzsch,
Commentary, 1 : 3 : 1 04.)
(18-8) Números 16: 1-40. A Rebeldia de Coré e de Outros
Líderes de Israel
A rebeldia de Coré foi um desafio direto à autoridade e
liderança de Moisés e Aarão . Até este ponto , Israel
estivera se queixando e murmurando com constância; mas
aparentemente, esta foi uma tentativa bem maior, a fim de
substituir Moisés como o escolhido de Deus para conduzir
seu povo . (A rebeldia de Miriã e Aarão fora uma tentativa
para granjear-lhes uma posição igual e ao lado de Moisés ,
mas não houve qualquer intenção de derrubá-lo .) Coré,
um levita, ao acusar Moisés e Aarão de se elevarem acima
do povo (veja os vers o 2-3), contava com o apoio de
duzentos e cinqUenta dos líderes mais preeminentes de
Israel . Sua afirmativa, de que "toda a congregação é
santa, todos eles são santos" (vers . 3) foi semelhante
àquela apresentada pelos apóstatas zoramitas, que
agradeceram a Deus por serem seus "santos filhos " (Alma
3 1 : 1 6) .
J á teria sido u m caso bastante sério s e esta insurreição
houvesse sido encabeçada por qualquer filho de Israel,
207
quanto mais por Coré, que era um levita e possuía o santo
sacerdócio, e que por este motivo, tinha que ser alguém
que deveria primar pela obediência, e não pela rebeldia.
As perguntas que Moisés lhe dirigiu , as quais se acham nos
versículos 9 e 10, são deveras significativas . Na tradução
de Joseph Smith do versículo 10 pode-se ler que Moisés
perguntou a Coré se ele estava tentando usurpar também a
autoridade do sumo sacerdócio . Ao invés de ter em seu
íntimo um sentimento de reverência e gratidão pela honra
de ser um levita, Coré e seus companheiros procuraram
apoderar-se do sacerdócio maior e da liderança da nação .
Esta foi uma grave crise na vida política e religiosa de
Israel , e o Senhor julgou apropriado resolvê-la de uma
forma direta e dramática.
O Senhor ordenou que tanto Aarão e os legítimos
portadores do sacerdócio, como Coré e seus seguidores
trouxessem incensários e incenso ao tabernáculo . O
incensário era um pequeno recipiente de metal, feito para
conter brasas vivas retiradas do altar do tabernáculo .
Durante os serviços que ali se realizavam, era requerido
que o sacerdote oficiante aspergisse incenso sobre as brasas
do altar de incenso , que ficava situado diretamente em
frente ao véu do tabernáculo. 'Outras escrituras indicam
que a queima de incenso era um símbolo da oração (veja
Apocalipse 5 : 8 ; 8 : 3 -4; Salmos 1 4 1 :2), sugerindo que o
homem só pode aproximar-se de Deus em súplica sagrada.
Ao pedir que cada um dos grupos trouxesse incensários e
incenso , o Senhor aplicou um teste bem semelhante ao que
Elias apresentou aos sacerdotes de Baal (veja I Reis 1 8 : 1 7-40) . Naquela ocasião fora pedido aos falsos adoradores
que invocassem a Deus por um sinal de que Baal tinha
poder . Ao fracassarem o Senhor deu um dramático
testemunho físico de que ele era Deus, fazendo com que
descesse fogo do céu e consumisse o sacrifício e o altar.
Neste caso, foi pedido a Coré e seus seguidores que
trouxessem fogo diante do Senhor, como um símbolo de
suas orações e súplica para que defendesse a sua causa.
Em vez disso, a terra se abriu , engolinqo os líderes da
rebelião (veja Números 1 6 : 3 1 -33), ao mesmo tempo que
desceu fogo dos céus, consumindo os outros duzentos e
cinqüenta homens que presumiam poder usurpar os
poderes do sacerdócio (veja o vers o 35).
(18-9) Números 16:41-50. Os Filhos de Israel Murmuraram
Não podemos deixar de nos espantar ante a dureza do
coração de Israel . Haviam presenciado uma incrível
demonstração do poder de Deus , que diretamente
confirmava o chamado de Moisés e Aarão como líderes de
Israel . Entretanto, mesmo diante daquele poder
miraculoso eles murmuraram, dizendo que Moisés e Aarão
haviam matado os verdadeiros servos do Senhor (veja o
verso 4 1 ) . Não é de admirar que Abinádi descrevesse
aquele povo como "povo obstinado, rápido para cometer
iniqüidade e vagaroso para lembrar-se do Senhor seu
Deus" (Mosias 1 3 :29). Além disso devemo-nos
maravilhar com a grande paciência e longanimidade do
Senhor.
(18-10) Números 17: 1-13. Qual É o significado da Vara de
Aarão Florescer?
No dia da insurreição contra a liderança de Moisés e
Aarão, o Senhor deu duas demonstrações miraculosas que
evidenciaram inequivocamente a Israel, quem ele havia
escolhido para conduzir o seu povo . Primeiro, Coré e seus
companheiros de rebelião foram mortos , tragados pela
terra ou consumidos pelo fogo . Segundo, aqueles que
continuaram a defender a liderança maligna de Coré,
mesmo após a sua morte, foram destruídos por uma praga
(veja Números 1 6:49) . As escrituras afirmam que
aproximadamente quinze mil pessoas perderam a vida,
tentando provar que Moisés e Aarão não eram as pessoas
indicadas para guiar Israel . Depois disso , o Senhor operou
outro milagre, para deixar claro a quem escolhera para
possuir o sacerdócio . Os estudiosos da Bíblia explicam a
importância desse milagre da seguinte maneira:
"O milagre operado por Deus, nesta ocasião , como o
Criador da natureza, era, ao mesmo tempo, um símbolo
import,ante da natureza e significado do sacerdócio . A
escolhol, de varas também tinha em si uma significação . A
vara df: um homem era o sinal de sua posição como cabeça
de sua casa e congregação . Quando em poder de um
príncipe, torna-se um cetro , a insígnia de governo (veja
Gênesi:; 49: 1 0) . Sendo um ramo cortado, uma vara não
poderia produzir brotos nem florir de forma natural .
Deus, porém, poderia conferir novos poderes vitais mesmo
para uma vara seca. Aarão não possuía preeminência
sobre os cabeças das outras tribos, mas o sacerdócio era
fundamentado não em qualidades e dons naturais, senão
no poder do Espírito, o qual Deus concede de acordo com
seus sábios desígnios , e o qual ele outorgara a Aarão pela
sua consagração com o santo óleo da unção . Isso é o que o
Senhor pretendia demonstrar ao povo , fazendo com que a
vara de Aarão produzisse ramos, flores e frutos , através
do milagre de sua onipotência, ao passo que as varas dos
cabeças das outras tribos permaneceram tão secas quanto
antes . Deste modo, portanto, houve um profu